Ler Fuja se puder – Capítulo 98 Online
— Querido, querido, meu amor……
Ela agarrou desesperadamente as pernas do pai. Pendurou-se nele com toda a força e continuou falando.
— Querido, por que está fazendo isso? Nós… nós nos amamos, não é……? Você disse que me amava. Eu esperei tanto tempo. Esperei, esperei tanto, mas… você só adiava e adiava… eu não tive escolha…… não havia outro jeito…….
À medida que sua voz seguia, soluços começaram a se misturar às palavras. Diferente dos alfas, os ômegas só podem marcar uma única pessoa em toda a vida. Em troca, essa marcação é absoluta e subjuga o alfa até a morte.
Ela havia prendido aquele homem com o poder mais forte que possuía.
Até então, ele estava apenas ocupado despejando sua fúria. Porém, ao ver aquela mulher chorando, agarrada à sua perna, uma súbita sensação de realidade o atingiu em cheio.
‘Casamento? Com essa mulher?’
A marca estava em sua orelha. Uma marca impossível de apagar, que o impediria de se relacionar com qualquer outra pessoa ou de ter filhos com outra mulher.
‘A marca de um ômega.’
No instante em que compreendeu isso, o homem ficou rígido, gelado.
‘Que piada ridícula.’
Um suor frio escorreu por suas costas. Isso não podia ser verdade. Perder a própria vida inteira por causa de uma vadia dessas? Por causa de uma marca maldita dessas? Não fazia sentido.
De jeito nenhum isso podia acontecer. Ele tinha uma esposa legítima e um filho. Se isso fosse descoberto, ela pediria o divórcio. Perderia toda a sua fortuna em pensão alimentícia e pagaria pensão pelo resto da vida. Arruinar sua vida por causa de uma mulher como essa, com quem ele começou um relacionamento por mera curiosidade e que era apenas um objeto para satisfazer seus desejos sexuais, era algo que nunca poderia acontecer.
‘Isso mesmo. Algo que jamais deveria acontecer.’
— Ah!
O homem empurrou violentamente a mulher que se agarrava à sua perna e se virou às pressas. Precisava se livrar da marca. Se apagasse aquela maldição, tudo se resolveria. Sim, era só isso. Bastava apagar. Se ela desaparecesse, tudo voltaria ao normal. Tudo… tudo…….
— Querido, o que está fazendo? Querido…….
A mãe se levantou cambaleando e chamou seu pai. Mas ele, como se estivesse possuído, começou a revirar desesperadamente o armário até tirar algo lá de dentro. Quando se virou, havia uma pistola em sua mão. E o cano da arma estava apontado diretamente para ela.
Até aquele momento, nem a mãe nem Chrissy conseguiram imaginar que aquilo fosse real. Mesmo sabendo muito bem do futuro que se aproximava, acreditavam que algo assim jamais aconteceria. Afinal, ele era o pai da criança, o amante, o marido, o mundo inteiro dela.
Por isso, mesmo ao ver a arma apontada para si, ela não tentou fugir nem implorou por sua vida. Apenas sorriu, como se fosse uma brincadeira. Aquela arma era apenas um item mantido em casa para defesa pessoal, em um lar onde viviam apenas uma mulher e uma criança, e nunca havia sido usada sequer uma vez. Um objeto cuja existência ela quase havia esquecido. E vê-lo nas mãos do homem em quem mais confiava fez com que ela sorrisse sem a menor desconfiança. Franziu levemente a testa por causa da dor, mas, como sempre, seus lábios desenharam um sorriso cheio de amor.
Querido, é perigoso. Guarde isso e venha até aqui. O Chrissy está vendo. Nosso filho vai ficar assustado…….
Provavelmente era isso que ela queria dizer. Mas as palavras que estavam em sua mente não chegaram a sair de sua boca. Antes disso, a bala atravessou sua cabeça.
— Sua puta desgraçada, morra……!
O homem gritou e disparou contra ela. Como um pedaço de madeira, a mãe caiu sem forças no chão. Ao redor de seu corpo desabado, o sangue vermelho se espalhou em poças. O pai ficou de pé sobre ela e continuou apertando o gatilho. Vários disparos ecoaram em sequência, espalhando-se pela casa como trovões assustadores. A cada bala que atravessava seu corpo, ele estremecia violentamente. Quando o som dos tiros foi substituído por um seco e áspero clique metálico, só então o pai baixou a arma. A mãe não se moveu mais.
— Uf…
O pai soltou um suspiro e então ergueu a cabeça. Como se tudo já tivesse terminado, inclinou o pescoço para trás com um leve sorriso nos lábios. Foi então que algo entrou no canto de sua visão. Do outro lado da porta aberta do quarto, havia uma criança observando a cena, com as duas mãos tapando a boca.
— Há droga……
O homem voltou a xingar. Ele ergueu a arma na direção da criança, mas logo percebeu que o carregador estava vazio. Ao ver o pai se virar imediatamente para procurar mais balas, Chrissy empalideceu na mesma hora e saiu correndo em desespero. Mesmo enquanto corria sem pensar, a imagem da mãe caída no chão, coberta de sangue, ocupava toda a sua mente.
— Mamãe, mamãe……
Chrissy chorava sem parar enquanto corria para fora de casa. Mas não havia onde se esconder. Mesmo correndo o mais rápido possível, levaria mais de dez minutos até a casa mais próxima. Era longe demais para aquela situação. Ele seria pego antes de chegar sequer à metade do caminho. Olhando ao redor, sem saber o que fazer, seus olhos pousaram de repente em um pequeno galpão. Era o lugar que o pai costumava usar para fabricar ou consertar coisas quando precisava. Sem pensar mais, Chrissy se enfiou apressado em um canto do galpão e se escondeu.
— Hic… hhh… hic…
Por causa do choro, sons escapavam involuntariamente de sua boca. Com toda a força, ele a tapou com as duas mãos e prendeu a respiração.
‘Por favor, por favor, faça com que o papai não me encontre. Por favor, eu imploro. Por favor…….’
Foi nesse momento, enquanto rezava desesperadamente, que a porta do galpão se abriu lentamente com um rangido sinistro, e a luz invadiu o interior de uma só vez. Nos ouvidos de Chrissy, que havia se enrijecido de susto, a voz do pai soou clara.
— Chrissy. — O homem, parado além da porta escancarada, continuou:— Você está aqui, não está? Vamos, saia logo.
Chrissy fechou os olhos com força, encolheu o corpo o máximo que pôde e permaneceu imóvel. O pai continuou chamando seu nome.
— Chrissy, venha até o papai. Vamos brincar juntos. Hein? Saia logo.
A voz do pai era incrivelmente gentil. Igual àquela de quando o abraçava e beijava sua bochecha. Gentil demais para alguém que acabara de matar a mãe de forma tão cruel.
— Chrissy, saia.
Chamando novamente o nome do filho, ele entrou no galpão. A cada passo, observava ao redor, procurando um lugar onde a criança pudesse estar escondida.
— Chrissy, onde você está? O papai está procurando você.
Ele continuava falando, espiando cada canto.
— O papai vai comprar um brinquedo para você, venha logo. Vamos comer panquecas, as suas favoritas, e brincar juntos.
Os passos se aproximavam. A voz doce e tentadora também soava cada vez mais perto.
— Chrissy, saia agora. Você não deve deixar o papai bravo, certo?
Aos poucos, a voz dele ficou perigosamente mais baixa. Chrissy apenas tremia, segurando a respiração, quando o pai murmurou em tom sombrio:
— Se você continuar desobedecendo assim, vou ter que te dar uma grande bronca. Vamos, saia. Um, dois.
Os números avançavam lentamente. O suor frio escorria por todo o corpo de Chrissy, paralisado de medo.
‘Por favor, faça com que ele não me encontre. Por favor, eu imploro. Por favor…….’
Foi quando, com as mãos unidas, enquanto fazia uma oração desesperada. De repente, o homem enfiou o rosto bem à sua frente. No mesmo instante, Chrissy se apavorou.
— Hiii!
— Achei você.
O homem, com um sorriso que quase rasgava os cantos da boca, puxou o braço da criança. Chrissy tentou resistir, mas foi inútil. Debatendo-se com todas as forças, acabou sendo arrastado para fora e jogado brutalmente no chão. Com o rosto encharcado de lágrimas, ele olhou para o pai e implorou desesperadamente.
— P-por favor, me deixe vivo, papai, me deixe vivo… Eu não me comportei mal, não me mate.
Ao ver o filho chorando e se agarrando a ele, o homem abriu um sorriso amargo e balançou a cabeça.
— Eu devia saber. É por isso que se deve pensar bem antes de ter filho. Quando não se conhece o próprio lugar, é isso que acontece.
Em seguida, falou com um tom estranhamente afetuoso:
— Se aquela mulher não tivesse feito algo que não lhe cabia, isso não teria acontecido. Mas não tem jeito. Para você, também deve ser melhor ir para o lado da sua mãe do que ficar aqui sozinho.
Dizendo isso, o homem apontou a arma sem hesitação para Chrissy.
— Vá lá e manda lembranças para a sua mãe. Adiós.
Ele murmurou a frase de forma teatral, como se estivesse recitando uma fala de filme. Dominado pelo medo, Chrissy soltou um grito desesperado, quase um lamento.
— Por favor, não me mate……!
Foi exatamente naquele instante que alguém respondeu à sua oração. Infelizmente, Chrissy só descobriu que quem havia atendido às suas preces era um demônio algum tempo depois de ter sido adotado.
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Continua….
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m caso chocante acontece: um alfa, junto com seu grupo, estupra e assassina um ômega. O promotor encarregado do caso, Chrissy Jin, recusa qualquer acordo e decide levar o caso a julgamento, determinado a garantir uma punição adequada.
É nesse contexto que ele encontra pela primeira vez Nathaniel Miller, representante da maior firma de advocacia dos Estados Unidos, o Miller. Mas a arrogância de Nathaniel não lhe agrada em nada.
Pouco depois, ao voltar de um encontro com seus pais adotivos, Chrissy se envolve num acidente de trânsito: por azar, o carro em que bateu é justamente o de Nathaniel. Diante do valor absurdo do conserto, Chrissy não tem escolha a não ser ir até o homem para explicar sua situação, mas o lugar onde Nathaniel se encontra é, na verdade, uma festa de feromônios.
Lá, Chrissy quase acaba sendo violentado por Nathaniel, mas consegue atingi-lo com um caco de vidro e escapa. A partir desse incidente, a atitude de Nathaniel muda radicalmente: ele demite o advogado responsável pelo caso e decide assumir a defesa pessoalmente.
Os dois passam a se enfrentar no tribunal. No entanto, mesmo em meio a essa relação de hostilidade, Chrissy se sente estranhamente atraído por ele. Nathaniel, por sua vez, não disfarça seu interesse por ele. Em meio a essa tensão crescente, um dos membros do júri surpreende Chrissy com uma revelação inesperada….
Nome alternativo: Run Away If You Can