Ler Passion – Novel – Capítulo 21 Online

Modo Claro

Jeong Taeui, que havia adormecido com a luz acesa e coberto o rosto com um livro aberto porque a claridade o incomodava, acordou quando algo foi retirado de cima dele. Ao abrir os olhos, deparou-se com o rosto do tio, que o observava em silêncio.

— Eu não conseguiria dormir usando óculos, mas você consegue dormir com algo pesado assim no rosto?

Disse o tio, sacudindo o livro como se estivesse intrigado. Jeong Taeui sentou-se lentamente na cama, esfregou o rosto ainda sonolento e coçou a cabeça.

— Não é de se admirar que meus sonhos tenham sido perturbadores… Talvez fosse porque eu estava com isso no rosto…

— Um sonho? Quanto tempo você dormiu para conseguir sonhar nesse intervalo?

O tio riu enquanto tirava o casaco e desabotoava os punhos da camisa. Ainda meio grogue, Jeong Taeui virou a cabeça para olhar o relógio. Ainda era cedo demais para ser madrugada.

— Acho que dormi por algumas horas. Sonhei… O que foi mesmo? Você me arrastava para uma ilha, eu ficava preso lá com homens cruéis e vivia derramando sangue…

— Hum… Isso não parece um sonho comum. Por que você não tenta comprar um bilhete de loteria?

— Quando você diz que não é um sonho comum, quer dizer que é um sonho muito comum?

— Exatamente.

— Tio, por acaso o senhor mudou de profissão recentemente? Virou vendedor de loteria ou algo assim?

— Ah, então foi enquanto eu estava na Coreia que tiveram essa ideia? Parece divertido.

Murmurando que a indústria dos jogos de azar estava em expansão e que aquilo talvez realmente pudesse acontecer em breve, Jeong Taeui terminou de despertar. Saiu da cama, bebeu água direto da geladeira e finalmente se sentiu totalmente acordado. Jogou os cabelos despenteados para trás e olhou o tio, que tirava a camisa.

— Você parece estar ocupado ultimamente. Faz um tempo que não te vejo, embora eu venha aqui para ler todos os dias.

— Normalmente, pouco antes do treinamento conjunto, fico absurdamente ocupado. Só a papelada já é uma montanha. Além disso, preciso me preparar com antecedência para alguns caras que provavelmente vão se machucar.

— Espero não ser um dos beneficiários desse tipo de preparo — murmurou Jeong Taeui, sentando-se no banquinho ao lado da cama e observando o tio.

O tio, que já havia se despido completamente e caminhava em direção ao banheiro, não parecia nem um pouco cansado, apesar da voz rouca. Considerando que Jeong Taeui lia naquele quarto todas as noites e só voltava aos alojamentos masculinos depois da meia-noite, isso significava que o tio também terminava o trabalho nesse horário — uma resistência realmente impressionante.

— Pensando bem, ouvi dizer que você vai ficar por aqui.

— Ah, sim. O tio vai para a América do Sul? Ouvi dizer que um dos instrutores vai liderar o grupo.

— Não. Desta vez, o Golding vai no meu lugar. Eu irei para outra filial durante o próximo treinamento conjunto.

A voz do tio ecoou do banheiro. Logo depois, ouviu-se o som da água e, em seguida, o borbulhar da espuma, como se ele estivesse lavando o cabelo.

— Mesmo assim, você não conseguiria nem tirar a sorte direito ficando parado neste lugar sinistro e ameaçador. Com cinquenta por cento de chance, acabaria achando que tirou um lote azarado.

— Alguém como o Jaeui-hyung deveria ficar com todos os lotes da sorte.

— Existe alguém como o Jaeui neste mundo? A injustiça do mundo se resume à existência desse cara.

Jeong Taeui sorriu ao ouvir o comentário murmurado do tio.

— Parece que este treinamento também não vai terminar sem problemas — disse o tio, em tom irritado.

Jeong Taeui parou de balançar o calcanhar no banquinho. Mesmo sem poder vê-lo, encarou a porta do banheiro.

— Isso soa meio sinistro… A lista dos membros europeus que virão para cá já foi recebida?

— Bem, a confirmação final será feita depois que o voo decolar amanhã de manhã, mas praticamente já está decidido.

— Se o treinamento não parece que vai terminar bem… isso significa que há alguém problemático entre os novos membros?

Jeong Taeui sondou. A resposta do tio veio abafada pelo som do chuveiro, mas soou como uma concordância.

Riegrow.

O Rick Louco, em quem ninguém da filial europeia ousava tocar.

O homem que deixava marcas vermelhas mesmo usando luvas pretas.

Jeong Taeui permanecera na filial asiática — e aquele homem estava vindo para cá.

Ele sempre achara que seu irmão era uma pessoa de sorte, mas nunca se considerara azarado. Talvez fosse hora de repensar isso.

— Ele tem uma reputação terrível de louco… Os membros vão sofrer, mas os guardas também, se alguém assim aparecer.

O tio respondeu com um murmúrio de concordância.

— Depois de assistir a um vídeo recentemente, fiquei até desanimado de tentar lutar… Tio, você acha que eu sairia ileso se tivesse que confrontar aquele homem?

Sem hesitar, o tio respondeu diretamente:

— Vai ser difícil.

— Hum…

— Não só para você, mas para qualquer um. É difícil alguém sair ileso encarando um cara desses. Bem, se você tiver determinação suficiente para ceder e cortar um pedaço da própria carne, não há nada que não possa fazer.

— Dar um osso e cortar a carne… Isso não faz sentido aqui.

— Ele é esse tipo de cara, eu te digo. Você só viu o vídeo, não foi? Pergunte a quem passou por isso pessoalmente. Mesmo que alguém tenha coragem de entrar numa briga, você não vai encontrar ninguém tão arrogante a ponto de afirmar que consegue resolver tudo sozinho.

Jeong Taeui fechou a boca. Mesmo falando de forma descontraída, seu tio nunca mentia. Além disso, nunca fazia julgamentos errados — pelo menos, não que Jeong Taeui soubesse.

— … Acho que só preciso correr bem para sobreviver.

— Bem, ele não é um assassino que mata todo mundo que encontra, então não há necessidade de tanta solenidade. O importante é não se envolver.

O tio saiu do banheiro. Com uma toalha nos cabelos molhados, caminhou nu até a geladeira, pegou uma garrafa de água e bebeu direto dela. Como se toda a umidade de seu corpo tivesse sido drenada, a garrafa de um litro ficou mais da metade vazia em pouco tempo.

— Você já terminou de se lavar?

— Não. Por enquanto, só lavei o cabelo. Fiquei com sede. Passei a tarde inteira trabalhando, quase sem comer ou beber, e depois houve um alvoroço quando a lista dos membros europeus que chegariam saiu depois do jantar. Quando dizem que aquele cara vem, eu tenho pelo menos mais um ou dois lugares para ligar. Tipo a funerária.

— … Tio. Eu quero viver.

— Claro. A vontade de viver é um instinto humano. A menos que alguém sofra de depressão, é assim com todo mundo.

— Quando você diz “manter-se neutro”, isso significa que estaremos seguros desde que não o provoquemos?

O tio não respondeu de imediato, ocupado em terminar a água da garrafa. Depois de esvaziar a última gota, limpou com a mão as que escaparam de seus lábios e olhou para o sobrinho, sem expressão.

— Você acha que é esse o caso?

— … Bem… Eu não conheço essa pessoa, então não faço ideia de como lidar com a situação.

— Eu não acho.

— Pelo que você diz, eu sinto o mesmo — disse Jeong Taeui, em tom sombrio.

O tio jogou a garrafa vazia no chão com desdém e voltou para o banheiro, falando enquanto caminhava:

— Não se trata de provocar ou não. O melhor é simplesmente não se envolver com um louco. Uma vez envolvido, fugir pode não adiantar. O segredo é não ser visto de forma alguma.

— Hum… é difícil. Neste espaço apertado, com quase cem pessoas, eu não sou invisível. Como posso evitar ser visto?

— Ele não sai por aí pegando qualquer um que vê para massacrar. Você só precisa evitar cruzar o olhar com ele. E tome cuidado para não esbarrar nele durante o treinamento conjunto.

O som da água recomeçou.

— Ai, que quente! O que está acontecendo? Será que o controle está com defeito…?

Murmurando para si mesmo, o tom do tio logo ficou leve o bastante para começar a cantarolar.

— Você conhece essa pessoa, Riegrow? — perguntou Jeong Taeui, instigado pelo tom familiar da voz do tio.

Por causa do barulho da água, não houve resposta. Mas, pensando bem, seria estranho se ele não o conhecesse. O homem da filial europeia era famoso demais — tanto lá quanto na sede — para ser desconhecido. E seu tio já havia visitado a filial europeia várias vezes a trabalho.

******************

Meio mês.

Sentado num banquinho, encostado na parede e olhando para o teto, Jeong Taeui começou a sentir que, de alguma forma, tudo daria certo. Seu objetivo era viver uma vida tranquila e solitária; era improvável que fizesse algo chamativo. E quinze dias não eram exatamente um período longo.

Tempo curto demais até para fazer um amigo — então quão fácil seria fazer um inimigo?

“Sim. Mesmo que os colegas tentem transferir a responsabilidade para mim, mesmo que me rotulem de traidor, jamais devo me manifestar. Diferente daqueles que entraram em busca de benefícios e garantias futuras dentro da instituição, fui contratado sob a premissa de um mandato limitado de seis meses. Tenho direito a isso.”

Jeong Taeui justificou-se com facilidade e assentiu, satisfeito.

Então, como se de repente se lembrasse de algo, o tio interrompeu o cantarolar e falou:

— Aliás, a partir de amanhã até o fim do treinamento conjunto, não venha ao meu quarto.

Jeong Taeui inclinou a cabeça. Pela porta entreaberta, era possível ver o braço do tio, ensaboando-se. Ele então olhou para o livro jogado sobre a cama.

— Ainda não terminei esse livro.

— Por enquanto, aceite isso. Durante o treinamento conjunto, o contato privado entre membros e instrutores é proibido.

O tio acrescentou, com falsa severidade, que isso também era proibido, em princípio, mesmo em tempos normais.

Resmungando internamente sobre a ousadia de ter pegado emprestado um livro de 3.500 dólares, Jeong Taeui apanhou o volume e caminhou preguiçosamente até a porta do banheiro.

— Tio. Se eu morrer durante o treinamento, por favor, enterre este livro comigo. Ainda não terminei de ler.

— Pessoas sem filhos não são enterradas, são cremadas… Vou queimá-lo com você.

— Você podia ao menos dizer que eu não vou morrer.

— O destino é… Bem, na minha opinião, você não vai morrer.

Após uma breve pausa, o tio assentiu e falou de maneira casual. Justamente por isso, soou ainda mais sincero, fazendo Jeong Taeui soltar uma risadinha.

Logo, um forte jato de água ecoou do banheiro. Parecia que, naquele dia, ele pretendia apenas tomar um banho de chuveiro, e não encher a banheira.

Jeong Taeui teve que voltar para o quarto. Restavam apenas hoje e amanhã para dormir com algum conforto. Precisava recuperar as forças esgotadas antes de encarar a tempestade que se aproximava.

Mas seus passos pareciam relutar em obedecer. Jeong Taeui pensou por um instante e se lembrou de uma história enterrada em seu coração como um fardo há muito tempo.

— …….

Não era um assunto agradável, mas ele precisava falar. Jeong Taeui sentiu que era necessário informar o tio sobre o que sabia.

Encostou-se à porta do banheiro e ficou olhando para o teto por um instante antes de falar abruptamente.

— A propósito, tio, desde quando hyung se envolveu no desenvolvimento de armas?

Sua voz não era alta, mas, após um momento, o som da água no banheiro parou. O tio ficou em silêncio por um instante.

— Onde você ouviu essa notícia?

Ele perguntou em voz baixa.

— Do corretor do livro de Laurent Gastillet*. Eu pensei que ele fosse apenas um velho corretor de livros, mas aparentemente não.

— Ele contou tudo para você? O garoto ligou hoje?

— Não, não hoje. Faz um tempo, e eu esqueci de te perguntar. Mesmo se eu tivesse curiosidade, não adiantaria… Parece que foi quando você ainda morava comigo na UNHRDO, certo?

— Jaeui recebeu muitos convites antes disso, mas o tempo oficial de participação pode ser considerado por volta dessa época. Ele disse mais alguma coisa?

Embora não tivesse intenção de esconder, o tio clicou a língua. Parecia uma notícia que ele não queria que Jeong Taeui soubesse. Era compreensível, já que não era algo que muitos deveriam conhecer.

— Nada de especial. Mas ele ainda está fazendo isso?

— Não, ele parou. Desde o começo, só pretendia fazer aquilo enquanto estivesse na UNHRDO. Logo depois de sair. Jaeui recebeu muitos convites, mas rejeitou todos.

Isso mesmo. Jeong Taeui assentiu.

Depois de voltar para casa após o serviço militar, Jeong Taeui ocasionalmente via Jaeui receber ligações estranhas. Chamadas internacionais que deixavam claro que a pessoa do outro lado era extraordinária. Isso não o surpreendia, pois Jaeui já havia recebido muitas ligações assim no passado. Mas, desde o início, ele sempre se perguntava quem eram essas pessoas insistentes atrás do  seu irmão, especialmente considerando que Jaeui raramente saía.

Jeong Taeui se encostou na parede.

Já era suficiente. Na verdade, mesmo que ele continuasse desenvolvendo armas, Jeong Taeui não teria muito a dizer; mas saber que ele parou significava que não precisaria se preocupar demais. Na próxima vez que o encontrasse, iria beliscar sua bochecha com força. Com uma mente tão boa, por que usá-la para coisas assim?

— Então, vou indo agora. Depois do treinamento conjunto, posso voltar aqui?

— Claro.

O tio nem mesmo tirou a cabeça do chuveiro em funcionamento para responder. Jeong Taeui estendeu a mão e passou o livro pelo vão da porta do banheiro.

— Vou pegar emprestado este livro, tio.

— Sim, cuide bem dele. Substituí-lo seria um transtorno.

— Sim, sim. Não pretendo jogar fora 3.500 dólares assim.

Jeong Taeui respondeu e se dirigiu para a porta.

***************

Naquele dia, uma atmosfera tensa e sangrenta pairava no ar desde cedo.

Assim que Jeong Taeui acordou e saiu do quarto, sentiu a brutal tensão saturando o ambiente, palpável em cada centímetro de sua pele.

Depois que metade dos membros deixou a filial asiática rumo à América do Sul, o número reduzido fazia o prédio parecer vazio. Ainda assim, estava longe de ser tranquilo devido à tensão intensa.

Jeong Taeui sentiu tédio ao ver as expressões rígidas das pessoas que encontrava no caminho para o banheiro.

Não era como se inimigos mortais estivessem chegando, então por que aquelas caras tensas?

Jeong Taeui coçou a cabeça e entrou no banheiro, onde Tou escovava os dentes, provavelmente após o café da manhã. Ele cumprimentou Jeong Taeui com a escova ainda na boca.

— Oh, Tay, você acordou tarde. Já arrumou suas coisas?

— Olha toda essa espuma… Por favor, cuspa antes de falar.

Jeong Taeui recuou e resmungou. Tou riu e continuou escovando os dentes.

Mas, ao menos, parecia mais relaxado que os outros. Jeong Taeui suspirou, finalmente vendo um rosto que não franzia a testa logo de manhã. Foi até a pia ao lado de Tou, ligou a água morna e inclinou a cabeça para sentir a água escorrer pelo pescoço.

— Não tenho nada para levar, então o que devo empacotar? Só preciso levar a mim mesmo.

— Bem, você vai sobreviver por 15 dias, então é melhor pensar com cuidado no que levar.

Disse Tou, de vez em quando, enquanto enxaguava a boca.

Naquela noite, Jeong Taeui teria que sair do quarto. Não só ele, mas todos os membros restantes precisariam se realocar. Os membros que estavam em quartos menos ocupados foram temporariamente movidos para liberar espaço para os que chegariam da filial europeia.

Na manhã de sábado, todos os membros que iriam para a América do Sul partiram para o aeroporto, deixando apenas os que ficariam.

Hoje era domingo. Normalmente, seria um dia de folga tranquilo, mas ninguém estava com disposição para isso. Em poucas horas, seus quase arqui-inimigos chegariam em peso.

Jeong Taeui foi designado para compartilhar o quarto com Tou, um dos seus colegas havia ido para a América do Sul, então ele ocuparia aquela cama.

Depois de resmungar: “Droga, por que tenho que ceder meu quarto para aqueles idiotas?”, os membros tiveram que empacotar o essencial e se mudar. Alguns até retiraram tudo, como se estivessem de mudança, sem querer que os outros tocassem em suas coisas.

Jeong Taeui deu de ombros para Tou refletido no espelho.

— Se eu precisar de algo depois, é só passar e pegar.

— Eu sei. Mas se você topar com um europeu nesse quarto, não vai ser bonito.

— Por quê? Ainda é meu quarto.

— Isso não significa nada. É complicado. É mais sério do que invadir território.

— … Sério.

Jeong Taeui resmungou, sem entender essa relação complicada.

O ponteiro dos segundos do relógio avançava lentamente. Era meio da manhã.

Jeong Taeui pegou uma toalha seca da prateleira e enxugou o rosto. Seu reflexo no espelho não parecia bom. Embora tivesse esquecido ao acordar, parecia ter tido sonhos confusos.

Os membros da filial europeia, como diziam os colegas, eram azarados e desagradáveis. Embora talvez não percebessem isso, todos pareciam preocupados. Jeong Taeui pensou que não era de se preocupar com essas coisas, mas parecia que estava enganado.

O que passou por seu sonho foi um par de luvas pretas. Onde quer que as luvas tocassem, tudo se convertia em um vermelho escuro. A mão que descia do pescoço de um homem enquanto ele desabava de olhos fechados ainda estava marcada em sua mente. Deixava um rastro de vermelho sangrento.

— ……

Talvez a água morna que escorrera pelo seu pescoço tivesse esfriado, deixando sua coluna arrepiada.

— O que houve? Fica aí parado.

Ao seu lado, Tou deu um tapinha nas costas de Jeong Taeui, curioso. Jeong Taeui, ainda secando o rosto com a toalha, virou-se para Tou e perguntou:

— Ele vem, não é?

— Quem?

— Rick.

Tou fechou a boca, encarando Jeong Taeui como se a tensão no ar também o tivesse contagiado. Depois de um tempo, clicou a língua e deu de ombros em resignação.

— É… difícil dizer. Mesmo depois de confirmar a lista final, podem ocorrer mudanças em casos especiais, então não dá para ter certeza. Mas se ele vier… as próximas duas semanas serão duras. Você vai ver coisas que nunca viu na vida.

Tou murmurou algo com uma expressão de quem tivesse sido picado por um inseto. Ele estava presente no último treinamento conjunto com a filial europeia, então devia ter passado por todas aquelas situações. Mesmo que não tivesse vivenciado pessoalmente, os rumores sangrentos da época ecoavam pelas filiais.

— Ouvi dizer que algumas pessoas estão prontas para cortar a garganta dele, se ele vier desta vez.

Jeong Taeui murmurou, lembrando-se do que alguns homens de outras equipes discutiam na sala de descanso e na cafeteria. O rosto de Tou ficou ainda mais sério.

— É… se pudessem, fariam. Nenhum de nós não gostaria de decapitar aquele louco e pendurar a cabeça em um poste. Mas…

Tou não completou, mas Jeong Taeui podia imaginar. Era extremamente difícil ou, se possível, exigiria mais sacrifícios do que se podia esperar. Assistindo às filmagens, ele entendeu: não tente derrotar aquele homem; se possível, fique longe dele.

— Mas o que aquele desgraçado domina é lutar, então se você mexer com ele, vai se arrepender imediatamente.

Tou clicou a língua com amargura. Jeong Taeui olhou para ele com dúvida, enxugando as gotas de água do queixo. Tou se encarou no espelho com uma expressão claramente descontente.

— Aquele desgraçado… ouvi dizer que até mesmo para homens, ele deixa os jovens e bonitos incapazes de andar. Depois de treinar com a filial europeia, nenhum jovem bonito saiu ileso.

— O quê…?

Jeong Taeui duvidou dos próprios ouvidos ao ouvir aquelas palavras imprevisíveis. Depois de confirmar que não tinha entendido errado, começou a questionar o próprio entendimento. Aquilo poderia significar outra coisa? Mas, ao ver a expressão de Tou, percebeu que tinha entendido corretamente.

Nota M&I:
•O nome do autor citado aparece como Laurent Gastiye na novel em inglês e como Laurent Gastillet no manhwa. Diante das variações de adaptação do nome e da ausência de uma referência bibliográfica clara, optamos por manter a forma utilizada no manhwa.

Traduzido por Mandy Fujoshi
Revisado por Fran ♡
Até o próximo capítulo.

Ler Passion – Novel Yaoi Mangá Online

Jeong Taeui, cujo irmão mais velho é o gênio Jeong Jaeui, é um ex-soldado que se considera uma pessoa comum. Atendendo à recomendação de seu tio, Jeong Chang-in, Jeong Taeui decidiu trabalhar por seis meses na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (UNHRDO). Mas, ao se envolver com um homem maluco de mãos bonitas, Ilay Riegrow, ele nem imaginava que sua vida começaria a desandar em uma direção totalmente inesperada.
Nome alternativo: Passion - Novel

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