Ler O gatinho que chora todas as noites. – Capítulo 07 Online
Os números não teriam feito diferença. Os seguidores de Arnin podiam até ser formados por cavaleiros veteranos, mas ainda assim eram o lixo da escória.
Mas esse pensamento era inútil. No momento, ela mal conseguia controlar o próprio corpo.
Desde o instante em que havia entrado no depósito, um suor frio encharcou a pele por completo. O estômago revirava, a cabeça ardia, não era de se estranhar que tivesse sido capturada com tanta facilidade naquele estado.
‘Tsc, droga.’
Ela engoliu um palavrão e lançou um olhar fulminante aos homens. Sua visão turvou, fosse pela febre queimando atrás dos olhos ou pelo suor frio que escorria de sua testa.
— Vejam só, ainda encarando como se tivesse forças para lutar. Talvez aprenda um pouco de respeito depois de receber uma lição de verdade.
— Sinceramente, essa é mais a Katie que conhecemos. Teria sido entediante se ela simplesmente tivesse cedido.
Os homens riram baixo enquanto se aproximavam, formando um círculo ao redor dela. Alguns já mexiam nos cintos, impacientes.
— Alguém já está animado. Olhem só para ela, com os olhos todo vermelhos.
Arnin se agachou ao seu lado, com um sorriso de desdém. Katie cuspiu direto em seu rosto.
— Engraçado, eu ia dizer o mesmo. Esses olhos injetados de sangue fazem você parecer um maldito demônio.
— Sua vadia imunda! Como ousa cuspir em mim?!
Arnin recuou, esfregando o rosto na manga da própria roupa. Em seguida, desferiu um pisão violento na barriga de Katie.
— Mas que diab— … Parem!
Ela engasgou, para um felino, a barriga era um ponto vulnerável. A pressão contra seus órgãos era vil, e seu corpo se encolheu instintivamente.
Aproveitando o momento de vulnerabilidade, os homens a agarraram pelo uniforme, puxando-o com brutalidade.
Tum-tum-tum. Os botões do uniforme saltaram sob as mãos brutais. O tecido se rasgou com eles, revelando a pele leitosa que escondia ali, deixando-a ainda mais exposta à crueldade dos homens.
Os cavaleiros engoliram em seco. Era um corpo mais digno de uma dama nobre do que de uma cavaleira. Sua pele, de um branco puro, era clara e imaculada, sem uma única mancha.
— Hã, porra! Não é de se espantar que o príncipe Damian seja tão absurdamente obcecado por você.
Arnin passou a mão e traçou a linha de seu pescoço. Seus dedos brincaram abaixo da orelha dela e, em seguida, continuaram descendo até o ombro. Seu ombro branco e arredondado se contorceu, como se o rejeitasse.
Katie empurrou Arnin com as mãos amarradas. Mas outro cavaleiro se aproximou rapidamente, agarrando seus pulsos e forçando-os acima da cabeça.
‘Calma. Entrar em pânico só vai dar um bom espetáculo a esses desgraçados.’
Katie mordeu com força o interior da bochecha, tentando desesperadamente recuperar a compostura. Felizmente, funcionou. Mesmo com o calor turvando sua mente, a dor trouxe de volta um pouco de razão.
— Esperem, pessoal, se acalmem.
Katie fingiu acalmá-los, deixando o corpo relaxado. Aqueles que ainda estavam fortemente excitados e segurando sua camisa finalmente começaram a afrouxar o aperto.
— Parece que você finalmente ficou um pouco dócil. Isso te faz querer cooperar, agora que está nesse estado?
— Que diabos vocês querem de mim? Sabem que fazer isso só manchará sua honra de cavaleiro.
— Essa perda de honra pode ser resolvida com dinheiro, não importa o quanto custe. Se quer mesmo nos deter, implore por isso.
— Como é?
— Estou dizendo para você se ajoelhar e implorar, pedindo desculpas por ultrapassar os limites e não conhecer o seu lugar.
Arnin falou com arrogância, levantando o queixo. Katie cerrou as mãos amarradas. Se não fosse por aquelas cordas, seu soco já teria atingindo aquele babaca. Era mais que surpreendente, quase repugnante, como uma pessoa podia ser tão absurdamente azarada.
Mas Katie suportou. Não agora. Ela precisava fazer eles baixarem ainda mais a guarda.
— Certo. Entendi, então só me soltem um pouco.
Ao ouvir as palavras de Katie, carregadas de um suspiro, os brutamontes soltaram-na e recuaram. Seu corpo se contorceu, como se ela realmente fosse se ajoelhar.
Ela mexeu as mãos e pés amarrados, se posicionando para ficar de pé. Arnin olhou para Katie com uma expressão de descrença, como se não acreditasse no que ele mesmo havia ordenado.
‘Ela certamente não vai implorar, vai? Essa vadia não é do tipo que pisoteia seu orgulho, mesmo que seja para salvar a própria vida.’
No momento em que pensou isso, os olhos cinzentos de Katie brilharam sinistramente. Enquanto ele hesitava, sentindo um mau presságio, sua visão de repente virou de cabeça para baixo.
Katie, ágil como uma gata selvagem mesmo com os pés amarrados, saltou sobre ele.
— Argh!
Para piorar, ela o estava estrangulando. Quando recuperou os sentidos, Katie já pressionava o pescoço dele com a corda que prendia seus pulsos.
— Morra, seu desgraçado!
Era um palavrão carregado de intenção letal. Sentindo que realmente morreria naquele ritmo, Arnin agitava os braços e pernas violentamente.
Mas a mulher era assustadoramente tenaz. Como se o único propósito fosse estrangulá-lo, ela se recusava a soltar, mesmo quando seus punhos a atingiam e seus joelhos a chutavam.
— Cof! Urgh! Socorro! Que porra vocês estão fazendo aí parados, seus imbecis?!
Só então os cavaleiros, paralisados de espanto, reagiram e começaram a puxar Katie.
— E-Essa vadia é completamente louca!
— Tirem ela de cima dele!
— Agarrem o corpo dela e levantem-na! De qualquer forma, suas mãos e pés estão amarrados, ela não pode resistir!
Mesmo quando a agarraram e a arremessaram de volta ao chão, o rosto de Katie estava impregnado de puro ódio. Ela zombava triunfante, um riso sarcástico contorcendo seus lábios.
— Toque em um único fio do meu cabelo, e vou aleijá-los com meus dentes!
Os cavaleiros olharam para ela com expressão de nojo, depois para os dedos e, por fim, para os próprios pênis.
Ela lutava com uma ferocidade que genuinamente os aterrorizava. Se ousassem colocar a mão nela, ou mesmo usar alguma ferramenta, ela era perfeitamente capaz de arrancar algo de fato.
— Essa vadia ainda não atendeu o seu lugar!
Um cavaleiro que havia avançado de forma imprudente foi chutado por Katie e lançado a uma boa distância. Os que observavam a cena só tivera suas convicções reforçadas.
‘Com essa personalidade, ela arrancaria o pau de alguém e ainda teria energia de sobra.’
Ela devia ter molas nos joelhos. Sua habilidade de chutar um homem mesmo com os pés amarrados era impressionante. A mulher parecia uma maldita mula dando coices.
Enquanto isso, o homem chutado por Katie rolava pelo chão como um botão saltitante. Após quicar por um bom tempo, finalmente parou ao colidir com algo.
‘Urgh. Que diabos…’
O mundo girava violentamente após várias cambalhotas para trás. Será que voou longe o suficiente para atingir uma parede? Talvez tivesse batido em um armário ou algo assim.
O cretino lutava para recuperar os sentidos. Algo duro atrás dele o cutucou.
‘… Hã? O que foi isso? Me chutou?’
Congelou com a estranha sensação. Não fazia sentido. Ele não sabia se era uma parede ou um armário, mas um objeto inanimado se movendo?
E aquele objeto inanimado ainda falou com uma voz preguiçosa.
— Parece que este armazém está possuído por um demônio.
Argh!
O homem virou a cabeça, rangendo o pescoço, e olhou para trás.
A ponta de um sapato polido e reluzente. Acima dela, uma calça impecavelmente passada.
E ali, contrastando fortemente com a vestimenta formal, apoiado casualmente contra a parede, estava ninguém menos que…
— Não importa quantas vezes eu venha aqui, algo interessante sempre acontece.
…Helion, o Primeiro Príncipe deste Império.
— V-Vossa Alteza?
A voz do traste tremia. Helion o empurrou de lado com o pé, como se estivesse afastando um lixo espalhado no chão. Em seguida, avançou, abrindo caminho entre os cavaleiros que estavam petrificados, incapazes até de respirar.
Logo, encontrou uma mulher deitada no chão, ainda amarrada.
Uma gata destemida, lutando desesperadamente para que seus olhos, avermelhados pela raiva ou talvez por lágrimas suprimidas, não revelassem suas verdadeiras emoções.
Helion se inclinou sobre Katie, os olhos se estreitando em um sorriso.
— Eu me perguntei se te veria novamente caso voltasse a este lugar, e de fato você está aqui. Embora nunca imaginei te encontrar nesse estado.
Urgh.
Katie mordeu o lábio trêmulo. Um ato feito por reflexo por não conseguir suportar o calor intenso que realmente a assolava, mas aos olhos de Helion, parecia apenas que ela estava reprimindo a tristeza.
— Então, quanto a isso…
O olhar de Helion pousou na frente parcialmente aberta da camisa de Katie, antes de se desviar.
Quando levantou a cabeça novamente para encarar os cavaleiros, seus olhos não sorriam mais.
— Vocês sabem, por acaso, quem foi o filho da puta que ousou atormentar minha gata?
Continua…
Tradução Elisa Erzet
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Personagens Principais:
Protagonista Feminina – Katie
Espiã do Reino de Chandra, infiltrada no Império Aesoleum. Uma mulher felina de rara beleza, pele clara, olhos acinzentados e úmidos, cabelos prateados. Salvou a vida de Helion quando ambos eram crianças, mas carrega a culpa por seu reino ter sido arrastado à guerra como consequência desse ato.
Protagonista Masculino – Helion de Aesoleum
Primeiro Príncipe do Império Aesoleum, dono de olhos dourados que brilham como o sol. Deve sua vida a Katie, a quem conheceu na infância. Após a trégua, tentou reencontrar sua salvadora, mas foi enganado com notícias falsas sobre sua morte. Desde então, mergulhou no tédio… até que, por acaso, cruzou com uma cavaleira que carrega os mesmos traços de sua antiga salvadora.
Katie, em uma missão especial para evitar a guerra, se infiltrou no Império Aesoleum.
O inimigo que reencontrou após treze anos não era mais o garoto magro e à beira da morte que um dia conheceu. Agora, ele era uma fera poderosa, um homem de corpo imponente e olhos dourados que brilhavam como ouro fundido.
— Que tal fazermos um acordo? Para seu próprio bem, seria sensato aceitar. Só assim enterrarei os acontecimentos de ontem, as respostas de hoje e todas as suspeitas que surgiram com elas.
— E… quais são os termos desse acordo?
— Que você satisfaça as minhas outras curiosidades.
A condição parecia simples. Ela imaginou que ele exigiria dinheiro, a vida de alguém em seu lugar ou informações confidenciais.
O problema era que a curiosidade dele era profundamente… íntima.
— Você acha mesmo que vai me satisfazer chorando desse jeito? Chore de forma mais bonita. Talvez eu considere deixar você ir.
Leia esta história quando:
Você quiser acompanhar um romance onde dois inimigos mortais, um príncipe de uma nação inimiga e uma espiã disfarçada, enfrentam o ódio, as diferenças de classe e o passado para, aos poucos, se apaixonarem.
Citação marcante:
— Já que você vai perder o interesse assim que me penetrar, então faça logo e desapareça.