Ler Cão Real. – Capítulo 52 Online
— Tudo bem.
Ignorando completamente a única pessoa que realmente teria que lidar com as consequências de uma possível gravidez, os dois riram e começaram a negociar entre si. Natasha então virou o rosto para Hayul e sorriu.
— Pessoalmente, eu adoraria que você engravidasse, Jin. Um bebê entre um Sub Beta e um Alfa real? Seria um milagre absurdo. Quero ser eu mesma a trazer ao mundo essa criança milagrosa, então, faça o seu melhor, está bem?
O que ela queria dizer com “faça o seu melhor”? Que mulher estranha. Pavel, que olhava para Hayul com um sorriso devido ao encorajamento dela, falou.
— Natasha, sair um pouco não tem problema, certo?
— Quem? O Sr Jin? Como o choque já passou, deve estar tudo bem. Mas para onde vão a essa hora da noite? Ah, é mesmo, hoje tem a reunião regular dos oligarcas, certo? Aliás, correm rumores de que você vai apresentar a noiva que trouxe dos Estados Unidos na festa de hoje. Vai ficar tudo bem?
— O que há de errado?
— Vai ouvir todo tipo de comentário, sabe como eles são. Aquela gente adora falar.
— E por que não ficaria bem? Quem ousaria dizer algo na minha frente?
— Não estou falando de você, e sim sobre o Sr Jin. Ele não está acostumado a esse tipo de ambiente, pode ser difícil para ele. Aquelas pessoas são todas muito arrogantes, qualquer um mais frágil acaba…
Natasha parou de falar, lançou um olhar rápido para Hayul e soltou uma risada.
— Bem, ele parece alguém que não se deixa intimidar em lugar nenhum.
— Se alguém se meter comigo, eu mato, mas não abaixo a cabeça.
— Onde foi que você achou um gato tão incrível assim?
Hayul deu um leve riso irônico ao ouvir a palavra “gato” e olhou para Natasha.
— Nossa, olha só esse olhar. Que coisa sujinha e ainda assim cheio de atitude. Que gracinha.
(Quando Natasha diz “coisinha suja”, ela não fala de sujeira literal, mas de status social e aparência rude, com um tom sarcástico, flertante e desdenhoso ao mesmo tempo, como quem brinca com algo selvagem e perigoso, mas “bonitinho”.)
Ela sorriu amplamente, com aquele rosto bonito, uma beleza quase sobrenatural característica de um Alfa real, dizendo absurdos com a maior naturalidade. Hayul ficou tão sem palavras que só abriu e fechou a boca. Todos ao redor de Pavel pareciam ser completamente malucos.
— Nem pense em colocar os olhos nele.
— Talvez eu também devesse arranjar um Sub Beta. São mesmo adoráveis.
— Acha que um Sub Beta como o Jin é comum? Ele é o mais fofo do mundo, pode apostar.
— Hahaha. Meu Deus. Nunca imaginei que um dia veria Pavel Kirov exibindo seu amor assim. Jin, esse cara está completamente apaixonado por você, perdeu a cabeça. Ele não é assim, sabia? O apelido dele é “O Cão Louco dos Kirov”, ou “Príncipe de Gelo”, sempre frio e cortante. Conheço o cão louco dos Kirov há sete anos e é a primeira vez que o vejo sorrir assim. Qual é o seu segredo, hein?
A tagarelice dela, acompanhada daqueles olhos brilhando de curiosidade, fez a cabeça de Hayul latejar. Segredo o quê, sua cabeça doía tanto que ele achou que ia morrer.
— Srta. Natasha.
— Sim?
— Por favor, saia.
— …
— Antes de sair, me dê um analgésico. E depois, saia. Agora mesmo. Está muito barulhento.
A irritação transpareceu nitidamente na voz dele. Pavel cobriu o rosto com a mão, rindo, enquanto Natasha piscava, constrangida. Logo, ele falou com ela.
— O que está esperando? Ele pediu para você sair. Minha esposa pediu.
— … Cala a boca, seu cretino.
Rangendo os dentes, ele lançou um xingamento direto.
— Você precisa se acostumar a esse tipo de tratamento. Agora nós estamos legalmente casados.
— Eu disse para calar a boca.
Hayul lançou um olhar fulminante para Pavel, que continuava falando com a maior cara de pau, e depois mirou Natasha. Ela suspirou brevemente e fez um gesto indicando que entendeu.
— Tudo bem, eu vou sair. Mas antes vou aplicar uma injeção de supressores. Também vou dar mais uma dose do neutralizador de feromônios. Ah, você sempre carrega supressores de feromônios e as injeções, não é? Se você ficar junto do Pavel não tem problema, mas se por acaso se separar dele, pode acabar em uma situação perigosa. Alfas são como piranhas, quando sentem o cheiro de um ômega, correm todos para cima. Principalmente em festas onde as pessoas estão determinadas a se soltar, você precisa ter ainda mais cuidado. Em caso de emergência a injeção age mais rápido que o remédio, então aplique a injeção de supressores.
Enquanto explicava, ela removeu o soro e rapidamente aplicou duas injeções no braço de Hayul.
— Eu não vou me separar do meu hyung.
— Não seja tão categórico, imprevistos sempre acontecem. Isso aqui é um analgésico. Também é bom para dor de cabeça, tome.
Ela pegou um frasco de remédio e o deixou sobre a mesinha ao lado da cama.
— Mas não se preocupe demais. O cheiro do Pavel está vibrando no corpo do Sr. Jin. E o Pavel até deixou bem claro, até marcou o seu pescoço, que maluco vai ter coragem de mexer com o parceiro de Pavel Kirov? Ele deixou uma marca enorme e profunda, como se dissesse “ele é meu”.
O olhar dela se dirigiu para a nuca de Hayul, que passou a mão pelo pescoço. Dava para sentir a parte saliente, no formato da mordida do canalha.
— Ter isso no pescoço significa que não posso me relacionar com outras pessoas?
— Não pode. Pela vida toda.
A resposta saiu da boca do Pavel. Ele baixou os olhos azuis e olhou Hayul de cima para baixo.
— Entre alfas reais existe uma regra rígida, hyung. Alfas reais nunca mexem com o parceiro que outro alfa marcou. Não deve acontecer, mas se aparecer algum louco que ouse tocar em você, eu vou caçar esse bastardo até os confins da terra e o despedaçar vivo, membro por membro.
— Você sabe, não é? Que quando ele fala, é sério?
Natasha apontou para Pavel com um olhar e confirmou.
— Você viu as correntes e a jaula de ferro no porão? Eu perguntei se ele estava pensando em criar um leão, e sabe o que ele disse? Que era para prender uma pessoa.
Hayul se lembrou de ter ouvido falar sobre correntes e uma enorme jaula de ferro. Ele pensou que fosse uma piada. Pavel apenas piscou lentamente e sorriu, descontraído.
— Foi feito sob encomenda por sua causa, hyung, mas espero nunca precisar usar.
Ao ouvir isso, Natasha fez uma cara de susto e olhou para ele.
— Não traia ele. Eu não quero ter que ir tratar o Sr Jin preso lá dentro. Pelo amor de Deus, vamos tentar viver normalmente. Como pessoas civilizadas.
Mas, vivendo, ele descobriu que esse “viver normalmente” era a coisa mais difícil do mundo. Natasha se despediu, dizendo que ia indo agora, mas então, como se tivesse se lembrado de algo, abriu a boca novamente.
— Ah, Pavel. Quando foi a última vez que você teve um rut?
— Nunca tive.
— Nunca? Nem uma vez?
— Não tive nenhum desde o primeiro surto, há sete anos. O hyung sabe.
Claro que ele sabia. O primeiro rut do Alfa veio sem aviso. Naquela ocasião Hayul quase foi estuprado por ele, mas no final não foi consumado. Ele ficou em auto-isolamento e Hayul aproveitou a chance e fugiu. Mesmo sete anos depois, a cena estava nítida na cabeça dele.
— Daquela vez o rut veio quando você estava com o Sr Jin estava, certo? E desde então não aconteceu nenhuma vez?
— Isso.
— Acho que o rut do Pavel é desencadeado pelo feromônio do Sr. Jin. Então outro rut deve acontecer em breve. Lembrem-se: se o rut do Pavel vier, fuja imediatamente. Quando um Alfa Real entra em rut, a cor dos seus olhos muda primeiro. Não sei como foi antes, mas agora a condição geral do Pavel está no seu auge. Se o rut vier nesse estado vai ser avassalador. Nessa hora, o Pavel vai perder totalmente a razão, então o Sr. Jin deve aplicar a injeção de supressores imediatamente e fugir sem hesitar.
— Não posso ficar com o hyung durante o rut?
— Ele pode morrer.
— Não é brincadeira, você pode acabar matando o Jin. Faz ideia de quão intensos são os seus feromônios?
— Mas o hyung conseguiu aguentar bem até agora.
— Você não pode saber. Sete anos atrás, durante o seu primeiro rut, vocês não chegaram a ter relação, certo? Dessa vez, tente fazer o mesmo, se possível. Eu também sou uma alfa real, então entendo bem. Às vezes os nossos feromônios ficam fora de controle, e sem perceber, podemos acabar ferindo a pessoa que amamos.
— Isso não vai acontecer.
Pavel interrompeu Natasha e falou com determinação:
— Eu nunca machucaria o hyung. Treinei muito para poder controlar isso pela minha própria vontade. Me preparei de todas as formas para torná-lo meu, Natasha.
— Eu sei. Você não é alguém que age sem pensar. Com a sua personalidade, você deve ter se preparado de forma muito meticulosa. Mas os feromônios são algo que…
— Se eu não conseguir controlar os meus feromônios e acabar machucando o hyung, eu mesmo vou dar um tiro na minha cabeça.
Pavel então se voltou para Jin.
— Se eu perder a razão e enlouquecer, hyung, quero que você me mate.
— Não se preocupe com isso.
Jin respondeu com firmeza e Pavel soltou um breve sorriso.
— Tsk… Tudo bem. Vocês devem saber o que fazem. Só espero não ter que lidar com o cadáver de nenhum de vocês depois. Se precisarem, me chamem a qualquer hora, contanto que paguem bem, é claro. Agora sim, estou indo de verdade.
Assim que Natasha saiu, Lock, que esperava do lado de fora da porta, entrou. Pavel falou com ele:
— Prepare tudo para irmos à festa.
— O senhor Jin vai à festa? Tem certeza de que está bem? Consegue andar? Talvez fosse bom levar uma cadeira de rodas.
Lock olhou para Jin, ainda estendido na cama, com um olhar preocupado.
— Se ele não conseguir andar, eu mesmo o carrego.
— Pode fazer isso.
O que ele queria dizer com “pode fazer isso”? Jin cerrou os dentes e se levantou de repente. Seria inútil resistir, mas ao menos não queria ser carregado nos braços do Pavel. Talvez por causa dos medicamentos e do soro que recebeu enquanto estava desacordado, ainda conseguia se mover. Mesmo com as pernas tremendo, ele se levantou e caminhou em direção ao banheiro.
A cada passo, o sêmen que vazava de seu orifício escorria entre suas pernas e pingava no carpete. Incomodado com as manchas que se espalhavam pelo carpete cinza-escuro, ele olhou para baixo por um momento, e então Lock comentou:
— Não se preocupe com as manchas no carpete.
Seria melhor se ele fingisse que não tinha visto nada. Com o rosto em brasa até as orelhas, Jin correu para dentro do banheiro.
— Quer que eu te ajude a tomar banho? Deve ser difícil se limpar sozinho, especialmente atrás — provocou Pavel, indo atrás.
— Cala a boca! Se entrar, eu te mato!
Ele gritou furioso, com as veias do pescoço saltando. Pavel foi até a porta do banheiro, insistente, mas Jin já tinha entrado no box do chuveiro. Tirou o pijama amarrotado e úmido e o jogou para fora. Seu corpo nu refletiu no espelho embutido na parede do box. Na nuca, ainda visível, o hematoma vermelho – uma marca profunda que deixava claro a quem ele pertencia. Ele havia se perguntado por que o outro insistia tanto em morder e chupar seu pescoço… No final, era uma ação claramente intencional e planejada.
— Desgraçado. Filho da puta.
Mesmo pensando que já não tinha mais palavrões, toda vez que abria a boca, as palavras escapavam sozinhas.
Depois de tomar banho e sair, as criadas, que esperavam no quarto, avançaram todas de uma vez sobre ele. Não adiantava dizer que não precisava. Ele desistiu e se deixou vestir como se fosse uma boneca, trocado e arrumado como quisessem. Eram seis mulheres mexendo nele ao mesmo tempo, até que Lock finalmente disse que estava bom.
Lock sorriu satisfeito ao ver Hayul devidamente vestido. Logo uma das criadas trouxe uma caixa e tirou de dentro um maldito colar de diamantes.
— Isso eu não aceito, nem que eu morra.
Aquilo era inaceitável para ele. Ignorando completamente a vontade dele, uma das criadas se aproximou sorrindo, com o colar nas mãos. Hayul recuou um passo e ameaçou:
— Não chegue perto. Eu vou rasgar essa roupa em pedaços agora mesmo. Estou falando sério. E se eu tiver que ir com esse colar pendurado num trapo, tanto faz, então é melhor largar isso.
Lock, que havia testemunhado pessoalmente o surto de Hayul, sabia muito bem que aquelas palavras não eram um mero blefe. Ficou em dúvida entre o colar e as roupas, mas, após refletir um momento, Lock finalmente desistiu do colar.
— Está bem. É uma pena, mas não há o que fazer. Mas, por favor, no casamento o senhor vai usá-lo, certo?
Mesmo que morresse, aquele brilho nunca tocaria o pescoço de Jin. A criada, vencida, colocou o colar de volta e, em seu lugar, pendurou sobre os ombros dele um pesado casaco de pele. Era um casaco totalmente coberto de pelos, um pouco exagerado, mas era agradável por ser quente.
Ao sair do quarto e descer as escadas, viu Pavel esperando no térreo, vestindo um terno preto impecável e o mesmo tipo de casaco de pele. O sobretudo prateado, que chegava até as canelas, combinava estranhamente bem com ele – o homem parecia um rei do norte saído de um filme. A ferida vermelha em sua bochecha só reforçava essa impressão.
Quando Hayul se aproximou, Pavel pousou uma mão sobre o peito e curvou a cabeça, cumprimentando-o com a elegância de um nobre medieval.
— Minha rainha.
O corpo inteiro dele se arrepiou.
— Cale a boca, ou vou quebrar seus dentes.
— Está lindo. Parece a Rainha das Neves.
— Cala a boca, por favor.
Pavel sorriu de leve e estendeu um dos braços, oferecendo-o. Era um convite para que ele o segurasse. Fingindo que não viu, Hayul passou direto, abriu a porta e saiu sozinho. O clima do lado de fora era completamente diferente do que fora à tarde, assim que abriu a porta, uma nevasca violenta o atingiu em cheio. Mais cedo o céu estava limpo, mas agora o vento rugia, carregado de neve.
Logo Pavel se aproximou, passando um braço pelos ombros de Hayul, guiando-o escada abaixo até o carro estacionado.
— Tenham uma boa viagem, jovem mestre, senhor Jin.
Apesar da nevasca, os funcionários saíram até a porta para cumprimentar os dois. Hayul nunca havia recebido uma despedida tão calorosa antes e ficou constrangido.
Eles deixaram o castelo e avançaram pela estrada coberta de neve, seguindo por um bom tempo na escuridão, até que as luzes começaram a brilhar à distância. Através da tempestade, uma construção moderna e elegante surgiu – menor que o castelo dos Kirov, mas ainda grandiosa. O carro parou diante dela.
Mesmo com o tempo horrível, o estacionamento da mansão estava lotado de carros. Todas as luzes estavam acesas, iluminando o local como se fosse dia. Assim que o veículo parou, Pavel segurou a mão de Hayul e colocou algo em seu dedo: o mesmo anel de diamante vermelho que havia forçado nele antes.
Agora que que pensava nisso, quando acordou, o anel havia sumido e ele se perguntou onde estava.
— Viktor o tirou e escondeu. Ele implorou, chorando, para que eu não deixasse você destruí-lo, dizendo que era algo precioso. Que sujeito estranho… tudo isso por uma joia.
— Você é ainda mais estranho por dar o patrimônio cultural de outro país como aliança de casamento.
— Que importância têm patrimônio cultural? Para mim, o hyung tem muito mais valor.
O diamante era tão grande que seu dedo ficou pesado. Lembrou-se do desespero de Viktor, implorando para que não quebrasse o anel, e teve vontade de rir.
— Ah, e nem pense em tirar o anel. Se tirar, da próxima vez colocarei uma coleira de diamantes no seu pescoço.
— Está falando daquele maldito colar que é herança da sua família?
— Aquele é simples demais. Sem graça. Já que você terá que usar a vida toda, temos que encomendar um especial.”
— Está falando em colocar uma coleira de cachorro em mim?
— É uma boa ideia. Ou talvez uma cinta de castidade de diamante ficasse melhor?
Os olhos azuis de Pavel brilharam enquanto ele ria. Hayul pensou consigo mesmo mais uma vez: ‘Não devo provocar desnecessariamente esse maldito pervertido.’
O manobrista correu e abriu a porta do carro para Pavel. Já acostumado com aquele tipo de cena, Hayul rapidamente abriu a porta do seu lado. Não queria, de jeito nenhum, aceitar aquele gesto ridiculamente cavalheiresco, preferia sair por conta própria.
Mas a porta não abria. Pelo menos não até que Pavel, que saíra primeiro, voltou e se aproximou da porta de Hayul. Assim que o alfa estendeu a mão, ouviu-se um clique suave e a porta destravou. Era evidente que ele já havia instruído o motorista de antemão.
Todos naquela casa, exceto Hayul, se moviam exatamente conforme o plano de Pavel. Talvez com exceção de Dmitri Kirov.
Pavel abriu a porta do carro e estendeu a mão. Como Hayul apenas ficou parado, encarando-o sem sair, ele agarrou seu braço e o puxou para fora à força. Antes mesmo que conseguisse firmar os pés no chão, Pavel o envolveu pela cintura com firmeza. Quando Hayul começou a se debater, o outro se inclinou e sussurrou em seu ouvido:
— Prefere que eu o carregue?
O tom calmo deixava claro: se não viesse andando, seria carregado. Hayul preferia evitar isso. ‘Maldito.’ Xingou em silêncio, mas parou de resistir. Melhor entrar com as próprias pernas do que ser levado como uma criança.
Pavel, ainda com o braço em volta de sua cintura, começou a caminhar decidido. Hayul suspirou resignado e acompanhou o ritmo. A neve caía sobre o rosto esculpido do alfa, derretendo suavemente contra sua pele fria e pálida. A expressão dele estava gelada, sem um traço de emoção – um rosto digno de uma estátua de gelo.
O olhar distante e austero fazia jus ao apelido infantil que lhe davam: príncipe de gelo.
Talvez percebendo o olhar de Hayul, Pavel desviou os olhos por um instante e deixou um sorriso surgir em seu rosto, antes vazio. O azul frio de seus olhos pareceu aquecer-se levemente.
— Não fique nervoso. Eu estou ao seu lado.
Um sopro branco saiu de seus lábios vermelhos enquanto sussurrava, junto com um hálito morno e cítrico, que Hayul conhecia bem. ‘Não estou nervoso,’ pensou ele. ‘Só olhei porque sua expressão estava séria, como se estivesse marchando para um campo de batalha.’ Mas Hayul não disse nada.
— A partir de agora, não se afaste de mim.
Enquanto dizia isso, Pavel apertou a mão que envolvia a cintura de Hayul, puxando-o mais para perto de si. Seu rosto, voltado para a frente, congelou novamente em frieza. Quando os dois se aproximaram da porta da mansão, um guarda que vigiava a entrada a abriu para eles.
Assim que entraram, um turbilhão de som e calor escapou do interior. Lá dentro, o ambiente contrastava completamente com a tempestade de neve do lado de fora – luzes fortes, salões amplos, pessoas por toda parte vestidas com luxo exagerado.
O cheiro forte de drogas, misturado com o aroma do álcool, era quase suficiente para anestesiar o nariz. Pessoas impecavelmente vestidas estavam agrupadas, rindo, conversando, bebendo e fumando. A atmosfera era mais próxima das festas de drogas promíscuas no penthouse de Marco do que dos elegantes chás da tarde que a nobreza costumava realizar no Castelo Headington.
— O senhor Pavel Kirov chegou!
Um funcionário que os recebeu na porta anunciou a chegada dos convidados. No mesmo instante, o local barulhento ficou quieto, como se combinado. Os olhares da multidão que lotava o salão se voltaram simultaneamente para Pavel e Hayul.
Ele não achava que fosse ficar nervoso, mas, diante daquilo, o corpo enrijeceu. com razão, era uma festa de nobres Alfas Reais. Nunca antes havia sentido tantos olhares julgando-o de uma só vez. Eles o analisavam em silêncio, dos pés à cabeça, com olhares cortantes. Seus olhares, dissecando-o peça por peça, era flagrante. Logo, um pequeno burburinho percorreu o local. Olhares de relance para Hayul, sussurros e cochichos entre eles ondulavam como uma onda.
— É ele, o noivo dos rumores? Dizem que é um Sub beta.
— Ouvi dizer que era o amante daquele mafioso italiano.
— Parece que ele era um assassino de Alfas Reais.
— Ele sofreu uma mutação para Ômega, mas continua sendo um mestiço vulgar.
— A família Kirov está realmente em declínio.
— Olha esses olhos… que insolência.
— O que o jovem Kirov tem na cabeça? Com tantas linhagens puras ao redor, ele traz um mestiço para cá? Só pode estar louco.
— Mesmo que o casamento seja legalmente aceito, eles podem ter filhos? Impossível.
—Tsk, tsk. Parece que a linhagem da família Kirov será completamente extinta.
— Que vergonha… como ele ousa trazer algo tão baixo para um lugar como este?
Sussurros intermináveis, insultos velados, olhares de desprezo e nojo. Eram coisas familiares para Hayul. Tão familiares que ele não se importava. Mas Pavel estava furioso em silêncio, como se os insultos fossem dirigidos a ele. Ainda inexpressivo, mas seus feromônios fervilhavam de forma palpável.
Os outros alfas reais perceberam rapidamente o humor desconfortável de Pavel. Como eram Alfas Reais, eram ainda mais sensíveis aos feromônios uns dos outros. Talvez por isso, o sussurro diminuiu um pouco.
— Vamos pegar algo para comer?
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°
Continua…
Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online
(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog