Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 58 Online
— Em vez de autodefesa, vamos encarar isso como treinamento de combate corpo a corpo. Dê tudo de si.
— …É, provavelmente é melhor assim.
Jason respondeu com um toque de relutância enquanto cerrava os punhos.
Cerca de 30 minutos depois, Gallard julgou que não conseguia demonstrar técnicas de defesa pessoal de forma eficaz e decidiu chamar mais alguns cavaleiros para a área de treinamento. Ele escolheu com muito cuidado apenas homens casados.
— Agora, vou demonstrar técnicas de autodefesa para diferentes tipos de situações.
Amber era uma aluna excepcionalmente entusiasmada. Seus olhos cor-de-rosa brilhantes deixaram todos inquietos, fazendo-os pigarrear e ficar tensos.
— Aqui temos um cavaleiro em armadura completa, um usando apenas uma camisa e um que não está usando nada.
— Certo.
— As técnicas para lidar com cada um…
Naquele dia, não estavam previstos exercícios práticos — a prioridade era a observação.
Amber observava atentamente enquanto Gallard demonstrava como derrubar os cavaleiros, quando notou algo.
— Uma tatuagem?
Ela murmurou, e talvez Gallard tenha ouvido, pois respondeu.
— Ah, você quer dizer a tatuagem nas costas dele?
— Sim. É bem grande. É uma lua crescente?
Gallard fez um gesto em direção ao cavaleiro “sem camisa”, que se virou e mostrou a tatuagem a Amber.
— Hehe, é uma tatuagem que representa minha esposa. Ela se parece com uma lua crescente.
— Entendo.
— Eu nunca soube recuar antes, mas depois que me casei, meu desejo de vencer ficou ainda mais forte. Graças a essa tatuagem. Eu não quero morrer de forma vergonhosa carregando a marca da minha esposa…
Era um gesto bastante romântico.
Amber o elogiou com um toque de inveja.
— É uma tatuagem apropriada.
Para sua surpresa, outros cavaleiros começaram a tirar as camisas imediatamente.
— A minha tatuagem é mais bonita. Minha esposa é mais bonita!
— Ah, por favor. Quando se trata de beleza, a minha esposa é a melhor!
— Mas a minha tatuagem é melhor!
Amber observou os cavaleiros discutindo sobre qual tatuagem era superior. Um deles tinha uma águia em pleno voo nas costas, enquanto outro exibia uma salamandra cuspindo fogo.
Ambas eram impressionantes.
— É uma tendência tatuar algo que lembre a esposa?
Diante da pergunta inocente de Amber, os cavaleiros se entreolharam.
Gallard foi o primeiro a falar.
— A senhora não sabe sobre isso?
— Saber sobre o quê?
— Sobre a tradição dos Mercenários do Gigante de Gelo. Não, melhor dizendo, a tradição da ordem dos cavaleiros.
Amber balançou a cabeça, mostrando que nunca tinha ouvido falar disso, nem na vida passada nem nesta.
Então Jason se pronunciou.
— Eu já ouvi falar.
— Sério?
— Sim. Os Cavaleiros do Gigante de Gelo tatuam as costas quando se apaixonam.
— Mesmo que morram com o rosto irreconhecível, se as costas permanecerem, eles podem ser identificados e devolvidos à família.
Era um fato arrepiante e triste. Para confirmar, Amber olhou para Gallard, que pigarreou.
— Sim, está correto. Muitos fazem a tatuagem ao se casar. Um homem com uma tatuagem que simboliza a esposa não quer morrer fugindo de uma batalha. Esse era o significado original. Ahem. Quanto à identificação do corpo… isso também é verdade. Mercenários nunca sabem quando podem morrer.
Seguindo Gallard, os outros cavaleiros acrescentaram suas explicações.
— Então, no fim das contas, significa não só que você nunca sabe quando vai morrer, mas também que não quer morrer de forma vergonhosa. Ha!
— A cultura de tatuar as costas se espalhou pela ordem dos cavaleiros quando o Grão-Duque uniu os mercenários aos cavaleiros de Niflheim para formar a Ordem do Gigante de Gelo. Receber um ferimento nas costas é considerado uma grande desonra para um cavaleiro. É tão vergonhoso que danificar uma tatuagem que simboliza alguém amado é considerado pior do que a morte.
— Então, cavaleiros que valorizam não serem feridos nas costas adotaram prontamente essa cultura, e ela se tornou uma tradição única dos Cavaleiros do Gigante de Gelo.
— Algumas mulheres até pensam desde jovens em que tipo de tatuagem gostariam que o marido tivesse, caso se casem com um cavaleiro.
Os olhos de Amber se arregalaram enquanto ouvia.
‘Então… o Igmeyer?’
‘Ele não me ama.’
Não havia amor entre eles, apenas um profundo senso de dever ou familiaridade.
‘Então, mesmo por dever… ele teria feito uma?’
‘Ou as costas dele ainda estão limpas?’
Ela não tinha como saber.
‘Como será que era antes da regressão…’
Naquela época, sempre que o sexo entre eles terminava, ela sempre virava o rosto e chorava. Ela nunca tinha visto as costas dele. Ela nem mesmo sabia dessa tradição cultural.
‘Agora que penso nisso… a única vez que vi as costas dele foi na primeira noite do nosso casamento. Naquela época, definitivamente não havia nenhuma tatuagem.’
Ela estava curiosa.
No entanto, estranhamente, ela não queria perguntar a ele sobre isso.
Se ela perguntasse e descobrisse que as costas dele ainda estavam limpas, isso poderia machucá-la só um pouquinho, bem de leve.
— Não há motivo para me magoar…
Ela tinha medo de criar expectativas e se decepcionar sozinha. Não queria sobrecarregar Igmeyer com suas inseguranças.
Ela não era do tipo que pediria diretamente uma tatuagem para si mesma.
— Hum, ahem. Senhora?
— Sim?
— Parece que você pensou em voz alta.
Ao comentário constrangido de Gallard, Amber estremeceu. Ela nem havia percebido.
— Cavaleiros, tenho uma pergunta.
Hesitante, Amber reuniu um pouco de coragem.
Talvez isso fosse algo que ela pudesse perguntar.
Embora a resposta que ela esperava fosse bastante clara, sentia que não conseguiria se concentrar em mais nada até perguntar.
— Então… existem casais que não se amam, certo?
Os cavaleiros entenderam instantaneamente que Amber falava da própria situação. Ao mesmo tempo, enormes pontos de interrogação pareceram surgir sobre suas cabeças.
‘Como assim… não se amam?’
‘O Grão-Duque, que age como um filhote enlouquecido? Não amar a Senhora?’
‘É como ver um cachorro abanar o rabo tão vigorosamente ao ver seu dono, parecendo que vai cair, ou melhor, um cachorro grande que é sempre tão carinhoso.’
‘Quase apanhei por sugerir que talvez o Grão-Duque estivesse doente, de tanto sorrir.’
‘Todos no território, dos cavaleiros aos servos, sabem que o Grão-Duque Igmeyer Niflheim era profundamente apaixonado pela Senhora. Então, por que ela achava que era um casamento sem amor?’
— Bem… então, pelo menos por lealdade, ele faria uma tatuagem?
Amber arrastou as palavras sem perceber.
Os rostos dos cavaleiros gradualmente empalideceram ao ouvirem isso.
Algo estava errado. Por que lealdade estava entrando na conversa?
— Ahem.
Quem respondeu em nome dos cavaleiros atônitos foi Gallard.
— Não, Senhora. Não existe cavaleiro que faça uma tatuagem dolorosa apenas por lealdade.
— Nenhum? Nem um sequer?
— Não. Todos fazem porque amam suas esposas. Lealdade é algo que os cavaleiros discutem entre si.
— …
Naquele momento, Amber sentiu uma profunda decepção.
Ela estava convencida de que as costas de Igmeyer continuavam limpas.
Vendo a Senhora visivelmente abatida, Gallard sentiu a boca secar.
Jason, achando a reação de Gallard um tanto lamentável, aproximou-se rapidamente e segurou a mão de Amber.
— Senhora Amber.
— Pode me chamar de cunhada.
O chamado infantil trouxe Amber de volta à realidade.
Respirando fundo, Jason falou com clareza para que ela ouvisse bem.
— Não se preocupe. Quando eu crescer, vou fazer uma tatuagem nas costas para a senhora.
— Oh, meu Deus…
— É verdade. Então não fique triste.
Amber abriu um grande sorriso diante da declaração de Jason. Ela estava prestes a se entristecer, mas o consolo puro da criança a fez se sentir muito melhor.
— Obrigada. Mas você deve guardar suas costas para alguém que você ame.
— Isso não importa. Desde que seja você, cunhada.
Diante da declaração ousada de Jason, todos os cavaleiros desviaram o olhar, fingindo não ouvir. Preferiram ignorar completamente aquilo.
Além do mais, quando alguém faz tais declarações…
— Para quem você está planejando fazer uma tatuagem agora?
Como esperado, Igmeyer apareceu como um fantasma e lançou um olhar fulminante para Jason.
Parecia que, mesmo quando se tratava de uma criança, ele continuava sendo mesquinho — bem típico do atual Grão-Duque.
— Igmeyer. Não repreenda o Jason.
— Nenhuma repreensão vai fazer esse pirralho atrevido recuar. Ele precisa aprender bons modos.
— Mesmo assim…
— E fazer uma tatuagem da esposa de outra pessoa é um tabu estrito. Tal pessoa seria expulsa da Ordem do Gigante de Gelo e banida do Norte. Nem pense nisso.
Igmeyer, abraçando Amber firmemente por trás, proferiu o aviso. Jason, frustrado, tentou retrucar, mas foi impedido por Gallard.
— Argh! Ugh! Arghh!
— Não faço ideia do que ele está dizendo.
Igmeyer, com um sorriso brincalhão, enterrou o rosto no pescoço de Amber e sussurrou suavemente.
— Recebi notícias sobre Madame Étoile.
— Sir Raphael entrou em contato com você?
— Sim.
— Ótimo. Eu também tenho algumas novidades vindas da Iona.
Era hora de ambos compartilharem e discutirem o que haviam descoberto.
No entanto, ainda sentindo certa distância entre eles, Amber decidiu dar um passo ousado e sugeriu:
— Que tal uma bebida?
— Parece uma boa ideia.
Igmeyer não tinha motivo para recusar.
Ao entardecer.
Com vinho de alta qualidade bem envelhecido e queijo com mel, junto com queijo de cabra à sua frente, os dois iniciaram sua conversa.
O primeiro assunto, naturalmente, foi quando mandar embora aquele hóspede indesejado.
Normalmente, na sociedade nobre, um convidado permanece no mínimo duas semanas, podendo chegar a até três meses. No entanto, manter um hóspede indesejado no castelo exigia muita paciência, mesmo quando não havia um bom motivo para isso.
— É realmente desagradável, mas… se não vamos iniciar uma guerra em grande escala com a família imperial, precisamos devolver o príncipe inteiro.
— É verdade, Igmeyer.
— Mas, não importa o quanto eu pense nisso, não quero devolvê-lo nas mesmas condições em que chegou.
Os olhos carmesim de Igmeyer brilharam com travessura.
— Quero que seja uma experiência memorável. Algo que o deixe tremendo pela vida toda…
— Você tem algo em mente?
— Estou pensando em levá-lo para uma caçada de monstros.
Soava extremamente perigoso, mas Amber permaneceu em silêncio. Ela também queria vê-lo provar um pouco do próprio veneno.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler A Tatuagem de Camélia Yaoi Mangá Online
Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
Ps: Meu outro maridinho