Ler Lamba-me se puder – Capítulo 201 Online


Modo Claro

‘Calma. Ainda não é nada certo’.

De volta para casa, agora sozinho, Koy sentou-se na cama e tentou organizar os pensamentos com a cabeça um pouco mais fria. As palavras de Angel eram tão irreais. Não era fácil acreditar em tudo aquilo.

‘E se ele simplesmente for alguém estranho da cabeça…’?

O pensamento surgiu de repente, e Koy balançou cabeça rapidamente, como se estivesse pedindo desculpas a Angel.

‘Se ele soubesse que eu pensei isso… ficaria ofendido’.

Ao lembrar-se da confiança inexplicável e da familiaridade que sentira perto dele, Koy mergulhou outra vez em seus próprios pensamentos.

E se… só se…

Se eu realmente for um ômega…

E se aquilo tiver sido a manifestação…

Será que não há uma boa chance de eu já ter liberado feromônios sem saber?

Com cautela, deixou a imaginação seguir adiante. Se fosse esse o caso, Ashley também teria descoberto que Koy era um ômega.

Mas, então… por que nunca disse nada?

Ou será que Ashley também não percebeu? Porque Koy havia escondido os feromônios?

〈Mesmo sem perceber, você pode instintivamente esconder os feromônios.〉

Se fosse assim, era natural que ninguém tivesse notado.

‘Se eu realmente for um ômega dominante…’

Embora estivesse atordoado, não havia falhas no argumento de Angel. Era a única explicação que se encaixava com tudo o que havia acontecido.

‘Se eu pudesse sentir cheiros… seria tão simples’.

Koy se ressentiu da própria incapacidade, mas nada ia mudar por causa disso. Depois de alguns minutos parado, tentando acalmar o turbilhão na mente, ele forçou os pensamentos para outra direção.

Se eu for um ômega… o que vai acontecer com Ash e comigo?

Até agora, acreditando ser beta, sempre existira uma distância inevitável entre eles. Por mais que tentasse, um beta sempre encontrava barreiras diante de um alfa ou de um ômega — e com Ashley não fora diferente; haviam se afastado diversas vezes.

Mas se eu for um ômega…

Ash também vai ficar tão surpreso e chocado quanto eu.

Por um instante, o medo surgiu, mas logo outra memória o interrompeu.

Ash disse que me ama.

Ficar sempre pensando negativamente é um mau hábito meu. Ashley disse tantas vezes que me ama, e eu ficar assim ansioso é quase como duvidar dos sentimentos dele.

Eu sei o quanto doeu quando duvidaram do meu amor… Não posso fazer o mesmo com Ash.

Repreendendo-se em silêncio, Koy tentou mudar o rumo dos seus pensamentos.

‘Talvez ele até fique feliz’.

Uma expectativa cautelosa começou a brotar em algum canto do seu coração. Até agora, o amor de Koy por Ashley sempre fora questionado por não ter manifestado nada. Mas, se agora fosse mesmo um ômega, ninguém poderia desmerecer seus sentimentos.

Para o Ash, deve ser muito melhor que eu seja um ômega do que um beta.

Pelo menos, quando o período de rut chegasse para ele, não precisaria procurar outra pessoa. Koy poderia estar ao lado dele.

Só de imaginar Ashley feliz, o peito de Koy pareceu prestes a explodir.

Calma. Primeiro eu preciso confirmar.

Ele respirou fundo, tentando se estabilizar.

Se Angel estivesse certo, seu cio viria em breve. Pensar em tudo aquilo antes da confirmação não ajudaria.

Quando tiver certeza, eu conto.

Confirmar a reação de Ashley poderia esperar até lá.

Mas… quanto tempo significava “em breve”?

Enquanto pensava, sem perceber seus olhos foram se fechando — e, quando deu por si, já estava dormindo.

 

***

 

De repente, sentiu uma presença e despertou. Ao abrir os olhos, percebeu que o ambiente já estava mergulhado na escuridão da noite. Ainda deitado, piscou algumas vezes e olhou ao redor, mas não havia ninguém no quarto.

Depois de hesitar por um instante, levantou-se da cama e saiu.

— Ash?

Ao atravessar a sala iluminada e seguir até a cozinha, encontrou, como imaginava, Ashley parado sozinho ali, encarando um ponto fixo como se estivesse absorto em pensamentos.

Diante dele, havia um copo de uísque pela metade.

Koy desviou o olhar do copo para o rosto dele — e só então Ashley também o encarou.

Quando seus olhares se encontraram, Ashley falou primeiro:

— Acordou?

O tom baixo fez Koy perceber que ele tinha passado pelo quarto enquanto ele dormia. A presença que sentira antes… era de Ashley.

Sentindo-se estranhamente culpado, Koy tomou a iniciativa:

— Você devia ter me acordado. Já jantou?

— Não se preocupe comigo. Se ainda está cansado, volte a dormir.

O tom de Ashley parecia o mesmo de sempre, mas Koy sentiu uma estranha dissonância.

— Não — respondeu com cuidado. — Eu já dormi bastante. Estou bem agora… Hum, se ainda não jantou, quer comer comigo? Posso pedir alguma coisa.

Ele se virou para ligar para a recepção, mas, naquele instante, Ashley voltou a falar:

— Ouvi dizer que você saiu hoje à tarde.

— Hã? Sim…

O porteiro deve ter contado. Koy respondeu, sentindo uma sensação estranha.

— Eu saí só para tomar um pouco de ar. Voltei rápido, mas estava muito cansado… Desculpa ter dormido antes de você chegar.

Se Ashley perguntasse sobre Angel… o que devo dizer?

Apesar de estar interiormente tenso, mas, surpreendentemente, Ashley fez uma pergunta totalmente diferente.

— Não aconteceu nada?

— Não, por quê?

Diante da resposta, Ashley não disse mais nada. Apenas o encarou fixamente, com um olhar levemente penetrantes, como se tentasse arrancar algo de dentro dele.

Aquele olhar o deixou ainda mais desconfortável.

Será que ele está esperando que eu fale sobre Angel por conta própria?

Mas as palavras não saíam com facilidade. A promessa que fizera a Angel o impedia. Por algum motivo, tinha o pressentimento de que falar sobre ele não seria algo bom. Incapaz de abrir a boca, hesitando, viu Ashley erguer o copo e levá-lo aos lábios. Ele virou o restante do uísque de uma vez, franziu o cenho e pousou o copo vazio sobre a bancada.

— …Koy.

— Hã, sim.

Depois de um longo silêncio, Ashley finalmente quebrou a quietude. Koy, já completamente tenso, respondeu apressado. Ashley pareceu refletir por um momento, como se estivesse organizando os pensamentos, e tentou dizer algo.

Mas antes que qualquer som saísse, no exato instante em que seus lábios iam se mover, o interfone tocou de repente.

Os dois ficaram imóveis por um instante, olhando um para o outro. Nenhum deles se mexeu. Pensaram que, se ignorassem, o toque pararia, mas não foi o caso. Ouvindo a campainha tocar novamente após uma breve pausa, Ashley praguejou baixinho e rapidamente se dirigiu ao interfone.

— Ah, desculpe incomodar a essa hora, senhor Miller.

A voz hesitante do porteiro soou do outro lado, e Ashley apenas ouviu em silêncio. A voz de Ashley chegou aos ouvidos de Koy, que observava ansioso.

— …Visita? A essa hora?

Ele lançou um olhar rápido ao relógio na parede e hesitou por um segundo antes de dizer:

— Pode deixar subir.

A ligação terminou. Koy, olhando para as costas de Ashley, falou cautelosamente:

— É… Ash. Parece que você tem visita. Então eu vou para o quarto…

— Espere.

Ashley impediu Koy, que estava prestes a dar um passo. Para Koy, que parou sem entender, Ashley disse:

— Fique aí. A visita é para você também.

— O quê…?

Confuso com a afirmação inesperada, ele ouviu, ao longe, o som discreto do elevador chegando. O elevador privativo retornara trazendo o visitante.

Ashley acionou rapidamente o sensor na parede, desativando a trava da porta interna. Logo em seguida, a porta se abriu de maneira brusca, e passos pesados ecoaram pelo apartamento.

Um pressentimento ruim percorreu o corpo de Koy. Ele encolheu levemente os ombros e fixou o olhar na direção do som. Ashley também encarava o mesmo ponto, aguardando.

O dono dos passos não demorou a aparecer.

Com passadas largas, atravessou a sala em poucos segundos e chegou até a cozinha, onde Ashley e Koy o esperavam. Ao avistá-los, parou abruptamente.

Assim que viu o homem parado na entrada da cozinha, Koy congelou.

Tão alto quanto Ashley, ele tinha uma estrutura óssea larga e músculos volumosos. O colete sobre a camisa branca estava tão esticado que parecia prestes a rasgar, destacando ainda mais o peitoral robusto. Cabelos escuros, nariz afiado, lábios firmemente cerrados — sua presença era opressiva.

Mas o que realmente chocou Koy… foi outra coisa.

Olhos roxos.

Ele não conseguia sentir o cheiro dos feromônios, mas aquilo por si só já bastava. Era a primeira vez que via outro alfa dominante além de Ashley — e Koy ficou rígido de choque.

Como Ashley sempre fora gentil com ele, Koy jamais realmente entendera o que significava ser um alfa dominante. No instante em que essa percepção o atravessou, vieram-lhe à mente as expressões que Ariel e outras pessoas costumavam fazer sempre que falavam sobre Ashley.

Então ele percebeu algo na mão do homem.

Era… uma pessoa.

E, além disso, era alguém estranhamente familiar.

Antes que pudesse processar completamente, o homem atirou o corpo ao chão.

— Aaah!

O grito ecoou quando a figura esguia rolou pelo piso. Koy conhecia aquele corpo.

No instante seguinte, sua respiração falhou.

O homem no chão ergueu a cabeça com dificuldade, cambaleando — e seus olhos encontraram os de Koy.

E Koy pôde ver com clareza.

Os cabelos prateados em desalinho.
Os olhos verdes brilhando intensamente.
Os lábios vermelhos, levemente entreabertos.

Era Angel.

 

°

°

Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

 

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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