Ler Cão Real. – Capítulo 48 Online
— Antes de partir para os Estados Unidos, Pavel me chamou em segredo, junto com o contador, e nos fez redigir alguns documentos. Assim como o senhor Oleg mencionou, está propriedade passará a pertencer ao cônjuge quando Pavel se casar. Após o nascimento do primeiro filho, exatamente 50% dos bens se tornarão propriedade do cônjuge. E, caso Pavel venha a falecer em um acidente, toda a herança será transferida para o seu parceiro. Eu não fazia ideia do motivo de ele ter preparado documentos assim, mas agora entendo. Desde o início, ele planejava ir aos Estados Unidos para trazer o Sr. Jin.
Assim que voltou da caçada, Viktor foi direto até o quarto de Hayul para continuar, ali, a conversa que não havia terminado do lado de fora.
— Isso é realmente incrível. Ninguém entre os Alfas Reais faz algo desse tipo. Normalmente, como eles se casam por estratégia com um Ômega Real designado pelo sistema de compatibilidade, apenas uma parte dos bens é compartilhada. Muitas vezes, é o lado do Ômega Real que traz mais propriedades e riqueza para o casamento. Mas isso aqui… é impressionante. Designar que todos os bens sejam transferidos para o cônjuge em caso de morte? Mesmo recebendo apenas 50%, já se tornaria um dos homens mais ricos do mundo!
Viktor não parava de exclamar, mas Hayul não demonstrava qualquer emoção.
Ele nunca quis nada daquilo. Nunca pediu que Pavel fizesse isso por ele. Pavel havia decidido tudo sozinho. Talvez tivesse a intenção de se exibir depois, dizendo: “Olhe o quanto fiz por você.”
Pelo menos, quando disse que faria de tudo para que ele nunca se arrependesse de casar-se com ele, não era blefe. O casamento mudaria sua vida completamente
De um Sub Beta no fundo do poço, sem nem mesmo ter uma certidão de nascimento, para um dos homens mais ricos do mundo, reconhecido internacionalmente.
Assim, ninguém mais ousaria desprezá-lo. Dinheiro era poder. Com dinheiro, até mesmo um título e prestígio poderiam ser comprados. De qualquer forma, assim que se casasse com Pavel, Hayul se tornaria oficialmente parte da nobre família russa Kirov. Quem ousaria menosprezar levianamente alguém da família Kirov?
Viktor tirou dois papéis da pasta e os empurrou na direção de Hayul.
— Então, por favor, assine estes dois documentos. Se quiser, pode colocar apenas a digital.
— O que é isso?
— Este é o contrato de casamento de que falei há pouco, e este é o registro de união civil.
Era tão absurdo que Hayul nem conseguiu rir. Tudo parecia acontecer rápido demais. Ele pegou os dois documentos que Viktor lhe estendia. Sob o texto em russo, havia explicações em inglês. Um dos papéis listava, item por item, tudo o que Viktor acabara de mencionar; o outro era o formulário de registro de casamento.
Na seção do nome de Pavel Kirov, a assinatura e o carimbo já estavam claramente impressos. Era engraçado, de uma forma absurda, que o sujeito já tivesse preenchido até o registro de casamento.
— O registro poderia ser feito depois da cerimônia, mas Pavel estava com tanta pressa que insistiu em adiantar.
— Ha… Esse lunático.
Não havia outra coisa a dizer além de insultos. Hayul virou os papéis, os sacudiu no ar.
— No momento em que eu assinar isso, vou estar amarrando uma coleira no meu pescoço, não é? E se, a partir de agora, eu nunca mais puder sair desta casa? Ou, se tentar escapar, for trancado em uma jaula de ferro? E se houver uma cláusula dizendo que devo fazer sexo obrigatoriamente até gerar um filho? Aposto que ele escondeu algo assim, um contrato de escravidão disfarçado, não é?
— O quê?
— Vamos, fale a verdade. Não é possível que esses sejam todos os termos.
Pelo que estava escrito ali, não havia nada de errado. Pelo contrário, tudo era extremamente vantajoso para Hayul. Mas confiar naquilo, simplesmente porque estava no papel, seria ingenuidade. Ele teria de ser alguém completamente insano para acreditar sem desconfiar.
— Não, isso é tudo o que consta. Eu entendo sua desconfiança, mas é a verdade.
Viktor sorriu e tirou uma caneta da pasta, colocando-a diante de Hayul.
— Assine. O Sr. Jin não tem nada a perder com esse contrato.
A voz de Viktor soou aos ouvidos de Hayul como a tentação de um demônio. Ele se levantou do sofá com os documentos na mão, aproximou-se da lareira acesa e começou a rasgá-los em pedaços.
— O que está fazendo?!
Quando Viktor correu até ele, já era tarde. Hayul jogou os pedaços de papel no fogo, e as folhas foram consumidas pelas chamas em questão de segundos.
— Diga a ele que eu mandei ele se foder. Eu não preciso dessa porcaria. Já disse que não vou me casar.
Viktor ficou olhando, atônito, para as chamas antes de se virar para encarar Hayul.
— Você realmente não vai aceitar? É um casamento onde o Sr. Jin não tem absolutamente nada a perder, entende? Não, pense bem. Não importa o quanto você odeie o Pavel, apenas aguente firme e se case – sua posição social será elevada. Uma parte imensa da fortuna dos Kirov passará a ser sua. Isso não é o jackpot? Eu, no seu lugar, jamais faria uma estupidez dessas e deixaria passar.
— E você acha que eu poderia viver dando o meu corpo para um sujeito que eu realmente não amo?
— Sim. E daí, qual o problema? É só abrir as pernas, ter um filho e pronto. Acima de tudo, não importa o motivo, o Pavel está completamente obcecado por você, não está? Então aproveite enquanto pode, explore a situação. Use-o.
Ele ficou ainda mais pasmo com a forma descarada como Viktor falava. Hayul deu um riso amargo, e isso só fez Viktor se empolgar ainda mais.
— Às vezes, convivendo, você pode até criar afeto. Se for realmente insuportável, envenene-o. Se ele morrer, toda a fortuna passa a ser sua Jin. Eu pensava que você era inteligente, por que está agindo como um idiota? Por que chutar a sorte que caiu no seu colo? É realmente frustrante ver alguém desperdiçar uma oportunidade dessas.
Quem era o idiota aqui? Quem era são e quem era insano? Aquele conselho implicava: finja que aceita, assine o registro por obrigação, aproveite enquanto tiver o que aproveitar e, depois que a vigilância dele afrouxar, envenene-o. A fortuna inteira será sua. Tanto Viktor, que falava essas coisas com a maior naturalidade, quanto Pavel, que redigiu aquele contrato maldito, estavam igualmente loucos.
— E se eu envenenar o Pavel, você acha que o senhor Oleg me deixaria em paz?
— O Sr. Oleg vai morrer em breve. Não lhe resta muito tempo.
‘Morrer em breve, que nada’
Aquele velho parecia que viveria até os cem anos. Hayul não quis continuar a discussão. Embora achasse seus próprios padrões morais meio fora do comum, naquele momento percebeu claramente que era a pessoa mais sã entre todos ali.
— E você ouviu o que o Sr. Oleg disse mais cedo, não ouviu? Mesmo que o Pavel morra pelas suas mãos, acho que ele é uma pessoa que surpreendentemente não faria nada.
— Oleg disse isso porque acha que eu não teria coragem de matar o Pavel, não é?
— É, tem razão.
Viktor admitiu com uma facilidade que beirava o absurdo.
— De fato, é um tipo que é difícil de matar, vários já tentaram, mas ele nunca morreu. Esse cara sobreviveu a cada enrascada nesse meio. Se ele morresse pelas suas mãos seria uma vergonha para a família, de certa forma. Você se tornaria o primeiro Sub Beta a matar um Alfa Real. Entraria para a história – pensando bem, que satisfatório e surpreendente, hein? Hahaha!
Viktor, falando sozinho animadamente, soltou uma gargalhada. ‘Maldito maluco.’ Não havia um único sujeito normal naquela casa. Hayul arregalou os olhos e o encarou furiosamente.
— Vamos evitar fazer suposições completamente absurdas. Sim. Você nunca conseguiria matar aquele desgraçado do Pavel. Mas apenas assinando o registro de casamento, parte da fortuna já seria sua.
— Sai da minha frente.
— Mesmo tendo apenas um filho, você herdaria cinquenta por cento…
— Eu disse: sai!
A irritação explodiu e ele gritou, pegando o atiçador de fogo ao lado da lareira. Viktor, surpreso, recuou, mas ainda conseguiu dizer tudo o que queria.
— Sério, não entendo por que você está agindo assim. Você recusa assim por orgulho? Esse orgulho vai lhe encher a barriga? O que um sub Beta vai ganhar com um orgulho tão inflado? Você tem que saber ser flexível quando é hora de……
— Eu vou matar você!
Ele gritou com tanta força que as veias do pescoço saltaram, e só então o sujeito se virou e fugiu para fora. Mesmo depois que ele saiu, Hayul ficou arfando por um bom tempo; a raiva não diminuiu facilmente. Seu sangue fervia por dentro.
— Maldito, desgraçado. Filho da puta, seu bastardo!
Ele nunca quis algo assim. Ficou furioso por ele decidir tudo sozinho, sem refletir em nada a sua vontade, e depois exigir que ele obedecesse. Era absolutamente ridículo que, enquanto o homem tentava controlar as pessoas de forma arbitrária, sussurrasse palavras de amor em seu ouvido.
Acima de tudo, ele não conseguia entender de forma alguma por que Pavel havia incluído a cláusula de que todos os seus bens passariam para o cônjuge em caso de sua própria morte. Era como se, mesmo morrendo, ele quisesse deixar sua marca em Hayul.
Hayul também sabia bem o que era viver uma vida constantemente exposta ao perigo. Uma vida instável, sem saber quando a morte poderia chegar. Lutava desesperadamente para sobreviver, mas, se morresse, não haveria arrependimento algum. Afinal, não tinha família para deixar para trás – morrer sozinho era, de certa forma, um alívio.
Viver por alguém. Sobreviver por alguém. Ele nunca teve essa vontade.
Hayul vivia apenas por si mesmo. E o fato de não haver ninguém que realizasse o seu funeral quando morresse o fazia sentir-se mais leve.
Mas agora, havia “alguém” que enlouqueceria de dor se ele morresse. Se algo acontecesse com ele, Pavel certamente perderia o juízo de vez. E se fosse o contrário? Se fosse Pavel quem morresse de repente – em um acidente, ou assassinado? Se aquele homem que havia saído sorrindo voltasse como um corpo frio e sem vida?
Ele dizia que queria matar Pavel, mas a ideia de ver o corpo morto dele o deixava desconfortável. E só de imaginar, sentia-se zonzo.
Será que conseguiria agir como se nada tivesse acontecido? Como há sete anos, quando viu Pavel rolar escada abaixo e riu dizendo: “Bem feito, desgraçado”? Será que conseguiria rir de novo, e receber a fortuna dele como se nada tivesse acontecido?
Até ontem, ele queria matar Pavel. Mas, depois de descobrir que herdaria toda a fortuna dele caso morresse, algo dentro dele se revirou. Era uma sensação horrível.
“É pelo seu bem, hyung.”
Se ele perguntasse por que colocou aquela cláusula absurda no testamento, a resposta seria óbvia. Pavel o olharia com aqueles olhos azuis, sorrindo docemente, e diria apenas uma coisa:
“Eu te amo, Hayul hyung.”
‘Droga! Pavel, seu desgraçado. Eu realmente não te entendo. Por que diabos você faz tudo isso?’
— Ahhh! Filho da puta!
Hayul, incapaz de se conter, acabou gritando e se descontrolando completamente. Começou a xingar o vazio, pegando o que via pela frente e jogando, quebrando, chutando, até cair exausto sobre a cama.
Dos lençóis vinha o cheiro cítrico de Pavel. Irritado, ele se levantou de repente e cobriu o rosto com as mãos. Parecia que até suas mãos estavam impregnadas com o cheiro dele. Não havia um único canto do quarto que não carregasse o aroma cítrico daquele homem. O cheiro estava no corpo, nas roupas, no ar que respirava.
E naquela noite – a primeira em muito tempo sem Pavel por perto – uma rara noite de liberdade. Ele bebeu sozinho até adormecer. E sonhou.
Sonhou com o funeral de Pavel. A imensa catedral estava lotada de gente, todos vestiam preto e mantinham expressões solenes. Alguns choravam. À frente, havia um grande caixão.
Dentro, coberto por rosas vermelhas, Pavel jazia com os olhos fechados. Tirando o rosto pálido e os lábios arroxeados, ele parecia apenas estar dormindo em paz. Continuava lindo, deitado entre as flores, tinha uma aparência quase sagrada.
Hayul, vestindo um terno preto, ficou parado diante do caixão, olhando para o corpo de Pavel.
‘— Ei.’
Chamou-o em voz baixa. E então percebeu: ah, claro, ele só respondia quando o chamava pelo nome.
‘— Pavel.’
Mas ele não abriu os olhos. Aquele homem que sempre sorria e o encarava com os olhos azuis sempre que era chamado pelo nome, agora permanecia imóvel.
‘— Pavel, acorda. Pare de brincadeira.’
Ainda sem resposta. Hayul estendeu a mão e sacudiu o ombro de Pavel dentro do caixão. O corpo, porém, balançou sem vida, estava duro e gelado. Aquele mesmo homem que parecia arder até no inverno agora estava frio como pedra.
‘— Ei. Eu disse para acordar!’
Ele estapeou o rosto de Pavel. O rosto que não mudava de expressão quando era esbofeteado, virou-se sem qualquer resistência. O corpo dele parecia uma escultura de madeira dura. Nem mesmo o aroma cítrico, que sempre o perseguia, estava lá.
‘—Ei. Pavel! Seu bastardo. Acorda! Abre os olhos!’
Hayul gritou enquanto agarrava o colarinho de Pavel. As rosas que o envolviam caíram pelo chão espalhadas como pingos de sangue. As pessoas ao redor correram para puxá-lo e contê-lo, mas Hayul se debateu e continuou gritando.
‘— Acorda. Abra os olhos! Você não está morto. Puta merda, pare com essa brincadeira. Você, morto? Não pode ser. Abre os olhos! Ei!’
O grito de Hayul ecoou estrondoso dentro da igreja. O ambiente solene ficou agitado, as pessoas começaram a cochichar. Enquanto ele gritava e se debatia até perder as forças e cair, ofegante, alguém se aproximou. Era Viktor.
Ele parou diante de Hayul e falou baixo.
‘— Conforme o último desejo do falecido, toda a fortuna de Pavel Kirov será transferida para a esposa do falecido, Jin Kirov.’
‘— Não quero. Isso não me interessa!’
Hayul ergueu o rosto para Viktor e gritou com a voz tomada. Em seguida pulou de novo e correu para o caixão. Temendo que ele profanasse o corpo, as pessoas se adiantaram e seguraram os dois braços de Hayul para impedi-lo.
‘— Abre os olhos, Pavel Kirov. Quem deixou você morrer, caralho!’
Hayul gritou, debatendo-se desesperadamente, como se estivesse cuspindo sangue. Sua garganta estava tão arranhada que doía. Entretanto, por mais que gritasse, nenhum milagre fez Pavel, deitado no caixão, voltar à vida.
Era sem dúvida um sonho verdadeiramente miserável.
Quando acordou de repente na madrugada. Um riso amargo escapou, junto com um alívio por ter sido apenas um sonho. Seu rosto estava molhado; ao tocar, percebeu que a ponta dos seus olhos estava úmida. O aroma cítrico de Pavel impregnado no lençol da cama, pairando suavemente, era naquele momento quase bem-vindo. Ao sentir o perfume, seu corpo ficou quente lá embaixo.
O que mais o confundia era seu próprio coração.
Não era só algo difícil de entender; era seu próprio coração, mas ele simplesmente não conseguia compreendê-lo. O que ele queria fazer? Ele realmente queria matar Pavel?
Tudo o que sentia por ele era ódio; ele nunca pensara no que viria depois.
E se matasse Pavel? Se Pavel desaparecesse completamente deste mundo? Se este aroma cítrico, impregnado em todo lugar, desaparecesse com a morte do sujeito? Um mundo sem aquele homem que se intrometeu teimosamente em sua vida. Uma vida onde teria que sobreviver completamente sozinho, como antes.
‘Sem amigos, sem família, sozinho. Uma vida sem altos e baixos, seca e sem gosto.’
O engraçado é que, depois de se reencontrar com Pavel, ele percebeu o quão árida e seca sua vida havia sido. Ele pensava que tinha vivido bem assim mesmo, mas agora, pensando bem, foi uma vida sem graça. Ele nunca nem sequer se masturbou. Na época não sabia, mas um homem fisicamente saudável que nunca se masturbou… não tinha algo muito errado? Ele só chupou o pau do Marco até cansar, e embora visse Marco transar com inúmeros parceiros, ele mesmo nunca fez seu papel de homem.
Embora já tivesse se excitado vendo Marco com uma prostituta, nunca pensou em querer enfiar seu membro em uma delas também.
Pensando bem, é verdade. Mesmo que estivesse ocupado demais sobrevivendo para ter um relacionamento, já tinha pensado em querer transar com alguém?
‘Nunca. Nem uma vez. Nem com mulher, nem com homem.’
Não só com mulheres, mas nunca se excitou com um homem também. Não importava quão bonita fosse a mulher, ou mesmo vendo os corpos nus de oficiais Alfa bonitos no exército, ele não sentia nada.
Querer beijar alguém, abraçar alguém, sentir o pau ficar duro só de sentir o cheiro, querer ser tocado pela mão de alguém, querer que enfiassem fundo dentro dele… isso só existe com Pavel. A única pessoa que ele achou tão linda ao ponto de ficar hipnotizado também era Pavel.
Era assim há sete anos atrás e é assim agora também. Pavel despertou todo o desejo escondido de Hayul. Foi ele quem o fez perceber que também tinha desejos sexuais. Depois de se reunir com Pavel e travar aquelas batalhas sexuais, Hayul descobriu que uma parte dele também era lasciva e pervertida.
E não era só desejo sexual. Encontrando o sujeito, ele riu, ficou furioso a ponto de gritar, sentiu raiva a ponto de sua cabeça explodir, experimentou um desejo assassino a ponto de querer despedaçá-lo, e também sentiu seu coração acelerar.
‘Descobri que dentro de mim existem tantas emoções diferentes.’
Pavel disse que sua vida mudou depois que conheceu Hayul. Para Hayul, também foi assim. Ele tentou negar, se recusou a admitir, mas no fundo sabia que era verdade.
Pavel havia perguntado: “Você me odeia tanto assim?” Oleg também havia perguntado: “Você odeia tanto assim o Pavel?”
E todas as vezes, Hayul respondeu que sim. Que o odiava tanto que queria rasgá-lo e matá-lo. Que era horrível. Repugnante.
Mas, na verdade, ele achava que não suportaria ver o corpo morto de Pavel. Só de recordar a imagem do sonho, sentiu um arrepio percorrer o corpo.
‘Querer matar esse desgraçado, mas não suportar vê-lo morto? Que sentimento contraditório é esse?’
—Ha……
Ao inspirar fundo, o perfume dele voltou a invadir suas narinas. Sentiu o corpo esquentar, a parte de baixo endurecendo. O calor e a tensão o fizeram deslizar a mão por baixo do cobertor. Mesmo sobre o tecido do pijama, conseguiu sentir o pênis duro. Ele abriu o pijama, enfiou a mão por dentro da cueca e agarrou o membro. Balançou descuidadamente o pau úmido que se enrolava em sua palma.
—Ah, ah. Ugh….
Suas nádegas e a região lombar se estremeceram, e seu corpo sob o cobertor se contorceu e se agitou. Ao agarrar e puxar o membro com força, como se estivesse espremendo, fluidos pingaram da glande e seu ânus se contraiu firmemente. Seu interior se contorceu e um fluxo quente de lubrificação corporal jorrou pelo buraco traseiro. Toda vez que ficava excitado, a pequena entrada também ficava molhada, era uma reação natural. Pensou que nunca se adaptaria, nem que morresse, mas agora estava um tanto acostumado.
Seu ânus úmido se abria de forma obscena, suplicando por algo para preenchê-lo. A entrada do buraco estava formigando e o interior latejava, então, sem perceber, ele puxou para baixo o pijama e a cueca que cobriam sua pélvis e levou a outra mão para trás.
Deitado, seus dedos não alcançavam bem o buraco, então ele dobrou os joelhos em ângulo reto e elevou as pernas no ar, empurrando o cobertor incômodo para longe. Suas nádegas nuas ficaram levemente suspensas e a entrada úmida do buraco se contraiu firmemente ao ser exposta ao ar frio. Levou a mão, apalpou a entrada contraída do buraco e enfiou o dedo. Um gemido escapou involuntariamente de sua boca. A entrada sugou seu dedo delicadamente, como se estivesse esperando por isso.
—Ah… droga… ahh…
Era uma loucura. Está enfiando o dedo no próprio cu sozinho, Sentiu-se envergonhado, mas não conseguia parar de forma alguma. Um dedo não era suficiente; então ele enfiou vários até a base e remexeu o interior, os gemidos escaparam um atrás do outro. Fluidos escorriam pelo buraco que se abria e da ponta do membro também vazava. Sempre que seu corpo se contorcia na cama, o aroma cítrico impregnado no lençol parecia ficar mais forte.
Mas os dedos não bastavam. Não chegavam tão fundo quanto o corpo lembrava – o pênis grosso e longo de Pavel, que abria seu buraco ao limite máximo e entrava fundo em seu interior, a sensação de suas membranas internas envolverem o membro do sujeito, toda vez que ele tremia e ofegava com a pressão, como se estivesse sendo empalado por um espeto enorme.
Naquela lembrança, Hayul arfava, incapaz de respirar direito, e Pavel dissera, rindo roucamente:
“Agora, quando o hyung diz que vai me matar… soa como se estivesse dizendo que me ama.”
No momento em que recordou a voz sussurrante e úmida, o orgasmo chegou.
— Ah… haaah!
Sua cintura estremeceu e um líquido branco e turvo jorrou da ponta do membro que ele segurava. Por estar com as pernas para cima, ele foi banhado pelo sêmen que ejaculou pela frente. Pelas costas, os fluidos corporais também escorriam. Naquele momento, toda a força abandonou seu corpo e seus membros ficaram moles. Deitado na cama, ele só conseguiu ofegar por um tempo.
Estava uma bagunça. Seu rosto e o pijama estavam salpicados de sêmen, e o lençol da cama estava encharcado pelos fluidos que escorriam de trás. Mesmo com o cheiro forte e rançoso do sêmen, o aroma cítrico de Pavel não desaparecia. Embora fosse óbvio que o sujeito não estava lá, parecia que estava espreitando de algum lugar, o que era assustador.
—Eu vou enlouquecer…
Hayul murmurou e ficou parado por um bom tempo, cobrindo o rosto com as mãos. Sentindo frio, levantou-se desanimado, limpou rapidamente a região inferior com lenços e se enterrou sob o cobertor, mas o sono não veio facilmente. Seu corpo estava cansado, mas sua mente estava completamente alerta.
Foi uma noite na qual não conseguiu dormir tranquilamente.
Continua….
Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online
(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog