Ler Roses And Champagne – Capítulo Side Story 02 Online

❬ Side Story 02 ❭
⌽ Roses and Wolves ⌽
Agachado no matagal, Won procurou.
Fazia frio; ele lutava para respirar sem fazer muito barulho.
A escuridão impenetrável tornava impossível ver sua própria mão diante do rosto, muito menos o ambiente ao redor.
Mas Won sabia que, em algum lugar do abismo, ele estava à espera.
Como um tigre à caça, olhos brilhantes, avançando cada vez mais perto, corpo pronto para atacar com instintos aprimorados por milhões de anos de evolução.
Se Won fosse pego, tudo estaria perdido.
Uma gota de suor, gelada e repugnante, escorreu por suas costas enquanto a adrenalina inundava seu sistema, todos os seus sentidos afinados até para o menor dos movimentos, tão alerta que ele sentia náuseas. No fim, apenas um deles sairia vitorioso.
E Won se recusava a ser derrotado.
Mas a adrenalina não dura para sempre. Ela o mantivera em movimento através do cansaço, impedira que o pânico o dominasse, mas não conseguiu evitar as manchas escuras em sua visão ou a vertigem que se aproximava na base de seu crânio.
Sua cabeça começou a inclinar, a visão escurecendo; ele precisou se sacudir para focar os olhos novamente e aquele único segundo de desatenção seria sua ruína.
Movimento sobrenatural; um espectro das sombras materializando-se da escuridão; o som horrível de metal deslizando no lugar; um cano gelado pressionado contra sua nuca com um sopro de ar ameaçador.
— Xeque-mate.
O tom grave aveludado de Caesar soou tão indiferente quanto sempre, com sua arma pressionada contra a parte de trás da cabeça de Won. Não houve hesitação, nem segundas intenções. Caesar puxou o gatilho, um raio de calamidade cortando o denso silêncio.
Não poderia ter durado mais que uma fração de segundo, mas o mundo inteiro pareceu desacelerar.
Atordoado, Won assistiu enquanto tudo que o levara até aquele momento passava diante de seus olhos; começara tão pequeno.
“Como as coisas tinham saído tanto do controle?”
Mas não havia mais nada a ser feito, e o tempo de Won havia se esgotado.
Seu corpo se dobrou, desmoronando no chão.
“De volta à realidade.”
✦ ✦ ✦
Won acordou de sobressalto.
Ele estivera profundamente adormecido; e, portanto, estava profundamente confuso.
Olhos percorrendo o teto, ele afastou os fios de teia de aranha que retardavam seus pensamentos e tentou lembrar como ou por que havia acordado.
As batidas violentas em sua porta da frente gentil e prontamente forneceram a resposta.
Gemendo durante toda a desajeitada queda da cama, Won arrastou-se pela sala de estar até a porta, resmungando de descontentamento quando as batidas se tornaram mais insistentes.
— Sim, sim, tô indo. Quem-…
Caesar.
Won congelou no meio de um bocejo. Mal havia inclinado a cabeça em questionamento, porém, antes que Caesar o jogasse sobre um ombro largo e partisse.
— Uh… — Won grunhiu, fosse de protesto ou por todo o sangue correndo para sua cabeça, não estava claro. Ele piscou, e eles já estavam lá fora, no carro.
— Um…? — Tentou novamente quando Caesar o colocou no banco de trás. Outro piscar de olhos atordoado depois, Caesar já havia entrado no banco à sua frente.
— Erm… — Won tinha perguntas, pelo menos, achava que tinha. Formar algo coerente parecia como atravessar um pântano.
Eles já estavam acelerando assim que a porta de Caesar fechou.
Já haviam percorrido um bom trecho antes que Won estivesse acordado o suficiente para ficar propriamente consciente. Encarando seu próprio reflexo no vidro escurecido da janela, ele teria preferido permanecer alheio, obrigado. Entre seu pijama amarrotado, cabelo despenteado e expressão atordoada pelo sono, ele era um verdadeiro desastre no momento, e Won ficou desconcertado com sua própria aparência desleixada.
“O quê…?” — disse ele, de maneira inteligente, depois de se cansar de seu reflexo.
Caesar foi gentil o suficiente para ignorar a falta de eloquência de Won.
— Os canos congelaram.
Won piscou.
— Onde?
Caesar olhou para ele por um longo momento.
— Sua casa.
— Oh… — A mente ainda embaçada, Won falou sem pensar:
— Deve ser um cano grande ligado aos chuveiros.
Won virou-se para olhar pela janela, fingindo que não sentia Caesar cravar olhares assassinos em suas costas.
— Oh! — Ele se virou de volta para Caesar.
— Mas como você soube?
Dessa vez, Caesar foi quem olhou fixamente pela janela.
✦ ✦ ✦
— Roupas para o senhor. — O mordomo apresentou a pilha impecável com uma reverência discreta.
Agradecendo, Won começou a se vestir, achando estranho que o mordomo estivesse tão preparado. “Preparado demais”, pensou Won.
Ele observou uma mancha no tapete enquanto calçava as meias. Talvez estivesse sendo paranoico, mas não conseguia evitar a sensação de que aquilo era algum tipo de plano de Caesar para trazê-lo à mansão. Quando terminou de se trocar, já havia criado toda uma teoria conspiratória sobre Caesar ter congelado propositalmente a água do seu apartamento. Mas não havia o que fazer agora, então ele se resignou, saiu no corredor e perguntou a uma empregada que passava onde poderia encontrar Caesar; ela, muito gentilmente, o levou até outra porta no final do corredor.
A empregada saiu correndo assim que chegaram. — Obrigado — Won chamou, esperando até que ela desaparecesse na esquina antes de voltar seus olhos para a porta. Bateu e entrou.
— Ei — disse, avistando Caesar sentado, examinando uma vitrine larga, na altura da cintura, que ocupava boa parte do centro da sala. — O que você está fazendo? — perguntou, aproximando-se da cadeira de Caesar.
Caesar envolveu seu braço na cintura de Won e o puxou para perto. — Admirando minha coleção.
Coleção? Won virou a cabeça para examinar o que havia sob o vidro e encontrou canetas. Canetas-tinteiro, para ser mais preciso, de todos os formatos e tamanhos, mas Won presumiu que todas fossem absurdamente caras, já que exigiam uma vitrine especial e um cômodo inteiro dedicado a elas.
— Eu não sabia que você colecionava canetas… — comentou Won, passando os olhos pelas fileiras de instrumentos de escrita. Caesar tinha muitos hobbies refinados para um mafioso, mas descobrir sobre eles sempre surpreendia Won. Era como ver Caesar de novo a cada vez.
Caesar riu e apertou a cintura de Won. — Esta — gesticulou com a mão livre — é uma edição limitada da Montblanc, o início da minha coleção. Foi bastante árduo obtê-la.
Os olhos de Won seguiram o dedo de Caesar até uma caneta em posição de destaque na vitrine, com nome, ano de produção, designer e outras informações gravadas em uma pequena placa dourada à frente.
Caesar esperou que Won terminasse de examinar a Montblanc antes de apontar outra caneta. — Aquela foi esculpida à mão por um mestre artesão que, infelizmente, já faleceu. Mas, por isso, seu trabalho restante é ainda mais valioso. O corpo é de marfim genuíno; só é usado em ocasiões muito especiais, é claro.
E assim continuou, Caesar contando a Won sobre cada caneta e o que a tornava única ou interessante. Won nunca o ouvira falar com tanto carinho antes, então fez questão de reagir nos momentos certos para mostrar que estava ouvindo. Ele não tinha interesse particular em canetas, mas aquecia seu coração ver Caesar tão apaixonado por seu hobby.
— Aquela fileira é uma série com um design limitado diferente lançado a cada ano. — Caesar gesticulou em direção ao fundo da vitrine. — São catorze designs no total.
Concentrando-se na fileira, Won percebeu que havia apenas treze canetas e um espaço vazio.
— Eu cheguei a ter a última em minha posse — Caesar disse com um suspiro nostálgico. — Foi passageiro, mas por alguns momentos, a coleção esteve completa.
— O que aconteceu? — Won murmurou, ainda olhando para o espaço vazio.
Caesar arqueou uma sobrancelha, olhando para ele de soslaio. — Um advogado insolente a cravou na minha cadeira de escritório. Arruinou a pena.
Os dentes de Won fizeram um clique audível quando seu maxilar se fechou bruscamente. Ele virou a cabeça o suficiente para ver Caesar pelo canto do olho.
— Bem… — Ele engoliu em seco. — Ainda bem que você tem tantas…
Caesar inclinou a cabeça levemente. — Espero recebê-la como presente de casamento um dia.
O frio oculto na serenidade de Caesar fez Won sentir arrepios. Além disso, porque ele estava falando… Espere. Isso não… não podia ser. Caesar não estava propondo casamento a ele, estava? Se estava, era uma proposta bem porca, para começar; em segundo lugar, quando eles tinham discutido matrimônio?!
Em seu desespero, Won tentou convencer-se de que Caesar falava abstratamente, para algum futuro cônjuge desconhecido; mas o olhar intenso de Caesar estava fixo nele, olhos cinza perfurando cada vez mais fundo em sua alma a cada segundo; até desviar o olhar se mostrou uma defesa ineficaz, então ele ficou se debatendo, estudando intensamente um nó no painel de madeira enquanto tentava se recompor.
Sua mente nadava em confusão. Uma proposta de casamento do nada era decididamente deselegante em sua opinião, mas fazê-la exigindo um presente de casamento específico e que provavelmente custava mais que tudo o que Won possuía. Era realmente inaceitável.
“Burguês, manipulador, bastardo da máfia.”
Por outro lado, Won não deveria esperar algo diferente do homem que atirou, sequestrou e passou dias estuprando-o? A testa de Won franziu e seus olhos baixaram ao recordar os eventos, mas ele reconheceu que fora ingênuo ao imaginar que Caesar possuísse algum resquício de decência.
Então, outro pensamento: “Seria um teste? Como ignorei as indiscrições anteriores, Caesar quer ver até onde pode me pressionar?” Won mordeu o lábio, debatendo-se com essa ideia até ser interrompido.
— Há um formulário especial para esse conjunto. Peça à Ludmila para mostrar. Fazem gravações personalizadas na caixa; prefiro iniciais ao nome completo. Se a compra direta for difícil, às vezes aparecem em leilão.
Won quase atravessou o lábio com os dentes. “Como? Por quê?” Genuinamente perplexo: Caesar queria arrancar um presente ou justificar uma proposta? De qualquer forma, Won não estava preparado para essa conversa.
O que sabia era da necessidade de limites. Precisava deixar claro que Caesar não podia soltar absurdos como esses nem sequestrá-lo novamente.
Obviamente, exigiria planejamento meticuloso. Um passo em falso poderia detonar Caesar, e quem saberia as consequências? Won se recusava a aceitar mais balas em seu corpo e precisava garantir que Caesar compreendesse.
Won suspirou internamente. “Como voltei para esse homem?” De qualquer forma, não lidaria com isso agora.
— Vamos comer logo? — perguntou, forjando leveza. — Você me arrastou antes do café da manhã.
Caesar fitou-o. Won manteve o olhar, controlando a expressão, esperando que Caesar aceitasse a saída oferecida. Ele devia perceber a mudança de assunto, certo? Caesar era muitas coisas, mas não era obtuso.
“Teimoso, porém, era”, lembrou-se Won.
O silêncio pairou até que Caesar (graças a Deus) recuou.
— Ordenei ao mordomo que preparasse algo. Vamos descer?
Won emitiu um hum quase inaudível antes de sair, prevenindo qualquer retorno a discussões sobre casamentos ou canetas luxuosas. Sabia que sua evasão era óbvia, mas Caesar não insistiu. O café transcorreu em conversas banais, com Caesar sorrindo discretamente enquanto Won devorava sua comida, que logo esquecera o incidente.
Ao terminar, Won levantou-se, esperando ter tempo livre enquanto Caesar trabalhava. Mas quando este se ergueu imediatamente, Won não deu importância… até que passos largos e uma mão firme em seu antebraço o arrastaram para o quarto.
— Ei ei, não é cedo demais para… isso? — guinchou, surpreso.
Caesar sorriu diabólico. — Qual o problema em começar mais cedo?
A porta do quarto fechou-se com um estrondo. Beijos. Mãos arrancando suas roupas íntimas. Empurrado em direção à cama, Won agarrou-se a desculpas:
— Precisa esperar uma hora após comer! Cãibras!
— Você tem energia sobrando. Melhor gastá-la agora.
A voz era a mesma, indolente, manipuladora, mas algo na entonação chamou sua atenção. Distraído tentando identificar o quê, Won já estava deitado, pernas abertas, antes de perceber.
Ele escrutinou Caesar, pairando sobre ele. Seus movimentos pareciam… maníacos. Contidos, mas à beira de-…
— Ngh!
Won percebeu que Caesar estava furioso no exato momento em que ele baixou a cabeça e levou o pênis ainda mole de Won à boca. Começou a mover-se, lábios de cetim esticando enquanto Won endurecia, cada movimento para cima produzindo sons obscenos de chupadas que Caesar não fazia nenhum esforço para disfarçar.
Won quase gemeu com a super estimulação – parte dele queria se afastar, enquanto uma parte muito maior estava fascinada, incapaz de suportar perder um único momento daquela cabeça entre suas pernas, chupando-o. Sua respiração falhou ao ver: a testa nobre e o nariz elegante de Caesar aninhados entre longos cílios prateados. Ele queria tocar, sentir que aquela figura angelical era real. Sua mão desceu, hesitou, roçou fios de seda loira, então seus dedos se enterraram no couro cabeludo do anjo, mechas platina enrolando-se entre seus dígitos.
Um gemido baixo escapou de seus lábios e sua cabeça rolou no colchão. Isso era diferente do banho – antes havia sido sensação isolada pela água; agora ele podia ver e ouvir tudo, cada pequeno suspiro, gemido e deslizar dos lábios e língua de Caesar – como se estivesse experimentando pela primeira vez. Nenhum homem jamais o tinha chupado antes; o pensamento louco de que aquilo era o melhor boquete que já recebera passou por sua mente. Então ocorreu-lhe que Caesar nunca fizera isso com mais ninguém. O pensamento enviou uma onda de tesão por seu sangue.
E Won deixou o desejo inundá-lo. O calor úmido da boca de Caesar envolvendo seu pau era divino. Pensar em seu membro enchendo a boca de Caesar quase o fez gozar. Seus dedos se torceram nos cabelos de Caesar, puxando-o com mais força para baixo – e de repente Caesar engoliu, abrindo-se o suficiente para que Won invadisse sua garganta.
Era demais – Won empurrando Caesar para baixo, e Caesar aceitando – continuou e continuou, até que os lábios de Caesar, esticados num “O” obsceno, beijaram a pele de sua pelve.
Ele tremia; suas pernas tentaram prender a cabeça de Caesar, mas Caesar as empurrou de volta, mantendo-as abertas, conservando o pau de Won fundo em sua garganta enquanto sugava. Era tão apertado, e Caesar continuava engolindo e chupando como se ele fosse o mais doce néctar, e todo o corpo de Won parecia um fio desencapado, faiscando e se contorcendo. Ele se sacudia e tremia, seus testículos contraindo, o formigamento efervescente em seu ventre sinalizando que estava à beira do orgasmo. Não sabia que podia se sentir assim. Poderia desmaiar de puro prazer.
Estava à beira do orgasmo, tão perto, sabia que ia gozar na garganta de Caesar, e a imagem de Caesar engolindo todo seu esperma era tão excitante que…
O dedo de Caesar mergulhou em seu buraco pulsante, até a junta; Won se sacudiu, mas estava demasiado atordoado para perceber que Caesar não estava mais movendo o dedo nem chupando. Estava apenas… ali, entre as pernas de Won, com o pau em sua garganta e o dedo na sua bunda, mas imóvel.
Embriagado de tesão, Won piscou e encarou, tentando entender. O olhar de Caesar subiu para verificar se Won estava observando. Então, com os olhos vidrados de Won sobre ele, Caesar começou a recuar, soltando Won de sua garganta e passando a língua pelo membro inchado em um arrastar lento e torturante, circulando a cabeça, mergulhando a língua na fenda.
Won não conseguia respirar. A queda da beira da super estimulação para um provocar quase imperceptível o deixou agitado, suspenso, esperando por algo que nunca parecia vir. Seu orgasmo recuara agora, o calor em seu corpo esfriando para um prazer sedado, as ministrações de Caesar ficando no limiar do excitante. Era bom, mas não o suficiente. Com a mais estranha sensação de “blue balls” que já experimentara, Won pensou que poderia simplesmente expirar ali mesmo naquela cama, se Caesar não fizesse mais do que lamber seu pau. Mas quando Caesar deu outra voltinha na cabeça, sem nenhum sinal de sucção, Won já tinha aguentado o suficiente.
(Blue balls = Acumulo de gozo sem poder liberar, causando dor física)
— Que porra você está fazendo?! — ele exigiu, batendo os punhos no lençol e sentando-se.
Erguendo o olhar, Caesar fitou Won, seu rosto parcialmente escondido pelo pau de Won, o membro e os lábios de Caesar ambos brilhantes de saliva; e algo em ver Caesar daquele jeito, seus traços perfeitos e aristocráticos ao lado de algo tão depravado, fez uma onda de desejo girar no ventre de Won, e ele sentiu seu buraco se contrair.
“Maldição.˜
Era evidente que Caesar também havia sentido. Com um juramento e um gemido profundo, Caesar cruzou os dedos contra a repentina tensão. Quando ele havia inserido o segundo dedo?
Won não sabia, e suas bochechas aqueceram-se tanto de prazer quanto de humilhação.
Um leve sorriso apareceu no canto da boca de Caesar.
— Frustrante, não é?
O comentário foi neutro, quieto — como se Caesar não fosse o culpado por toda a miséria de Won. Won abriu a boca para dizer exatamente isso quando os dedos de Caesar enfiaram-se mais fundo e curvaram-se no ângulo perfeito.
Dessa vez, Won gemeu pelo estímulo, os dedos habilidosos de Caesar pressionando e esfregando sua próstata. Um movimento particular dos dedos deixou Won ofegante, e sua ereção minguante rapidamente voltou à plena rigidez, o líquido pré-ejaculatório vazando da ponta, escorrendo pela cabeça e haste para se misturar com a umidade deixada pela língua de Caesar.
— Você é ganancioso — disse Caesar, observando o membro de Won. — Assim como eu.
O tom clínico com que ele falou contrastava com os movimentos agressivos de seus dedos grossos contra a próstata de Won. Rapidamente, tornou-se avassalador, e Won precisou se mover, pois o prazer era grande demais para ficar parado. Tentou dobrar as pernas para trás, mas seus calcanhares escorregavam nos lençóis, então ele ficou se contorcendo nos dedos de Caesar, seu pau tão duro que havia adquirido um tom violento de vermelho e pingava pré-ejaculação em seu umbigo enquanto pulsava sozinho, implorando por estímulo.
Mas não importava o quanto ele esperasse, Caesar não fazia nenhum movimento para tocá-lo ou chupá-lo novamente – apenas pressionava e esfregava a próstata de Won. Era excruciante. Ele estava tão perto, só mais um pouco e gozaria, mas seu orgasmo sempre parecia fora de alcance.
Quando outro pico veio e se foi, e Won ainda estava mais duro do que nunca, ele não aguentou mais.
— Nã—ah, porra — ele gemeu. Tudo em que conseguia pensar era em gozar, ele precisava disso, morreria sem isso. Tinha que se tocar.
Mas sua mão mal havia se movido quando Caesar puxou os dedos para fora do buraco de Won, deixando-o com nada.
Não, isso era pior. Por quê? Surpreso pela traição, Won encarou Caesar, encarou os dedos brilhantes que haviam estado dentro dele, ofegante de desejo e frustração.
Caesar sorriu.
— Agora você sabe como é.
Won olhou furioso. Que porra isso significava? Então Caesar ajoelhou-se, dando a Won uma visão clara de seu pau, enorme e latejante, tão duro que encostava na pele do abdômen de Caesar, apesar do peso. Todo o tesão de Won desapareceu num instante; era isso que Caesar quis dizer.
— Quando foi que você—
ele tentou exigir, mas Caesar agarrou-o pelos joelhos e dobrou-o ao meio, levantando sua bunda e expondo seu buraco pulsante.
— Você pode fingir o quanto quiser — Caesar arrastou a cabeça romba de seu pau ao redor da abertura de Won. — Mas seu corpo não mente.
Won pensou que Caesar continuaria provocando; não estava preparado para Caesar enfiar a cabeça do pau além de sua abertura e enchê-lo por completo. Sua boca abriu-se num grito silencioso; suas costas arquejaram com a intrusão repentina.
Ele sentiu Caesar até no estômago, e quando Caesar começou a puxar para trás, parecia que suas entranhas seriam arrastadas junto com o membro de Caesar. A cabeça puxou e puxou, esticando a pele da bunda de Won até que saiu com um estalo e a pele voltou ao lugar, apenas para Caesar empurrar de novo.
Como os dedos de Caesar agora pareciam gentis, comparados à maneira crua e animal com que ele fodia.
O movimento depravado continuou até que Caesar enfiou até a base, então empurrou ainda mais fundo, ficando lá dentro enquanto girava os quadris, esfregando contra a pele sensível do períneo de Won. Cada movimento dos quadris de Caesar fazia o buraco de Won contrair-se em torno de seu pau, sugando-o com contrações gananciosas. Os olhos de Caesar fecharam-se de prazer.
Ofegante, ele forçou as pernas de Won ainda mais para trás, seus joelhos quase tocando as orelhas agora.
— Olhe, Won. — Caesar queria que Won visse o quanto seu buraco estava faminto por seu pau, visse que o som molhado vinha de seu buraco insaciável. — Veja o quanto você me quer.
Won não tinha a visão clara que Caesar tinha, mas isso não importava. Ele podia sentir Caesar latejando fundo em sua barriga, ver onde sua grossura desaparecia atrás da pele esticada e inchada. Os pelos loiros e grossos em volta de seu pau estavam encharcados com os fluidos de Won.
O pau de Won pulou, e suas entranhas apertaram o membro de Caesar diante da visão.
Os gemidos ofegantes de Caesar tornaram-se mais intensos, e ele curvou-se sobre Won e começou a enfiar. Won correspondia a cada movimento, apertando e relaxando no ritmo de cada invasão da grossura enorme em seu ventre. Suor escorria de suas têmporas enquanto pré-ejaculação jorrava de seu pau. Sua boca abriu-se em gemidos luxuriosos, e ele sentiu o gosto salgado. Dobrado como estava, não sabia se era suor ou sua própria pré-ejaculação.
Caesar mudou o ângulo dos quadris, movendo-se dentro dele de forma diferente. Won não controlava mais o movimento; seu buraco apertava sozinho enquanto Caesar maltratava sua próstata a cada enfiada. Ele juraria que estava tão apertado que Caesar o estava partindo ao meio a cada movimento.
De repente, Caesar sentou-se sobre os calcanhares, segurando firme os braços de Won para puxá-lo também. O movimento fez Won equilibrar-se no pau de Caesar, e a gravidade o empurrou mais fundo. O grito de surpresa de Won transformou-se num gemido longo e baixo; ele tremia de necessidade de gozar, e agora Caesar estava tão fundo — e isso o levou ao limite, jorros de seu gozo cobrindo ambos enquanto seu canal ficava impossivelmente apertado, segurando o pau de Caesar até que ele pintou o interior de Won de branco.
Sem forças e satisfeito, Won tornou-se um peso morto nos braços de Caesar, colapsando contra seu peito. O alívio, porém, foi breve. Won mal havia começado a se deleitar no pós-prazer quando Caesar o manobrou de volta ao colchão e, sem cerimônia, saiu completamente de Won, deixando seu pobre buraco aberto e tremendo na ausência repentina.
Caesar ainda estava duro, é claro. Ele sempre estava. Mas Won só podia assistir num haze confuso enquanto Caesar passava os dedos pelo próprio pau, coletando todo o sêmen e fluidos, e então os derramava sobre o corpo de Won em respingos.
Won abriu a boca para protestar e rapidamente teve um globo de gozo despejado em sua língua. Depois disso, manteve a boca fechada.
Quando Caesar terminou, Won não precisava olhar para saber que estava coberto do gozo de ambos; podia senti-lo esfriando em seu rosto, peito e coxas. Mas olhou mesmo assim, o que só fez a humilhação doer ainda mais. Não houve muito tempo para contemplar, no entanto, porque Caesar inclinou-se para beijá-lo. Era salgado; Caesar estava segurando algo em sua língua.
Seus lábios separaram-se brevemente enquanto Caesar escalava sobre ele, mas a língua de Caesar permaneceu para lamber e enrolar-se na boca de Won. Sem pensar, Won respirou e engoliu enquanto tinha a chance.
Ele percebeu que Caesar usara o beijo para derramar mais gozo em sua boca quando os lábios de Caesar voltaram aos seus e ele estava sorrindo.
Uma das mãos de Caesar deslizou até a coxa de Won, movendo-a para abri-lo novamente.
Won recuou a cabeça, saindo do beijo.
— E-espera-já? Mas—
Ele tentou empurrar Caesar, mas Caesar agarrou seu pulso e virou Won de bruços antes que ele pudesse entender o que acontecia.
Ajustar-se para ficar melhor apoiado nos antebraços e joelhos provocou uma risada de Caesar.
— Comportamento de lordose — ele murmurou, afundando uma mão no quadril de Won e usando o polegar para puxar uma de suas nádegas e expor seu buraco. Enrugado, mas ainda piscando, lubrificado com gozo. Perfeito.
(Comportamento de Lordose = Em animais, é a postura arqueada (costas curvadas para baixo, quadril levantado = o famoso de quatro) que fêmeas de algumas espécies adotam no cio para mostrar receptividade sexual)
O protesto de Won transformou-se num guincho baixo quando Caesar enfiou de volta num movimento longo. Seu canal já havia se apertado o suficiente para tornar a penetração um desafio. Caesar soltou um suspiro satisfeito quando chegou até o fim.
— Não importa quantas vezes a gente faça isso — ele sussurrou, curvando-se para que seus lábios roçassem a orelha de Won —, seu buraco está sempre pronto para mim.
E Caesar começou a enfiar. Seu peito estava colado nas costas de Won, cobrindo-o com seu corpo, seus antebraços apoiados à frente dos de Won; mas seus quadris eram a única coisa que se movia, penetrando Won em enfiadas longas e profundas que o deixavam ofegante e querendo mais.
“Realmente, ele não sabia por que as coisas entre ele e Caesar eram assim.”
Seria assim com qualquer um? Nunca tendo dormido com outro homem, ele não tinha ideia se ele e Caesar eram extremamente compatíveis na cama, ou se Caesar era secretamente algum tipo de deus sexo incubo obcecado por sua bunda.
Claro, ele não ia questionar Caesar diretamente. Seu instinto de autopreservação era forte o suficiente para saber que isso seria entrar em território perigoso. Em vez disso, tentou uma abordagem indireta.
— Você simplesmente gosta muito de sexo…
Uma mordidinha na concha da sua orelha o fez calar – como se Caesar soubesse que ele estava prestes a sugerir que talvez fosse aceitável dormir com outras pessoas. Os dentes permaneceram em sua orelha; não o suficiente para doer, mas o bastante para proporcionar uma pequena dose de prazer doloroso enquanto Caesar restringia qualquer outro estímulo além do movimento constante de seu pau.
A lentidão da retirada e a pressão torturantemente lenta ao entrar estavam começando a afetar Won. Ele estava tão cheio e Caesar o atingia tão fundo; mordeu o lábio para não gemer alto demais, mas começou a contrair e relaxar no ritmo das enfiadas de Caesar porque ele queria – precisava – de mais, precisava sentir cada centímetro de Caesar em sua barriga.
Isso arrancou um suspiro abrupto de Caesar; ele começou a espalhar beijos pela nuca e ombros de Won, mas seu ritmo nem vacilou nem aumentou – o movimento lento de seus quadris permaneceu exatamente o mesmo, para o desespero de Won. Ele sentia seu cérebro derreter porque era tão bom, mas não era o suficiente. Seu orgasmo estava tentadoramente perto. Só mais um pouco–
A necessidade de gozar superando qualquer pensamento racional, a mão de Won esticou para trás por vontade própria, os dedos afundando na carne da bunda de Caesar e puxando-o para frente na tentativa de fazê-lo se mover.
Uma risada baixa em seu ouvido – e de repente os braços de Caesar estavam envolvendo o peito de Won, seu peso recuando para os joelhos; e os antebraços de Won os mantinham ambos inclinados para cima enquanto Caesar se agarrava a ele tão forte que Won não sabia onde ele terminava e Caesar começava; e não importava porque Caesar estava agora socando dentro dele, os sons obscenos de pele batendo ecoando rapidamente enquanto Caesar entrava em Won repetidamente.
Won gemeu e arqueou, seus joelhos escorregando para fora da posição enquanto empurrava os quadris para trás para encontrar cada enfiada, então ele estava se esfregando no colchão pela força da penetração de Caesar, seu pau finalmente recebendo algum atrito, e ele podia sentir o quanto estava molhado, pingando de porra e lubrificação, mas não sabia se ele tinha gozado ou se Caesar tinha; mas a imagem da porra de Caesar jorrando de seu buraco a cada movimento brusco de seus quadris o fez apertar tão forte que Caesar soltou um grito gutural e Won pôde sentir Caesar enchendo-o de porra mesmo enquanto seu ritmo se tornava frenético; e agora Won realmente podia sentir grossos fios de porra jorrando de seu buraco, cobrindo sua entrada e suas nádegas, misturando-se com o líquido anterior para criar uma espuma pegajosa de devassidão.
Sabendo que Won não tinha força para se mover agora, Caesar soltou-se do buraco de Won, apenas um momento para apreciar como ele ficou aberto e gorgolejante antes de agarrar a perna de Won e se deitar de lado, virando Won para encará-lo e puxando a perna de Won para cima para que pudesse entrar novamente.
Ofegante de exaustão e super estimulação, Won encarou os olhos de Caesar enquanto seu volume enorme o preenchia mais uma vez, fazendo mais porra vazar pela sua entrada.
Caesar estava sorrindo, mas o brilho sádico em seus olhos enquanto ele abria Won o fez estremecer.
Ele queria pedir uma pausa, mas seus pedidos de descanso morreram em sua garganta. Então Caesar chupou seu lábio inferior, enfiou sua língua dentro para capturar a resistência de Won – puxou até que apenas a cabeça bulbosa permanecesse alongando sua entrada ao limite, então entrou novamente com força e estabeleceu um ritmo punitivo.
Para Caesar, eles estavam apenas começando.
✦ ✦ ✦
Ele estava… vivo?
Won encarava o vazio com olhos sem foco, todo seu corpo entorpecido. Talvez estivesse morto. Estaria respirando? Não conseguia dizer. Formar pensamentos coerentes era um esforço. Tudo que sabia era o sêmen de Caesar. Ainda podia sentir o peso dele em seu estômago, a textura pegajosa cobrindo sua parte inferior em uma camada espessa, a sensação de aperto no resto da pele onde havia secado e descamado. Não sabia que dia era ou quanto tempo havia passado. Dias talvez, quem sabe um mês mas passara tudo na cama de Caesar.
˜Sexo com Caesar era sempre… intenso, mas dessa vez fora excepcionalmente severo, mesmo para os padrões dele.˜ Won sabia o porquê, é claro, mas isso não tornava as coisas mais fáceis. Caesar estava furioso por ele ter rejeitado seu pedido.
Pedido. Se Won tivesse forças, teria dado uma risada de escárnio. Contentou-se com um bufado silencioso em sua mente. Casamento entre pessoas do mesmo sexo já era legal em vários países, se Caesar realmente quisesse se casar, poderiam ir a um desses lugares e oficializar a união. Mas algo em Won se rebelava contra a ideia. Por que ele teria que viajar para outro país? Por que precisavam se casar de qualquer maneira?
Apesar das tentativas (agressivas) de Caesar de convencê-lo do contrário, Won estava perfeitamente satisfeito com sua vida como estava e não via razão para mudanças. Muitos casais heterossexuais viviam bem sem se casar. Além disso, mesmo ignorando o fato de serem um casal gay, o matrimônio trazia uma série de problemas que Won não queria enfrentar.
O principal sendo que Caesar era um mafioso e levemente desequilibrado.
Amar-se a um homem que poderia surtar a qualquer momento seria insensato nas melhores circunstâncias e estas não eram as melhores circunstâncias. Ele não faria isso. Recusava-se categoricamente.
Mas não podia dizer isso a Caesar. Não estava disposto a cutucar esse vespeiro, nem com a maior vara que encontrasse.
Percebeu que sua respiração estava ficando pesada demais para parecer convincente. Forçou seus pulmões a voltarem a um ritmo normal, mas Caesar parecia ter percebido que ele estava consciente.
— Acordado, hmm?
O sussurro veio bem ao lado de seu ouvido. Caesar tinha um braço sobre ele, mantendo-o encaixado contra seu peito. Sabendo que Caesar começaria a fode-lo novamente se respondesse, Won continuou a fingir que dormia, grato por pelo menos não estar de frente para ele.
De alguma forma, Caesar ainda parecia saber que ele não estava mais dormindo. Dedos longos deslizaram sobre seu peito, seu abdômen. Havia sêmen respingado ali, recente o suficiente para ainda estar quente. Caesar passou as pontas dos dedos pelo líquido, espalhando-o pelo torso de Won, esfregando-o em sua pele como um animal marcando território.
— Eu sempre estarei esperando, Won — Caesar murmurou, mordiscando seu lóbulo auricular – por você assumir seu lugar ao meu lado.
Won não conseguiu suprimir o calafrio que o percorreu; mas, mesmo com Caesar declarando suas intenções tão abertamente, ele não daria a resposta que queria – então permaneceu em silêncio, mantendo a respiração estável, deixando seus olhos se fecharem novamente.
O silêncio se estendeu entre eles por alguns momentos até que Caesar enfiou seu pau novamente no buraco dolorido de Won.
Won se contorceu e engoliu um grito rouco diante da intrusão.
— Oh querido — Caesar disse com voz arrastada — acordei você? Acho que podemos fazer mais algumas rodadas, já que está acordado.
˜Algumas?!?˜ Won empalideceu, mas não havia nada que pudesse fazer quando Caesar rolou sobre ele, abriu suas pernas e começou a socar, como se quisesse marcar sua forma nas entranhas de Won – como se continuasse para sempre até conseguir o que queria, esperando por uma caneta tinteiro que nunca chegaria.
Won se sentia como a morte.
O vazio havia retornado a seus olhos. Estava pálido, oco; uma casca sentada à mesa.
Ele encarava o nada, tentando aceitar que haviam se passado apenas quatro dias. Poderiam ter sido quarenta, pelo esgotamento que sentia. Só acreditava no prazo porque seu telefone, a TV e um calendário de parede concordavam com a data.
Longe de ser a primeira vez que Won saía de uma das maratonas sexuais de Caesar sentindo-se sugado até a medula, apenas uma concha vazia do que era antes e toda vez tinha o mesmo pensamento:
Sobrevivera hoje; mas, em breve, não teria tanta sorte.
Um bife esperava no prato à sua frente, seu aroma tentador pairando no ar mas não tinha qualquer apelo para ele. Não queria comer. Era possível, Won considerou, que pudesse ter se poupado sendo um pouco mais receptivo à proposta de Caesar. Mas não havia como ter certeza.
De qualquer forma, ele não era de ceder aos caprichos alheios, nem mesmo aos de Caesar. A ideia de fingir-se emocionado com o pedido de casamento fez seu nariz se enrugar de nojo. Não, ele nunca seria esse tipo de pessoa, mas isso significava que sua resposta era mudar de assunto e fingir ignorância sempre que o tema surgia. Não que isso tivesse dado muito certo para ele.
Um traço de sarcasmo surgiu no fundo de sua mente, mas permaneceu distante, remoto em sua frágil consciência. Quando foi a última vez que Caesar o levara para algum tipo de punição? Datas e números flutuaram em seu pensamento, levando um tempo para se materializarem por completo. Normalmente, estaria em casa ou visitando seu pai nessa época, concluiu. Caesar o havia isolado muito mais cedo que o habitual.
Toda vez que saía de uma dessas sessões com Caesar, Won sentia que havia perdido uns dez quilos. Pior, Won já era bastante magro para começo de conversa. Sem gordura extra para perder, parecia estar perdendo massa muscular em seu lugar.
Ele suspirou. Estava tão cansado… tão perto de seus limites que nada mais parecia atraente. Seu bife estava ali, proteína sólida para ajudá-lo a recuperar suas forças – mas Won apenas o encarava. Não se importava.
— Algum problema?
Won olhou para cima e encontrou Caesar em um roupão, o peito nu à mostra devido ao nó frouxo, servindo café para Won.
Talvez fosse o jeito desalinhado de seu cabelo, ou o sorriso satisfeito em seu rosto, mas Caesar parecia diferente de alguma forma. Won encarou os fios soltos de loiro branco que caíam sobre a testa de Caesar. Seus dedos se contraíram; ele queria empurrar o cabelo para trás, sentir o quão macio era, mas rapidamente descartou a ideia. Mal conseguia se mover, muito menos levantar o braço o suficiente para alcançar a sobrancelha de Caesar. Era um milagre ele estar vivo e respirando, sinceramente.
Ele suspirou, fechando os olhos. Quanto mais ele aguentaria isso?
Caesar parecia alheio à distração de Won. Terminou de servir o café, mexeu em seu cabelo, plantando um beijo suave no topo da cabeça e então ocupou seu lugar no assento oposto, tudo com aquele sorriso afetuoso no rosto.
Enquanto observava Caesar servir seu próprio café, Won ficou preso na ideia de que sua sobrevivência pendia por um fio muito solto que rapidamente se desgastava. Caesar tinha que saber, Certo? Que Won estava à beira de um colapso.
— Eu me certifiquei de deixar bem malpassado. Do jeito que você gosta.
Won saiu do seu transe, percebendo que Caesar estava tirando sarro dele e, portanto, muito provavelmente, não sabia. De modo geral, Caesar fazia suas refeições serem preparadas pelo chef estrela Michelin que mantinha em seu emprego, mas em dias como hoje, ele preferia cozinhar para os dois. Claro, isso criava uma oportunidade para trazer à tona o Incidente do Sanduíche. Caesar poderia ter sido educado e não mencionado, mas então não poderia lembrar Won de uma das experiências mais vergonhosas de sua vida. E eles não poderiam ter isso, não é?
Não, certamente não poderiam, Won resmungou para si mesmo, encarando seu bife. Estava perfeitamente selado, tão malpassado que era capaz de começar a mugir. As habilidades culinárias de Caesar não eram novidade; mas suas brincadeiras também não. Ele parecia gostar de provocar Won tanto quanto gostava de cozinhar. Ainda assim, isso o irritava toda vez.
Pelo menos Won comia bem quando estava lá. Em casa, comer era mais uma tarefa do que qualquer outra coisa, uma necessidade para adquirir nutrientes, nada mais. Suas refeições eram espartanas, sanduíches secos com frango, kasha, peixe enlatado. Seria risível até tentar comparar com a comida luxuosa que lhe serviam na casa de Caesar.
Não que fizesse muita diferença quando ele queimava tudo em maratonas sexuais de dias.
Talvez Caesar estivesse apenas engordando-o com o propósito expresso de transá-lo até afundar o colchão regularmente. Won considerou essa possibilidade enquanto pegava seu café. Suas mãos tremiam tanto, porém, que desistiu para não se humilhar.
˜Quando as coisas haviam ficado tão ruins?˜
Não eram apenas suas mãos. Apesar de ter provavelmente a almofada mais fofa de toda a casa de Caesar sob suas nádegas e suas pernas abertas o máximo que conseguia em seu assento atual, ele continuava dolorido e desconfortável, suas regiões íntimas latejando com calor espinhoso mesmo quando não se mexia.
Pior era seu ânus. Os músculos haviam sido esticados ao limite e forçados a permanecer lá por quatro dias; era impossível fechá-lo no momento. E, embora sua bunda sempre ficasse um pouco frouxa depois de dormir com Caesar, Won geralmente conseguia controlar seus esfíncteres até certo ponto. Agora, ele sentia o fluxo constante de umidade vazando de suas costas, e não havia nada que pudesse fazer.
Mesmo se tentasse contrair, sabia que a abertura permanecia em sua borda inchada e abusada.
Então ele ficou sentado, com a bunda vazando o sêmen de Caesar mesmo depois de se limpar, porque Caesar havia gozado tanto dentro dele que seus intestinos agora eram feitos de sêmen, aparentemente.
Won precisou conter um suspiro. Ele já sabia o que estava incomodando Caesar, então não adiantava ruminar sobre isso. A questão mais urgente era o modo como Caesar o observava do outro lado da mesa. Para olhos despreparados, poderia parecer que Caesar estava preocupado com a saúde de Won e queria garantir que ele comesse o suficiente. Claro, Won sabia melhor. Caesar o observava como um falcão para arrastá-lo de volta para a cama no momento em que seu prato estivesse limpo.
Won estava tão… cansado.
O que ele precisava era ganhar algum tempo — estava quase sem assuntos banais para distrair Caesar de falar sobre casamento, e seu corpo estava em extrema necessidade de uma pausa. Apesar de sua exaustão, Won forçou seu cérebro a trabalhar. Ele sentia que estava à beira de um precipício, e se não fizesse algo, cairia em sua ruína.
Pelo menos, ele raciocinou consigo mesmo, Caesar normalmente não era assim. O homem podia ser agressivo na cama, sim, mas fora dela, era bastante carinhoso.
˜Carinhoso…?˜
Won precisou pensar nisso por um segundo, a palavra soando estranha em relação a Caesar. Mas, não, carinhoso era correto. Talvez não para os outros, mas Caesar era bastante atencioso com ele. Won tinha certeza de que ninguém acreditaria se ele dissesse que Caesar fazia refeições inteiras para ele com as próprias mãos, depois o carregava em seus braços até o quarto. Droga, o próprio Won mal acreditava, e ele vivenciava isso em primeira mão.
Desde que ele não fizesse nada para irritar Caesar, as coisas eram bem boas.
˜Hmm. Irritá-lo…˜
— Ei, quer sair para algum lugar?
Caesar parou com o garfo pairando sobre a língua e inclinou a cabeça em questionamento. Sob o escrutínio daqueles olhos cinzentos aguçados demais para seu gosto, Won ocupou-se em tomar aquele gole de café que queria sem derramar nada, o que era muito difícil, se alguém perguntasse e fez o possível para parecer desinteressado.
— A gente passou muito tempo na cama, só isso — ele encolheu os ombros. — Podíamos ir ver um filme, ou uma peça de teatro. Visitar um museu. Ou talvez o balé? Você gosta disso, né?
˜Qualquer lugar sem uma cama, pelo amor de tudo que é sagrado, por favor. ˜
Won estampou um sorrisinho no rosto, mas seus olhos piscaram para o café. Era só uma xícara, pelo amor de Deus; pegá-la não devia ser mais difícil que arrancar Excalibur da pedra.
— Um filme?
— Claro, sim — Won confirmou rápido. Caesar parecia receptivo, e ele ia aproveitar. — Aquele filme do agente secreto maneiro acabou de sair.
— Então você é fã de filmes de Hollywood? — Caesar arqueou uma sobrancelha, incrédulo.
— Nah — Won respondeu sem pensar muito, e Caesar voltou a cortar seu bife. — Eu só gosto do ator.
Um silêncio antinatural pairou quando a faca na mão de Caesar congelou. Quando Won olhou para cima, Caesar estava encarando-o, sem vestígios do sorriso afável.
— Q-quer dizer… ele é um ótimo ator — Won se apressou em amenizar a situação. — E ele parece bem gente boa — imagem muito limpa — importante, sabe? E os filmes dele geralmente são bons. Ele é inteligente com os papéis que escolhe. Gostei de tudo que ele fez até agora. Ah, e o interesse romântico é muito bonito. Nessa série, digo. Quero dizer… as atrizes são sempre bonitas, mas ela é ótima…
Won sentia o buraco que estava cavando ficar mais fundo a cada segundo. Desesperado para estancar o fluxo de bobagens, ele varreu os olhos pela mesa e encontrou— — Manteiga? — ele exclamou, um pouco sem fôlego, agarrando o pote de manteiga e empurrando-o na direção de Caesar.
Os olhos de Caesar desceram e subiram de novo. Ele não parecia divertido.
Agarrando um pãozinho da cesta, Won jogou-o no prato de Caesar, gesticulando para que ele comesse. Sabia que parecia um pouco louco enquanto pegava a faca e o garfo da mesa, mas continuou, cortando o bife com determinação.
— E você? — perguntou, ainda com um tom levemente maníaco. — Não tem nada que queira ver? Filmes, peças?
Caesar cortou o pão ao meio. — Com ou sem um ator de quem você gosta?
Won forçou-se a não ficar tenso. Caesar, é claro, não sabia deixar as coisas como estavam. Roendo o interior do lábio, Won observou Caesar sob as pestanas, decidindo a melhor abordagem para navegar naquele campo minado. Por fim, optou por:
— Você não tem preferências?
— Na verdade, não — Caesar arrastou as palavras enquanto terminava de passar manteiga em um lado do pão e começava no outro. — Não me importo muito com quem eu transo.
Won poderia ter zombado da menção imediata a sexo, mas sabia que, para Caesar, só existiam duas categorias de pessoas: as que ele fode e as que ele matava.
Então não ia perder tempo corrigindo as suposições de Caesar sobre sua pergunta. Especialmente quando ele estava dizendo o que Won achava que estava dizendo.
— Sério?! Você não se importa? Então você não precisa transar só comigo?!
— Dmitri é quem escolhe quais garotas me manda — Caesar disse.
Os ombros de Won caíram um pouco. — Na verdade, pouco me importa, desde que tenha um buraco para usar.
Como, por favor, Caesar conseguia dizer algo tão grosseiro e ainda soar como um babaca pretensioso? Won olhou para Caesar por um longo momento, fixando-se em seus lábios tão carnudos, mas tão vulgares, depois sacudiu-se e voltou a cortar o bife.
Se não soubesse melhor, Won nunca adivinharia que Caesar era um mafioso. Enfiando um garfado de carne na boca, refletiu sobre como as aparências enganam.
Ostensivamente, Dmitri era charmoso; um conquistador galante que administrava um clube exclusivo para membros, mas, na realidade, era só um cafetão enrustido com um terno bonito.
Durante o tempo em que Won pensou que Caesar estava morto, ele descobriu mais do que jamais quis saber sobre Dmitri, e o que acontecia no clube estava longe de ser limpo. Além de negócios obscuros, o lugar era absurdamente caro, com os melhores licores e canapés para os políticos ricos e mafiosos que compunham sua clientela.
E as melhores mulheres, Won lembrou a si mesmo. O lugar era famoso por empregar só o melhor entretenimento. Conhecendo Dmitri e como ele venerava o chão que Caesar pisava, não tinha como ele não selecionar a dedo qualquer mulher que pudesse chegar perto de seu primo precioso, permitindo só a nata da nata.
Involuntariamente, a mente de Won conjurou imagens de Caesar sendo atendido por um bando de acompanhantes russas esculpidas com corpos perfeitos.
Won franziu o nariz e engoliu o bife sem mastigar direito.
— Enfim, a gente devia fazer algo, que não seja sexo — ele acrescentou, para deixar claro.
Caesar deu de ombros, indolente. — E o que você sugere?
Aqui, Won hesitou. Na real, ele não tinha nada específico em mente, então emitiu um som evasivo e tentou pensar. Caesar estava olhando para ele, no entanto, e isso era perturbador. Ele parecia uma galinha choca vigiando um pintinho que considerava um tanto lerdo e temia que fosse bater numa parede ou cair de um penhasco.
E, de repente, Won ficou furioso. Como ele ousava parecer tão maternal. Tão… preocupado? Ele era um chefão da máfia! Mantinha pessoas sob a mira de uma arma e fazia buracos nelas.
Qualquer sentimento caloroso que Won tivesse sobre os mimos de Caesar evaporou. Tudo o que Caesar o fez passar, cada coisinha, passou diante de seus olhos. Era como se uma caixa de Pandora de memórias reprimidas tivesse se aberto dentro dele, e sua mente estava sobrecarregada.
Caesar com um livro de receitas mais caro que um código penal; Caesar batendo nele na cabeça com uma rosa; Caesar destruindo sua scooter e depois fingindo que não tinha nada a ver com isso; Caesar de pé sobre ele enquanto sangue jorrava de onde uma bala rasgara seu estômago… Caesar mantendo-o na cama por dias e fodendo-o até não aguentar mais… ˜Filho da puta.˜
Todo o ressentimento, a raiva e a mágoa voltaram aos olhos de Won, que estavam perdidos no nada, fixaram-se diretamente em Caesar.
— Vamos jogar um jogo.
A expressão perplexa no rosto de Caesar foi altamente satisfatória, Won pensou.
— O quê? — Caesar perguntou após alguns segundos de silêncio.
— Um jogo. Você e eu. O último de pé ganha.
Os olhos de Caesar percorreram o rosto de Won. — Você quer jogar um jogo de sobrevivência… contra mim?
— Isso.
Algo na expressão de Won fez Caesar ficar quieto, e o fogo nos olhos de Won diminuiu um pouco. Que seu desafio não fosse imediatamente aceito doeu um pouco.
Ele estava prestes a argumentar quando Caesar disse:
— Tá.
Antes que Won pudesse ficar muito animado, porém, Caesar acrescentou: — Quando eu ganhar, o que você vai me dar?
Won inspirou fundo e estudou o homem à sua frente. Caesar sempre tinha que ter sua libra de carne, não é? Nada era feito sem um preço. Ainda assim, Won percebeu que havia descido em segurança do precipício onde estava e ficou aliviado. O que Caesar queria como prêmio era óbvio, mas ele já havia superado o maior obstáculo.
— O que você gostaria? — Won perguntou, por fim.
˜Pronto, deixa o Caesar dizer, se é isso que ele quer.˜ Ele não ia facilitar. Assim, poderia ter a satisfação de dizer não na cara dele.
Won quase contava com isso, preparando-se para o grande momento, quando a resposta de Caesar veio completamente inesperada.
— Acho que é bom fazer exercício de vez em quando.
˜Espera… ele não vai pedir nada?˜ Com o tapete puxado debaixo dele, Won sentiu uma pontada de decepção por não ter sua vindicação, mas a sensação de alívio foi maior. Por enquanto, ele não precisava se preocupar, porque Caesar estava disposto a jogar só pelo esporte. Nada em jogo.
Satisfeito, Won voltou ao bife, mas seus olhos não saíram de Caesar. Dessa vez, vai ser você com os buracos de bala na barriga, camarada.
Do outro lado da mesa, o sorriso maníaco nos lábios de Won arrancou um olhar prolongado e intrigado de Caesar.
✦ ✦ ✦
Continua na parte 2…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna
Ler Roses and Champagne Yaoi Mangá Online
Ler o Manhwa Roses and Champagne Completo em Português Grátis Em um mundo de alto risco, Lee Won, um advogado lutando para sobreviver, se vê enredado em uma teia de intriga e perigo. Quando ele cruza o caminho de Caesar, um formidável chefe da máfia, descobre uma conexão oculta entre o Conselheiro Municipal Zdanov e o crime organizado. À medida que Lee Won se aprofunda no caso, desvenda uma conspiração sinistra que ameaça despedaçar o frágil equilíbrio da cidade. Preso entre a lei e o submundo, ele deve navegar por um jogo mortal de poder, decepção e desejos proibidos. A cada passo, o mundo de Lee Won se entrelaça com o de Caesar, enquanto ambos enfrentam seus próprios motivos ocultos e tentações proibidas. Em meio a noites regadas a champanhe e o aroma de rosas em flor, uma atração perigosa surge entre eles. À medida que os riscos aumentam e o perigo se intensifica, Lee Won deve escolher entre seus princípios e o fascínio do proibido. Em um mundo onde lealdade e traição se confrontam, ele precisa encontrar uma maneira de expor a verdade e proteger a si mesmo e aqueles que ama. Nesta envolvente história de amor, traição e a intoxicante luta pelo poder, Roses and Champagne explora a intricada dança entre desejo, dever e a frágil linha entre o bem e o mal.
Nome alternativo: Rosas Y Champagne Rosas E Champanhe Roses