Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 54 Online

Modo Claro

— Saber sua origem não prova que a criança em seu ventre não é minha. Assim como também não prova que é minha. Só saberemos quando a criança nascer.

Quem quer que tenha orquestrado isso, é repugnante. Igmeyer estava furioso da cabeça aos pés.

— Você acha que o Príncipe poderia ter orquestrado isso?

Ouvindo em silêncio, Gallard perguntou com uma voz grave e retumbante.

Todos refletiram por um momento e, então, simultaneamente, balançaram a cabeça em negativa.

— O Príncipe Loki é um tolo, uma criança que não sabe de nada.

— É improvável que ele tenha orquestrado isso. Ele deve ter sido manipulado.

— Então, o que resta é…

Raphael começou a falar, mas Jean rapidamente o interrompeu.

— Apenas o sacerdote.

— Mas por quê?

Raphael parecia confuso.

Igmeyer respondeu:

— É óbvio. Eles viram que Amber e eu estávamos nos dando bem demais.

— Isso importa? Foi o próprio templo que disse que vocês dois deveriam ter um filho.

— Assim como se juntam dois cavalos para procriar, era só isso que eles queriam.

A expressão de Igmeyer se contorceu ferozmente de desagrado. Ele estava enojado demais para explicar melhor.

Jean assumiu para esclarecer a todos.

— Certo, vejam bem. O Imperador e o templo estão preocupados com o poder militar do Norte. Podemos estar ocupados com Nidhogg agora, mas, uma vez que o dragão seja derrotado, eles acham que poderíamos ameaçá-los a qualquer momento.

Raphael e Gallard assentiram, compreendendo.

Na verdade, os cavaleiros não tinham qualquer apego à família imperial. Se Igmeyer desse a ordem, eles estariam prontos para travar uma guerra com entusiasmo. Portanto, as preocupações da família imperial não eram apenas hipotéticas.

Mas ainda não entendiam como isso se relacionava com a senhora deles.

Os cavaleiros olharam para Jean, esperando mais explicações.

— Então é o seguinte… Eles estão preocupados que Niflheim e Shadroch possam se unir. Shadroch é um país pequeno, facilmente esmagado com um pequeno empurrão, como está acontecendo agora. Mas e se os cavaleiros do Norte não precisassem mais defender o Norte? E se todos nós fôssemos para Shadroch?

— Ah.

— Pensem bem. Defendemos nossas terras nesse clima severo. Imaginem o quão facilmente poderíamos derrubar a família imperial se estivéssemos lutando naquela terra macia e fértil…

A voz de Jean foi diminuindo até virar um sussurro.

Os cavaleiros mergulharam em profunda análise. Ninguém ousou dizer que era impossível.

É um cenário plausível, talvez até desejável.

— Próximos o suficiente para ter um filho, mas não tão perto ou apaixonados a ponto de arruinar os planos deles. Que raciocínio absurdo.

A raiva fez suas têmporas latejarem. Igmeyer queria desesperadamente expulsar aqueles sacerdotes imundos imediatamente.

— Eles devem estar pensando que, se uma mulher aparecer alegando estar grávida do meu filho, Amber vai suspeitar de mim, e isso criará uma fissura emocional entre nós.

Mas isso não aconteceria.

Depois de se acalmar, Igmeyer então deu uma ordem.

— Raphael, vá ao endereço que eu lhe dei e traga Madame Étoile. Traga também qualquer outra pessoa que saiba algo sobre essa mulher.

— Entendido.

— Use qualquer meio necessário para fazê-la confessar. Já sabemos que ela é daquele lugar, então não vamos complicar as coisas.

Sim, por que esperar até o nascimento da criança? Um pouco de derramamento de sangue poderia resolver isso.

A única preocupação de Igmeyer naquele momento era uma só: os sentimentos de Amber.

Naquela noite, Igmeyer e Amber ficaram abraçados por um longo tempo, em silêncio.

Embora suas opiniões sobre o bebê divergissem, o silêncio entre eles não era desconfortável.

Igmeyer prometeu uma investigação completa e uma resolução definitiva, e Amber confiou nele. Só isso já era suficiente.

A noite passou e a manhã chegou novamente.

Amber, depois de dizer a todos que queria descansar e não receberia ninguém, finalmente deixou o quarto no final da tarde.

Os tons alaranjados e quentes do pôr do sol espalhavam-se pelo jardim, fazendo-a desejar caminhar sob aquela luz.

Mas, certamente, Amber nunca imaginou que encontraria Iona lá.

— Ah, Senhora!

Iona, que estava agachada na frente de um canteiro de flores murchas, levantou-se imediatamente com um sorriso radiante ao vê-la.

Então, segurando o barrigão, caminhou até ela com passos lentos e desajeitados.

Parecia um pouco com o andar de um pato, algo que poderia ter sido fofo em circunstâncias diferentes. Mas Amber não estava em posição de sorrir. Não era o momento nem a situação.

‘Uma mulher enviada para criar uma fissura entre Igmeyer e eu.’

Era estranho olhar para ela com bondade.

‘Mas por que ela está olhando para mim com um rosto tão alegre?’

Sentindo-se extremamente desconfortável, Amber decidiu ignorar a mulher. Não queria conversar nem ouvir qualquer história que ela pudesse contar. Não era tão ingenuamente bondosa.

— Ah, Senhora! Só um momento, por favor…!

Mas, naquele instante…

Enquanto ela passava por Iona, esta agarrou seu pulso.

Seu aperto era tão fraco quanto sua aparência frágil — não doeu, mas o contato inesperado foi extremamente desagradável.

— Como ousa! Não sabe manter distância?

Betty, que vinha logo atrás, gritou como um trovão, assustando Iona, que recuou e arregalou os olhos em surpresa.

— Desculpe, eu só fiquei tão feliz em vê-la que não consegui me conter…

— Ah. Como alguém como você ousa pôr a mão na Senhora? Você não percebe que suas posições são diferentes?

Amber era conhecida por ser gentil com seu povo. Sempre relevava a falta de cultura dos camponeses e nunca repreendia ninguém por erros não intencionais.

Mas… havia limites.

Ninguém jamais havia agarrado seu pulso como essa mulher fez. Nem mesmo seu marido agarrava casualmente seu pulso assim.

— Eu só… só queria expressar minha gratidão. Dormi bem ontem, a comida estava deliciosa e quentinha, então…

A voz da mulher soava suplicante, e então ela apresentou algo que escondia atrás das costas.

Era… uma flor silvestre.

Uma flor branca pequena e humilde, levemente inclinada.

Poderia ter sido algo ofensivo, mas naquele momento Amber hesitou.

Quão comuns poderiam ser flores no Norte, mesmo na primavera?

Ao vê-la agachada diante do canteiro antes, parecia que ela havia dedicado tempo e esforço para encontrar aquela única flor — e o motivo parecia ser…

‘Para mim?’

A flor tremulava ao vento.

Tão indefesa quanto aquela mulher.

Sua aparência, com apenas um caule e sem raízes, parecia simbolizar a situação difícil de Iona, não tendo um lugar para se estabelecer, algo que incomodou Amber.

— Guarde essa coisa insignificante para você! A senhora só possui as coisas mais finas e belas.

Interpretando mal o silêncio de Amber como rejeição, Betty a repreendeu asperamente. Iona empalideceu, confusa.

— Desculpe, eu só queria fazê-la feliz… Pensei que gostasse de flores…

Suas palavras finais foram quase abafadas por um soluço.

Sentindo como se tivesse cometido uma grande injustiça, Amber engoliu um suspiro. Essa mulher havia aparecido alegando carregar o filho de seu marido. Certamente, tudo isso deveria ser uma encenação.

Ela pensou que deveria permanecer fria, mas, por alguma razão, Amber sentiu pena de Iona.

Não significa que ela era excessivamente compassiva, mas, ouvindo-a, simplesmente não parecia estar fingindo.

‘Talvez exista um motivo por trás disso tudo. Posso fazê-la confessar quem a instruiu a mentir?’

Mesmo sem nada, ainda assim, ela ofereceu uma flor silvestre, apesar de estar grávida. Isso poderia ser um sinal de decência.

Ela pode não estar mentindo sobre carregar o filho de Igmeyer porque queria, mas porque foi coagida.

Amber nunca curvou a cabeça em sua vida, mas a vida dessa mulher foi diferente. Quantas injustiças ela precisou suportar para sobreviver?

Talvez uma dessas injustiças a tenha empurrado até aqui. Sim… poderia ser.

— Seu nome é Iona, certo?

Quando Amber falou suavemente, a mulher sorriu brilhantemente e assentiu.

— Você realmente colheu essa flor para mim?

— Sim! O café da manhã estava tão delicioso… Eu só queria te dar algo em retorno. É verdade.

— Se for esse o caso, então aceito com prazer.

Quando Amber estendeu a mão, Betty ficou visivelmente chocada. Amber balançou a cabeça em silêncio, indicando que estava tudo bem, e pegou a flor.

A flor estava amassada e já danificada; provavelmente não duraria muito. De alguma forma, parecia se assemelhar à própria mulher.

— Eu… vou fazer um anel para você com ela.

— Vai?

— Sim!

Iona habilmente enrolou o caule da flor no dedo de Amber, formando um pequeno nó. Então, olhou para ela com um sorriso radiante.

Ela deveria ter sentido ressentimento por essa mulher, mas, estranhamente, não sentia.

Talvez fosse a combinação do cabelo castanho com os olhos caídos que a fazia parecer tão inofensiva quanto um cervo…

— Vamos entrar e conversar? Você deve estar cansada com esse peso.

— Posso?

— Sim, vamos tomar um chá juntas.

Os olhos de Iona brilharam com evidente alegria, o que deixou Amber levemente perplexa.

‘Parece que ela realmente gosta de mim.’

Amber era rápida em discernir segundas intenções nos outros, uma habilidade aperfeiçoada ao longo de anos reinando nos complexos círculos sociais de Shadroch.

No entanto, dessa mulher, ela só sentia uma afeição surpreendentemente pura. Se não fossem as circunstâncias, elas poderiam ter se tornado boas amigas.

— Meu Deus, o que é tudo isso?

Naquele momento, passos apressados e estranhamente urgentes se aproximaram, e um grupo de sacerdotes surgiu por trás do edifício.

— Essa mulher está grávida e vulnerável. Você não deveria oprimi-la!

— Exatamente!

— Como você pode ser uma pessoa assim…!

Os sacerdotes começaram a advertir Amber abruptamente enquanto puxavam Iona à força para trás deles, mostrando uma falta de respeito por uma mulher grávida que era mais pronunciada da parte deles. Além disso, seu comportamento sugeria que era ‘óbvio’ que ela tinha sido maltratada.

‘Que absurdo.’

Não era opressão; era apenas uma conversa. Se Iona apenas falasse, poderia esclarecer o mal-entendido. Mas, estranhamente, sua reação agora era diferente da comunicatividade anterior.

‘Evitando contato visual?’

A expressão alegre e tímida de momentos atrás havia desaparecido, substituída exatamente pela mesma atitude que Amber havia visto no primeiro dia.

Era um tanto excessiva e teatral.

Com essa comparação, ficou claro: qual lado era a verdadeira Iona?

— Então fale!

Continua…

Tradução: Elisa Erzet

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Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
 
Ps: Meu outro maridinho

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