Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 52 Online

Modo Claro

— O clima está bom, detesto estragá-lo, mas… Amber. Eu não quero filhos, de jeito nenhum.

— …!

Vendo o choque estampado em seu rosto sorridente, Igmeyer sentiu uma pontada de culpa.

— Eu nem deveria dizer isso, mas… não queria que você pensasse que era infértil.

— O que você quer dizer…?

— Tenho tomado contraceptivos. Quando atingi a maioridade, o Grão-duque anterior insistiu que eu começasse a tomá-los para evitar herdeiros inesperados.

O sol se pôs, os últimos raios desapareceram e uma escuridão indesejada caiu.

Amber sentiu certo alívio por ter escurecido, pois isso facilitava esconder sua expressão.

‘Então, o que foi aquela suposta gravidez na minha vida passada?’

Embora chocada por Igmeyer estar tomando contraceptivos em segredo, ela não se sentiu completamente traída.

Pelo menos isso significava que ele não teria filhos ilegítimos aparecendo por todo lado.

Além disso, com a questão do Nidhogg ainda sem solução, não havia ressentimento quanto a isso.

Mas sua recusa direta em ter filhos era dolorosa.

As palavras podiam ser delicadas, e ele não precisava ser tão duro. Poderia simplesmente ter dito que não tinha certeza.

Percebendo sua decepção, Igmeyer acrescentou:

— Eu nunca quis filhos, desde que era jovem. Nem antes, nem agora… e também não quero impor esse fardo ao seu corpo.

— Está tudo bem, Igmeyer. Talvez eu não consiga ter muitos, mas… eu gostaria de ter apenas um.

O desejo de continuar a própria linhagem é algo natural para o ser humano.

Embora respondesse com calma, as lágrimas ameaçavam cair, e Amber rapidamente abaixou a cabeça.

— Desculpe, Amber.

— …

— Mesmo assim, eu não quero filhos. Pelo menos você não precisa passar por um parto.

De fato, como ele disse, ela nunca havia experimentado o parto.

A partir daquele momento, Amber cerrou os lábios, tomada pela emoção.

O silêncio que caiu entre eles era insuportavelmente desconfortável, mas… ela não queria quebrá-lo primeiro. Qual era o sentido de falar com alguém que não estava ouvindo?

Ela não desejava ouvir as palavras “não quero filhos” nunca mais.

Pedindo desculpas à criança que nunca chegou a nascer, cujo gênero ela jamais conheceria, sentiu um impulso de arranhar o próprio coração de tanta angústia.

‘Você não sabe… é por isso.’

O que aquele bebê significava para ela.

Ainda assim, Amber precisava entender que Igmeyer ‘não sabia’.

Era injusto culpá-lo por coisas de antes de sua regressão, por algo que ele jamais poderia compreender.

‘Ainda assim… dói.’

Ela decidiu não falar. Apenas suprimir, suportar.

Suportar, suportar, e talvez um dia Igmeyer pudesse mudar.

‘Pensando bem, ele ainda é tão jovem. É compreensível que não queira filhos ainda.’

Tentar compreendê-lo aliviou um pouco seus sentimentos.

Era assim que Amber havia mudado. Em vez de reagir imediatamente com raiva ou insatisfação, tentava ver as coisas do ponto de vista dele.

Igmeyer era apenas jovem. Só isso.

‘Algum dia ele vai mudar de ideia. Deve ser por isso que eu engravidei.’

Ela decidiu não pressionar nem insistir. Amber se consolou, aplicando um remédio no coração ferido.

Doía, mas ela não queria se entregar a comportamentos autodestrutivos.

Talvez até essa sua postura madura tivesse sido cultivada por Igmeyer.

‘Vamos conversar sobre isso outra hora.’

Após uma longa deliberação interna, Amber conseguiu lidar com a situação de forma madura.

A verdadeira questão agora era se o Norte poderia realmente se tornar autossuficiente por meio dos jogos de esqui.

Assim, eles voltaram para casa sem uma grande briga.

A Montanha Cyprus era muito adequada para jogos de esqui, e eles já tinham uma noção geral de como construir as instalações.

Agora, só faltava discutir e consolidar esses planos com Jean.

No entanto, o castelo parecia inquieto quando retornaram.

Amber conseguia ler uma enorme preocupação nos olhos dos servos que olhavam para ela.

‘O quê? O que está acontecendo?’

Ao entrar no castelo, Nora, que estava ansiosamente andando de um lado para o outro na entrada, correu imediatamente em sua direção, seu rosto fofo transbordando lágrimas.

— Vossa Graça! A senhora… a senhora finalmente chegou…!

— Nora. O que foi?

Atrás dela, Huvern e Betty apareceram, ambos visivelmente pálidos.

Considerando que até essas pessoas normalmente estoicas estavam visivelmente abaladas, era claro que algo havia acontecido.

Huvern se aproximou com uma expressão sombria e sussurrou de modo que tanto Amber quanto Igmeyer pudessem ouvir.

— Temos uma visita indesejada. E como os sacerdotes estão protegendo-a, não pudemos simplesmente mandá-la embora.

— Os sacerdotes?

— É uma mulher… grávida. Eles insistem em protegê-la até que ela dê à luz com segurança, alegando que é a vontade de Deus.

Amber precisava ser informada sobre visitantes. Por isso, Huvern garantiu que ambos estivessem a par da situação.

— E Jean?

— Ele diz que não há uma solução imediata.

Igmeyer olhou calmamente primeiro para seu auxiliar. Ele verificou se o problema estava realmente além da capacidade de Jean resolver.

Um problema que não poderia ser resolvido no nível de Huvern ou de Jean.

Seria realmente coincidência que algo tão problemático surgisse agora, justamente quando Nidhogg estava quieto?

— Como eu imaginei. Então começaram.

Igmeyer murmurou baixinho, fazendo os músculos de Amber se tensionarem.

Nesse momento—

— Oh, Grão-Duque! Oh, oh, Grão-Duque…!

Um choro frágil ecoou pelo ar.

De longe, uma mulher de cabelos castanhos, com a voz cheia de uma tristeza como se tivesse reprimido lágrimas por muito tempo, aproximou-se mancando e chorando de modo lastimável.

— Sou Iona, lembra de mim, Grão-Duque? Naquela noite, o senhor me tomou.

A mulher gritou, abrindo os braços, tentando se jogar nos braços de Igmeyer.

No entanto, pouco antes de alcançá-lo, Igmeyer se afastou rapidamente em direção a Amber, desviando-se dela.

Perdendo o equilíbrio, Iona gesticulou com os braços e caiu no chão, permitindo que Amber visse seu rosto claramente pela primeira vez.

Seus olhos grandes e traços claros e delicados pareciam gentis, e ela aparentava ser frágil e magra, exceto pela barriga visivelmente grande.

— Como pode tratar uma mulher grávida com tanta brutalidade!

Naquele momento, o Príncipe apareceu.

Realmente não era uma cena agradável: Iona chorando no chão, com Igmeyer e Amber olhando para ela de cima.

— Não, não. Posso afirmar com certeza que não é meu. Nunca nem vi seu rosto antes.

Igmeyer demonstrou sua perplexidade diante de toda a situação.

Ele havia se perguntado o que tinham preparado como armadilha, mas acabou sendo nada mais que uma mulher dos becos.

Não importa o quanto você arrume e enfeite uma plebeia, isso não muda quem ela é. Tendo visto muitas dessas mulheres de bordéis desde a juventude, Igmeyer conseguia identificar a origem de uma apenas pelo cheiro.

‘O cheiro do incenso do bordel está impregnado profundamente na pele e não desaparece.’

A maioria das pessoas não perceberia esses detalhes apenas pelo olfato e poderia ser facilmente enganada pelas aparências.

Mas Iona provavelmente vinha do esquema de fraudes matrimoniais da Madame Etoile.

‘Eles acham que meus anos como mercenário não serviram para nada?’

A probabilidade de ela estar realmente grávida parecia alta. Dada sua expressão e habilidade de atuação, ela devia ser uma das mulheres de nível mais alto no esquema.

Era exatamente por isso que ela ousou ir até o castelo do Grão-Duque e fazer esse espetáculo desagradável.

— Ah, o senhor não se lembra de mim? Tente cheirar este perfume. Talvez assim se recorde.

Iona fingiu estar triste enquanto tirava um pequeno frasco de perfume.

— Este é o perfume que eu usava naquela noite em que nos encontramos.

Igmeyer olhou para Iona com desconfiança. Quando os dedos finos dela se estenderam para borrifar o perfume, ele rapidamente pegou Amber no colo e recuou vários passos.

Amber, sem entender a situação, apenas permitiu ser carregada, enquanto Igmeyer foi além e cobriu seu nariz e boca com sua mão grande.

— O que você está borrifando agora?

— É só, apenas perfume…!

— Não é veneno?

Igmeyer rosnou baixinho enquanto se agarrava mais forte a Amber, aparentemente para protegê-la. Então, sem dizer mais nada, virou-se para ir embora.

— Não, Grão-Duque. O senhor não deveria ao menos ouvi-la?

A rejeição dura pareceu incomodar o Príncipe Loki mais do que a qualquer outro.

Proteger os vulneráveis. Cuidar dos marginalizados.

Loki cresceu ouvindo constantemente esses dois princípios.

Especialmente as crianças ou grávidas, ele foi ensinado a agir com bondade e a ouvir com atenção. Essas pessoas eram o futuro do país.

Diante dos ensinamentos do Imperador, ele teve dificuldade em compreender a reação do Grão-Duque.

Por outro lado, Igmeyer era extremamente sensível a qualquer coisa que pudesse colocar Amber em perigo.

— Veneno? Eu… eu não tive intenções tão maldosas…!

Assustada, Iona cobriu a boca com as mãos, lágrimas caindo enquanto começava a soluçar lentamente, e então baixou a cabeça.

— Eu… não vim aqui para ser tratada como a senhora deste castelo. Eu só pensei que… a criança precisava estar em um lugar adequado para ela.

— Não há nada a reconsiderar. Tirem-na daqui.

Igmeyer falou de forma brusca enquanto passava por Iona, ainda carregando Amber.

Aliviado pela ordem firme, o mordomo Huvern assentiu discretamente, sinalizando aos outros que seguissem a vontade do mestre.

Se ela não tivesse para onde ir, poderiam lhe dar algum dinheiro, mas não poderiam permitir que ela ficasse ali como hóspede. O mestre não havia dado permissão.

Para Huvern, isso era a única coisa que importava.

— Esperem! Eu a acolherei como minha hóspede.

Mas, no momento em que as criadas robustas agarraram os braços de Iona, o príncipe, embriagado por um senso de justiça, interveio em voz alta.

— O quê… o que você acabou de dizer?

— Disse que a acolherei como minha hóspede. Ela é minha convidada, então soltem-na.

Era uma afronta absurda. Em um castelo que tinha seu próprio senhor, e ainda mais um hóspede não convidado se dando a esse direito.

Igmeyer estava prestes a explodir de indignação quando uma mão suave o deteve.

Amber balançou levemente a cabeça.

— Mordomo. Prepare um quarto para esta mulher ao lado dos aposentos do Príncipe Loki.

Amber instruiu com calma depois de descer dos braços de Igmeyer.

O rosto de Loki se iluminou com isso.

Uma expressão muito sutil cruzou o rosto de Iona, mas ninguém pareceu notar.

Continua…

Tradução:. Elisa Erzet 

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Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
 
Ps: Meu outro maridinho

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