Ler Lamba-me se puder – Capítulo 167 Online
— Ah!
Com o estímulo repentino, Koy acabou franzindo a testa e soltando um grito curto. Mas Ashley não parou e continuou mordendo o lóbulo de sua orelha. Mordia com tanta força que chegava a deixar marcas e Koy, incapaz de suportar a dor, acabou reclamando.
— Tá doendo, Ash. Para. Está doendo de verdade.
Diante do pedido insistente, Ashley finalmente afastou os lábios. A orelha de Koy estava vermelha, quente, com marcas bem visíveis, mas só isso. Observando o lugar que havia mordido, Ashley murmurou:
— Se você fosse ômega, teria ficado uma marca.
Não era exatamente assim. Às vezes, mesmo tentando marcar, o sinal não aparecia. Ashley sabia disso também, mas a sensação de vazio persistia. Afinal, desde o começo, era algo impossível. Diante da reação dele, Koy, com um rosto inquieto, chamou seu nome com cautela.
— Ash…?
A voz saiu hesitante, sem qualquer traço de confiança — difícil de acreditar que, instantes antes, ele estivesse tão excitado. Claro, quem o deixou assim foi o próprio Ashley. E foi ele quem logo se arrependeu.
‘Idiota. Sabendo que Koy era beta, ainda assim tentando marcá-lo. O que exatamente eu estava esperando’?
— Desculpa.
A frase carregava vários significados, mas Koy provavelmente não entendeu nenhum deles. Como esperado, ele logo sorriu e respondeu:
— Tudo bem.
Ao ver aquele sorriso despreocupado, as emoções de Ashley se tornaram ainda mais confusas. A expressão carregada de sentimentos contraditórios fez Koy piscar, intrigado. Mas ele não teve tempo de pensar muito nisso. Ashley voltou a puxá-lo para si e seus lábios se encontraram novamente.
Dessa vez, o beijo foi diferente — suave, cuidadoso, quase afetuoso. Havia até certa formalidade naquele contato. Quando Koy abriu a boca com cautela, Ashley deslizou a língua para dentro, de leve. A inesperada sensação de cócegas quase fez Koy morder a própria língua, mas antes que isso acontecesse, Ashley se afastou e, em vez disso, empurrou seu ombro.
O corpo de Koy caiu para trás, indefeso, batendo no colchão, quicando uma vez antes de afundar de vez. Com os olhos bem abertos, ele viu Ashley se posicionar por cima dele. Ajoelhado, parando à altura de sua cintura, Ashley manteve o olhar fixo em Koy enquanto enfiava os dedos no nó da gravata e o afrouxava. Logo, o tecido comprido se soltou como uma serpente e foi jogado para fora da cama.
Eles não disseram uma única palavra. Nem sequer piscaram, apenas se encararam. Ashley puxou a barra da camisa para fora da calça e, cruzando os braços, ergueu o tecido por cima da cabeça. Depois de se livrar da camisa, jogou-a para fora da cama, assim como fizera com a gravata.
Era um corpo difícil de acreditar que pertencesse a um advogado. Músculos maiores e mais bem definidos do que os de Koy, que fazia trabalho braçal, preencheram seu campo de visão. O peito, mais largo do que na época do colégio, e os músculos profundamente marcados não carregavam um traço sequer de gordura.
Enquanto Koy observava, hipnotizado, viu Ashley abaixar o zíper da calça. E, sem perceber, prendeu a respiração.
Era muito maior e mais imponente do que tinha na memória. O pênis semi-ereto, avermelhado pela excitação, estava tão inchado que preenchia por completo a grande mão de Ashley. Só de imaginar aquilo se expandindo ainda mais, a mente de Koy ficou em branco.
— Koy.
Ainda segurando o próprio membro ereto, Ashley o chamou. Assustado, Koy piscou e acabou encarando o rosto frio de Ashley. Em contraste absoluto com o que ele segurava nas mãos, não havia ali qualquer sinal de excitação. Confuso, Koy ouviu Ashley continuar:
— Não se preocupe. Não vou colocar isso em você.
Quando Koy o olhou, perplexo, Ashley riu de si mesmo, com amargura.
— Você é um beta.
Koy não sabia se o baque que seu coração deu foi por causa daquela expressão de Ashley, ou por causa das palavras, ou ambos. Uma coisa era clara: Ashley havia traçado uma linha clara entre eles. Mesmo que estivessem compartilhando um momento tão intenso na mesma cama, no final, eles viviam em mundos diferentes.
‘Como sempre viveram’.
‘Não há motivo para ficar chateado, Ash só estava falando a verdade’.
Koy apressou-se em se consolar, lembrando-se do passado. Mesmo sofrendo tanto por causa dos feromônios, Ashley nunca passou dos beijos com ele. Mas agora era diferente. Os dois eram adultos, e Koy não tinha intenção de fugir por medo. Como prova disso, diante do olhar atento de Ashley, levou a mão à cintura da calça. Segurou o tecido que pendia frouxo e, junto com a cueca, puxou tudo para baixo de uma vez.
Até então, a expressão de Ashley, que não perdera a compostura, vacilou. Ele percorreu lentamente com o olhar o corpo nu de Koy, exposto diante dele. Ao notar que os olhos violeta de Ashley estavam grudados em suas pernas, incapazes de se afastar, Koy sentiu, junto da vergonha, uma pequena sensação de superioridade.
— Você gosta das minhas pernas?
Saber que havia algo nele capaz de deixar Ashley assim, perdido, lhe trouxe até um certo orgulho. Ainda sem conseguir desviar o olhar das pernas de Koy, Ashley murmurou:
— Perfeitas.
Ao mesmo tempo em que ficou feliz, uma vergonha tardia o atingiu, e Koy, sem perceber tentou recuar, levantando os joelhos. Mas antes que pudesse fugir, Ashley agarrou seu tornozelo e Koy acabou caindo para trás. Apoiado às pressas nos cotovelos, ele ergueu metade do tronco e o encarou; foi quando Ashley se inclinou sobre ele.
Koy apenas observou enquanto ele, ajoelhado e curvado como um animal de quatro, avançava sobre ele. A boca estava seca, as têmporas pulsavam forte. O olhar de Ashley permanecia cravado em seu rosto, sem vacilar — nos olhos, no nariz, e então nos lábios.
Por fim, os lábios se tocaram, e os dois fecharam os olhos. A última coisa que Koy viu foi o rosto de Ashley preenchendo completamente sua visão, os longos cílios gravados em sua retina.
Ah……
O suspiro, quase um lamento, foi engolido pela boca de Ashley. Koy estendeu o braço que sustentava seu corpo e envolveu o pescoço dele, deitando-se completamente na cama. O peso de Ashley recaiu inteiramente sobre ele. Koy sentiu que ia ficar sem ar, mas, ironicamente, isso o agradou ainda mais. Parecia que o homem que, instantes antes, traçara uma linha fria entre eles, agora entregava-se completamente.
— Ash.
Aproveitando um breve instante em que seus lábios se separaram, Koy apressou-se em falar. Ashley tentou beijá-lo novamente, mas Koy conteve-o, segurando seu rosto, e perguntou:
— Você gosta das minhas pernas?
Ele não teve coragem de perguntar: “Você gosta de mim?” Será que Ashley pensaria que o leve tremor em sua voz vinha apenas da sua respiração ofegante? Justo quando estava ficando inquieto, Ashley responder.
— Suas pernas são as mais lindas que eu já vi na minha vida.
Koy sorriu, e Ashley também deixou escapar um sorriso contido. O beijo recomeçou, e desta vez Koy o recebeu com alegria. Sem interromper o beijo, a mão de Ashley deslizou pelo corpo de Koy. Quando a mão desceu ainda mais e Ashley apertou suas nádegas, Koy se assustou tanto que quase mordeu a língua dele por reflexo. Diante dessa reação, Ashley, ainda com um sorriso nos lábios colados aos dele, murmurou:
— Aqui também.
Sob o toque lento da grande mão amassando sua carne, Koy não conseguiu impedir que o corpo inteiro tremesse. Ele também estava completamente excitado, duro ali embaixo. Com os corpos tão colados, Ashley certamente perceberia. Ao pensar nisso, a vergonha se espalhou — e, ironicamente, isso o excitou ainda mais.
‘Ash gosta mesmo da minha bunda e das minhas pernas’.
Enquanto sorria ao se lembrar de como, quando eram mais novos, Ashley vivia apalpando sua bunda, outro pensamento surgiu de repente.
‘Talvez ele só goste de bundas e pernas no geral’.
A ilusão agradável de talvez ser especial se despedaçou num instante. E, junto com ela, a excitação também murchou. Ashley percebeu a mudança de imediato e perguntou:
— O que foi?
Naquela posição, com os corpos tão colados, era impossível não notar. Ashley franziu a testa enquanto olhava para Koy de cima. Só pela reação dele, Koy conseguiu imaginar a própria expressão.
Certamente estava fazendo uma cara que esfriaria qualquer excitação.
Mas não havia como esconder. Koy hesitou e, com dificuldade, abriu a boca.
— Você já fez isso muitas vezes, não é?
‘Enquanto a gente esteve separados’.
‘Com outras pessoas’.
‘Uma? Duas? Ou muito mais…’?
O rosto que o olhava de cima voltou à sua expressão habitual. Ver a emoção desaparecer daquele rosto num instante, fez o coração de Koy afundar. Ashley falou com uma voz calma:
— Então o quê? Quer parar?
Koy apenas fitou o rosto de Ashley. O que aconteceria se dissesse que sim agora? Será que Ashley se levantaria imediatamente e agiria como se nada tivesse acontecido?
Como costumava fazer quando eram mais novos.
— …Não.
‘Fazer uma pergunta assim numa situação dessas… Ele realmente não tinha nenhum tato. E ainda por cima nem queria recuar’.
Repreendendo a si mesmo, Koy balançou a cabeça outra vez.
— Não quero parar.
Como prova, ele segurou a nuca de Ashley e o puxou para um beijo, tomando a iniciativa. Não importava com quantas pessoas Ashley tivesse se envolvido.
‘Quem está com o Ash agora sou eu’.
Pensando assim, Koy ignorou a dor incômoda que apertava seu peito.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can