Ler Lamba-me se puder – Capítulo 174 Online
Chocado, Koy balançou a cabeça com urgência, negando.
— A-ah, n-não, não é isso. De jeito nenhum.
— Então foi o quê? Por que então, de repente, a conversa chegou a esse ponto? Conte o que aconteceu ontem. Tudo. Sem faltar absolutamente nada!
Diante do tom afiado de Ariel, Koy começou a falar de forma entrecortada. Sempre que tentava passar algo por alto, Ariel o pressionava na hora, ameaçando até que ele dissesse tudo com honestidade. No fim, Koy acabou contando até o que cada um tinha comido no jantar, nos mínimos detalhes.
Mas quando chegou à parte de como os dois acabaram dormindo juntos, as palavras simplesmente não saíam. O rosto queimava, o coração disparava, as mãos e os pés formigavam, incapaz de organizar direito os pensamentos. Percebendo o estado de Koy, Ariel se adiantou e disse:
— Então quer dizer que aquele filho da puta te atacou?
— N-não!
Koy se assustou e se apressou em corrigir:
— Foi só que… a situação acabou levando a isso. Quer dizer… o clima foi ficando daquele jeito…
Com a voz cada vez mais fraca, ele ainda perguntou:
— Você entende o que eu quero dizer, certo?
Do outro lado da linha, Ariel respondeu sem a menor misericórdia:
— Quem se deixou levar pelo clima foi você. Aquele cara não é descuidado a esse ponto.
— Não, o Ash também se deixou levar. Foi igual para nós dois. Acabamos indo, eu juro. Você sabe, o Ash me vê como amigo.
Koy se esforçava para negar tudo o que Ariel dizia, mas ela claramente não estava levando aquilo a sério. O que importava agora era o que viria a seguir. Ele tinha se jogado com os próprios pés direto no covil de Ashley — ela jamais imaginou que aquele sujeito fosse tão longe assim. E, ainda por cima, assim que Koy entrou na casa dele, foi devorado sem cerimônia.
‘Fui descuidada’.
Ariel rangeu os dentes, perdida em pensamentos. No fim das contas, as pessoas não mudam. Durante todo o tempo em que namoraram, eles mal tinham passado de beijos; ela até pensou que talvez fosse diferente. Mas bastou um único dia para ele avançar todas as etapas de uma vez.
A única coisa minimamente tranquilizadora era o fato de Koy acreditar firmemente que a relação entre eles era apenas de amizade. De qualquer forma, ele tinha cumprido a promessa feita a Ariel. Ainda havia uma chance.
Afinal, os dois só tinham feito sexo.
O estranho era como Koy, sendo um beta, tinha conseguido manter relações. E não com um alfa qualquer, mas com um “alfa dominante”.
Ariel estava curiosa, mas pedir detalhes do ato sexual seria pedir demais e soaria pervertido. Ela não queria envergonhar Koy ainda mais, nem havia necessidade de ir tão longe. De qualquer forma, pelo tom de voz de Koy não soar diferente do normal, parecia que Ashley havia mantido os limites adequadamente. Se fosse com moderação, não era impossível para um beta fazer sexo com um alfa.
O que realmente importava era o que fariam daqui para frente.
Ariel organizou os pensamentos da forma mais fria possível. ‘Talvez seja melhor observar a situação por enquanto’. Koy acreditava firmemente que a relação entre os dois era apenas amizade, então não havia urgência imediata. ‘Antes de tudo, preciso descobrir o que aquele desgraçado do Ash está pensando’.
— Koy, vou deixar uma coisa bem clara: amigos não fazem sexo.
Ao contrário de outras vezes, Koy hesitou. Percebendo o silêncio incomum, Ariel perguntou com uma voz afiada:
— Por que não está respondendo?
— A-ah… é que… mas…
Depois de vacilar um pouco, Koy falou com cautela:
— Você e o Bill fizeram, não fizeram…?
‘Esse pirralho…’
Se Koy estivesse ali na frente dela, Ariel teria agarrado o pescoço dele e sacudido sem piedade. ‘A gente é igual a vocês dois? É igual, por acaso?!’
Mas ela não podia apontar a diferença ali. Era verdade que, no caso deles, as coisas também tinham acontecido meio no embalo do momento — só que antes disso já existia uma tensão, um sentimento ambíguo entre eles, e o sexo acabou selando o início do relacionamento. Eles não ficaram fingindo que eram “só amigos”.
Ainda assim, falar isso agora só abriria portas para possibilidades indesejadas. Fazer sexo não significava, obrigatoriamente, começariam a namorar. Ariel cerrou o punho, respirou fundo e voltou a falar:
— Você fez tudo o que eu te pedi antes, certo?
— Sim. O Ash acha que eu tive muitos relacionamentos antes. Quando eu disse que já tinha dormido até com alfas, ele acreditou.
‘É claro que ele acreditou’.
Koy respondeu com confiança, mas Ariel precisou respirar fundo outra vez para conter a fúria que fervia dentro dela. Esse plano teria funcionado antes de dormirem, mas agora que já aconteceu, ele estava descartado. Ariel mudou para o Plano B.
— Koy, até quando você pretende ficar aí? O Ash não disse nada sobre isso?
Koy tentou adivinhar:
— Hm… talvez até eu receber o dinheiro?
— Peça pra ele agilizar o mais rápido possível. Ele sabe que você não tem dinheiro, então seja sincero: diga que nem consegue pagar o aluguel direito.
— Tá bom.
Sem dignidade nem orgulho sobrando, Koy concordou sem resistência. Ariel continuou:
— E quando receber o dinheiro, pague uma refeição para mim e para o Ash. Vai ser mais caro pagar separadamente, então melhor nós três irmos juntos.
— A-ah, claro. Com certeza. Eu já estava pensando nisso mesmo.
Afinal, era graças aos dois que ele receberia aquele dinheiro; era natural demonstrar gratidão. Ainda assim, algo não saía da cabeça dele.
— E-eu… você acha que tudo bem mesmo? Encontrar o Ash junto comigo.
— Tudo bem. Faz tempo que não colocamos a conversa em dia, podemos falar dos velhos tempos.
A resposta veio sem hesitação. Koy sentiu um alívio imediato e ficou profundamente grato a ela. Não havia como não se emocionar com aquela amizade que, levando até a situação financeira do amigo em conta, se dispunha a deixar de lado sentimentos ruins em relação ao outro.
— Obrigado, Al. Sou sempre muito grato a você.
— Isso eu já sei, então chega. Só pega leve. A menos que queira acabar sendo levado pro pronto-socorro depois do sexo.
Diante do conselho tão direto, o rosto de Koy ficou em chamas, ao mesmo tempo em que ele se sentiu completamente desnorteado. Depois de hesitar, murmurou baixinho:
— Achei que você fosse dizer pra eu não dormir mais com o Ash…
Ao ouvir aquilo, Ariel soltou uma risada zombeteira.
— E se eu dissesse isso, você ia obedecer? Ia nada. Você ia dormir com ele do mesmo jeito.
Koy não conseguiu responder. Pois é, pensou Ariel. Koy ainda gostava daquele desgraçado, então era óbvio que ele veria isso como uma oportunidade. Não importava o que Ashley estivesse pensando; mesmo que, no pior dos cenários, os dois acabassem se tornando um casal, a iniciativa tinha que partir de Koy. Ela jamais aceitaria ver aquele sujeito arrogante levasse a melhor.
O problema era que Koy simplesmente não sabia se insinuar num jogo de flerte. Ele não conseguia nem mentir direito — sempre deixava tudo estampado no rosto. Era impossível imaginar alguém assim manipulando o outro dentro de um relacionamento. Ariel conhecia Koy melhor do que ninguém, e foi justamente por isso que escolheu outro caminho.
— E aquela vez em que você desmarcou com a Sarah? Como ficou isso? Vocês ainda vão se encontrar?
— A-ah, claro que quero vê-la de novo. Quando eu receber o dinheiro, depois disso…
Koy respondeu apressado, mas Ariel o interrompeu com um tom suavemente calculado:
— Pelo menos mande uma mensagem. Se você simplesmente sumir, ela vai acabar entendendo tudo errado. Diz só que andou ocupado, pede desculpa e pergunta quando ela tem um tempo livre.
Quando Koy ia dizer que não dava para se encontrar com ela agora, Ariel acrescentou:
— Não é preciso ter dinheiro pra sair em um encontro, né? Pergunta pro Ash. Ele é cria do leste, deve conhecer um monte de lugares. E com certeza já saiu em muitos encontros antes de te reencontrar.
Ariel deixou a frase escapar de propósito. Será que Koy sabia que Ashley chegou a ficar noivo uma vez?
— Ah… sim, é verdade. Deve saber mesmo.
Koy respondeu, hesitante.
— Ele… deve ter saído com alguém, claro.
Diante do murmúrio vago, Ariel deduziu que ele ainda não sabia. Decidiu guardar essa carta para depois e mudou de assunto.
— Então não esqueça de mandar mensagem pra Sarah. Também tem a ajuda da Nana e do Garrett nisso, então faz esse favor.
— Claro. Desculpa, sempre acabo… — Koy começou, constrangido.
— Tudo bem. Então falamos de novo amanhã.
Koy assentiu apressado.
— A-ah, tá. Combinado.
Foi nesse instante que o som de notificação de mensagem ecoou. Ao encerrar a ligação e conferir o celular, Koy arregalou os olhos. Havia três chamadas perdidas — todas de Ashley. Antes de ligar de volta, porém, ele notou outra mensagem e congelou.
Era do seu patrão.
Com o coração batendo forte, Koy respirou fundo antes de abrir a mensagem. Seu rosto se iluminou por um instante, mas logo em seguida endureceu em uma expressão grave. Ele leu o conteúdo várias vezes, repetidamente, até cair em silêncio, com uma expressão grave.
‘O que eu faço agora…’
A preocupação fez ele franzir a testa sem que percebesse. Massageou o ponto entre as sobrancelhas enquanto pensava e repensava a situação. Não havia alternativa. Teria que encarar.
No momento em que tomou sua decisão, o toque repentino do telefone ecoou pelo ambiente. Assustado, Koy olhou para a tela às pressas e deixou escapar um gemido baixo de desespero.
Era Ashley ligando.
°
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can