Ler Passion – Novel – Capítulo 23 Online

Modo Claro

Após um momento de silêncio, Xinlu ergueu os olhos de forma desajeitada e exclamou:
— Hyung! O cigarro! O seu cigarro! — apontando para Jeong Taeui, que se abaixou, assustado ao ver que a bituca havia caído no chão seco e colocado fogo na grama. Ele rapidamente apagou com o pé.

As mãos de Jeong Taeui tremiam quando ele pegou a bituca e a enfiou no bolso. Ao tirar o último cigarro para acender, o isqueiro se recusou a funcionar. Seus dedos tremiam enquanto insistia várias vezes.

“Espera… o que eu acabei de ouvir? Parece que escutei algo estranho, mas não consigo lembrar.”

Taeui pensou: “Agora há pouco, Xinlu me chamou de Tay-hyung e depois gaguejou alguma coisa… Ah, por que esse isqueiro não funciona?!”

Mesmo tentando várias vezes, o isqueiro não pegava. Com o rosto vermelho de vergonha, Xinlu se aproximou, pegou o isqueiro da mão de Taeui e acendeu o cigarro para ele.

— Obrigado — disse Taeui, recuperando o isqueiro das mãos de Xinlu e guardando-o no bolso, sem acrescentar mais nada.

— ……

— ……

Um silêncio incômodo se espalhou. Xinlu estava tão perto que poderia estender a mão e tocar Taeui.

Taeui olhou para Xinlu, atordoado, e soltou a fumaça. Xinlu tossiu levemente duas vezes. Nesse instante, Taeui se sobressaltou e disse:

— Desculpa.

Virou o rosto para soltar a fumaça para o lado e logo apagou o cigarro, mesmo tendo dado apenas algumas tragadas. Se Tou visse isso, com certeza o repreenderia com o olhar, mas agora não importava.

— … Então… está tudo bem?

Depois de um instante de hesitação, Taeui soltou as palavras e imediatamente quis morder a própria língua.

“O que eu estou perguntando? ‘Tudo bem’, nesse contexto, o que isso significaria?”

Como esperado, Xinlu arregalou os olhos para Taeui. Este gaguejou:

— Não, desculpa. Não quis dizer isso. Eu quis dizer… você está desconfortável?

Xinlu olhou para Taeui, que tentava se explicar de forma desajeitada, com uma expressão confusa, e então balançou a cabeça lentamente.

— Não estou desconfortável. Só tenho estado ocupado demais ultimamente, então não saio para lugar nenhum… Desde então, até olhar para mulheres não desperta mais nada em mim…

O pescoço de Xinlu ficou vermelho de vergonha enquanto ele falava. Ao ver isso, o rosto de Taeui corou ainda mais.

Se alguém visse aquela cena, certamente cairia na risada: dois homens adultos, parados frente a frente, vermelhos, olhando apenas para o chão. Mas mesmo que alguém risse, Taeui não se importaria. Talvez seu coração estivesse se enchendo de uma emoção intensa.

Taeui deu um leve chute na bituca de cigarro debaixo do pé. Depois de um longo silêncio, Xinlu sussurrou suavemente:

— Tay-hyung… Quando tomamos chá alguns dias atrás…

Taeui se sobressaltou e pisoteou a bituca. Seus pés se moveram devagar.

— Porque, quando você me tocou… eu senti como se tivesse cheiro de sabão, e você estava tão perto de mim…

— É… entendi…

Xinlu assentiu, murmurando. Ainda vermelho até as orelhas, baixou a cabeça — e Taeui não estava em situação diferente.

De repente, Xinlu levantou o rosto devagar. Lançou um olhar para Taeui com seus olhos negros reluzentes. O brilho cintilante fez o coração de Taeui se apertar.

Quando Taeui estava prestes a virar o rosto, Xinlu sorriu levemente. Um sorriso tímido, apenas curvando de leve os cantos da boca. Taeui não conseguiu desviar os olhos daquele sorriso.

— … Hyung. Vamos voltar juntos. Eu espero aqui… Não, eu também quero ver o mar mais uma vez.

Dizendo isso, Xinlu passou por Taeui em direção à praia. Taeui ficou parado, observando as costas dele se afastando e, quando Xinlu se virou com uma expressão confusa, Taeui correu para acompanhá-lo.

Seu coração disparava. Como se tivesse agarrado uma oportunidade incrível, batia acelerado.

Incrivelmente, ele fechou os olhos e os abriu de novo — e Xinlu ainda estava lá, sorrindo.

Ah, nem tudo é sempre desgraça.

Mesmo que naquela noite houvesse centenas de homens como Rick, da filial europeia, ele conseguiria suportar.

**************************

Eles chegaram exatamente às oito da noite, depois do jantar.

Jeong Taeui pensou se já havia sentido tanta tensão em sua vida. Nunca. Nem mesmo quando lutou até a morte contra o tenente Kim, e aquela batalha acabou se transformando numa briga generalizada entre os esquadrões.

Após uma breve orientação na sala de conferências do segundo subsolo, todos desceram para o sexto subsolo. A atmosfera no corredor era realmente intimidadora. Mais de uma dúzia de homens com rancores pessoais contra a filial europeia montavam guarda no corredor, lançando olhares ameaçadores, enquanto os que desciam pelas escadas também os encaravam friamente.

Jeong Taeui não queria se envolver de forma alguma naquela confrontação. Já havia previsto essa situação e planejava se esconder em seu quarto quando eles chegassem. Mas, infelizmente, ele saiu do banheiro logo após o banho, na mesma hora em que chegaram.

Ao ver um grupo de estranhos descendo as escadas, Jeong Taeui pensou: “Ah, finalmente chegaram.”

Vendo um colega parado à sua frente, ele rapidamente se esgueirou pela multidão e foi para o quarto. Por hábito, primeiro se dirigiu ao próprio quarto, mas logo mudou de direção para o quarto de Tou, onde ficaria por algum tempo.

No quarto, estavam apenas Tou e Maurer. Embora fossem de equipes diferentes, já tinham se encontrado e conversado algumas vezes, então não era estranho.

— Eles chegaram, né?

Maurer, concentrado numa revista de passatempos, murmurou com um lápis entre os dentes. Taeui respondeu:

— Sim, chegaram — e sentou-se na cama, secando os cabelos.

Esse Maurer não parecia ter muito ressentimento contra a filial europeia. Talvez porque estivesse ali havia apenas alguns meses e ainda não tivesse presenciado a brutalidade deles. Tou havia comentado isso uma vez. Mas, para Taeui, que estava ali só há alguns dias, simpatizar com Maurer, que encarava tudo apenas como uma competição normal, era muito mais fácil do que carregar um rancor feroz contra a filial europeia, como Tou.

— Onde está o Tou?

— No banheiro. Levou uma revista em quadrinhos, então não volta tão cedo.

Ao ouvir a resposta de Maurer, que não desviou os olhos da revista, Taeui apenas assentiu.

Esperaram tanto tempo por essa chegada, e justo na hora Tou estava no banheiro. Mas talvez, ao sentir a presença deles, acabasse saindo às pressas.

Mesmo dentro do quarto, era possível sentir a tensão do lado de fora. Embora ainda não tivesse estourado nenhuma briga, xingamentos e gritos podiam ser ouvidos de vez em quando.

— Nessa situação, não seria surpresa se uma briga começasse. A tensão está alta demais .

— Briga… eu não quero isso.

— É, eu também não. Mas se o Tou ouvir a gente falando disso, vai interromper e começar a dar sermão.

Taeui lançou um olhar para Maurer, e os dois riram.

— O Tou é uma boa pessoa, mas é cabeça quente demais.

Maurer não disse nada, apenas deu de ombros em concordância e voltou à sua revista.

Taeui começou a arrumar suas coisas. Mas não havia muito o que arrumar.

Desde que havia se juntado àquela filial, não trouxera muita bagagem, então mudar de quarto por alguns dias não exigia esforço. Era pouca coisa, fácil de carregar na mão.

— Posso usar esse porta-escovas vazio?

— Claro, vai em frente. Só não mistura. Uma vez, o Tou comprou uma escova nova da mesma cor que a do Nick, e eles discutiam todo dia sobre de quem era cada uma.

Maurer respondeu sem desviar os olhos da revista. Taeui conferiu a cor da sua escova e a colocou no banheiro. Ao guardar a roupa íntima na gaveta, ouviu mais histórias de confusões parecidas e resolveu conferir a própria de novo. Arrependia-se de ter trazido cuecas brancas simples, fáceis de se confundir.

Ao fechar a gaveta, ela travou. Depois de tentar algumas vezes, Taeui franziu a testa e acabou puxando-a inteira para fora.

— O que ficou preso aqui… Ah.

Taeui retirou um objeto de metal escondido entre as roupas íntimas.

Era uma Pistola Beretta*.

Sentindo o peso frio em sua mão, Taeui lançou um olhar para Maurer. Este continuava mergulhado em sua revista.

Na filial, armas de fogo pessoais eram proibidas. No máximo, facas ou armas não letais eram permitidas. Às vezes, alguém escondia uma arma e, se fosse pego, alegava que era apenas de brinquedo. Mas aquela em sua mão parecia bem real.

Taeui segurou a pistola Beretta e bateu levemente com ela na palma. Estava carregada. Bastava destravar a segurança e poderia disparar.

Nesse instante, Maurer virou a cabeça sem querer e viu Taeui segurando a pistola Beretta. Seu rosto mudou imediatamente. Ele saltou de onde estava e agarrou a arma, mas Taeui instintivamente recuou um passo.

O rosto de Maurer se contorceu como se tivesse mordido algo amargo. Taeui riu de leve.

— É sua? Andando por aí com uma arma ilegal.

— Devolve! É um modelo raro!

Maurer gritou, irritado, estendendo a mão para pegá-la de volta.

Taeui se lembrou de que Tou havia comentado que o colega de quarto era um fanático por armas, que vivia escondendo modelos no quarto.

Tou, um especialista, nunca confundiria uma arma de brinquedo com uma de verdade. Então, provavelmente, aquele quarto também tinha armas de modelo. O fanático por armas de que ele ouvira falar era justamente esse cara. Um entusiasta de passatempos com um hobby inesperado.

— Vou tirar as balas primeiro.

Taeui devolveu facilmente a pistola Beretta para Maurer.

Pronto. Aqui tem muita gente perigosa. Sobreviver nesse ambiente não é fácil.

Taeui puxou Maurer para mais perto e enfiou a mão no bolso do casaco dele. Maurer gritou e recuou.

— Ei! O que você está fazendo?

— Só conferindo… Ah.

— Espera. Ouvi dizer que você tem interesse no Xinlu! Não me toque, sou inocente! Não gosto de homens!

— Eu também não quero… Mas o que é isso?

Taeui riu ao tirar um Colt 22* do bolso de Maurer.

— Por que você anda carregando isso?

— É meu bebê! Devolve! Por que você não para de mexer nas minhas armas?!

Maurer gritou irritado, arrancando a arma das mãos de Taeui. Ele devolveu facilmente.

Tem gente assim em todo lugar. Taeui já tinha conhecido um colega fanático por armas, que decorava a casa com modelos. Quando perguntado “Como você não foi pego?”, respondeu: “Se você não contar, não tem problema”. E decidiu ficar calado.

Taeui já conhecera várias pessoas fascinadas por armas, sem conseguir se libertar disso. E agora havia conhecido mais uma.

— Você é sobrinho do instrutor Jeong, certo?

Maurer olhou Taeui com um olhar afiado. Taeui assentiu e sorriu.

— Se eu disser que meu colega de quarto é fanático por armas, você vai me matar antes que meu tio apareça, né?

— Claro! Se você contar, vai morrer!

Maurer fingiu ameaçar e então guardou o Colt de volta no bolso.

— Você sempre anda com isso… E se for pego?

— É só ficar quieto, e tá tudo certo!

Maurer gritou, virando-se de volta para a mesa. Sua raiva e preocupação eram evidentes na forma como manuseou a revista de maneira brusca em seguida.

Taeui sorriu e continuou arrumando suas coisas. Mas o arrumar foi tão rápido que parecia sem sentido, já que não havia muito para organizar.

Taeui sentou-se na cama, observando o quarto. Ao contrário do seu próprio quarto, que tinha só para si, aquele abrigava três pessoas. Para alguém que não gostava de ter muitas coisas, como ele, o quarto estava cheio de objetos e parecia realmente habitado.

Taeui sorriu. Em vez de se sentir estranho, sentiu-se nostálgico.

Não apenas durante seu tempo na academia militar, mas também nos BOQ (Bachelor Officers’ Quarters) do exército, ele já dividira quartos com colegas. Naquela época, houve um período em que o quarto estava cheio até transbordar. Entre aqueles com quem dividira o espaço, havia alguém que não conseguia jogar nada fora e continuava acumulando coisas. Eventualmente, outro colega não suportou mais, o repreendeu para que jogasse algumas coisas fora, o que gerou um pequeno desentendimento, mas logo foi resolvido.

Aquele quarto tinha muitas coisas, mas comparado àquela época, não era nada. A quantidade era aceitável.

Enquanto Taeui lembrava dessas memórias, o barulho lá fora continuava. Ocasionalmente, xingamentos e gritos, e às vezes o choque de metal podia ser ouvido. Não seria surpresa se uma briga começasse a qualquer momento.

Notas:
Pistola Beretta: Pistola semiautomática italiana de médio porte, usada por forças policiais e militares. Possui magazine removível, geralmente para 15 balas, corpo metálico e empunhadura de plástico ou borracha. Conhecida por ser precisa, confiável e robusta.

•Colt .22: Pistola semiautomática de pequeno calibre (.22), leve e compacta, geralmente usada para treino ou tiro esportivo. Possui magazine removível de 10 a 12 balas. Menor e mais fraca que uma Beretta, mas ainda funcional.

Traduzido por Mandy Fujoshi
Revisado por Fran ♡
Até o próximo capítulo.

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Jeong Taeui, cujo irmão mais velho é o gênio Jeong Jaeui, é um ex-soldado que se considera uma pessoa comum. Atendendo à recomendação de seu tio, Jeong Chang-in, Jeong Taeui decidiu trabalhar por seis meses na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (UNHRDO). Mas, ao se envolver com um homem maluco de mãos bonitas, Ilay Riegrow, ele nem imaginava que sua vida começaria a desandar em uma direção totalmente inesperada.
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