Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 127 Online

A crescente demanda por Aspiria havia levado a uma escassez severa. Embora Eileen tivesse desenvolvido e implementado um método de produção em massa, a procura rapidamente ultrapassou a capacidade máxima diária de fabricação.
No início, apenas aqueles com laços com a Casa Erzet compravam Aspiria, atraídos pelo emblema da casa no rótulo. Contudo, à medida que a eficácia do medicamento se tornou amplamente conhecida, pessoas sem qualquer conexão com a casa também passaram a adquiri-lo.
O surto inicial de interesse continuou a crescer. Agora, não apenas a capital e todo o Império Traon, mas até países estrangeiros, estavam ansiosos para colocar as mãos na Aspiria.
À medida que o medicamento se tornava mais difícil de obter, a Casa Erzet restringiu sua exportação, anunciando que as vendas ao exterior só começariam quando houvesse um fornecimento doméstico estável. Também limitaram as compras a cidadãos e expandiram suas instalações de produção para atender à demanda. Apesar desses esforços, Aspiria continuava sendo um produto que exigia formar fila ao amanhecer para consegui-lo.
‘E pensar que há um boato de que vou distribuí-lo gratuitamente…’
Quem poderia ter espalhado uma alegação tão infundada? Nem mesmo Eileen conseguia fornecer Aspiria suficiente para atender a uma demanda desse tipo. Agora, encontrava-se na posição de ter de abordar e refutar essa desinformação.
Mais do que o incômodo pessoal, Eileen estava preocupada com o possível dano à reputação da Casa Erzet. Com expressão apreensiva, perguntou:
— Por acaso sabe onde ouviu isso?
— Eu mesma ouvi isso ontem no teatro.
A Baronesa Contarini, igualmente indignada com a situação, mostrou a Eileen a melhor forma de reagir.
— Quanto mais elevada for sua reputação, maior a probabilidade de atrair atenção indesejada. Não deixe que isso a afete demais. O melhor caminho é negar com firmeza, sem dar energia excessiva ao assunto.
Tecnicamente, rastrear e punir a fonte de rumores falsos era o procedimento padrão. Contudo, na intrincada rede da sociedade, reagir de forma agressiva a um simples boato poderia ser visto como falta de sofisticação.
Como Arquiduquesa, a posição de Eileen inevitavelmente atrairia escândalos. Responder a cada rumor em detalhes seria impraticável, portanto era mais sensato ajustar sua postura desde já.
Eileen registrou cuidadosamente o conselho da baronesa antes de responder:
— Obrigada, Baronesa. Sem sua orientação, eu poderia ter cometido um erro. Preciso encontrar uma forma de retribuí-la…
Em seu tempo na sociedade, Eileen aprendera que relações exigiam reciprocidade. A ajuda da baronesa merecia um gesto apropriado para manter a aliança.
— Você já me retribuiu mais do que o suficiente — disse a baronesa com um sorriso, indicando discretamente o entorno.
Seguindo seu olhar, Eileen percebeu várias pessoas observando-as à distância.
A visão das duas conversando calorosamente certamente geraria rumores sobre a proximidade entre a baronesa e a arquiduquesa.
A Baronesa Contarini esboçou um leve sorriso astuto.
— Tenho uma vaidade terrível, sabe? É por isso que ofereço bailes tão grandiosos.
Eileen recordou as informações de Sonio: a Casa Contarini era uma das famílias mais ricas, com uma rede comercial influente, e a baronesa era conhecida por seu gosto refinado e estilo de vida opulento. Antes de a Casa Erzet se envolver com artigos de luxo por meio de sua nova arquiduquesa, a baronesa fora a patrona mais disputada da sociedade.
— Não precisa questionar minha boa vontade; a honra de sua companhia satisfaz minha vaidade como nada mais.
Com uma mão sobre o peito e a outra segurando a saia, a baronesa fez uma reverência graciosa, seu sorriso inabalável.
— Mantenha-me por perto, e você nunca se decepcionará.
Eileen prometeu repetidas vezes comparecer ao baile da Baronesa Contarini, assegurando que sua gratidão estivesse clara.
Depois, começou a dirigir-se à tenda Erzet, mas fez uma pausa, decidindo caminhar sozinha por um momento pela floresta. Embora a multidão preenchesse o bosque, o cenário natural ainda oferecia um pano de fundo tranquilo para organizar seus pensamentos.
A floresta imperial, com suas plantas nativas pouco afetadas por espécies estrangeiras, preservava o aroma característico da flora de Traon. Ao inspirar o ar fresco e terroso, Eileen foi tomada por uma onda de nostalgia.
Quando criança, visitara aquela floresta algumas vezes. Cesare a trouxera ali, sabendo de seu amor pelas plantas. Ela se lembrava de correr à frente, explicando animadamente as diferentes espécies, despreocupada e cheia de energia.
Naquela época, tudo parecera tão inocente e alegre. Agora, ao recordar, não pôde deixar de sentir que fora uma indulgência tola — ocupar metade do valioso dia do príncipe com algo tão trivial quanto um passeio pelo bosque.
Eileen permanecia imersa nas memórias de sua versão mais jovem e de Cesare, quando ele ainda era príncipe, deixando o olhar vagar pela copa das árvores. Mas uma súbita comoção a arrancou de seus pensamentos.
Vários veículos militares surgiram na estrada adiante, avançando em fila. Quando as portas pesadas se abriram, Cesare desceu, ajustando os punhos da camisa enquanto seus olhos examinavam os arredores.
Após uma breve troca de palavras com aqueles que vieram recebê-lo, seus olhos encontraram rapidamente os dela. Seus olhares se cruzaram, e uma lembrança ecoou na mente de Eileen — as palavras de uma nobre que certa vez riu enquanto falava com ela:
“É verdade que todas as damas da capital não nutriram sentimentos por ele em algum momento.”
Não fora uma provocação, apenas uma constatação simples do que parecia uma verdade inegável.
As palavras soavam irrefutáveis. Observando-o agora, Eileen compreendia que qualquer pessoa capaz de vê-lo sem sentir admiração certamente carecia de coração.
Apesar de todas às vezes que o vira, Eileen se viu cativada mais uma vez. Seus olhos se prenderam, e ela começou a se mover em sua direção, a terra macia sob seus pés.
Seus passos aceleraram à medida que se aproximava. Ao vê-la, Cesare ergueu levemente a sobrancelha, um pouco surpreso.
À medida que a Arquiduquesa se aproximava, os que cercavam Cesare se afastaram, abrindo caminho. O foco dele permaneceu exclusivamente em Eileen, um sinal inequívoco para os presentes de que aquele momento era apenas dela.
Os observadores, que esperavam uma chance de interagir com o Arquiduque, recuaram em silêncio, contentando-se em assistir à distância. A curiosidade em torno do relacionamento do casal alimentara rumores e especulações — sussurros sobre a veracidade por trás da suposta afeição do Arquiduque.
Apesar de todos os olhares sobre ela, o único que deixava Eileen nervosa era o dele.
Saber que Cesare a aguardava a deixou desconcertada. Ela apressou os passos para diminuir a distância entre eles, apenas para tropeçar. As calças pouco familiares desequilibraram-na completamente.
Um nobre próximo estendeu a mão instintivamente para ajudá-la, mas antes que pudesse alcançá-la, Cesare já havia fechado a distância e a amparado.
Aliviada por não ter caído diante de todos, Eileen ergueu os olhos para Cesare. A tensão recente entre eles pareceu dissipar-se naquele instante, deixando-a praticamente em seus braços.
— Tão ansiosa para me ver? — murmurou ele com um sorriso provocador.
Desconcertada e sem saber como responder, Eileen tropeçou nas palavras. Com todos observando, seus nervos apenas pioraram.
Após uma breve pausa, conseguiu agradecer e, ficando na ponta dos pés, inclinou-se em direção ao ouvido dele para transmitir a mensagem que pretendia dizer.
— Obrigada por me segurar, Cesare. Eu precisava te dizer algo importante…
Mas antes que pudesse terminar, Cesare virou o rosto, quase fazendo seus lábios roçarem sua bochecha. Assustada, Eileen recuou rapidamente.
Seu mundo virou quando Cesare a tirou do chão, levantando-a em seus braços e começando a andar.
Em meio aos suspiros dos espectadores, Eileen piscou rapidamente, seus longos cílios tremendo de confusão. Recompondo-se, ela se inclinou para mais perto, sussurrando novamente:
— P-Para onde estamos indo?
Cesare, com o olhar fixo na direção da tenda da casa Erzet, respondeu:
— Você mencionou que tinha algo importante a dizer. — Então, tão casualmente como se estivessem sozinhos, acrescentou: — É melhor discutirmos em algum lugar privado, não acha?
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui