Ler Lamba-me se puder – Capítulo 178 Online

Modo Claro

— Sério?

— Uau, isso seria sexy pra caralho.

Alguém murmurou, meio sonhadora, imaginando Koy encharcado. Ao ver a expressão extasiada no rosto dela, a raiva subiu à cabeça de Nelson. Era simplesmente inaceitável que a mulher por quem ele nutria interesse acabasse se deixando levar por um perdedor daqueles.

— Quero ver se ainda vai sair esse som quando eu acabar com aquele desgraçado.

Então outro sujeito sorriu de forma bajuladora, tratando de agradá-lo.

— Claro que vai. Quem conseguiria vencer o Nelson?

— Isso mesmo, o Nelson é o melhor. Vamos, um brinde!

Ao observar aqueles idiotas gritando e virando bebidas, Nelson sentiu pelo menos um pouco do mau humor se dissipar. Tirou as drogas do bolso e as despejou sobre a mesa, arrancando um coro de “uaaau” de todos ali. Enquanto assistia, satisfeito, à cena deles aspirando pó por todos os lados, um funcionário do clube se aproximou e falou discretamente:

— Com licença, só um instante…

 

***

 

— Crrreeec.

A porta dos fundos enferrujada se abriu com um rangido desagradável. Assim que saiu, uma brisa fria, bem diferente do ar abafado do interior do clube, roçou-lhe o rosto. Nelson caminhou até o beco nos fundos da boate, impregnado de um odor fraco de urina, e olhou ao redor. Logo, sua visão foi tomada por um homem absurdamente alto, vestindo um sobretudo por cima do terno.

Alguns passos atrás dele, um Bentley estava estacionado.

Atônito diante daquela situação inacreditável, Nelson piscou várias vezes, mas nada mudou. Encostado sob a luz fraca que iluminava a porta dos fundos do clube, ao reconhecer quem era o homem à sua frente, seu corpo inteiro enrijeceu sem que ele percebesse.

— A-Ashley?

Ele murmurou com uma voz insegura, mas o outro não respondeu. Havia mesmo necessidade de confirmar? Não havia como Nelson estar vendo uma ilusão.

— Foi você quem estava me procurando? Por quê… por quê?

Ele ouviu a própria voz trêmula, mas já era tarde. Ao som assustado que escapou de suas cordas vocais, Ashley finalmente abriu a boca para falar.

— Você deve imaginar o motivo.

— O quê?

Nelson, que havia franzido a testa, de repente se deu conta.

— Não me diga que… você está fazendo isso por causa daquele merdinha?

Era difícil discernir a expressão de Ashley, imerso na escuridão. Ainda assim, o silêncio dele não era nada tranquilizador. Nelson, apesar de tentar ler o clima, só conseguia achar tudo aquilo absurdo.

— Ei, isso é sério? Um cara ocupado como você veio até aqui por causa daquele lixo? O que vocês dois são, afinal? Já achei ridículo você andar com aquele fracassado no ensino médio, mas pelo visto vocês combinam mesmo, hein? Deve ser isso, vocês dois são uns otários.

Quanto mais falava, mais as palavras jorravam. Nelson chegou ao ponto de segurar a barriga e cair na gargalhada, mas Ashley não disse nada. Só depois de Nelson finalmente conter o riso foi que ele abriu a boca.

— Você continua sendo um lixo.

— O quê?

A voz carregava desprezo e escárnio. Foi apenas uma frase curta, mas suficiente para atear fogo por dentro de Nelson. Além disso, o efeito da droga ainda corria forte em seu corpo, enchendo-o de uma coragem completamente descabida. Praguejando, Nelson avançou contra Ashley e lançou um soco contra o homem muito maior que ele.

Paf.

O som surdo ecoou, o corpo de Ashley cambaleou, e um sorriso de prazer se espalhou pelo rosto de Nelson. A satisfação de ter acertado o queixo do outro fez a confiança transbordar por todo o seu corpo. Não importava o tamanho; aquilo não tinha nada a ver com combate real. No fim das contas, ele devia ser só mais um advogado metido a besta, bom apenas para puxar ferro na academia, incapaz de lutar de verdade.

Seu pensamento parecia correto. Bastou um único golpe para que Ashley recuasse e, em seguida, se virasse e começasse a se afastar. ‘Viu só? Esses caras são todos uns frouxos’. Convencido disso, Nelson sentiu que não tinha mais nada a temer.

— Filho da puta, tá vendo? Teve a audácia de peitar logo comigo? Um lixo como você não aguenta nem um soco meu. Vai pra casa chorar, seu covarde. E passa o recado pro Connor Niles, aquele retardado de merda: manda ele vir aqui amanhã e se ajoelhar pra mim. Se não fizer isso, você e aquele desgraçado vão acabar do mesmo jeito, vou dar uma surra nos dois. Seus fracassados de merda!

Ignorando completamente Nelson, que continuava despejando xingamentos sem parar, Ashley caminhou enquanto tirava a chave inteligente do bolso do casaco e apertava um botão. Ao mesmo tempo, um bip bip monótono soou, e o porta-malas do Bentayga se abriu. Ao ver Ashley retirar algo do porta-malas, as ofensas que Nelson vinha gritando até então foram perdendo força. O que Ashley tirou foi um taco de hóquei no gelo.

— O-o quê… o que é isso, você…?

Desconcertado, ele acabou gaguejando sem perceber. Ignorando totalmente a reação dele, Ashley voltou a caminhar, segurando o taco de hóquei com uma das mãos. Diante da sombra gigantesca que se aproximava passo a passo, Nelson não conseguiu nem fugir nem reagir — ficou apenas parado, rígido. Parando a poucos passos de distância, Ashley falou:

— A partir de agora, é legítima defesa.

Naquele instante, Nelson finalmente entendeu por que um homem da alta sociedade, tão bem-sucedido, andava em uma van em vez de um sedã.

Paf.
Um som sinistro ecoou pelo beco, seguido pelo grito de Nelson.

 

***

 

Assim que ouviu o som do elevador parando, Koy se moveu animado e caminhou na direção de onde vinha o barulho. Durante o dia, ele passou o tempo todo dentro de casa. Não queria causar mais preocupações, então decidiu ficar ali — ainda que, mesmo se quisesse contrariar a vontade de Ashley, isso não teria sido fácil.

Como acabara indo parar ali de forma não programada, Koy só tinha a roupa que vestia naquele dia. E até essa estava inutilizável, rasgada em vários pontos depois da briga com Nelson. O plano de sair no dia seguinte para comprar roupas acabou frustrado quando ele acordou e descobriu que Ashley já havia jogado-as fora. Até a volta dele do trabalho, não teve alternativa senão pegar emprestada uma camisa branca, mas a parte de baixo, exposta demais, era extremamente desconfortável. Agradecido por Ashley ter prometido comprar roupas para ele, Koy foi recebê-lo com alegria. Porém, quando as portas do elevador se abriram e ele viu o rosto de Ashley, arregalou os olhos, surpreso.

— Koy.

Ao vê-lo, Ashley sorriu, mas o sorriso radiante no rosto de Koy desapareceu, sendo substituído por uma expressão evidente de confusão.

— O que aconteceu?

Ao notar a marca avermelhada no queixo de Ashley, que chegara mais tarde do que no dia anterior, Koy empalideceu e perguntou, aflito. Ele supôs que o atraso se devia apenas à saída para comprar roupas para ele, mas era óbvio que havia outro motivo. Diante do rosto pálido de Koy, Ashley baixou o braço que pretendia usar para abraçá-lo e, enquanto caminhava, mudou de assunto primeiro.

— Como foi o seu dia? Não aconteceu nada, certo?

— Ah… sim.

Koy acssentiu com a cabeça, mas interiormente queria muito mais saber o que havia acontecido com Ashley do que descrever sua rotina monótona. Achando fofo o jeito de Koy segui-lo de perto com uma expressão séria, Ashley quase riu, mas fingiu indiferença e perguntou:

— E o vaso?

— Ah, sim. Eu deixei na janela.

No dia anterior, Ashley havia lhe dado um pequeno vaso de flores. Ele parecia se lembrar de Koy ter dito que acabou causando acidentes sem querer ao tentar cuidar de plantas, a ponto de ter dado algumas para Ariel. Koy ficou feliz, mas também apreensivo, e hesitou em aceitar.

‘—Vai ficar tudo bem. Não é uma planta que floresce’.

Só então, depois de ouvir essas palavras de Ashley, Koy se tranquilizou e pegou o vaso, no qual ainda não havia brotado nada. Não se esqueceu de agradecer.

Graças a isso, passou o dia inteiro cuidando do vaso, limpando a casa e organizando tudo. Ashley havia dito que alguém viria para cuidar da casa e que ele não precisava fazer nada, mas Koy não conseguiu simplesmente ficar parado. Sentia que precisava fazer alguma coisa, já que estava sendo um encostado ali.

No entanto, ao ver a casa limpa, Ashley não pareceu feliz; pelo contrário, franziu a testa e disse:

— Eu não disse que você não precisava fazer esse tipo de coisa?

— Ah, s-sim. Mas… de qualquer jeito, eu não tinha mais nada para fazer…

Koy achou que Ashley iria gostar, mas, ao perceber que a reação dele era diferente do esperado, ficou abatido num instante. Claro que, para Ashley, só o fato de Koy ter feito algo por ele já era mais do que suficiente. Porém, se o elogiasse dizendo que havia feito um bom trabalho, Koy se empolgaria e acabaria lustrando a casa inteira até o corpo não aguentar mais. Ashley ficaria muito mais satisfeito se Koy não fizesse nada e simplesmente se deitasse para descansar.

‘Vou ter que arrumar alguma coisa para ele fazer.’

Era o único jeito de satisfazer aos dois. Enquanto seguia para o closet, Ashley estendeu a Koy a sacola de compras que havia trazido.

— São roupas. Experimente.

— Ah, obrigado.

Só de pensar que finalmente teria algo para cobrir a parte de baixo do corpo, a expressão de Koy se iluminou. Ao ver aquilo, Ashley sorriu, afagou sua cabeça e logo entrou no cômodo. Koy se apressou em entrar em um quarto vazio próximo e tirou as roupas de dentro da sacola.

— ……Hã?

O rosto que até então estava cheio de sorrisos mudou para uma expressão de puro constrangimento ao ver o que havia ali dentro.

 

°

°

Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

 

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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