Ler Roses And Champagne – Capítulo Side Story 05 – Fim Online


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❬ Side Story 5 – Series Finale ❭

— Hoje? Não, tenho compromissos.

Won respondeu casualmente enquanto caminhava pela rua após deixar o tribunal. Um breve suspiro foi ouvido do outro lado da linha. Soava decepcionado, mas não havia nada que ele pudesse fazer.

— O julgamento não terminou hoje?

Caesar perguntou após uma pausa. Won continuou a conversa enquanto esperava pelo bonde.

— Sim, acabou agora. Mas preciso me preparar para o próximo caso. Você sabe que há uma fila de clientes, certo?

— Won.

Caesar chamou seu nome suavemente.

— Você não pode resolver todos os problemas do mundo. Não pode salvar todo mundo.

— Eu sei.

Enquanto o bonde se aproximava, Won acrescentou:

— Mas posso ajudar aqueles que vêm até mim.

Caesar ficou em silêncio por um momento. Não era a primeira vez que tinham essa conversa. Na verdade, parecia ter acontecido várias vezes. As conversas sempre terminavam do mesmo jeito, e essa não foi diferente.

— Won, se continuar assim, talvez eu tenha que sequestrar você.

Até essa ameaça disfarçada de piada foi recebida com um sorriso por Won.

— Vá em frente, se quiser ver como vou reagir.

Uma breve risada foi ouvida do outro lado. Enquanto Won entrava no bonde, continuou:

— Apenas espere, vou arrumar um tempo. Certamente não vamos deixar de nos ver para sempre, né?

Brincando, Caesar riu novamente.

— Deus, que amante cruel.

Ele recitou a frase como se fosse um verso de peça teatral e então acrescentou, baixinho:

— Tome cuidado. Você pode acordar em uma cama diferente amanhã, Won.

— Veremos.

Won respondeu despreocupadamente antes de desligar. Com um suspiro, recostou-se no assento, e o cansaço o atingiu de repente. Após finalmente encerrar um julgamento que se arrastava por quase um ano, ele queria descansar hoje. Queria contratar pelo menos um assistente, mas não podia pagar. Mal conseguia sobreviver com os honorários mínimos, e depois de pagar aluguel e despesas básicas, sobrava apenas o suficiente para passar o mês.

Ele precisava encontrar alguma solução, ou não iria aguentar por muito tempo.

Não podia continuar vivendo no limite assim. O fluxo de casos era esmagador, e lidar com tudo sozinho tinha seus limites. Fazia quase dois meses desde a última vez que vira Caesar. Não tinha a intenção de deixar as coisas se arrastarem tanto, mas o tempo escapara.

“Isso está um pouco demais…”

Ele achou que estava exagerando até para seus próprios padrões. Sentindo-se envergonhado, coçou a cabeça e cruzou os braços, franzindo a testa seriamente. Pensou no que faria se Caesar o sequestrasse para uma ilha de novo.

Após refletir por um momento, Won pegou o celular e checou sua agenda. Mesmo tentando espremer algum tempo livre, não havia nenhuma brecha. Balançou a cabeça e guardou o telefone, olhando pela janela com um sentimento de resignação.

“Preciso bolar um plano primeiro.”

Won pensou seriamente. O único consolo era que Caesar ainda estava esperando por ele. Talvez ele realmente acabasse na ilha em breve. Com a testa franzida, soltou um suspiro curto.

— Mmm… — Won resmungou sonolento ao se virar na cama. O colchão estava estranhamente macio. Ele esfregou o rosto no travesseiro e suspirou satisfeito, ficando imóvel enquanto esperava sua consciência despertar completamente.

O primeiro pensamento que lhe veio à mente ao despertar foi que seu corpo parecia diferente do habitual. Embora não conseguisse identificar exatamente o quê, sentia uma sensação desconhecida que o deixava inquieto.

“Ah.”

Ao abrir lentamente os olhos, avistou um teto familiar. Quando percebeu onde estava, entendeu a origem daquela estranha sensação.

“Droga, fazendo o que bem entende de novo.”

Franzindo a testa e rangendo os dentes, Won olhou para o lado. A enorme cama estava vazia, exceto por ele. O culpado, que ousadamente o sequestrara e trouxera para sua própria casa, agora desaparecera.

“Não que ele tema as consequências…”

Won franziu profundamente o cenho ao encarar o espaço vazio onde Caesar deveria estar. Era sorte ser a mansão de Caesar e não uma ilha. Poderia ir para casa diretamente.

“Preciso dizer para ele não agir tão imprudentemente.”

Decidiu levantar-se rapidamente. Ao fazê-lo, balançou por um momento, atribuindo isso ao sono que ainda sentia. Não deu muita importância ao ponto de vista mais alto ou à estranheza ao mover seus membros, simplesmente assumindo que estivera mais bêbado no dia anterior do que imaginara. Provavelmente não percebera durante a viagem até ali.

Dirigiu-se naturalmente ao banheiro conectado ao quarto. Após completar suas ações habituais e lavar as mãos na pia, não teve pensamentos particulares. Quando olhou no espelho enquanto escovava os dentes, teve o mesmo pensamento:

“Ah, ele está no banheiro.”

— Ca…

Ao falar, seus olhos de repente se arregalaram. O homem no espelho, com a boca cheia de espuma branca, piscou. Ele ficou rígido por um momento antes de apressadamente tocar o próprio rosto com uma mão. O homem do outro lado fez o mesmo.

Quer puxando os cabelos, esfregando o pescoço ou batendo nas próprias bochechas, tudo era idêntico. A dor aguda era uma realidade inegável.

Os cabelos platinados, os olhos azul-prateados, o nariz reto e os lábios grossos eram exatamente como os conhecia. Até mesmo a altura acima de 2 metros e o físico imponente. Mas nada daquilo lhe pertencia.

Viu os lábios entreabertos tremendo. Um grito irrompeu do homem de rosto pálido.

— Ugh… Aaaaaaah!

Assim que Won saiu correndo do banheiro, felizmente encontrou seu celular quieto na mesa de cabeceira e imediatamente ligou para Caesar. Como esperado, ele estava no apartamento de Won.

“Bisbilhotando.”

Lembrando das palavras de Caesar sobre escutas, Won foi direto ao ponto:

— Estou indo aí agora, espere por mim.

Desligou sem esperar resposta, tanto pela urgência quanto por confiar que Caesar obedeceria. Claro, o lugar para onde correu era seu próprio apartamento.

O som de passos apressados subindo as escadas ecoou alto naquela manhã. Como sempre, os membros da gangue que seguiam como um bando de cães foram ordenados a esperar lá fora. Correndo pelo corredor silencioso do velho apartamento, Won arremessou a porta aberta e gritou:

— Caesar, você está bem?

Como esperava, Caesar aguardava sua chegada. Estava sentado na cadeira ao lado da escrivaninha de Won, franzindo a testa e com os braços cruzados.

— O que houve? O que aconteceu? Nada sério, certo?

— Temos um problema.

Caesar foi o primeiro a falar após as perguntas apressadas de Won, que respondeu ansioso:

— Exato, trocamos de corpo.

— O chá preto que você tem aqui é todo um lixo.

O ar parou subitamente. Após alguns segundos de silêncio constrangedor, Won falou:

— …É isso que você tem a dizer?

Perguntou com voz baixa e ameaçadora, mas Caesar continuou respondendo com a testa franzida:

— Chá preto é importante. Para despertar uma mente lenta pela manhã, precisa de chá quente e vodka…

— Cala a boca logo.

Won teve vontade de dar um tapa no homem pomposo que discutia qualidade de chá numa situação dessas, mas se conteve. Não fazia ideia da força deste corpo e não queria causar um desastre usando-o sem cuidado. Respirou fundo para acalmar o temperamento e sentou na cama. Encarando Caesar, que agora estava em sua própria pele, continuou:

— O importante agora é descobrir como voltar aos nossos corpos. Vamos resolver isso primeiro.

— Tenho uma boa ideia.

— Qual é?

Caesar respondeu com expressão de quem fizera uma descoberta revolucionária:

— Mandar os caras lá embaixo comprarem chá preto e vodka.

Won olhou para o rosto descarado de Caesar sem dizer palavra. Mas Caesar não parou por aí e acrescentou:

— Boa ideia, né?

— ……

— ……

“Maldito seja.”

Após breve silêncio, Won finalmente ergueu as mãos em rendição:

— Tá bom.

Esfregou o rosto com ambas as mãos e, com expressão carrancuda, encarou Caesar – que ainda olhava na direção errada – e cuspiu:

— Vamos mandar seus subordinados buscarem o maldito chá preto.

— Bom senso.

Com a rendição de Won, Caesar sorriu radiante como se esperasse por isso. Mas Won não conseguia se decidir a socar o próprio rosto e só podia torcer para que esta situação absurda terminasse logo.

— Agora, me conta sua ideia.

Seguiu-se um silêncio constrangedor. Era difícil se concentrar falando enquanto olhava para o próprio rosto. Won não aguentou e virou a cabeça.

— O que você está fazendo?

Caesar perguntou com a testa franzida. Isso também era um problema. Ouvir sua própria voz através dos ouvidos de outra pessoa soava tão estranho. Porém, não podia simplesmente tampar os ouvidos e se comunicar por escrito, então Won decidiu abandonar a audição e proteger apenas a visão. Obstinadamente encarando a parede, falou:

— É esquisito conversar olhando para minha própria cara, então vamos falar assim.

Caesar não disse nada, mas seu silêncio sugeria certa concordância. Won, ainda de cabeça virada, ouvia atentamente. Ouviu o farfalhar de Caesar se movendo e então o som de algo batendo. Pelo ruído da pederneira e a fumaça de charuto enchendo o quarto, Won deduziu que Caesar pegara um charuto do umidificador e o acendera. O charuto fora comprado por seus subordinados junto com o chá preto. Após breve baforada, Caesar finalmente falou:

— Eu estava pensando…

À voz tão esperada, Won virou a cabeça como se hipnotizado. Caesar, com a perna dobrada em ângulo reto apoiada na coxa da outra perna, estava profundamente acomodado na cadeira de escritório barata, fumando o charuto. Com o rosto de Won.

Por um instante, quando a dissonância de ver alguém com seu próprio rosto parecia olhar para um estranho, Caesar continuou falando após outra baforada:

— Fizemos algo diferente do habitual ontem?

— Acho que sim. O que poderia ser?

Sentindo que finalmente se conectavam, Won sentou-se inconscientemente, e Caesar deu um leve sorriso. Won sentiu-se um pouco envergonhado por um momento, mas pareceu infantil virar novamente, então esperou as próximas palavras, tentando evitar olhar diretamente para o rosto de Caesar.

“Ah, isso é realmente difícil de acostumar.”

Esfregando as têmbras latejantes, Caesar falou com voz calma:

— Precisamos descobrir isso.

— …Hah.

Um suspiro de decepção escapou involuntariamente. Não, ainda não era hora de se decepcionar.

— Primeiramente…

Won reuniu os pensamentos e revisou os eventos do dia anterior:

— Depois que o julgamento terminou, tomei um drink. Não muito, só umas duas doses de vodka. Organizei documentos para o próximo caso e fui dormir.

Sua mente estava lúcida até deitar. Portanto, era impossível que tivesse feito algo escandaloso bêbado. Logo, só restava uma possibilidade:

— O que você fez ontem?

Em resposta à pergunta interrogativa, Caesar desviou o olhar por algum motivo. Estava evitando a questão? Won imediatamente descartou o pensamento que lhe ocorrera. Caesar podia agir sem vergonha, mas não evitava problemas. Então, estaria inventando uma desculpa?

— Você provavelmente não gostaria de saber.

Como esperado, Caesar falou com expressão estranha. Tendo-o conhecido por anos, Won entendeu imediatamente. Definitivamente não seria vantajoso para ele ouvir isso. Agressão? Tortura? Assassinato?

Won podia facilmente imaginar homens com rostos desconhecidos nas sombras manuseando cadáveres e Caesar observando. Cerrou os punhos no colo e resmungou com um suspiro:

— Não faça nada ilegal com meu corpo até recuperar o seu.

Era o máximo que podia dizer. Em voz contida, Caesar falou:

— Não farei, absolutamente não.

Por um instante, Won sentiu alívio como amante, mas Caesar, após examinar o corpo de Won, disse:

— Seu corpo é pequeno e frágil demais. Só de manuseá-lo sem cuidado poderia levar à morte.

“Devo bater nele ou devo bater nem mim?”

Won sentiu um conflito extremo e hesitou. Não queria bater no próprio corpo, mas também não podia bater no corpo atual. Se batesse no corpo de Caesar, sentiria a dor imediatamente, e se batesse no corpo de Won, também sofreria ao voltar.

“Que tipo de escolhas ridículas são essas?”

— Tenho um pedido.

Won se preparou e falou. Olhando para ele como se dissesse “qualquer coisa”, acrescentou com expressão severa:

— Quando eu voltar ao meu corpo original, deixe-me amarrar você só uma vez.

Caesar piscou surpreso, mas logo assumiu uma expressão divertida:

— Desenvolveu interesse nesse tipo de brincadeira? Claro, quando quiser.

Não importava o que o homem imaginasse, era completamente diferente dos pensamentos de Won, que ansiava recuperar seu corpo em breve por outro motivo.

— Primeiro, vamos decidir o que podemos e não podemos fazer.

Suprimindo a estranheza e vergonha de falar olhando para o próprio rosto, Won começou calmamente:

— Primeiro, o que você pode fazer: pode comer, dormir ou tomar banho dentro da minha casa. Pode fazer tudo isso.

Dobrou três dedos e depois os esticou novamente ao falar:

— Todo o resto é proibido.

Seguiram-se alguns segundos de silêncio. Caesar, franzindo profundamente a testa, moveu lentamente os lábios:

— Quer dizer que devo ficar no seu… quartinho minúsculo e fofo como formiga?

Won ignorou a pausa suspeita. Era óbvio que questionar só pioraria as coisas.

— A maioria não usa “minúsculo e fofo” para descrever formigas. Talvez um cachorro ou gato, mas… Claro, você provavelmente quis dizer que meu quarto é infinitamente pequeno como uma formiga. Entendi.

Continuou com calma e compostura, como se persuadisse um juiz no tribunal:

— Como disse antes, quero minimizar os riscos. Você, dentro do meu corpo, é dinamite ambulante. Então, por favor, aguente até encontrarmos uma solução.

Caesar ainda parecia completamente cético. Won acrescentou sem hesitar:

— Estou implorando.

O tom sincero surpreendeu a ambos. Won esperava que Caesar compreendesse seu sentimento. O homem com seu rosto ainda franzia a testa, pensativo, esfregando o queixo. Seria um pedido irracional? Se sim, Plano B…

— E você?

— O quê?

Pegue de surpresa pela pergunta repentina, Won reagiu, e Caesar olhou para ele com os olhos semi-cerrados:

— O que você fará? Vai ficar aqui só respirando?

— Claro que não.

Won foi enfático:

— Um de nós precisa resolver isso.

— Então vai me trancar no seu… quarto minúsculo mas fofo?

— Sim.

Para Caesar, que mostrou um espaço minúsculo com dois dedos, Won respondeu sem hesitar:

— Tenho menos chances de causar problemas que você.

— Por exemplo?

Caesar estreitou os olhos. Won percebeu que sua escolha de palavras não fora a melhor.

— Você sempre briga com meu pai quando o encontra.

— Sua descrição é inadequada. Mikhail sempre se irrita. Eu só converso.

Won ignorou as partes sem sentido e deu outro motivo:

— Não sei como reagiria com meus clientes.

— Bem, não basta resolver o problema?

Preferiu não perguntar que métodos seriam usados.

— A senhoria é muito perceptiva. Se descobrir, pode ter um ataque.

— Aquela velha já viveu o suficiente.

— Caesar.

Won finalmente perdeu a paciência e cerrou os punhos:

— Cale-se, não quero machucados no meu corpo.

Felizmente, Caesar calou-se. Won continuou o mais calmamente possível:

— Caesar, não é hora de discussões sem sentido. Precisamos cooperar, entende?

Ao ver o sorriso leve de Caesar, sentiu um mau presságio.

— Não. Se eu não posso sair, você também não. Lugar nenhum.

Won conteve um gemido. Esfregou o rosto nervosamente, mas nada mudou. Sob o olhar insistente de Caesar, finalmente cedeu:

— Tá bem, vamos ficar juntos.

Antes que Caesar falasse, Won acrescentou:

— Vamos minimizar saídas e contatos. Se necessário, resolvemos por telefone, como fez com seus subordinados. Podemos?

Ficou em silêncio, esperando a reação. Caesar tragou o charuto, exalou a fumaça e curvou os lábios, como se tudo dependesse de Won. Aquela expressão lhe deu um pensamento estranho.

— Talvez seja outra oportunidade para nós.

Murmurando, Caesar estreitou os olhos. Won explicou:

— Uma chance de confirmar nossa confiança mútua. Eu preciso ter certeza que você não atirará em mim novamente, e você precisa confiar que não o trairei.

— Como?

— Algo que precisaremos pensar mais.

Won concluiu brevemente. Era só um palpite, mas algo precisava ser feito.

— Primeiro, ajustaremos a agenda já que não podemos trabalhar por enquanto.

Ninguém sabia quanto tempo duraria. Considerando o pior cenário, precisavam ganhar tempo.

— Explicarei a situação aos clientes por telefone. Evitaremos tribunais… já que não sabemos quanto tempo isso persistirá. Claro, não deve demorar.

Olhou sério para Caesar:

— É crucial cooperarmos. Você entende, certo?

Caesar levantou a xícara como num brinde:

— Claro.

Depois de terminar o chá, disse:

— Hora de terminar nossas tarefas?

— Sim.

Aliviado, Won concordou:

— Comecemos pelas ligações.

— E depois?

— Revisaremos o que fizemos ontem. E descobriremos onde surgiram os problemas.

Won hesitou antes de perguntar:

— Ainda planeja ficar comigo, certo?

Caesar apenas sorriu. Won ponderou – seria irracional pedir que ficasse em sua casa. Não seria mais confortável para Caesar ficar em sua mansão?

— Que tal irmos para sua casa assim? Desde que você não saia, estará tudo bem.

— E você?

A pergunta veio rápido. Won respondeu como se óbvio:

— Preciso ficar na minha casa. Tenho trabalho.

— Então quer que eu vá para minha casa sem ser pego?

Caesar apontou para si mesmo, como se Won fizesse exigências absurdas. Percebendo o absurdo, Won suspirou angustiado.

— Se você vier para minha casa…

— Não é opção.

Won interrompeu firme. Explicou:

— Preciso trabalhar. Todos os materiais estão aqui. Não posso movê-los – seria um desastre perder documentos.

Caesar, cruzando os braços, encarou Won com expressão insatisfeita.

— Então só há uma resposta. Ficarmos juntos aqui.

— Ugh…

Um suspiro frustrado escapou de Won. Compartilhar um espaço pequeno com um homem maior que ele mesmo parecia que faria a casa explodir, mas não havia alternativa. Trocar de lugar faria ainda menos sentido. Ficar juntos era o mal menor.

— Tá bem.

No final, Won capitulou novamente. Parecia que desde que trocaram de corpo, as coisas estavam seguindo os desejos de Caesar, e não havia alternativa. Vendo a resignação de Won, Caesar, sem qualquer preocupação, apagou seu charuto e prontamente se levantou.

— Vamos então? As coisas vão ficar bem ocupadas daqui pra frente.

Depois de uma breve risada, Caesar virou-se e saiu. Won, inevitavelmente, seguiu atrás.

…Isso é incrível.

Pouco depois, Won sentiu uma mistura de vergonha e admiração. A visão de um homem que era quase um gigante era inimaginavelmente vasta. Ele até teve o pensamento absurdo de que, se a Terra fosse plana, poderia ver até a borda do continente.

Embora não fosse baixo e tivesse uma linha de visão diferente dos outros, nunca havia imaginado algo assim.

“Não é à toa que ele sempre dizia que eu era pequeno.”

Pensando que, para ele, fosse Won ou qualquer outro, provavelmente não faria muita diferença, Won pôde entender um pouco, embora não estivesse totalmente satisfeito.

A propósito…

— Você está bem?

Ele olhou de lado e perguntou. Caesar, que estava olhando pela janela, desviou o olhar. Durante o trajeto de carro, Caesar não dissera uma palavra. Won pensou que Caesar também estava lutando para se ajustar ao seu corpo. Enquanto esperava por uma resposta, Caesar falou lentamente.

— Estou tentando.

Como esperado.

Confirmando que seus pensamentos estavam corretos, Won sentiu seu humor se acalmar. Ele estendeu a mão impulsivamente e pegou a de Caesar. Mais precisamente, pegou a mão que Caesar estava usando como sua.

Caesar olhou para Won surpreso. Claro, isso era uma novidade para ele. Won, sentindo-se um pouco envergonhado, desviou o olhar.

— Voltaremos em breve. Vamos aguentar firme.

Embora falasse olhando pela janela, não conseguia se livrar da sensação de que suas orelhas estavam queimando. A intensidade do olhar de Caesar em seu rosto era quase dolorosa. Apesar de teimosamente olhar pela janela, Won não soltou a mão de Caesar. Caesar desviou o olhar para baixo, então entrelaçou seus dedos com os de Won. Segurando firmemente, Caesar fez Won virar a cabeça surpreso. Seus olhos se encontraram, os olhares se enredaram. Caesar levantou suas mãos unidas, beijou o dorso da mão de Won e continuou a olhar para seu rosto.

Naquele momento, Won abruptamente puxou sua mão para trás. Ele olhou para Caesar com uma expressão surpresa, mas Caesar apenas sorriu casualmente. Essa reação despreocupada fez Won franzir a testa em descrença.

— Não é estranho você agir assim enquanto olha para o seu próprio rosto? Não é esquisito?

— Nem um pouco.

Caesar respondeu à pergunta de Won com indiferença. Ele acrescentou com uma atitude aparentemente desinteressada:

— Afinal, é apenas uma casca que apodrecerá quando você morrer. O que importa é o que está dentro.

Seu tom indiferente e olhar não eram diferentes do habitual. Mesmo falando com o rosto e voz de Won, Won sentiu o olhar e a voz de Caesar intensamente. Como se provando o que acabara de dizer.

A casca não tem significado.

Caesar parecia sussurrar.

O que importa é o que há dentro dela. Won.

O pensamento fez suas orelhas queimarem com um sentimento inexplicável. Won, sentindo-se constrangido, forçou-se a falar bruscamente.

— Parece que você está gostando da situação.

— Sério?

Caesar não negou. Em vez disso, respondeu com um sorriso.

— É incrível. Ontem mesmo, eu implorava para nos encontrarmos, e agora estamos passando o dia todo juntos.

Won encarou o perfil de Caesar. Caesar genuinamente parecia satisfeito. Com seus olhos suavemente curvados e lábios sorridentes, ninguém poderia negar.

— Então, você fez um pedido? Que essa situação absurda continuasse?

Mesmo sabendo que não era culpa de Caesar, Won reagiu emburrado. Achando engraçado, mas ainda se sentindo bem, Caesar riu alto.

— Nem por isso. Só pensei que talvez precise doar mais para a igreja no futuro.

E com um sorriso ainda no rosto, Caesar acariciou gentilmente a bochecha de Won com o dorso da mão.

— Só por precaução, caso essa sorte apareça de novo.

Won o observou em silêncio antes de desviar o olhar. Sentiu-se um pouco culpado por descontar sua frustração em alguém inocente. Caesar também era uma vítima dessa situação absurda. No entanto, a atitude relaxada de Caesar só alimentava a ansiedade de Won.

“Esse cara realmente sabe dizer coisas cafonas.”

Pensando bem, considerando como ele frequentemente compra champanhe, buquês de rosas e chocolates, deve ter um lado surpreendentemente romântico. Um homem que, enquanto fala sobre como pode fatiar pele humana mais fina que um tomate, recita poesia de Pushkin com a mesma voz.

Humanos são multifacetados, mas quantos têm um contraste tão marcante?

Enquanto Won refletia sobre isso, de repente percebeu:

“Eu não sou são por amar uma pessoa tão louca.”

Com essa descoberta desagradável, deixou os lábios caírem e cruzou os braços. Ele precisava encontrar um jeito de voltar logo. Caesar disse que a casca não importava, mas esse era o caso dele; para Won era diferente.

Acima de tudo, suportar esse constrangimento era difícil demais.

Ele suspirou profundamente, fechou os olhos e apoiou a cabeça no encosto. No silêncio, o carro continuou a andar suavemente.

— Estou preocupado com o advogado. Está tudo bem? Você não está se sentindo bem?

O cliente, sentado à mesa na sala de estar, olhava para Won com uma expressão sombria. A preocupação em seu rosto era evidente, mostrando claros sinais de ansiedade e tensão. Won fez o possível para manter um sorriso amigável e respondeu:

— Não se preocupe. O caso que eu estava lidando acabou ficando maior do que o esperado, então minha agenda ficou bagunçada porque tive que resolver isso primeiro. Estou aqui para ajudar com este caso também, então por favor, não fique tão preocupado.

Depois de tentar ao máximo tranquilizar o cliente, ele deu um sorriso reconfortante, como se dissesse: “Confie em mim.”

“Até que ponto alguém aceitaria a oferta repentina de um estranho para assumir seu caso?”

Na verdade, do ponto de vista do cliente, essa era mais ou menos uma escolha com um resultado já decidido. Todos os casos que Won lida envolvem pessoas pobres e em dificuldades. Encontrar outro advogado a essa altura já seria difícil, e seria praticamente impossível achar alguém que cobrasse tão pouco quanto Won. No final, não era diferente de esperar até que o cliente se preparasse para uma decisão indesejada. Sentindo-se culpado e nervoso, o cliente deu um pequeno aceno.

— Bem… não tenho escolha. Mas, quando o advogado voltar, você vai retomar nosso caso, certo?

— Claro.

Encarando o cliente ansioso, Won respondeu com voz confiante:

— Não se preocupe. O advogado Won também está muito preocupado. Não é por isso que fui enviado aqui para explicar as coisas a você?

— Acho que sim…

O cliente finalmente pareceu aceitar a situação até certo ponto, relaxando os ombros. Foi então que ele voltou o olhar para Won e fez um som estranho.

— …Hã?

Won olhou para ele confuso. Ele ia perguntar algo mais? Enquanto esperava em silêncio, o cliente, que inclinara a cabeça, franziu a testa e perguntou:

— Hum, nós já nos conhecemos? Você parece familiar…

Um calafrio percorreu a espinha de Won, e ele sentiu um arrepio. Será que o cliente tinha visto o rosto de Caesar na mídia? Lembrando-se de uma memória parecida do passado, ele rapidamente sorriu e balançou a cabeça.

— Não, isso não é possível. Esta é a nossa primeira reunião.

— Sério? Que estranho…

Diante da nova crise, Won rapidamente se levantou e mudou de assunto:

— Obrigado pela compreensão. Bem, então…

Enquanto tentava sair apressadamente, o cliente fez outra expressão estranha. Ignorando e tentando se virar, o cliente o chamou de volta.

— Hum, advogado.

— Sim, sim?

Won gaguejou, parecendo nervoso. O cliente, ainda com uma expressão confusa, perguntou:

— Você não tem um número de contato?

— Como?

Surpreso com a pergunta inesperada, Won piscou várias vezes. Percebendo o significado só depois, ele rapidamente colocou um sorriso no rosto e respondeu:

— Ah, sim. Você pode entrar em contato pelo e-mail do advogado Won. Eu responderei. Bem, estou bastante ocupado, então preciso ir… Tenho que avisar outros clientes também…

— Tá bom…

O cliente não segurou Won, que saiu resmungando nervosamente. Enquanto arrumava a área onde o convidado estivera, ele parou de repente, como se tivesse lembrado de algo.

“Será que ele se parece com alguém que eu conheço?”

Ele tentou negar o choque que percorreu seu corpo. Certamente devia ser o caso. Provavelmente era apenas uma memória vaga de algo na internet ou em alguma transmissão. É comum confundir alguém com base em uma impressão geral ou imagem. Ele sacudiu o pensamento e se ocupou com seu trabalho.

—Foi por pouco.

De volta ao carro, Won enterrou o rosto nas mãos e suspirou profundamente. Sentir aquele medo novamente… Ele tinha completamente esquecido disso.

Lembrando-se do passeio de táxi que fizera com Caesar na ilha onde foram resolver o caso, sentiu outro calafrio. Ficara extremamente tenso quando o motorista reconhecera Caesar naquela época. Felizmente, o motorista não conseguira lembrar quem ele era…

—Por quê? Não estava indo bem? — perguntou Caesar, sentado ao seu lado.

Won fez uma pausa antes de lentamente desviar o olhar. Pedira a Caesar para esperar no carro enquanto ele entrava, evitando que dissesse algo inadequado na frente do cliente. Felizmente, Caesar seguira suas instruções, embora tivesse entrado para verificar como estava indo.

—Não, não exatamente… Nada grave. — Won continuou. — Não foi muito diferente de ontem, e a atitude do cliente não pareceu especial. Não parece que algo foi feito aqui.

Caesar franziu a testa como se perguntasse qual era o problema. Won suspirou e respondeu com um rosto cansado:

—Parece que o cliente te reconheceu. Especificamente, disse que você parecia familiar… Quase tive que fugir para evitar que ela se lembrasse.

Inesperadamente, Caesar riu. Parecia estar revivendo memórias passadas também. Recordando como Caesar ficara nervoso com o que o taxista poderia fazer, Won achou a reação engraçada.

—Não ria, eu estava realmente nervoso — Won o repreendeu levemente, afundando-se na cadeira.

Uma memória que veio à mente logo se transformou em outro pensamento. Ele percebeu que seu relacionamento progredira rapidamente desde o momento em que se conheceram. Se Caesar tivesse teimosamente seguido ele naquela época, como as coisas teriam acabado agora?

…Por que acho que o resultado não teria mudado?

Sentindo-se irracionalmente irritado, balançou a cabeça vigorosamente. Por enquanto, a tarefa imediata era mais importante.

—Para onde agora, Czar? — perguntou o motorista.

Won limpou a garganta e respondeu, imitando o melhor que pôde a maneira de falar de Caesar:

—Para o apartamento de Lee Won.

—Entendido.

O motorista, evidentemente familiarizado com a rota, não pediu o endereço nem detalhes e ligou o carro. Bem, faz sentido… Após um breve suspiro, Won finalmente relaxou.

—Aquilo quase me deu um ataque cardíaco…

Relembrando a breve crise, soltou uma risada incrédula que rapidamente se dissipou. Após refazer o caminho do dia anterior e verificar cuidadosamente, nada havia mudado. Não havia indicação do que poderia ter acontecido. O que estaria acontecendo?

Naturalmente, não havia informações sobre essa situação na internet também. Como isso faria sentido? Como uma pessoa poderia mudar assim? Não era como se tivesse sido atingido por um raio ou sobrevivido a uma queda no rio.

“O que devo fazer agora?”

Won olhou pela janela com a mente confusa. As ruas lá fora passavam rapidamente, sem diferença do habitual.

Quando estiver perdido, é melhor focar no trabalho.

Won rapidamente folheou os documentos que havia preparado. Esta parte poderia usar mais evidências de apoio. Aqui estão os dados que eu precisava…

Quando ergueu o olhar, uma pilha de documentos foi deslizada em sua direção, como se estivesse esperando por esse momento. Atordoado, Won disse:

— Oh, obrigado.

Caesar, que entregara os documentos no momento exato, virou-se e saiu sem dizer uma palavra. Won observou a figura de Caesar se afastando antes de se concentrar novamente no trabalho.

Inesperadamente, Caesar está sendo muito útil com meu trabalho.

Não apenas ajudava a encontrar documentos, mas também preparava comida e cuidava de outras tarefas quando necessário. Isso permitia que Won se concentrasse no trabalho sem perder tempo com afazeres domésticos.

E não era só isso. Caesar parecia saber o que Won precisava antes mesmo que ele pedisse. Era comum que trouxesse imediatamente o que era necessário ou até mesmo oferecesse ideias e buscasse informações. Como agora.

Além disso, Caesar tinha um conhecimento bastante aprofundado das leis. O ditado de que criminosos conhecem mais as leis do que os profissionais do direito parecia longe de ser uma piada quando visto pessoalmente. Caesar já estava familiarizado com termos jurídicos bastante complexos e lembrava o conteúdo das leis relacionadas, mesmo que não recordasse cada detalhe. Isso poupava Won de ter que gastar tempo explicando.

“Esse é exatamente o tipo de funcionário que eu queria.”

Won o admirou por dentro e olhou de relance para as costas de Caesar. Caesar, que erguera a cabeça dos documentos que estava revisando, olhou para Won como se perguntasse se ele tinha algo a dizer. Won balançou a cabeça rapidamente.

— Não, nada.

Ao voltar seu olhar para os documentos, seus pensamentos vagaram em outra direção. Nesse ritmo, ele poderia concluir o trabalho muito mais rápido do que esperado. Dessa forma, poderia dar a Caesar o tempo que ele queria…

Mas primeiro, precisava se concentrar na tarefa em mãos.

Com um suspiro nascido da situação irônica, Won focou novamente no trabalho. Caesar observou em silêncio enquanto ele lia em voz alta o que havia escrito, encarando a tela.

De repente, ele acordou com uma sensação estranha. Sua visão ainda estava turva pelo sono, e o ambiente parecia embaçado. Depois de piscar algumas vezes, Won finalmente conseguiu focar.

…O que estou fazendo?

Percebeu que estava deitado na cama. Diferente dele, que estivera dormindo, Caesar estava acordado. Sentado perto da janela fumando um charuto, Caesar olhou para Won, que sentiu uma sensação peculiar ao observá-lo por um momento.

“Isso já aconteceu antes…?”

Enquanto memórias vagas se sobrepunham ao Caesar presente, ele voltou a dormir.

Quando acordou novamente, era manhã. O cheiro delicioso de comida despertou Won, e ao se sentar, Caesar, que cozinhava na cozinha, virou-se para olhá-lo.

— Bom dia.

— Ah, é.

Won esfregou os olhos e bocejou amplamente. Sua memória da noite anterior voltou. Ele teria ficado acordado a noite toda? Embora duvidasse, não podia negar completamente. Afinal, já tinha acontecido antes.

“Ele já saiu por aí com uma cara perfeitamente normal mesmo depois de passar a noite em claro…”

Quando tentou falar, Caesar se adiantou:

— Vá se lavar, está quase pronto.

— Tá.

Won, tendo perdido o momento de falar, respondeu apressadamente e tentou se levantar. Nesse instante, seu corpo balançou violentamente e, com um baque alto, ele caiu no chão.

— Ugh!

— Você está bem?

Assustado com seu próprio grito, Caesar perguntou. Embora seu corpo inteiro estivesse atordoado com o impacto, Won se esforçou para se levantar e respondeu:

— E-estou bem. Não se preocupe. Acho que não me machuquei…

Mal conseguindo se levantar, Won cambaleou novamente. Questionou-se se teria caído por causa do tropeço recente, mas percebeu a verdadeira causa quando bateu o rosto na parede.

— Me devolve meu corpo…!

Won tremia de raiva e rangia os dentes. Não era só porque o corpo de Caesar era enorme. Ele nunca tinha percebido como era difícil mover o corpo de outra pessoa. Ele nem deveria saber disso em primeiro lugar…! Desabafando sua frustração, Won lavou-se apressadamente e foi em direção à mesa de jantar, parando abruptamente. Viu Caesar, que tentara pegar um prato na prateleira mais alta, praguejando com o rosto contorcido.

— Droga, é muito pequeno…

“Você que é ridiculamente grande!”

Won quase ficou furioso, mas conseguiu se controlar e pegou o prato da prateleira alta no lugar dele.

— Por que colocar coisas onde não consegue alcançar?

Vendo Caesar cheio de reclamações, Won respondeu:

— É o único jeito de caber tudo nessa casa minúscula. Naturalmente. E esse prato não é usado normalmente. Por que você estava tentando pegá-lo? Ah…

Percebendo o motivo depois de falar, Won viu a mesa posta com um banquete. Salada fresca com peito de frango e molho caseiro, sopa quente, pão recém-assado, frutas e suco de laranja fresquinho estavam todos dispostos. Sem contar que Caesar tirara um bife do forno que ele nunca usara e colocara no prato que acabara de pegar. Won entendeu tudo. Claro, houve pequenos incidentes pelo caminho, como Caesar quase derrubar a comida ou praguejar após bater a canela na perna da cadeira, mas Won os ignorou.

— Você… fez tudo isso sozinho? Aqui?

Não poderia ter ingredientes assim na geladeira de Won. Caesar, colocando o prato de bife em seu lugar, respondeu:

— Sua geladeira é uma bagunça.

Claro que ele sabia. Seguindo seu princípio habitual, Won enchia sua geladeira com comida barata e que durava muito, já que só precisava se alimentar. Para uma comida de alta qualidade que não poderia vir de sua própria geladeira, Won abriu lentamente a boca:

— Seus subordinados trouxeram isso também?

— Trouxeram, da minha geladeira.

Caesar respondeu casualmente.

— Tenho muitos ingredientes na minha cozinha.

Vendo os espetos de cordeiro entre outras coisas, Won não teve escolha a não ser aceitar. Parou de discutir e pegou uma colher. A primeira coisa que fez foi provar a sopa, e imediatamente seu corpo inteiro estremeceu, fechando os olhos. Com um suspiro, começou a esvaziar rapidamente sua tigela, enquanto Caesar, sentado à frente, desdobrou um guardanapo, colocou no colo e primeiro tomou um gole do vinho. Por um tempo, os únicos sons entre eles foram o tilintar dos talheres.

— Estava delicioso, muito.

Won largou o garfo depois de terminar uma quantidade considerável de comida e falou, ao que Caesar deu um leve sorriso.

— Fico feliz.

Não era só a refeição. Até o café servido depois de limpar a mesa era cheio de acidez, espalhando seu aroma profundamente em seu peito.

— Ah, eu lavo a louça.

Vendo Caesar imediatamente arregaçar as mangas, Won levantou-se apressadamente para dizer, mas Caesar casualmente o impediu.

— Isso é meu trabalho. Você faz o seu.

Observando Caesar lavar a louça sem dizer muito, Won sentiu-se estranho. Parecia que Caesar estava se alinhando à rotina diária de Won, passando cada momento da manhã até a noite juntos.

— Você não precisa ir tão longe.

Vendo Caesar terminar rapidamente de lavar a louça e secar as mãos, Won disse. Sem entender o que ele quis dizer com o olhar, Caesar continuou sério:

— Você tem sua própria vida também, certo? Deve ter muitas coisas para fazer. Não precisa se ajustar a mim assim.

Caesar olhou silenciosamente para o rosto de Won, que assistiu enquanto ele largava a toalha e se aproximava.

— É isso que eu quis dizer.

Sentado na beirada da mesa, Caesar olhou para baixo em Won e perguntou:

— Está dizendo que estou atrapalhando?

— Bem… nada disso!

Won negou imediatamente, franzindo a testa.

— Pelo contrário, não esperava que você fosse tão prestativo. Bem, na verdade… eu até pensei que estava me esforçando demais. Seria bom contratar funcionários, mas não tenho meios. Como tenho que fazer tudo sozinho, estava lutando por não ter tempo suficiente para te ver. Mas…

— Você estava preocupado?

Caesar interrompeu as palavras de Won com uma pergunta.

— Você estava preocupado por não conseguir me ver? Sério mesmo?

Won, com uma expressão confusa, assentiu.

— Claro… Não estou te ignorando. Sempre pensei que você poderia estar insatisfeito, já que o trabalho sempre vem primeiro…

Novamente, Won não conseguiu terminar sua frase. Caesar havia colocado sua mão sobre a de Won, que estava apoiada na mesa.

— E?

Fazendo uma pausa, Won sentiu a mão de Caesar acariciando suavemente a sua e perguntou em voz baixa:

— O que mais você pensou?

O toque íntimo da mão de Caesar e sua voz grave deixaram Won agitado. Seu corpo inteiro esquentou, e ele não conseguiu pensar em mais nada.

“O que é isso? Por que meu coração está acelerando tanto por algo assim, quando já fizemos coisas muito piores antes? Agora?”

Mas era uma realidade inegável. Mesmo sendo apenas um leve toque em seus dedos, Won sentiu uma emoção mais intensa do que nunca. Parecia absurdo sentir algo tão puro e inocente em um relacionamento com esse homem.

— Bem, hum…

Resmungando e desviando o olhar, Won percebeu que Caesar não deixaria isso passar facilmente. Essa confissão era nova e muito agradável para ele, que queria ouvir mais.

— Continue falando. O que mais?

— Não, é só isso. Enfim, como você ajudou bastante, parece que o trabalho vai terminar mais rápido…

Pressionado, Won gaguejou e tentou juntar suas palavras. Incapaz de encarar Caesar e olhando para o lado, ele murmurou:

— Então, hum… pensei que, depois que esse trabalho acabar, talvez a gente possa ter um tempo a sós…

— Como?

— O quê?

Com a pergunta repentina, Won virou a cabeça involuntariamente, e seus olhos se encontraram imediatamente. Ele quis desviar o olhar novamente, mas, de alguma forma, não conseguiu se mover. A mão de Caesar subiu lentamente, esfregando o lado interno de seu pulso com o polegar.

— A sós… como?

Won entendeu que a pergunta era sobre como passariam o tempo. Uma pergunta comum, mas por que parecia tão secreta? Ele começou a falar, mas não conseguiu continuar.

— Então…

Repetindo as mesmas palavras, Caesar sorriu levemente, como se já soubesse de tudo.

— Acho que sei como voltar.

— Sério? Como?

A voz de Won subiu de repente. Ele esqueceu completamente a mão de Caesar acariciando a sua, seus olhos arregalados e nervosos à espera da resposta. Caesar, ainda sorrindo, mas com um sorriso suspeito, apresentou a solução:

— Um beijo.

— Para de brincar.

Won praguejou imediatamente. Como ele podia dizer algo tão absurdo nessa situação? Ignorando o punho cerrado, Caesar continuou:

— E daí? Um beijo não é a solução para todas as maldições?

Era verdade. De que adiantava a casca? Mesmo nessa situação séria, ele ainda fazia comentários ridículos.

— Ugh… então, fala sério.

— Estou falando sério.

Com um suspiro e balançando a cabeça, Won resmungou, e Caesar acrescentou:

— Pensei bem, e ficar assim para sempre é realmente problemático.

— A casca não é importante?

Won zombou, e Caesar riu.

— Restrições realistas não podem ser evitadas.

Depois de trombar e cometer erros por todo lado, Won sabia que isso não estava certo. Ele provocou Caesar levemente:

— Você também não quer beijar seu próprio rosto, né?

Com esse incidente, ele percebeu que definitivamente não era narcisista. Achou que Caesar pudesse sentir o mesmo e fez uma piada, mas Caesar riu silenciosamente e encarou Won intensamente. Por um momento, ficaram se olhando em silêncio. Mesmo sendo claramente seu próprio rosto, Won sentiu como se estivesse olhando para outra pessoa. Caesar abriu a boca lentamente:

— Vamos testar o quanto eu posso ignorar a casca?

Won viu Caesar inclinar a cabeça. Era de fato seu próprio rosto, mas, apesar de sua aversão instintiva, Won não desviou o olhar. Em vez disso, escolheu fechar os olhos e bloquear a sensação. Caesar sussurrou para ele:

— Na minha opinião…

A voz grave parecia estar bem no seu ouvido. Como esperado, Won estremeceu inconscientemente ao sentir os lábios de Caesar sugando suavemente seu lóbulo da orelha.

— Nós…

Caesar fez uma pausa deliberada entre as palavras, dificultando que Won adivinhasse o que ele diria. Os nervos de Won estavam totalmente focados na sensação da língua lambendo e esfregando sua orelha. Caesar murmurou algo, mas Won não conseguiu entender. Ele franziu a testa e inclinou a cabeça para trás. Quando os lábios de Caesar, que estavam provocando sua orelha, desceram e os dentes afiados tocaram seu pescoço, ele se sacudiu.

Toc, toc, toc.

Com o som regular das batidas na porta, os olhos de Won se abriram de repente. Caesar também parou de se mover imediatamente. Ambos ficaram congelados por um momento. No silêncio, Won só prestava atenção no som das batidas, que logo foram seguidas por uma voz familiar:

— Won, você está aí? Won, sou eu. Seu pai.

A respiração de Won ficou presa na garganta quando ele involuntariamente suspirou, levantando-se de um salto. A cadeira raspou alto no chão, e seu pai percebeu que havia alguém dentro de casa. Oh não, Won ficou agitado, mas já era tarde demais. Caesar, que estava sentado na mesa até então, levantou-se lentamente com a testa franzida. Won hesitou ao ver no telefone que era uma ligação de seu motorista. Ele colocou no viva-voz para Caesar ouvir, e a voz surgiu imediatamente:

— Chefe, o Lomonosov acabou de chegar. Está tudo bem? Devemos subir?

Com o ritmo acelerado da fala, Won suspirou brevemente. Mantendo o olhar fixo em Caesar, ele falou:

— Está tudo bem, então esperem.

Ele imaginou que Caesar diria isso. Observando a reação de Caesar, era claro que ele não reagiu ao que Won disse. O que importava para ele agora era o “outro homem” do lado de fora da porta.

— Won, Won? O que está acontecendo? Você está bem?

Lá fora, seu pai continuou batendo na porta e chamando por ele. Won estava prestes a falar, mas Caesar foi mais rápido.

— Droga.

— Espere!

Won agarrou Caesar com urgência, impedindo-o de sair, e olhou para seu rosto carrancudo, acrescentando rapidamente:

— Seja educado; ele é meu pai.

Era mais um pedido do que um aviso. Vendo a expressão fria de Caesar, Won sentiu uma inquietação intensa, mas não havia outra escolha agora que haviam sido descobertos. Esperando que suas intenções fossem compreendidas, Won soltou Caesar.

— Won!

A voz de seu pai ficou alarmantemente alta. Como não houve resposta por um tempo, era compreensível que ele estivesse preocupado. Won assistiu ansiosamente às costas de Caesar enquanto ele caminhava em direção à porta da frente.

O que está acontecendo?

Mikhail hesitou com a mão no ar, pensativo. Algo aconteceu às pressas? Ou talvez a pessoa dentro não seja Won…?

Lembrando-se do incidente em que explosivos foram entregues, ele não conseguiu ficar calmo. Decidindo chamar o zelador para abrir a porta, ele estava prestes a se virar quando a porta se abriu.

— Ah, Won.

Mikhail visivelmente relaxou ao ver seu filho através da fresta da porta. Parecia que ele só estava dormindo. Mikhail estava prestes a se desculpar por tê-lo acordado quando Won falou primeiro:

— A casa está vazia.

— O quê? O que você disse?

Ele gritou surpreso, mas Won fechou a porta imediatamente. Logo em seguida, o som da tranca sendo engatada foi ouvido, e Mikhail ficou parado com uma expressão atordoada.

— Que absurdo é esse?!

Enquanto isso, Won, que estava escondido atrás da porta nervosamente, gritou baixinho e bateu nas costas de Caesar.

— Eu disse para ser educado, educado! Você não sabe o que significa ser educado?

Vendo a expressão descarada de Caesar, que parecia não entender o que fez de errado, Won não conseguiu conter sua raiva e o avisou pela última vez:

— Aja com respeito. Se não sabe o que isso significa, fique quieto, entendeu?

Claro, Caesar não respondeu. Won apontou para seus próprios olhos com dois dedos e depois para Caesar, como se dissesse que estaria de olho. Com o rosto insatisfeito de Caesar atrás dele, Won segurou a maçaneta. Ele também estava tenso nessa situação. Respirando fundo antes de abrir a porta, Won se preparou e girou a maçaneta.

— Won.

Mikhail, que estava parado com uma expressão preocupada, cumprimentou-o calorosamente, mas seu rosto logo endureceu em um olhar gelado.

— Por que você está aqui?

Seu pai questionou com um tom quase ameaçador. Por um momento, apesar de sua determinação, Won ficou surpreso. Ele brevemente se arrependeu de não ter simplesmente agarrado Caesar e pulado pela janela, mas era tarde demais. Agora, ele tinha que resolver de alguma forma a situação à sua frente.

“Se é assim, a única opção restante é minimizar o tempo que eles passam frente a frente.”

— Sr. Lomonosov.

Won forçou um sorriso e falou:

— Olá, faz tempo. Como você está?

Ele deu uma saudação padrão, mas a resposta foi uma pergunta completamente inesperada.

— Eu não perguntei por que você está aqui? Você está me ignorando?

Os olhos de Mikhail estavam cheios de ameaça. Era como se ele não hesitasse em puxar o gatilho se tivesse uma arma na mão. Percebendo isso, Won ficou paralisado.

Ele sabia que seu pai era um membro da máfia. Ele tinha vivido muitos eventos que o fizeram perceber isso. Mas talvez porque o olhar de seu pai sempre tivesse sido claro e gentil, era a primeira vez que ele sentia um efeito tão arrepiante.

De repente, ele se lembrou que Mikhail tinha sido chamado de “Leão de Lomonosov”. O leão era velho, mas o instinto permanecia. Seu olhar afiado revelava isso.

“Então, é assim que meu pai é.”

Pela primeira vez, Won realmente sentiu a natureza de seu pai. Sua mãe já o tinha visto com esses olhos e esse rosto?

Ele tinha certeza de que não. O homem que escondera tão completamente sua verdadeira natureza de seu próprio filho não teria mostrado tal face para a mulher que amara a vida toda.

— Peço desculpas se o aborreci.

Won mudou sua atitude e se desculpou.

— Eu só queria cumprimentá-lo. Não há outras intenções.

Mikhail ainda não suavizou sua hostilidade e o encarou. “Qual é a real intenção desse cara?”

Caesar Sergeyev era conhecido por ser arrogante e rude. Era difícil acreditar que ele ofereceria um pedido de desculpas tão educado por acidente. E o Sr. Lomonosov? Pedindo desculpas de maneira tão polida? A própria pessoa conhecida como o carrasco?

Era impossível pensar que não havia algum plano oculto. E provavelmente era uma coisa só:

“Baixar minha guarda e me matar.”

Havia inúmeras razões para isso. Fundamentalmente, as duas organizações estavam em conflito há muito tempo, e mesmo que houvesse uma trégua temporária, promessas poderiam ser quebradas a qualquer momento. Era só uma questão de quem puxaria a arma primeiro.

— Sim, eu entendo o que você pensa.

Mikhail falou. Inesperadamente, a voz calma fez Won hesitar. Ele não conseguia adivinhar o que ele ia dizer, mas Mikhail continuou:

— Faça como quiser, eu vim ver meu filho, então preciso ver o rosto dele. Podemos discutir assuntos antigos depois.

Ele disse calmamente e tentou passar por Won para entrar. Mas Won não podia simplesmente sair do caminho.

— Espere, pai… Quero dizer, Sr. Lomonosov!

Won rapidamente bloqueou seu caminho e fechou a porta da frente atrás de si. De repente, eles estavam no corredor, encarando um ao outro.

Um silêncio sufocante se seguiu.

— O que você está fazendo?

A voz de seu pai baixou. Won percebeu que ele ficava mais calmo quando estava com raiva. Por um momento, ele percebeu que tinha cometido um erro, mas era tarde demais. Ele rapidamente tentou pensar em uma maneira de consertar a situação.

— Não, hum, desculpe… Won não está pronto ainda.

Com essa desculpa sem sentido, Mikhail não cedeu. Seu rosto estava claramente descontente. Ele abriu a boca com um olhar de desconfiança antes que Won pudesse acrescentar algo.

— O que vocês dois estavam fazendo?

— O quê?

Mikhail encarou Won como se soubesse de tudo. Sob aquele olhar, Won gaguejou:

— O-o que estávamos fazendo… nada…

Infelizmente, enquanto falava, ele lembrou do que estavam fazendo há pouco. Suas orelhas ficaram vermelhas, e Won, inconscientemente cobrindo a boca com uma mão, viu faíscas saltarem nos olhos de Mikhail.

— Seu maldito…!

— Não, isso é um mal-entendido…!

Won, assustado, tentou recuar, mas acabou encostado na porta. Ele olhou em volta freneticamente, mas não encontrou uma saída. Ele levantou as mãos e desesperadamente tentou explicar:

— Eu não estava tentando, hum, não estava atacando Won, é difícil explicar a situação, era só para ser um beijo… não, isso soa estranho, não é o que você pensa. Não, eu estou sendo tão injustiçado agora, não é assim, sério, não era assim…

— Como ousa… como ousa!

Mikhail cerrou os punhos e rangeu os dentes. O rosto do homem suando na sua frente não importava. O que importava era a lembrança vívida das palavras cruéis que esse miserável já lhe tinha dito:

“Eu transo com Won.”

Naquele momento, o último resquício de racionalidade na mente de Mikhail desapareceu completamente.

— Você ousa mostrar isso na minha frente agora? Seu insolente…!

— O quê? Do que você está falando?

Won perguntou surpreso, mas é claro que Mikhail não ouviu. O único que poderia acalmá-lo era Won, mas Won não estava em condições de fazer isso.

— Acalme-se, Sr. Lomonosov. Por favor, acalme-se.

Enquanto Mikhail, incapaz de controlar sua raiva, levantou o punho em sua direção, Won desesperadamente o agarrou. A espessura do braço que ele segurou parecia alarmantemente fina. Ele ficou chocado com a diferença que não tinha sentido quando era seu próprio corpo. Seu pai poderia se machucar se as coisas dessem errado!

Won soltou o braço de Mikhail, que ele estava segurando com força, bem a tempo. Ele tentou explicar que não era o caso, mas as palavras não saíam facilmente. Suando de tensão, ele esfregou o pulso enquanto Mikhail o encarava com um olhar assustador e falou:

— Sim, eu estou completamente vulnerável agora. Sou apenas um velho impotente, então se for você, poderia me lidar com suas próprias mãos. Não tenho intenção de implorar por minha vida. Sinta-se à vontade para atirar no meu coração, quebrar meu pescoço ou me levar e me torturar. Mas você não vai conseguir nenhuma informação sobre a organização. Eu estou fora há muito tempo, então não ouvi nada.

Mikhail estava completamente equivocado. Arrependendo-se de não apenas ter apanhado, Won falou:

— Ah… Pai, Sr. Lomonosov.

Sentindo uma dor de cabeça chegando, ele continuou:

— Eu não tenho intenção de machucá-lo. Eu disse, só queria cumprimentá-lo já que faz tempo.

— Você? Para mim? Que absurdo.

Mikhail encarou Won com uma expressão fria.

— Qual é o seu objetivo?

Won ficou sem palavras. A desconfiança entre Mikhail e Caesar era mais profunda e espessa do que ele imaginara. Além disso, agora que Won se declarara um amante, a situação era a pior possível.

Mas ele não podia deixar assim. Se ele enfrentasse Caesar agora, quem poderia impedi-lo de dizer o que quisesse?

Ainda assim, ele tinha que esclarecer o mal-entendido.

Caesar tinha dito que não tinha intenção de atacar, então o que quer que acontecesse entre ele e Mikhail era um assunto pessoal. Não afetaria o mundo exterior, então isso deveria ser administrável.

— Eu sei que você não gosta que eu namore Won.

Ele falou cuidadosamente, escolhendo suas palavras. Mikhail ainda estava com a testa franzida, mas esperou em silêncio pelas próximas palavras. Aproveitando a oportunidade, Won rapidamente continuou:

— Eu admito que a relação entre Lomonosov e Sergeyev não tem sido boa por muito tempo, mas a situação mudou agora. Eu não guardo mais nenhuma hostilidade contra você. Não tenho intenção de fazer nada.

— ……

— É a verdade.

Won enfatizou novamente. Mikhail ainda o olhava com a testa franzida. Embora sua raiva o impedisse de perceber, o Caesar de hoje parecia de alguma forma diferente do habitual. Não havia tom condescendente ou sorriso cínico. Quase parecia que ele estava se esforçando para não irritar Mikhail.

— Por que você está fazendo isso comigo?

Com suspeita persistente, Won respondeu honestamente:

— Porque você é o pai da pessoa que eu amo.

Isso era a verdade. Tanto Caesar, seu amante, quanto seu pai eram insubstituíveis em sua vida. Era problemático para ele se eles continuassem em desacordo. Ele só esperava que o tempo amenizasse seus sentimentos, mas ele não podia perder a oportunidade que estava bem à sua frente. Ele esperava que esse incidente fizesse seu pai mudar de ideia. Embora fosse um desejo excessivo.

Por outro lado, Mikhail estava internamente surpreso com o que Won tinha dito.

“Esse homem diz essas coisas?” Ele só o tinha visto como um assassino sanguinário, mas ouvir a palavra “amor” de Caesar Sergeyev?

Mikhail também tinha uma pessoa que amou a vida toda. Ele faria qualquer coisa por ela, e gostava do que ela gostava. Ele também tentava se dar bem com os conhecidos dela porque queria fazê-la feliz. Qualquer um que realmente amasse provavelmente faria o mesmo.

“Mas agora esse homem parece estar me vendo daquela época.”

Mikhail não conseguia acreditar que o amor de Caesar por Won fosse sincero. Não havia como esse homem ter um coração tão caloroso.

“Mas então, o que esse discurso e comportamento significam?”

Mikhail ficou confuso pela primeira vez. Não fazia sentido que Caesar fosse a tais extremos para enganá-lo. O que ele ganharia com isso?

— Então você está dizendo que espera melhorar as relações comigo por causa de Won?

— Sim, claro.

Won respondeu sem hesitar.

— Se a relação entre o Sr. Lomonosov e eu for ruim, seria desconfortável para Won também.

Era muito sincero. Na verdade, não era só desconfortável; era sério, o que fez sua voz tremer. Mikhail ficou em silêncio por um momento. Mikhail, que estivera pensativo e acariciando o queixo, perguntou lentamente:

— Então, você quer dizer, pelo bem de Won…

Won percebeu que esse era o momento que ele esperava e aproveitou a oportunidade imediatamente.

— Se o Sr. Lomonosov se importa com Won, ele deveria entender meu desejo de tranquilizá-lo.

Mikhail ficou visivelmente abalado com isso. Won se sentiu desconfortável usando o afeto de seu pai por si mesmo, mas pensou: “Contanto que o resultado seja bom, vale a pena.”

— Não há mais razão para o Sr. Lomonosov e eu entrarmos em conflito. Como você disse, você se aposentou.

Então ele pretendia encerrar esse relacionamento inútil, mas o entusiasmo era grande demais. A expressão de Mikhail ficou tensa, e seus lábios se apertaram após ouvir as palavras de Won. Embora não houvesse nada de errado no que ele dissera, o desconforto estranho de receber de volta exatamente o que havia dito era evidente.

No entanto, o que irritava Mikhail não era um aborrecimento trivial. O significado daquelas palavras era importante. Significava que, embora ele tivesse se aposentado e não precisasse mais se preocupar, Lomonosov era diferente. Eles poderiam atacar a qualquer momento, e isso poderia se transformar em uma guerra total.

Mas ele não estava em posição de apontar isso. Suas palavras anteriores o haviam colocado em uma armadilha. Como já havia declarado sua aposentadoria de Lomonosov e dito que não tinha mais conexão, não poderia dizer nada se Caesar atacasse Lomonosov. Assim, Caesar repetira as palavras de Mikhail, como se confirmando que ele as dissera primeiro.

Aquela raposa astuta, ousando brincar com Won enquanto joga…!

— Sr. Lomonosov…

— Então.

Assim que Won começou a falar, Mikhail o interrompeu. Vendo Won hesitar, Mikhail continuou em um tom severo.

— Em resumo, significa que Lomonosov e eu estamos separados. Você não tem intenção de me prejudicar.

— Sim, está certo.

Won acenou feliz ao ver seu pai concordando inesperadamente com ele.

— Obrigado por entender.

Ele acrescentou um sorriso ao agradecimento.

— O que eu ganharia causando problemas com o Sr. Lomonosov? Won também não iria querer isso…

Inicialmente, ele o manteve ocupado para ganhar tempo, mas, ao falar, genuinamente quis convencer seu pai. Won sabia muito bem que Caesar não era um homem bom. No entanto, não gostava da ideia de seu pai simplesmente ficar com raiva e falar mal de Caesar. Havia problemas na atitude de Caesar, é verdade, mas seu pai também tomara muitas ações ameaçadoras, então parecia justo que houvesse uma troca mútua.

— Fui rude da última vez. Peço desculpas.

Ele se desculpou educadamente. Embora fosse algo que Caesar jamais diria ou faria, se não fosse agora, não haveria outra oportunidade. Ele esperava que isso fizesse seu pai diminuir um pouco sua hostilidade. O motivo pelo qual seu pai era tão hostil com Caesar vinha em parte da velha rixa entre as organizações, mas também da rudeza e arrogância pessoais de Caesar. Se ao menos conseguissem ter uma conversa normal…

Por um breve momento, ele imaginou um futuro otimista, mas foi passageiro. Ao ver o rosto de Mikhail, Won se assustou e recuou. Mikhail o encarava com hostilidade intensa, os punhos cerrados com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos.

Enquanto isso, Won ficou chocado ao ver as veias saltando nas têmporas de Mikhail.

Por que ele está mais irritado?

Era claro que ele estava chateado, mas Won não conseguia entender o motivo. Tentara ser o mais gentil possível, assegurando que não tinha intenção de atacar e até mesmo adicionara uma desculpa que Caesar jamais precisaria dar. Por que essa reação?

“Mikhail é sempre quem fica com raiva. Eu só estava conversando.”

As palavras de Caesar vieram à mente de repente. Por um instante, Won quase simpatizou com ele, mas então balançou a cabeça. Devia ter dito algo que pudesse ser mal-interpretado. Afinal, seu pai pensava que ele era Caesar, então até os menores comentários poderiam ser difíceis de aceitar de forma pura.

Exagerei?

Talvez seu pai tenha pensado que ele estava zombando dele. Mikhail conhecia Caesar há anos, então devia ter parecido estranho ele de repente agir como se o conhecesse na rua e ainda por cima se desculpar.

Ele não pode ter percebido que eu mudei.

— Sr. Lomonosov…

— Seu desgraçado sem vergonha…

Mikhail cuspiu um insulto para Won, que tentava falar novamente. Antes que Won pudesse reagir, Mikhail despejou suas palavras rapidamente.

— Você acha que eu não conheço sua natureza suja? Tentar me enganar e zombar de mim assim, você realmente me subestima! Eu tentei me conter por causa de Won, mas você não vale a pena. Saia daqui imediatamente e nunca mais apareça na minha frente! Não sei o que você está tramando com meu filho, mas eu nunca vou te aceitar. Não vou desistir até que meu filho caia em si!

— Uh…

Won ficou boquiaberto, completamente atordoado pela reviravolta inesperada. Mikhail empurrou Won, que ainda estava pasmo, e conseguiu afastá-lo à força da porta. Embora ele só se movesse desajeitadamente para o lado, não perdeu a maçaneta à sua frente e a girou para abrir. Quando a porta se abriu completamente, revelando Caesar fumando um charuto, os olhos de Won se arregalaram.

Ele gesticulou desesperadamente para Caesar apagar o charuto, mas Caesar olhou para ele e depois virou o rosto novamente. A frustração de Won transbordou, e ele cerrou os punhos. Enquanto isso, Mikhail se aproximou de Caesar, falando suavemente. Para ser preciso, era Caesar disfarçado de Won.

— Won, como você está? Sinto muito por aparecer tão de repente…

“Fique quieto!”

A expressão de Caesar se contorceu de irritação com as tentativas frenéticas de Won de imitar um zíper sobre a boca, mas, felizmente, ele não disse nada. Em vez disso, continuou a soprar fumaça do charuto, deixando Mikhail confuso e perguntando:

— W-Won, você aprendeu a fumar charutos? Desde quando… Não, charutos são aceitáveis, mas…

A incapacidade de Mikhail de falar coerentemente deixou Won frustrado. Pai, eu estou aqui! Aquele cara é uma farsa! Ele queria gritar, mas era impossível. Como explicar isso? Além disso, considerando o que acabara de acontecer, seu pai jamais acreditaria. Ele ficaria ainda mais furioso, achando que Caesar estava menosprezando-o. Não havia escolha a não ser tirar Mikhail dali o mais rápido possível.

Faça algo, rápido! Tire o pai daqui!

Won articulou as palavras desesperadamente, mas a reação de Caesar foi morna. Rápido! Enquanto Won insistia novamente, Caesar, que fumava seu charuto com uma expressão descontente, finalmente falou com um grimace.

— Já que está barulhento, vamos só sair.

— O quê?

— Ei!

A descrença de Mikhail e o grito de Won vieram um após o outro. Caesar, impassível, continuou a falar com Mikhail com uma expressão entediada.

— Estou ocupado agora. Se não quer morrer, ou se agacha ou sai daqui. Você está atrapalhando.

Os olhos de Mikhail se arregalaram ainda mais. Ele parecia dividido entre o choque com a mudança repentina do filho e a compreensão de que a situação era urgente. No entanto, o tempo para conflito foi curto. Seus instintos, apurados por uma vida enfrentando a morte, agora gritavam, avisando-o repetidamente.

Alguém está tentando matar seu filho.

Se ele não agisse corretamente agora, poderia perder outra pessoa preciosa. Não podia cometer o mesmo erro duas vezes. Perder o único parente de sangue que Su-yeon lhe deixara diante de seus olhos? Impensável.

Mikhail agiu imediatamente. Escondendo-se entre a cama e a parede, perguntou aos dois ainda no chão:

— Sabem quem é o atacante?

Parecia estar perguntando a Won, mas foi Caesar quem respondeu. Mantendo o olhar fixo em um ponto distante, ele respondeu brevemente:

— Leonid.

— Leonid? Por que ele está envolvido?

Mikhail ficou surpreso. Parecia que a bala tinha sido direcionada a Caesar, mas aquela era a casa de Won. Além disso, a reação de seu filho sugeria algo sério.

Não havia muito tempo para pensar. Ele rapidamente pegou o telefone e ligou para Vladimir. Enquanto explicava a situação e pedia ajuda, Won ficou deitado, atordoado e incapaz de se mover.

Leonid.

O nome o congelou no lugar. Ele entendeu tudo em um instante. O que estava acontecendo agora.

Eles estavam tentando matar Caesar.

O alvo original era Won. Caesar havia levado o tiro no lugar dele.

Leonid não estava desistindo, então era mais eficaz que Caesar lidasse com a ameaça até que conseguissem capturá-lo e tomar medidas. Caesar concordara com isso voluntariamente, e, embora houvesse vários casos de Caesar ficando machucado ou ferido, fora tratado como nada sério. Caesar parecera tão calmo, e, em algum lugar dentro de si, Won acreditara que ele não morreria.

Ele pensara assim.

De repente, memórias esquecidas ressurgiram, e tudo começou a se encaixar. A insistência de Caesar em ficar perto de Won, por que ele ficara acordado pela janela a noite toda no dia anterior – tudo se encaixava perfeitamente na ideia de que Leonid poderia atacar a qualquer momento. A razão do déjà vu era que Caesar ficara acordado pela janela quando Won foi com ele à ilha procurar uma testemunha.

A razão pela qual Caesar nunca mencionara nada poderia ter sido para não deixar Won ansioso, ou talvez porque estava confiante de que poderia protegê-lo. De qualquer forma, estava claro que era tudo pelo bem de Won.

Mesmo sendo um homem com força e resistência muito além do normal, ele ainda era humano. Uma bala poderia matá-lo. Além disso, a altura por onde a bala passara era no nível da cabeça de Caesar. Se ele não tivesse desviado, teria perfurado sua têmpora.

E se isso tivesse acontecido?

De repente, um calafrio percorreu sua espinha. Imaginando o rosto pálido e o corpo sem vida de Caesar, sangrando, Won congelou completamente.

— …Ele se foi.

Um sussurro suave foi ouvido. Logo, Caesar se levantou, e o peso que estava sobre Won desapareceu.

— Levanta. Você está bem?

Caesar, agora em pé, estendeu a mão. Won piscou em branco, lentamente erguendo a mão. Quando estava prestes a apertá-la, Mikhail de repente interveio.

— Won, venha aqui! Rápido!

O puxão urgente de Mikhail fez a mão de Won ficar suspensa no ar. O rosto de Caesar se distorceu, mas Mikhail não deu atenção e o empurrou para o canto, envolvendo seu corpo em volta de Won.

— Vladimir vai verificar a área. Não é tarde para nos movermos quando tivermos a confirmação. Tivemos sorte de escapar desta vez, mas quem pode garantir que teremos sorte novamente?

Era verdade. Won, meio levantado, encarou Caesar em branco. Ele queria dizer ao pai para ouvi-lo, mas, antes que pudesse, Caesar afastou Mikhail.

— Eu disse que estou bem. Saia daqui. É desagradável.

Mikhail cambaleou para trás, dominado pela ação brusca. Caesar saiu do espaço apertado e começou a esfregar o corpo com movimentos exagerados, como se estivesse sujo. Mikhail ficou tão chocado com a exibição intencional que sua boca se abriu em incredulidade. Ele balbuciou antes de recuperar o controle e rapidamente perguntou:

— Você está realmente bem? Está machucado em algum lugar? Deixe-me ver, só por um momento.

Depois de examinar seu corpo e finalmente soltar um suspiro de alívio, Mikhail olhou para a janela. Apesar de sua expressão cautelosa, não durou muito. Convencido pelas palavras de Caesar de que não haveria mais ataques, ele finalmente relaxou.

“Tudo bem, vamos ver se está correto ou se algo deu errado.”

Ele acrescentou com uma expressão séria:

“Tenho um mau pressentimento sobre isso.”

O som rítmico das ondas ecoava suavemente. Após trocar apressadamente de carro para um avião e depois pegar um barco, chegaram à mesma ilha onde Caesar uma vez o sequestrara. A mansão solitária na ilha estava cercada por nada. Naturalmente, não havia sinais de pessoas. Os únicos habitantes da ilha eram Caesar e Won. Apoiado na varanda e olhando para o mar distante, Won falou.

— Eu realmente não esperava vir para cá.

Caesar, segurando uma lata de cerveja, respondeu ao comentário murmurante.

— Eu não disse? Tinha um lugar preparado.

Won, segurando a lata que lhe foi entregue, olhou para Caesar com desconfiança.

— Você estava planejando fazer isso logo? Seja honesto, não vou ficar bravo.

Caesar sorriu e abriu a lata de cerveja.

— Bem, eu estava ficando sem paciência.

Won lançou um olhar entendido, mas não disse nada.

— Já que você me arrastou para fora na frente de Mikhail, da próxima vez será ainda mais barulhento.

Caesar parecia bastante satisfeito ao dizer isso, como se estivesse muito feliz que Won tivesse saído com ele em vez de Mikhail.

— Eu poderia soltar um agente da Lomonosov porque te sequestrei.

Caesar disse com um sorriso persistente. Won, que acabara de engolir um gole de cerveja, respondeu indiferente.

— Eu não me importo. Agora, você é mais importante para mim.

O sorriso no rosto de Caesar desapareceu, substituído por uma expressão de surpresa. Vendo Caesar com um olhar meio atordoado, Won sentiu mais amargura do que constrangimento. Um suspiro escapou dele junto com o pensamento de querer ver o rosto de Caesar, não o seu próprio.

— O que foi? Por que você está com essa cara?

Caesar, aparentemente confuso, perguntou com a testa franzida. Em vez de responder, Won fez outra pergunta.

— Este lugar é seguro? Nem mesmo Leonid conseguiria nos rastrear aqui, certo?

— Absolutamente não.

Caesar respondeu com precisão.

— Se ele se desse ao trabalho de vir até aqui, seria melhor esperar que saíssemos da ilha. Seria impossível para ele infiltrar-se secretamente. Ele saberia que morreria antes mesmo de pisar na ilha. Ele não é tão tolo assim.

— Entendi.

Assentindo, Won fez uma pausa antes de falar.

— Então conseguimos alguns dias para nós. Isso é bom.

Hoje, Won parecia estranho. Na verdade, vir aqui sozinho com Caesar em vez de deixar Mikhail para trás era algo que ele nunca teria feito em circunstâncias normais.

— Há algo importante que você precisa conversar?

Caesar perguntou. Embora o cenário para uma conversa privada fosse excessivamente dramático, o resultado não era ruim. Após um momento de reflexão, Won finalmente confessou.

— Há algo que preciso que você faça. Não, é algo que você deve fazer.

— Entendido.

Caesar respondeu sem nem perguntar o que era. Won franziu a testa e olhou para ele.

— Você sabe o que eu vou dizer?

Num tom de descrença, Caesar respondeu casualmente.

— Então me diga, o que você quer de mim?

A ordem das palavras estava misturada, mas isso não importava. Won respirou fundo. O que ele estava prestes a dizer poderia quebrar os princípios pelos quais vivera até agora. Era algo que ele nem teria imaginado ontem. Mas uma coisa era clara: se não dissesse agora, com certeza se arrependeria.

— Diga a Dmitri para lidar com Leonid o mais rápido possível. Seria melhor se fosse resolvido enquanto ainda estamos nesta ilha.

A expressão de Caesar ficou estranha. Seus olhos semicerrados tinham um ar um tanto sinistro, como se estivesse tentando avaliar se Won estava falando sério ou brincando. Depois de encará-lo por um tempo, Caesar sussurrou em voz baixa:

— Posso matá-lo?

Era uma pergunta que parecia um teste, como se dissesse: “Você não pode realmente fazer isso.” Won manteve seu olhar e respondeu diretamente.

— Se o pedido só for cancelado com a morte dele, então que seja.

O rosto de Caesar mostrou surpresa mais uma vez. Sua reação sugeria que não esperara tais palavras de Won. Ele acrescentou friamente:

— Dei a Leonid chances mais do que suficientes. Ele teve tempo de sobra para decidir se continuaria com este trabalho. Não há razão para você continuar arrastando isso enquanto se machuca.

Won concluiu com firmeza:

— A responsabilidade por esta situação é de Dmitri. A pessoa que criou essa bagunça deve assumir a responsabilidade. Completamente.

O som das ondas continuou. Após um período de silêncio, Caesar finalmente falou lentamente.

— Eu nunca esperei que você diria algo assim…

— Claro, eu também não quero. Honestamente, seria melhor se Leonid simplesmente desistisse.

Won respirou fundo. As emoções complexas que agitavam dentro dele eram mais do que apenas inquietação. Afinal, tratava-se de mandar alguém matar, usando suas próprias palavras.

— Mas não posso deixar aquele homem te matar.

— Me matar?

Caesar balançou a cabeça em descrença. Seu rosto se contorceu em um sorriso, como se tivesse ouvido algo ridículo. Mas Won não sorriu.

— Dmitri persegue aquele homem há meses sem encontrar nenhum vestígio. Tudo o que ele conseguiu foi mantê-lo seguro. Ele está realmente dando o seu melhor, ou é apenas incompetente?

Caesar estreitou os olhos como se achasse engraçado.

— Tudo bem, vou passar isso para Dmitri.

Então, ele olhou para o lado distante do mar e murmurou para si mesmo.

— Como você disse, dei a ele tempo suficiente para provar seu valor.

Won silenciosamente seguiu o olhar de Caesar em direção ao mar distante. O sol já se punha, tingindo o céu e o mar de um vermelho profundo. Já faziam dois dias nesse estado.

Só dois dias? Tanta coisa aconteceu.

Parecia que já se passara um mês, mas era fato que não haviam se passado mais de 48 horas desde que todo esse caos começara.

O som de um tilintar seguido por um cheiro suave encheu o ar. Caesar acendera um charuto. Enquanto Won o observava em silêncio, perguntou:

— Há algo especial nesse charuto?

O charuto que ele experimentara por curiosidade uma vez não fora do seu gosto. Desde então, ficara com os cigarros. Caesar, exalando a fumaça, perguntou:

— Quer um?

Quando Won estendeu a mão sem dizer uma palavra, Caesar, com o charuto entre os lábios, pegou um novo e cortou a ponta. Won aceitou o charuto, que Caesar cuidadosamente queimara de forma uniforme, e levou-o à boca. O calor e o sabor forte se espalharam por sua boca. Após exalar a fumaça, Won disse com o rosto franzido:

— Ainda não é do meu gosto.

— Que pena.

Caesar sorriu e inalou a fumaça do charuto. Won continuou a observar o céu avermelhado e levou o charuto à boca novamente.

— Da próxima vez, certifique-se de ter cigarros à mão. Depois de ficar duas semanas sem os sintomas de abstinência podem aparecer.

Caesar, que exalava fumaça por hábito, parou. Ele virou-se lentamente para olhar Won. Won, ainda observando o mar, acrescentou casualmente:

— Ou então posso atirar na sua cabeça eu mesmo, em vez de deixar para Leonid.

Após um momento de silêncio, Caesar finalmente falou:

— Você vai voltar para cá? Por duas semanas?… Não apenas dois dias?

Considerando o padrão até agora, até dois dias pareciam uma bênção. Caesar, duvidando de seus próprios ouvidos, perguntou a Won em um tom neutro:

— A lua de mel não deveria durar pelo menos duas semanas?

Um silêncio repentino caiu. O som recorrente das ondas parecia especialmente alto. Como se tivesse esquecido de respirar, ou realmente tivesse parado, Caesar olhou para Won com uma expressão vazia.

— …Lua de mel?

Caesar perguntou como se quisesse confirmar se realmente ouvira aquela palavra. Won olhou para Caesar e confirmou:

— Vamos nos casar.

Os olhos de Caesar se arregalaram de surpresa. Ver seu rosto tão chocado era uma novidade para Won, que quase sorriu involuntariamente.

— Por que está tão surpreso? Foi você quem tocou no assunto primeiro, pedindo que eu comprasse uma caneta-tinteiro de edição limitada.

Ainda assim, vendo a falta de reação de Caesar, Won perguntou provocativamente:

— Ou há alguém mais com quem você queria se casar, em vez de mim?

— Que absurdo…

Finalmente, com um tom de irritação, Caesar perguntou com uma expressão cética:

— É sério? Você quer se casar comigo?

A ordem das palavras estava toda bagunçada. Ouvir uma pergunta completamente inesperada em um momento imprevisível deixou Caesar visivelmente confuso. Ver Caesar assim pela primeira vez fez Won sentir-se envergonhado.

— Por que de repente?

Caesar pareceu finalmente entender a situação e perguntou com seu habitual olhar desconfiado. Era compreensível. Won exalou brevemente e confessou:

— Sinto muito.

— …Pelo quê?

Caesar imediatamente franziu o rosto de raiva com a declaração repentina.

— Você dormiu com alguém?

— Que tipo de absurdo é esse? Você me considera tão pouco?

Won retrucou com raiva, suas emoções se inflamando.

— Estou avisando, se você me difamar como lixo novamente, é melhor se preparar para se machucar. Entendeu? Nunca vou perdoá-lo.

Surpreso com a fúria intensa de Won, Caesar recuou um passo, relutante.

— Então, por que você está se desculpando?

Ainda desconfiado, Caesar olhou para ele, mas desta vez Won não pôde repreendê-lo. Dada a natureza do relacionamento deles, talvez fosse compreensível que Caesar reagisse assim.

— Eu o negligenciei todo esse tempo.

Won finalmente expressou os pensamentos que guardara. Evitando o olhar de Caesar, ele continuou:

— Sempre coloquei meu trabalho em primeiro lugar. Não nos víamos com frequência, e mesmo quando você vinha me ver, eu muitas vezes pedia para você ir embora.

Tendo dito isso, Won olhou para Caesar. Caesar ainda parecia perplexo, franzindo a testa e inclinando a cabeça.

— Você sempre ficava chateado com isso, e agora está com essa cara?

Irritado, Won apontou, e Caesar inclinou a cabeça para o outro lado.

— É verdade, mas essa era a minha situação. Você sempre aceitou como algo natural. Por que a mudança repentina?

Caesar genuinamente não entendia o pedido de desculpas de Won. Talvez ele tivesse desistido do relacionamento ou aceitado como era. Por isso, às vezes usava métodos drásticos como sequestros, que poderiam ser sua forma de manter o relacionamento.

Esse pensamento aprofundou o sentimento de culpa de Won. Ele agira assim em relacionamentos passados também? Realmente dera o seu melhor? Embora achasse que fora sincero com Caesar, não podia dizer que fizera tudo que podia. Afinal, Caesar era um homem, e Won de alguma forma decidira que não precisava considerar esse aspecto tão profundamente.

— Mesmo que você não entenda, não importa. Ainda quero dizer.

Won continuou calmamente:

— Porque você sempre esperou por mim, eu adiava suas necessidades… Talvez você fosse minha última prioridade.

Não era mentira que havia muitas pessoas que precisavam dele. No entanto, ele poderia ter sido um pouco mais atencioso. Caesar era diferente; ele era seu amante. Havia a chance de essa oportunidade desaparecer para sempre.

— Não posso prometer que você será minha prioridade máxima de agora em diante. Entenda, meus clientes não têm para onde ir além de mim. As situações em que eles vêm primeiro vão continuar. Mas farei o meu melhor. Vou prestar mais atenção…

Won respirou fundo após dizer isso. Ele exalou lentamente e olhou para o rosto de Caesar. Enquanto encarava o homem de pele branca refletido em seus olhos escuros, finalmente sussurrou as palavras que guardara no coração:

— Case-se comigo e passe a vida comigo.

O rugir das ondas o desorientou. Ele viu o charuto de Caesar cair lentamente, como se desafiasse a gravidade. Won viu claramente a mão de Caesar se estender em sua direção. Ele se inclinou para frente, abrindo os braços como se esperasse. Ao fechar os olhos, sentiu as mãos de Caesar envolvendo seu rosto. Caesar o puxou para um beijo.

O cheiro forte do charuto encheu sua boca, e um calor ardente se espalhou. Parecia que uma marca estava sendo gravada em sua língua. O beijo intenso e a mistura de saliva pareciam fogos de artifício explodindo em sua cabeça. Ele percebeu o quanto sentira falta de beijar aquele homem. De novo e de novo.

Um beijo que se repetiria por uma vida inteira.

Haa…

Um suspiro suave escapou da boca entreaberta de Won. Quando seus lábios se separaram lentamente e o calor recuou, Won abriu os olhos devagar, sentindo uma pontada de arrependimento. De repente, sentiu-se tonto. Era um tipo novo de tontura para ele, e ele franziu a testa quando uma voz veio de cima:

— Eu disse, a maldição se resolve com um beijo.

— O quê?

Won, ainda franzindo a testa e olhando para cima, arregalou os olhos de surpresa. O rosto familiar de Caesar olhava para ele.

— Hm…

Confuso, ele apalpou o próprio rosto com ambas as mãos, depois tocou o rosto de Caesar. Caesar virou a cabeça e beijou a palma da mão de Won, então disse:

— E contos de fadas terminam com um final feliz.

“Conto de fadas”, uma palavra tão fora de lugar em seu relacionamento. Mas coisas tão triviais não importavam. O importante era que cada um encontrara seu lugar. E agora, era a vez de Won beijar Caesar.

Puxando a nuca de Caesar, ele inclinou a cabeça voluntariamente. Seus lábios se encontraram novamente, e os braços de Caesar envolveram sua cintura. Seus corpos se colaram tanto quanto suas línguas entrelaçadas e lábios sobrepostos. Won rasgou a camisa de Caesar, e Caesar puxou as calças de Won para baixo. Mãos grandes agarram suas nádegas expostas com força e, de repente, com um tapa alto, bateram na carne macia.

— Ugh!

Assustado com a situação repentina, Won gritou e tentou se afastar. Mas Caesar o segurou firmemente com o outro braço, recusando-se a soltar.

— O que, o que você está fazendo? Onde está batendo?

Won se debateu desesperadamente para escapar, mas não conseguiu se mover.

— Won.

Caesar chamou seu nome com calma e mordeu sua orelha. Arrepios percorreram a espinha de Won, e Caesar sussurrou ainda mais baixo:

— Isso é novo para você, não é?

O tom da voz seguinte estava cheio de arrogância:

— Você nunca fez isso com mais ninguém antes, fez?

— Claro que não, claro que não.

Olhando para Won perturbado e confuso, o rosto de Caesar se encheu de um sorriso satisfeito. Então sua mão grande bateu nas nádegas de Won novamente. Won engoliu em surpresa enquanto Caesar falava gentilmente:

— Confie em mim, você gosta disso.

— Que, absurdo…

— Você está excitado.

Enquanto dizia isso, Caesar esfregou seus corpos juntos. Suas palavras eram verdadeiras. O pênis ereto de Won tocou o corpo de Caesar, e a ponta logo ficou úmida.

— O que, o que é isso?

Won, que não conseguiu continuar suas palavras, finalmente gritou:

— O que você fez com o meu corpo?

Apesar de suas fortes objeções, Caesar respondeu com um tom alegre:

— Não mudei seu corpo nem nada. Só descobri o que te deixa feliz.

O silêncio estranho no meio parecia sinistro. Ofegante e piscando com o rosto pálido, Won viu Caesar inclinar a cabeça e esfregar o nariz nele.

— Ter tomado conta do seu corpo não foi ruim para mim.

— Uh, quando… como…

Estivemos juntos esse tempo todo?

Ele não conseguia entender. Caesar estivera com ele todo esse tempo, e ele fizera coisas tão vergonhosas com seu corpo. As mãos sem vergonha de Caesar continuaram a acariciar suas nádegas ardentes, e, em vez de encolher, seu pênis ficou ainda mais ereto. Tudo era um absurdo! Não, o fato de terem trocado de lugar desde o início era ridículo!

— Won, tempo é algo que posso criar o quanto quiser.

Caesar falou para Won, que estava quase em pânico. E sua mão grande agarrou suas nádegas.

— Agora é hora de mostrar o quanto eu sei sobre você.

— Não, espere.

Won gritou, mas, é claro, foi em vão.

 

 

 

 

 

Fim Side Story 5

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna

 

N/T: Esse é o último extra que a Zig (autora) postou, existe a grande chance de que ela crie mais sides futuramente, uma vez que eles ainda não casaram, então, obrigada por ler até aqui e permaneçam hidratados ❀

~Bella

Ler Roses and Champagne Yaoi Mangá Online

Ler o Manhwa Roses and Champagne Completo em Português Grátis Em um mundo de alto risco, Lee Won, um advogado lutando para sobreviver, se vê enredado em uma teia de intriga e perigo. Quando ele cruza o caminho de Caesar, um formidável chefe da máfia, descobre uma conexão oculta entre o Conselheiro Municipal Zdanov e o crime organizado. À medida que Lee Won se aprofunda no caso, desvenda uma conspiração sinistra que ameaça despedaçar o frágil equilíbrio da cidade. Preso entre a lei e o submundo, ele deve navegar por um jogo mortal de poder, decepção e desejos proibidos. A cada passo, o mundo de Lee Won se entrelaça com o de Caesar, enquanto ambos enfrentam seus próprios motivos ocultos e tentações proibidas. Em meio a noites regadas a champanhe e o aroma de rosas em flor, uma atração perigosa surge entre eles. À medida que os riscos aumentam e o perigo se intensifica, Lee Won deve escolher entre seus princípios e o fascínio do proibido. Em um mundo onde lealdade e traição se confrontam, ele precisa encontrar uma maneira de expor a verdade e proteger a si mesmo e aqueles que ama. Nesta envolvente história de amor, traição e a intoxicante luta pelo poder, Roses and Champagne explora a intricada dança entre desejo, dever e a frágil linha entre o bem e o mal.
Nome alternativo: Rosas Y Champagne Rosas E Champanhe Roses

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