Ler Lamba-me se puder – Capítulo 177 Online
A voz baixa e contida de Ashley não era diferente do habitual, mas, por algum motivo, um arrepio percorreu a espinha de Koy. O medo dele era claramente evidente nos ombros encolhidos e no olhar trêmulo, porém Ashley não tentou ocultar a própria raiva para acalmá-lo. Agora não era hora de mimá-lo.
Gaguejando, Koy reuniu coragem e falou com dificuldade.
— A-ah… mas você já fez tudo o que tinha que fazer, não fez? Consegui receber o dinheiro, então o resto eu resolvo sozinho…
Ele apresentou o que acreditava ser uma justificativa plausível para ter agido por conta própria.
— Eu nem consigo pagar os honorários, não posso te pedir mais nada.
Do ponto de vista de Koy, não havia falhas nesse raciocínio. Mas Ashley não teve a menor piedade ao apontar a brecha.
— Koy, você realmente recebeu o dinheiro depois da minha ligação?
— Hã?
Diante do desconcerto imediato dele, Ashley continuou, frio.
— Claro que não. Você só recebeu depois de ir buscar o caminhão.
— Ahn… a-ah…
Observando Koy, que não conseguia formular uma resposta decente, Ashley continuou com frieza:
— Então eu ainda não tinha terminado meu trabalho, certo? Meu trabalho só acaba quando você recebe o dinheiro de verdade. Vamos, responde. Eu estou errado?
— A-ah…
Suando frio pelas costas, Koy ergueu o olhar para ele e acabou murmurando, em voz baixa:
— Você… você está certo…
— Certo. Fico muito agradecido por reconhecer isso.
Com sarcasmo implacável, Ashley soltou a mão que até então pressionava os lábios de Koy. Franzindo a testa, ele olhou o sangue manchado no lenço antes de examinar a boca dele. O sangramento já havia cessado.
— Quanto você apanhou? Preciso ver se tem mais algum lugar machucado.
— A-ah! I-isso dói!
De repente, ao erguer bruscamente a camiseta que ele vestia, Koy deixou escapar um grito involuntário. Ao ver vários hematomas avermelhados espalhados pelo corpo dele, o rosto de Ashley se contorceu, e ele começou a pressionar com as mãos diferentes partes do corpo para conferir. A cada toque, Koy se retorcia e gritava de dor e Ashley ia mudando de lugar. Quando chegou a um dos lados do abdômen, pressionou com firmeza e ficou imóvel por um instante.
Koy, estranhando, falou:
— Aí não dói.
Para sua surpresa, uma expressão de alívio se espalhou pelo rosto de Ashley.
— Que bom. Ainda bem.
Confuso, Koy se lembrou que, da outra vez, quando Ashley pressionou aquele mesmo lugar, ele havia gritado de dor. ‘Será que agora ele apertou mais de leve’? chegou a pensar. Mas, considerando que os lugares onde Nelson o acertara doíam só de encostar, parecia haver outro motivo.
Mesmo assim, Ashley não deu nenhuma explicação. Apenas moveu a mão e continuou pressionando o restante do corpo de Koy, verificando parte por parte. Depois de soltar um suspiro baixo, ele finalmente afastou as mãos.
— Por que vocês brigaram desse jeito? Vocês não são mais crianças, são adultos. Pra chegar a esse ponto, trocando socos, teve um motivo.
Por mais que Nelson fosse um delinquente sem limites, ele não sairia distribuindo violência sem razão alguma. Ashley lançou um aviso ao hesitante Koy:
— Seja sincero. Conte tudo.
— A-ah… tá.
Aquelas palavras funcionaram como uma chave mágica. Com dificuldade, Koy finalmente confessou:
— É que… o Nelson falou mal de você.
Diante daquela resposta inesperada, Ashley franziu o cenho.
— O quê?
Sem conseguir encará-lo, Koy deixou o olhar vagar pelo ambiente e murmurou, em voz baixa.
— Fui buscar o carro… e o Nelson estava lá. Quer dizer, é a casa dele, então é óbvio que ele estaria… Enfim, quando eu disse que tinha vindo pegar o caminhão, ele começou a implicar comigo. Eu ia só tentar agradar, pegar o carro e ir embora, mas de repente ele começou a falar mal de você….
Enquanto falava, a raiva foi subindo. ‘Aquele desgraçado que vive traficando droga se acha no direito de falar mal de quem’?
— Ele me xingar, me chamar de idiota, essas coisas, tudo bem. Mesmo mandar eu rastejar entre as pernas dele não me importava. Eu só queria pegar o caminhão o mais rápido possível e voltar. Mas aí ele disse que o Ashley Miller era um idiota também.
A voz exaltada de Koy, tomada pela emoção que transbordava, foi apenas ouvida em silêncio por Ashley. Na cabeça dele, parecia que uma guerra tinha estourado de repente. ‘Aquele filho da puta do Nelson disse o quê pro Koy? Mandou ele engatinhar entre as pernas’? A raiva voltou a ferver, mas uma emoção ainda maior tomou conta dele primeiro.
— Koy… então vocês brigaram por minha causa?
— Como é que eu ia aguentar ouvir aquele lixo falando mal de você?!
‘Koy dizendo uma coisa dessas…’
Ashley se surpreendeu ainda mais com o tom rude que nunca tinha ouvido sair da boca dele. Koy tinha brigado por ele. Tinha usado palavras quase como xingamentos. E logo contra o valentão que tanto o atormentara no ensino médio.
‘Por minha causa’.
— Haa…
Um suspiro profundo escapou sem que ele percebesse. Ele não sabia se devia encher Koy de beijos diante de tanto amor transbordante ou dar uns tapas na bunda dele por ter desobedecido, saído de casa e voltado todo machucado.
Queria fazer os dois. Mas o que entrou primeiro em seu campo de visão foi o rosto de Koy, machucado, com cortes e feridas espalhadas. Amanhã, o corpo inteiro dele estaria dolorido e coberto de hematomas. Por agora, só lhe restava aguentar. Em vez disso, Ashley decidiu que faria questão de executar aquilo depois. ‘Primeiro os tapas, depois os beijos’.
‘Será que ele está muito bravo porque eu agi por conta própria’?
Diante do olhar fixo e do semblante fechado de Ashley, Koy falou às pressas:
— Tá tudo bem. Eu já apanhei muito mais do que isso. Você sabe que sou durão… eu aguento bem.
Ele até tentou forçar uma gargalhada, soltando um “haha”, mas o rosto de Ashley apenas se contorceu ainda mais. Ao perceber, tarde demais, que tinha feito outra piada fora de hora, Koy levantou a mão às pressas e mudou o discurso.
— Dessa vez foi diferente. Eu não fiquei só apanhando. Acho que bati mais nele até. Olha só, eu também bati. Tá vendo?
O punho que ele mostrou já estava arroxeado, coberto por um hematoma. Ashley encarou aquela mão em silêncio por um instante e então segurou o pulso de Koy. E, de forma inesperada, beijou os dedos dele. Surpreso com o beijo repentino, Koy arregalou os olhos. Ashley, ainda com os lábios pousados sobre sua pele, ergueu apenas o olhar para fitá-lo e disse:
— Da próxima vez, não bata com a mão. Assim você se machuca.
Sem entender de imediato o que ele queria dizer, Koy apenas o encarou. Então Ashley completou:
— Você.
Ah. Só então Koy entendeu. O coração dele começou a disparar como louco. O rosto ficou vermelho num instante, e os olhos, tremendo sem parar, brilharam intensamente. Ao ver aquela expressão, Ashley também acabou se deixando levar pela excitação. Quis beijá-lo imediatamente e jogá-lo sobre a cama, mas naquele momento seus olhos captaram os lábios rachados e feridos de Koy. Ashley acabou soltando um gemido baixo, como se estivesse sofrendo.
Ah.
De repente, um aroma irresistível se espalhou pelo ambiente. Um cheiro que, por algum motivo, até então mal se fazia notar, passou a martelar diretamente em seu coração. Ashley soltou a mão de Koy e se levantou, fingindo ao máximo parecer indiferente.
— Descanse um pouco. Vou me trocar e já volto.
— A-ah… tá.
Deixando para trás Koy, que assentiu obediente com a cabeça, Ashley saiu do quarto. Diferente da postura tranquila que mantivera até então, ele se afastou com passos rápidos, quase como se estivesse fugindo. Enquanto Koy se acomodava na cadeira, fechando os olhos para descansar, um leve som mecânico chegou aos seus ouvidos. O exaustor começou a funcionar em potência máxima.
***
A música ensurdecedora ecoava por todo o ambiente. O som estridente do clube era tão alto que chegava a ser difícil entender até mesmo a voz da pessoa sentada ao lado. Entre o grupo de pessoas reunidas em um sofá amplo, Nelson reinava como um rei. Homens e mulheres ao seu redor bajulavam-no, cobiçando tanto as drogas quanto o dinheiro.
— Hiiih.
Com um ruído metálico, Nelson aspirou o pó disposto sobre a mesa e jogou a nota usada de qualquer jeito no chão. Ao ver o homem que correu para pegá-la exibir um sorriso empolgado, ele soltou um riso curto.
— Nelson, você já está melhor? Fiquei preocupada quando disseram que você tinha se machucado.
A mulher sentada ao seu lado perguntou em voz alta. Nelson se recostou ainda mais fundo no sofá, com um sorriso torto no rosto.
— Não foi nada demais. Um retardado maluco que não sabe o próprio lugar veio se meter comigo, então dei um jeito nele.
— Não é aquele cara que o Ashley Miller tinha tirado da cadeia antes?
Alguém se intrometeu, falando como se estivesse se exibindo. Então outra mulher arregalou os olhos e exclamou:
— Aquele homem bonito? Ele é alto e bem estiloso, sabia!
— E tem tanto cabelo! — outro comentou, rindo baixinho.
Mesmo em meio à música alta, Nelson conseguiu ouvir aquilo e zombou deles com um sorriso enviesado.
— Vocês realmente não têm noção das coisas. Quantas vezes eu já disse que aquele cara era meu subordinado no ensino médio? Um idiota inútil, isso sim.
Ele continuou, rindo com desdém.
— Bastava eu abrir a boca que ele se jogava no chão e até rastejava entre as minhas pernas. Querem que eu prove? Se eu quiser, posso até mijar na cabeça daquele desgraçado na frente de vocês.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can