Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 144 Online


Modo Claro

A notícia da visita de Leone e Ornella foi uma surpresa. Era natural que Leone viesse ver seu irmão gêmeo ferido, mas era inesperado que Ornella o acompanhasse. Os dois raramente apareciam juntos, tornando a situação incomum.

‘Agora que penso bem, eles também estavam juntos no festival de caça.’

Eileen inicialmente assumiu que fosse para afirmar publicamente que o noivado deles era mais do que uma simples formalidade. No entanto, comparecerem juntos a um assunto privado como uma visita a um ferido parecia excessivo.

Era evidente que Ornella nutria sentimentos por Cesare, mas sua natureza orgulhosa tornava improvável que ela tomasse a iniciativa de algo assim. Eileen achou a situação estranha e não conseguiu afastar a curiosidade.

Estava tão perdida em pensamentos que não percebeu a pergunta de Cesare. Seu olhar  permaneceu fixo nos cristais de Morpheu enquanto perguntava novamente:

— Ainda está chateada comigo?

— Hã? Não, não é isso… — Eileen gaguejou ao olhar para ele e respondeu apressadamente, só para sentir o queixo pego pela mão grande dele.

O aperto era firme, mas não doloroso, guiando seu queixo para cima. Conforme seus dedos enluvados pressionavam suavemente ambos os lados de sua mandíbula, seus lábios se separaram naturalmente. O olhar penetrante de Cesare percorreu seu rosto como se inspecionasse as profundezas de sua boca.

Eileen corou de vergonha, sentindo o calor se espalhar pelo rosto. Quando instintivamente tentou recolher a língua para escondê-la, a voz baixa dele interrompeu seu movimento.

— Fique quieta.

O tom era o de um adulto repreendendo uma criança — paciente, porém autoritário. Resignada, Eileen manteve a boca aberta, esperando nervosamente. Não fazia ideia do que ele estava tentando verificar, mas parecia íntimo a ponto de ser constrangedor. Seu olhar vagou pela sala, evitando os olhos dele, mas quando finalmente arriscou um olhar furtivo, seus olhos se encontraram.

— Ah…

Um som suave escapou de seus lábios, e Cesare se inclinou, capturando-os num beijo. Os olhos de Eileen se arregalaram de surpresa com o gesto inesperado. O olhar dele permaneceu sobre ela, inabalável, mesmo enquanto aprofundava o beijo.

Sua língua traçou cada canto da boca dela, explorando deliberadamente, enquanto um som úmido e obsceno preenchia o ar. O corpo de Eileen se aqueceu da cabeça aos pés. Depois de saboreá-la completamente, Cesare finalmente se afastou, deixando-a sem fôlego e atordoada.

Em contraste absoluto com o estado dela, Cesare parecia perfeitamente composto. Seus lábios estavam levemente avermelhados, a única evidência do beijo. Como se para selar o momento, ele se inclinou para dar um selinho suave antes de perguntar casualmente:

— Em que ponto está sua pesquisa com Morpheu?

A pergunta tirou Eileen de seu torpor. Suas bochechas ainda queimavam com a lembrança do beijo, mas se forçou a se concentrar. Agora não era hora de pensar na intimidade repentina dele.

Cesare era o principal financiador de sua pesquisa sobre Morpheu. Embora ele lhe tivesse dado total liberdade, ela ainda não o tinha atualizado sobre seu progresso — uma falha pela qual agora se sentia culpada. Considerando os imensos recursos que ele havia investido em seu trabalho, Eileen se apressou em responder.

— E-Eu consegui extrair as propriedades analgésicas! Esses cristais aqui são Morpheu — bem, agora estão em pó, mas começam como formações cristalinas. Estou me preparando para testes em humanos, mas…

Cesare ouviu em silêncio enquanto ela explicava, seu olhar firme e indecifrável. Quando ela fez uma pausa, ele perguntou calmamente:

— Você está planejando testá-lo em si mesma?

— Sim! Pensei em testar em mim primeiro para observar os efeitos…

Eileen parou de falar de repente, sentindo-se estranhamente desconfortável. Havia algo errado em dizer isso a Cesare. Ainda assim, a próxima pergunta dele foi tão gentil quanto a primeira.

Mas você não está sentindo nenhuma dor. Como vai medir a eficácia?

Era um ponto válido, algo com que a própria Eileen vinha se debatendo. Enquanto hesitava em responder, os dedos de Cesare tocaram levemente o canto dos seus olhos, seu toque surpreendentemente terno.

— Não estou te repreendendo, —  ele a tranquilizou. — Estou dizendo que há outras pessoas que podem se beneficiar mais disso. Por exemplo… — o olhar de Cesare se fixou no dela enquanto  continuava: — O presidente do Senado.

— Você quer dizer o conde Domenico?

O conde Domenico, presidente do Senado, havia sido um cliente regular na época em que ela trabalhava na estalagem, comprando remédios para aliviar a dor de sua esposa em estado terminal. No entanto, ele não entrava em contato havia algum tempo, o que era incomum considerando a condição dela. Eileen até havia providenciado para que ele pudesse entrar em contato diretamente com o Arquiducado caso precisasse de mais medicamentos.

Um leve desconforto passou por ela. Mentalmente, decidiu escrever para ele assim que terminasse de conversar com Cesare.

— Sobre o que você conversou com os cavaleiros?

A pergunta inesperada assustou Eileen. Ela havia acabado de pensar em enviar uma carta ao conde Domenico quando as palavras de Cesare fizeram seu coração disparar.

Eileen sabia que Cesare estava bem ciente de suas visitas anuais para homenagear a filha de Lotan. Mas era a primeira vez que ele perguntava sobre o que conversavam durante essas visitas.

‘Será que a Michelle contou tudo para ele?’

Ela se tensionou, preocupada que Michelle pudesse ter revelado os favores que ela havia pedido aos cavaleiros. A mente de Eileen acelerou enquanto tentava avaliar a reação de Cesare, mas a expressão dele permaneceu neutra.

‘Talvez ele esteja só perguntando casualmente…’

Agarrando-se a essa esperança, Eileen relatou cuidadosamente histórias banais e conversas triviais que teve com os cavaleiros, omitindo deliberadamente qualquer coisa significativa. Cesare ouviu com um leve sorriso, sem sinal de suspeita.

O festival de caça havia terminado abruptamente, e seus acontecimentos sombrios deixaram a floresta e o terreno sagrado em desordem. Vestígios do caos permaneciam intocados, um lembrete sombrio do que havia acontecido.

Cesare estava diante do altar arruinado, outrora adornado com fragrante madeira de cedro e flores. A oferenda nunca fora queimada; seu propósito deixado incompleto.

Embora uma tentativa tivesse sido feita para reconstruir o altar após ser profanado com sangue, o ritual do festival foi, em última análise, abandonado. Pela primeira vez na história do império, o festival de caça não foi concluído.

Sacerdotes sugeriram realizar uma cerimônia no templo para compensar, mas Cesare descartou a ideia. O significado do ritual residia em sua execução precisa; uma vez interrompido, tornava-se sem sentido.

Cesare pegou um lírio murcho do altar, suas pétalas caídas sem vida. Ele o examinou brevemente antes de jogá-lo de volta sobre a pilha de oferendas. Seu olhar endureceu ao encarar o altar.

Ele pretendia cortar o vínculo entre Traon e seus deuses, garantindo que eles não pudessem mais interferir nos assuntos do império.

— Lotan, —  chamou.

O cavaleiro, que estava silenciosamente por perto, imediatamente se aproximou e entregou a Cesare uma garrafa aberta de licor. Cesare derramou o conteúdo sobre o altar, o cheiro forte de álcool enchendo o ar.

O ato imitava uma oferenda tradicional, mas as intenções de Cesare estavam longe de ser devotas. Riscando um fósforo, ele ateou fogo ao altar. As chamas ganharam vida, consumindo as oferendas arruinadas.

Enquanto as chamas dançavam e cresciam, uma sombra passageira cruzou a expressão de Lotan. Cesare percebeu e perguntou, seu tom aparentemente indiferente: 

— Como foi o memorial?

— Graças à visita da Senhora Eileen, foi um dia agradável,—  Lotan respondeu, desviando o olhar do fogo. Ele se voltou para Cesare e fez uma reverência profunda. — Como sempre… obrigado, Vossa Graça.

Anos atrás, fora Cesare quem salvara Lotan das chamas que destruíram sua casa. Ele resgatou tanto Lotan quanto sua filha do incêndio, embora a criança tivesse sucumbido à inalação de fumaça pouco depois.

A culpa por colocar seu mestre em perigo e não conseguir salvar sua filha assombrava Lotan desde então. Cada cicatriz em seu corpo, cada lampejo de fogo, servia como um lembrete constante do seu fracasso.

Cesare, plenamente consciente do tormento de Lotan, nunca comparecia pessoalmente aos memoriais. Em vez disso, enviava discretamente pequenos presentes, como o ursinho de pelúcia que Lotan colocara no túmulo da filha este ano.

Enquanto faíscas do fogo vagavam ao vento, Cesare virou-se para Lotan. Seus olhos carmesins, refletindo as chamas, eram tão inquietantes quanto sempre, e Lotan achou difícil encarar seu olhar.

Em um tom quase casual, Cesare disse:

— Parece que Eileen pediu um favor a Michelle.

Seu sorriso leve permaneceu enquanto acrescentava:

— Você sabe o que foi?

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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