Ler Roses And Champagne – Capítulo Side Story 03 – Parte 8 Online


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❬ Side Story 03 – Parte 8 ❭

⌽ Roses and a Kiss ⌽

Naquele dia, ocupado com outros assuntos, Vladimir só soube do desastroso resultado do jantar muito depois. Claro, correu para a mansão assim que recebeu a notícia, encontrando Leo e o Sr. Lomonosov bebendo em sofás opostos na sala de estar.

Preocupado, Vladimir já estava quase dentro do quarto quando o tom sombrio dominante atingiu seus sentidos e ele parou abruptamente.

O Sr. Lomonosov parecia em péssimo estado. Os olhos de Vladimir saltaram entre os dois homens, incerto sobre como proceder, até que Leo levou um dedo aos lábios e depois o chamou. Andando o mais silenciosamente possível, Vladimir sentou-se ao lado de Leo no sofá e acenou agradecido pelo copo de vodka que apareceu diante dele.

Ele observou o Sr. Lomonosov esvaziar seu próprio copo.

— Como isso pôde acontecer? — Mikhail lamentou. — Nunca, nem em meus sonhos mais loucos, eu poderia imaginar que o encontraria lá. Como Won pôde fazer isso comigo? Meu próprio filho? Ele me odeia? Deve odiar. Deve me desprezar para escolher aquele monstro quando poderia ter qualquer um. É assim que ele está me punindo por ter deixado ele e Susya. — Mikhail fez uma pausa e emitiu um som de dor antes de continuar. — Deve ser, caso contrário ele estaria realmente, realmente envolvido com… Não, não pode ser. Não acredito. Então por quê? Diga-me. Por favor!

Vladimir nunca vira o Sr. Lomonosov tão perturbado. O grande Lyev, líder da Bratva Lomonosov, não se encolhia nem chorava. Na mente de Vladimir, o Sr. Lomonosov brilhava mais que o sol; ainda assim – ali estava ele, cílios úmidos de lágrimas, parecendo ter envelhecido dez anos desde a última vez que Vladimir o vira.

Era chocante, e Vladimir não conseguia começar a especular o que, exatamente, o havia abalado tanto. Por mais difícil que fosse, Vladimir esperou em silêncio. Era o tipo de fortaleza mental exigida do atual líder da Bratva, por mais que doesse ver o homem que mais admirava no mundo sofrendo.

— Sr. Lomonosov, — Leo chamou suavemente. — Talvez devesse subir e descansar.

Entre os dois, conseguiram levar um Sr. Lomonosov muito bêbado escada acima até a cama enquanto ele resmungava e murmurava para si mesmo. Mesmo depois que Leo fechou a porta do quarto, Vladimir ainda podia ouvir súplicas incompreensíveis e lamentosas saindo dos lábios do Sr. Lomonosov.

Doía seu coração vê-lo assim.

— Obrigado, — Leo disse quando voltaram para a sala.

— Claro, — Vladimir respondeu, mas tinha perguntas mais urgentes. — O que aconteceu exatamente? Por que ele estava bebendo tanto?

— Quanto te contaram antes?

— Eu… — Vladimir hesitou. O relato tinha sido… ultrajante. — Bem, ouvi que uma briga eclodiu no restaurante com os Sergeyev, e que o Sr. Lomonosov declarou guerra.

Leo pareceu abatido. — Isso resume bem, sim.

Um momento se passou antes que a confirmação de Leo fizesse sentido. — Espera, é verdade? Ele realmente declarou guerra? — Por toda a animosidade e pequenos conflitos entre a Bratva e o Sindicato, uma guerra total nunca ocorrera no tempo em que Vladimir estivera lá. Por que agora?

Seu rosto endureceu. — O que o Czar fez? — A culpa tinha que ser do Czar, e ele deve ter feito algo verdadeiramente inaceitável para provocar o Sr. Lomonosov daquela forma. — Nós dois sabemos que o Sr. Lomonosov não diria isso sem uma boa razão, então o que ele fez?

Só de saber que o Czar estava envolvido, o sangue de Vladimir ferveu. Qualquer que fosse o insulto, Vladimir não o deixaria escapar impune. Ele mesmo colocaria a bala no coração do Czar.

Leo estudou o pequeno chefe com um olhar cauteloso. Podia ver que Vladimir já estava fazendo planos. — Não sei se diria que ele fez algo, exatamente. Talvez se possa interpretar assim, mas não foi algo tão direto.

— O que foi, então? Apenas me diga, por favor.

Leo umedeceu os lábios e pareceu inspirar para começar a falar umas cem vezes antes de se decidir. — Hoje, o Sr. Lomonosov jantou com seu filho… porque o jovem mestre queria… apresentá-lo a alguém. — Vladimir franziu a testa, sem entender completamente. Leo passou a língua nos dentes antes de continuar.

— Na verdade começou nas fontes termais. O jovem mestre contou ao Sr. Lomonosov que estava se envolvendo com alguém. Ele provavelmente sabe mais que ninguém o quanto seu pai ansiava por vê-lo se casar e começar uma família. Tenho certeza que o Sr. Lomonosov estava nas nuvens, no início…

— Então, — Vladimir pressionou, não gostando da evasiva de Leo, — qual foi o problema?

— Bem… o problema, digamos… — Leo suspirou profundamente. — O problema foi que era um homem.

Vladimir sentiu o queixo cair e os olhos se arregalarem. “O quê?”

Os lábios de Leo se estreitaram. — O Sr. Lomonosov ficou igualmente chocado, garanto. Aparentemente, o jovem mestre só tivera relacionamentos com mulheres antes. Alguns bem sérios, segundo ele. Mas disse que é com quem está agora, que o ama e que sentia não poder se casar e ter filhos como o Sr. Lomonosov queria. Então o Sr. Lomonosov refletiu e decidiu apoiar o filho, disse ao jovem mestre que queria conhecer esse namorado. Mas quando ele apareceu… — Leo vacilou, tossiu. Parecia fisicamente doloroso continuar.

Finalmente: — Era o Czar.

— Como é?

Leo suspirou novamente. — Pobre Volodya; ele parecia muito perdido. — Droga, o próprio Leo quase não acreditava, e tinha visto com os próprios olhos. — Descobrir que o filho era gay já foi um grande obstáculo, como pode imaginar. Mas então ser o Czar? Acho que ele reagiu tão bem quanto possível, dadas as circunstâncias. Na cidade sozinha, o jovem mestre poderia ter escolhido qualquer um, e ainda assim-…

Leo continuou falando, mas Vladimir não ouviu uma palavra, com o refrão de “Gay, Amor, Czar” ecoando sem parar em seu cérebro. Juntar tudo isso numa frase compreensível levou alguns segundos, mas Vladimir eventualmente conseguiu.

O filho do Sr. Lomonosov era gay, e estava apaixonado por um homem.

E esse homem era o Czar… Isso—!!

— Que porra é essa?! Que merda é essa?! — Vladimir gritou.

Leo apenas acenou, compartilhando do sentimento. — Como poderíamos saber?

Havia mais de Leo, mas Vladimir já estava satisfeito. Seu cérebro dera curto-circuito, e toda vez que tentava reiniciar, tudo que conseguia era outra rodada de “Gay, Amor, Czar.” Ele ficou parado na sala, encarando o nada, por um longo tempo.

✦ ✦ ✦

Won sentou-se à escrivaninha, olhar vago. Tinha trabalho a fazer, mas nada que lia permanecia em sua mente por muito tempo. Tudo se transformava numa névoa pegajosa de preocupação. Com um suspiro, recostou-se na cadeira e deixou o dossiê em suas mãos cair sobre a mesa.

Faziam dias desde O Incidente do Jantar, como Won o chamava, e não houvera contato de ninguém. O silêncio de seu pai não era muito estranho, na opinião de Won; Mikhail provavelmente precisava de tempo para se acalmar. Por outro lado, o tratamento silencioso de Caesar era novo, mas Won podia entender, considerando o corte enorme em seu pescoço. Ainda assim, a falta de comunicação estava começando a afetá-lo. Talvez devesse tentar contatá-los primeiro?

O problema era que não tinha ideia do que dizer. “Como se discute algo assim?” Se os dois fossem crianças brigando, seria simples colocá-los em cadeiras e forçá-los a ouvir.

Mas eles não eram crianças, e Won não tinha autoridade sobre nenhum dos dois.

Suspirando novamente, Won deixou a testa bater contra a mesa. O alvoroço era ainda pior pela gravidade da situação. “E se Mikhail cumprisse suas ameaças de ir à guerra?”

“Mas ele está aposentado..”. seu cérebro cansado retrucou.

Gemendo, Won escorregou na cadeira e esfregou as mãos nos olhos.

O refrão estava ficando velho. Seu pai ainda tinha imensa influência dentro da Bratva, e qualquer um com um par de olhos funcionais podia ver. Uma palavra dele e Vladimir arrasaria o Sindicato. Quanto ao lado de Caesar, Won nem queria pensar no que fariam.

“Caesar…Droga.”

Quer fosse Caesar ou Mikhail, não ficariam satisfeitos até tivessem sua libra de carne. E na alta probabilidade de não resolverem as coisas pacificamente, Won não tinha dúvidas de que facas e armas apareceriam antes mesmo das negociações fracassarem. “Maldita máfia.”

Passou uma mão furiosa pelo cabelo e inclinou a cabeça para trás, encarando o teto.

Mas o calor de sua ira esfriou rapidamente. “Como está Caesar? Ele está bem… agora…?”

Uma batida rápida na porta da frente o tirou de seus devaneios. Girando a cabeça, Won franziu os olhos para a entrada. “Quem me visitaria sem se anunciar pelo interfone?” Mas sua perplexidade logo foi abafada; provavelmente era um cliente.

Levantando-se da cadeira e fazendo uma careta pela fisgada no pescoço de ficar sentado por muito tempo, arrastou-se até a frente do apartamento, preparando seu discurso habitual para recusar um cliente em potencial. Por mais que adorasse ajudá-los, sua lista de casos já estava cheia. Ainda assim, sua consciência não o permitiria ignorá-los – era o mínimo convidá-los para entrar e recusar pessoalmente depois de terem vindo até ali.

Assim, encontrou-se na porta. — Olá. O que posso-…

Won endureceu com a borda vertical da porta perto de seu ombro.” O que— por que ele— ?” Desconcertado, ficou parado na entrada por alguns segundos.

— Vai me deixar entrar? Ou vamos ter essa conversa no corredor?

Franzindo a testa, Won lutou para colocar seu cérebro em movimento. — Vladimir Mikhailych?

Vladimir cruzou os braços, impressionado.

Mal haviam chegado às cadeiras na sala da frente quando Won perguntou: — O que precisava?

Não era o cumprimento mais caloroso, mas preferia resolver o que Vladimir queria o mais rápido possível. Já tinha preocupações suficientes.

Vladimir o encarou de sua cadeira, com um olhar sombrio. Won se perguntou o que havia feito para merecer a ira de Vladimir desta vez.

Não precisou esperar muito.

— O Sr. Lomonosov desmaiou.

A cabeça de Won virou bruscamente para Vladimir. — Pai? Quando?

Vladimir bufou. — Não finja que não sabe.

Ele estava insinuando que era culpa de Won? Deus, ele estava cansado. Won emitiu um som derrotado e afundou na cadeira, a onda de tensão escapando dele. — Ele estava bem quando saiu… — protestou. — Mais que bem, na verdade, — acrescentou, lembrando da indignação de seu pai quando o vira pela última vez.

— Na mesma noite. Tarde.

Todo o ar escapou dos pulmões de Won. Seus olhos saltaram pela sala enquanto aquela informação se derretia e cobria seu estômago, transformando-se em uma bolha nauseante de culpa em seu peito, tingida de ácido. Ele entendia agora por que Mikhail não o chamara – mas era um consolo frio. Se realmente era a causa do desmaio de Mikhail – e parecia que era – deveria ter sido ele a entrar em contato.

— Mas ele está melhor? — Won perguntou suavemente.

Vladimir bufou e olhou para ele com desdém. — O Sr. Lomonosov não é mais tão jovem como antes; sua saúde é frágil. Ele tem problemas cardíacos.

Won mordeu o lábio. — Eu sei.

— Você sabe?! De todas as coisas estúpidas e egoístas— Vladimir inspirou bruscamente, impedindo-se de repreender Won.

Uma gentileza que Won não tinha certeza de merecer. Ele descascou um pedaço de pele do lábio com os dentes, sentindo a culpa subir pela garganta. “Não poderia saber que as coisas sairiam tão erradas… ou poderia?” Pensando agora, talvez devesse ter se preocupado mais. Fora pessimista, mas quisera – esperara – que o encontro não teria consequências graves. “Pensamento positivo da minha parte,” reconhecia agora.

Devia ter invocado o direito ao silêncio desde o início, fingido que seu parceiro estava sempre ocupado, ou viajando, ou regando seu ficus. Qualquer desculpa serviria. Teria entristecido Mikhail, mas era melhor que arriscar sua saúde, não era? E não era como se Won não soubesse que os dois eram inimigos.

Na verdade, isso tornava tudo pior: se tivesse considerado seriamente, Won teria reconhecido a gravidade de aparecer naquele restaurante com Caesar, teria sabido que poderia prejudicar um idoso com problemas cardíacos, mas quisera fingir. “Fingir que tudo ficaria bem porque não conseguia reconciliar os dois homens em sua vida – mas desesperadamente queria.”

— Ele está no hospital? — Won perguntou.

— Já teve alta. — Won viu um músculo na mandíbula de Vladimir se contrair. — Foi liberado na emergência. Voltou para casa naquela noite. Seu médico pessoal está cuidando dele por enquanto.

— Oh.. —. E não havia muito mais que Won pudesse dizer; tudo havia sido resolvido sem ele dias atrás. A ideia de que deveria agradecer a Vladimir por cuidar de seu pai passou por sua mente, mas sua cabeça ficou presa em questões mais mundanas, agora que tinha tempo para ponderá-las. “Por que Vladimir estava aqui? Poderia ter contado sobre isso em qualquer momento nos últimos dias, mas esperou especificamente por hoje? Quando tudo já havia acabado?”

Won balançou a cabeça, decidindo pelo menos agradecer a Vladimir antes que sua mente vagasse muito longe — Sabe, o Sr. Lomonosov não é quem precisa de atenção médica. — Vladimir franziu o rosto. — Você é.

— Eu? O que você está dizendo agora?

O olhar que Vladimir lhe deu era de pura malícia. — Sim, você, — ele disse com desprezo. — Que homem em sã consciência quer ser fodido por outro homem?

Por alguns batimentos cardíacos desconfortáveis, Won ficou demasiado chocado para responder, mas logo se recuperou.

Sentou-se mais ereto, considerando o homem à sua frente. — Em outras palavras, para apresentar Caesar como meu parceiro, devo ser mentalmente instável.

— Tem alguma outra desculpa? — Vladimir inclinou-se para frente para encará-lo. Won revidou o olhar. — Que tipo de lunático acha perfeitamente normal fazer o coração do próprio pai falhar quando conhece seu namorado? Melhor se apressar e examinar seu cérebro para consertarem o que está fodido na sua cabeça.

— Homossexualidade não é classificada como doença mental desde-…

— Não me importa! Ninguém são ficaria com aquele psicopata!

Tão estrondosa foi a declaração que, por um momento, Won ficou boquiaberto. O peito de Vladimir arfava com o esforço. No silêncio que se seguiu, Won podia jurar que a inimizade vinda de Vladimir tinha forma física, era algo palpável crepitando entre eles.

Finalmente, Won quebrou o contato visual, suspirando. — É algo com que lidei também, então entendo. Mas é simplesmente como as coisas são.

— Enfie sua merda no seu cu gay – você é doido.

— Não sou louco-…

Vladimir deu uma risada venenosa. — Porra, você perdeu totalmente a cabeça, não é? É por isso que consegue ficar aí fazendo nada, agindo como se nada disso fosse culpa sua.

— Não estou tentando transferir a culpa. Mas tenho um problema-…

— Você é o problema! Sempre foi o problema! — Vladimir pulou em pé, tamanha sua fúria. — Você aparece, vira tudo de cabeça para baixo, monopoliza todo o tempo do Sr. Lomonosov, depois anuncia que é gay e está com o Czar, de todas as pessoas?! O que vem depois? Tem urânio no bolso para eu me preocupar também?! Estou genuinamente assustado com a próxima merda que vai jogar em nós. Como tudo sempre volta para você, hein? Tudo que toca, você fode!

Won recuou o máximo que a cadeira permitia, com as mãos erguidas em gesto de rendição, acompanhando Vladimir com os olhos enquanto o homem xingava seu nome, empurrando os cabelos para trás e andando pela sala com uma agitação quase maníaca. Won deduziu que não havia como acalmar Vladimir nesse estado; teria que deixá-lo esfriar sozinho.

Então, ele esperou, eventualmente cruzando os braços e apoiando um tornozelo sobre o joelho oposto, expressão dura.

Finalmente, Vladimir desabafou o suficiente para notar Won observando-o, e parou, encarando-o com cautela.

Won ergueu uma sobrancelha. — Já terminou?

Vermelho de raiva, Vladimir olhou para Won como se ele tivesse crescido uma segunda cabeça. — Agradeço por cuidar do meu pai. Sinceramente, sou grato. Porém. — Won fez uma pausa, garantindo que Vladimir estava ouvindo, — Minha vida amorosa e meu relacionamento com meu pai são, francamente, da minha conta. Resolveremos nossos problemas em particular. — Seu olhar percorreu o corpo de Vladimir de cima a baixo. — Como família.

Vladimir reconheceu uma indireta quando ouvia uma. Seus olhos se arregalaram, brilhando de fúria. — A Bratva é sua família.

— Ele saiu.

Um suspiro áspero saiu de Vladimir, mas Won não terminara. — Se ele escolher voltar, não ouvira protestos de mim. A decisão é exclusivamente dele, assim como foi sua escolha inicial de se afastar. Portanto, acho sua repreensão confusa.

Won sabia que estava sendo duro, mas estava cansado de ser tratado como vilão e servir de saco de pancadas para Vladimir.

— Seus sentimentos de abandono são lamentáveis, — continuou. — Mas não há nada que eu possa fazer para mudar isso. A Bratva foi deixada para você. Por quanto tempo planeja ficar pendurado nas costas do meu pai e ansiar por seu retorno?

No meio de enfiar os dedos nos cabelos, Vladimir congelou.

Won inclinou a cabeça. — Não vou ficar aqui aguentando seus abusos só porque você precisa lidar com seus problemas paternos.

— O que você—!

Won esperava plenamente que Vladimir partisse para cima dele. Talvez até sacasse uma arma. A tensão foi interrompida, porém, por uma batida na porta.

— Com licença — Won acenou para Vladimir com um sorriso tenso e levantou-se para ver quem era.

Espiando pela porta, encontrou Nikolai se remexendo desconfortavelmente no limiar.

— Sr. Lee! Achei que ouvi vozes alteradas, — Nikolai disse, tentando – e falhando – em espiar discretamente por cima do ombro de Won. — Está tudo bem?

— Maravilhoso, na verdade. Nunca estive melhor. — Won lhe deu um sorriso muito mais genuíno que o dado a Vladimir. — Peço desculpas pelo distúrbio.

Nikolai pareceu um tanto envergonhado, agora sem desculpa para perguntar mais nada quando Won encerrou a conversa tão decisivamente; então ficou hesitante na entrada até Won considerar a interação longa o suficiente, murmurou um adeus e foi fechar a porta.

— Oh! Espere, devo lhe entregar isto. — Nikolai estendeu um pacote quadrado pequeno. — Chegou para você mais cedo; a Sra. Ivana pediu que eu entregasse enquanto vinha para cima.

— Obrigado — Won disse, aceitando a caixa. Nikolai acenou que não foi nada, então seguiram caminhos separados: Nikolai para cima; Won de volta à sala.

Nos poucos passos até lá, Won estudou o pacote. Era pequeno o suficiente para caber na palma de uma mão, seu endereço rabiscado em um lado. Não havia remetente, mas Won não deu muita importância – clientes em potencial muitas vezes requeriam anonimato ao contatá-lo pela primeira vez. Colocou-o sobre a mesa e virou-se para Vladimir.

— O que é isso? — Vladimir interrompeu antes que Won pudesse começar a falar.

Won seguiu seu olhar até a mesa. — É um pacote.

Vladimir ignorou o tom condescendente. — Não tem remetente.

— Acontece às vezes. Trabalho com muitas pessoas que não podem pedir minha ajuda sem arriscar sua segurança. — Isso era irrelevante para a discussão anterior, mas a mudança de assunto pelo menos aliviou parte da hostilidade no ambiente; então Won aproveitou para ter a última palavra de maneira calma e concisa.

— Independentemente, o que acontece entre meu pai e eu é apenas isso – entre nós. Falarei com ele em breve. — Diante da sobrancelha cética de Vladimir, Won acrescentou: — Garantirei que não irei estressá-lo enquanto estiver lá. Então, se me der licença

Apesar da clara dispensa, Vladimir o encarou por mais algum tempo, dúvida ainda evidente em seu rosto. Won não o culpava por isso; não via a conversa com Mikhail terminando bem, não importa o quão civilizados tentassem ser. Assim, esperando plenamente resistência após o escrutínio de Vladimir, Won se surpreendeu quando ele saiu sem outra palavra.

No silêncio após a partida de Vladimir, Won permaneceu onde estava, esperando para ver se ele voltaria. Quando não voltou, Won fez “tsc”, decidindo ver o que lhe fora enviado em vez de gastar mais energia com Vladimir. Massageando os nós nos músculos atrás do pescoço, caminhou até a mesa, refletindo sobre o que dizer a Mikhail quando o visse.

Won podia ver agora que deveria ter imaginado que o jantar poderia ter efeitos adversos, mas o pensamento genuinamente não lhe ocorrera na época; e agora, tinha que tentar consertar. Suspirou, encarando um ponto distante. “O que deveria dizer? Havia algo a dizer? A culpa era dele, então precisava dizer algo, mas não havia um manual chamado ‘Como Ajudar Seu Pai Recentemente Reencontrado a Aceitar Sua Sexualidade e Seu Namorado Que Acontece de Ser Seu Pior Inimigo’.”

Uma pena.

“Ugh.” Essa não era uma conversa que Won ansiava ter.

Mas não havia alternativa, então decidiu ligar para Mikhail e marcar um encontro. Depois de ver sua correspondência.

Distraidamente, Won ergueu a pequena caixa e-…

Houve um clique, como algo quebrando dentro, e Won arremessou a caixa longe por puro instinto.

Aqueles instintos salvaram sua vida.

Enquanto a caixa arqueava em direção ao chão, houve uma explosão de som, e o objeto inteiro detonou.

✦ ✦ ✦

— Jovem mestre! Você está bem?!

Won ergueu a cabeça de onde observava o paramédico cuidar da queimadura em sua mão. Não era grave, felizmente. Mais preocupante era como Leo parecia ter surgido do nada, materializando-se ao lado de Won pouco depois da chegada dos paramédicos.

— Sim, nada para se preocupar, — Won disse com um olhar furtivo ao conselheiro. Leo tinha uma expressão horrorizada ao notar a mão de Won.

— Percebi logo antes de explodir que havia algo errado, então evitei o pior. — Ele encolheu os ombros com falsa indiferença. — Mas como você chegou tão rápido? Nem liguei para meu pai ainda.

As palavras mal haviam saído de sua boca quando seu subconsciente forneceu uma resposta: “eles colocaram alguém para me seguir, não foi?” Ele ponderou isso enquanto observava Leo mudar o peso entre os pés e limpar a garganta. Vendo a relutância de Leo, Won concluiu que seria mais fácil deixar suas perguntas para outra hora. Confirmar se estava sendo seguido não importava muito no momento.

— Sabe quem enviou? — Leo perguntou.

Won balançou a cabeça, notando que Leo não questionou como a bomba entrou em seu apartamento. — Não havia remetente, e… bem, agora está tudo destruído, obviamente.

— Nada foi tocado desde a explosão, certo? — Quando Won negou novamente, Leo olhou ao redor e acenou. — Certo. Vamos levá-lo ao Sr. Lomonosov. Ele está muito preocupado.

Dando uma última olhada em seu apartamento destruído, Won levantou-se para seguir Leo escada abaixo. Não havia nada para levar; tudo era cinzas. Ainda assim, ficou grato por a bomba não ter danificado nada além de seu próprio apartamento. Os lares e famílias dos outros estavam seguros.

Lá embaixo, ele beijou a Sra. Ivana na bochecha e a tranquilizou de que estava bem e tudo ficaria resolvido. Saindo para o carro, passou por investigadores forenses e técnicos em trajes anti-explosão entrando no prédio.

Estavam saindo quando Won viu o último dos carros da polícia chegando para começar a investigação.

— Oh, Won, meu filhinho, você está bem? Uma bomba, de todas as coisas-…

Mikhail ficou frenético assim que Won e Leo entraram no quarto, mas ficou completamente perturbado quando Won se aproximou de sua cama e ele viu de perto os arranhões e vermelhidão no rosto do filho, as ataduras grossas cobrindo suas mãos. Incapaz de tocar, as próprias mãos de Mikhail pairaram em volta do filho em evidente angústia. Won fez seu melhor para manter o tom animado.

— Parece pior do que é, — disse. — Mal consigo sentir.

A forma como Mikhail olhou para suas mãos enfaixadas, olhos cheios de desespero dilacerante, fez Won não conseguir tirá-las de sua vista, como se isso deixasse seu pai desolado de alguma forma. Ele se mexeu um pouco, desconfortável. Ver Mikhail tão desgastado, tão acabado, acabou por arrancar um pedaço do coração de Won, deixando escorrer vermelho sobre sua gaiola.

— Eu soube sobre… tudo, — Won murmurou. — Sinto muito.

Mikhail já balançava a cabeça. — Bobagem, synok, a culpa é toda minha. Eu exagerei e causei todo esse alvoroço. — Ele alisou o edredom com mãos trêmulas. — A idade chega para todos; pensei que já soubesse melhor.

Deu uma risada autodepreciativa, mas tudo que Won via era um velhinho gentil, pálido e doente. Indefeso.

Ele não queria mais falar sobre suas queimaduras ou a saúde do pai; mas isso significava abordar o assunto de Caesar e Won não estava pronto para ver a decepção tomar o rosto de seu pai ainda. Além disso, se não estivesse enganado, Mikhail também não desejava discutir isso.

Hesitando por um momento, Won procurou desesperadamente um assunto inócuo. Tudo que conseguiu foi: — Vladimir me disse que cuidou de você no hospital, e depois aqui. Mas eu deveria ter estado aqui por você, como seu filho. —Internamente, ele fez uma careta, retomar sua desculpa não era exatamente ineficaz.

Mas, por sorte, Mikhail ignorou a contrição, agarrando-se a um único fato: — Você viu Volodya?

Surpreso que Mikhail não soubesse, Won demorou um segundo para responder. — Sim, ele foi à minha casa mais cedo para me contar sobre sua recuperação.

Mikhail fez um som de reprovação, murmurando: — Patife. Ele não deveria ter dito nada.

A imagem do velhinho gentil voltou com a repreensão paternal, e o fato de que esse homem, ali deitado, acabado e frágil diante de Won, já foi o homem mais poderoso da Rússia, era impressionante. Quem acreditaria nele se Won contasse? Pensariam que era brincadeira.

Assim, Won foi atingido pela natureza fugaz do poder, da vida humana e da civilização. Isso o fez sentir muito pequeno, diante da imutável verdade da transitoriedade.

Ele se sacudiu, mas não conseguiu parar completamente a trajetória de seus pensamentos, apenas mudá-la para uma escala mais íntima. Mikhail ainda tinha grande influência na Bratva, mas muito dessa autoridade remanescente se devia à lealdade fervorosa de Vladimir e Leo. Se, um dia, eles decidissem que não se importavam mais…

Mal o pensamento se formou, Won o descartou. Se fosse qualquer outra pessoa, sempre haveria a possibilidade de fidelidade minguante, mas era Vladimir de quem estavam falando. O homem acreditava que Won era algum tipo de influência insidiosa e fez seu amado Sr. Lomonosov fugir de seu lugar legítimo para as garras traiçoeiras de Won.

Não, Vladimir manteria sua lealdade até o fim.

Mas a animosidade fanática de Vladimir trouxe Won de volta ao encontro anterior, e sua mente naturalmente derivou para a partida de Vladimir. Com tudo acontecendo, Won não teve tempo nem energia para refletir sobre isso, mas Vladimir havia sido extremamente estranho ao sair. Por que hesitou na porta? Ele sabia? Certamente estivera distraído pela caixa. No mínimo, sentira que algo não estava certo. Iria dizer algo?

Não importava agora, ele não o fez. Won duvidava que acreditaria num aviso de Vladimir de qualquer forma. Ainda assim…

— Pai, o Vlad-…

— Sr. Lomonosov? Estou apenas vindo-…

Won acabara de se preparar para perguntar sobre Vladimir quando o próprio homem entrou no quarto, caixa de chocolates na mão, radiante. Radiante?

Verdadeiramente, a cena era tão inesperada que Won precisou de um momento para processá-la. Vladimir, ali, com um passo alegre, trazendo doces de presente. Won sentiu-se como se tivesse visto algo que não deveria, como uma criança que acorda exatamente quando a fada do dente troca um dente de leite por dinheiro.

Enquanto Won assimilava o que testemunhara, Vladimir estava igualmente perplexo, sorriso desaparecendo quando seus olhares se encontraram.

Ele tossiu. — Ah… trouxe os chocolates que pediu, Sr. Lomonosov.

A postura amigável desaparecera em favor de um claro desconforto, e para o grande espanto de Won, as bochechas de Vladimir estavam ficando mais rosadas a cada segundo.

Agora isso era algo que Won realmente nunca pensou ver. Este dia estava cheio de surpresas, não estava?

Preferindo não se afundar no constrangimento, Won falou com Mikhail. — De qualquer forma, obrigado por me deixar ficar aqui, pai.

Won percebeu Vladimir ficar rígido pelo canto do olho. Mikhail pareceu não notar.

— Oh, não seja bobo, — Mikhail disse, acenando. — Talvez seja egoísta, mas fico feliz em tê-lo aqui, apesar das circunstâncias infelizes.

— Ficar? — A voz de Vladimir falhou.

Won virou-se para encarar Vladimir enquanto Mikhail respondia. — Won teve uma bomba enviada à sua casa, então ficará hospedado aqui enquanto investigam. — Mikhail lançou a Won um sorriso alegre. — Não se preocupe em ficar demais. Pode ficar quanto quiser.

Won sorriu de volta, mas um formigamento atrás do pescoço lhe disse que havia indignação irradiando do homem logo atrás dele.

✦ ✦ ✦

No corredor, Won não ficou surpreso ao encontrar Vladimir esperando por ele.

— Que diabos você acha que está fazendo? — Vladimir falou em voz alta.

— O quê? Eu? — Won questionou, com a dose exata de afronta, em sua opinião.

— Sim, você! — Vladimir rosnou. — Invadindo nosso território… você tem algum plano na manga, eu sei! Eu te disse que o Sr. Lomonosov não está bem! Tenho certeza de que fui extremamente claro nesse ponto! Então que porra você está fazendo aqui?!

Won arqueou uma sobrancelha. — Minha casa explodiu.

Já se preparando para continuar a repreendê-lo em voz baixa, Vladimir parou abruptamente, recuando um pouco.

— Você sabia, não é? — Won comentou. — Que havia uma bomba.

— C-Como diabos eu saberia disso? — Vladimir respondeu rápido demais, sem olhar Won nos olhos.

A sobrancelha de Won permaneceu arqueada, não acreditando que o chefe de uma gigante organização criminosa parecia incapaz de produzir uma mentira convincente. Mais uma linha para a lista de experiências novas do dia.

— Você perguntou por que não tinha remetente. Você ia me avisar; mas decidiu não o fazer.

Vladimir agora evitava contato visual deliberadamente. — Não seja ridículo; eu não fazia ideia.

Won bufou, mas optou por deixar pra lá por enquanto. Sem qualquer evidência das malfeitorias de Vladimir, ele não podia fazer muita coisa mesmo.

— Ah, bem — ele concedeu, encolhendo os ombros. — De qualquer forma, é por isso que estou aqui. Acho que vamos nos ver muito mais, hein, novo vizinho? — Won sorriu e deu dois passos além de Vladimir antes de girar, estalando os dedos. — Imagine só, se eu tivesse jogado no lixo quando tive a chance. Retrospectiva, não é? Mas então não teríamos todo esse tempo juntos, então vou contar minhas bênçãos.

Ele sorriu para Vladimir, mas sabia que Vladimir interpretaria como o escárnio que era. Ao se virar, o sorriso desapareceu de seu rosto, e desta vez ele realmente foi embora. Ele quase morrera, tinha direito a ser um pouco irritadiço. Também não se sentia mal por esfregar na cara de Vladimir. Ele deveria se sentir culpado.

Quanto mais se afastava, porém, mais seus pensamentos gravitavam em torno de quem teria tentado assassiná-lo.

Mordendo o lábio, Won só conseguia pensar em um homem que planejava reduzir seu corpo a pedacinhos minúsculos:

Leonid.

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna

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Ler o Manhwa Roses and Champagne Completo em Português Grátis Em um mundo de alto risco, Lee Won, um advogado lutando para sobreviver, se vê enredado em uma teia de intriga e perigo. Quando ele cruza o caminho de Caesar, um formidável chefe da máfia, descobre uma conexão oculta entre o Conselheiro Municipal Zdanov e o crime organizado. À medida que Lee Won se aprofunda no caso, desvenda uma conspiração sinistra que ameaça despedaçar o frágil equilíbrio da cidade. Preso entre a lei e o submundo, ele deve navegar por um jogo mortal de poder, decepção e desejos proibidos. A cada passo, o mundo de Lee Won se entrelaça com o de Caesar, enquanto ambos enfrentam seus próprios motivos ocultos e tentações proibidas. Em meio a noites regadas a champanhe e o aroma de rosas em flor, uma atração perigosa surge entre eles. À medida que os riscos aumentam e o perigo se intensifica, Lee Won deve escolher entre seus princípios e o fascínio do proibido. Em um mundo onde lealdade e traição se confrontam, ele precisa encontrar uma maneira de expor a verdade e proteger a si mesmo e aqueles que ama. Nesta envolvente história de amor, traição e a intoxicante luta pelo poder, Roses and Champagne explora a intricada dança entre desejo, dever e a frágil linha entre o bem e o mal.
Nome alternativo: Rosas Y Champagne Rosas E Champanhe Roses

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