Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 157 Online


Modo Claro

Os lábios de Ornella se separaram. Ela encarou Eileen com uma expressão de descrença antes de perguntar novamente:

— Você acha que ele é algum tipo de… deus?

Sua pergunta estava carregada de sarcasmo, como se ela não conseguisse compreender a fé absoluta que Eileen depositava nele.

Sendo questionada daquela forma, Eileen de repente se sentiu um pouco envergonhada. Ela havia respondido rápido demais, sem hesitar. Percebendo isso tardiamente, ela acrescentou em voz baixa:

— Sim… para mim, ele é.

Para Eileen, Cesare não era diferente de um deus. Ela acreditava firmemente que ele viria salvá-la. O homem sempre a encontrava, independentemente das circunstâncias. Por isso, ela não estava com medo.

Claro, sentiu um pouco de medo, mas o temor de estar presa ali era muito menor do que poderia ser. Ela não chorou nem entrou em pânico, e conseguiu ajudar Ornella com calma — tudo graças à sua fé inabalável em Cesare.

Enquanto imobilizava o braço quebrado de Ornella, podia sentir o peso do seu olhar pressionando sua bochecha. Eileen quis esfregar a bochecha com o dorso da mão, mas ambas estavam ocupadas, então ela apenas piscou e continuou o tratamento.

Ornella a observou atentamente até que tudo estivesse concluído. Quando seus olhares se encontraram, Eileen falou:

— Você deveria se deitar em vez de ficar sentada. O ferimento precisa ficar elevado acima do coração.

Ela estendeu a mão para ajudá-la a deitar, mas, em vez de obedecer, Ornella perguntou:

— Por que você está me ajudando?

Eileen parou e olhou para ela. Ornella a encarava com uma expressão que mal escondia a hostilidade.

— Você acha que, se me colocar em dívida, alguma coisa vai mudar?

Eileen sabia que Ornella não era uma pessoa afetuosa, mas não esperava uma reação assim nem mesmo numa situação em que estava recebendo ajuda.

Havia até rasgado o próprio vestido para tratá-la e era assim que era retribuída? Por um instante, Eileen sentiu uma vontade infantil de dar um peteleco na testa dela.

— Sim.

Talvez por irritação, a resposta saiu mais ríspida do que pretendia. Ornella ergueu uma sobrancelha.

Ainda assim, paciente era paciente. Eileen cerrou os dentes e a deitou no chão. Então murmurou:

— Já que eu te ajudei, é melhor retribuir.

Pegou uma pequena pedra e colocou sob as pernas de Ornella. Como o vestido já estava rasgado, rasgou mais um pouco, enrolando o tecido para improvisar um apoio para a cabeça.

— …

Deitada no chão, Ornella olhou fixamente para Eileen. Sentindo que talvez tivesse sido atrevida demais, Eileen se arrependeu de suas palavras. Então, de repente, Ornella perguntou:

— Você já fumou?

— Não…

— Quer experimentar?

— N-não, eu não…

— Faça como quiser.

— Você também não deveria fumar agora.

Eileen recolheu algumas flores espalhadas pelo chão e as colocou ao lado de Ornella. Ao ver seu olhar questionador, explicou em voz baixa:

—É um substituto para o cigarro.

Um pequeno gesto de consideração — ao menos poderia sentir o aroma das flores. Ornella soltou um leve resmungo e fechou os olhos. O suor escorria por sua têmpora.

Ela fingia estar bem, mas devia estar com muita dor. A perda de sangue havia reduzido sua temperatura corporal, e ela começava a tremer.

‘Precisamos sair daqui logo.’

Ela e Ornella tiveram sorte de sobreviver, mas e os sacerdotes que estavam com elas?

Eileen se encolheu, abraçando os joelhos. Assim que o fez, memórias de seu sonho rastejaram para dentro de sua mente como sombras invasoras.

“Desejo que Eileen Elrod seja trazida de volta à vida.”

Era apenas um sonho. Uma ilusão sem sentido. No entanto, ela não conseguia se livrar da sensação de que aquilo tinha sido gravado em sua mente por um motivo.

Talvez fosse porque sabia que Cesare também sofria com pesadelos.

‘Cesare…’

De repente, a saudade dele apertou tanto que doeu. Eileen pegou um lírio solitário do chão. A flor estava quebrada, mas sua fragrância permanecia. Ela a apertou contra o peito.

Nos círculos políticos da capital imperial, o Conde Bonaparte, uma figura-chave, havia sido rapidamente destituído. Uma disputa intensa fervilhava nos bastidores sobre quem ocuparia seu lugar.

Diferente da câmara baixa, onde os representantes tinham mandatos fixos, a câmara alta era hereditária. Uma vaga ali era algo raro.

No entanto, a saída repentina do Marquês Menegin, que era o presidente do Senado, somada à queda do Conde Bonaparte — um nobre de uma família política influente — havia criado duas vagas inesperadas.

Os nobres agora se apressavam para colocar seus próprios aliados nesses assentos. No entanto, o atual Presidente do Senado, o Conde Domenico, era firme e neutralista. Isso significava que as cadeiras vagas deveriam ser distribuídas de forma justa.

Isso só era possível porque ninguém ainda havia percebido que o Conde Domenico se tornara um peão da Arquiduquesa Erzet.

Senon suspirou ao ler a carta de seu irmão. Fazia três dias que ele começara a parar de fumar, e ainda assim já desejava um cigarro.

— …Mesmo enquanto Sua Graça está assumindo o controle do império, meu pai continua o mesmo.

Apesar de estar nas províncias e não na capital, seu pai ainda não aceitava que o trono imperial havia passado para os príncipes gêmeos, e não para o filho da imperatriz. Pelo menos seu irmão enviava cartas secretas, mas ainda assim…

Senon ansiava pelo maço de cigarros que tinha jogado fora. Resistindo à vontade, ele enfiou a mão no bolso e colocou um doce de limão na boca, inflando uma bochecha enquanto chupava.

Foi então que—

— Senhor Senon!

A porta do escritório quase voou das dobradiças quando seu subordinado entrou abruptamente. Senon franziu a testa com o comportamento imprudente, mas seu rosto rapidamente empalideceu com o que foi dito em seguida.

Ele correu.

Dirigiu um veículo militar o mais rápido possível, mas as ruas já estavam congestionadas por pessoas e carruagens. Ele gritou para seus subordinados:

— Liderem o caminho!

Então, sem esperar, ele saltou do veículo e começou a correr.

O Grande Templo da capital não ficava longe. Ainda assim, quando chegou, foi recebido por uma cena de completa devastação.

O santuário outrora magnífico havia desabado completamente. Agora, não passava de uma pilha de escombros. Senon ficou paralisado, incapaz de se mover.

Eileen estava dentro daquele Templo?

O santuário havia sido reduzido a nada…

Suas pernas quase cederam. Cambaleando para trás, mal conseguiu se manter de pé quando ouviu um grito desesperado:

— Vossa Graça! Arquiduque!

Senon se sobressaltou. Voltou o olhar para as ruínas. Soldados cercavam a área para conter as pessoas, mas ao verem o uniforme de Senon, abriram passagem imediatamente.

— …Vossa Graça.

Senon chamou, atordoado. Mas Cesare não se virou. Ou melhor, não conseguia.

Ele estava escavando os escombros com as próprias mãos. Soldados tentavam puxá-lo, mas nem mesmo vários juntos conseguiam contê-lo.

— Eileen, Eileen…

Cesare chamava o seu nome enquanto cavava freneticamente. Suas mãos agora cobertas de ferimentos, sua regeneração acelerada mal conseguia acompanhar os novos cortes.

Os olhos carmesim, sempre afiados, estavam vazios e desfocados. Sua respiração era irregular, sua voz tremia. Senon nunca o vira assim antes. 

Ajoelhando-se ao lado dele, Senon falou com cuidado:

— Vossa Graça. Sou eu, Senon.

Nenhuma resposta.

— Já mandei trazer equipamentos de escavação… mover os escombros de forma imprudente pode causar outro desabamento. Por favor, só por um momento, só por um momento… espere…

Senon sabia que estava oferecendo uma esperança frágil.

Mas ele mesmo já estava desesperado.

Lágrimas brotaram em seus olhos enquanto ele continuava: 

— A senhora Eileen certamente estará segura…

Finalmente, Cesare virou o olhar. Seus olhos sem vida e escurecidos encontraram os lacrimejantes de Senon. Então, em uma voz baixa e indecifrável, ele murmurou:

— …E se os deuses quebraram o acordo, suas mãos ensanguentadas se fecharam sobre os escombros. — E se eu perdi minha única chance… o que eu faço, Senon?

Continua …

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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