Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 68 Online
Naquela madrugada, incapaz de dormir, Amber acendeu uma vela em silêncio.
— Igmeyer ainda não voltou…
Ao longe, ainda era possível ouvir as vozes altas dos homens bebendo.
Desistindo de vez do sono, Amber levou a vela até o sofá e se acomodou ali.
Em suas mãos estava o livro antigo. Assim que o abriu, um leve cheiro de poeira se espalhou pelo ar.
Temendo que as páginas se desfizessem, virou-as com extremo cuidado.
Já havia lido aquele trecho antes, mas sentiu vontade de relê-lo.
[…O lugar onde a mulher exausta chegou era uma caverna repleta de cristais cintilantes. Em seu interior, jazia uma criatura gigantesca.
“Grande ser… você está sofrendo muito?” — perguntou a mulher.
A criatura exalou com dificuldade, seus olhos afiados brilhando na penumbra.
Ainda assim, não conseguiu investir contra ela nem balançar a cauda para expulsar aquela intrusa incômoda.
O dragão estava fraco demais.
“Compartilharei metade do meu coração com você, do meu sangue e também do meu fôlego.”
A mulher não sabia por que aquela existência magnífica estava sofrendo.
Ainda assim, comovida pela visão do dragão à beira da morte, fez sua oferta em um sussurro corajoso.
“Pegue minha metade e sobreviva. Respire com facilidade novamente, faça seu sangue fluir rapidamente e permita que seu coração bata livremente mais uma vez.”
Assim, o dragão consumiu a metade da mulher.
Ela desmaiou, e oito noites se passaram.]
Era uma espécie de romance. Ou talvez um conto de fadas.
Algo do tipo acredite se quiser.
[Por muito tempo, a consciência da mulher adormecida permaneceu em uma árvore do mundo estrelada.
Lá, ela encontrou o dragão em forma humana e formou um vínculo com ele, percorrendo lugares inacessíveis aos humanos.
A árvore do mundo erguia-se sem raízes no centro de um pilar triangular, com um oceano azul acima e um céu infinito abaixo.
O dragão disse:
“Este lugar está completamente desvinculado das leis da humanidade. Se desejar, vamos nos tornar estrelas aqui e permanecer juntos para sempre.”
Mas a mulher balançou a cabeça.
“Quero voltar para minha família.”
O dragão não tentou detê-la.
Em vez disso, concedeu-lhe uma bênção.
“Por sua causa, eu fui revivido, e por isso vou compartilhar metade do meu poder com você. Eu sou o dragão que governa o tempo e o guardião desta árvore do mundo. Você e aqueles que você desejar poderão retroceder o tempo apenas uma vez em sua vida, e eu cuidarei de você aqui enquanto o faz.”
Diante dessa declaração, a mulher sorriu e respondeu:
“Obrigada, ó dragão. Se me permite, peço humildemente que estenda sua bênção às mulheres de minha casa.”
O dragão assentiu e beijou sua testa.]
— Esta parte… “as mulheres de minha casa”. Isso é essencial.
A fundadora de Shadroch fora uma imperatriz.
Até o próprio nome, Shadroch, soava suave.
Embora ela não gostasse particularmente de dividir palavras por gênero, soava mais adequado para uma mulher do que para um homem.
— A vovó não entregou este livro à minha mãe…
Talvez não quisesse passá-lo à nora.
Mas depois de todas as reviravoltas, o livro havia chegado às suas mãos, e isso era o que importava.
‘Mas espere, ninguém em Shadroch sabe sobre essa bênção, certo?’
Não restavam anciãos da realeza, e seu irmão mais velho sequer era casado.
Quando ele se casasse, a nova rainha de Shadroch herdaria a bênção.
— Mas não há ninguém para contar isso à rainha. Só eu.
Embora não pudesse visitar Shadroch com frequência, durante o casamento ela permaneceria em sua terra natal por um mês.
Então, contaria tudo — junto com aquele livro.
‘Se eu tiver um filho, a bênção seria interrompida novamente. Parece mais apropriado que este livro fique com a família real de Shadroch.’
Fechando suavemente o livro, Amber passou os dedos sobre o couro antigo.
Afinal, se essa bênção se manifestava a partir do dragão, ela tinha uma pergunta.
Se ambos eram dragões, por que o de Shadroch era benevolente… enquanto o Nidhogg daquele lugar era maligno?
Nidhogg certamente também tinha sua própria origem…
Encolhida no sofá, abraçando os joelhos, Amber soltou um suspiro pesado.
Seu coração estava um turbilhão — impossível dormir assim.
Em noites como aquela, ela precisava mais de um amigo do que do marido.
Amanhã, Nicholas chega.
Ela não queria discutir a Bênção do Arrependimento com Nicholas, algo que nem mesmo havia compartilhado com seu marido.
Mas pelo menos ela poderia relembrar a Vovó Linda e compartilhar histórias sobre ela.
Por enquanto, isso poderia ser suficiente para acalmar seu coração.
— Bem-vindo, Nick!
Como se soubesse exatamente quando aparecer, Nicholas chegou na manhã seguinte.
Ao ouvir a notícia, Amber largou o café da manhã e se levantou de imediato, recebendo-o com um sorriso radiante.
— Quanto tempo! Como você está?
— Muito bem! E você?
— Reconheci sua carruagem e as cortinas ainda no caminho.
Naquele dia, Nicholas ostentava anéis em todos os dez dedos e vestia uma blusa extravagante.
Igmeyer, ao lado de Amber, olhava para Nicholas com um olhar bastante reprovador, mas, ao contrário de antes, não disse nada.
Sabia que não havia rivalidade amorosa.
Aquilo era prova de que sua relação com Amber havia se fortalecido.
— Seja bem-vindo.
— Obrigado pelo convite, Vossa Graça. Faz tempo que não desfruto de uma boa refeição e de uma cama confortável.
— Sei que você tem viajado por vilarejos remotos do Norte para exercer a medicina. Agradeço por isso. Certifique-se de descansar bem no castelo.
Nicholas abriu um sorriso largo diante da atitude muito mais cordial. Amber também parecia satisfeita.
Entraram no castelo em um clima acolhedor, conversando animadamente enquanto seguiam para o salão.
À tarde, os esquiadores profissionais competiriam, e todos — inclusive Jason — planejavam assistir.
‘Talvez seja imaginação… mas por que me sinto tão esperançosa?’
Sentindo-se animada, Amber apertou as mãos sobre o coração e sorriu radiantemente.
Parecia que tudo o que ela sempre desejara finalmente estava se encaixando.
O cenário com que sempre sonhara estava bem diante de seus olhos.
‘Estou tão feliz.’
Mesmo com as competições apenas começando, ela tinha certeza de que prosperariam — e que, um dia, todo o Norte vibraria por causa dos jogos de esqui.
Amber imaginou isso e sorriu genuinamente enquanto entrelaçava o braço no de seu marido.
— Hm…
Igmeyer abaixou a voz e olhou para ela.
Mais especificamente, para seu peito, que estava pressionado contra seu braço sólido.
Amber, olhando para cima para seu marido, que parecia não conseguir desviar os olhos, olhou para baixo timidamente.
‘Oh, minha nossa.’
Uma parte bem específica de sua calça estava mais volumosa.
Embora ele fingisse o contrário, era claro que ele estava de pau duro.
‘Tão fofo.’
Rindo baixinho, Amberr pressionou seu peito ainda mais contra ele.
Tinha certeza de que sorriria tanto naquele dia que suas bochechas doeriam.
A competição de esqui no Monte Cipreste começou às 16h.
Pouco antes do sol se pôr no horizonte, naquele momento mais brilhante.
Os atletas posicionaram-se na largada, usando equipamentos especiais para proteger os olhos.
Amber e os demais decidiram ficar na linha de chegada, no ponto mais baixo do percurso. Árvores haviam sido derrubadas e a neve, compactada, garantindo uma visão limpa.
— O que é a competição de esqui? Como funciona? — perguntou Jason, com os olhos brilhando.
Amber apontou para as árvores restantes e as bandeiras penduradas abaixo delas.
— Os competidores ganham pontos extras ao arrancar as bandeiras enquanto descem. Mesmo que não consigam, quem chegar primeiro ainda recebe pontos. Também avaliamos quem desce de forma mais suave e artística… No fim, o vencedor é decidido por pontuação.
— Ah, entendi.
— Existe também a versão por velocidade, e vence quem chega primeiro desviando dos obstáculos.
Mas no Norte, haviam decidido manter o formato por pontos.
Ele se adequava melhor ao terreno, e os atletas preferiam esse estilo.
— Uau… como eles sobem até lá em cima?
— Em trenós puxados por renas bem treinadas. É íngreme demais para subir a pé.
— Ah, então é por isso que tem renas!
Jason parecia morrer de vontade de tentar.
Sendo descendente de Niflheim, poderia praticar quando fosse mais velho — talvez na adolescência. Por enquanto, era proibido.
A competição era perigosa. Uma queda podia facilmente quebrar um pescoço.
Já existiam leis proibindo menores de quinze anos de usar pranchas, então Jason teria de esperar.
— Hum…
Naquele momento,
Jason, que estava tagarelando, subitamente parou de falar.
Curiosa, Amber olhou para ele — e se sobressaltou.
Seus olhos brilhavam intensamente.
Era como se pequenos relâmpagos cintilassem dentro de suas íris.
Igmeyer também observava em silêncio, então Amber conteve qualquer reação.
‘Seria possível… será que seus poderes estavam se manifestando agora?’
Ela perguntou apenas com o olhar.
Igmeyer respondeu com um leve aceno de cabeça.
Embora inesperado, Amber já havia se preparado para aquele momento e conseguiu manter a calma.
— Aquele competidor vai vencer.
Pouco depois, Jason apontou para alguém e falou com convicção.
Continua…
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Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
Ps: Meu outro maridinho