Ler Cão Real. – Capítulo 55 Online

Modo Claro

 

Mas agora ele já não sabia. Não tinha mais certeza de que uma vida assim seria realmente feliz.

Era engraçado. Quanto tempo havia se passado desde que ele começara a viver ao lado de Pavel? Desde a morte da mãe, Hayul passou mais da metade da vida sozinho – e, ainda assim, agora se via pensando diferente. Uma vida solitária sempre lhe pareceu natural, e o futuro que sonhava era igualmente solitário.

Mas agora… agora parecia natural ter Pavel ao seu lado. Onde quer que fosse, ele estava junto; os olhos azuis o seguiam; e, toda vez que virava o rosto, Pavel estava ali, olhando para ele e sorrindo. O perfume dele impregnava o ar ao redor, e aquela rotina compartilhada se tornou estranhamente confortável.

— O valor é satisfatório?

O homem perguntou, interrompendo os pensamentos de Hayul e ele assentiu em silêncio.

— Há mais alguma coisa de que precise?

Hayul tirou do bolso um papel com uma lista que já havia preparado e o entregou.

— Tenha uma boa noite.

O homem guardou o papel no bolso, inclinou levemente a cabeça e saiu. Mesmo depois disso, o sono não vinha, então Hayul abriu uma garrafa de vodka. Ultimamente, ele vinha pensando demais. Hayul sempre tentou viver da forma mais simples possível – porque, quanto mais pensava, mais se preocupava; e, quanto mais se preocupava, mais a ansiedade o corroía.

Depois de beber, fez exercícios até o corpo ficar coberto de suor. Só então tomou banho e foi se deitar. Naquela noite, o vento soava mais alto que o normal, sacudindo as janelas.

Pavel voltou apenas no fim da tarde do dia seguinte e, apesar de não haver maiores problemas, os últimos dois dias passaram-se correndo entre vários preparativos. O homem enviado por Dmitri trouxe as roupas lavadas e passadas, junto com os itens que Hayul havia pedido. Ele guardou tudo na bolsa, junto com as armas e o frasco de Heaven que já havia preparado.

E, três dias depois – no dia combinado com Dmitri –, aconteceu.

A neve que caiu durante toda a noite cessou, e o sol brilhava forte naquela manhã. Durante o café da manhã, Hayul falou com Pavel, sorrindo de um jeito que não era habitual nele:

— Quero ir caçar.

O vento estava frio, mas o sol, agradável. Lá fora, Lock e alguns criados limpavam a neve quando viram os dois saindo juntos.

— O chef vai preparar bife de carne de veado para o jantar! — gritou uma das criadas, sorrindo com as bochechas vermelhas pelo frio. — O bife dele é maravilhoso, então voltem antes do jantar!

Todos acreditavam sem dúvida alguma que os dois voltariam juntos, tão próximos e afetuosos quanto haviam saído.

Hayul se virou por um instante para olhar o castelo. Tinha ficado ali por apenas algumas semanas, mas, talvez já tivesse criado apego – a visão do castelo cintilando sob a luz do sol lhe parecia tão acolhedora.

‘Um lar.’

Se tudo ocorresse conforme o plano de Pavel, seria sua casa. As pessoas ali eram gentis e calorosas. A sua posição era diferente daquela que tinha há sete anos, na mansão do Duque de Headington. Naquela época, ele era apenas um servo de Pavel. Agora, era o cônjuge dele – e o futuro dono daquele castelo.

Um lugar aconchegante e pacífico, cercado por uma floresta coberta de neve. Boa comida, um quarto aquecido, uma paisagem deslumbrante. Seus dias se resumiam a comer, dormir, caminhar preguiçosamente, praticar tiro e descansar de novo – uma rotina simples, igual à vida rural tranquila que sempre sonhara.

Hayul desviou o olhar, não era hora para sentimentalismos baratos. Tinha tomado uma decisão e precisava manter o foco apenas nela.

O assassinato de Pavel e a fuga. Todos os preparativos estavam completos. Ele também havia estabelecido um plano relativamente meticuloso. Segundo o espião de Dmitri, bastava apertar o botão do controle remoto para desativar temporariamente o sistema de segurança do castelo. A cerca elétrica seria desligada, e ele poderia rasgar o arame farpado com as ferramentas preparadas antecipadamente e sair.

Ele não se preocupava muito em atravessar a floresta. Hayul era um especialista em sobrevivência. Não havia recebido salário no exército e nas empresas de mercenários apenas para brincar.

Pavel estava dirigindo o snowmobile, e Hayul estava sentado atrás dele. O veículo cortava velozmente a neve.

— Para onde você acha que deveríamos ir na lua de mel?

Pavel perguntou, imaginando o futuro, Hayul desviou o assunto com outra pergunta:

— Por que você não tem ido ao meu quarto ultimamente?

Ele realmente queria saber, embora a pergunta tivesse sido feita mais por falta de assunto do que por curiosidade. Nos últimos dias, Pavel estranhamente não entrava no quarto de Hayul. Mesmo quando tinha assuntos urgentes, o alfa costumava aparecer à noite, se esgueirando para a cama dele.

— Por quê? Sentiu minha falta?

Hayul riu por dentro. ‘Gosta mesmo de provocar’, ele pensou, mas não respondeu nada.

— Ultimamente meus níveis de feromônio têm oscilado demais. Acho que o rut deve estar chegando. Estou me forçando a ficar em abstinência porque nunca se sabe quando pode acontecer.  A cerimônia de casamento está tão perto, e não quero que o hyung tenha um choque de feromônio e acabe de cama.

— Entendi.

Hayul respondeu com desinteresse. ‘Que bom, obrigado por sua consideração tão maravilhosa,’ ele pensou, com sarcasmo.

— Por isso ando bem sensível esses dias. Se alguém me provocar, posso rasgar essa pessoa agora mesmo.

Pavel disse, rindo de canto.

Hayul ignorou as bobagens que o outro estava falando e apenas olhou a paisagem ao redor. A moto de neve, que corria há um bom tempo, parou subitamente. Um enorme alce estava parado no caminho, bloqueando a estrada de neve branca. Mesmo tendo avistado os humanos, ele não fugiu, apenas encarou fixamente. A imponência de seus chifres longos e estendidos era impressionante.

Pavel pegou silenciosamente o rifle ao seu lado. Mas no momento em que puxou o gatilho, o alce saltou rapidamente e fugiu para dentro da floresta. Apesar de ter perdido a caça, Pavel não mostrou nenhum sinal de desapontamento; apenas retomou o controle do snowmobile

— Vamos mais adentro.

Virou o veículo e entrou pela mata, avançando por alguns minutos até que parou novamente, desligou o motor e desceu. Ficou de pé por um momento, observando em volta, depois se agachou e examinou o solo. Hayul também notou as marcas de pegadas na neve.

— Parece ser um tigre.

Pavel murmurou baixo. Hayul pensou o mesmo. Não seria estranho encontrar um tigre naquela floresta.

— Provavelmente foi ele quem atacou o gado do castelo. Se deixarmos, vai acabar atacando pessoas também.

— Vamos caçar ele?

Com a pergunta de Hayul, Pavel levantou a cabeça.

— Não viemos aqui para caçar?

Seu tom de voz parecia questionar por que Hayul estava perguntando algo tão óbvio. Isso era verdade, mas ele não imaginava que acabariam caçando um tigre. O leve aroma cítrico de Pavel, que persistia sutilmente, desapareceu subitamente. Era evidente que ele estava deliberadamente suprimindo seus feromônios.

— É um animal extremamente inteligente e difícil de capturar.

Enquanto dizia isso, Pavel se levantou. Com o rifle na mão, olhando fixamente para o outro lado da floresta, ele parecia maior do que o normal. Sua estrutura corporal já era grande, e vestindo um casaco pesado de inverno, sua imponência aumentava.

— Não é perigoso para apenas duas pessoas caçar um tigre?

— O que há de perigoso?

Seus olhos azuis brilharam. Limpíssimos, quase cristalinos, nada a ver com o olhar turvo de Dmitri.

— Está com medo? Não se preocupe. Quando meu avô me trouxe aqui pela primeira vez, a primeira missão que me deu foi me jogar na floresta com apenas uma faca e me mandar caçar um urso.

Era um método que Hayul simplesmente não conseguia entender. E se ele tivesse morrido?

— Melhor assim. Já estava na hora de resolver isso. Não posso deixar um tigre assassino perambulando pela floresta do hyung.

Do outro lado da floresta, o som de um animal desconhecido ecoou longamente. Pavel ergueu as orelhas como um animal selvagem e, então, partiu de repente na direção do som, com o rifle em punho. Não houve tempo para detê-lo.

‘Droga. Esse idiota está mesmo pensando em caçar um tigre.’

O plano começou a sair do controle logo no início. Tinha atraído Pavel usando a caçada como isca, mas não imaginava que o alfa se empolgaria tanto assim.

Era hora de ajustar o plano rapidamente. Hayul abriu às pressas a bolsa sobre o snowmobile e tirou a garrafa com o Heaven, além do estojo com os inibidores, o neutralizador e as seringas para a injeção inibidora. Natasha havia avisado que as seringas de inibidores poderiam não ser suficientes e, por via das dúvidas, lhe entregou algumas ampolas de dose alta e seringas vazias para carregar o remédio diretamente nas ampolas.

Foi muito bom ter pego as seringas vazias.

Segundo o plano original, ele pretendia misturar o Heaven, que era inodoro e incolor, no suco e fazer com que Pavel o bebesse. Mas naquele estado isso parecia impossível. Hayul, então, tirou as luvas e encheu uma seringa vazia com o Heaven. Como a droga havia sido misturada ao suco de laranja, o líquido na seringa ficou alaranjado.

Ele guardou-a novamente na bolsa, colocou a bolsa no ombro, pegou o rifle e correu atrás de Pavel, já atrasado. Mesmo usando botas de neve, correr pela trilha não era fácil, logo ficou ofegante.

Bang!

Um estampido agudo ecoou. Quando Hayul correu em direção ao som, viu Pavel apontando o rifle para o ar, e um alce caído mais adiante. Não havia sido morto por um tiro, o pescoço do alce estava quebrado. Ele claramente, havia sido atacado por um predador.

Pavel, espera! No momento em que ele abriu a boca para dizer isso, Bang! Outro tiro ecoou. Pavel atirou em direção a uma área densa da floresta, cheia de árvores secas. Até os olhos de Hayul conseguiram discernir uma forma massiva se movendo rapidamente entre as árvores. Era o tigre.

A criatura, que estava fugindo, parou subitamente, virou a cabeça e encarou Pavel e Hayul. Era como um desafio, como se dissesse: “Venha me pegar, se for capaz”. Pavel rapidamente recarregou e disparou mais uma vez, mas a fera era incrivelmente rápida. Ela desviou com agilidade, girou o corpo e começou a fugir novamente.

— Então ele quer brincar.

O comportamento evasivo da fera, excitou Pavel ainda mais. Seus olhos brilhavam de forma estranha. Quando Pavel se preparava para perseguir o animal novamente, com o rifle em punho, Hayul o chamou.

— Pavel!

No instante em que ouviu o nome, o homem hesitou. Ele se virou para olhar para Hayul e sorriu maliciosamente.

— Não se preocupe. Vou trazer esse bicho para você, hyung.

Parecia ter entendido que Hayul o chamara por preocupação. Dito isso, saiu correndo de novo. ‘Maldito filho da mãe’. Hayul xingou mentalmente e o seguiu, abriu a bolsa e sacou a seringa com Heaven.

— Ei, Pavel!

Por mais excitado que estivesse, ele sempre reagia de alguma forma ao ouvir o próprio nome, como se tivesse ouvidos sobrenaturais. Pavel, que corria a uma velocidade comparável à de um animal selvagem, parou novamente.

— Fica aí esperando, hyung….

No momento em que o alcançou, Hayul cravou a seringa diretamente no pescoço dele e empurrou o êmbolo, injetando a droga. Pavel agitou o braço e empurrou Hayul para longe. A força foi tão violenta que Hayul perdeu o equilíbrio e caiu sentado no campo de neve.

— O que é isso?

Segurando o pescoço onde a seringa havia sido cravada, Pavel distorceu seus olhos azuis.

Os feromônios que ele vinha controlando explodiram de forma desordenada, irrompendo em ondas ardentes.

— Hyung? Estou te perguntando o que é isso.

Sua bochecha tremia. Seu rosto, outrora perfeito como uma pintura, estava distorcido, e sua respiração ofegante. O remédio tinha efeito. Hayul havia aumentado a quantidade dos ingredientes em duas ou três vezes em relação à receita de Marco, criando uma droga altamente concentrada. O rosto distorcido do outro contorceu-se estranhamente, e então ele cambaleou. Deveria estar tonto, era difícil até de permanecer em pé. Mesmo seguindo a fórmula de Marco, os Alfas Reais sob o efeito do Heaven ficavam incapacitados em minutos.

— O que é isso! — Pavel gritou, a voz cortando a mata. Sua instabilidade aumentou; protegeu a cabeça com as mãos, ofegante. Logo um de seus joelhos cedeu, e ele começou a cair. Hayul levantou-se observando enquanto Pavel desabava.

— É uma droga que fode com os Alfas Reais. Chama-se Heaven.

Ajoelhado na neve, ofegante, Pavel olhou para Hayul. Um sorriso frio se espalhou pelo rosto dele.

— Por que você fez isso…?

— Eu disse que ia te matar, não disse?

— Ha…

— Dizem que é uma droga que mostra o paraíso aos Alfas Reais. E aí? Está vendo o paraíso?

— Ha ha.

Uma risada vazia escapou dos lábios distorcidos de Pavel. Nos olhos azuis que miravam Hayul havia alegria – uma alegria estranha, sem traço de ódio ou desejo de matar. Aos poucos o riso vazio de Pavel foi perdendo força; os feromônios vorazes que borbulhavam antes se acalmaram lentamente, como uma fogueira que se apaga.

— Então o hyung veio me caçar.

Era uma voz baixa. Uma voz que parecia prestes a desaparecer a qualquer momento. Não transparecia nenhum sentimento de mágoa, assim como nenhum desejo de vingança. Ele apenas continuava sorrindo. O olhar que ele dirigia a Hayul estava cheio de afeição.

— É típico do hyung. É por isso que eu te amo.

Pavel, o jovem herdeiro da poderosa família Kirov, ajoelhado na neve, repetia declarações de amor como se fossem um mantra. Era estranho, fascinante, inquietante. Um sujeito extraordinário. O normal seria ele se sentir traído. Ele deveria estar ardendo em fúria homicida contra quem o enganou.

‘Por que ele está tão sereno? Como ele consegue me olhar e sorrir mesmo neste momento?’

Talvez ele tenha previsto que isso iria acontecer quando Hayul sugeriu a caçada. Não, ele com certeza sabia que seria assim. Era óbvio que veio sabendo. Deve ter confiado que, fosse o que fosse que Hayul fizesse, ele poderia subjugá-lo pela força.

— Não pensei que você usaria uma droga assim. Como conseguiu uma coisa dessas?

Mas o “Heaven” deve ter sido a variável. Ele não imaginou que Hayul usaria esse tipo de trapaça.

— Até uma formiga tenta se defender quando é pisada. Você me subestimou demais.

Hayul retirou da bolsa a garrafa com o Heaven. Então, com uma mão, agarrou o cabelo de Pavel e puxou sua cabeça para trás, forçando-o a olhar para cima. Fazer um alfa real se ajoelhar à força era uma sensação estranha e boa; a face pálida de Pavel ficou inteiramente exposta.

Ele era absurdamente bonito – talvez o mais brilhante ser que Hayul já vira; ele nunca tinha visto um rosto tão perfeito, nem olhos tão límpidos e azuis como aqueles, nem um perfume cítrico tão convidativo.

— Minha pessoa sempre supera minhas expectativas. O que eu faço agora? Acho que estou ainda mais louco de amor por você.

Pavel murmurou num timbre grave e complacente que, pela primeira vez, era delicioso aos ouvidos de Hayul. Hayul levou a garrafa que segurava à boca e encheu a própria boca com o Heaven de sabor laranja. Então, pressionou seus lábios contra os lábios vermelhos de Pavel. A droga fluiu entre as bocas que se tocavam. Pavel não ofereceu nenhuma resistência e engoliu. O líquido que não foi tragado escorreu pela boca dele.

Só depois de fazer com que ele engolisse toda a droga de sua boca é que Hayul se afastou e soltou o cabelo de Pavel. O homem limpou os cantos úmidos da boca e tossiu levemente. Embora a droga fosse feita apenas para Alfas Reais, graças à cocaína nela contida, Hayul também sentiu sua cabeça girar. Mas não ao ponto de perder o controle do corpo.

Hayul levantou o rifle que estava em seu ombro e apontou o cano para a cabeça de Pavel. Embriagado pela droga, tossindo e ofegante, o alfa ergueu a cabeça devagar. Os olhos azuis que o olhavam já estavam sem foco. A oportunidade estava ali: puxar o gatilho significaria fim. Desta vez não havia margem de erro – no instante em que a bala fosse disparada, aquele rosto perfeito seria estilhaçado, e ele cairia ensanguentado.

Apenas uma vez. Se ele apenas puxasse este gatilho, tudo acabaria e este elo de karma estaria completamente quebrado.

Pavel fitou Hayul sem piscar, com um sorriso que se espalhou por todo o seu rosto.

— Eu te amo, hyung.

Ele não precisaria mais ouvir essa bobagem. Hayul colocou o dedo no gatilho. Parou a respiração por um momento. Bum, bum-bum-bum. Seu coração batia forte. Quando parou de respirar fundo, o som das batidas ficou mais alto. O dedo tremia. Tudo que ele precisava fazer era disparar uma única vez, mas ele não conseguia, por que estava hesitando?

— Ha…

No momento em que soltou o fôlego que estava preso, o dedo sobre o gatilho perdeu força.

Droga. Eu não consigo. Não vou conseguir atirar. Maldição, não dá. De jeito nenhum.

Hayul percebeu, com total clareza, algo naquele instante: ele simplesmente não podia matar Pavel. Ao aceitar isso, estranhamente sentiu-se aliviado. O nó em seu peito desapareceu como se tivesse sido lavado. Todas as dúvidas que o assombravam até então também se dissiparam.

A resposta apareceu. Só depois de todo aquele alvoroço é que descobriu a verdade sobre o que sentia, a resposta para seus sentimentos turbulentos.

Jin Hayul não queria matar Pavel Kirov. Não desejava que Pavel sumisse da sua vida. Pelo contrário: desejava passar o resto de sua vida com Pavel. Estava cansado de estar sozinho. O sentimento que nutria pelo homem era um misto de amor e ódio – amor com traços de raiva. E, no momento, a balança pendia mais para o lado do amor. Ele relutava em admitir, mas sim, aquilo também era uma forma de amor.

Era essa a resposta que ele havia obtido depois de causar toda aquela confusão.

— Por que não atira? Uma só bala e tudo acabaria.

Embora seus olhos, intoxicados pela droga, estivessem desfocados e a pronúncia fosse arrastada, a expressão sorridente do homem era vitoriosa. Como se tivesse lido a mente de Hayul.

— Cala a boca.

Hayul empurrou o cano da arma que apontava para a cabeça de Pavel. Falou de forma seca para o homem que ainda estava ajoelhado na neve.

— Levante. Cansa ter que ficar olhando para baixo assim.

Ele falou com descaramento, embora fosse o responsável por ter colocado Pavel naquela situação. Sentia-se envergonhado. Pavel esticou os braços feito uma criança, fazendo uma birra.

— Me ajuda a levantar. Não consigo me erguer.

— Levanta antes que eu corte seus pulsos.

Hayul franziu a testa com força. Pavel soltou uma gargalhada. Ele riu alto, mas logo começou a tossir e agarrou o próprio peito. Hayul pensou que fosse outro de seus fingimentos, mas a expressão facial pálida e a respiração ofegante não pareciam normais.

O efeito colateral fatal do Heaven era justamente a possibilidade de causar uma parada cardíaca. Como havia injetado uma dose acima do recomendado de uma vez, parecia que o corpo do alfa estava falhando. Pavel apertou o peito,  soltou sons sufocados, — khuk, urgh — , e respirou de forma ofegante. Parecia que ia morrer de overdose. Isso era algo inesperado; só pensou em subjugar o alfa, sem considerar os efeitos colaterais da droga.

‘Que idiota.’

— Ei, Pavel. Olha para mim!

Hayul chamou, em pânico. Sem saber o que fazer, ele observou o rosto pálido e trêmulo de Pavel. Era a primeira vez que o via daquele jeito. Foi quando Hayul percebeu mais uma vez: ele realmente não queria que aquele homem morresse.

— Hyung…

Pavel olhou para Hayul com olhos imersos em dor e murmurou sem força

— Droga. É por causa da droga. É efeito colateral!  Você está bem? Aguenta um pouco. Que merda é essa? Puta que pariu! O que foi que eu fiz!

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Continua…

 

 

 

 

 

 

 

Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online

(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
 
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog

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