Ler Lamba-me se puder – Capítulo 198 Online

Quando acordou, Koy estava sozinho. Como sempre, Ashley já tinha saído para o trabalho e não estava à vista.
— …Ah.
Ao descer da cama, um gemido escapou involuntariamente de seus lábios. Hoje, a parte inferior do seu corpo doía de maneira incomum. Ashley não tinha sido particularmente mais intenso do que o normal, então aquilo lhe pareceu estranho — ele inclinou levemente a cabeça, confuso. Nesse momento, uma tontura súbita o atingiu. Koy franziu o cenho, fechou os olhos e voltou a se sentar pesadamente na cama.
‘Será que eu estou me sentindo mal…’?
Era a primeira vez que algo assim acontecia, e ele ficou ansioso, claro. Permaneceu sentado por um tempo, respirando fundo, até que a tontura diminuísse. Só então se levantou com cuidado.
A casa estava tão silenciosa como sempre. A solidão voltou a envolvê-lo. Koy caminhou devagar até a cozinha. Como de costume, Ashley havia deixado um bilhete no mesmo lugar de sempre.
Koy, hoje não precisa limpar nada, então apenas descanse.
Abaixo, estavam os formulários necessários para o exame médico. Pelo nome de Koy escrito no topo, parecia que ele deveria preencher as informações exigidas.
Saber que não precisava limpar trouxe alívio. Hoje ele realmente queria apenas descansar. Pediu que lhe levassem a refeição e, enquanto esperava, começou a preencher os formulários.
As perguntas não eram nada demais. Se já havia feito alguma cirurgia, se existia histórico de doenças na família… Ele pensou por um instante antes de marcar “não sei”. Além do histórico de câncer do pai, não sabia de mais nada. No campo sobre a classificação dos seus pais, escreveu beta.
Quando já estava na metade do preenchimento, mudou de ideia. Decidiu descer para comer. Ligou para a recepção e cancelou o pedido, depois entrou no elevador.
— Bom dia, senhor Koy. — cumprimentou cordialmente o funcionário.
Ele respondeu ao cumprimento e seguiu na direção indicada, sentando-se numa mesa perto da janela.
Haa…
Soltou um breve suspiro, e logo um funcionário lhe entregou o cardápio.
— Recebemos um chá muito bom hoje. Gostaria de experimentar?
Diante da pergunta feita com um sorriso, Koy aceitou. De qualquer forma, ele não sentiria grande diferença mesmo.
Enquanto aguardava a refeição, ficou olhando distraidamente para fora da janela, bebendo o chá que chegara primeiro. O corpo continuava estranhamente pesado, sem melhorar. O dia estava ensolarado, ele tinha dormido o suficiente — então por que se sentia assim?
Foi pensando nisso que levou a xícara novamente aos lábios.
De repente, sentiu uma presença. Alguém passou roçando por Koy e puxou a cadeira à sua frente. Sem sequer pedir permissão, a pessoa simplesmente se sentou. Surpreso com a atitude, Koy virou a cabeça — e arregalou os olhos.
A pessoa sentada diante dele era tão bela que ele chegou a duvidar se não estaria sonhando. O pescoço, envolto por cabelos prateados que tocavam os ombros, era longo e elegante; os olhos voltados para Koy eram de um verde profundo. O nariz bem delineado, as maçãs do rosto suavemente elevadas, o queixo delicado — e, sobretudo, os lábios vermelhos como cerejas maduras eram mais do que suficientes para roubar qualquer olhar. Os cílios longos tinham a mesma cor dos cabelos, e na pele branca e translúcida não se via sequer uma pequena mancha.
Era difícil acreditar que alguém assim existisse, mas Koy conhecia aquele homem. Era justamente o “anjo” que, sem o menor pudor, sentou-se nu na varanda para fumar um cigarro. E agora ele estava sentado bem à sua frente. ‘Será que isto é um sonho’?
Então ele era realmente um ser humano.
Relembrando um fato que talvez fosse óbvio, Koy examinou seu rosto novamente. Mesmo tendo visto claramente seu corpo nu, por algum motivo, sentia-se estranho em definir seu gênero. Provavelmente porque anjos não têm gênero.
Embora soubesse que era uma pessoa de verdade, Koy ainda se sentia atordoado. Além disso, apesar de ser apenas a segunda vez que o via, sentia uma estranha familiaridade. Seu coração se acalmava, e ele até experimentava uma alegria parecida com a de reencontrar um velho amigo. Aquilo o deixou ainda mais desconcertado.
Que sensação é essa?
Enquanto Koy o observava, hipnotizado, o homem estreitou os longos olhos e cumprimentou-o primeiro:
— Olá.
Ao contrário do que Koy imaginara, sua voz era baixa e rouca. Aquele timbre que lhe percorreu a espinha fez Koy se sobressaltar, e então o outro continuou:
— Você está se escondendo muito bem. Que criança admirável.
Koy não entendeu o que aquilo significava. E, pelo jeito de falar — como se fosse muito mais velho — ficou ainda mais confuso. À primeira vista, pareciam ter a mesma idade. Será que ele era do tipo que aparenta ser jovem?
— Eu… com licença, mas… quantos anos o senhor tem?
Só depois de falar percebeu que a pergunta poderia ser indelicada. Fechou a boca apressadamente, mas o outro apenas sorriu levemente e devolveu a pergunta:
— Quantos anos você acha que eu tenho?
— Ah…
Sem jeito, Koy hesitou. Estava prestes a responder quando o homem falou primeiro:
— De qualquer forma, sou dez anos mais velho que você.
Um silêncio constrangedor se instalou. Koy não conseguia entender o que estava acontecendo; limitava-se a encarar o outro, tentando organizar os próprios pensamentos, quando o homem sorriu. Diante daquele rosto doce, Koy acabou ficando novamente sem reação. O outro continuou a falar com gentileza:
— É verdade… Disseram que conseguiríamos nos reconhecer, mas eu não acreditei. Nunca vi alguém do mesmo tipo que eu. Você também não, certo? Somos realmente… extremamente raros. Achei que passaria a vida inteira sem jamais encontrar alguém como eu…
Enquanto falava como se estivesse contando algo que só ele compreendia, tirou algo do bolso. Ao vê-lo colocar um cigarro entre os lábios, Koy se preparou para dizer que não podia, mas antes que conseguisse falar, um funcionário se aproximou e o interrompeu educadamente:
— Peço desculpas, é proibido fumar em todas as mesas.
O homem ergueu o olhar, ainda com o cigarro nos lábios. Enquanto Koy ficava tenso, o homem falou:
— Se eu não acender, não tem problema, certo?
Segurando o cigarro entre os dedos, exibiu um leve sorriso. Inesperadamente, o funcionário suavizou a expressão e respondeu que sim. Ainda perguntou se precisavam de algo antes de se retirar. Observando as costas dele se afastarem, Koy piscou, perplexo.
Como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo, o homem comentou:
— As pessoas são gentis com pessoas como “ nós”.
A reação dele era como se aquela situação fosse absolutamente natural. Mas o que chamou a atenção de Koy foi outra coisa.
— “Nós”?
Ao repetir a palavra, o homem abriu um leve sorriso.
— Você sabe… basta liberar um pouquinho de feromônio, e qualquer um se deixa levar.
Ele continuava dizendo coisas que Koy não conseguia compreender. Quando percebeu o olhar vazio do rapaz, o homem pareceu finalmente notar que havia algo errado e franziu o cenho.
— O que foi? Você está agindo como se não entendesse nada do que eu digo. Entre nós, não precisa fingir, certo?
Mais uma vez, usou a palavra “nós”. Koy simplesmente não conseguia entender. Como alguém tão angelical poderia colocá-lo no mesmo grupo?
Ao ver a expressão claramente confusa de Koy, o sorriso foi desaparecendo pouco a pouco do rosto do homem. Hesitante, Koy reuniu coragem para falar:
— Desculpe, eu realmente não faço ideia do que o senhor está dizendo… Como assim eu e você somos do mesmo tipo? O que quer dizer com “nós”?
Com o cigarro ainda entre os lábios, ele ficou encarando Koy em silêncio. Não fez o menor movimento — nem sequer piscou. Aquele olhar imóvel deixou Koy desconfortável; ele começou a se remexer, inquieto. Após observá-lo por um longo momento, o homem subitamente franziu a testa e recostou-se na cadeira.
— Eu já mostrei agora mesmo que sou igual a você. Não precisa ficar na defensiva. Estamos do mesmo lado, então não precisa me olhar assim, com tanta cautela.
— Feromônio?
Aquilo fez ainda menos sentido. Pelo contexto, Koy entendeu que ele estava dizendo que havia liberado feromônios em sua direção — mas só isso. Não fazia ideia de por que aquele homem estava agindo daquela maneira com ele.
— Eu sou beta… Feromônio? Não sei do que o senhor está falando…
Diante das palavras de Koy, o homem abriu a boca com uma expressão incrédula.
— Não precisa esconder isso de mim.
Ele claramente não acreditava em Koy. Já sem paciência, Koy tornou a perguntar:
— Desde agora há pouco o senhor fica dizendo “nós”, “nós”… Que tipo de relação acha que existe entre o senhor e eu? Por favor, explique direito. Eu realmente não faço a menor ideia do que está falando.
O homem apenas o encarou em silêncio. Koy não desviou o olhar; sustentou aquele verde profundo de frente. O silêncio se prolongou. Ainda hesitante, como se estivesse avaliando algo, o homem fechou os lábios com uma expressão séria. Depois de fitá-lo intensamente por mais um tempo, deixou escapar uma breve exclamação.
— …Meu Deus, você está falando sério?
Murmurou quase para si mesmo. Levou o cigarro aos lábios por reflexo, mas, ao perceber que não havia fumaça, franziu o cenho. Em vez disso, soltou um “huh” de suspiro antes de falar:
— Achei que finalmente tivesse encontrado alguém como eu… mas é só um idiota que nem sabe o que é.
— O quê?
Koy franziu o rosto ao perguntar. A estranha sensação de familiaridade que sentira no início foi se dissipando pouco a pouco, dando lugar a um incômodo crescente diante da grosseria dele. ‘Como ele pode dizer uma coisa dessas na minha cara’?
Mas, como se não se importasse nem um pouco com a reação de Koy, o homem continuou com a mesma expressão indiferente:
— Então você passou a vida inteira acreditando que era beta?
— Eu sou beta. O teste também deu isso…
— Ignore esses testes de merda. De qualquer forma, nós não aparecemos neles.
Mais uma vez, usou a palavra “nós”. Após um breve suspiro, ergueu o olhar e lançou a declaração como uma bomba:
— Você não é beta. É um ômega dominante… como eu.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can