Ler 7 Minutes of Heaven – Capítulo 04 Online

❀ 7 Minutes Of Heaven 4
— Jeong-in! O jantar está pronto!
A voz de Suzy ecoou enquanto chamava do andar de baixo. Jeong-in, que estava resolvendo exercícios em um caderno, largou o lápis e se levantou.
Ao abrir a porta, o cheiro familiar de comida coreana atingiu seu nariz. O aroma saboroso da carne e o cheiro marcante de kimchi. Com certeza era ou kimchi jjigae ou kimchi refogado. Torcendo para que fosse o segundo, Jeong-in desceu as escadas com passos animados.
Como mãe solteira que trabalhava, Suzy estava sempre ocupada. Jeong-in não podia pedir que ela fizesse comida coreana. Quando sentia vontade, ele preparava lámen instantâneo ou comprava kimbap congelado no mercado. Já havia tentado cozinhar sozinho, mas, sem talento, falhou repetidas vezes.
Uma refeição coreana de verdade como aquela era um luxo raro. Até encontrar os ingredientes não era fácil, e o restaurante coreano mais próximo ficava a uma hora e meia de distância.
Suzy falou em coreano:
〈Jeong-in, pode servir o arroz?〉
〈Claro.〉
Os dois conversavam misturando coreano e inglês. No começo da adaptação, falavam inglês em casa de propósito, mas agora usavam mais o coreano para preservar a língua nativa.
Jeong-in serviu naturalmente o arroz da panela elétrica nas tigelas e colocou as colheres. Enquanto isso, Suzy, usando luvas térmicas, colocou uma panela de ferro amarela no centro da mesa.
— Uau!
Quando abriu a tampa, o vapor revelou kimchi refogado com bastante carne.
A saliva se acumulou na boca de Jeong-in. Ele recebeu aquela comida coreana, que não comia há tanto tempo, batendo palmas como uma criança.
Suzy sorriu com orgulho enquanto servia uma porção no prato fundo à frente de Jeong-in.
— E a festa Spring Fling? Ainda contra a ideia?
— Eu concordei em ajudar o conselho estudantil durante o dia. Não vou à festa.
O tema do Spring Fling era decidido todo ano por votação do conselho estudantil, e este ano seria um tipo de festival com conceito de carnaval itinerante. Jeong-in havia concordado em ajudar Jona Kaplan, membro do conselho e da Sociedade de Matemática, junto com Justin.
— E a escola? Alguma novidade?
— Vou representar o México no Model UN. A pessoa anterior se transferiu.
— O clube de matemática não é suficiente?
— Eu não gosto de atividades físicas. E não existe “suficiente” quando se trata de entrar em Harvard.
A Ivy League era o objetivo de quem queria entrar em uma universidade de prestígio. Todas eram impressionantes, mas Harvard tinha um significado especial para imigrantes como Jeong-in. Na Coreia, nem todos conheciam todas as universidades da Ivy League, mas todos conheciam Harvard. O nome por si só simbolizava sucesso.
E Jeong-in tinha outro motivo para querer ir para Harvard.
Seu objetivo era entrar no curso de bioengenharia e, no futuro, se tornar um cientista farmacêutico, desenvolvendo novos medicamentos.
Perder o pai ainda jovem, vítima de fibrose pulmonar, deixou nele uma ferida profunda e uma forte motivação. A fibrose pulmonar era uma doença rara em que o tecido dos pulmões se danifica e endurece gradualmente — uma condição fatal, sem cura definitiva, que leva à morte poucos anos após o diagnóstico.
Jeong-in ainda não conseguia esquecer o elogio caloroso que seu pai, vestindo roupas de paciente, lhe fez quando ele recitou a tabuada antes mesmo de entrar na escola.
— Já decorou a tabuada. Incrível, nosso Jeong-in. Desse jeito, você vai para Harvard quando crescer!
Embora tivesse apenas sete anos na época, a imagem de seu pai lutando para respirar ficou gravada profundamente em sua memória.
Depois de perder o pai, a família de três virou dois. Jeong-in e Suzy passaram muitos anos como companheiros, apoiando-se um no outro. Claro, conforme Jeong-in cresceu, alguns segredos deixaram de ser compartilhados, mas o vínculo entre eles continuava forte.
Bzzt—
Uma vibração soou no bolso do avental de Suzy. Ela olhou rapidamente para a tela antes de virá-la casualmente sobre a mesa.
Bzzt—
Quase imediatamente, outra vibração soou. Jeong-in estreitou os olhos, olhando para Suzy.
— Mãe, você está saindo com alguém?
— Não.
Suzy respondeu de forma despreocupada, mas naquele momento outra vibração ecoou. Desta vez parecia uma ligação, com vibrações curtas se repetindo em sequência.
— Desculpa.
Suzy hesitou por um instante, então apertou o botão lateral para desligar o aparelho.
— Não é nada com que se preocupar. Vamos comer.
Se a mãe disse isso, então devia ser verdade. Enquanto Jeong-in assentia e estava prestes a pegar a colher, ouviu alguém bater na porta da frente. Suzy franziu a testa, olhando em direção à entrada. Então murmurou em coreano:
〈Esse cara tá falando sério…?〉
Suzy se levantou como se já soubesse quem era. Jeong-in ergueu o olhar, confuso.
— Mãe?
— Jeong-in, fique aqui.
Suzy falou com firmeza, deixando-o à mesa enquanto se dirigia à porta.
Prendendo a respiração, Jeong-in ficou esperando e ouviu vozes discutindo em inglês na entrada. Incapaz de ficar parado, foi verificar e viu um rosto familiar.
Steven Fletcher. O ex-marido de Suzy.
— …Steven.
— Jeong-in! Como você tem estado?
Steven entrou na casa sem cerimônia, com um sorriso animado, e deu um abraço apertado em Jeong-in. Em seguida, sem qualquer vergonha, aspirou o ar e caminhou até a cozinha.
— Esse cheiro é de kimchi jjigae? Ah! Kimchi refogado?
Steven engoliu em seco ao olhar para a refeição que os dois estavam comendo. Então, deixou os ombros caírem, como se quisesse despertar pena.
— Kimchi refogado era minha comida favorita quando eu estava na Coreia. Pensando bem… eu ainda não jantei…
Suzy soltou um longo suspiro, com uma expressão entre irritação e resignação, enquanto se dirigia à panela de arroz.
— Lave as mãos primeiro.
— Sim!
Steven, com uma expressão animada, pendurou o paletó do terno na cadeira da mesa de jantar e foi para o banheiro. Suzy, servindo arroz em uma tigela, olhou de relance para Jeong-in e perguntou:
— Você está bem com isso?
— Claro.
Jeong-in respondeu com um sorriso tranquilo.
Na Coreia, Suzy era professora de inglês. Ela trabalhava em uma escola de conversação frequentada por alunos do ensino fundamental, e um dos professores nativos de lá era Steven Fletcher.
O prédio do cursinho, localizado dentro de um complexo de apartamentos, abrigava diversos institutos educacionais. Depois da escola, Jeong-in ia para a aula de piano naquele prédio, depois para a aula de matemática e, por fim, para o curso de inglês de sua mãe. Ele ficava lá esperando até voltarem juntos para casa.
Steven costumava conversar e brincar com Jeong-in, que fazia lição sozinho em uma sala vazia. Mais tarde, descobriu-se que ele fazia isso porque gostava de Suzy.
Suzy, que criava o filho sozinha após perder o marido, sentia-se solitária e encontrou afinidade em Steven, que também estava sozinho na Coreia. Os dois — não, os três, incluindo Jeong-in — rapidamente se aproximaram.
Em feriados como o Ano Novo Lunar, quando as famílias costumam se reunir, eles passavam o tempo com Steven ou até viajavam juntos para lugares como Busan ou Gangneung.
Eventualmente, Steven pediu Suzy em casamento, e os três emigraram para os Estados Unidos. Bellacove, onde se estabeleceram, era a cidade natal de Steven.
De volta à sua cidade depois de muito tempo, Steven rapidamente ficou ocupado, usando como desculpa encontrar família e amigos e procurar trabalho. Com isso, acabou negligenciando a esposa e o enteado, que haviam sido deixados em um país estrangeiro, longe de casa.
Eventualmente, o casal se divorciou. Como forma de pedido de desculpas, Steven transferiu a casa onde haviam morado para o nome de Suzy.
Após o divórcio, Suzy considerou voltar para a Coreia, mas acabou decidindo permanecer em Bellacove. Ela não queria empurrar Jeong-in de volta para a competição brutal dos vestibulares coreanos justamente quando ele começava a se adaptar ao novo ambiente. Além disso, acreditava que o futuro dele seria mais promissor ali.
Seu inglês, que havia sido seu sustento na Coreia, não era tão útil ali, então Suzy aprendeu uma nova profissão e abriu um pequeno salão de unhas. Foi assim que eles continuaram sua vida nos Estados Unidos pelos últimos sete anos.
Steven revelou seu verdadeiro objetivo quando os três estavam sentados com xícaras de café após terminarem o jantar de kimchi refogado.
— Suzy. Já que o Jeong-in também está aqui, eu gostaria de continuar nossa conversa de mais cedo…
— Eu já disse que não temos nada para conversar.
— Por favor! Só me escuta uma vez. Jeong-in! Você também participa, ok?
Ele começou com uma expressão bastante desesperada.
— Você sabe que eu tenho muitas conexões de “hyung-nim” na Coreia, certo? Estou me preparando para importar e vender carros usados de lá, e estou procurando investidores.
Ele disse “hyung-nim” em coreano. Jeong-in sorriu, achando graça ao perceber que ele não havia esquecido as nuances culturais coreanas.
— Eu tenho apresentado minha proposta por aí, e adivinha quem eu encontrei? Dominic Prescott!
O sorriso no rosto de Jeong-in desapareceu completamente ao ouvir, de forma inesperada, o nome “Prescott”.
Prescott — um nome do qual ninguém ousava se aproximar.
A família Prescott, pertencente à elite do “old money”, estabeleceu as bases de sua fortuna no final do século XIX, durante o crescimento do setor financeiro, ao fundar a “Prescott & Co.”.
Inicialmente operando como um banco local e associação de investimentos voltada para pequenas empresas e a comunidade, expandiram seus negócios ao longo das gerações para banco de investimento, gestão de ativos e investimentos imobiliários.
No início do século XX, já consolidada como uma grande empresa de investimentos, a família se reestruturou como “Prescott Capital Holdings”, ampliando aquisições corporativas e redes financeiras globais. Até hoje, reina como um conglomerado financeiro representativo, exercendo enorme influência na economia americana.
Sua subsidiária, Prescott Bank & Trust, também se estabeleceu como um grande banco com presença nacional. Oferecia produtos especiais com maiores retornos para alunos e ex-alunos de Wincrest, então tanto Jeong-in quanto Justin tinham contas e cartões desse banco.
Bellacove era como a raiz da família Prescott. Não havia ninguém ali que não conhecesse os Prescott. Havia até uma avenida principal chamada Prescott Avenue.
Nem a Wincrest High School estava livre da influência deles. Graças à doação do terreno e à construção das instalações pela família Prescott, tanto o auditório quanto o estádio levavam seu nome.
— Jeong-in, você por acaso conhece o filho do Prescott? Ouvi dizer que ele estuda na mesma Wincrest que você.
Os lábios levemente entreabertos de Jeong-in se fecharam com firmeza. Ele sentiu como se nunca fosse conseguir escapar de Chase Prescott.
— Eu estava tentando encontrar algum assunto em comum, e acredita que ouvi dizer que o filho dele estuda lá? Não sei por que ele não frequenta uma escola particular. E me disseram que ele está na mesma série que o Jeong-in, então…
— Então o quê? O que você fez?
Suzy perguntou, arregalando os olhos.
— Eu mencionei que meu filho também estuda lá, na mesma série. Mas… acho que esqueci de dizer que nos divorciamos há alguns anos…
— O quê?
Suzy soltou uma risada incrédula, carregada de sarcasmo. Steven rapidamente tentou se justificar.
— Você sabe como é difícil criar um vínculo com alguém assim? Pessoas desse tipo, fechadas como fortalezas, só se abrem quando o assunto são os filhos!
— Então você está dizendo que fez a coisa certa?
— Suzy, minha história não termina aí. O que eu realmente quero dizer é…
Uma sensação de mau presságio passou pelo rosto de Suzy ao ouvir suas palavras.
— Vai ter uma festa beneficente na mansão Prescott na sexta-feira. Quando Dominic Prescott perguntou se eu poderia ir com meu filho…
— Não me diga!
— Eu disse que iríamos.
— O quê?
Steven alternou o olhar entre a chocada Suzy e Jeong-in, um sorriso submisso se espalhando pelo rosto.
— Então eu estava pensando… será que eu poderia levar o Jeong-in para a festa?
— Você quer levar o Jeong-in fingindo que ele é seu filho?
— Olha pra gente! Quem é que eu conseguiria enganar? Eu só… preciso ir a essa festa. Só isso. Estou desesperado a ponto de usar o filho da minha ex-esposa como convite, se ele estiver disposto a ajudar!
Ninguém confundiria os dois com pai e filho biológicos de qualquer forma, considerando suas etnias diferentes. Steven apenas queria criar alguma ligação com os Prescott, usando qualquer desculpa possível.
— Por favor… se eu conseguir investimento dos Prescott, os outros virão automaticamente. Vai ser como pavimentar uma estrada para o meu futuro.
Suzy suspirou profundamente, cruzando os braços em descrença. Steven continuou, com os olhos brilhando de esperança.
— Vou falar de negócios sob o pretexto de cumprimentá-los. Se eu levar meu filho comigo, pelo menos vão me dar uma chance de conversar, certo?
— Você não tem o mínimo de consciência? Quer que o Jeong-in finja ser seu filho? Você, que nem sequer cuidou dele direito quando ele estava sofrendo para se adaptar em um país estrangeiro?
Steven abaixou a cabeça, parecendo sentir culpa diante da crítica direta de Suzy.
O casamento dos dois havia durado menos de dois anos, e eles viveram separados por quase um desses anos. Jeong-in nunca considerou Steven como pai.
— Se esse investimento der certo, eu pago a faculdade do Jeong-in.
— …O que você disse?
Pela primeira vez, Suzy estreitou os olhos, demonstrando interesse ao encarar Steven.
— Talvez eu não consiga pagar tudo, mas pago o primeiro ano!
Suzy virou a cabeça para olhar Jeong-in ao seu lado, como se buscasse sua opinião.
A mensalidade das universidades americanas, que facilmente ultrapassava dezenas de milhares de dólares, não era algo que pudesse ser ignorado. Se ir a uma festa uma vez e fingir ser filho de alguém pudesse resolver o custo do primeiro ano, não parecia um mau negócio.
Claro, eles pretendiam buscar bolsas de estudo ou ajuda financeira, mas precisavam considerar alternativas caso isso não desse certo.
Quando Jeong-in assentiu levemente em concordância, Suzy falou com voz firme:
— Você pode colocar isso por escrito? Quero dizer, pode assinar uma nota promissória?
— Claro!
Assim, Jeong-in e Suzy aceitaram o pedido desesperado de Steven. Eles concordaram em comparecer ao evento beneficente da família Prescott naquela sexta-feira.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
Ler 7 Minutes of Heaven Yaoi Mangá Online
Aviso: ※ Conversas em coreano são expressas usando 〈 〉, enquanto conversas em inglês e outros idiomas utilizam travessão —
Sinopse:
Lim Jeong-in é um nerd acostumado a ser tratado como se fosse invisível na selva do ensino médio. Ele participa de duas atividades de clube com seu melhor amigo, Justin Wong. Uma é o clube de matemática ‘Mathleet Society’, e a outra é o ‘Clube de Ódio ao Chase’.
— Longa vida ao Clube de Ódio ao Chase.
Escrever um ‘livro da vergonha’ que repete boatos sobre o maior galã da escola, Chase Prescott, era um dos pequenos prazeres dos dois nerds. No entanto, através de uma reviravolta inesperada, o caderno de Lim Jeong-in é descoberto por Chase.
Mas, em vez de ficar zangado, Chase demonstra interesse por Jeong-in.
— Você é realmente engraçado.
— O livro? Quando você vai devolvê-lo?
— Hmm. Quando você parar de me odiar?
Ironicamente, o relacionamento que começou com o livro da vergonha torna-se gradualmente especial e, à medida que Jeong-in descobre os lados ocultos de Chase, ele se vê cada vez mais atraído para o mundo dele.
[Então, você gosta um pouco mais de mim agora?]
A verdade é que você me cativou não apenas agora, mas muito antes. Desde o momento em que bati os olhos em você pela primeira vez.
Jeong-in entra em confusão ao encarar seus verdadeiros sentimentos, que ele deliberadamente ignorou e escondeu até agora. Amizade, estudos e uma paixão de longa data.
Nesse relacionamento instável com alguém que abala todo o seu mundo, será Jeong-in capaz de manter o seu lugar?
Nome alternativo: 7 7 Minutes In Heaven