Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 148 Online

No momento em que a pergunta foi feita, o Conde Bonaparte congelou. Era bem conhecido, ainda que indiretamente, que o Arquiduque Erzet tratava Eileen Elrod como se fosse sua própria filha.
No entanto, quando o Rei de Kalpen fervia de vingança pela morte do filho, nenhum nobre havia considerado alvejar Eileen Elrod. Na época, ela era uma ninguém—apenas a filha de um mero barão.
Mesmo nas circunstâncias mais favoráveis, a maior aspiração para alguém como ela teria sido se tornar amante do Arquiduque. No entanto, o homem não demonstrara interesse romântico algum por ela, e era vista como uma figura passageira que desapareceria quando as estranhas afeições dele eventualmente se dissipassem.
Quando Kalpen decidiu atacar a honra do Arquiduque, alvejar Eileen Elrod parecia ilógico. No entanto, de alguma forma, surgiram rumores de que ela estava envolvida em violações de narcóticos. O plano era manchar a reputação do Arquiduque ligando sua protegida a tais crimes.
O Conde Bonaparte apoiara o plano de bom grado. Se tudo tivesse saído como planejado, Eileen Elrod teria sido julgada por delitos relacionados a drogas e, com pressão suficiente da nobreza, ela teria encontrado rapidamente seu fim na guilhotina.
Mas por que haviam escolhido Eileen Elrod em primeiro lugar?
Bonaparte forçou a memória, mas ele simplesmente seguira ordens. Nunca questionara por que ela fora selecionada. Na época, ele pensara que seria divertido vê-la no cadafalso.
Sua mente ficou em branco, um suor frio escorrendo por suas costas. O Arquiduque estava esperando. Se falhasse em fornecer uma resposta significativa, estaria em grave perigo. Vasculhando desesperadamente suas memórias, ele desenterrou um fragmento tênue de uma conversa antiga.
— E-eu ouvi alguém… alguém que conhecia bem Vossa Graça, mencionou o nome da senhora Elrod. Não sei quem era—apenas que era um indivíduo de alto escalão…
— Conde, você também ocupa uma posição de alto escalão.
O comentário incisivo do Arquiduque fez Bonaparte estremecer. Era verdade; poucos tinham patente superior à sua, e reduzir os suspeitos não era difícil. Mas em vez de reconhecer isso, o Conde forçou uma risada nervosa.
O Arquiduque franziu levemente a testa, murmurando algo enigmático:
— Então existe alguém da mais alta posição.
Bonaparte estudou ansiosamente o rosto do Arquiduque. Ele estivera preparado para alegar sua inocência em relação à recente tentativa de assassinato, esperando se explicar e implorar por misericórdia. Mas o Arquiduque parecia completamente desinteressado no tiroteio. Sua única preocupação era Kalpen, como se esse tivesse sido seu objetivo desde o início.
Por que o Arquiduque estava obcecado com um reino já apagado da história? Bonaparte estremeceu quando uma estranha inquietação tomava conta dele
Reuniu coragem e tentou falar:
— Vossa Graça…
Ao abrir a boca para mencionar a tentativa de assassinato, seu olhar se desviou para o ombro do Arquiduque. Em vez de seu uniforme militar habitual, o Arquiduque usava um terno perfeitamente ajustado, como se para esconder quaisquer bandagens ou ferimentos. O tecido era liso e sem amassado, como se ele não tivesse sido ferido.
Bonaparte subitamente recordou o quão naturalmente o Arquiduque se movia. Não havia rigidez alguma, nenhum sinal de um homem que havia recentemente sobrevivido a um tiro no ombro.
Era impossível.
Mesmo que o tempo tivesse passado, ninguém poderia se recuperar tão completamente a ponto de se mover com tanta liberdade. Os lábios de Bonaparte tremeram enquanto as peças começavam a se encaixar:
— Seu ombro…
Os olhos do Arquiduque, antes voltados para baixo em pensamento, ergueram-se para encontrar os de Bonaparte. O reflexo de seu próprio rosto aterrorizado nas íris carmesim enviou arrepios por sua espinha.
Instintivamente, as palavras escaparam de seus lábios.
— Seu ombro… ele… está curado?
A percepção o atingiu assim que falou. O Arquiduque, que supostamente deveria estar se recuperando no palácio, não tinha motivo para estar aqui a menos que tivesse planejado isso desde o início.
— Agradeço sua preocupação.
O Arquiduque estendeu a mão. Por trás, um de seus cavaleiros aproximou-se e colocou respeitosamente uma pistola nela. O clique agudo da arma sendo destravada ecoou ameaçadoramente.
— Estou totalmente recuperado, Conde, — comentou o Arquiduque casualmente, empunhando a arma com dedos longos e firmes.
Ao encarar o cano negro agora apontado para ele, Bonaparte perdeu o controle, se mijando de medo enquanto tremia. Antes que o mau cheiro pudesse se espalhar, um único tiro ecoou pelo calabouço.
Eileen passara horas monitorando a condição da Condessa Domenico. Felizmente, a dose de Morpheu funcionara; a Condessa finalmente adormecera em paz, livre dos gemidos de dor que a atormentavam há tanto tempo.
O Conde, vendo sua esposa dormir sem desconforto pela primeira vez em anos, começou a chorar. Ele tentou suprimir o barulho, com medo de perturbá-la.
— Já comecei os preparativos para o funeral — disse o conde mais tarde, enquanto acompanhava Eileen para fora, os olhos vermelhos e inchados.
Era dolorosamente óbvio para todos, até para uma criança, que a condessa estava próxima do fim. Tanto ela quanto o marido já haviam aceitado essa verdade há muito tempo.
— Pelo menos ela poderá ficar confortável até seus últimos momentos… Isso já é um grande consolo. Muito obrigado, de verdade.
O conde repetiu seus agradecimentos, prometendo agradecer formalmente a Eileen mais tarde. Lutando para encontrar as palavras certas, Eileen ofereceu algumas tentativas desajeitadas de consolo antes de retornar à residência do Arquiduque.
A menção do conde aos preparativos do funeral pesava em sua mente. Aquilo a fez lembrar da morte de sua mãe — um funeral repleto dos lírios favoritos dela, uma exibição extravagante que só fora possível graças à ajuda de Cesare.
O que deveria ter sido uma cerimônia modesta, com a presença apenas de Eileen e seu pai, transformara-se em um grande evento, graças a Cesare e seus soldados.
Sempre quisera retribuir sua bondade, mas quando seus pais faleceram, ela não pôde fazer nada.
Quando a mãe de Cesare morreu, Eileen era jovem demais, ele só lhe contara muito tempo depois. E quando o falecido Imperador, pai de Cesare, faleceu, o funeral de estado estava muito além de qualquer envolvimento de Eileen.
Ela não o viu durante o período de luto nacional, pois Cesare estava consumido pelo caos político da sucessão imperial. Depois veio a guerra civil entre os príncipes, o que apenas ampliou a distância entre eles.
As memórias de Eileen sobre Cesare eram principalmente de sua infância, uma época em que a ligação entre eles era mais forte.
Pensando nesses tempos, Eileen também se lembrou de seu pai, o Barão Elrod. Desde que Cesare o havia confinado em uma propriedade distante, ela não o via. Embora tivesse escrito algumas cartas, nenhuma fora respondida.
Mesmo assim, ainda era seu pai. Ela sentia que deveria ao menos verificar como ele estava.
— Eu deveria visitá-lo… para ver como ele está.
Enquanto o pensamento cruzava sua mente, sua mão instintivamente tocou seu rosto. Ela não mais se escondia atrás de óculos ou franja, e a sensação de estar descoberta parecia natural agora.
O mundo havia mudado tanto e, embora às vezes sentisse medo, sabia que nunca poderia voltar ao passado. Viver ao lado de Cesare havia se tornado sua realidade.
Foi quando entrou em seu quarto que uma voz baixa a recebeu:
— Você demorou, Eileen.
Cesare estava esperando por ela, cheirando a tabaco e sangue.
Continua …
Tradução: Elisa Erzet
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Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui