Ler Senhorita Pendleton – Capítulo 05 Online
Senhorita Laura Pendleton (4)
Os olhos da Srta. Pendleton vacilaram.
— Eu sei que havia limites para o que eu poderia te dar. E sei do fardo que o passado dos seus pais deixou sobre seus ombros. Mesmo assim, você poderia ter conhecido um bom homem que a amasse. No entanto, você passou mais de dez anos evitando ativamente esse tipo de conexão. Por quê? O amor murchou em seu coração?
A senhorita Pendleton pegou gentilmente a mão da avó e a afastou do próprio rosto. Depois, voltou o olhar para a lareira, escondendo sua expressão. Toda vez era assim. Sempre que a conversa se encaminhava para tais assuntos, ela recolhia tudo, seu semblante, pensamentos e suas emoções.
Permaneceu imóvel por um instante e, então, falou com uma voz clara, desprovida de qualquer sentimento:
— Eu nunca pensei que faltasse algo no que a senhora me deu. Na verdade, recebi mais do que merecia. Nada disso era originalmente meu. Sempre fui grata. Sempre.
— Quer dizer que nunca me ressentiu?
A Srta. Pendleton se virou para encarar a avó.
— Ressentimento? Por quê?
— Por ter te dado o sobrenome Pendleton.
— E a senhora, vovó? Nunca se arrependeu de tê-lo feito?
A Sra. Abigail Pendleton fitou a neta por um longo momento, depois fechou os olhos e balançou lentamente a cabeça.
— Nem uma única vez.
— O mesmo vale para mim. Nunca a culpei, vovó. Sempre me senti satisfeita com tudo o que a senhora me deu. E fui verdadeiramente feliz. Ainda sou. Então, por favor, vamos parar de falar sobre isso. A senhora precisa descansar.
Antes que a avó pudesse protestar, a senhorita Pendleton se levantou do banquinho e chamou as criadas para ajudarem a Sra. Pendleton a se preparar para dormir.
Logo, as criadas chegaram. Juntamente com a neta, ajudaram a Sra. Pendleton a deitar-se, arrumaram a lareira e se retiraram. A senhorita Pendleton ficou para preparar o remédio da avó.
A senhora aceitou o medicamento em silêncio, os olhos repousando sobre o rosto solene da neta. Ela sabia muito bem qual memória passava pela mente daquela jovem. E, naquela noite, sentiu que não poderia mais guardar a pergunta que há tanto tempo engolia.
— É por causa daquele homem que te abandonou?
A senhorita Pendleton congelou e olhou para a avó. Abigail Pendleton a encarava com uma expressão calma.
— Prometo nunca mais tocar neste assunto depois de hoje. Então, por favor, me responda. É verdade o que dizem? Você desistiu do amor por causa daquele homem que a enganou e depois partiu?
A senhorita Pendleton arrumou em silêncio o papel e o copo vazio. Seu rosto não demonstrava mais emoção. Ela ostentava a mesma expressão distante e impenetrável. Em vez de responder, inclinou-se, beijou a testa da avó e sussurrou:
— Boa noite, vovó.
E, com o leve farfalhar de seu vestido, deixou o quarto.
Naquela noite, a senhorita Pendleton vestiu sua camisola, penteou os cabelos e, como sempre, ajoelhou-se ao lado da cama.
Rezou com todo o coração para que o casal Morton, unido em matrimônio naquele dia, tivessem uma vida plena e harmoniosa, para que tanto a senhorita Hyde quanto o Sr. Fairfax, que talvez ainda estivessem acordados, encontrassem o melhor futuro possível, e pela saúde e paz de espírito de sua avó.
E, por fim, pela paz do homem que a abandonou doze anos antes.
Uma semana após o casamento dos Morton, a senhorita Pendleton soube que a senhorita Hyde havia recusado a proposta de casamento. A notícia chegou por meio de uma carta da senhora Rosemary Maclean, irmã da senhorita Hyde, e colega de escola da senhorita Pendleton, que escreveu detalhando a tempestade que atingiu sua família.
Com a chegada do jovem cavalheiro que poderia se tornar seu futuro genro, a Sra. Hyde imediatamente arrumara a filha e a arrastara para a sala de visitas.
Os dois ficaram a sós no recinto e, apenas cinco minutos depois, o Sr. Fairfax deixou a residência dos Hyde. Todo o processo, proposta, recusa, persuasão e nova recusa, ocorreu em questão de minutos.
Mas as consequências foram longas e severas. Ao saber que a filha rejeitou o Sr. Fairfax, a Sra. Hyde desmaiou na hora. John teve que chamar um médico, e, quando recobrou os sentidos, ela passou o tempo gritando com Jane.
Ao final da carta, Rosemary mencionou que sua irmã, Jane, trancara-se no quarto e recusava a sair. Como ela própria estava ocupada cuidando da mãe, pediu Laura que, se possível, fizesse uma visita para confortar Jane.
A amiga assou uma cesta de biscoitos de framboesa, os favoritos de Jane, e partiu imediatamente à residência dos Hyde. Assim que atravessou os portões, uma atmosfera pesada e opressiva envolveu-a. Era a tensão familiar que sempre tomava conta da casa quando a Sra. Hyde estava de mau-humor.
Entregou a cesta a uma criada e foi conduzida à sala de visitas. Logo, a senhora Maclean entrou. Apesar da aparência cansada, sorriu ao ver a amiga e a abraçou com afeto.
— Faz tanto tempo, Laura! Você está bem?
— Sim. Não nos vemos desde o batizado de Mary Jane. E seu marido?
— Sempre ótimo. Até demais, honestamente é um problema.
Sentaram-se para tomar chá. A senhora Maclean, casada com o juiz Maclean há seis anos graças aos esforços casamenteiros de Laura, havia se tornado uma senhora confiante, um pouco mais cheiinha, mas com um ar gracioso.
Mas, quando estava com a senhorita Pendleton, voltava a ser a garota que rabiscava seu livro de gramática francesa, era castigada sem jantar e escondia biscoitos debaixo do travesseiro.
Mordeu os biscoitos de framboesa como uma adolescente e soltou um suspiro profundo.
— Estou enlouquecendo por causa da mãe. Se Jane não quer se casar com o homem, que assim seja. Mas ela está praticamente devorando a pobre menina viva.
— A Sra. Hyde deve estar desapontada. O Sr. Fairfax certamente é alguém difícil de recusar.
— Eu sei. Mas quem vai casar é Jane, não a mamãe. Ela se intromete demais na vida da Jane. Só na dela. A menina tem vinte e cinco anos e ainda tem as cartas e diários lidos. Até nos penteados e nos enfeites das roupas ela mete o bedelho.
Lady Maclean aumentava o tom de voz a medida que falava.
— Claro, Jane é um pouco rebelde, mas nunca causou escândalo ou agiu inapropriadamente. Ela é inteligente e cheia de vida, é por isso que alguém como o Sr. Fairfax a pediu em casamento. Só a mãe a vê como um problema.
A senhorita Pendleton sorriu gentilmente. Sua amiga era, como sempre, ferozmente devotada à irmã mais nova. É claro, era verdade que a senhorita Hyde era uma jovem excepcional.
— Sim, ela é muito inteligente.
— Eu me preocupava que ela nunca encontrasse um marido. Mas agora… acho que ela poderia viver sozinha. O mundo está mudando, não é? É mais difícil, sim, mas as mulheres podem ganhar a vida agora. Jane conseguiria. Ela só não teve apoio para crescer.
A senhora Maclean tomou um gole de chá e continuou:
— Se não tivéssemos perdido a casa em Haworth, Jane teria continuado os estudos. Talvez hoje fosse professora. Sempre foi uma aluna excelente. Escrevia maravilhosamente bem. Poderia ter ensinado literatura.
Ela suspirou profundamente.
— Se eu pudesse, emprestaria algum dinheiro do meu marido para ajudá-la. Mas John já pegou tanto emprestado para os negócios que nem pagamos os juros ainda. Às vezes nem consigo encarar meu marido por causa disso.
A senhorita Pendleton, evitando o assunto delicado das finanças, preferiu reafirmar a opinião da amiga sobre a irmã:
— Acho que a senhorita Hyde teria dificuldade em ser feliz no casamento. A estabilidade e o conforto que ele traz provavelmente a sufocaria. Mesmo que o marido fosse o homem mais bondoso e maravilhoso do mundo.
— É exatamente isso. O casamento serve para alguns, mas não é para todos. É exaustivo. Quando as crianças adoecem, seu coração se parte. E quando você briga com seu marido… bem, eu amo o meu, mas às vezes me pergunto por que estava tão desesperada para me casar naquela época. Não quero que Jane passe por nada disso. Ela não conseguiria lidar.
A senhora Maclean continuou por um tempo, lamentando a situação infeliz de Jane, o tratamento injusto da mãe e todas as circunstâncias tristes que cercavam sua irmã.
Enquanto a ouvia, Laura desejou, silenciosamente, que a amiga não tivesse se casado tão cedo. Pois, até onde sabia, a senhora Maclean era a única na casa dos Hyde que realmente via e amava Jane por quem ela era.
Mas, assim que a Sra. Hyde recuperasse a saúde, sua filha teria de voltar para sua própria casa, porque sua verdadeira família não estava ali, mas com o juiz Maclean.
A conversa foi interrompida quando a Sra. Hyde chamou pela filha.
As duas subiram as escadas. A senhora Maclean foi até o quarto da mãe, no segundo andar, enquanto Miss Pendleton planejava apenas uma breve visita antes de seguir até o quinto andar, onde ficava o quarto de Jane.
Chegaram ao quarto da matriarca no segundo andar. A filha bateu suavemente e entrou. A senhorita Pendleton permaneceu à porta, ajustando os cabelos e a postura para parecer serena diante da senhora.
De dentro do quarto, ouviu a voz da amiga anunciar sua chegada. Mas, quase imediatamente, veio a resposta áspera:
— Diga para ela ir embora. Estou cansada de olhar na cara de solteironas.
— O que a senhora está falando, mãe?
— Essa sua amiga fina acabou com as chances da Jane. Está tentando fazer dela uma solteirona, igual a ela!
— O que a Laura fez afinal? Por que é culpa dela que Jane não queira se casar?
— Eu as vi cochichando no dia do casamento dos Morton. Ficaram coladas por semanas, pensei que ela estava ajudando Jane a se preparar para o casamento, mas, na verdade, sabotou tudo!
— Laura não fez nada de errado. Essa foi a escolha da Jane, e só dela. E por que ela precisa se casar? Laura também não é casada e vive uma vida decente e respeitável.
— Ela pode manter a cabeça erguida porque a avó é a grande Lady Pendleton. Mas quando eu morrer e não houver mais casa nem dinheiro, será que essa moça vai alimentar e vestir Jane? Eu nunca deveria ter deixado que andassem juntas.
— E não foi a senhora mesma que se gabou quando a Laura me ajudou a encontrar um bom marido? Agora está sendo mesquinha!
— Você sempre se daria bem, com ou sem a senhorita Pendleton. Mas Jane? Ninguém a notaria nem se ela estivesse jogada na rua. Se alguém como ela estraga sua única chance de casamento, o que será dela? A senhorita Pendleton vai materializar outro homem rico do nada? Eu devia saber que não se mistura gente de berço com menina de origem inferior!
Continua…
Tradução Elisa Erzet
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Sinopse
Laura Pendleton, a renomada casamenteira da alta sociedade.
Ela acreditava que este último pedido, encontrar uma noiva para Ian Dalton, um solteiro cobiçado e rico proprietário de terras — seria tranquilo.
Pelo menos, até conhecer o homem envolto em nada além de obstinação.
— Você já deve ter ouvido, o quanto minha irmã se esforçou para me arrastar até aqui.
Um nariz perfeitamente esculpido e olhos que irradiavam elegância. A Srta. Pendleton pensou:
‘Com um rosto daqueles, ele poderia levar qualquer dama em sua carruagem direto para seu castelo.’
E, em breve, ela percebeu o quão precisa era sua avaliação.
— Está me dizendo para me casar com outra pessoa agora?
Seu rosto perfeito se contorceu levemente antes que ele falasse novamente.
— Case-se comigo, Srta. Pendleton.
Um anel de diamante lapidado brilhava sob a luz.
Oferecido a Laura Pendleton, uma solteirona de vinte e nove anos.
Senhorita Pendleton