Ler Roses And Champagne – Capítulo Side Story 03 – Parte 7 Online


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❬ Side Story 03 – Parte 7 ❭

⌽ Roses and a Kiss ⌽

— Você quer que eu conheça Mikhail? Para quê?

Won fechou os olhos e soltou um suspiro de paciência esgotada. Ele voltara de sua viagem, seu apartamento comum e desgastado o recebendo com sua simplicidade e pilhas de referências jurídicas. O que ele queria era sentar e tomar um chá, mas os confortos teriam que esperar até que explicasse a Caesar porque precisavam encontrar um homem que ele já conhecia.

— Algumas coisas aconteceram e eu tive que contar que nós estamos… você sabe… Estamos você sabe… — Pelo tom, Won percebeu que Caesar não estava satisfeito. — Olha, esse não é o ponto.

— Então qual é? Porque conhecer Mikhail certamente não deveria ser.

Internamente gemendo, Won lamentou ter que ser quem ensinaria a Caesar sobre costumes plebeus como conhecer os sogros. Os pais não deviam fazer isso? Como Caesar chegou até aqui sem esse conhecimento crucial da vida? Ele era tão rico e distante da realidade?

Pensando bem, fazia todo sentido que Caesar não soubesse.

“Argh. Tudo bem.” Ele explicaria em termos que Caesar entenderia.

— É tradição, quando você decide com quem quer passar o resto da vida, deve apresentá-lo aos seus pais. — Pausa dramática antes do golpe final. — Mas se acha que não estamos nesse tipo de relacionamento, você não precisa ir.

Em um instante. — Que horas devo estar lá?

Exatamente como Won suspeitava, Caesar respondia melhor a consequências concretas do que a convenções sociais nebulosas. Ele deu a Caesar o horário e data do jantar e achou que estava livre.

— Quando nos encontraremos depois?

— O quê? —

“Ok, talvez não tão livre assim.”

— Você teve seu tempo com Mikhail, e esse próximo encontro é para ele também. Logo, quando vamos nos ver?

Uma enxaqueca crescia atrás dos olhos de Won. — Não sou consultório médico, onde as pessoas pegam senhas e esperam na fila pelo meu tempo. Podemos decidir isso depois, certo? Só não se atrase para o jantar, ok?

Ele conseguiu um murmúrio de confirmação de Caesar e ia desligar quando Caesar falou novamente.

— Acredito que já disse para usar meu celular. Esta linha está grampeada.

A chamada terminou e Won afastou o telefone para franzir a testa. “Grampeada? Não podia ser.” Caesar nem parecia preocupado. “Grampeada…Dmitri.”

Ele suspirou.

Por mais que tentasse, Won não podia escapar da existência daquele homem. E, com Leonid atrás dele agora, supunha que nunca escaparia.

✦ ✦ ✦

O dia do juízo final amanheceu doloroso e cinzento. Na verdade, o tempo não estava muito diferente de qualquer outro dia de inverno. Talvez, se estivesse num dia mais caprichoso, Won pudesse ter comparado os infinitos bancos de nuvens com as profundezas voláteis dos olhos de Caesar, mas tudo que conseguia identificar dentro e fora de si era uma tensão claustrofóbica e uma sensação crescente de presságio.

Enchendo os pulmões, deixou a cabeça cair para trás enquanto exalava lentamente. “Tudo ficará bem. Tem que ficar.” Ele precisava acreditar nisso. Caesar chamara Mikhail de “velho em férias”, então Won tinha que confiar que ele manteria essa mentalidade no encontro. Apenas um velho inofensivo; nada com que se preocupar.

O verdadeiro fator desconhecido era Mikhail. Seu pai aparentemente aceitara que o filho não estava num relacionamento heterossexual, mas será que seria tão compreensivo ao descobrir que era com Caesar? Won só podia torcer para que o choque não o matasse. Devia ter feito seu pai fazer um check-up antes. Mikhail nunca mostrara problemas cardíacos, até onde Won sabia, mas nunca se sabia.

“Deveríamos ter escolhido um lugar perto de um hospital, por precaução. Um descuido meu.” Won se repreendeu, mordendo o lábio inferior e imediatamente fez uma careta. A pele já estava quase ferida em alguns pontos de tanto ser mordida, mas ele não conseguia parar. Vestir-se, caminhar até o ponto de bonde, esperar sua chegada: sua mente era um turbilhão de cenários possíveis.

“E se Mikhail fizesse algo ridículo como jogar um copo d’água em Caesar igual nas novelas baratas? E se Caesar ficasse tão irritado com a água manchando sua gravata de seda que sacasse a Beretta e atirasse em Mikhail ali mesmo? E se-…” Won estremeceu e sacudiu-se. Precisava se acalmar. Felizmente, o bonde apareceu ao longe, distraindo sua mente perturbada.

O coração de Moscou é tanto a parte mais antiga da cidade quanto o centro moderno de finanças, governo e, claro, turismo. Acomodações, das mais simples às luxuosas, estão sempre a um quarteirão de distância, mas seria mentira dizer que os melhores hotéis de Moscou poderiam ser encontrados em outro lugar.

Um hotel em particular, pertencente a uma famosa rede internacional, era decididamente grandioso, cinco estrelas, múltiplas opções de gastronomia fina, quartos a partir de dezenas de milhares de rublos por noite. Apesar de suas origens estrangeiras, a decoração era adequadamente extravagante, mesmo para padrões russos. Era o tipo de estabelecimento onde qualquer um que desejasse entrar precisava passar por dois porteiros de olhos atentos, em ternos engomados e luvas brancas, que avaliavam cada indivíduo para determinar se eram dignos de pisar no local.

Naquele dia, porém, os porteiros estavam em seu melhor comportamento e uma concierge veio pessoalmente acompanhar os convidados da entrada até o restaurante.

— Sempre um prazer, Sr. Lomonosov — disse a concierge ao recebê-lo. Ela não comentou sobre o pequeno grupo que o seguia, não cabia a ela questionar tal coisa mas isso deixou Mikhail constrangido mesmo assim.

— Vocês não precisam entrar todos, — murmurou para Leo e o bando de homens da Bratva que insistiram em vir. — Imagino que será algo bem mundano.

— Claro que não, Sr. Lomonosov! Esse patife machucou o jovem mestre! Precisamos vê-lo com nossos próprios olhos. Descobrir o que ele tem. — Leo socou a própria mão aberta em seu fervor. — Um bom sermão vai colocá-lo no lugar.

— Ah. — Mikhail tentou fazer uma expressão neutra, mas até ele percebeu como ficou artificial.

Terminado o diálogo, a concierge levou o grupo ao restaurante, e Mikhail se pegou suspirando o caminho todo. Ele estivera tão furioso no começo, assim como Leo. Jurara a si mesmo que nunca perdoaria quem quer que fosse por seduzir seu filho para esse caminho de perdição.

Mas, como com muitas coisas, o tempo amenizara esses sentimentos, e agora Mikhail não sabia o que pensar. Tudo que sabia era que a felicidade de Won vinha antes de tudo.

O próprio Won dissera que nunca estivera com um homem antes, o que só podia significar que ele não era gay desde sempre. E ainda assim, estava decidido a passar a vida com esse homem. Aquele tipo de amor devia ser especial, raciocinou Mikhail ao chegarem à entrada do restaurante.

Como seu amor por Susya. O amor dela por ele.

Pensar nela fez o coração de Mikhail doer, mas ele queria que Won experimentasse aquele tipo de amor. Os netos que Mikhail tanto desejava não viriam, mas no final essa não era sua escolha. Que direito ele tinha de exigir netos quando estivera na vida do próprio filho por menos de um ano?

Nenhum. Absolutamente nenhum.

Admitir isso era um amargo remédio a engolir, mas ele o faria. Por Won.

Finalmente, a concierge os levou a uma sala privativa nos fundos do restaurante. Em circunstâncias normais, Mikhail nunca permitiria uma reunião em tal lugar. Essas salas, isoladas do resto, eram onde homens que não sabiam melhor levavam uma bala na cabeça ou um jantar com cianeto.

Leo pareceu sentir a apreensão de Mikhail. — Sr. Lomonosov…, — murmurou, como se estivesse perguntando se deviam pedir uma mesa na área principal.

Desta vez, Mikhail esforçou-se mais no sorriso para Leo – um para tranquilizá-lo de que estava tudo bem; ser um civil significava ter reuniões de negócios onde todos as tinham. A concierge puxou a cadeira de Mikhail à mesa redonda, no assento de frente para a porta, e Mikhail acenou para seu consigliere, que retribuiu o gesto. Leo, o assistente pessoal de Mikhail e todos os outros homens da Bratva foram para a sala ao lado – um show de apoio enquanto davam privacidade a Mikhail. Eles estariam lá, se ele precisasse.

E assim, Mikhail esperou.

Essa era sempre a pior parte, mas hoje era especialmente excruciante. Mikhail verificou o relógio; ajustou a gravata; tomou um gole d’água; verificou o relógio; ajustou a gravata; tomou um gole d’água – os minutos arrastavam-se, e não foi surpresa quando percebeu alguém se aproximando muito antes de entrarem.

Olhos fixos na porta, limpou a garganta e sentou-se ereto na cadeira. Apoiar as decisões do filho era uma coisa; apresentar-se com autoridade inquestionável era outra. Podia ser mais velho, mas Mikhail ainda sabia manejar uma faca. Um movimento errado, um único comentário cruel sobre Won, e Mikhail cravaria a lâmina entre os olhos do bastardo.

Assim, ele permaneceu sentado enquanto a porta ultrapassava a ombreira, abrindo-se em um arco dolorosamente lento, até que…

“O que ele está fazendo aqui?”

Essa pergunta e pouco mais ocuparam toda a atenção de Mikhail por alguns batimentos cardíacos agonizantes e prolongados. Ele estava lá para conhecer a pessoa com quem Won queria passar a vida – talvez um colega advogado, ou um empresário. Quem quer que fosse o homem misterioso, Mikhail estava certo que Won só aceitaria alguém honesto, que vivesse uma vida reta e alheio aos horrores do mundo. “Não… isso.”

Mas o homem na porta não parecia surpreso nem tentou se desculpar por ter entrado na sala errada. Ele adentrou com movimentos calculados e uma graça perigosa. Aquele homem não era nenhum mistério; Mikhail o conhecia desde criança. E ele definitivamente estava na sala errada, porque não era quem Mikhail viera encontrar.

—O quê…?

O homem o ouviu e certamente entendeu a pergunta que Mikhail não conseguira articular, mas permaneceu em silêncio. Mikhail só pôde assistir horrorizado enquanto o homem se aproximava de uma cadeira a alguns lugares de distância e tomava assento quando a concierge a puxou para ele. Mesmo quando a concierge se retirou, Mikhail só conseguia ficar boquiaberto até seu cérebro processar o que acabara de testemunhar. Isso o fez sentir-se injustiçado, e apesar de seus esforços, um pequeno sulco de irritação apareceu em sua testa.

Caesar o estudou por um momento. — Estou aqui por convite de Won. — Enquanto Mikhail permanecia perdido, Caesar parecia imperturbável. — Ele disse que você queria me ver.

✦ ✦ ✦

“Merda, merda, merda.” De todos os momentos para o bonde quebrar, tinha que ser agora. Conhecendo sua sorte, Won pensou, não deveria estar surpreso; mas mesmo assim acabou preso no meio do caminho. E tudo bem – ele poderia ter esperado o próximo bonde, mas isso seria outro teste para seus nervos, e ele preferia correr o resto do trajeto, já que pelo menos sabia que chegaria eventualmente. Os bondes eram imprevisíveis, e isso já era um desastre.

“Deus, eu vou chegar tão atrasado.” Caesar e Mikhail eram meticulosamente pontuais. Ambos já deviam estar lá.

“Preciso estar lá agora.”

Ele não queria imaginar o que poderia ter acontecido enquanto corria desesperado pelas ruas. “Por favor, que não tenha sido nada. Por favor.”

Isso tinha que ser um pesadelo. Não havia outra explicação. Mikhail se beliscaria se tivesse a presença de espírito. No momento, ele ainda estava processando a declaração absurda que Caesar acabara de fazer. Ele queria encontrar Caesar? Nunca.

— Acredito que você esteja enganado, — disse ao Czar, tom afiado mas controlado. — E se puder fazer a gentileza, tenho um compromisso marcado aqui. Um que não o envolve.

Caesar piscou para ele lentamente. — E qual seria esse compromisso?

— Minha vida privada não é da sua conta.

Caesar apenas o encarou, seu olhar tão impenetrável como sempre. Mikhail teve que conter um calafrio. Ver Caesar, encontrá-lo e falar com ele, era perturbador. Ele era belo, sobrenatural, como uma estátua de Michelangelo ganhando vida. A perfeição era avassaladora – talvez por isso ele fosse tão assustador, porque apesar de sua beleza divina, ele inclinava-se para o estranho, para algo alguns graus além do humano.

Esse raciocínio soou bem para Mikhail. Afinal, Caesar não possuía humanidade.

— Fui informado por Won, — Caesar começou após um tempo, e ao som do nome de seu filho, a atenção de Mikhail voltou-se totalmente para ele, — que é costume que aqueles que decidiram passar suas vidas juntos sejam apresentados aos pais de seu parceiro. Portanto você insistiu neste encontro. — A mandíbula de Mikhail caiu. Caesar inclinou a cabeça. — Ou estou enganado?

— Totalmente enganado! — Mikhail retrucou. — Vim aqui para conhecer o noivo de meu querido Won, não você.

— Se é essa pessoa que você deveria encontrar, então não há engano. — Olhos cinza perfuraram a pele de Mikhail. — Se Won está vendo outras pessoas, isso é tópico para outro dia, mas confio que você não esteja insinuando que eu seria infiel.

Mikhail ficou pasmo. Sua boca abriu e fechou repetidamente, mas nenhum som saiu. Ele não podia ter ouvido… “Won nunca…” Seu cérebro esquivou-se da verdade, recusando-se a reconhecê-la até em silêncio. Isso não era como antes, quando Won revelou que namorava um homem. Aquilo fora chocante, claro, mas Mikhail superara. Preparara-se para este encontro, assumindo que, apesar de ser homem, o parceiro de Won teria todas as qualidades de um bom, compassivo e comum indivíduo. Ele não precisava ter dinheiro ou influência – apenas humanidade.

“Mas isso…”

Talvez Mikhail pudesse ter aceitado o homem ser da máfia. Talvez até de uma gangue rival. Mas ele? Nunca ele.

Parecia que levara um tiro, a ferida sangrando sobre a mesa junto com toda sua confiança no filho. Sua cabeça girava e seus olhos ardiam com a dor da traição.

Tudo que conseguia pensar era, por que ele? Havia milhões de homens gays, milhões de outras escolhas para seu querido e doce garoto. Won, com sua inteligência e aparência, poderia ter qualquer um, então por quê? Por que tinha que escolher ele?

Um mafioso já era ruim o suficiente, mas seu próprio inimigo?

Por um tempo, Caesar ficou em silêncio enquanto Mikhail boquejava, mas logo perguntou:

— Havia algo mais que você desejasse discutir comigo? — Quando Mikhail não respondeu, acrescentou: — Então me retiro. — Murmurou um ‘Com licença’ ao se levantar.

De repente, o cérebro de Mikhail entrou em sobrecarga, sua raiva superando o choque, pensamentos anteriores de aceitação evaporando. Por todas suas palavras bonitas, Caesar era um monstro. O que Won poderia ver nele? O Czar era bonito agora, sim, mas beleza era superficial, e ninguém permanecia belo para sempre. E sob a fachada polida de Caesar só havia podridão.

Pior, de todos os homens do mundo, esse era por quem Won estava disposto a sacrificar sua futura família? O próprio Won dissera que essa era sua primeira vez com um homem. O que havia de tão especial nesse homem em particular que fez Won “virar gay”? Devia haver algo, mas seja o que fosse, Mikhail não permitiria. Aquele bastardo inescrupuloso e ardiloso seduzira Won por esse caminho sombrio e o convencera de que amava outro homem.

— Você—!?

— Cheguei!

A porta se abriu violentamente no auge da irritação de Mikhail. Caesar acabara de se levantar. Ambos olharam para Won ofegante no vão da porta, sorrisos ternos brotando em seus rostos.

— Você está atrasado! — Mikhail estava prestes a gritar quando Won chegou.

— Won! — Mikhail e Caesar falaram ao mesmo tempo.

Won se viu diante de dois rostos incomumente alegres, do tipo que ele nunca tinha visto antes, mesmo que o ambiente estivesse tenso.

✦ ✦ ✦

Quando chegou, os olhos de Won saltaram entre os dois homens, percebendo uma tensão subjacente no ambiente.

As coisas não melhoraram durante a refeição.

Sentado entre Caesar e Mikhail, Won tentou remediar a situação com tópicos de conversa inofensivos, pequenas piadas e perguntas leves para incentivar algum relaxamento, mas sem sucesso.

“Eu sabia que isso aconteceria”, mas a confirmação, neste caso, não era muito doce.

O lado positivo, ele pensou, era que só precisaria sofrer isso uma vez, então nunca mais. Faria seu melhor para aguentar. Era difícil, porém, ao ver a expressão amarga de Mikhail.

Caesar ele conseguia lidar. Esse pequeno encontro satisfaria sua possessividade, confirmando seu compromisso, e seus constantes comentários sobre o casamento seriam contidos por um tempo.

Quanto a Mikhail, Won não tinha tanta certeza. Era óbvio que ele se arrependera de insistir em conhecer seu parceiro, mas Won não sabia se isso era bom ou não. O ambiente estava como um barril de pólvora com um fósforo perigosamente próximo do pavio. Ele só esperava que o fósforo se apagasse antes de chegar lá, mas não estava muito otimista.

Tomando um gole d’água, olhou para os homens ao seu lado, comendo com movimentos mecânicos de garfo e faca. Usou o copo para esconder uma careta. Por mais que desejasse o contrário, não havia muito o que fazer. Ele colocara tudo às claras, e o que aconteceria com essa informação não cabia a ele decidir. O tempo diria, suponha. Querendo ou não.

Finalmente, o prato principal terminou e a sobremesa chegou. Por um segundo, Won teve a imagem aterrorizante de seu pai oferecendo café a Caesar – o que, felizmente, não aconteceu. A onda de alívio e a subsequente percepção de que seu estômago estava se contorcendo de nervos o levou a buscar uma pausa, mesmo que breve.

— Precisa de algo? — Mikhail perguntou antes mesmo de Won se levantar completamente. Com o olhar de Caesar também sobre ele, Won se sentiu acuado, forçando um sorriso desconfortável sem encarar nenhum dos dois.

— Só vou ao banheiro masculino.

— Devo te acompanhar? — Caesar ofereceu em um tom provocador. Dessa vez, Won olhou diretamente para ele, quase respondendo que ir ao banheiro em grupo era coisa de mulher, mas não discutiria com Caesar na frente de Mikhail. Seu pai certamente usaria qualquer desculpa para criticar Caesar, e estavam tão perto do fim que não valia a pena. Assim, saiu em silêncio, e assim que a porta se fechou, soltou um suspiro profundo. “Nunca mais farei isso, se me aparecer cabelos brancos nas próximas semanas, saberei que foi pelo estresse deste dia.” Esfregando as têmporas e respirando fundo, seguiu para o banheiro.

Um silêncio espesso caiu assim que Won saiu.

Mikhail encarou Caesar, desejando desmontá-lo, arrancar sua fachada e revelar alguém diferente por baixo. Mas por mais que olhasse, o homem à mesa permanecia o mesmo, e isso o enfurecia tanto quanto o entristecia, vendo aquele rosto perfeito.

A fúria cresceu em seu estômago, escurecendo sua visão. Cerrou as mãos em punhos, depois as abriu, repetindo o gesto para não explodir.

Naquela noite, na festa, quando teve o primeiro pressentimento sobre o romance de Won, estivera feliz. Feliz – com um toque de melancolia. Ver um filho crescer e partir era a natureza da paternidade, e sempre seria agridoce; Mikhail entendia isso.

Então Won confessara que seu parceiro era um homem. Mikhail pensou que o mundo desabava ao seu redor – mas se recompôs e aceitara que a vida do filho era dele.

Agora, hoje para ser exato, sua vida desmoronava novamente diante de seus olhos.

E tudo por culpa do homem a poucos metros de distância.

Mikhail se ajustou na cadeira, apagando o sorriso sarcástico do rosto. — Sabe, você é a última pessoa que esperava ver hoje.

— Engraçado. Eu esperava você aqui.

A resposta tão indiferente e condescendente irritou os nervos de Mikhail como lixa. — Eu tinha a impressão de que você apreciava a companhia do sexo frágil. Indulgia copiosamente, pelo que ouvi.

— Sim, apreciava, — respondeu Caesar com placidez.

Os olhos de Mikhail se estreitaram. — E agora você está com um homem.

— Won é um homem muito especial.

— De fato, é. — Mikhail se controlou antes que pudesse sorrir com o elogio ao seu filho. Ele bufou e limpou a garganta. — Tenho certeza de que você sabe que Won nem sempre foi gay. — Seu tom era suficientemente pontiagudo para permanecer no limite da cordialidade. — Não faço ideia do que o fez mudar. Alguma influência mefítica sua, suponho.

A cutucada sutil não surtiu efeito. — Talvez. Talvez não. — Caesar ergueu um ombro num leve encolher. — Minha opinião é que fui eu que caí vítima da sedução.

— O quê? Mikhail quase gritou.

Caesar assumiu um tom irônico. — Qualquer homem que olhe para Won sem ficar excitado não é homem. Um rosto daquele, aquele brilho de rebeldia nos olhos… tê-lo debaixo de você, querendo devorá-lo, é apenas natural.

Mikhail recuou visivelmente. Won era bonito, sim – mesmo como pai, ele sabia disso, lembrava de ter pensado nisso ao vê-lo pela primeira vez, mas ser tão vulgar assim na sua frente o deixou sem fôlego pela audácia.

— Não me importam suas desculpas, — ele rosnou. — Won era normal antes de te conhecer. Teve relacionamentos sérios – com mulheres, até ia se casar com uma. Se não fosse por você e sua presença nociva, ele estaria casado e com filhos agora!

Caesar não respondeu, e alguém que não o conhecesse tão bem quanto Mikhail teria perdido o leve tensionamento ao redor de seus olhos, a pequena ruga que surgiu com o quase imperceptível franzir de sua testa. Mikhail reconheceu o aviso e se controlou antes de provocar algo mais sério.

— Won sempre foi meu orgulho e alegria, — continuou afetando leveza. — Fui forçado a deixá-lo quando era jovem, mas nos reencontramos. Ele te contou? Veio à Rússia me encontrar. Então, de certa forma, você deveria ser grato, vocês nunca teriam se conhecido se ele não me procurasse. — Deu um encolher de ombros arrogante. — Mas assim é entre pai e filho, não concorda? Você teria vivido sem conhecê-lo, mas nós teríamos nos reencontrado cedo ou tarde.

Tirando a carteira do bolso, Mikhail mostrou uma foto desbotada de um bebê vestido em hanbok – lembrança da celebração dos cem primeiros dias de Won.

Caesar olhou a foto com desdém, os olhos se estreitaram ao reconhecer o bebê rechonchudo como Won. Mikhail sentiu uma onda de satisfação por ter algo que Caesar não tinha; sabia que isso, pelo menos, o incomodara.

— Ele era adorável, não era? — comentou, guardando a carteira. — Muito inteligente também. Aprendeu a falar e andar antes dos outros. Quando eu o chamava, ele ria e vinha rastejando o mais rápido que conseguia.

Os comentários maldosos davam lugar à nostalgia, um sorriso sonhador surgindo no rosto de Mikhail. Caesar, externamente, permanecia indiferente.

— E ele ainda é tão doce, — Mikhail continuou. — No hospital, depois que fui baleado, ficou ao meu lado dia e noite. E há um tempo, quando sofri uma queda, assim que soube, largou tudo para me ver. Ele é tão ocupado, com todos aqueles casos. Mas precisava saber se eu estava bem. — Seu tom perdeu um pouco da leveza. — Ele me beijou, sabe? Na bochecha! No meu aniversário. Foi um pouco constrangedor na minha idade, mas filhos são assim, não conseguem evitar a proximidade com os pais. Às vezes vamos pescar juntos, ou à sauna. Banhos públicos. Também dormimos na mesma cama, de vez em quando.

Caesar ficou progressivamente mais rígido e inexpressivo enquanto Mikhail falava.

Os lábios de Mikhail se curvaram em um sorriso malicioso. — Mas acho que isso é laço de família, o vínculo de sangue não tem igual. Faríamos qualquer coisa um pelo outro.

— Eu transo com ele.

O sorriso congelou no rosto de Mikhail. Ele não conseguia se mover; um zumbido crescia em seus ouvidos.

Caesar tomou um gole de café. — Ah. Suponho que há coisas que vocês não podem fazer juntos. Que pena.

A mente de Mikhail voltou à vida com um rugido, transbordando de imagens vívidas que não conseguia escapar. “Esse patife e meu filho?! Dormindo juntos?” Imagens lascivas passavam pelos olhos de sua mente; sentia como se tivesse caído no sétimo círculo do inferno e agora se debatesse para sair. E Caesar—!

Caesar tomou outro gole de café.

Algo dentro de Mikhail estalou. “Como ele ousa? Como ousa falar assim de Won?!” — Isso é guerra, seu maldito Sergeyev! — ele berrou, pulando da cadeira. — Onde estão os outros?! Vou cortar a garganta do seu precioso Czar!

Começou um grande tumulto – gritos, tiros – uma parede desabou, e Leo com todos os outros invadiram a sala, apenas para mais rangidos de madeira enchendo o ar, então um estrondo enorme e a parede oposta também desmoronou, com outro grupo de homens entrando.

Era o caos completo; gente demais amontoada numa sala, todos gritando “Não deixem aquele lixo Lomonosov escapar!” ou “Morra, Czar!” ou qualquer outra coisa que conseguissem pensar. Não importava muito, já que ninguém conseguia ouvir nada no meio do barulho.

Won respirou fundo, se preparando para voltar e acabar com esse dia infernal. Saiu do banheiro, ajustando as mangas e a gravata, quando um baque abafado chegou aos seus ouvidos. Endurecendo, examinou o saguão e decidiu que não era nada preocupante. Mas conforme voltava para o restaurante – arrastando os pés, só um pouco – os barulhos só aumentavam, forçando-o a andar mais rápido.

Quase corria quando chegou à sala privativa, e mesmo podendo imaginar o que encontraria ao abrir a porta, ainda não estava preparado para o caos que uma ida de dez minutos ao banheiro poderia causar.

Na frente do hotel, Won arrastou os pés, com as mãos nos bolsos. “Eu sabia que isso aconteceria.”

Isso não o fazia se sentir melhor.

Na verdade, se sentia pior – como se tivesse sido atropelado emocionalmente. Poderia muito bem ter sido, pelo circo que acabara de testemunhar:

Mikhail gritando declarações de guerra, capangas Sergeyev xingando, subordinados da Bratva respondendo na mesma moeda, alimentando uma paródia de corrida armamentista e no meio de tudo, Caesar, sentado, tomando seu café.

Won esfregou as têmporas. “Tudo isso foi um erro.”

Seus arrependimentos eram pequenos e tardios, no entanto; Mikhail já tinha partido pela rua furioso, seu séquito desaparecendo tão rápido quanto. Agora Caesar só precisava entrar no carro, e Won poderia ficar sozinho com seu remorso.

Alguns minutos se passaram. Caesar não entrou no carro. Won esperou. Caesar permaneceu. Observou. Por fim, seus olhos pularam para o carro e de volta para Won.

Won deu um olhar vazio. Francamente, não queria estar perto de ninguém, muito menos preso num espaço pequeno só com Caesar. Queria ir para casa e encarar uma parede por algumas horas, depois dormir por um ano.

— Os bondes ainda estão funcionando, — Won ofereceu, recusando indiretamente. — Pode ir na frente. Te vejo depois.

Já tendo passado por essa dança antes, Won não se surpreendeu quando ouviu Caesar começar a segui-lo. Fazer ele ir embora era difícil mesmo, então estava mais irritado que decepcionado. Olhando por cima do ombro, Won suspirou. — Que parte de ‘pode ir na frente’ indicou que eu queria que você me seguisse?

Caesar não o reconheceu, apenas observou. Won balançou a cabeça e continuou.

Um longo silêncio depois: — O que ele quis dizer?

Won parou e franziu a testa. Ele só podia estar falando de algo que ouviu enquanto Won estava fora da sala; nenhuma conversa anterior tinha ido a lugar nenhum. Mas como Won saberia o que foi dito? Poderiam ter discutido qualquer coisa – trabalho, assassinatos, negócios de drogas…

— Você teve uma noiva.

— Ah. Isso, — Won disse com o entusiasmo de discutir azulejos de banheiro. — Faz muito tempo. Antes de te conhecer.

— Você dormiu com ela? — Caesar perguntou com voz vazia.

Embora não gostasse do rumo da conversa, seu passado não precisava ser segredo, então Won acenou. — Sim. Nós namorávamos. — Ele encolheu os ombros e ia se virar, até ver a expressão no rosto de Caesar.

Ele parecia atordoado. E era tão estranho ver Caesar sem palavras que Won só pôde encará-lo, enquanto a boca de Caesar se abria, emitia um ruído estranho, e fechava novamente. Ele engoliu e pareceu se recompor.

— E essa… mulher… onde está?

A pergunta era quase mais confusa que a reação, mas Won respondeu simplesmente: — Não sei — e era a verdade.

Mal saíram as últimas sílabas de sua garganta quando Caesar o interrompeu.

— Não seja evasivo comigo. Onde ela está? Coreia?

— Eu acabei de dizer que não sei, — Won retrucou, cruzando os braços. — Não mantemos contato. Por que eu saberia o que ela está fazendo anos depois do término?

Levar um interrogatório sobre algo que acabou há tanto tempo era tão absurdo que Won quase teve vontade de dizer que teve outros relacionamentos sérios depois de vir para a Rússia, mas seu instinto de autopreservação e o cansaço puro depois de tudo que acontecera naquele dia o impediram de provocar Caesar mais. Por enquanto.

Caesar o encarou. — Você jura?

— Sim, — Won respondeu com desdém. Então olhou para Caesar. — O que você faria se eu te contasse?

A falta de resposta disse a Won tudo que precisava saber, e ele engoliu o calafrio de medo e endireitou os ombros. — Qualquer plano absurdo que esteja pensando, não faça. Ela pode estar morta, por tudo que sei. Literalmente não a vejo nem falo com ela há anos.

Uma ruga apareceu na testa de Caesar, confirmando as suspeitas de Won, mas fios do medo que ele trancou começaram a surgir em sua consciência. Caesar parecia à beira de um ataque, algo selvagem logo abaixo da superfície.

— Você achou que eu seria virgem? Na minha idade? — Ele tentou soar incrédulo, lutando para manter a voz firme. — Muitos dos meus colegas já se estabeleceram e tiveram filhos; você sabe disso. E de qualquer forma, você não é nenhuma noivinha virgem, então estamos quites.

— Não estamos. Você pretendia se casar.

Won recuou. — O quê? Você dormiu com quantas, centenas? Milhares de mulheres? É a mesma coisa. — Talvez fosse um exagero, mas Won não estava nem aí no momento. Estavam na rua, no meio da noite, discutindo minúcias semânticas sobre intenção e sexo, e sua paciência estava no limite.

Passou a mão pelo cabelo num gesto frustrado. — Vamos esquecer isso, ok? Nenhuma dessas pessoas importa agora. Além do mais, seu travesseiro tem muito mais entalhes que o meu.

Para Won, era um fato simples, mas Caesar não pareceu entender assim.

— Por que eu teria mais entalhes? — Ele parecia ofendido.

Won engasgou. — Você é quem ficou com meio mundo!

— E você não? — Caesar ergueu uma sobrancelha.

Como, Won se perguntou com incredulidade, Caesar poderia insinuar que ele tinha ficado com uma fração do número de mulheres que ele? Won respirou fundo, senão gritaria.

— Vou colocar assim, — ele disse entre dentes, se aproximando do espaço de Caesar. — Eu só durmo com quem estou num relacionamento. Entre nós dois, eu, que faço sexo por amor; e você, que faz sexo só para molhar o pau, quem é pior?

— Você.

— Tá bom! — Won levantou as mãos. — Tá bom, se é isso que pensa, não precisamos mais transar nunca.

Caesar congelou. — O quê? Por quê?

Foi só por um segundo, tão breve que Won poderia ter piscado e perdido; mas por um momento, a máscara impassível de Caesar quebrou, e isso causou um pequeno surto de satisfação no peito de Won por tê-lo provocado.

— Bem, você não precisa de um relacionamento para transar, — Won respondeu com sarcasmo, aproveitando a onda de vitória. — Qualquer um serve, não é? Então vá, foda qualquer coisa que se mexa como você quer; eu vou achar alguém que queira um relacionamento sério e dormir com ela! Aí você nunca mais vai ter que ver minha cara de ‘amorzinho dedicado’ de novo! — Sua voz subia de tom e volume a cada frase. — Quer saber? Isso parece uma ótima ideia, depois de hoje, nunca mais precisamos nos ver. O que acha, hein? Puta que pariu, você me enoja, sabia disso? Você é a pessoa mais desprezível que eu já conheci! Merda!

Com o peito ofegante no fim do discurso, Won esperou, ergueu o queixo para provocar Caesar a responder.

Ele não disse nada.

Won bufou e virou para ir embora, só querendo que essa noite estúpida acabasse. Não deu dois passos antes que uma mão de ferro o agarrou pelo braço e o girou de volta.

— O que você acabou de dizer?

Era a expressão mais estoica que Won já vira em Caesar. Arriscou um olhar para a mão em seu braço. Os nós dos dedos de Caesar estavam brancos. Mas quando seus olhos voltaram para Caesar, não havia absolutamente nada – nenhuma expressão, nenhum brilho nos olhos, nenhum movimento, nada.

De repente, Won empalideceu.

Caesar inclinou a cabeça, voz tão baixa que Won mais sentiu do que ouviu:

— O que você disse?

Uma lança de gelo de medo arranhou suas costas. Alguma vez a ameaça da ira de Caesar parecera tão real, tão iminente? Se houve, Won não lembrava.

Mesmo no começo, Won nunca se sentira tão perto do abismo. Um único suspiro poderia empalá-lo, mandá-lo para seu fim.

Ainda assim, não era de sua natureza abaixar a cabeça com medo. Pelo contrário, depois da onda inicial de terror, a ameaça de Caesar só alimentou sua indignação.

Ele se debateu no aperto de Caesar. — Eu disse que não vamos mais transar! Chega! Fim! Acabou!

Um silêncio carregado os cercou, pressionando os sentidos de Won. Tudo que conseguia ver era o rosto de Caesar encarando-o, aquela máscara vazia inalterada.

Foi quando Won percebeu que tinha cometido um erro.

Como sempre, tarde demais.

Instintivamente, seus olhos voaram para a mão de Caesar; o aperto desapareceu. Sua pele estava quente, pulsando, enquanto o sangue voltava às veias. Mas aqueles dedos – aqueles dedos longos e elegantes não se moveram do lugar para onde haviam recuado.

Iriam alcançar dentro do casaco, revelar a Beretta de Caesar num movimento lento? Won poderia correr mais que uma bala atirada com aqueles movimentos firmes? Poderia se desculpar antes que um daqueles dedos puxasse o gatilho?

Ele sempre prometera a si mesmo que teria um plano se algum dia terminasse com Caesar. Sua irritação tinha sido sua ruína.

Tudo pareceu pausar. Caesar não sacou uma arma. Won não correu. Ele olhou para Caesar, incapaz de respirar pela ansiedade que esmagava seus pulmões.

Os lábios de Caesar se separaram, tensionando num canto em um sorriso quase imperceptível. Won não sabia o que significava.

— Tudo bem.

Não houve tempo para Won questioná-lo, havia uma faca em sua mão. A curva em seus lábios não tinha nenhum calor. Ele havia cortado a própria garganta antes que Won pudesse processar o que estava acontecendo.

— O que você está fazendo?! Mas que porra! — Won gritou, agarrando Caesar enquanto sangue jorrava de seu pescoço.

Caesar o agarrou pelo braço novamente, a outra mão pressionando o corte profundo em sua garganta, sangue jorrando entre seus dedos em jorros rítmicos.

— Repete—o que você disse que ia fazer?

Won empalideceu, a cabeça erguendo-se do pescoço de Caesar para seu rosto. O sorriso frio permanecia. — Você está louco?! O que está fazendo? — ele gritou novamente. — Alguém, por favor! Precisamos de uma ambulância!

O aperto de Caesar em seu braço se fortaleceu, sua voz baixou. — Vamos lá, o que você estava planejando fazer?

— Você está sangrando até a morte!

— Diga!

Won inspirou ofegante. Caesar já havia levantado a voz antes? Won olhou para o homem morrendo diante dele. Olhos cinza gelados olhavam de volta.

— Ok, — ele respirou. — Ok, eu não vou embora. Vou ficar. Eu prometo. Só pare com isso! — Won não sabia o que era “isso”; só queria que Caesar não fizesse nada mais drástico, não morresse, mesmo que significasse fazer promessas que não tinha certeza se queria cumprir. — Eu nunca vou te deixar, só se acalma!

Um pequeno sorriso apareceu no rosto de Caesar ao ouvir as palavras, exatamente quando ele desabou e se tornou peso morto nos braços de Won. Won cambaleou, mas os manteve em pé. Podia ver os homens de Caesar correndo em sua direção sobre o ombro dele. Eles o colocaram em um carro e correram para o hospital mais próximo. O tempo todo, Caesar não soltou o braço de Won.

✦ ✦ ✦

A enfermaria estava quieta. Algum movimento de enfermeiras ou pacientes no corredor, mas, com a porta fechada, tudo se transformava em um zumbido indistinto.

O bip constante do monitor cardíaco e a visão de Caesar, real e sólido diante dele, eram as únicas coisas mantendo Won são. Da beira da cama, a tez pálida como a morte sobre centenas de camadas de gaze e algodão deixava Won à deriva em sua própria culpa.

“Por quê?”

Won olhou para o homem na cama, examinando, procurando por… respostas? Conforto? Won não sabia; só queria encontrar algo para se ancorar. Mas Caesar não lhe deu nada. “Seu bastardo.”

Se não fosse pela palidez de sua pele, o soro preso ao braço, Caesar poderia estar dormindo.

Mas não estava.

Tiveram sorte inacreditável que os homens de Caesar apareceram quando o fizeram. Mais sortudos ainda por estarem tão perto de um hospital.

Won não queria pensar no que poderia ter acontecido de outra forma.

Seu único consolo era uma coisa pequena, a ausência de Dmitri, era pelo menos, bem-vinda. O primo de Caesar estava na China a negócios. Previsivelmente, correu para o aeroporto assim que soube da notícia, mas não chegaria por algumas horas ainda. Won ficou feliz por não ter que se preocupar com Dmitri também.

Mas Caesar ainda estava lá. Nervoso, Won passou as mãos pelos cabelos.

“Merda.”

Na vez seguinte, manteve os dedos enterrados nos fios, apoiou os cotovelos nos joelhos e fitou o chão, desejando que aquele linóleo sem graça resolvesse todos os seus problemas.

“Por que você teve que se machucar assim?”

Ele deveria ter machucado Won. Pelo menos assim Won não precisaria estar sentado aqui, com o coração um amasso dolorido e dilacerado, pingando através de suas costelas.

“O que exatamente Caesar queria? Ele realmente esperava que eu tivesse me “preservado” para ele? “Uma noção ridícula, especialmente comparada à própria devassidão de Caesar. Como podia exigir que Won fosse casto quando dormia com múltiplas mulheres por semana?

Irritava Won pensar na hipocrisia e na imprudência. “Minha castidade valia mesmo cortar a própria garganta na rua?”

Aparentemente, para Caesar, valia.

Won bufou, esfregando os dedos nos cabelos e no rosto, pressionando as palmas contra os olhos. Quanto mais pensava, mais agitado ficava. “Que direito Caesar tem de me criticar? Se ele queria alguém puro, por que não se concentrou em encontrar amor em vez de sexo sem significado? Eu gastei minha juventude com sabedoria, e agora estou sendo culpado por isso por alguém que nunca teve um relacionamento verdadeiro.”

“Essa coisa entre nós nunca daria certo, daria?”

Suspirando, Won se endireitou – e travou os olhos com Caesar.

Sentiu o sangue drenar de seu rosto. Caesar o encarava com uma expressão impenetrável. Engolindo em seco, Won tentou manter o contato visual, mas era difícil. Nenhum dos dois falou. Won não sabia o que dizer; Caesar não conseguia dizer nada. Finalmente, Caesar escaneou o quarto, então olhou de volta para Won.

Demorou um instante para Won perceber que estava sendo questionado. — Hospital, — disse. — Eles te trataram na emergência, então te internaram aqui para observação. Seus homens estão vigiando a porta.

Eles deveriam saber que Caesar estava acordado e Won se levantou para informá-los, mas foi imediatamente agarrado por Caesar mais uma vez.

— Vou só avisar que você está acordado, — ele explicou com suavidade.

Caesar abriu a boca. Após um segundo, franziu a testa. Os médicos disseram que Caesar havia escapado por pouco de cortar a laringe, mas falar ainda seria difícil. Vê-lo lutar para se expressar soltou o frágil controle que Won mantinha sobre suas emoções.

— Que porra foi essa? — ele exigiu, sobrecarregado de raiva e dor. — Como devo ficar com você quando sua resposta para qualquer coisa que não gosta é uma arma ou uma faca?!

Sua boca se fechou bruscamente. Cinco minutos antes, estava certo de que deveriam terminar, mas Caesar olha para ele por cinco segundos e ele já esquecera tudo.

“Droga,” pensou Won. “Eu ia terminar com ele. Mas agora que sinto pena dele, talvez eu realmente me importe com esse maluco.”

Perceber que tudo isso era por causa de sua própria resolução fraca não foi reconfortante. As bordas serrilhadas da verdade arranharam seu cérebro: ninguém deveria aguentar isso, mas Won aguentava, e era por isso que ainda se importava com Caesar.

Por isso que ficava.

Soltando um suspiro áspero, Won ordenou à voz que permanecesse firme. — Essa é a última vez, entendeu? Fizer algo assim de novo, e eu vou embora.

Caesar acenou, estudando Won com enormes olhos prateados. A qualquer momento, Won esperava que os olhos se fechassem e um sorriso aparecesse. Era sempre assim.

Mas o sorriso nunca veio, e algo sobre isso pegou os restos do coração de Won e torceu os fios ensanguentados de seus sentimentos. Era terrível, e confuso, e deixou Won completamente despreparado quando Caesar o puxou para a cama. Já estava em cima de Caesar quando percebeu o que acontecia.

Um som de protesto escapou dele, mas o escrutínio de Caesar o manteve preso. Os olhos tempestuosos o expunham. Deixando-o vulnerável. Esperava que Caesar não sentisse seu coração tentando bater para fora do peito.

Enquanto Won observava, o menor dos sorrisos pairou sobre os lábios de Caesar; era infinitamente mais aterrorizante que qualquer impenetrabilidade, e Won não percebeu que parara de respirar até sentir o aperto de Caesar afrouxar e ele saltar de volta para seus pés.

— Deixe-os entrar, — Caesar rouquejou. Quase chocou Won o quão horrível ele soava, mas foi rápido em escapar, alcançando a porta em alguns passos largos.

Lá fora, os homens do Sindicado viraram para encará-lo. Won ignorou a maioria em favor de falar com Urikh. — Ele acordou. Quer falar com você.

Urikh e o que Won assumiu serem alguns homens de alta patente no Sindicado marcharam para dentro do quarto, deixando-o no corredor com os outros.

Olhando para eles, Won percebeu que talvez fossem as pessoas certas para pedir um cigarro.

— Ei, posso pegar um cigarro emprestado? — tentou. Quando só recebeu olhares vazios em troca, Won encolheu os ombros e seguiu para a entrada principal. Ele realmente precisava daquele cigarro.

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna

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Ler o Manhwa Roses and Champagne Completo em Português Grátis Em um mundo de alto risco, Lee Won, um advogado lutando para sobreviver, se vê enredado em uma teia de intriga e perigo. Quando ele cruza o caminho de Caesar, um formidável chefe da máfia, descobre uma conexão oculta entre o Conselheiro Municipal Zdanov e o crime organizado. À medida que Lee Won se aprofunda no caso, desvenda uma conspiração sinistra que ameaça despedaçar o frágil equilíbrio da cidade. Preso entre a lei e o submundo, ele deve navegar por um jogo mortal de poder, decepção e desejos proibidos. A cada passo, o mundo de Lee Won se entrelaça com o de Caesar, enquanto ambos enfrentam seus próprios motivos ocultos e tentações proibidas. Em meio a noites regadas a champanhe e o aroma de rosas em flor, uma atração perigosa surge entre eles. À medida que os riscos aumentam e o perigo se intensifica, Lee Won deve escolher entre seus princípios e o fascínio do proibido. Em um mundo onde lealdade e traição se confrontam, ele precisa encontrar uma maneira de expor a verdade e proteger a si mesmo e aqueles que ama. Nesta envolvente história de amor, traição e a intoxicante luta pelo poder, Roses and Champagne explora a intricada dança entre desejo, dever e a frágil linha entre o bem e o mal.
Nome alternativo: Rosas Y Champagne Rosas E Champanhe Roses

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