Ler Lamba-me se puder – Capítulo 180 Online

Modo Claro

— O quê? Ah!

Assustado, a mão que cortava o bife escorregou, e Koy acabou soltando um som quase parecido com um grito. Com o ruído desagradável da faca raspando no prato, ele franziu o rosto por reflexo e, em seguida, olhou atônito para Ashley, sentado à sua frente. Ashley continuou cortando o bife como se nada tivesse acontecido e disse:

— Resolvi tudo direitinho. Ele não vai mais aparecer na sua frente, então não precisa se preocupar.

— Como assim…?

Ainda confuso, os olhos de Koy se arregalaram de repente.

— Não me diga, Ash… esse machucado no seu queixo foi por causa disso…?

— Fique tranquilo, eu também bati. Acho até que bati mais do que ele.

Ashley falou em tom de brincadeira, imitando o jeito que Koy costumava falar, mas aquilo era a mais pura verdade. Nelson havia sido espancado a ponto de ficar à beira da morte.

Sem ter como saber disso, Koy apenas achou que Ashley estava se gabando para tranquilizá-lo. Com o olhar vacilante, ele fitou o outro e perguntou, com a voz trêmula:

— Doeu muito? Quer dizer… claro que doeu. Meu Deus…

Sem conseguir tirar os olhos da marca avermelhada no queixo de Ashley, Koy o observava enquanto ele levava um pedaço de bife à boca.

— Dá pra aguentar.

No instante em que começou a mastigar, Ashley franziu levemente a testa. ‘Meu Deus, ele deve ter se machucado bastante’. O rosto de Koy empalideceu.

Depois de tomar um gole de vinho, Ashley continuou:

— Enfim, não se preocupe mais com o Nelson. Ele não vai mais aparecer na sua frente de novo.

— Entendi…

Koy murmurou baixinho. Naquele momento, Nelson era o menor dos problemas. Comendo sem nem perceber o sabor da comida, sem tirar os olhos do queixo de Ashley, Koy só voltou a falar quando a refeição já estava quase no fim.

— Ash… será que tem alguma coisa em que eu possa ajudar? Quealquer coisa… só me diz. Se for algo que eu consiga fazer, eu faço, seja o que for.

Depois de esvaziar a taça de vinho, Ashley sorriu para ele. ‘Será que isso quer dizer que está tudo bem’? Desanimado, Koy deixou os ombros caírem. Ashley encheu a taça novamente e disse:

— Tem uma coisa, sim.

— Ah… s-sim. Me diz. Por favor.

Koy ficou atento, o corpo inteiro tenso. Ashley adiou aquilo que realmente queria pedir e, em vez disso, fez outra exigência:

— Por enquanto, eu queria que você me ajudasse no meu trabalho. Pode ser?

— Claro. Eu faço. Qualquer coisa.

Koy respondeu sem nem parar pra pensar. Ashley franziu a testa sem perceber. ‘Será que não era melhor eu acabar com esse hábito dele de responder tão prontamente’? Se fosse só com ele, Ashley não se importava nem um pouco, mas se Koy tivesse essa atitude com qualquer outra pessoa, seria um problemão. O rosto de Ariel passou por sua mente, e Ashley pensou: ‘É, o melhor é manter ele preso’. Ser assim com qualquer um não era nada bom, mas Koy sendo assim com ele era extremamente adorável — não havia motivo algum para corrigir esse defeito. Se simplesmente o mantivesse em cativeiro, tudo estaria resolvido.

Sem fazer a menor ideia do que se passava na cabeça de Ashley, Koy perguntou com cautela:

— Não foi o Nelson que veio atrás de você primeiro e tentou te machucar… foi?

Em vez de responder, Ashley apenas tomou um gole de vinho. Na mesma hora, Koy empalideceu, sem saber o que fazer. Deixando-o naquela aflição, Ashley respondeu com toda a calma:

— Está tudo bem. De qualquer forma, já resolvi tudo.

Afinal, Koy não tinha como confirmar nada. Nelson jamais abriria a boca.

Ashley só voltou ao assunto depois que a mesa foi arrumada e os três se mudaram para o salão de chá, onde começaram a comer bolo e a tomar chá.

— Koy, você já procurou um outro lugar pra trabalhar?

— Hã? Ah… não.

Ele não podia ficar ali para sempre. Para deixar claro que pretendia sair logo, Koy se apressou em acrescentar:

— Eu até procurei em alguns lugares, mas ainda não fiz nenhuma entrevista. Já mandei e-mails, então logo devem responder.

‘Diligente demais para o próprio bem’.

Ashley estalou a língua por dentro, mas fingiu não notar nada disso e continuou:

— Na verdade, surgiu uma vaga em um lugar que eu conheço, e pensei em te indicar. O que acha?

— O quê?

Surpreso com a proposta inesperada, Koy arregalou os olhos. Ashley prosseguiu:

— É uma empresa especializada em design de interiores. Estão precisando justamente de alguém com experiência, então eu queria te recomendar. Pode ser?

— Ah, ah… sim. Claro.

Se era uma empresa indicada por Ashley, então era mais do que confiável. Assentindo com a cabeça, com os olhos brilhando, Koy abriu um sorriso radiante, algo que não fazia havia muito tempo.

— Obrigado, Ash. Até um emprego pra mim você arranjou…

Como poderia retribuir toda essa bondade? Comparando-se a Ashley, ele se sentiu ridiculamente pequeno e, sem perceber, suspirou. Foi quando Ashley, do nada, falou:

— Tem uma condição.

— Hã?

Koy ficou tenso na mesma hora, mas Ashley falou como se não fosse nada demais:

— Não precisa ficar tão preocupado. Você só vai precisar fazer um exame físico.

— Exame físico?

Koy, perplexo, piscou os olhos. Ashley continuou com um tom indiferente:

— Disseram que antes da contratação é necessário fazer um exame médico. Não tem motivo pra se assustar, é algo rotineiro. E o custo do exame fica por conta da empresa.

Ashley estreitou os olhos e sorriu.

— Pensando bem, não é até melhor? Fazer um check-up completo de graça.

— Ah… sim…

Ainda meio atordoado, Koy assentiu. Check-up… para alguém que praticamente nunca tinha pisado em um hospital, aquilo soava estranho demais.

— Deve ser uma empresa enorme, pra oferecer até isso…

Quando Koy murmurou, Ashley começou a listar as condições da empresa. Além de seguro, o salário era bastante alto, e ainda forneciam um carro para o trajeto de ida e volta do trabalho. Os olhos de Koy se arregalaram. Não bastasse isso, o combustível também era pago pela empresa, e até despesas médicas em caso de doença eram cobertas.

— Existe mesmo uma empresa assim?

A cada benefício citado, a boca de Koy se abria mais, até que ele soltou um som de espanto. Ashley respondeu tranquilamente, tomando um gole de café.

— A maioria das empresas oferece esse nível de serviço. São benefícios básicos que os funcionários do meu escritório de advocacia também recebem.

‘Isso é básico no seu mundo’, pensou Koy.

Mesmo meio atordoado, um gosto amargo se espalhou em seu peito. Talvez para Ashley aquilo fosse o mínimo, mas para ele até encontrar um emprego com seguro saúde era difícil. Por um instante, quase se deixou abater — mas logo endireitou os ombros.

— Obrigado, Ash. É a primeira vez que vejo uma empresa tão boa assim. Pra mim… esse tipo de condição nunca foi algo básico.

Ashley sorriu enquanto ele o agradecia novamente.

— Pra mim também é vantajoso, então não precisa agradecer tanto assim.

— Hã?

Diante do olhar confuso de Koy, Ashley levantou as duas mãos levemente.

— Se você estiver seguro, eu fico tranquilo também.

— Ah…

Ao lembrar mais uma vez de tudo o que ele tinha feito por si, Koy não conseguiu simplesmente ignorar aquilo. Com o rosto corado, murmurou um baixinho “tá bom”. Ashley fixou o olhar nele por um instante e, de repente, disse:

— Koy, vem aqui.

— Hã? Tá.

Recordando-se da conversa que tiveram durante o jantar, Koy se aproximou imediatamente. Foi então que Ashley estendeu a mão de repente.

— Ah!

Puxado de surpresa, Koy soltou um gritinho curto. Ashley o sentou sobre a própria coxa. Preso ali, sentado na coxa larga de uma perna aberta, Koy piscou, atônito, enquanto Ashley o encarava e dizia:

— Se eu te beijar agora, você poderia me processar por assédio sexual.

— O quê? Por que eu faria uma coisa dessas…?

Koy pensou. Com o rosto de Ashley tão perto a ponto de sentir sua respiração, seu coração batia descontrolado.

‘Quem quer beijar sou eu’.

Como se tivesse lido os pensamentos de Koy, Ashley sussurrou:

— Se for você fazendo isso comigo, a história é diferente.

Ba-dump.

Com um baque ruidoso, o coração de Koy pareceu despencar. Tum, tum, tum, tum. O pulso começou a disparar como um louco.

Ashley continuava encarando Koy, esperando. Esperando que fosse ele a tomar a iniciativa e o beijasse primeiro.

Como que hipnotizado, Koy aproximou o rosto, mas então um pensamento o atingiu de repente. ‘Se for assim… sou eu que vou estar beijando o Ash. Então não seria ele que poderia me processar por assédio’?

Ashley ainda esperava.

Depois de engolir em seco, Koy tomou sua decisão. ‘Tudo bem… foi o Ash que permitiu’.

Com o coração trêmulo, Koy inclinou a cabeça. Viu os longos cílios de Ashley descerem lentamente. Koy abriu a boca, e o ar contido pela tensão tocou de leve seus lábios.

— Posso…?

Logo antes do beijo, Koy perguntou. Sem esperar mais, Ashley segurou a nuca dele e imediatamente uniu seus lábios. Koy, sem perceber, inspirou e envolveu o pescoço de Ashley com os braços.

 

°

°

Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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