Ler Cão Real. – Capítulo 45 Online

Modo Claro

Ele não conteve a risada ao imaginar uma nave espacial vagando pelo espaço com o nome Jin Hayul estampado em letras grandes.

— Idiota. Quem ia querer uma coisa dessas? Uma nave espacial? Que absurdo.  Você é um maluco, isso sim.

Pavel levantou a cabeça e ficou olhando para o rosto sorridente de Hayul como se estivesse hipnotizado.

— É só um jeito de dizer que posso fazer qualquer coisa por você. O que quiser, hyung. Nunca mais vou deixar você pôr os pés num lugar imundo como aquelas favelas de antes. Suas mãos bonitas não vão mais ter que se sujar de sangue. A partir de agora o trabalho pesado e sujo fica todo comigo. Você só precisa viver confortavelmente, num lugar quente, comendo todos os dias sua comida favorita, sem preocupações. Quero que você viva assim, sorrindo todos os dias desse jeito.

A voz grave e bela ressoava pelo ar frio e seco. Naquele reino de inverno cruel, capaz de congelar até os ossos, Pavel era a própria primavera. Espalhava o aroma fresco de cítricos e transmitia a Hayul um calor incondicional.

Eram palavras que provavelmente funcionariam apenas com mulheres sentimentais. Frases cafonas e melosas. Mas mesmo assim, Hayul sentiu um formigamento em um cantinho do peito.

— Se quiser, eu arranco meu coração agora e te mostro. Você é o meu primeiro e último amor, hyung. Se for por você, eu posso morrer feliz.

Ele dizia aquelas coisas encarando-o de frente, sem desviar os olhos, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Hayul sabia muito bem que não eram palavras jogadas ao vento. A cicatriz na testa lisa de Pavel estava ali para provar. Quando o carro explodiu, ele não hesitou em se lançar para salvá-lo.

Tum. Tum.

Seu coração disparou.

‘Só pode ser por causa dos feromônios. Sim, com certeza é isso. A culpa é toda desses malditos feromônios. Se não fosse por eles…’

Sua linha de pensamento não conseguiu chegar ao fim.

‘Mas será que é mesmo apenas por causa dos feromônios?’

Hayul franziu o rosto. Pavel, ao contrário, sorriu ainda mais e, rindo, o envolveu pela cintura, esfregando o rosto contra ele.

— Eu já disse antes, não importa se os seus sentimentos não forem iguais aos meus. Pode até me odiar. Pode me ameaçar de morte. Pode me matar de verdade. Se eu for assassinado pelas mãos da pessoa que amo, então esse deve ser o meu destino. Tudo bem, de qualquer jeito, só fique ao meu lado. Não fuja.

Os braços grossos que abraçavam a cintura de Hayul o apertaram com mais força.

Agora, em vez de irritação, ele sentia algo estranho. Será que alguém podia gostar tanto assim? Será que ele, Hayul, valia a pena ao ponto de alguém apostar a própria vida por amor a ele?

Dizem que o amor não precisa de motivo. Que chega de repente, como destino. Era um clichê comum em dramas e filmes, mas isso era coisa dos outros.

O único amor que ele tinha experimentado era quando a sua mãe estava viva. Ele também a amava, ao ponto de achar que entregar a vida por ela não seria desperdício.

Mas seria possível sentir isso por alguém que não fosse família?

Era possível cair por alguém a ponto de pensar apenas nessa pessoa por sete anos, sonhar com um futuro ao lado dela, e suportar todo tipo de dor para sobreviver? Tudo por outra pessoa, não por si mesmo.

Por um homem que antes só parecia um inseto rastejando na lama, se contorcendo para sobreviver. E agora, ele queria casar, queria viver junto, tinha lutado tanto tempo com esse propósito.

Fez isso por uma pessoa que sete anos atrás tinha tentado matá-lo.

O sujeito que nasceu no topo da pirâmide, que está no topo da cadeia alimentar, estende a mão para ele. E então, sussurra repetidamente, como se estivesse constantemente o doutrinando: “Eu te amo. Casa comigo. Fica comigo.”

Será que ao longo de toda a sua vida Pavel voltaria a se humilhar desse jeito por outra pessoa? Não. Não, o mundo inteiro se prostraria diante dele. Ninguém ousaria sequer erguer os olhos para encará-lo.

A única pessoa capaz de transformar este homem magnífico e extraordinário num idiota humilde e apaixonado era o próprio Hayul. Esse lado humilhante e ridículo de Pavel, só ele podia ver.

Foi um dia estranho. Talvez por estar em uma terra estranha, emoções desconhecidas estavam florescendo dentro dele. Até mesmo um impulso inesperado surgiu, um desejo de acariciar a cabeça de Pavel, que estava agora agarrado à sua cintura, com o rosto enterrado nela.

— Ei.

Chamou-o baixinho, mas o homem apenas deu um sobressalto nos ombros, sem levantar a cabeça.

— Pavel.

Só então, como se estivesse esperando, ele ergueu a cabeça e olhou para Hayul. Como um cão de grande porte ofegante e abanando o rabo ao ser chamado pelo dono. Era um pensamento maluco, mas, por um instante, Hayul achou o alfa fofo. O jeito como ele ergueu a cabeça imediatamente ao ouvir o nome, com os olhos brilhando, era irritantemente adorável.

— Case com outra pessoa.

— Não.

— Eu jamais vou me casar com você. Encontre outra pessoa, ainda dá tempo. Já nos divertimos o suficiente, então vamos parar por aqui, levando só as lembranças sujas.

Disse algo que sabia que não surtiria efeito. E, como esperado, ele recusou de maneira firme.

— Não pode ser assim.

Uma fissura apareceu no rosto sorridente. Dava para ver claramente a pálpebra inferior dele tremendo.

— Você pensa em ficar com outro enquanto está comigo? Eu só penso em você quando estamos juntos, mas você, mesmo estando comigo, pensa em outros? Isso me magoa.

Os braços que cercavam sua cintura apertaram como um laço. Hayul sentiu o corpo ser esmagado entre os antebraços dele e se arrependeu. Não devia ter provocado desse jeito, pelo menos não nessa situação. Precisava, primeiro, se soltar.

— Me solta.

Tentou empurrar os antebraços dele e erguer o quadril, mas não era alguém que soltasse fácil. Ele derrubou Hayul de lado num piscar de olhos, ainda abraçando sua cintura, deitando-o. O corpo, que tinha acabado de se erguer, voltou a cair na cama. O homem enorme era tão rápido que, num instante, já estava por cima de Hayul.

O corpo nu de Pavel, escondido pelo cobertor, foi totalmente revelado diante dos olhos dele. Era um corpo todo coberto de músculos. Estar debaixo dele dava a sensação de ser esmagado pela pata de uma fera gigantesca. O pênis do homem, que nunca parava até fazer a pessoa desmaiar, já estava completamente ereto e encurvado de forma ameaçadora.

— Hoje eu acho que só gozei duas vezes dentro de você.

— Me solta. Eu estou com fome!

— Vou encher sua barriga de porra até estourar.

Uau… Ele ficou sem palavras. Falar uma coisa dessas naquele tom aristocrático… aquelas obscenidades, pronunciadas com uma dicção tão clara, fizeram o rosto de Hayul ficar vermelho.

— Pelo jeito você não sabe, mas agora não pode mais dormir com outro cara.

— O que está dizendo?

Ele agarrou o queixo de Hayul, forçando-o a olhar diretamente para si.

— Se eu perceber que você está interessado em outro cara, eu vou cortar os membros dele ainda vivo e jogar para os crocodilos. Então, olhe só para mim. Quando estiver comigo, não pense em mais ninguém. Não pense em outro homem. Nem pense em ficar com mais ninguém.

Só de ouvir aquilo, já dava arrepios. Mais assustador ainda era saber que o homem à sua frente realmente era capaz de fazer isso.

— Você é louco.

Era a única coisa que ele podia dizer. Um maluco doido varrido. Um sujeito que perdeu completamente a cabeça. Os lábios do homem se distorceram em um sorriso.

— Eu nunca vou amar ninguém além do hyung na vida inteira.

Soou como se ele estivesse dizendo que Hayul também tinha que amá-lo até a morte. Pavel cobriu os lábios de Hayul, que o encarava sem ter o que dizer, com um beijo e sobrepôs seu corpo. “Whoosh.” Um vento cortante entrou pelas frestas da janela, com um assobio agudo. Mas Hayul já não sentia frio. Porque ele estava sendo abraçado por aquele corpo grande e fervilhante.

Por ter provocado o homem à toa, acabou levando mais uma investida antes de finalmente poder ir comer. Estava tão exausto que só queria deitar e dormir, mas precisava comer. Porque só assim ele aguentaria. Se adoecesse naquela terra estranha, seria um grande problema.

O salão de refeições do castelo Kirov era realmente impressionante. Hayul já achava que a sala de jantar da mansão do Duque de Headington era desnecessariamente grande, mas aquela era mais do que o dobro. Apenas Oleg Kirov e Dmitri estavam sentados à mesa enorme, que era grande o suficiente para receber uma festa com dezenas de pessoas ao mesmo tempo.

Ainda assim, só os dois já infundiam uma presença avassaladora. Afinal, ambos eram Alfas Reais. Como para provar que eles eram Alfas Reais, os empregados estavam agrupados num canto do salão, esperando, de prontidão. Por mais que tivessem tomado neutralizantes com antecedência, seria difícil suportar o feromônio de dois Alfas Reais.

Enquanto bebia vinho e conversava com seu irmão mais novo, Oleg avistou Hayul entrando com Pavel e o cumprimentou com entusiasmo.

— Ah, Pequeno!

A cabeça de Hayul latejou. “Pequeno”, sério? Achava que já tinha ouvido todo tipo de coisa horrível naquela casa: “Senhoria”, “nora”, e agora “pequeno”… todas eram horríveis.

— Você deve estar com muita fome, não é? Venha logo, sente-se aqui.

Oleg se levantou de imediato e puxou a cadeira ao seu lado. Aquela gentileza excessiva só o deixava mais desconfortável. Não tinha como recusar, dizendo que não queria sentar ao lado dele, quando ele claramente estava esperando de pé pela sua chegada. A contragosto, Hayul foi até a cadeira e se sentou, e só então Oleg pareceu satisfeito, voltando ao seu lugar.

— Ah, agora que reparei, temos três Alfas Reais em um só lugar, será que vai aguentar os feromônios? Estou controlando ao máximo, mas mesmo assim…

Não era algo para dizer depois de já ter colocado Hayul ao seu lado. Mas Hayul não se importou. Diferente dos empregados, que, mesmo mantendo distância, pareciam ter dificuldade para respirar e tossiam de vez em quando, Hayul só sentia o feromônio de Pavel.

— Acho que não reajo aos feromônios de vocês dois.

— É mesmo? Você não é um ômega? Um ômega não teria como não ser afetado pelos nossos feromônios. Eu fiquei surpreso antes, porque você não parecia incomodado.

Hayul não sabia dizer o motivo. Talvez fosse porque até pouco tempo atrás tinha sido um Sub-Beta e só recentemente havia se transformado em ômega. Mas, se fosse isso, também não deveria sentir os feromônios de Pavel – e não era o caso.

Era algo inexplicável. Mesmo sendo seu próprio corpo, havia muito que não compreendia.

— O hyung é um caso especial. Depois explico melhor.

— Entendo. Tanto faz, no fim. Para mim, até é melhor assim. Meu pequeno, aceita uma taça de vinho? Você não bebe?

— Bebo, sim. Eu gosto.

— É um vinho especial que trouxe da adega só para você. Deve estar perfeitamente envelhecido.

Oleg sorriu e ele mesmo serviu o vinho na taça de Hayul. O sorriso dele até lembrava um pouco o de Pavel.

— Acho que meu irmão gostou bastante da noiva que você trouxe.

Dmitri, sentado à frente de Oleg, murmurou para Pavel, que estava ao lado.

— Não é para menos. Ele é uma pessoa extraordinária.

Pavel sorriu com satisfação, olhando Hayul levar a taça de vinho aos lábios. ‘Maldito.’ Depois de espremer a pessoa com tanta crueldade, lá estava ele sorrindo como um anjo. Ainda parecia que a coisa dele estava enfiada dentro da sua bunda.

Seu pescoço e todo o resto não havia uma parte que não estivesse marcada, então ele teve que cobrir tudo com roupas, exceto as mãos. Hayul olhou furiosamente para ele e bebeu o vinho de uma vez. Pavel apenas sorria, bebendo o chá servido antes da refeição.

— Está tão feliz assim?

Oleg Kirov perguntou ao ver o neto sorrindo sem parar.

— Sim. Afinal, é a pessoa que eu amo há sete anos.

— Oh, é mesmo?

— Lembra que eu já havia comentado? Quando morava com o meu pai, havia uma pessoa que foi meu primeiro Servo Real.

— Ah, sim. Agora me recordo. Para ser sincero, sempre achei estranho você precisar de um servo, já que não tinha necessidade disso. Então havia outro motivo, não?

— Sete anos atrás, vi o hyung pela primeira vez em uma competição de canoagem e me apaixonei à primeira vista. Na época, eu era tão imaturo que nem percebi que aquilo era amor. Mas, no instante em que o vi, não consegui olhar para mais ninguém e só pensei em tê-lo ao meu lado.

— Hahaha. Comigo foi igual quando vi minha primeira esposa, Masha, pela primeira vez. Isso é o que chamamos de amor.

— Sim. Era amor. Naquele tempo, eu nem sabia direito o que eram meus sentimentos e só sabia agir sem pensar.

Era um absurdo. Ele falava como se agora fosse diferente. Mas continuar se impondo feito um trator, empurrando e dominando, era igual, tanto no passado quanto no presente.

Era uma situação tão sufocante que deu vontade de se levantar da mesa na hora, mas Hayul aguentou firme e tornou a encher a taça de vinho. Bebeu alguns goles em silêncio, e logo o prato principal foi servido: um suculento bife foi colocado diante dele. Ao ver a comida, a fome o atingiu e ele imediatamente pegou o garfo e a faca, cortou um pedaço de carne e enfiou na boca.

Oleg e Pavel, em vez de comer, estavam ocupados conversando.

— Então… quando seria bom para o casamento?

— Quero que seja o quanto antes. Se pudesse ser amanhã, eu faria.

— Hahaha. Você está bem apressado, hein?

— Sim, estou. Quero virar oficialmente marido do hyung o mais rápido possível.

Dimitri, que ouvia a conversa, resolveu intervir:

— Nesse caso, por que não fazem logo uma cerimônia de noivado simples primeiro e marcam o casamento?

Com essas palavras, Oleg Kirov bateu palmas de aprovação. Hayul, que mastigava carne com pressa, ergueu a cabeça de repente.

— Não quero.

Os três pares de olhos se voltaram para Hayul ao mesmo tempo. Três Alfas reais, parecidos no semblante, agora o fitavam intensamente. Mesmo sob o olhar deles, Hayul não se intimidou nem um pouco.

— Eu não vou me casar. Nem noivar.

Ele olhou, um por um, para Dimitri e Pavel à sua frente, e para Oleg sentado ao seu lado, e falou com clareza, colocando força na pronúncia.

— Senhor Kirov, isso tudo é apenas uma imposição do seu neto, e eu não tenho a menor intenção de ceder. Eu nunca quis nada disso. Esse tipo de coisa…

Enquanto falava, ele levantou a mão com o anel de noivado. Tentou tirar, e, surpreendentemente, o anel deslizou do dedo com facilidade – quando antes parecia colado com cola. Por pouco não o atirou na cara de Pavel, mas se conteve e apenas o colocou calmamente sobre a mesa. Então virou-se para Oleg novamente e continuou:

— Pode parecer estranho depois de eu ter vindo até aqui, mas esse anel foi colocado à força pelo Pavel. Eu fui sequestrado, não vim porque quis.

Os olhos azul-escuros de Oleg brilharam e suas sobrancelhas arquearam para cima.

— E o senhor sabia? Eu sou um Sub-Beta.

Pavel imediatamente se intrometeu:

— Mas agora você se transformou em Ômega.

Hayul rebateu sem hesitar:

— Mas ninguém garante que eu não volte a ser um Sub Beta como antes.

— O hyung jamais voltará para a sua constituição anterior.

Oleg Kirov ergueu a mão em silêncio, mandando Pavel calar a boca.

— É mesmo? Sub-Beta, você disse?

— Sim.

— Quer dizer que a nora dos Kirov seria um sub Beta?

— Já disse que não vou me casar com seu neto.

— Um Sub Beta que entrou nos Navy SEALs, virou mercenário e depois se destacou como assassino na máfia?

Hayul rangeu os dentes. Era como falar com Pavel: ignorava as palavras dos outros e só dizia o que queria. O ambiente caiu num silêncio pesado. Os empregados que serviam a comida ficaram imóveis, sem nem respirar, captando o clima estranho. Ele não conseguia sentir o feromônio de Oleg, mas podia perceber o ar ao redor ficando pesado.

Então, de repente, Oleg explodiu em gargalhadas. Jogou a cabeça para trás e riu alto, fazendo o ar pesado vibrar.

— Pavel, você tinha razão. Ele é realmente incrível! Onde você foi encontrar um garoto tão extraordinário?

O rosto de Hayul se contorceu. Então não era problema algum para Oleg que a noiva do neto fosse um Sub Beta? Pavel, como se já esperasse exatamente essa reação, sorriu tranquilo e finalmente começou a cortar o próprio bife.

— Já disse que não vou me casar com seu neto. E, se o senhor não sabe, sete anos atrás eu tentei matá-lo e fugi.

— Foi uma tentativa. De qualquer forma, estou vivo, não estou?

Pavel murmurou enquanto cortava elegantemente um pedaço de carne com a faca. Não negou nada do que aconteceu sete anos atrás.

— Mas da próxima vez não vou falhar. Eu vou matar mesmo o seu neto.

— Ah, eu adoraria morrer pelas mãos do meu hyung.

— Cala a boca!

Hayul não aguentou e bateu na mesa com força, levantando-se de supetão.

— Eu não vou aceitar essa merda de casamento, e de forma alguma vou me tornar parte da sua família imunda. Que porra é essa de forçar alguém que disse que não quer, sentar à mesa e fingir que tudo está bem?

Os empregados que aguardavam ali e até Dimitri, que jantava, ficaram olhando fixamente para Hayul. O silêncio caiu sobre o salão. Dimitri soltou um riso contido e falou.

— Impressionante. Um mero inseto Sub Beta se atrevendo a se revoltar diante de três Alfas Reais. Pelo menos é corajoso.

— O hyung agora é um Ômega. E peço que se abstenha de comentários que insultem minha noiva, tio.

Pavel, ao lado, não deixou passar em branco.

— Patético. Se apaixonar por alguém assim.

Dimitri sorriu com desdém e levou o copo de vinho à boca. Por mais que gritasse e tentasse se debater, os três Kirov pareciam simplesmente ignorá-lo.

— Sente-se, pequeno.

Oleg falou calmamente com Hayul. Ao ouvir “pequeno”, as veias do seu pescoço incharam novamente.

— Pare de me chamar por esse título maldito!

— Sente-se. Não me faça repetir três vezes.

Oleg ergueu o rosto, olhou para Hayul e falou suavemente. O tom de voz e a expressão eram doces, mas seus olhos azuis brilhavam intensamente. Ele tinha o poder de dominar as pessoas apenas com o olhar. Tendo vivido entre homens de mundo rude, Hayul sabia que não valia a pena provocar esse tipo de homem.

Enquanto ele apenas olhava fixamente, Oleg sorriu e indicou a cadeira de Hayul com os olhos. Era claro que, se a palavra “Senta-se” saísse de sua boca mais uma vez, não seria apenas apenas um aviso, mas viria acompanhada de ação.

Sob qualquer aspecto, a situação era desfavorável para Hayul. Três Alfas Reais: o infame Oleg Kirov; Pavel Kirov, cujo feromônio já o dominara; e Dmitri, que também não era alguém com quem se devesse brincar.

Eles viam a reação de Hayul como a gracinha de um animal de estimação. Se Dimitri, que claramente não aprovava Hayul, ele não teria chance. Não era tolo a ponto de não entender isso.

Ele tinha que reconhecer seus próprios limites, saber ceder quando necessário, e esperar sua chance, contendo a respiração. Relutantemente, Hayul sentou-se educadamente na cadeira novamente. Oleg sorriu, envolveu o ombro dele e deu leves tapinhas. Então, com uma mão, encheu a taça de Hayul com vinho.

— Gosto do seu espírito. Seus olhos estão cheios de vida. Sabe, eu detesto os fracos, gosto de pessoas fortes e determinadas. Pessoas que não se dobram, como bambu. Estou muito feliz que alguém como você vá se tornar minha nora.

Oleg continuou falando sem parar, sem recuar a mão que derramava o vinho. O vinho vermelho como sangue transbordou, molhou a toalha de mesa branca e, depois de encharcar as mãos e as coxas de Hayul, pingou no chão. Hayul olhou em silêncio para Oleg, que amigavelmente envolvia seu ombro. Os olhos azuis do homem fitando Hayul se assemelhavam aos de Pavel, mas eram mais frios e assustadores.

— Uma nora que tentou matar meu neto uma vez, sete anos atrás, e agora está preparando uma faca para tentar matá-lo de novo. Vocês elevam suas brigas amorosas a outro nível.

Oleg disse isso e sorriu maliciosamente.

‘Briga amorosa?’

Hayul franziu o rosto.

— Matar ou deixar viver, isso é problema de vocês dois. É uma questão que vocês devem resolver entre si. Se, no meio das brigas, Pavel o morrer pelas suas mãos, então meu neto não passava de um inútil. Mas, querido, se realmente quisesse matar o Pavel, já deveria tê-lo feito, não?

— Do que o senhor está falando?

— Você teve inúmeras oportunidades. Afinal, você é um assassino.

— ……

— Existem apenas duas razões para um assassino falhar em sua missão: ou perdeu a concentração no momento certo, ou não tinha intenção de matar o alvo.

Várias desculpas pairaram na mente de Hayul, mas ele não conseguiu proferir uma única palavra. Seu peito doeu, como se tivesse sido pego de surpresa no ponto mais sensível. Oleg sorriu satisfeito, como se tivesse lido os pensamentos mais profundos de Hayul.

— Às vezes, emoções pessoais em relação ao alvo se acumulam e abalam a determinação. A mira já não enxerga apenas um objetivo a ser eliminado, mas alguém vivo, alguém que passa a ter significado. Aí, mesmo esse simples movimento de dedo para puxar o gatilho… você se torna incapaz de fazê-lo. Eu já passei por isso. Depois de falhar nessa missão, larguei a vida de atirador de elite.

Hayul não queria entender, mas entendeu perfeitamente. Compreendia tão bem o que ele dizia que odiou admitir. O alvo que deixou de ser apenas um inimigo e passou a ser alguém com quem já compartilhou coisas demais, alguém que não podia simplesmente eliminar…

Hayul continuou encarando Oleg em silêncio. Parecia que, no momento em que abrisse a boca, o velho tigre leria todas as suas intenções secretas. Finalmente, Oleg tirou a mão do ombro dele, pegou o anel de diamante que Hayul havia removido e o levantou.

Virando a joia entre os dedos, ele se dirigiu a Pavel:

— Não é muito simples para uma aliança de casamento?

— O senhor acha?

— Parece que nosso garoto não gostou do anel. Então compre outro para ele.

— Sim, farei isso.

Oleg Kirov deixou o anel cair “ploft” dentro da taça de vinho de Hayul. A aliança de diamante de valor incalculável, que Hayul não conseguiria comprar nem trabalhando a vida toda, afundou com um “glub glub” no vinho.

— Lock. Traga um vinho novo. Estou de bom humor hoje e quero beber. Vamos, todos, continuar a refeição.

Com as palavras de Oleg, o constrangedor jantar recomeçou.

***

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Continua…

 

Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online

(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
 
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog

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