Ler Cão Real. – Capítulo 47 Online

Modo Claro

 

O conselho de Lock de que ele morreria congelado se não se agasalhasse adequadamente não era exagero. Assim que saíram dos portões do castelo, um vento cortante como uma lâmina soprou de todos os lados. O vento invadia sem piedade as fendas de seu casaco grosso e o único pedaço exposto, o rosto, gelou por completo em questão de segundos. Além disso, a cada passo os pés afundavam na neve acumulada; se não estivesse de botas, já estariam encharcados e provavelmente congelados.

Quando ele estava dentro do quarto, o clima parecia mais ameno, quase agradável.

Tinha pensado em aproveitar a ausência de Pavel para se exercitar e suar um pouco, mas não havia a menor condição de tirar o casaco. Nos tempos das forças especiais, era comum tirar a camisa e mergulhar em água gelada, mas o frio daquele lugar era simplesmente assassino.

Piii!

Um som agudo de um pássaro desconhecido ecoou. Hayul parou de andar, ergueu a cabeça e olhou para o céu. Um pássaro cruzava o céu com as asas abertas. Apesar do frio, o céu estava limpo, sem uma única nuvem, de um azul intenso.

Um azul igual ao dos olhos de Pavel.

Era até engraçado lembrar dele mesmo nesse momento de liberdade. Chegava a ser natural, como respirar: Pavel simplesmente surgia em sua mente. Talvez fosse verdade; dizem que o ódio só é possível quando há afeição.

Amor e ódio. Já tinha se perguntado como esses dois sentimentos tão opostos poderiam ser unidos em uma única palavra, como no termo “amor-ódio”. Agora, porém, começava a compreender. Era esse estado estranho em que dois extremos, o afeto e a aversão, coexistem dentro de uma mesma pessoa, ao mesmo tempo.

Foi então que bang! – um tiro cortou o ar. O pássaro que atravessava o céu caiu de repente, atingido pela bala. Logo em seguida, ouviu-se o latido estridente de cães de caça. Alguém estava caçando dentro das terras do castelo?

— Parece que o Grande Mestre está caçando.

O criado ao lado murmurou isso. Quando Hayul perguntou onde ficava o campo de caça, o servo se prontificou a guiar o caminho. Pensou que, ao invés de vagar sem rumo acompanhado por um criado, talvez se animasse um pouco se participasse da caçada.

Não demorou muito para que eles chegassem a um campo plano, amplo, diante dos olhos. Três homens estavam lá com cães de caça, cavalos amarrados às árvores e alguns criados em volta. Oleg Kirov, que estava com uma espingarda nas mãos, conversando com Viktor, foi o primeiro a notar Hayul e lhe lançou um sorriso.

Ao vê-lo, lembrou do rosto de Pavel sorrindo radiantemente, o que só o irritou ainda mais. Aproximou-se deles e trocou rápidas saudações, enquanto Viktor lhe perguntava se havia dormido bem.

— Pequeno, está melhor? Ontem você estava tão bêbado que acabou sendo carregado pelo Pavel.

Oleg cumprimentou-o com alegria. Mesmo tendo bebido a mesma quantidade, Oleg Kirov parecia estar absurdamente bem.

— Sim, estou melhor.

Ele sequer usava casaco, vestia apenas uma camiseta de mangas curtas, como se o frio não lhe fizesse nada. Seus braços, cobertos de músculos, pareciam sólidos a ponto de explodir.

— Posso me juntar a vocês?

— Claro!

Assim que recebeu a permissão de Oleg, Hayul foi direto até o suporte de armas e pegou um rifle. O modelo não lhe era familiar, mas, depois de tanto tempo, a sensação de segurar uma arma fez seu coração acelerar. Levantou o rifle, apoiou-o no ombro e mirou em Viktor, — Wohh — que rapidamente se esquivou de lado, assustado.

— Pequeno, consegue acertar aquele alvo à frente?

Oleg, que de repente havia se aproximado de Hayul, apontou com a mão enluvada para o outro lado do campo. A cerca de um quilômetro, havia placas de madeira em forma de torso humano alinhadas, cada uma marcada com um círculo vermelho no peito. O vento era forte e, sendo uma arma de caça sem mira óptica, a tarefa não seria fácil, mas não era impossível.

Hayul ergueu a arma, alinhou a mira no centro do círculo vermelho que representava o coração e puxou o gatilho. Bang! O som vibrante do disparo reverberou, o braço tremeu com a força do recuo e a cápsula vazia do projétil foi expelida com um estalo metálico. Hayul puxou o gatilho mais uma vez. O segundo disparo foi ainda mais prazeroso.

Com um zunido, as placas de madeira deslizaram de volta pelo fio suspenso, aproximando-se deles. As duas balas haviam atravessado exatamente o centro, no coração.

— Uau. Que precisão, incrível!

Viktor soltou um suspiro de admiração.

— Hahaha. Como esperado!

Oleg Kirov também soltou uma gargalhada alta. Ele provocou Dmitri, que permanecia em silêncio ao lado, olhando fixamente para o alvo de madeira com um buraco no coração.

— Dmitri, veja só. Você errou todos os tiros, mas o Jin acertou o coração em cheio. Não é incrível?

O rosto rígido de Dmitri tremeu de leve. Ignorando completamente as reações deles, Hayul, embriagado pela sensação da arma em suas mãos, recarregou o rifle silenciosamente. No instante em que ouviu o latido dos cães de caça, avistou os pássaros levantando voo e puxou o gatilho até esvaziar o carregador. Seus ouvidos ficaram surdos com os disparos consecutivos, mas o prazer que sentiu foi imediato.

Cada vez que puxava o gatilho, um pássaro despencava e os cães de caça corriam excitados, abanando o rabo. Logo, cada um deles trouxe uma ave presa entre os dentes e correndo animadamente.

— Sendo preciso desse jeito, o Pavel não vai poder nem brigar com a esposa. Corre o risco de levar um tiro e morrer. Que noiva assustadora.

A observação séria de Viktor arrancou outra gargalhada de Oleg. Um dos cães, como se soubesse que fora Hayul quem caçou os pássaros, deixou uma ave morta aos pés dele. O animal o encarava com olhos negros brilhantes, abanando o rabo. Achando graça, Hayul afagou-lhe a cabeça, o cão abriu a boca, pôs a língua para fora e arfou contente.

— Muito bem.

Com apenas uma palavra de elogio, o bicho se atirou de barriga para cima, exibindo o ventre em um gesto manhoso. Hayul se agachou e começou a esfregar com força o pelo macio de sua barriga, fazendo o cão se contorcer de alegria. Apesar da aparência de lobo, era um bichinho incrivelmente dócil.

— Que interessante. A Mary não obedece ninguém além do Pavel.

— É verdade. Ela até me mordeu uma vez.

Hayul não conseguia acreditar nas palavras de Oleg e Viktor. O animal parecia tão manso.

— Ela também percebe, por instinto. Já sabe que Jin será o futuro dono desta fortaleza.

Oleg murmurou isso enquanto também se abaixava para acariciar o cão. A cadela fechou os olhos e arfou, deleitando-se com o carinho de ambos.

— O Pavel trouxe ela da floresta, é mestiça de lobo. É um belo animal.

Como se entendesse que estava sendo elogiada, Mary, ainda deitada, abanou o rabo vigorosamente.

— Pavel é um rapaz extraordinário. E não digo isso só porque é meu neto. Ele é tão perfeito que chega a ser difícil acreditar que tem o sangue daquele idiota inglês.

O “idiota inglês” a quem Oleg se referia só podia ser o duque de Headington. Ele prosseguiu, sem disfarçar o desprezo.

— Desde o primeiro momento em que o vi, percebi que aquele inglês não passava de um vigarista. Sem talento nenhum, e ainda assim se gabava como se fosse um grande aristocrata, era ridículo. Mas minha filha, Leana… nunca imaginei que ela cairia nos encantos de um homem tão tolo. Seria apenas rebeldia? Ou ela realmente se apaixonou por ele? Prefiro acreditar que foi apenas para se opor a mim. No fim das contas, de qualquer forma, foi uma estupidez.

A voz baixa de Oleg lembrava a entonação de Pavel. Apesar do sotaque russo misturado ao inglês, havia naquela voz profunda uma ressonância parecida com a do neto.

— Minha esposa dizia que Leana provavelmente só queria fugir das minhas mãos. Eu argumentava que tudo o que fiz foi tentar guiá-la, para que tivesse uma vida melhor. Mas não era verdade. Eu estava tentando usar minha filha para alcançar minhas próprias ambições. No fim, tive de admitir. De que adiantou reconhecer isso depois de perder tudo o que me era precioso? Apenas me restou o arrependimento.

Oleg sorriu amargamente. Enquanto ele se prolongava em sua confissão, o cão continuava deitado, imóvel, adormecido sob seus carinhos. Com um suspiro profundo, Oleg se ergueu. Hayul também se levantou. Nesse momento, o cão, que parecia adormecido, abriu os olhos de repente e saltou em pé, alerta.

— A decepção foi tão grande quanto a confiança que depositei nela. Não consegui perdoar minha filha por me trair e fugir. Também não conseguia aceitar o filho que ela carregava, manchado pelo sangue daquele inglês. Ela morreu ao dar à luz… e como poderia eu achar bela a criança que me tirou minha filha?

Foi assim que ele trancou a criança na fortaleza coberta de neve, fria e silenciosa, deixando-a entregue ao abandono. Se não fosse a senhora Kirov, que se compadeceu e resolveu criá-la, a criança teria morrido congelada. Para Hayul, que sabia dessa verdade, as palavras de Oleg não passavam de desculpas patéticas.

— Mesmo depois de ter abandonado aquele pequeno pedaço de carne e ossos naquele castelo isolado, mesmo quando ouvi dizer que aquele inglês levou a criança de volta para a Inglaterra, eu não me importei nem um pouco. Eu nunca considerei aquela criança como meu sangue. Não importava o que acontecesse com ela. E no entanto, agora que me bateu arrependimento por aquilo, fui atrás da criança que eu mesmo havia descartado. Não é uma atitude extremamente egoísta?

— Sim.

Ele respondeu sem hesitar. Oleg fez uma expressão de surpresa por conta da resposta direta, e logo em seguida explodiu em riso.

— Está certo. Sou um homem egoísta e desprezível. Mas foi por ser assim que sobrevivi até hoje. Na minha juventude eu não temia nada. Mas também sou humano: envelheci e adoeci. A passagem do tempo é justa para todos.

— Está se queixando com um estranho que acabou de conhecer?

— Ninguém quer ouvir as lamúrias de um velho. Todo mundo fica entediado com histórias de ‘nos meus tempos…’. Como você ouviu isso pela primeira vez, ao menos é interessante, não é?

— Já estou começando a ficar entediado com isso também.

Oleg riu, jogando a cabeça para trás. Ao contrário da aparência, ele era um homem risonho; cada gargalhada sua ecoava tão forte que parecia fazer os tímpanos vibrarem.

— Está bem. Se está cansado, vou parar com as lamentações. Falei daquele bosque ali.

Com um tom ainda risonho, Oleg mudou o assunto de imediato. Ele apontou com a mão para além do campo, onde estacas de árvores ressecadas se alinhavam formando um bosque denso. Hayul também olhou na direção indicada. Era curioso como a linha entre o campo e a floresta estava tão bem definida.

— Chamam aquilo de Floresta Labirinto. As árvores crescem assim, tão entrelaçadas, que quem entra tem dificuldade para sair. Aquela floresta cerca toda a fortaleza; é um tipo de reduto rodeado por árvores. Tudo isso pertence a Pavel.

O forte da propriedade já era enorme; somar a floresta como propriedade privada tornava impossível mensurar a escala.

— Em breve, eu vou morrer. Meu corpo doente está gritando que a hora está chegando. Passei noites sem dormir pensando em Pavel, ficando sozinho quando eu me for. Agradeço por você ter vindo.

Hayul franziu a testa e falou:

— Eu sou alguém que tentou matar seu neto. E, se tiver oportunidade, não hesitarei em matá-lo.

Oleg inclinou ligeiramente a cabeça e olhou para Hayul.

— Você odeia tanto o Pavel assim?

— Sim.

— O quê exatamente?

— Odeio tudo nele. A aparência, o jeito de falar, a personalidade – tudo.

— É mesmo?

Um sorriso se espalhou pelos olhos azuis de Oleg. Ele ficou um tempo em silêncio, apenas olhando para Hayul com um rosto sorridente. Hayul odiava aquele olhar que parecia ver através de tudo. Parar diante do olhar de Oleg era como ficar totalmente exposto.

— Parece que se apaixonar por alguém orgulhoso e de personalidade forte é uma tradição de família. Minha primeira esposa era como você. Quando a conheci, ela apontou uma arma para mim. Era uma mulher incrível.

Ele devia estar falando da avó materna de Pavel, que o acolheu e criou. Nesse momento, ouviu-se o som de latidos vindos da floresta ao longe. Ao mesmo tempo, pássaros levantaram voo, agitando as asas. Oleg ergueu silenciosamente a arma que carregava.

— Como pode ver, armas não faltam. Há um arsenal no subsolo. Sinta-se à vontade para escolher e pegar. Se você realmente quiser matar o Pavel, faça isso. Se morrer pelas mãos do noivo que ele mesmo escolheu, então esse deve ser o destino dele.

Ele estalou a língua e mirou no bando de aves que atravessava o céu.

— Quando a chance surgir, não hesite. Nós, os Alfas Reais, temos todos os sentidos apurados. Só há uma oportunidade. Se a perder, não haverá uma segunda.

No momento em que posicionou a mira, puxou o gatilho. Bang. O tiro ecoou agudo e uma ave despencou, os cães latiram e correram até a presa. Mary, que estava estirada ali perto, também se levantou e saiu em disparada.

— Depois de se casarem e viverem juntos, você vai acabar gostando do Pavel. Ele é o tipo de sujeito que não existe em todo lugar. Sei que estou falando do meu neto, mas ele é verdadeiramente excepcional.

— Não, senhor Oleg. Acho que o senhor está ignorando o maior problema. O meu casamento com Pavel em si já é ilegal. O senhor sabe disso, não é?

— Neste país, a vontade de um Kirov é a lei.

— Mas o sistema de compatibilidade não vai ficar parado diante disso.

— Já disse para não se preocupar. Isso é um detalhe, não precisa se importar.

Um detalhe? Aquilo era um detalhe? De qualquer forma, Hayul percebeu que não adiantaria discutir mais e fechou a boca.

— Além disso, quando se casar com Pavel, tudo aqui passará a ser de sua propriedade, Jin. Acho que posso confiar e deixar isso sob sua responsabilidade.

Enquanto Hayul conversava com Oleg, Dmitri, que havia se afastado em direção aos cavalos amarrados às árvores, aproximou-se de repente e interrompeu a conversa.

— Espera aí. O que é que você está dizendo, irmão? Desde quando este castelo passou a ser propriedade do Pavel?

Como Oleg não respondeu, ele pressionou discretamente Viktor, que estava ao lado.

— Viktor, pelo menos você, me explique isso.

— O Sr. Oleg fez um acordo quando trouxe Pavel há sete anos. Se ele conseguisse alcançar resultados satisfatórios dentro de um ano, herdaria todas as propriedades do senhor Kirov. E claro, Pavel conseguiu. Em menos de um ano, alcançou exatamente os resultados que o Sr. Kirov desejava.

— Então? Então você está dizendo que meu irmão realmente deixou toda a herança para o Pavel?

— Sim. Uma parte dos bens ele herdará apenas após a morte do senhor Oleg, mas boa parte já se tornou oficialmente de Pavel.

— E por que esta é a primeira vez que ouço falar disso? Por que nunca me disseram nada?

— Isso aconteceu quando o senhor Dmitri estava nos Estados Unidos.

As palavras de Viktor foram imediatamente reforçadas por Oleg.

— Foi quando você estava viciado em drogas e em jogos de azar, esbanjando dinheiro pelo continente americano. Enquanto você desperdiçava seu dinheiro nas mesas de jogo, eu quase fui assassinado,  lutei e fiquei entre a vida e a morte. Nessa época, Pavel empunhou uma arma e percorreu os becos escuros para me proteger.

— Mas parte da herança do nosso pai também era minha!

— Essa parte você já não perdeu toda em jogo?

Dmitri começou a tremer de raiva.

— Você viveu como um lixo, e só no ano passado voltou rastejando, bancando o “homem da família”, tentando se impor diante de Pavel. Se não quer passar vergonha na frente do novo senhor desta casa, é melhor fechar a boca. Isso se você quiser ao menos recolher as migalhas que o Pavel deixar cair.

— Eu também sou um Kirov!

— Eu disse para se calar, Dmitri.

A voz de Oleg soou baixa e pesada, e sua expressão se transformou em algo assustador. O sorriso gentil de antes havia desaparecido por completo. Incapaz de responder, Dmitri apenas tremia, até que, cuspindo insultos, virou-se de repente e marchou em direção ao castelo.

— É vergonhoso, mas ele é meu irmão. Eu mesmo vou resolver isso. Não se preocupe com ele.

Oleg murmurou em tom baixo, olhando para as costas do irmão que se afastava enfurecido. Era como quando ele lidou com o duque Headington, que só o procurou depois de internar o próprio filho num hospício por sete anos: estava deixando claro que pretendia “lidar” com Dmitri de forma discreta.

Hayul também observou por um momento as costas de Dmitri que se afastavam. Cabelos tão brancos quanto a neve acumulada, uma aparência madura, mas por dentro um homem mesquinho e rancoroso. O libertino da família Kirov, que desperdiçou toda a fortuna herdada em drogas e jogos.

Foi então que se lembrou. Onde tinha visto Dmitri Kirov antes. Ele esteve em uma das festas de drogas de Marco. O homem que Marco chamava de ‘Raposa Branca’. Era uma festa secreta, com acesso rigidamente controlado para proteger os convidados VIPs da alta sociedade. Até os seguranças, incluindo Hayul, usavam máscaras para trabalhar.

Mesmo que Dmitri não tivesse notado Hayul, este com certeza o reconheceu. O homem de cabelos brancos chamava a atenção demais para passar despercebido.

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Continua…

 

Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online

(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
 
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog

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