Ler Lamba-me se puder – Capítulo 196 Online
Ashley apertou com força a mão que segurava o ombro de Koy — e então soltou. Apenas com um leve empurrão, Koy caiu para trás, tombando sobre a cama.
Com os joelhos dobrados ao meio e as pernas ainda pendendo para fora do colchão, ele ficou estendido ali enquanto Ashley se inclinava sobre ele. Apoiado com um dos joelhos na beirada da cama, olhando Koy de cima, o rosto de Ashley estava completamente sem expressão, parecendo uma máscara.
O coração de Koy começou a tremer, mas por um motivo diferente de antes.
Ele quis fugir, porém seu corpo não se movia. Como um pedestre paralisado diante de um carro que avança em sua direção, ele apenas ficou ali deitado, encarando Ashley.
O olhar de Ashley percorreu lentamente o corpo de Koy. Como se não quisesse deixar escapar nem o menor vestígio.
Mas não havia nada.
Mesmo depois de arrancar todas as roupas, até a última peça íntima, e examinar cada centímetro do corpo nu de Koy, não encontrou nenhum novo ferimento.
Era para sentir alívio.
Mas não sentiu.
A fúria de Ashley, agora sem alvo, começou a se espalhar descontrolada.
— A-Ash…
Koy o chamou, aflito.
O dourado nos olhos de Ashley surgia e desaparecia rapidamente, repetidas vezes. Por um instante, Koy quase se ergueu para fugir. Não seria tão difícil. Bastava empurrá-lo e sair correndo. Nem sequer imaginou que Ashley o alcançaria em segundos, que talvez nem se movesse por mais força que ele usasse, ou no que faria depois caso conseguisse escapar.
Ashley agarrou o braço de Koy com força e, de maneira brutal, cravou os dentes em seu pescoço.
A sensação dos dentes pressionando com violência arrancou um grito involuntário de Koy.
— A-ai! Dói, dói, Ash! Para!
Ele gritou repetidas vezes, mas Ashley não o ouviu. Mordeu-lhe o ombro, o peito, o braço — vários pontos do corpo. Como se quisesse devorá-lo.
Koy nunca tivera tanto medo dele como agora.
Pálido, tremendo, ele sentiu os dentes de Ashley marcarem sua pele enquanto os olhos dele eram completamente tomados pelo dourado.
Será que o rut tinha começado?
Koy engoliu em seco sem perceber, mas seu palpite estava errado.
Ashley estava completamente lúcido. Ele sabia exatamente o que estava fazendo — e era justamente isso que o enlouquecia ainda mais.
— Por quê?
Depois de enterrar o nariz na marca que havia feito e inspirar profundamente, Ashley ergueu a cabeça. Com o rosto transtornado, ele falou:
— Por que você não reage?
Ele simplesmente não conseguia entender. Tinha despejado tantos feromônios, e mesmo assim Koy não apresentava reação alguma. Ele tinha certeza de que já havia ocorrido a manifestação. Então por que não havia nenhuma resposta? Por que ele não reagia aos seus feromônios? Por quê?
— É porque…
Koy tornou a engolir em seco. Ao perceber a situação pelas palavras de Ashley e pelo brilho invertido em seus olhos, ele conseguiu falar com dificuldade:
— Eu… eu sou beta… Desculpa.
Um som descrente escapou dos lábios de Ashley.
Não podia ser.
‘Aquilo era um útero, sem dúvida. Dentro dessa barriga deveria estar o meu filho’.
E agora ele dizia que não? Que tudo tinha sido um engano?
— Não minta.
Ashley murmurou entre os dentes cerrados. Em seguida, cravou os dentes na orelha de Koy.
— Ah…! Agh!
Um grito diferente dos anteriores explodiu de sua boca. As mordidas pelo corpo já doíam, mas dessa vez a dor foi intensa a ponto de escurecer sua visão. A pele sensível rasgou-se rapidamente, e o sangue começou a escorrer.
Pela primeira vez, Koy se debateu, tentando empurrar Ashley para longe. Mas ele não se moveu nem um centímetro, continuando a morder e sugar sua orelha.
Quando finalmente ergueu a cabeça, o coração de Ashley estava completamente dilacerado, emaranhado em uma mistura indescritível de tristeza e vazio.
— A marca…
Ele murmurou, como se falasse sozinho.
— A marca não se forma…
Koy apenas o encarava com os olhos bem abertos. Como se não conseguisse compreender absolutamente nada do que estava acontecendo. Mas o olhar de Ashley continuava fixo na orelha dele.
O sangue escorria, porém aquilo era apenas um ferimento comum — não uma marca.
— A-ai! Dói! Para, para com isso!
Koy gritou repetidas vezes. Ainda assim, Ashley voltou a morder sua orelha várias vezes. Mas o resultado foi o mesmo. Nenhuma marca permaneceu. Diante de seus olhos havia apenas a orelha de Koy, agora em frangalhos, e seu rosto banhado em lágrimas.
— Haa…
Ashley soltou um suspiro curto, quase um gemido de lamento. Era tão absurdo que ele quase teve vontade de rir.
Koy nunca reagiu aos meus feromônios.
No meio da sua mente vazia, um fato que ele havia esquecido surgiu de repente. Desde o momento em que Ashley despertara, Koy fora exposto inúmeras vezes aos seus feromônios.
Mas o resultado sempre fora o mesmo.
Koy nunca sentiu os feromônios de Ashley. Nem uma única vez.
E não era só isso.
Desde mais cedo, Ashley não conseguira sentir nenhum aroma vindo de Koy. Inspirou repetidas vezes, enterrando o rosto em diferentes partes do corpo dele para confirmar — mas não havia qualquer fragrância de feromônio. Apenas um leve cheiro natural de pele e o doce perfume dos próprios feromônios que ele mesmo havia despejado.
Esse fato foi o que o fez perder completamente o juízo.
Eu senti. Com certeza senti.
Quase em pânico, ele recordou.
Continuava vindo de você. O aroma de feromônio que me seduzia.
Ashley ficou atordoado, como se estivesse à beira da insanidade.
Então por que agora não há cheiro nenhum? Eu enlouqueci? Estou sonhando? O que diabos está acontecendo?
— Ash…
Koy falou com a voz trêmula. Ashley respirava com dificuldade quando, lentamente, abaixou o olhar. Koy o encarava com o rosto completamente pálido.
— Ah…
Um suspiro baixo escapou dos lábios de Ashley. Só então ele percebeu com clareza o que fizera até aquele momento.
O corpo de Koy estava coberto de hematomas grandes e pequenos, além de marcas de dentes. Todas deixadas por ele. Se uma nova marca tivesse surgido ali, ele saberia. Era óbvio. Quando se tratava de Koy, Ashley se lembrava de absolutamente tudo — até do menor detalhe.
Sim, eu sei. Sei de tudo.
Até mesmo daqueles olhos cheios de medo.
Ashley pensou nisso — e a lembrança desagradável que surgiu o enojou.
Os mesmos olhos com que Koy olhava para o pai dele.
— …Haa.
Ashley suspirou outra vez. Ele quis rir, mas seu rosto acabou se contorcendo como se estivesse prestes a chorar.
Ao ver aquela expressão, o coração de Koy despencou. Ashley não era alguém que choraria — ainda assim, ele entrou em pânico e estendeu os braços.
— Está tudo bem, Ash. Eu estou bem… Não dói, de verdade.
Tentando acalmá-lo de qualquer forma, Koy repetiu as mesmas palavras várias vezes. E isso só fez Ashley se sentir ainda mais miserável.
Mesmo estando naquele estado deplorável, Koy ainda tentava confortá-lo.
Quem deveria pedir desculpas era Ashley.
— …Eu te amo.
Depois de um longo tempo, Ashley finalmente falou, com a voz rouca e abafada. Ao ouvir o sussurro junto ao ouvido, Koy hesitou por um instante, mas logo o abraçou com força e respondeu:
— Eu também, eu também te amo. Para mim, só existe você.
Koy continuou, desesperado:
— Realmente não aconteceu nada. Eu jamais faria esse tipo de coisa com outra pessoa. A única pessoa que eu amo é você… Acredita em mim, por favor.
Por favor, Koy acrescentou ele.
Ashley murmurou, com a voz completamente exaurida:
— Eu acredito.
Seu tom ainda soava fraco.
— Eu não duvido que você me ame.
Mas Koy ficou ainda mais ansioso.
Ashley disse que o amava. Dissera várias vezes que não duvidava de seus sentimentos.
Então por que essa sensação persistia?
Antes e agora eram diferentes?
O que mudou?
De repente, uma outra voz ecoou em algum canto do seu coração.
Agora nós dois somos adultos. Já tivemos um relacionamento físico. Nós possuímos tudo um do outro.
Koy tentou se consolar.
Mas seu coração já estava rachado. A expressão de Ashley parecia grudada em sua retina, impossível de esquecer. Ainda abraçando-o, ele abriu a boca com dificuldade.
— Me desculpa… por eu ser beta.
Não importava o quanto Ashley o envolvesse com feromônios, não adiantava nada. Com medo de que essa relação pudesse terminar novamente, Koy sentiu-se miserável.
— Eu queria ter me manifestado como você.
— Não, Koy.
Diante do murmúrio carregado de lamento, Ashley respondeu sem hesitar:
— Não importa se você é beta ou ômega, isso não é importante para mim. Na verdade, é até bom que seja beta.
Koy hesitou antes de perguntar:
— Sério?
— Sim.
Ashley respondeu de forma breve.
— Eu não preciso de feromônio de ômega.
Ele murmurou aquilo como se estivesse fazendo uma promessa a si mesmo.
Como se quisesse tranquilizá-lo, puxou o corpo de Koy para mais perto e o abraçou com força, inspirando profundamente.
Ainda assim, nenhum aroma vinha de Koy.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can