Ler 7 Minutes of Heaven – Capítulo 01 Online

❀ 7 Minutes Of Heaven 1
Este lugar é uma selva.
Um lugar onde adolescentes movidos por hormônios formam pequenos grupos.
Todos os dias, a hierarquia muda, e fortes e fracos são separados por fronteiras invisíveis. A única regra absoluta que governa este lugar é a sobrevivência do mais apto. O poder se torna lei, e saber ler o ambiente é o primeiro passo para sobreviver.
— Não bloqueia o caminho, nerd.
Alguém esbarrou em seu ombro, fazendo seus óculos escorregarem. Já acostumado com esse tipo de tratamento, Lim Jeong-in ajustou seus óculos de armação grande e grossa e seguiu em direção ao seu armário.
Um armário bem organizado, com apenas um horário colado — sem fotos ou adesivos — dava pistas sobre a personalidade do dono. Lim Jeong-in reuniu apressadamente o fichário, o caderno e os outros materiais necessários para o dia.
Diferente da Coreia, onde havia tempo para fazer algo durante os intervalos, nas escolas americanas os intervalos duravam apenas quatro minutos. Ainda assim, o campus era irritantemente grande, não deixando nenhuma chance de passar no armário duas vezes.
Enquanto enfiava os livros na mochila de acordo com seu horário, ouviu vozes tagarelando por perto. Eram as líderes de torcida, Ava Winslow e Sienna Reznick.
— Ouvi dizer que teve uma festa na piscina na casa da Madison ontem. Deve ter sido divertida, né? Queria que você tivesse ido também.
— Ava, você estava de castigo. Eu não podia ir sozinha.
— Sério? Então de quem é esse biquíni roxo traidor nas fotos que o Max Schneider postou?
Neste lugar, você nunca sabe em quem confiar ou não. Tudo não passa de um jogo.
Nesta selva onde você apenas suporta, se esconde e finge viver, existe uma hierarquia invisível.
Primeiro, aqueles sortudos o suficiente para pertencer a um grupo. Segundo, aqueles que entraram em um grupo, mas vivem pisando em ovos, sem saber quando serão expulsos. Terceiro, os de fora, forçados à solidão.
Quanto a Lim Jeong-in, ele claramente pertence ao terceiro grupo.
Mesmo enquanto fechava o armário e girava o cadeado, a discussão das líderes de torcida continuava.
— Tá, eu fui. E daí?
— Para alguém que me apunhalou pelas costas, você está bem ousada. Aliás, aquele biquíni na foto não é o que você pegou emprestado da Hannah? Você disse que devolveu, sua ladra.
— Cuida da sua vida. É por você ficar se metendo na vida dos outros que o Brian está ficando com a Lila Harrington…
A conversa, que parecia uma troca constante de arranhões, parou de repente. Ao virar a cabeça para ver o que havia acontecido, Lim Jeong-in os viu — garotos usando jaquetas varsity, que apenas representantes dos times da escola podiam vestir.
Eles eram os jogadores do time de futebol americano, os predadores no topo da cadeia alimentar da escola.
Com a aparição deles, todo o corredor se abriu como se fosse propriedade deles, e um grupo de seguidores se formou naturalmente ao redor.
Uma única palavra, um leve olhar ou uma expressão sutil deles era o suficiente para estabelecer novas regras na escola. Como se fosse a ordem natural, um princípio irresistível.
O garoto de cabelo castanho que ria enquanto jogava e pegava uma bola de rugby era Brian Cole, linebacker, conhecido por ter um pai vereador. O jogador negro com mais de dois metros de altura e físico impressionante era Darius Thompson, offensive lineman. O latino bonito com um sorriso amigável era Alex Martinez, cornerback. O mais baixo, porém mais falante, era Max Schneider, running back — embora “baixo” ainda significasse quase 1,83m de altura.
Claro, até mesmo dentro desse grupo de predadores havia uma hierarquia, e existia um líder claro, um Alfa, visível para qualquer um.
Chase Alexander Prescott.
Seus cabelos loiro-mel, como se fossem tecidos com fios de ouro, brilhavam intensamente sob a luz da manhã. Seus traços delicados, como se tivessem sido desenhados, revelavam uma beleza tridimensional nítida.
Um rosto onde beleza e elegância coexistiam havia se estabelecido perfeitamente, defendendo-se com excelência dos ataques da puberdade. Na verdade, era de se perguntar se algo como puberdade sequer existia para ele.
Além disso, seu porte robusto, alcançando 1,95m, exibia uma presença que parecia preencher todo o corredor.
No entanto, o que sempre mais chamava a atenção de Lim Jeong-in eram os olhos dele.
Os olhos de Chase Prescott eram de um azul claro e profundo, como um mar transparente de pleno verão. Quando tocados pela luz do sol, o azul da íris ganhava vida, revelando texturas delicadas e cintilando como ondulações suaves na superfície da água. A pupila escura no centro daquele azul parecia esconder segredos profundos e distantes, como um abismo.
Para evitar cometer o erro de encará-lo por tempo demais, Lim Jeong-in abaixou o olhar para o armário já fechado e girou o cadeado distraidamente.
— Ora, ora, quem temos aqui? Dumpling Wong!
Ao virar a cabeça diante da provocação familiar, Lim Jeong-in viu Max Schneider bloqueando Justin Wong, que passava pelo corredor carregando uma grande placa de madeira para fazer materiais de apresentação. Justin era sino-americano, e seus pais tinham um restaurante chinês no shopping.
— Não trouxe dumplings hoje? Estou com fome.
Ao perguntar isso enquanto sacudia a própria bolsa, Max fez com que os ombros rechonchudos de Justin se encolhessem de tensão.
— …Eu não trouxe nada disso.
— Hmm, sua atitude está meio desrespeitosa, não acha? Já faz tempo desde que você foi trancado em um armário? Deixa eu ver sua marmita. Se tiver alguma coisa, você vai se dar mal.
Enquanto Max zombava com um sorriso de escárnio, seu grupo explodiu em risadas, como se aquilo fosse extremamente divertido.
Foi então que, por algum motivo, Chase Prescott interveio.
Chase Prescott geralmente tendia a tolerar as palavras e ações de seu grupo. Mas ele tinha o poder de mudar o clima apenas franzindo levemente a testa ou chamando alguém pelo nome.
— Schneider, já chega.
Como se fosse uma regra implícita, eles se chamavam pelos sobrenomes, não pelos nomes próprios. Max Schneider deixou Justin ir com uma expressão um tanto decepcionada, como se tivesse perdido uma presa quase capturada. O grupo de predadores, tendo terminado no armário, seguiu pelo corredor como uma matilha.
Justin fungou o ar atrás de Chase Prescott enquanto ele passava. Então, inclinando a cabeça, aproximou-se de Lim Jeong-in.
— Como até o cheiro dele pode ser bom? Será que sai loção pós-barba das axilas em vez de suor?
Lim Jeong-in riu baixo e segurou a placa de Justin enquanto ele abria o armário para pegar suas coisas.
— Aliás, por que o Max Schneider fica falando de dumplings sempre que te vê?
— Uma vez! Eu levei dumplings na marmita só uma vez, e ele ficou assim por causa disso. E isso foi lá no fundamental.
Lim Jeong-in tentou mudar de assunto, mas Justin voltou a falar de Chase Prescott.
— Mas, Jay, sabe de uma coisa? Dizem que homens que cheiram bem são golpistas.
— Quem diz isso?
— Minha avó.
Justin mora com os pais, que trabalham, e com a avó.
Sempre que Lim Jeong-in vai à casa dele, a vovó Meiling está sentada na cadeira de balanço da sala como uma peça fixa, sempre assistindo telenovelas.
A avó, que normalmente não reage nem quando é cumprimentada, só demonstra reação rindo em reviravoltas dramáticas — como quando o pai escondido da protagonista na verdade é a mãe, ou quando o protagonista leva um tapa por ter um filho fora do casamento.
Lim Jeong-in era próximo não apenas de Justin, mas também da família dele.
— Tch.
Justin estalou a língua, lançando um olhar de desaprovação para a figura de Chase Prescott se afastando.
— Eu não entendo o que as garotas veem em caras assim. Só um quarterback com rosto bonito, alto e cheio de dinheiro.
— Você acabou de listar todos os motivos.
— Jay, você já ouviu o ditado “popular porque é popular”? O Chase Prescott é exatamente esse caso. Enfim, essas garotas não têm gosto, é horrível. A Jules Faulkner está pensando em criar um fã-site, aparentemente. E a Hailey Simmons? Nem me faça começar a falar daquela metida.
— Eu não falei.
Os olhos de Justin se arregalaram de repente.
— Droga, é a Hailey.
Justin sugou as bochechas, afinando o rosto rechonchudo, ergueu uma sobrancelha e fez o que ele considerava sua expressão mais confiante e sedutora.
— Oi, Hailey.
Hailey lançou um olhar para Justin como se ele fosse um inseto e passou direto. Justin ergueu ainda mais a voz.
— Hailey! Espera aí!
Lim Jeong-in, constrangido, tentou impedir Justin, mas ele já estava se aproximando dela com passos confiantes.
— Aqui está o que você pediu.
Hailey pegou o papel com um sorriso morno, dizendo “Obrigada”, usando o polegar e o indicador como se fossem pinças.
Enquanto Justin voltava com uma expressão satisfeita, Lim Jeong-in perguntou:
— O que foi isso?
— Uma redação sobre o sufrágio feminino e a 19ª Emenda.
— …
Uma expressão de pena cruzou o rosto de Lim Jeong-in.
Enquanto isso, Hailey Simmons se aproximou de Chase Prescott como se fosse atraída por um ímã. Seja lá o que ele disse, ela caiu na gargalhada enquanto se agarrava ao braço dele, rindo tanto que sua garganta ficava visível. A mão dela parecia especialmente pequena diante do antebraço robusto de Chase.
Justin torceu os lábios e resmungou:
— O mundo é injusto.
— Bem… isso não é exatamente novidade.
— Mas eu acredito na lei do aumento da entropia e na Terceira Lei de Newton. Tudo eventualmente caminha para o equilíbrio. Talvez o Chase, que tem tudo, tenha um pau tão pequeno quanto um órgão vestigial?
— Pfft, essa foi boa! Vamos escrever isso no livro.
Os dois, que compartilhavam a mesma aula, sentaram-se lado a lado na primeira fileira.
O que Justin tirou da mochila foi um livro de capa vermelha. O vermelho chinês — considerado auspicioso — trazia caracteres chineses escritos em laca branca.
[Livro da Vergonha]
Com uma caneta na mão, Justin começou a escrever com uma expressão animada:
“Presume-se que a linguiça de Chase Prescott seja tão pequena quanto um órgão vestigial.”
O livro já estava pela metade, recheado com os motivos pelos quais os dois não gostavam de Chase Prescott. Não só isso, também continha nomes de garotas supostamente envolvidas com ele, segredos sobre pessoas da escola que apenas os dois conheciam e especulações privadas.
Claro, tudo não passava de construções mentais de dois excluídos, mas o livro era o único entretenimento que permitia a esses dois indivíduos isolados rirem enquanto frequentavam a escola.
Justin especulava que seu desgosto por Chase podia ser autodesprezo. Ele havia descoberto por acaso que o peso de Chase Prescott era idêntico ao seu, até as casas decimais. Claro, havia quase 30 centímetros de diferença de altura entre eles.
Enquanto isso, Jeong-in tinha seu próprio motivo para não gostar de Chase. Um motivo íntimo demais para ser revelado sequer no Livro da Vergonha.
— Então, por que usamos limites para encontrar a taxa de variação instantânea? Sr. Wong, tem algo engraçado acontecendo aí?
— Ah, não! Desculpe!
Justin fechou rapidamente o Livro da Vergonha ao ouvir o professor.
Jeong-in e Justin estavam cursando AP Calculus BC, uma disciplina avançada criada para permitir que alunos obtenham créditos universitários antecipadamente. Embora a aula cobrisse conteúdo de nível universitário e fosse frequentada majoritariamente por alunos do último ano, os dois eram excelentes em matemática e planejavam fazer essa disciplina antecipadamente no penúltimo ano, para poder cursar outras matérias avançadas, como álgebra linear, no último ano.
Quando a aula terminou e todos estavam prestes a se dispersar para suas respectivas salas, Justin deslizou o Livro da Vergonha em direção a Jeong-in. Eles se revezavam para ficar com o livro, passando-o entre si a cada uma ou duas semanas, como um diário compartilhado.
— Vida longa ao Hate Chase Club.
Justin sussurrou no ouvido de Jeong-in, como um membro de uma organização vilanesca transmitindo secretamente um lema em um filme de super-heróis.
Jeong-in riu suavemente ao olhar para Justin, seu único e melhor amigo. Então repetiu o lema:
— Vida longa.
O tremor quase semelhante ao medo que sentiu ao se transferir de escola pela primeira vez ainda permanecia vívido, mesmo após sete anos.
Aqui em Bellacove, a proporção de pessoas de cor não era tão alta quanto em outras regiões. O professor da turma, Sr. Richardson, parecia bastante confuso sobre como apresentar e ajudar a adaptar um aluno coreano recém-transferido que falava inglês de forma hesitante. Foi então que Justin Wong, sentado no canto da sala, chamou a atenção do Sr. Richardson.
— Este é um amigo vindo de Seul, a capital da Coreia. Você gostaria de se apresentar?
— Eu sou Lim Jeong-in. Pode me chamar de Jay.
— Vamos todos ajudar o Jay a se adaptar bem. Justin? Acho que você pode guiá-lo pela escola.
— Por quê? Só porque eu sou asiático?
Justin, que já era rechonchudo naquela época, não escondeu seu desagrado ao inflar as bochechas redondas. Talvez por isso, a primeira impressão de Jeong-in sobre Justin tenha sido a de “uma criança parecida com um baiacu”.
— Professor, eu sou ABC (American-Born Chinese). Nasci e cresci em Bellacove.
— Hmm, sim. Por favor, cuide bem dele.
Justin soltou um suspiro profundo, como se não tivesse escolha, e fez um gesto para Jeong-in, dizendo:
— Me segue.
Desde então, por sete anos, Jeong-in e Justin se tornaram inseparáveis.
— Jay, você tem AP History agora, né?
— Sim.
— Te vejo no almoço.
Jeong-in acenou levemente para a figura de Justin se afastando, enquanto ele desaparecia no meio da multidão no corredor.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
Ler 7 Minutes of Heaven Yaoi Mangá Online
Aviso: ※ Conversas em coreano são expressas usando 〈 〉, enquanto conversas em inglês e outros idiomas utilizam travessão —
Sinopse:
Lim Jeong-in é um nerd acostumado a ser tratado como se fosse invisível na selva do ensino médio. Ele participa de duas atividades de clube com seu melhor amigo, Justin Wong. Uma é o clube de matemática ‘Mathleet Society’, e a outra é o ‘Clube de Ódio ao Chase’.
— Longa vida ao Clube de Ódio ao Chase.
Escrever um ‘livro da vergonha’ que repete boatos sobre o maior galã da escola, Chase Prescott, era um dos pequenos prazeres dos dois nerds. No entanto, através de uma reviravolta inesperada, o caderno de Lim Jeong-in é descoberto por Chase.
Mas, em vez de ficar zangado, Chase demonstra interesse por Jeong-in.
— Você é realmente engraçado.
— O livro? Quando você vai devolvê-lo?
— Hmm. Quando você parar de me odiar?
Ironicamente, o relacionamento que começou com o livro da vergonha torna-se gradualmente especial e, à medida que Jeong-in descobre os lados ocultos de Chase, ele se vê cada vez mais atraído para o mundo dele.
[Então, você gosta um pouco mais de mim agora?]
A verdade é que você me cativou não apenas agora, mas muito antes. Desde o momento em que bati os olhos em você pela primeira vez.
Jeong-in entra em confusão ao encarar seus verdadeiros sentimentos, que ele deliberadamente ignorou e escondeu até agora. Amizade, estudos e uma paixão de longa data.
Nesse relacionamento instável com alguém que abala todo o seu mundo, será Jeong-in capaz de manter o seu lugar?
Nome alternativo: 7 7 Minutes In Heaven