Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 143 Online

— Vossa Graça disse isso?
Michelle soltou um gemido frustrado, agarrando a enorme caneca de cerveja à sua frente. Depois de dar um grande gole, bateu a caneca na mesa com um suspiro dramático e gritou:
— Como eu poderia dizer não?
O seu acesso de raiva provocou uma resposta calma de Senon, que saboreava o seu uísque com a sua habitual indiferença.
— É verdade. É difícil recusar qualquer coisa à Senhora Eileen.
Ao contrário dos outros, que estavam com canecas de cerveja, Senon tinha optado pelo uísque. Seu comportamento composto enquanto bebericava do copo fez Michelle franzir o nariz e resmungar.
— Você parece um nobrezinho metido quando faz isso. É irritante.
— Não apenas ‘pareço’, eu sou um nobre, — retrucou Senon, fazendo Michelle estreitar os olhos com uma irritação fingida.
Diego riu e entrou na conversa:
— Ele não está errado.
O rosto de Senon ficou levemente vermelho enquanto murmurava:
— Parem de me provocar.
Embora seu pai e irmão mais velho esperassem que ele ajudasse nos assuntos da família, Senon escolheu Cesare. Apesar da veemente oposição da sua família, que chegou a romper relações, Senon não se arrependia.
Entre os cavaleiros, Senon era o único de descendência nobre. Seu pai, um magistrado provincial e figura influente na região, tinha grandes expectativas para ele. Contudo, como segundo filho da família, Senon não herdaria o título. Embora seu pai e irmão mais velho esperassem que ele ajudasse nos assuntos da família, Senon havia escolhido seguir Cesare. Apesar da veemente oposição da sua família, que chegou a romper relações, Senon não se arrependia.
Colocando o copo de uísque de lado, Senon virou-se para Lotan, que estivera bebendo em silêncio durante toda a conversa. O olhar de Lotan estava fixo no copo que ele girava distraidamente.
O encontro dos cavaleiros acontecia na casa de Diego. Decorada com uma surpreendente quantidade de detalhes charmosos, ela era um ponto de encontro frequente para as reuniões do grupo. Considerando o quanto todos estiveram ocupados recentemente, aquela era uma rara oportunidade de se reunirem depois de terem visitado o túmulo mais cedo naquele dia.
Normalmente, Eileen também estaria ali, mas ela havia saído cedo, provavelmente para cuidar de Cesare. Os cavaleiros, que haviam testemunhado a ferida na mão de Cesare se curar diante de seus olhos, achavam sua preocupação exagerada. Ainda assim, entendendo que Eileen não estava acostumada com esse tipo de coisa, evitaram comentar e apenas se despediram dela.
— Lotan, — chamou Senon, quebrando o silêncio. Os outros cavaleiros, incluindo Diego e Michelle, voltaram a atenção para ele. Lotan demorou um momento para responder, os dedos passando pela borda do copo enquanto parecia perdido em pensamentos.
A mente de Lotan voltou ao passado. Fora Eileen quem o tirara das profundezas do desespero após ele perder a filha. Ela o visitava com frequência, levando flores ou presenteando-o com um ursinho de pelúcia que comprava com a mesada que havia economizado.
Embora se sentisse envergonhado por admitir, Lotan tinha começado a ver Eileen como uma substituta para a sua falecida filha, encontrando consolo em vê-la realizar coisas que a sua filha nunca tivera a oportunidade.
Com voz baixa, Lotan finalmente falou:
— Nós servimos a Sua Graça, mas recusar os pedidos da Senhora Eileen é outra questão completamente diferente.
Suas palavras trouxeram um silêncio pensativo ao grupo. Apesar de suas reputações destemidas como cavaleiros de Cesare, Eileen tinha um jeito de amolecer a determinação deles.
Enquanto Michelle esfregava o peito, murmurando que seu coração ainda doía por causa do pedido que Eileen fizera mais cedo, Diego quebrou o silêncio com um pensamento.
— Mas se tudo isto é realmente para a Senhora Eileen… — Os cavaleiros trocaram olhares, pressentindo onde Diego queria chegar. Ele continuou: — …faz sentido porque que Sua Graça não conte a ela.
As palavras pairaram no ar, preenchendo a sala silenciosa. Os cavaleiros debatiam-se com os seus pensamentos, sem saber como proceder. Foi Michelle quem finalmente falou, um brilho travesso no olho.
— Bem, nesse caso… — seu tom baixou de forma conspiratória. — E se ajudássemos a Senhora Eileen e… ganhássemos algo no processo?
Era evidente que o elaborado plano de Cesare — fingir um ataque contra si mesmo e destruir a casa do Conde Bonaparte — fazia parte de um plano maior. Mas havia outro aspecto que os deixava intrigados.
Cesare havia deliberadamente orquestrado um incidente envolvendo um animal selvagem, fazendo com que profanasse o altar sagrado no festival de caça. Quase parecia uma tentativa de cortar qualquer intervenção divina nos assuntos humanos.
— Para nós apoiarmos verdadeiramente a grande visão de Sua Graça,— acrescentou Michelle, encorajada pelo álcool, — precisamos entender o que realmente se passa.
Segundo a lenda, Morpheu, o deus dos sonhos, podia assumir a forma de quem o sonhador desejasse. Da aparência aos gestos, das expressões à voz, podia imitá-los tão perfeitamente que ninguém conseguia discernir a ilusão da realidade. Os sonhadores participariam inconscientemente dos sonhos que ele criava, completamente à sua mercê.
‘O que Cesare teria visto em seus sonhos?’
Eileen se pegou imaginando que versão dela Cesare teria encontrado durante seu sono. Desejava poder entrar no sonho e ver por si mesma, mas isso era impossível, deixando-a inquieta.
— …
Suprimindo um suspiro — para não perturbar a sua experiência atual — Eileen mordeu o lábio e mediu cuidadosamente grânulos cristalinos de morfina derivados do ópio.
Usando uma balança de precisão, dividiu os cristais em doses de 30 mg, fazendo uma pausa para deliberar os seus próximos passos.
Depois de inúmeras tentativas, Eileen havia conseguido extrair compostos analgésicos puros do ópio. Foram necessários muitos experimentos fracassados — envolvendo aquecimento, filtragem e a adição de amônia — até finalmente alcançar o processo de cristalização.
No entanto, nunca considerara o esforço penoso. Para Eileen, qualquer quantidade de trabalho valia a pena por resultados concretos.
Agora, porém, ao chegar à fase de testes em humanos, ela se via hesitante.
Seu plano era testar a substância primeiro em si mesma. Sem toxicidade detectável ou efeitos colaterais graves, parecia seguro o suficiente. Ainda assim, ela se preocupava em alarmar seus funcionários ou conhecidos caso algo inesperado acontecesse.
Outra preocupação era a sua própria falta de dor. Como criadora desta nova droga, sentia-se na obrigação de testar a sua eficácia em primeira mão. Mas conseguiria encontrar alguém disposto a confiar num medicamento experimental, especialmente um tão enigmático quanto Morpheu?
‘Para tornar isto mutuamente benéfico,’ — pensou ela, — ‘preciso de alguém que seja confiável e que esteja desesperadamente necessitado de alívio eficaz da dor…’
Seus pensamentos foram interrompidos por uma batida suave, seguida pelo rangido da porta do laboratório se abrindo. Sobressaltada, Eileen se virou e viu Cesare parado na entrada.
Ele estava vestido casualmente com camisa e calças, o cabelo ligeiramente despenteado. Sem o visual impecável de seu uniforme habitual, ele exalava uma aura estranhamente íntima.
Pega de surpresa, Eileen congelou, os lábios meio abertos enquanto o encarava. Cesare inclinou levemente a cabeça e perguntou:
— Estou interrompendo?
— N-Não, de modo algum! — ela gaguejou, guardando apressadamente a morfina e tirando as luvas e o avental antes de lavar as mãos. O coração acelerou. Era a primeira vez que ele visitava o seu laboratório, e não sabia como reagir.
— O que o traz aqui? — perguntou ela, olhando para ele nervosamente.
Os olhos afiados de Cesare se estreitaram levemente.
— Preciso de um motivo para ver minha esposa?
Talvez fosse sua aparência casual ou o tom brincalhão na sua voz, mas o comportamento de Cesare parecia incomumente provocador. Atrapalhada, Eileen hesitou na resposta.
— N-Não, eu só não esperava…
Desde a noite intensa que passaram juntos, o ombro de Cesare tinha sarado completamente, não havendo necessidade de mais cuidados. Naquela noite, ele também lhe tinha dado uma resposta definitiva: “Claro que não.”
A declaração de que suas ações não eram por ela deveria ter tranquilizado Eileen. Certamente, Cesare teria motivos ou ambições maiores que ainda não podia revelar.
E, no entanto, as dúvidas continuavam a surgir. Eileen repreendeu-se por ultrapassar os limites, por deixar sua posição como Arquiduquesa nublar seu julgamento. Ainda assim, os pensamentos se recusaram a deixar a sua mente.
‘É culpa dele. Ele plantou a semente.’
Cesare lhe dera algo para pensar, e Eileen havia alimentado aquilo até florescer em suspeita.
Saindo de seus devaneios, Eileen levantou o olhar quando Cesare voltou a falar:
— O imperador planeja visitar o arquiducado, — disse ele, seu olhar pairando brevemente sobre Morpheu antes de voltar a ela: — E está trazendo a Senhorita Farbellini com ele.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui