Ler Cão Real. – Capítulo 50 Online
Devia ter ficado calado. Sempre que ouvia aquelas palavras “bonito”, “fofo”, sua pele arrepiava e o corpo inteiro se contorcia. Será que algum dia se acostumará a ouvi-las?
— Que frio. Você está gelando.
Enquanto mexia no cabelo dele, Pavel deixou a mão escorregar de propósito até o lóbulo da orelha do outro. Hayul deu um tapa nas costas da mão dele.
— Não me toque.
— Se até esse olhar que me lança, cheio de desprezo, me faz sentir saudade… então acho que tem mesmo algo de errado comigo, não é?
‘Errado? Não, você é completamente doido.’
O frio estava tão intenso que as orelhas de Hayul pareciam prestes a cair. Ele virou o corpo de repente, decidido a entrar logo e se aquecer, e começou a andar sozinho. As solas das botas faziam um som seco contra a neve a cada passo.
— Haha. Faz ‘ploc ploc’. Parece o som de sapatos de bebê. Que coisa fofa.
Parecia que em dois dias o estado dele tinha piorado. Ele não parava de chamar tudo de fofo. Hayul sabia que se desse atenção, iria ficar com a pressão lá em cima de novo, então ignorou e continuou andando. Logo Pavel, com suas pernas longas, alcançou Hayul com passos largos e ficou ao lado dele.
— Enquanto eu não estava, você tomou os remédios direitinho? Comeu bem?
Hayul ficou em silêncio. Responder seria inútil. Se dissesse que sim, Pavel com certeza diria “bom garoto” ou “que orgulho”. Mas e se dissesse o contrário…? Ele ficou curioso e respondeu:
— Não. Não comi direito, não dormi bem e não tomei meus remédios.
— Foi porque sentiu minha falta?
Hayul virou o rosto, surpreso, encarando aquele idiota que andava ao lado dele. Jamais imaginou que ele responderia algo assim.
— Acho que, de agora em diante, vou ter que levá-lo comigo aonde quer que eu vá. Parece que está sendo difícil para nós dois. Não, na verdade, foi mais difícil para mim. Não imagina quantas vezes me masturbei olhando para suas fotos.
De repente, Pavel passou o braço pelos ombros de Hayul e o puxou contra si, dando um beijo em sua bochecha.
— Fotos? Você tem fotos minhas?
— Claro que tenho. Você é minha futura esposa, como eu não teria nenhuma foto?
— Quando diabos você tirou isso?
— O hyung me deu permissão para tirá-los.
— Eu deixei?
— Sim.
‘Será?’
Pensando bem, Hayul lembrava vagamente de Pavel ter perguntado, depois do sexo, se podia tirar uma foto. Devia estar cansado demais e respondeu qualquer coisa, tipo “faça o que quiser”. Pavel tirou o celular do bolso do casaco e abriu a galeria. A maioria das fotos foram tiradas sem Hayul que percebesse.
Ele comendo, sentado perto da janela onde bate sol, relaxando e olhando para o nada. Não importava quanto Pavel passasse as imagens com o dedo, parecia que não acabavam nunca.
— Essa aqui é a minha favorita.
Era uma foto de Hayul dormindo, encolhido sob os lençóis. Os lençóis brancos estavam completamente amarrotados, e ele, afundado neles, com o cabelo bagunçado, o pescoço, os ombros e o peito cobertos de marcas do sexo. Mesmo nesse estado lamentável, ele dormia profundamente, a boca entreaberta, tranquilo.
— Nessa hora, você estava tão aconchegado e quentinho… Quando eu tentei te cobrir com o lençol, você murmurou de um jeito fofo e se encolheu no meu peito, igual a um filhote de gato procurando o calor da mãe. Era tão pequeno, fofo e adorável… que até tive medo de tocar. Fiquei dois dias só olhando para essa foto e me masturbei umas dez vezes seguidas.
Então, no fim, eram fotos para ele se masturbar. E ainda tinha coragem de dizer isso em plena luz do dia, com aquela voz baixa e elegante.
—…Apaga.
Quando tentou tomar o celular das mãos dele, Pavel levantou o braço bem alto.
— Apague agora. Apague todas!
Como Pavel era doze centímetros mais alto, Hayul acabou tendo que se esticar nas pontas dos pés, pulando feito um idiota para tentar alcançar.
— Se me der um beijo, eu apago.
— Seu demente, pare de brincar!
Hayul já estava prestes a explodir de irritação, mas o outro homem apenas riu e o puxou para um abraço apertado. Ele não era do tipo que ficava quieto sendo abraçado, começou a se debater e gritar, mas Pavel o envolveu pela cintura e o levantou do chão. As pernas de Hayul ficaram suspensas no ar.
— Senti sua falta. Senti tanta saudade que quase enlouqueci, de verdade.
— Me solta, seu desgraçado.
— Só um pouco. Fica assim comigo por um instante, só um pouquinho.
Dessa vez, a voz de Pavel soava estranhamente calma e suplicante, algo raro para ele. Tinha algo de errado ali. Embora Pavel sempre tivesse sido um lunático, parecia ainda mais estranho depois de apenas dois dias longe. Hayul não perguntou o que tinha acontecido, sabia que, se esperasse, ele mesmo acabaria contando tudo.
Pensando que era melhor ceder, Hayul apenas relaxou no abraço. De qualquer forma, resistir seria inútil. E, como era de se esperar, Pavel logo começou a falar.
— Você sabe tão bem quanto eu hyung… no campo de batalha, um único erro pode levar à morte. E eu cometi um erro idiota. Um erro que nunca teria cometido em circunstâncias normais. Deixei escapar um peixe pequeno.
Pavel parecia abatido, com uma expressão incomum nele, e falava sem parar, como uma criança desabafando com a mãe sobre algo que fez na escola.
—Achei que tinha matado, mas o desgraçado sobreviveu. Por causa daquele peixe que deixei escapar, quase morri. Quase perdi todos os meus homens. Eu admito, acho que andei relaxado demais… talvez empolgado demais com a ideia de me casar com você.
Que erro idiota. O líder da equipe, e pôs todos os membros em perigo? Mas a razão pela qual ele não conseguia xingá-lo era porque, sete anos atrás, ele também cometeu o mesmo erro. Sete anos atrás, fugira sem verificar se Pavel, que havia rolado escada abaixo, estava vivo ou morto.
Pavel continuou falando:
— Ainda bem que o peixe era um amador incompetente. Ele tentou atirar em mim, mas errou feio e acabou acertando outro cara. Mas então pensei… se o ângulo tivesse desviado só um pouco, a bala teria acertado a minha cabeça. E naquele momento, pensei em você. Pensei que, se eu morresse longe, talvez você ficasse triste.
— Por que eu ficaria triste? Eu teria feito uma festa para comemorar que você finalmente morreu.
Pavel soltou uma gargalhada. Quando riu, o corte vermelho em sua bochecha se contraiu. Aquela ferida não saía da cabeça de Hayul. Visto de perto, era bem funda, com certeza ia virar cicatriz.
— Mesmo assim, pensei que, se eu morresse, pelo menos o hyung herdaria toda a minha fortuna. Que sorte eu ter preparado os papéis com antecedência, não é? De qualquer forma, sobrevivi, e todos saíram ilesos. O engraçado é que, naquela mesma noite, Viktor me ligou. Disse que você rasgou e queimou a certidão de casamento e os documentos.
‘Ah, aqueles malditos papéis.’
Hayul se lembrou imediatamente de Viktor o pressionando a assinar as duas folhas, e o estômago começou a ferver de raiva de novo, fazendo com que ele começasse a se debater.
— Merda! Quem te mandou fazer uma coisa dessas sem conversar comigo primeiro? Achou que eu ia assinar chorando de gratidão? Eu não preciso dessa porcaria.
Pavel caiu na risada, alto.
— Isso é tão típico de você. Por isso eu te amo.
— Pare de rir, seu bastardo. O quê? Ter um filho me daria 50% da herança, e se você morresse eu ficaria com tudo? E ainda quer que eu assine essa porcaria de contrato de escravidão?
— Contrato de escravidão? Não seja cruel. É um documento que prova o quanto eu te amo. Quando eu digo que não vou deixar você sequer molhar as mãos com água, não é exagero. Eu posso fazer você nadar por toda a vida numa piscina de diamantes. Não quero nada em troca, juro.
— Mas tudo isso vem com a condição de que eu me case com você, não é? Ou seja, eu teria que passar o resto da vida preso a você. Ei, me põe no chão. Já disse para me soltar!
Por mais que Hayul se debatesse e esperneasse, Pavel não dava sinal de que fosse soltá-lo. Ele continuava abraçando-o firmemente, enquanto as pernas de Hayul balançavam no ar como as de um cisne flutuando sobre a água. Mesmo assim, parecia satisfeito. Ouvia os gritos dele sem se importar, sorrindo enquanto o segurava com força.
— Você só precisa ficar ao meu lado, hyung. É tudo o que eu quero. Então eu vou te dar tudo que tenho. Me diz, onde mais você encontraria uma proposta tão generosa?
— Proposta generosa, uma merda.
— Haha. Vamos entrar, trouxe um presente.
Pavel entrou rapidamente, ainda carregando Hayul nos braços. Os empregados que haviam saído para receber o jovem mestre que voltava de uma viagem, cumprimentaram todos ao mesmo tempo.
Era estranho a cena do jovem mestre, de volta após dois dias, entrando carregando a pessoa que seria a futura patroa, mas os funcionários se esforçaram para fingir que não viram.
— Apesar de tudo, esses dois parecem mesmo almas gêmeas, não acha? Combinam muito.
Viktor murmurou isso com um sorriso para Lock, e Hayul teve vontade de enfiar a mão na cara dele.
O presente que Pavel trouxe estava na sala de estar que se conectava ao quarto de Hayul. Os carregadores haviam acabado de posicionar uma enorme forma embrulhada em tecido branco. Quando um dos carregadores removeu o pano, revelou-se uma enorme estátua de um homem nu.
Embora fosse um homem nu, não era obsceno, mas sim uma escultura clássica, daquelas que se veria em um museu. O tipo de coisa que Marco, que era colecionador de antiguidades, teria adorado.
Quando os carregadores saíram, cumprimentando, Hayul se aproximou da estátua para olhar. Feita de mármore, a escultura de um branco leitoso era excessivamente delicada e muito grande. Cada músculo, até as veias, estava esculpido como se a estátua fosse uma pessoa viva. A escultura era tão realista que chegava a ser assustadora.
E, de um jeito perturbador, lembrava o próprio Pavel.
— O que é isso?
— Um presente. O cara que lidamos dessa vez era um colecionador de obras de arte. Estava no depósito secreto dele, então eu trouxe.
— Você rouba algo do cara que matou e me dá de presente?
Em vez de responder, Pavel se aproximou da estátua, rindo, e ficou parado ao lado dela. Com ele ao lado, a semelhança era realmente grande. Não era só parecido, parecia ter sido feita exatamente à imagem de Pavel.
— Parece comigo, não é?
— Que horror. Por que você trouxe uma coisa dessas?”
— Para você olhar para isso e pensar em mim quando eu não estiver.
O rosto de Hayul se contorceu em desgosto. Ele tinha perdido a razão? Bem, Pavel sempre foi louco. Ele estendeu a mão e passou a palma sobre a superfície da estátua.
— É uma escultura bem feita. Estranhamente, parece comigo.
Pavel acariciou a coxa da escultura que se parecia com ele, tocou um por um os músculos minuciosamente representados e passou a mão pelo pênis, esculpido inclusive com todos os pelos desnecessários. Era uma cena perturbadora. Mas também era uma cena da qual não se conseguia desviar o olhar. Sem perceber, Hayul tinha ficado com a mente vazia, olhando fixamente para as pontas dos dedos brancos do sujeito acariciando a escultura de mármore.
O perfil de Pavel, olhando a estátua, era mais refinado que a própria obra. Seu rosto, banhado pela luz do sol da tarde que entrava pela fresta da janela, brilhava; com o perfume sedutor que exalava, parecia ele próprio uma peça de arte. Até a ferida vermelha em sua bochecha parecia bela, como se tivessem pintado de propósito com tinta vermelha.
Apesar de não haver nada de obsceno na cena, uma sede estranha lhe apertou a garganta; Hayul engoliu saliva.
— Mas o meu pau é maior, né?
Aquele comentário quebrou o transe. Hayul reagiu.
— Seu pervertido.
Pavel riu de novo, sorrindo largamente mesmo após a ofensa.
— Meu Deus! O que estou vendo! Isto não é uma obra de Anastasia Cliff?
Viktor entrou na sala espantado, observando a estátua e exclamando em admiração.
— De onde veio isso? Por que está aqui? É uma obra que eu vi recentemente numa galeria!
— Estava no depósito secreto do Alexei.
— O quê? Esta é falsa? Então o que eu vi na galeria era o quê?
— Provavelmente a que está na galeria é falsa. Não faria sentido o Alexei guardar uma falsificação.
A boca de Viktor abriu de par em par. Hayul não sabia quem era essa tal de Cliff nem queria saber. Ele só queria que removessem aquela coisa horrenda, que era cara de Pavel, dali.
— Esta é a peça original? Bem, agora que penso, ouvi dizer que um ex-assistente de Cliff andava fazendo falsificações e vendendo no mercado negro. Meu Deus… Desde a primeira vez que vi essa escultura, achei que ela lembrava alguém… e era você!
Viktor olhou alternadamente para a estátua e para Pavel, falando sem parar, até que franziu o rosto em repulsa.
— Não me diga que você trouxe essa estátua porque ela parece com você. Quer que o Jin veja uma estátua nua que parece com você todos os dias? Que nojo. Você é mesmo um pervertido disfarçado, sabia?
Hayul teve vontade de bater palmas e fazer um high five com Viktor.
— Cala a boca.
Pavel murmurou em voz baixa e sentou-se na poltrona do sofá. Nesse momento, as criadas tagarelas que sempre arrumavam o quarto de Hayul entraram com o chá. Assim que viram a estátua no meio da sala, assustaram-se. Durante todo o tempo em que arrumavam o serviço, não pararam de lançar olhares curiosos, alternando entre a estátua e Pavel. Era certo que, assim que saíssem dali, chamariam os outros empregados para fofocar.
Viktor, que estava em pé observando a escultura, acabou sentando-se para tomar o chá. Enquanto ele e Pavel conversavam, Hayul continuou parado diante da estátua. Por mais que olhasse, a sensação de incômodo não passava. Com passos firmes, ele foi até a lareira, pegou o atiçador de ferro – o mesmo com que havia ameaçado Viktor antes – e voltou decidido.
— A morte de Alexei vai ser tratada como suicídio.
— Sim.
— E sobre as contas secretas de Alexei no exterior… Ei, ei, Jin! O que está fazendo?!
No momento em que Ha-yul levantou o atiçador, Viktor gritou. Ele se levantou de um salto e correu até Hayul, arrancando o ferro de suas mãos.
— O que pensa que está fazendo? Isso é uma peça original da Anastasia Cliff, uma obra autêntica!
— E eu lá quero saber? Me devolve isso, vou quebrar essa porcaria.
— É uma peça única de Cliff! Pavel, controle a sua esposa!
— Quem é a esposa?!
A irritação contida finalmente explodiu. Hayul conseguiu tomar o atiçador de ferro de Viktor e o balançou com toda sua força. Ao som dos gritos das empregadas, a cabeça da escultura foi esmagada facilmente. A cada golpe da haste de ferro, pedaços do pescoço voavam com um estrondo e várias partes do torso se quebravam.
— Aaaaaaaah!
Viktor gritou desesperado. No meio dessa confusão toda, Pavel estava sentado elegantemente com as pernas cruzadas, saboreando seu chá. Lock, que entrou correndo achando que havia uma confusão, soltou um suspiro ao ver Hayul em fúria.
— Nossa. Ele está assim de novo. Levei horas para arrumar esse cabelo…
Aparentemente, Lock se importava mais com o cabelo desgrenhado de Hayul do que com o desastre na sala.
Depois de destruir a estátua a ponto de ela se tornar irreconhecível, Hayul, ofegante, jogou o atiçador de ferro longe. Em seguida, sentou-se pesadamente no sofá e virou o chá frio como se fosse água.
Viktor caiu de joelhos, chorando como se tivesse perdido um filho, recolhendo os pedaços quebrados da escultura.
— Está mais calmo agora?
Pavel perguntou com um sorriso, enquanto Hayul o fuzilava com o olhar por cima da xícara. Quando Pavel riu e baixou a xícara, Lock, que estava à espera, se aproximou rapidamente e encheu sua xícara vazia. Provavelmente que, enquanto Hayul estava se debatendo, Lock havia dispensado as empregadas.
— A que horas começa a festa?
— O senhor precisa se preparar a partir das 17h. Agora são 14h, não seria melhor descansar um pouco? O senhor parece cansado.
— Estou bem.
Hayul pousou a xícara vazia com um estalo seco, insistindo em algo que sabia que não adiantaria.
— Eu não vou. Se quiser ir, vá sozinho.
— Isso não será possível.
Como esperado, Pavel o interrompeu sem hesitar.
— É um evento para apresentar você, hyung. O protagonista não pode faltar.
— Eu disse claramente. Não vou me casar.
Dessa vez, como sempre, ele ignorou completamente o que Hayul dizia. Em vez de apenas se levantar calmamente, aproximou-se de forma intencional e se sentou ao lado dele, apertando-se contra seu corpo. Sem aviso, agarrou a mão direita de Hayul e a puxou para perto de si. No momento em que segurou a mão, liberou intencionalmente uma grande quantidade de feromônio, deixando Hayul sem ação. Assim que sentiu o cheiro intenso, o corpo dele perdeu força e ele teve que ceder a mão, incapaz de resistir.
Com a outra mão, ele mexeu no bolso e tirou algo: um anel com uma grande pedra vermelha. Parecia que ele andava apenas com o anel no bolso, sem caixa alguma. Assim como no avião, Pavel forçou o anel no dedo de Hayul que se encolheu com o susto.
— É o novo anel de casamento. Achei que você não tinha gostado do anterior.
— Seu… desgraçado… sempre desse jeito, seu filho da puta.
Dominado pelo maldito feromônio, Hayul não conseguiu reagir, só olhou com raiva e conseguiu resmungar algumas insultos.
— Você gostou deste?
— Vai se foder. Droga.
À primeira vista, parecia um anel de cobre que alguém tinha jogado fora, mas aquele sujeito não era do tipo que colocaria algo tão barato em seu dedo.
— É o diamante vermelho que a Rainha usou em seu casamento!
Era exatamente isso. Antes que percebesse, Viktor gritou ao ver o anel no dedo de Hayul.
— Por que uma coisa que deveria estar no museu está aqui?!
Era exatamente o que Hayul queria dizer. Por que colocar algo assim no seu dedo e chamar de anel de casamento?
— Tem algum problema?
— Claro que tem problema! É o anel da rainha! O anel no Museu Nacional também seria uma farsa? Sério?
— Que diferença faz? O Jin hyung é minha rainha.
Sem se importar com os gritos de Viktor, Pavel beijou a mão de Hayul.
— Casa comigo hyung.
Ele sussurrou, com os lábios ainda no dorso da mão, olhando para Hayul com seus belos olhos azuis. A mão presa por ele, o dorso onde seus lábios tocavam, formigava. E mesmo assim, ele continuava despejando feromônios intensos sem piedade. O cheiro era tão forte que parecia que os sentidos de Hayul estavam paralisando.
— Viktor, altere a cláusula para que um contrato verbal também seja válido.
— O-oq…?
— Grave nossa conversa a partir de agora.
Viktor, agitado, pegou o celular do bolso. Que piada. Hayul tentou puxar a mão presa com toda a sua força, mas foi inútil. Quando Pavel apertou mais sua mão, os feromônios ficaram ainda mais intensos. O aroma turvava a mente, fazendo lágrimas se formarem nos olhos de Hayul.
Seu rosto se contorceu, seu corpo tremia por dentro e sua parte inferior esquentou subitamente. O pênis estava ereto e suas calças ficaram encharcadas por dentro. Era uma reação fisiológica inevitável.
— Case comigo, hyung. É só dizer uma palavra. Diga ‘sim’.
—…Vá à merda.
— Diga ‘sim’. Assim, mesmo que eu morra de repente, você poderá viver uma vida boa com a fortuna que eu deixar. Faço isso por você.
Aquele “faço isso por você”, era algo que ele já estava cansado de ouvir, mas seu coração estava agitado. Parecia que os feromônios daquele sujeito estavam fazendo seu interior ferver. A irritação e a raiva deram lugar a uma enxurrada de emoções complexas que ele não conseguia definir. Naquele momento, as palavras saíram sem que ele percebesse.
— Não morra. — As pupilas azuis de Pavel se arregalaram. O próprio Hayul ficou surpreso e imediatamente acrescentou: — Eu mesmo vou te matar. Não morra até que eu consiga.
Então, finalmente, um sorriso reapareceu no rosto de Pavel.
— Sim.
Ele mandou Hayul responder “sim” à proposta, mas acabou respondendo sozinho, com um sorriso radiante como se tivesse recebido a confissão. Tentou beijá-lo emocionado, mas Hayul puxou a cabeça para trás. Indiferente, ele empurrou o queixo de Pavel, que continuava se aproximando, e cuspiu as palavras mais uma vez:
— Vou ser eu quem te mata.
— Sim. Tudo bem, tudo bem.
O que quer dizer com ‘tudo bem’? Ei. Enquanto dizia isso, ele continuou se aproximando. Tentando evitá-lo, o corpo de Hayul caiu para trás naturalmente. Não adiantava empurrar: os lábios dele tocaram o rosto de Hayul. Por mais que o homem tentasse, ele não queria encostar os lábios, então sacudia a cabeça. Pavel deixou marcas de beijos nas bochechas, lóbulos, nariz, queixo e em toda a face.
— Viktor, você está gravando, certo?
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Continua…
Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online
(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog