Ler Lamba-me se puder – Capítulo 203 Online

— Ash!
De repente, Ashley empalideceu e começou a vomitar violentamente. Em poucos segundos, caiu de joelhos, curvando o corpo enquanto era tomado por ânsias. Ao vê-lo assim, Koy gritou, assustado, e correu até ele.
— Ash, o que houve? Fique consciente, Ash!
Por mais que chamasse seu nome repetidamente, as convulsões de Ashley só pioraram. Logo ele começou a ter dificuldade para respirar.
Koy, pálido, olhou desesperadamente ao redor, mas só ficou ainda mais desorientado.
Ele sumiu…
Por mais que procurasse, era a mesma coisa.
A pessoa que ele procurava não estava em lugar nenhum.
Angel havia desaparecido.
Quase em pânico, Koy finalmente entendeu. Enquanto estava distraído com Ashley, Angel simplesmente sumira. Agora, restavam apenas três pessoas ali: ele, Ashley e o homem que havia trazido Angel, que estava completamente inconsciente no chão.
Vendo Ashley lutar para respirar, Koy se levantou apressado para ligar para a recepção — mas, no momento em que se ergueu, Ashley o segurou.
Surpreso, Koy olhou para baixo.
Ashley engoliu com esforço a náusea que subia e conseguiu falar, com dificuldade:
— Te… le… fo…
— Hã?
Sem entender direito as palavras entrecortadas, Koy inclinou-se apressadamente para ouvir, e Ashley, entre respirações ofegantes, conseguiu murmurar:
— Meu… ce… lu… lar… em… cima… da… mesa.
Com o pouco de força que tinha, ele levantou a mão e apontou.
Koy seguiu a direção indicada e logo viu o celular. Correu até lá, pegou-o quase arrancando da mesa e voltou rapidamente, estendendo-o para Ashley.
— A-aqui.
Ofegante, Ashley desbloqueou a tela. Depois de pressionar alguns botões, uma corrente de ar fresco começou a circular, acompanhada de um leve zumbido mecânico.
O sistema de ventilação instalado por toda a casa foi ativado de uma só vez. Mesmo assim, Ashley continuava a ter ânsias de vômito. Já não havia mais nada para sair, mas ele ainda cuspia saliva misturada com ácido do estômago.
Sem saber o que fazer, Koy correu até a cozinha, encheu um copo com água e voltou apressado, mas, nesse intervalo, Ashley — que continuava curvado no chão — já havia perdido a consciência.
— Ash!
Koy o puxou para si rapidamente, tentando fazê-lo beber água. Mas, por mais que inclinasse o copo, a água apenas escorria pelo canto da boca, sem descer pela garganta.
Chamou seu nome repetidas vezes, sacudindo-o — mas não houve reação.
Sentindo o coração despencar no peito, Koy estava prestes a entrar em desespero quando uma voz surgiu do celular.
— …Senhor? Está me ouvindo? Senhor Miller?
Com a voz insistindo do outro lado da linha, Koy pegou o telefone às pressas e respondeu:
— E-eu… o Ash perdeu a consciência… O que eu devo fazer?
A pessoa do outro lado hesitou por um instante antes de perguntar:
— O que aconteceu? Explique brevemente.
Koy ficou em silêncio por um momento, hesitando, mas acabou contando. Reduziu ao mínimo possível a parte sobre Angel e disse apenas que, depois de sentir o cheiro de um ômega dominante, Ashley tinha ficado naquele estado.
Ela respondeu imediatamente:
— Chegarei aí em breve. Não é necessário chamar uma ambulância.
Sem perguntar quem era Koy, nem se apresentar, ela simplesmente encerrou a ligação. Koy ficou confuso, mas, como Ashley quem tinha ligado para aquela pessoa primeiro, não teve escolha a não ser confiar e esperar.
Como ela havia dito, não demorou muito para aparecerem. Foi então que Koy descobriu quem era a pessoa com quem tinha falado.
No instante em que a viu, todo o sangue desapareceu de seu rosto e seu corpo inteiro congelou. Ela estava bem mais velha do que naquela época, mas ainda assim Koy a reconheceu imediatamente.
〈Será que, na verdade, você não gosta do Ashley Miller?〉
Era a secretária do pai de Ashley.
***
Assim que saíram do elevador, várias pessoas invadiram a sala de estar e cercaram Ashley sem dizer uma palavra.
Koy, sem tempo para reagir, foi empurrado para longe. Tentou empurrá-los e se aproximar de Ashley novamente, mas alguém o segurou. Assustado, ele se virou e, como esperado, era ela segurando seu ombro.
— Me… me solta.
Koy, reflexivamente tomado pelo medo, conseguiu forçar a voz a sair. Mas ela, ainda com uma expressão inexpressiva, disse:
— De qualquer forma, não há nada que você possa fazer. Nem naquela época, nem agora.
Assim como antes, ela atingiu Koy onde mais doía.
— Você continua sendo inútil, não é? Mesmo estando aqui, o Júnior ficou nesse estado.
Isso era tão verdade que Koy não conseguiu rebater. Sentimentos de injustiça por si só não podiam mudar nada. Mas isso não significava que ele recuaria.
— O Ash precisa de mim.
— Não, o que o Júnior precisa é de uma equipe médica e de funcionários para cuidar do que aconteceu. Justamente aquelas pessoas ali.
A secretária lançou um olhar breve na direção deles e voltou a encarar Koy.
— Não acha que ajudaria mais se você simplesmente saísse do caminho?
Koy não tinha mais argumentos. A secretária, que olhava para ele mordendo os lábios, tirou a mão de seu ombro. Quando ela estava prestes a passar por ele, Koy perguntou:
— Por que o Ash ficou assim de repente? Pelo menos isso você pode me dizer, não pode?
Em sua voz havia mais desespero do que raiva. A mulher virou a cabeça para olhá-lo, e Koy continuou rapidamente:
— O Ash é um alfa. Não faz sentido ele ter uma reação dessas ao feromônio de um ômega. Não é assim que funciona…? Quando um ômega ou um alfa sente o feromônio um do outro, eles não ficam… excitados? Então por que o Ash está assim?
Ele se constrangeu um pouco ao mencionar a palavra embaraçosa, e ela ficou parada, olhando para ele em silêncio. Koy ficou ansioso, sem conseguir adivinhar o que ela estava pensando. De repente, ela ergueu a mão e Koy recuou instintivamente, mas ela apenas estendeu a mão e, inesperadamente, acariciou sua bochecha. Surpreso, Koy congelou, e ela, com uma voz surpreendentemente suave, disse:
— Você se tornou um homem notável, Connor Niles.
A situação era tão inesperada que Koy apenas piscou, incapaz de reagir. Ela, então, estreitou levemente os olhos e murmurou, quase como se falasse consigo mesma:
— Antes você nem ousava me olhar nos olhos. Que admirável.
Só então Koy percebeu que ela estava zombando dele. Ele balançou a cabeça e afastou a mão dela.
— Por favor, responda à minha pergunta primeiro. O que aconteceu com o Ash? Por que ele reage de forma tão estranha ao feromônio de um ômega?
O tom de sua voz havia se tornado mais afiado.
A secretária ergueu as sobrancelhas, fingindo surpresa. Em seguida, recolheu a mão que ainda estava suspensa no ar e passou a mão pelo próprio cabelo curto, jogando-o para trás do ombro.
— Se fosse um alfa comum, sim… ele não teria uma reação tão repulsiva ao feromônio de um ômega. Mesmo alfas dominantes não deveriam ser diferentes.
— …Então é porque era o feromônio de um ômega dominante?
— Não.
A secretária cortou a suposição cautelosa de Koy sem hesitar.
— O Júnior reage assim ao cheiro de qualquer ômega. Ele simplesmente não consegue suportar. Um alfa que tem convulsões por causa de feromônios de ômega… parece absurdo, mas é a verdade.
Embora entendesse perfeitamente suas palavras, Koy não conseguia compreender. Por quê? Por que isso só acontece com o Ash?
— O que aconteceu com o Ash?
A voz de Koy tremia. A secretária ficou em silêncio por um instante, como se estivesse pensando, e então respondeu:
— Isso você deve ouvir diretamente do próprio Júnior. Não acho que seja algo que eu deva contar.
— Ei, Espere!
Koy a chamou apressadamente quando ela se virou para sair. A secretária parou e se virou, e Koy hesitou antes de falar:
— Quando o Ash acordar, se o cheiro de feromônio ainda estiver por perto… ele vai reagir assim de novo?
Diante da pergunta sem confiança, a secretária respondeu com o rosto completamente inexpressivo:
— Provavelmente. Isso sempre acontece quando ele sente o cheiro de um ômega
Ela estava prestes a se virar e ir embora quando, de repente, parou.
— Ah… e não é “ei”. Meu nome é Bernice. Senhorita Bernice.
Depois de se apresentar, ela prontamente se afastou e se juntou às pessoas que estavam prestando os primeiros socorros. Koy, deixado para trás, ficou parado, atordoado, apenas observando-os.
***
O Ash tem uma reação de rejeição ao cheiro de um ômega…
Koy caminhava pela rua, perdido em pensamentos. No meio da agitação, não havia nada que ele pudesse fazer. Na verdade, ele só acabaria sendo um estorvo. Sem escolha, deixou apenas o recado de que queria ser avisado quando Ashley acordasse e foi embora. A situação repentina deixara sua cabeça completamente confusa. Quando percebeu, já tinha caminhado por bastante tempo.
Então foi por isso que o Ash disse que era melhor eu ser beta…?
Mas então… como ele vinha liberando os feromônios todo esse tempo?
Será que até agora todos os parceiros dele eram betas?
Eu realmente não tô entendendo nada…
Só lhe restava perguntar diretamente a Ashley quando ele acordasse. Mas ainda havia algo o preocupando.
E se o que Angel disse for verdade…
De repente, um calafrio percorreu sua espinha.
Se eu realmente for um ômega… então eu posso acabar prejudicando o Ash.
Naquele momento, seu coração apertou no peito
Talvez… eu não possa mais ficar ao lado do Ash…
No momento em que pensou nisso, uma onda de calor surgiu de dentro de seu corpo. Koy parou onde estava e começou a respirar com dificuldade. O sangue corria intensamente por todo o seu corpo, e o pulso disparou. Uma tontura o atingiu, sua respiração ficou ofegante, e uma excitação intensa transbordou da ponta dos pés à cabeça.
Ele já tinha sentido algo assim antes. Naquela vez em que ficou sozinho, febril por vários dias — quando pensou que era apenas uma gripe estranha. A mesma sensação estava voltando agora.
〈Quando o ciclo de cio chegar, você vai saber.〉
Naquele momento, as palavras de Angel lhe vieram à mente, e sua visão ficou branca.
°
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can