Ler Beijo do inferno – Capítulo 55 Online

O outono dos seus 28 anos estava se tornando cada vez mais complicado.
Desde que o novo semestre começou, Yohan tinha mais trabalho do que o normal. Em especial, a apresentação em grupo estava marcada para a primeira aula do dia, o que tornava mais urgente do que o habitual.
Ainda faltava um tempo para a aula começar, mas antes disso, ele decidiu revisar o relatório mais uma vez. Yohan olhou para o notebook e franziu a testa. Por mais que revisasse, sentia que ainda estava faltando alguma coisa.
Yohan tinha entrado na universidade no ano anterior. Começou mais tarde do que os outros, mas não se arrependia – foi uma decisão tomada com muita reflexão. Depois de passar o primeiro ano lutando para dar conta das tarefas e provas semanais, agora já estava acostumado à rotina corrida. Estudar ainda era difícil, e os trabalhos e testes continuavam pesados, mas no fim do dia, ele sentia aquela satisfação gostosa de quem se esforçou. A vida do dia a dia lhe trazia uma sensação tranquila de realização.
Já fazia dois anos desde que Valentine e Yohan decidiram ficar juntos. Nesse tempo, muita coisa aconteceu.
Yohan já não era mais Ethan Tyler. No aniversário de 27 anos, Valentine lhe devolveu seu nome de nascimento como presente. No entanto, atendendo aos seus desejos, Yohan recebeu o sobrenome Cole, herdado de sua mãe, Emily, e não Lindbergh.
Em sua curta vida, Yohan tinha passado por vários nomes – algo que seria difícil para qualquer pessoa comum. Depois de mudar de Yohan Cole para Yohan Lindbergh, ele teve que viver muito tempo como Ethan Tyler, até voltar, enfim, ao seu nome de origem. Retomar esse nome depois de 17 anos lhe trouxe uma satisfação maior do que imaginava, e a confusão causada pela divisão de suas identidades desapareceu completamente.
Além disso, quando Yohan entrou na universidade, eles se mudaram para a Califórnia. A vida agitada e exuberante de Nova York não era ruim, mas a rotina tranquila e calorosa da Califórnia era satisfatória em muitos sentidos.
— Yohan… quando você acordou?
Ao ouvir a voz acima de sua cabeça, Yohan se virou. Valentine descia as escadas esfregando os olhos. Seu cabelo loiro, amassado pelo travesseiro, estava todo bagunçado, e o torso nu refletia a luz do sol, já que ele só vestia um moletom folgado.
Depois de lavar o rosto e escovar os dentes rapidamente no banheiro, Valentine pegou uma garrafa grande de água da geladeira.
— Está estudando?
— Sim. Hoje eu tenho uma apresentação.
— Você parece ansioso.
Só depois de tomar mais da metade da garrafa de água, Valentine se aproximou de Yohan. Sentado no sofá, ele abraçou a cintura de Yohan e esfregou a ponta do nariz no pescoço dele. O corpo de Yohan, sem conseguir resistir ao peso, foi se inclinando aos poucos. Com os olhos semicerrados, como se ainda estivesse com sono mesmo depois de lavar o rosto, Valentine sussurrou. Seus lábios vermelhos formavam uma linha suave e delicada.
— Bom dia, Yohan.
— Dorma mais um pouco. Por que você já levantou?
— Acordei porque senti frio sem você.
A temperatura da casa sempre estava num nível agradável, e a temperatura corporal de Yohan era significativamente mais baixa do que a de Valentine. Os lábios de Yohan se curvaram diante daquele comentário absurdo.
Com o tempo, a relação entre os dois também tinha se estabilizado bastante. Já fazia dois anos desde que começaram a viver juntos de verdade. Seria mentira dizer que tudo foi perfeito, mas ao dividirem todos os momentos – dos pequenos aos grandes – do dia a dia, os dois tinham se tornado muito mais íntimos, sem nem perceber.
Houve um tempo em que ele nem conseguia imaginar que os dois estariam juntos, mas agora era estranho ficar separados. Com o rosto tranquilo, Yohan olhou para Valentine, que estava agarrado a ele. E como se tivesse sentido o olhar, os olhos azuis de Valentine o encararam suavemente.
— O que foi?
— Nada…
Quando Yohan levantou a mão de leve e deu uns tapinhas na cabeça dele, Valentine sorriu todo alegre, feito uma criança. Mesmo sabendo muito bem a verdadeira natureza que se escondia por trás daquela camada brilhante, quando Valentine agia daquele jeito tão meigo, Yohan às vezes achava que ele era simplesmente adorável.
‘Será que é tipo aquela sensação que a gente tem quando vê um animal selvagem feroz esconder as garras e de repente se deitar de barriga pra cima?’
Yohan pensou, enquanto passava os dedos pelo cabelo bagunçado de Valentine. Os fios loiros se alisavam sem resistência, onde quer que a mão dele tocasse.
— Me toca mais. Isso me faz sentir bem.
A mão que segurava a cintura de Yohan apertou com mais força. O calor do corpo de Valentine atravessava facilmente o tecido fino da roupa dele. Yohan abriu os braços devagar, puxando para perto aquele corpo grande que esfregava a cabeça em seu peito, como se quisesse um abraço.
Desde o momento em que recusou a herança e rompeu com a família, Valentine cortou todos os laços com os Lindbergh. Para viver por conta própria, fundou uma nova empresa. Assim que se recuperou do ferimento de bala, vendeu todas as suas ações e bens, e montou uma agência especializada em marketing digital.
Sem mais o nome Lindbergh como escudo, Valentine passou por algumas dificuldades para conseguir se manter. Mas com o tempo, seus esforços deram frutos. Conquistou investidores que acreditaram no futuro da empresa, e antigos colegas voltaram a trabalhar com ele. Como resultado, a empresa cresceu bastante desde o início e seus lucros estavam se acumulando de forma estável.
Apesar de não se comparar à antiga e luxuosa sede da L & T, o escritório simples de Valentine – onde ele dedicava tudo de si – ficava nos arredores do Vale do Silício. Aquele que um dia foi o único herdeiro de Ryan Lindbergh agora era um jovem CEO que de vez em quando dava entrevistas para jornais e canais locais.
Tudo parecia estar indo bem, mas às vezes Yohan se sentia inquieto. Ryan ainda os vigiava, e o medo de que aquela paz pudesse ser quebrada de repente o deixava sempre em alerta. Quando Yohan, remoendo sozinho essas preocupações, confessou seus pensamentos a Valentine, ele apenas acenou com naturalidade e despejou leite em sua tigela de cereal.
⟨Talvez ele continue assim no futuro. Mas não importa. Na verdade, acho sua atitude conveniente.⟩
⟨O quê…?⟩
Quando Yohan ficou constrangido com aquela resposta tão despreocupada, Valentine sorriu e bagunçou levemente seu cabelo. Depois falou em voz baixa, como se estivesse compartilhando um segredo.
⟨Eu gasto mais de um milhão de dólares por ano com a nossa segurança. Mas no fundo, sei que isso não é suficiente. Ainda fico pensando se algum maluco pode te atacar, e às vezes… eu tenho pesadelos horríveis.⟩
⟨…⟩
⟨Considerando isso, a vigilância de Ryan até que é útil. Talvez ele até queira nos proteger. Então, se ele quiser vigiar, que vigie. Se você pensar nisso como proteção, e não como espionagem, vai se sentir melhor, não acha?⟩
Diante da explicação descarada, Yohan revirou os olhos. Achava estranho como ele conseguia ficar tão calmo, mas nunca imaginou que pensasse daquele jeito… Yohan sabia que Valentine era obcecado demais com sua segurança, mas não esperava que usasse a vigilância de Ryan como desculpa para isso. Então suspirou e perguntou:
⟨Mas… você acha mesmo que isso é certo? Ficar afastado do Ryan desse jeito…⟩
⟨Não vai ser assim pra sempre. Um dia, quando chegar a hora, eu vou ter que enfrentá-lo de algum jeito. Ainda tenho uma dívida para acertar com ele.⟩
Quando Yohan, pego de surpresa, olhou para ele com reprovação, Valentine curvou um canto dos lábios em um sorriso.
⟨O grupo Lindbergh será minha herança, mas o que eu vou dar em troca… vai ser a minha vingança. Quando estiver em minhas mãos, o grupo será dividido e vendido, e a herança vai ser entregue para quatro pessoas.⟩
⟨O quê?⟩
Quando Yohan soltou a voz trêmula diante daquele discurso absurdo,o sorriso perverso de Valentine se alargou ainda mais. A ponta de seu dedo bem cuidado bateu levemente na mesa.
⟨Tive que fugir do controle dele sem poder me vingar. Não acha justo devolver pelo menos um golpe?⟩
⟨O que você está pensando…?⟩
⟨Ele deve estar bem nervoso agora. As duas cartas que tinha nas mãos escaparam, e o tempo continua correndo. Sua obsessão pela sucessão é enorme, e, infelizmente para ele, não há outro herdeiro adequado além de mim. Quando chegar a hora, acho que vou ceder… com moderação.⟩
⟨…⟩
⟨E, quando isso acontecer, vou tomar tudo o que pertence a Ryan e destruir. Essa vai ser a última forma de me desculpar com você.⟩
Um arrepio percorreu o corpo de Yohan. A persistência de Valentine, que planejava uma vingança num futuro distante que nem mesmo importava agora, era típica daquela mente que ele conhecia desde a infância. Como se percebesse isso, Valentine sorriu e falou num tom mais leve.
⟨E não é só isso. Eu também quero te transformar numa das pessoas mais ricas do mundo. Bom, não que eu consiga fazer isso agora… talvez leve algumas décadas? Até lá, de um jeito ou de outro, vou cuidar de você. Então, não se preocupe.⟩
⟨…não preciso de nada disso.⟩
Quando Yohan respondeu meio sem jeito, Valentine sorriu de novo.
⟨Eu vou tentar, mas não tenho como saber o que vai acontecer. Pode ser que afunde junto com o Ryan, ou que continue vivendo minha vida assim. Realmente não me importo com o que aconteça. Você sempre será minha prioridade absoluta no futuro.⟩
⟨Valentine… sério. Não pense em fazer nada estranho.⟩
⟨O que quero dizer é que você é o único que importa para mim. Então fique comigo no futuro, Yohan.⟩
⟨Isso é ridículo.⟩
A conversa sempre acabava tomando um rumo parecido, mas Yohan se sentia visivelmente mais calmo. A lógica imprudente de Valentine tinha um jeito estranho de convencer as pessoas. Ele exalava uma confiança muito bem estruturada, algo que Yohan nunca teria.
Achava que não ia se deixar levar por Valentine, mas sempre que se dava conta, Yohan voltava a encontrar segurança e firmeza nele. E quando percebeu que o que Valentine queria era proteger a vida tranquila que levavam, Yohan já não sentiu mais medo dele.
— No que você está pensando?
— Hã?
Perdido nos próprios pensamentos, Yohan voltou à realidade com a voz de Valentine. Ao perceber que tinha ficado hipnotizado sem querer, ele empurrou Valentine de leve e se levantou.
— Já vou para a escola.
— Ainda é cedo.
— Tenho que me preparar para um projeto em grupo.
Ele juntou os livros alinhados na mesa de centro e os organizou com cuidado. Valentine observava Yohan fixamente, recostado no sofá. Seus olhos verdes, nariz afilado e lábios finos bem definidos sob o cabelo castanho impecavelmente penteado. Yohan, sempre tão arrumado, parecia à vontade. Um sorriso sutil passou pelos seus olhos azuis.
— Quer que eu te leve à escola? Podemos tomar café da manhã no caminho…
— Não, está tudo bem.
Diante da recusa imediata, os olhos de Valentine se estreitaram, visivelmente insatisfeitos. Yohan suspirou ao ver a expressão dele.
— Tenho algo para fazer, mas quando estou com você… Enfim, preciso ir agora.
— Espera um pouco.
Uma mão se estendeu e agarrou seu pulso. Valentine puxou-o suavemente e sussurrou:
— Me dê um beijo antes de ir.
Yohan parou e logo inclinou a cabeça. Devagar, fechou os olhos e abriu levemente os lábios. As duas bocas macias se uniram com delicadeza.
— Nnh…
Yohan cambaleou com a força repentina de Valentine, que o puxou pela cintura. Para não perder o equilíbrio, ele apoiou as mãos nos ombros do outro. O beijo logo se aprofundou, seguindo o ângulo do encontro. Os lábios de Yohan se abriram mais, e a língua quente de Valentine invadiu sua boca cheia de desejo.
Apesar dos incontáveis beijos que já tinham trocado, Valentine sempre beijava Yohan como se fosse a primeira vez. — Hum. — Um gemido escapou dos lábios de Yohan quando a língua de Valentine provocou um formigamento em seu palato.
Quando Valentine percebeu a reação de Yohan, levantou sua jaqueta e apertou suavemente a cintura nua dele.
— …Ah, não. — Yohan gemeu, mal conseguindo afastar os lábios e segurar o braço de Valentine.
Seus olhos, geralmente serenos, já estavam avermelhados de excitação. Os olhos azuis do outro, cheios de uma luxúria furiosa, se estreitaram como se estivessem insatisfeitos.
Yohan fez um biquinho e balançou a cabeça mais uma vez. Se deixasse se levar daquele jeito, ele já sabia como aquilo podia terminar. Já tinha experiência suficiente para imaginar.
— Não posso.
Ele deu um passo para trás. O estímulo que penetrara em sua pele profundamente por um breve momento deixou suas costas formigando. Mas Valentine perguntou com malícia ao ver a parte da frente da calça dele se armando.
— O seu pau parece estar gostando?
— ….Não dá para evitar com esse estímulo.
— Não dá pra chegar só um pouquinho atrasado?
— É sério, eu não posso.
— Yohan, por favor.
— Eu não posso.
Só depois dele ser recusado mais uma vez, Valentine desistiu. Ele assentiu suavemente, mesmo que o desejo ainda estivesse fervendo. Ainda assim, com os sentimentos ainda ardentes, puxou Yohan para perto com suas mãos grandes e sussurrou, segurando-o entre seus joelhos:
— Tudo bem… então hoje à noite…
— …
— Vamos continuar de onde paramos. Pode ser, Yohan?
Superficialmente, ele parecia estar pedindo permissão, mas em sua voz não havia espaço para negociação. Pensando bem, os dois estavam tão ocupados ultimamente que fazia tempo que não faziam sexo direito. Mesmo quando conseguiam se ver, Yohan estava tão esgotado com os estudos que não tinha energia física para nada. E Valentine… provavelmente já tinha chegado ao limite. Ao perceber isso, Yohan engoliu em seco.
— Yohan…
Não era como se Valentine não o tocasse nunca, mas dava para ver que ele não estava satisfeito com aquilo. Valentine passou a língua devagar pelo lábio inferior de Yohan, claramente de propósito. E então sorriu de lado, quando viu a sua expressão tensa. Era como se já estivesse antecipando sua próxima caçada.
***
A apresentação em grupo foi um sucesso e a equipe de Yohan venceu o debate. Considerando que era uma conferência de grande porte, eles tiraram uma boa nota. Para comemorar, os membros do grupo se reuniram e foram até a cafeteria. Salada, sanduíche, bolinhos fritos, macarrão, pizza. Com uma variedade de comidas alinhadas na mesa, o grupo conversava alegremente.
Apesar de todos os amigos da escola de Yohan serem mais jovens do que ele, cada um tinha um histórico diferente, e por isso ele sentia que sempre aprendia algo com eles. Além disso, todos tinham uma boa personalidade e riam sem parar. Chris, que foi o primeiro a limpar o prato, levantou a mão:
— Quem quer ir para biblioteca?
— Eu vou!
— Eu também!
— E você, Yohan?
Peggy, sentada ao lado de Yohan, cutucou as costelas dele com o cotovelo. Com o cabelo tingido de rosa, Peggy era uma Omega linda e também a melhor amiga de Yohan. Depois de limpar os lábios com um guardanapo, ele assentiu, e Peggy gritou:
— O Yohan também vai!
Então Chris bateu palmas e falou animado:
— Tudo certo hoje, nao é? Hoje é Noite do Cinema. Que tal a gente tomar uma cervejinha depois?
A Sessão de Cinema era um evento regular nas sextas, onde os alunos se sentavam no gramado da escola para ver um filme. Era popular entre quem queria uma pausa dos estudos. Enrolando os fios de macarrão com o garfo, Peggy comentou animada:
— Espera… hoje não é a terceira sexta do mês? Acho que é hoje que passa aquele filme que eu queria ver! Então… por que a gente não assiste o filme e depois vai jogar boliche?
— Ah, Peggy, ótima ideia! Agora que você falou… Lauren, não é seu aniversário amanhã?
— Sério, Lauren?
— É sim, vocês lembraram! Obrigada, Chris.
O clima de comemoração antecipada tomou conta, mas mesmo no meio disso, os olhares se voltaram para Yohan, que ainda não tinha respondido nada. Ele sorriu sem jeito e mordeu os lábios.
[Você pode vir mais cedo hoje?]
Valentine tinha mandado essa mensagem uma hora antes.
‘O que foi que eu respondi mesmo? Acho que falei que ia chegar cedo, se não acontecesse nada… É algo importante, certo? Já que é o aniversário da Lauren…’
— Eu também posso ir.
Yohan disse, se levantando, enquanto isso, pegou o celular e jogou os pratos vazios no lixo.
[Acho que vou me atrasar hoje. Se estiver com sono, pode dormir primeiro.]
Ele achou aquela mensagem meio unilateral, mas não tinha tempo de explicar melhor. Suspirando brevemente, Yohan seguiu os amigos que já tinham ido na frente.
***
O ar da noite de outono estava fresquinho na medida certa. As luzes amarelas iam se acendendo uma por uma sob o céu cada vez mais escuro, e os alunos se acomodavam em frente à telona. O filme que passava tinha uma pegada romântica, com direito a trilha sonora de jazz. Era uma noite com aquele clima denso, onde o romance parecia se espalhar no ar.
Yohan e os amigos beberam cerveja sentados em cobertores estendidos no gramado úmido. Com os joelhos dobrados e os braços abraçando as pernas, Yohan deixava a brisa brincar com seu cabelo castanho.
O O filme não era ruim, mas um pouco monótono, e Yohan fechou os olhos involuntariamente, talvez pelo cansaço dos estudos. Chris o cutucou quando percebeu que ele tinha cochilado.
— Ei… está tudo bem?
— Hm…? O que foi?
— Você não tá ouvindo o seu celular tocar?
Yohan procurou o celular dentro da mochila. Era Valentine ligando. Ao ver quem era, ele apertou o botão de atender.
— Alô, Valentine.
[Liguei porque você não respondeu as minhas mensagens. Ainda está na escola?]
— Ah… você mandou mensagem? Desculpe eu não vi. O que foi?
[Queria saber que horas você vai chegar. Saí mais cedo do trabalho só pra isso.]
Talvez pelo clima, a voz dele parecia propositalmente intensa.
Com peso na consciência, Yohan respondeu, mordendo o lábio:
— Ainda vai demorar um pouco…
[Por quê? Está ouvindo música?]
Na tela, o casal do filme dançava de mãos dadas. Coçando o nariz, Yohan respondeu honestamente:
— É um filme. Hoje é Noite do Cinema, a gente se reúne no gramado para assistir.
[Aham…]
— E depois disso… vamos jogar boliche. Então acho que vai demorar mais um pouco…
[Ah.]
Valentine respondeu, de forma breve. Mas Yohan percebeu que a voz dele foi esfriando. Ele até pensou em tentar se explicar melhor.
[Mas Yohan, por que você tá tão perto daquele Alfa horrível?]
— O quê?
O corpo de Yohan reagiu antes da mente entender. Seus olhos se arregalaram enquanto ele olhava ao redor, sem saber o que procurar. Não fazia ideia de como Valentine sabia o que ele estava fazendo. E Então, finalmente, avistou Valentine parado a distância, celular no ouvido, encarando-o fixamente. Os amigos olharam para Yohan com estranhamento quando ele se levantou de repente, e ao seguirem a direção do olhar dele, também pareceram surpresos.
°
°
Continua…
Ler Beijo do inferno Yaoi Mangá Online
Mesmo no inferno, estaremos juntos até o fim.
Depois de perder sua mãe, Yohan seguiu seu pai, a quem acabara de conhecer, e mudou-se para a Inglaterra. Lá, ele conheceu um anjo que mudou sua vida. Era seu meio-irmão Valentine, que ele nem sabia que existia.
—Prometa-me, Yohan, que sempre seremos a coisa mais importante um para o outro.
Valentine havia habilmente capturado Yohan, dominando seu mundo, o acalmando todas as noites com seus pequenos braços.
Com o tempo, a relação entre os dois se torna muito mais próxima, e a obsessão de Valentine por Yohan atinge extremos inesperados.
Um dia antes de se formar no ensino médio, um incidente ocorre que muda instantaneamente a relação entre os dois.
Nome alternativo: The Kiss From Hell