Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 147 Online


Modo Claro

O conde, que normalmente exalava um ar severo e meticuloso, desabou no chão e começou a chorar como uma criança. Eileen ficou surpresa, segurando sua bolsa com força enquanto o encarava, chocada. Colocou a bolsa debaixo do braço e segurou o conde, tentando ajudá-lo a se levantar.

— Conde Domenico! Este não é o momento para lágrimas.

Embora desejasse poder consolá-lo, administrar o analgésico em sua esposa era muito mais urgente.

— Por favor, pare de chorar e vamos até sua esposa.

Ao ouvir isso, o conde se levantou abruptamente, fungando e fazendo um gesto para que Eileen o seguisse. Enquanto se apressavam em direção aos aposentos da condessa, Eileen explicou rapidamente sobre o medicamento.

— Ainda é experimental, e eu o testei em mim mesma. Pode haver efeitos colaterais, como náusea e tontura.

O rosto do conde, ainda marcado por lágrimas, mostrou surpresa ao ouvir que Eileen havia testado a droga pessoalmente. Ela olhou ao redor para garantir que os criados mantinham distância antes de continuar.

— Em pequenas doses, não causa dependência severa. Porém, considerando a dose que sua esposa precisará, será quase inevitável.

Quando entraram no quarto da condessa, gemidos baixos de dor preenchiam o ambiente. Fraca demais para gritar adequadamente, a condessa parecia presa em uma luta interminável contra o sofrimento. O conde virou para Eileen um rosto pálido e abatido.

— Dependência…?

Fechando a porta atrás deles, Eileen encarou o conde diretamente. Ele merecia saber toda a verdade.

— O analgésico que desenvolvi é derivado do ópio.

A expressão do conde vacilou, sua determinação abalada. Eileen falou com firmeza, em um tom controlado.

— Mas também é a única coisa capaz de aliviar o sofrimento de sua esposa.

Sua voz carregava a convicção de uma farmacêutica que conhecia a eficácia de sua criação. Entre todos os analgésicos existentes, Morpheu era incomparável. Ele havia sido criado para soldados em campos de batalha, não para dores comuns.

— Ópio… — O conde tremia enquanto falava, sua voz era pouco mais que um sussurro. — Eu sei que ele tem sido usado como analgésico. Pesquisei todos os medicamentos possíveis para minha esposa…

O conde havia investigado todo o continente, chegando até a entrar em contato com a Universidade de Palerchia, onde Eileen havia estudado. Por isso, seu conhecimento de farmacologia superava o da maioria dos aristocratas.

— Eu confio na senhora. Como não confiaria?

Suas palavras vieram acompanhadas de um sorriso agridoce, seu rosto marcado por lágrimas contorcido entre gratidão e tristeza.

— A senhora escolheu minha esposa em vez da própria segurança como Arquiduquesa.

Ele sabia muito bem a gravidade daquilo. Ao criar um medicamento a partir de uma substância proibida pelo Império, ela havia arriscado tudo. A voz do conde tremia de emoção.

— Obrigado por nos dar esta chance.

Quando ele se ajoelhou novamente para expressar sua gratidão, Eileen rapidamente o segurou e o ajudou a se levantar. Ela abriu a bolsa e começou a preparar a dose, verificando quando o último analgésico havia sido administrado e qual fora a dosagem, antes de calcular cuidadosamente a quantidade adequada de Morpheu.

O conde, observando seus preparativos cuidadosos, perguntou de repente:

— Esse remédio tem um nome?

— Chama-se Morpheu.

Ela havia escolhido esse nome com a esperança de que, mesmo que apenas por um breve momento, aqueles que o tomassem pudessem escapar da dor e encontrar paz em um sonho reconfortante.

O Conde Bonaparte não conseguia compreender a catástrofe que havia recaído sobre ele. Nunca, nem mesmo em seus sonhos mais absurdos, ele havia considerado a ideia de assassinar o Arquiduque Erzet.

Reconhecidamente, ele havia cometido uma pequena transgressão: ajudar Kalpen durante a guerra enquanto o Arquiduque lutava nas linhas de frente.

Na época, parecera inevitável. Com a derrota do Império parecendo certa, muitos nobres se alinharam com Kalpen para proteger seu status. Kalpen havia ativamente cortejado a aristocracia do Império, e apoiar o Arquiduque era visto como uma aposta imprudente. Poucos haviam se recusado a cooperar com Kalpen.

Ainda assim, ajudar Kalpen era traição. No entanto, o conde não conseguia entender por que ele e sua família haviam sido completamente destruídos. Se ele estava sendo punido por isso, então não seria um terço da nobreza do Império igualmente culpado?

— Vossa Graça…

O conde, nu e coberto de hematomas, estava caído em uma cadeira. Sua figura outrora orgulhosa agora era lamentável, marcada por sangue e sujeira. Cada palavra que dizia fazia sangue escorrer de sua boca.

— Vossa Graça, o senhor sabe que sou inocente…

De pé, ileso na prisão úmida, o Arquiduque Erzet acendeu um cigarro, indiferente às súplicas do conde. A fumaça se espalhou entre eles enquanto o conde tossia violentamente, incapaz de conter os espasmos. O Arquiduque abaixou o cigarro, um leve sorriso surgindo em seus lábios.

— Lembro que você teve pneumonia quando criança.

— S-Sim… sim, Vossa Graça.

Os pulmões do conde haviam ficado fracos desde então. Ele assentiu desesperadamente, aproveitando qualquer oportunidade para concordar com o que o Arquiduque dissesse.

Sem aviso, o cavaleiro do Arquiduque chutou a cadeira do conde, fazendo-o estremecer.

—  Estenda a mão.

A vergonha teria o consumido dias antes. Mas depois de suportar torturas incessantes, a vergonha parecia uma lembrança distante. Obedientemente, o conde estendeu as mãos, uma sobre a outra.

O Arquiduque apagou o cigarro na pele do conde.

— …!

A dor ardente não era menos agonizante do que as torturas anteriores. Mesmo cerrando os dentes, o conde não conseguiu conter um gemido. Ele sabia que aquela era sua última chance.

O suor escorria por seu rosto enquanto suportava a dor, segurando o toco queimado com as mãos trêmulas. Forçou um sorriso servil.

— Vossa Graça… Como eu poderia conspirar contra o senhor? Me ordene, interrogue, e eu contarei tudo. Poupe minha vida, e farei qualquer coisa.

O conde conhecia o desespero desde que fora capturado. Nenhum de seus protestos havia sido ouvido; ele apenas suportara espancamentos e torturas intermináveis. Mas agora, diante do próprio Arquiduque, enxergava um vislumbre de esperança.

Os penetrantes olhos vermelhos do homem o encaravam friamente. O conde contraiu o estômago para conter o terror quando a voz do Arquiduque cortou o ar.

— Que ordens o Rei de Kalpen deu aos seus espiões no Império?

— P-Para desestabilizar o exército imperial—

— Eileen Elrod.

O Arquiduque o interrompeu com um único nome.

— Ambos sabemos que não há necessidade de fingimentos, conde.

Suas palavras carregavam uma gentileza zombeteira. O conde assentiu freneticamente.

— O Rei de Kalpen — ele vilmente tentou prejudicar a senhora Elrod, vingando a morte de seu filho na guerra! Ele fabricou acusações para executá-la, mas Vossa Graça triunfou e matou o rei antes que isso pudesse acontecer—

O conde despejou tudo o que lembrava.

— E quem contou ao Rei de Kalpen sobre a existência da senhora Eileen Elrod?

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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