Ler Cão Real. – Capítulo 59 Online
— Provavelmente são os mercenários do Igor. Você não destruiu o laboratório de drogas dele algum tempo atrás?
Ao ouvir a voz de Viktor, Hayul despertou de repente. Embora tivesse voltado a si, por algum motivo seus olhos não abriam direito, e o corpo inteiro doía como se tivesse sido espancado por um grupo inteiro. Sempre que a mente clareava um pouco, logo afundava de novo, até que a voz de Viktor o puxou para a superfície mais uma vez, apenas para ele quase apagar de novo.
Pelo que sentia, ainda estava enterrado sob um edredom quente de penas de ganso. A cabeça, para fora do cobertor, estava fresca, mas o corpo, abafado lá dentro, estava tão quente que chegava a suar. A voz de Viktor continuou.
— Não deve ser pouca gente que guarda rancor de você, mas é a primeira vez que a mansão de inverno é invadida assim, não é?
— Isso mesmo. Mas não é o Igor. Ele não tem coragem suficiente para invadir o meu esconderijo. O que ele ganharia me perturbando?
Logo em seguida, a voz grave e tranquila de Pavel soou acima da cabeça de Hayul. Ele podia sentir Pavel acariciando seus cabelos e tocando seu rosto, como se estivesse afagando um animal de estimação com todo carinho. Parecia que ele estava deitado ao lado de Hayul enquanto conversava com Viktor. Depois de acariciar silenciosamente por um tempo, Pavel voltou a falar.
— Na verdade, pode ser o Igor sim. Eu matei o Alexei.
— O quê? Alexei Kuzmin? O filho do Igor? Por que diabos você matou ele?!
— Fale baixo. Você vai acordar o hyung.
Pavel reclamou baixinho, incomodado. Hayul já estava acordado, claro, mas continuou fingindo dormir. Tinha percebido que estava nu debaixo do cobertor… e não queria nem imaginar mostrar a Viktor seu corpo ainda marcado pelos vestígios do sexo intenso da noite passada. Ele não queria, de forma alguma, reviver a humilhação daquela noite.
— Deixe o Jin dormir. Você, venha comigo.
— Não quero.
— Ei!
Viktor gritou, indignado, quase bufando. ‘Coitado do Viktor.’ Hayul realmente sentiu pena dele. ‘Deve ser difícil lidar com esse imbecil teimoso.’
— Eu não disse para calar a boca? Estou me sentindo muito bem agora. Se alguém tem que sair, esse alguém é você.
— Eu vou acabar caindo duro por sua causa, sabia? Minha pressão vai subir até eu desmaiar!
— Sobre Igor, isso é assunto meu e do vovô. Não se preocupe com isso.
— Não me preocupar? Como assim?! Eu sou o advogado contratado dessa família de desgraçados! E ainda faltam CINCO anos para o fim do contrato! Durante esse período, quero manter minha vida intacta, me casar e ter filhos em paz. Eu também quero me casar, como você.
O contrato de Viktor com a família Kirov era de sete anos – tudo por causa de dinheiro. Ele era advogado de um grande escritório, mas caiu num golpe que quase o levou à falência, e acabou assinando com Oleg Kirov por desespero.
Viktor também era uma alma miserável que havia se vendido por dinheiro. Desde que descobriu isso, Hayul passou a simpatizar genuinamente com ele.
— Venda seu apartamento na cidade e venha morar nesta mansão, Viktor. É o mais seguro. Por que você insiste em continuar morando na cidade correndo risco?
— Morar nesta casa? Para que me explorem como um escravo 24 horas por dia?
A escolha dele era realmente muito sensata. A melhor coisa era manter distância entre patrão e empregado. Enquanto isso, Pavel seguia tranquilo, acariciando os cabelos de Hayul, enrolando as pontas entre os dedos e brincando com eles.
— Isso é uma loucura. O Alexei era filho único do Igor, pelo amor de Deus!
Viktor finalmente explodiu de raiva, e o som dele bebendo água gulosamente foi ouvido. Gritar até doer a garganta não adiantaria – ele sabia disso. Hayul ouviu dizer que há algum tempo atrás, sua pressão arterial havia subido tanto que ele desmaiou e acabou no hospital. Desde então, ele vinha tomando remédios para pressão e cuidando da saúde, mas com um patrão que sempre fazia sua pressão subir, ele devia ter uma vida bem difícil.
A imagem de Viktor terminando uma garrafa d’água e olhando para o vazio, tentando conter sua agitação, surgiu vividamente na mente de Hayul.
— Vamos lá para fora conversar. — Logo, a voz rouca e grave de Viktor soou. — Antes que eu enlouqueça e atire no seu amante.
— E você acha que sairia ileso?
— Vamos conversar. Porque senão, talvez eu acabe querendo estourar meus próprios miolos! Então, por favor, venha. Saia logo dessa maldita cama.
Só então, fazendo-se de difícil, Pavel se mexeu preguiçosamente. Ele deu um beijinho na testa de Hayul, que estava em seus braços. Seus lábios macios percorreram o osso da sobrancelha do Omega e cobriram sua pálpebra.
— Eu sei que você está acordado. Suas pálpebras estão se mexendo.
Ele sabia que Hayul estava acordado e ainda assim teve a audácia de tocá-la na frente de Viktor como se estivesse acariciando a cabeça de um animal de estimação. O sorriso suave de Pavel desceu pela pálpebra, pela ponte do nariz e depois deslizou até pelo buço, até enfim cobrir os lábios de Hayul. Como estavam sob o mesmo cobertor, quando Pavel se moveu, partes de seus corpos colidiram e se tocaram.
— Mmm. Você tem um cheiro gostoso, hyung.
Pavel chupou os lábios de Hayul com satisfação, murmurando. A mão que acariciava o rosto dele agora envolvia o lóbulo da orelha, puxando-o para mais perto, fazendo seus corpos se colarem ainda mais. A perna forte de Pavel, coberta pelo pijama de seda, enroscou-se entre as pernas nuas de Hayul.
Pavel continuou beijando-o com estalinhos, mordiscando e beliscando os lábios dele enquanto sussurrava:
— Como é que você pode ser tão delicioso assim?
Era irritante. Irritante, mas o sabor dos beijos húmidos era doce e o calor dos corpos encostados era bom demais. Ainda assim, pensando em Viktor, que provavelmente já estava na sala de espera, Hayul tentou empurrar o rosto de Pavel com as mãos.
— Ei.
Chamou, mas Pavel não respondeu, apenas continuou mordiscando o lábio inferior de Hayul. Uma das mãos dele já tinha deslizado para dentro do edredom e percorria a cintura e as nádegas do Ômega.
— Pavel.
— Hm?
Quando Hayul o chamou pelo nome, Pavel finalmente afastou os lábios e o olhou com aqueles olhos azuis.
A aparência demoníaca da noite passada desaparecera sem deixar vestígios – agora, diante dele, havia apenas um anjo de rosto límpido. Dois olhos azuis e brilhantes cintilavam enquanto encaravam Hayul.
— Por que você matou ele?
— Quem?
— O filho do Igor.
— Ah. Ele insultou você. Disse que o hyung era um porco mestiço asiático, sem origem.
— Só isso? Você matou ele só por causa de um insulto desses?
— E também disse, na minha frente, que iria estuprar e matar você. Isso não é motivo suficiente para matar alguém?
— Não, não é.
— Na verdade, se eu deixasse a casa vazia, ele planejava enviar tropas armadas para a mansão para sequestrar você.
— Mas ninguém invadiu a mansão.
Aquele ataque foi o primeiro.
— Óbvio. Porque eu matei Alexei e imediatamente peguei um helicóptero e fui lidar com todos.
Ele não fazia ideia de que algo assim havia acontecido. Pavel saiu para trabalhar como de costume e voltou com uma aparência impecável. Como ele nunca falava sobre seu trabalho, Hayul não tinha conhecimento algum.
— Patético, não é? Ele estava confiante de que eu não poderia matá-lo.
Pavel riu, mas Hayul ficou sério. Quanto mais pensava, menos parecia algo para se dizer sorrindo.
— Isso não é algo bem sério?
— Eu vou resolver. Hyung, não se preocupe com nada.
— Você podia ter só eliminado os invasores sem matar o Alexei.
— Como eu poderia perdoar alguém que violou o meu cônjuge?
— Fale direito. Ele não me violou, só planejava fazer isso, não chegou a executar.
— Apenas o fato de ter planejado isso já é imperdoável. Nem mesmo na imaginação eu permito que alguém abuse do hyung. O único que pode ter pensamentos sujos sobre o hyung sou eu.
— Então você vai matar todo mundo que ousar me assediar verbalmente?
— Claro que vou.
Era uma resposta descaradamente segura de si. Pavel respondeu sem a menor hesitação, sorrindo, como se achasse aquilo tudo completamente normal, ele acariciou o canto dos olhos de Hayul, que estava distorcido em incredulidade.
— Não vou deixar ninguém difamar o hyung. Se alguém ousar soltar a língua suja na minha frente, vou arrancá-la. Se te olharem com olhos imundos, eu arranco os globos oculares.
Os olhos azuis de Pavel, ainda sorridentes, se estreitaram de forma perigosamente sedutora.
— O hyung e eu agora estamos oficialmente casados. Não perdoarei ninguém que insultar meu cônjuge, nem mesmo se for da minha família.
— Pare com isso, seu maluco.
Quando Hayul franziu a testa e soltou o xingamento, o sorriso de Pavel apenas se aprofundou. Os dedos que antes tocavam seus olhos desceram com carinho para acariciar sua bochecha.
— Não se esqueça. O hyung agora é um Kírov. Esqueça o passado em que te chamavam de mestiço.
Pavel deu leves tapinhas na bochecha de Hayul, que o encarava em silêncio, e então depositou mais um beijo suave em seus lábios.
— Vou fazer você viver como uma rainha.
Sussurrando aquilo com doçura, Pavel se afastou, ergueu o corpo e desceu da cama. Só depois de cobrir Hayul com o cobertor foi que seguiu em direção à sala de estar, onde Viktor o aguardava.
— Você matou o Alexei por um motivo desses?! Você enlouqueceu?!
Logo em seguida, o grito furioso de Viktor veio da sala de visitas. ‘Pobre Viktor.’ Durante o período do contrato, ele realmente ia precisar aguentar firme. Agora ele não era mais um estranho que podia ser ignorado; Hayul se viu genuinamente preocupado com a pressão arterial dele.
Enquanto Hayul permanecia jogado no quarto, sem conseguir se recompor depois de uma noite de sexo tão intensa quanto uma guerra, o interior do Castelo Lavanda, que havia sido devastado, foi restaurado num piscar de olhos ao estado anterior. Do lado de fora do quarto, o corredor de mármore mantinha o mesmo brilho impecável de sempre. Um chão onde antes corpos estavam espalhados – não restava sequer uma mancha de sangue.
A porta do quarto de Hayul, que havia sido crivada de dezenas de buracos de bala antes de ser completamente destruída, também foi substituída por uma nova. Aproveitando o embalo, Lock decidiu renovar completamente a decoração do quarto.
— Um quarto de uma noiva recém-casada não pode ser tão sombrio assim, não acha?
As empregadas também se juntaram e trocaram tudo: cortinas, móveis, roupa de cama, almofadas do sofá. Só de ouvir “noiva recém-casada” o estômago de Hayul já embrulhava; quando começaram a falar em rosa, renda e outras coisas do tipo, ele não aguentou mais e acabou se manifestando.
— Não se esqueçam. Eu sou um homem. Por favor, eu imploro, decorem o lugar como um quarto masculino comum.
Chegou a ameaçar que, se alguma renda esvoaçante entrasse naquele quarto, ele rasgaria tudo na mesma hora. Assim, o incidente sangrento de alguns dias atrás foi apagado como se tivesse sido lavado pela água. Nenhum dos empregados da mansão voltou a mencionar o ocorrido.
Como se isso não fosse a primeira vez, eles, assim que os intrusos entraram alguns dias atrás, rapidamente os empregados se esconderam no abrigo subterrâneo. Quando a confusão cessou, saíram imediatamente, inspecionaram o interior da mansão, chamaram a equipe de limpeza para dar destino aos corpos e apagaram meticulosamente todas as manchas vermelhas deixadas por ali. Eles também eram profissionais. Para trabalhar na mansão Kirov, era preciso ter mais do que simples coragem.
Depois disso, Pavel esteve fora da mansão desde o dia anterior. Ninguém disse a Hayul o motivo de sua saída, então ele apenas supôs que Pavel havia ido resolver as consequências do incidente. Embora Pavel e Hayul, os dois, tivessem lidado com os eventos daquela noite, lidar com as consequências do incidente era responsabilidade exclusiva de Pavel.
Era uma questão em que Hayul não podia se intrometer. Para começar, Pavel não permitiria que ele se envolvesse nesse assunto perigoso.
Hayul havia sido trazido à força para a Rússia, praticamente mantido em cativeiro no Castelo Kirov e acabou se casando com Pavel Kirov. Agora, ele realmente fazia parte da família Kirov. Ainda assim, continuava se sentindo como um estranho.
Antes do incidente daquela noite, quando estava cavalgando com Pavel, ele já havia feito uma pergunta.
“Eu não sei absolutamente nada sobre a família Kirov. Você não deveria me contar exatamente que tipo de negócios sua família faz? Acho que pelo menos deveria me dizer que tipo de trabalho você faz.”
“É melhor o hyung continuar sem saber. Se souber, vai se decepcionar.”
“Como se ainda houvesse espaço para mais decepção.”
Então Pavel soltou um riso curto e continuou:
“Eu faço coisas muito mais sujas do que o hyung imagina.”
“Eu também fui um assassino.”
“Até na sujeira desse meio existem níveis. E eu estou no nível mais baixo, do pior tipo. É por isso que quero que o hyung veja apenas meu lado bonito, meu lado deslumbrante. Tente entender.”
Enquanto dizia isso, o sorriso em seu rosto era realmente belo. Os cabelos reluzindo sob a luz do sol, os olhos azuis intensos, o rosto bem definido. Até o aroma cítrico que vinha suave com a brisa era apenas fresco e agradável.
O cão louco da família Kirov. O assassino sombrio de Oleg Kírov. A arma humana Kirov. Eram muitos os apelidos terríveis usados para se referir a ele.
Hayul também havia trabalhado sob as ordens de Marco e, nesse tempo, vira todo tipo de gente sombria e imunda. Pessoas chamadas de carniceiros, armas vivas, açougueiros – havia inúmeros como eles. Marco também era assim. E o próprio Hayul era chamado de anjo da morte.
Ainda assim, ele podia afirmar com certeza: entre todos os demônios que existiram ao seu redor, nunca tinha visto alguém tão belo quanto aquele homem. Não era uma cegueira de paixão; Pavel Kírov era verdadeiramente belo. Desde a época em que ainda não era um Kirov, mas Pavel Headington.
Mesmo que viesse a saber em detalhes o que Pavel fazia, aquela luz não parecia que iria se apagar. Ele não passaria a parecer feio, nem repulsivo, nem grotesco. Disso, Hayul tinha certeza.
“Não tente saber o que não precisa. Às vezes, a ignorância é uma benção.”
“É verdade. Quando se é capturado como refém por um inimigo, é melhor não saber nada. Vivendo na ignorância, nem um soro da verdade arrancaria informações, já que não haveria o que revelar.”
Foi uma resposta dada sem pensar, com um riso leve. Mas Pavel rebateu elevando a voz:
“Acha que eu deixaria o hyung ser capturado? Se algo assim acontecesse, eu poderia destruir um país inteiro.”
A expressão dele era séria. Hayul sabia, sabia muito bem que ele seria capaz disso. Apenas com as armas do depósito subterrâneo, Pavel sozinho poderia aniquilar um pelotão inteiro num piscar de olhos. E o arsenal da família Kirov certamente não se limitava àquilo.
A segurança da mansão e os sistemas de defesa eram apenas a ponta do iceberg. Oleg Kirov costumava contar, quando estava bêbado, histórias de como havia abatido um avião em pleno voo com um míssil terra-ar – e aquilo provavelmente não era só bravata.
Se algum grupo ousasse sequestrar Hayul e levá-lo como refém, aquela organização deixaria de existir da face da Terra em questão de minutos. Observando Pavel, que queimava de sede de sangue por um cenário que sequer tinha acontecido, Hayul acabou levantando uma hipótese.
“E se eu fizesse algo realmente vil? Algo tão desprezível que você não pudesse tolerar?
“A única coisa que eu não toleraria seria o hyung se deitar com outro filho da puta.”
A resposta saiu imediata da boca de Pavel. Afinal, ele já tinha deixado Hayul sair ileso até mesmo quando este tentou fugir da mansão, fabricando uma droga sintética misturada com narcóticos e injetando no corpo do Pavel.
Pavel riu de leve e continuou:
“Mas isso nunca vai acontecer. Porque o hyung me ama.”
Com o vento, os cabelos negros de Pavel balançaram suavemente. Os olhos que encaravam Hayul eram mais limpos e mais azuis do que um céu sem nuvens.
A confiança com que ele dizia aquilo fez Hayul soltar um riso sarcástico.
“E como você sabe disso?”
“Se não me amasse, o hyung teria se casado comigo? Eu conheço bem o hyung.”
Hayul apenas fungou, soltando risadinhas nasais. ‘Nem eu me conheço direito e você diz que me conhece?’ Quis retrucar, mas se conteve. No fim, não era uma afirmação totalmente errada.
Não era ruim encarar aquele rosto belo bem à sua frente. Em qualquer lugar, a qualquer hora – em dias nublados, à noite – aquela presença brilhava como um farol no escuro. Não era desagradável. Mesmo num poço fétido, aquele Alfa Real exalaria um aroma cítrico fresco. Aquele ser arrogante, perfeito, implorando por amor, agarrado a ele era uma visão agradável.
Era irritante tê-lo sempre grudado ao seu lado, incapaz de se afastar por um segundo sequer. Ainda assim, era bom. Ele era insuportável a ponto de arrancar xingamentos, mas às vezes também era fofo. Às vezes, parecia adorável.
“Eu te amo, hyung.”
Pavel sussurrou mais uma vez aquela confissão que já repetiu incontáveis vezes. No dedo que segurava as rédeas, a aliança de casamento cintilou. Hipnotizado por aquele sorriso lindo e aberto, Hayul quase respondeu.
‘Sim. Eu também te amo, Pavel Kirov.’
Uma confissão que ele nunca havia pronunciado em voz alta.
Mas fechou a boca às pressas, firmou as rédeas e esporeou o cavalo, saindo na frente. Era uma teimosia inútil. Depois de tudo, depois de já estarem casados, o que custava dizer aquilo uma vez? Talvez para Pavel dizer “eu te amo” fosse tão natural quanto respirar, mas para Hayul era a coisa mais difícil do mundo.
Naquele dia, já que haviam saído a cavalo, deram uma volta pela floresta ao redor da mansão. O clima estava bem mais ameno, e o sol da tarde aquecia agradavelmente. A luz atravessava as fileiras de bétulas altas, fazendo tudo na floresta brilhar de forma extraordinaria. Entre a neve derretida, brotos verdes começavam a surgir.
Quando a primavera chegasse de verdade e o tempo esquentasse ainda mais, aquela floresta se tingiria completamente de verde.
‘Será que ele permaneceria ali até a primavera?’ Já havia pensado nisso uma vez, mas, de alguma forma, acabou criando raízes naquele lugar.
Hipnotizado pelo canto dos pássaros e pelo som da água, Hayul soltou uma exclamação, admirado:
“Este lugar é tão tranquilo. É lindo. Parece o paraíso.”
“Vou preservá-lo como nosso paraíso, hyung.”
A voz de Pavel soou clara, quase como o canto de um pássaro.
“Este vai ser um refúgio só nosso. Eu vou proteger tudo: este lugar… e você.”
Caminhando sob a luz que filtrava entre as bétulas, Pavel declarou em tom firme e confiante:
“Se alguém tentar arruinar este paraíso, não perdoarei, não importa quem seja.”
Ele era do tipo que cumpria cada palavra que dizia, não importava o que acontecesse. Na época, parecia impossível que alguém conseguisse romper as defesas daquela fortaleza. Mas, no fim, até mesmo aquela fortaleza intocável foi violada – e, como prometeu, Pavel não perdoou quem destruiu o paraíso dos dois.
Na noite em que Lock e as criadas andavam agitadas, falando em reformar o Castelo Lavanda, uma ligação chegou para Pavel durante o jantar. Ele disse que, naquele momento, estava na Alemanha.
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Continua…
Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online
(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog