Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 149 Online


Modo Claro

Eileen encarou Cesare com uma sensação de estranheza. O homem encostado na parede perto da janela estava exatamente fora do alcance do luar, sua figura envolta em sombras.

O quarto estava pouco iluminado, as luzes não estavam totalmente acesas, dificultando ver Cesare com clareza. Ela só conseguia distinguir vagamente o contorno dele, o suficiente para confirmar sua identidade.

A situação era diferente de tudo o que ela já havia experimentado antes. Cesare era alguém que raramente revelava aspectos desnecessários de si mesmo a ela.

Embora às vezes o homem voltasse com o leve cheiro de sangue ou pólvora impregnado sobre ele, nunca era tão evidente como agora. Seu estado atual — tão escancarado, tão sem disfarces — parecia estranho, até perturbador.

Isso a fez lembrar da vez em que o pegou fumando. O cheiro de cigarro nele parecera tão desconhecido naquela ocasião quanto agora.

Essa dinâmica também era nova: Cesare esperando por ela em casa. Normalmente, era Eileen quem esperava por ele, muitas vezes até tarde da noite.

Seus lábios entreabriram-se ao olhar para ele, só então lembrando que ela agira por conta própria sem consultá-lo. Desde que se tornara Arquiduquesa, nunca fizera nada tão impulsivo.

‘Mas foi Cesare quem me contou sobre a situação do Conde Domenico…’, — pensou, tentando se tranquilizar.

Certamente, estava tudo bem. Com esse pensamento hesitante, ela lançou um olhar furtivo para ele. Embora obscurecido pela escuridão, seu rosto parecia inexpressivo, quase distante. O ar frio do quarto sem iluminação parecia pesado e inóspito. Eileen, sentindo-se um pouco inquieta, cumprimentou-o em voz baixa.

— Estou de volta.

Por alguma razão, sua simples saudação pareceu suavizar um pouco seu olhar afiado. Enquanto hesitava, observando-o com cuidado, Cesare se endireitou de onde estava encostado e caminhou até ela com passos deliberados. Parando diante dela, olhou para baixo e perguntou:

— Vamos dar uma passeio?

Embora soasse como uma sugestão, ambos sabiam que Eileen não recusaria. Ela assentiu e respondeu: — Sim, — mesmo com os olhos se arregalando diante do que ele fez em seguida.

Cesare tirou as chaves do carro do bolso.

Ela presumira que seria um passeio pelo jardim ou por algum lugar próximo. Em vez disso, encontrou-se sendo conduzida para fora, guiada por ele sem resistência. Em frente à residência do Arquiduque, um carro civil — não um veículo militar — os esperava.

Cesare abriu a porta do passageiro e gesticulou para que ela entrasse. Depois que ela se acomodou, ele entrou no banco do motorista, ligou o carro e segurou o volante como se fosse algo habitual.

Seu coração acelerou. O Arquiduque, oficialmente em recuperação de um ferimento à bala, estava dirigindo ele mesmo e saindo livremente por aí. E se alguém o visse assim? O risco parecia palpável.

‘Mas Cesare deve ter pensado em tudo’, — tranquilizou-se, embora a ansiedade não desaparecesse completamente. Ao mesmo tempo, não conseguia tirar os olhos dele.

Ver Cesare dirigir foi inesperadamente chocante. Ele era alguém que ordenava, em vez de agir diretamente. Sempre havia um motorista, e ela sempre se sentara no banco de trás com ele. Observá-lo agora, firmemente no controle atrás do volante, era uma experiência completamente nova.

(Elisa: Acho que a Saha ou à Eileen esqueceram que ele já levou ela para casa dirigindo ele mesmo )

Enquanto se afastavam da residência do Arquiduque, Cesare olhou para ela. Eileen, que o observava sem piscar, sobressaltou quando seus olhos se encontraram.

— Desculpe… — murmurou.

— Pelo quê?

— Por olhar demais para você. Posso estar te distraindo enquanto dirige.

Ela desviou o olhar para a janela, tentando se concentrar na paisagem que passava. Cesare estendeu a mão e tocou levemente sua bochecha com os dedos.

— Você confia tão pouco assim em mim?

— Não, de jeito nenhum! — ela respondeu rapidamente. — Eu só vou… olhar um pouco menos.

Oferecendo um meio-termo, ela começou a alternar sua atenção entre a paisagem que passava e ele, dividindo seu foco meio a meio. Seus movimentos exagerados ao desviar o olhar entre os dois fizeram Cesare rir baixinho.

Eles passaram pelos grandes portões da propriedade. Eileen finalmente notou as flores coloridas que enfeitavam a entrada — flores trazidas pelos cidadãos que desejavam a recuperação do Arquiduque. Mais cedo, ela estava distraída demais para percebê-las.

O carro passou rapidamente pela exibição, mas Eileen não pôde deixar de virar a cabeça para olhar para trás. Seu olhar eventualmente retornou a Cesare.

‘A tentativa de assassinato foi orquestrada por ele…’, — pensou.

O que aconteceria ao Conde Bonaparte, que fora incriminado pelo crime? Lia os jornais todos os dias, mas só via atualizações sobre seu interrogatório — nada mais.

O carro saiu da estrada principal e entrou em um caminho isolado, parte da propriedade privada do Arquiduque. Não havia sinal de outras pessoas. Ouvindo o ronco do motor, Eileen hesitou antes de falar:

— Hum… o Conde Bonaparte…

Ela não sabia como formular a pergunta e hesitou, preocupada que pudesse parecer intrometida.

Cesare, no entanto, respondeu calmamente:

— Os jornais vão noticiar amanhã que ele cometeu suicídio durante o interrogatório.

Sua respiração falhou quando a verdade se revelou para ela: o Conde não havia realmente se matado. Ele fora “eliminado”.

Eileen apertou as mãos firmemente no colo. Uma sensação estranha a dominou. Ela sabia que Cesare não era um santo, mas…

Enquanto tentava ajudar os outros, ele manchava as mãos com sangue. Parecia surreal. Tudo o que ela queria era que Cesare estivesse seguro, e ainda assim o homem sempre parecia caminhar à beira de um precipício.

Ainda não sabia o que o levava a viver dessa maneira.

O carro parou no meio da floresta, seus faróis cortando a escuridão.

— Eileen.

— Sim?

— Faça o que quiser, desde que não seja perigoso demais — disse ele, com os olhos fixos nela. — Há muitas pessoas dispostas a correr riscos em seu lugar.

Sua voz suave carregava uma frieza definitiva que apertou o coração dela.

— Eu não achei que fosse perigoso… me desculpe. Mas senti que precisava experimentar os efeitos do remédio eu mesma para realmente entendê-lo.

— O que você pediu para Michelle fazer? — ele interrompeu. Suas palavras hesitaram. Cesare virou-se totalmente para ela, seu tom gentil, mas seu olhar investigativo. — O que você está tão ansiosa para saber, Eileen?

Ele dissera que ela podia fazer o que quisesse, mas estava claro que havia limites — os limites dele. Percebeu que tinha ultrapassado as fronteiras que o homem estabelecera para ela.

‘Mas…’

Eileen cuidadosamente sustentou seu olhar.

— …Eu queria saber mais sobre você, Cesare.

Não era um pedido grandioso. Ela simplesmente pedira a Michelle que lhe contasse o que ela não sabia sobre Cesare. Queria reunir o máximo de informações possível para montar a verdade por conta própria. Não podia simplesmente esperar que ele compartilhasse voluntariamente.

— Eu… eu…

Ela estabilizou a respiração trêmula.

— Eu te amo, Cesare.

Era uma verdade simples e óbvia — algo que ele certamente já sabia, mas dizê-la em voz alta parecia monumental.

— Não importa o que você faça… mesmo que os outros te vejam como um vilão…

Sua voz vacilou ao confessar sentimentos que guardara por tanto tempo.

— Mesmo que você venha a não gostar de mim, mesmo que eu pare de ser a Arquiduquesa, que eu seja descartada… eu ainda vou te amar.

Quanto mais falava, mais se sentia insegura de como continuar. Suas palavras saíam atrapalhadas, as lágrimas ameaçando cair.

— Você é o único para mim.

Ela respirou com dificuldade, trêmula. Seu olhar carmesim cravado a ela, como se esperasse que ela terminasse.

— Então eu quero te entender melhor. Não quero ver você sofrer. Desejo que se livre dos pesadelos. É pelo seu bem, mas também… — seu rosto corou, sua voz tremendo de emoção crua. Ela não desviou o olhar. — … é por mim.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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