Ler Cão Real. – Capítulo 39 Online
Parecia que o corpo de Pavel Kirov era realmente feito de aço.
Mesmo tendo perdido tanto sangue, no final, ele tinha apenas um pequeno corte na cabeça; não havia nenhum osso quebrado ou parte do corpo gravemente machucada. O médico que havia ido pessoalmente até a casa para tratá-lo, disse que não era caso de internação. Dessa vez não era o doutor Wilson que sempre o atendia.
— O que aconteceu com o doutor Wilson?
— Ele pediu demissão de repente e se aposentou. Disse que planeja voltar para sua cidade natal e cultivar milho.
— Ah, foi isso que aconteceu…
Pavel estalou a língua com naturalidade. Era óbvio que ele era a causa daquilo. Se Hayul fosse o Dr. Wilson, também teria fugido na hora.
— Então, doutor Thomas poderia trabalhar como médico responsável pela família?
— Não.
O médico recusou sem hesitar. Ao contrário da aparência calma, era um homem corajoso.
— Que pena. O senhor parece muito competente.
— Na verdade, é o corpo do sr Kirov que tem uma condição física excelente. Eu não fiz nada. Ah, e o senhor está ciente de que eu sou especialista em ginecologia e obstetrícia?
— É mesmo?
Pavel lançou um olhar de soslaio para os subordinados que estavam ao redor. Estava claro: eles haviam invadido o hospital e arrastado qualquer médico que encontraram.
— Então, vou indo. Por favor, não me procurem no futuro.
— Bem, já que o senhor está aqui, poderia examinar esta pessoa também?
— Como eu disse, sou ginecologista e obstetra.
— Justamente por isso estou pedindo. Ele é um ômega.
Ao ouvir isso, o médico olhou para Hayul.
— Por acaso o senhor está grávido?
Hayul soltou um longo suspiro. Já nem conseguia rir da situação.
— Não.
— Então pretende engravidar em breve?
— Não.
— Sim.
Hayul e Pavel responderam ao mesmo tempo. “Sim”? O que tinha de “sim” nisso? Ele lançou um olhar fulminante para Pavel, que apenas sorriu de canto. O médico os observava alternadamente.
— Há pouco tempo meu parceiro teve o primeiro ciclo de cio, e passamos todo o período juntos. É só por precaução.
— Mesmo que tenha havido fecundação, só é possível confirmar depois de algumas semanas. Por enquanto, ainda é cedo para saber.
— Entendo.
— Aguardem um tempo e, depois, procurem o hospital.
— Podemos procurá-lo diretamente?
— Não. Não venham até mim. Eu também vou me demitir em breve, pretendo voltar para minha terra e me tornar agricultor.
Depois que o médico saiu, um criado trouxe o chá. Naquela casa, às três da tarde em ponto, sempre havia o ritual do chá da tarde. Como era costume na família Headington. ‘Que ridículo. Isso lá é mesmo hora de aproveitar o chá?’ Com a cabeça enfaixada, o corpo coberto de curativos e exalando cheiro de antisséptico, o idiota realmente precisava tomar um chá?
Mesmo pensando assim, Hayul estava com tanta fome que devorou os bolinhos e biscoitos que vieram com o chá. Pavel também se sentou, cruzou as pernas e bebeu seu chá preto com tranquilidade.
Não sabia se havia sentido dor ou mal-estar durante a noite, mas ele não tinha entrado no quarto de Hayul, preferindo se trancar no próprio. Sua postura ao tomar chá não era diferente do normal, mas suas bochechas pareciam mais magras, como se tivesse perdido peso de um dia para o outro.
— Você está mesmo bem?
Hayul perguntou, com a boca cheia de um bolinho com manteiga e geleia.
— Não pareço estar?
— Eu nunca passei por nada parecido, então não sei, mas ouvi dizer que quem sofre uma explosão assim pode ter o tímpano perfurado e mais tarde ter problemas auditivos.
— Você está preocupado comigo?
Diante da pergunta de Pavel, Hayul calou a boca e apenas mastigou seu bolinho. Ele também tomou um bolo de chá preto, que havia esfriado.
— O hyung acha que eu entrei na casa do meu avô materno só para comer e dormir? Muitas coisas aconteceram nesse meio-tempo. Manchei as mãos com sangue, cometi crimes; vivi uma vida dura também.
Parecia verdade. Bastava ver as cicatrizes grandes e pequenas em seu corpo. Oleg Kirov não teria simplesmente levado Pavel para viver uma vida ociosa. Com a idade avançando e sem um neto para herdar o negócio da família, ele deve ter ficado extremamente ansioso. Como sempre acontece com aqueles na posição de Oleg, ele devia estar cercado de inimigos por todos os lados. O presidente que o apoiava também estava envelhecido; assassinos poderiam aparecer a qualquer momento.
Para solidificar sua própria posição, Oleg precisava de sangue jovem que o apoiasse, em quem pudesse confiar e delegar tudo. Um Alfa Real jovem e capaz como Pavel. E Pavel não era um estranho: era neto de sangue. Ele pode ter detestado a filha que o traiu e ter rejeitado impiedosamente o neto quando criança, mas ele nunca imaginou que chegaria a essa idade sem um único filho para dar continuidade à linhagem. Agora, ele provavelmente estava arrependido. E quando soube que Pavel havia cometido um assassinato, sido deserdado pelo Duque de Headington e preso em um hospício. Deve ter pensado que era a oportunidade perfeita.
— Por alguns anos, eu causei bastante problemas por aí. Graças a isso, minha posição ficou muito sólida. Todos me chamam de ‘o cachorro louco dos Kirov’.
— Você é um cachorro louco em qualquer lugar.
Hayul soltou uma risada sarcástica. Aquele apelido combinava perfeitamente com ele. Pavel também sorriu enquanto bebia seu chá preto.
— Se casar comigo, você não vai se arrepender. Sete anos atrás eu era um filhinho de papai sem graça, mas agora eu mudei.
— …Ei.
Mas não houve resposta. Ele só reagia se chamassem pelo nome. Suprimindo a irritação que crescia, Hayul resmungou o nome completo do sujeito.
— Pavel Kirov.
Então Pavel ergueu os olhos e o encarou.
— Já que tocou no assunto, vamos deixar isso claro de uma vez por todas. Ouça bem.
— Fale.
— Casamento? Quem vai casar? Eu não vou. Vá se foder.
— Você vai casar.
— Eu disse que não! Casamento não é algo que se faz sozinho!
— Vamos fazer a cerimônia mais grandiosa da Rússia.
Pavel falou com naturalidade, mudando de assunto. Hayul teve vontade de arremessar a xícara de chá, mas conteve-se.
— Não tente manipular as pessoas como bem entende. Seu filho dá puta, é por isso que não dá. Maldito Alfa Real maluco! Prefiro me juntar a qualquer outro imbecil do que fazer isso com você. É horrível, seu bastardo!
De repente, sentiu o ar ao redor ondular. A concentração do sutil aroma cítrico que pairava no ar ficou mais densa. Pavel tinha aumentado a intensidade de seus feromônios.
— Controle essa merda de feromônio!
A respiração de Hayul ficou ofegante e a voz tremia de modo patético. Até os capangas de Pavel, ao redor, franziram o cenho, incomodados. Pavel colocou calmamente sua xícara de chá na mesa e murmurou, como se reagisse à própria ideia:
— Que absurdo… pensar em se juntar com outro. Que absurdo. Quando você se tornou uma cadela no cio assim?
‘Droga. Tentar ter uma conversa séria com esse homem fora uma tolice.’
No final, ele desistiu de conversar, levantou-se de repente e caminhou com passos largos em direção à porta, batendo no peito de irritação. Mas não deixariam que ele saísse. Um dos capangas de Pavel bloqueou a saída.
— Sai da frente. Antes que eu te mate.
Mas o homem não piscou nem uma vez. Em seguida, um som de passos de sapato ecoou atrás dele e alguém acariciou a nuca de Hayul.
— Está se debatendo porque quer sair?
Esse desgraçado… Ele não aguentava mais. Hayul se virou bruscamente, agarrou a gola da camisa de Pavel, que estava atrás dele, e desferiu um soco. Mas o homem desviou com facilidade e, em seguida, puxou o braço de Hayul com tanta força que, num instante, o prendeu contra o peito.
— Ah! Me larga! Não vai soltar? Não me trate como um cachorro! Aaaah!
Impulsionado pela raiva, Hayul se debateu com toda a força, desferiu socos descontroladamente no corpo do homem e até chutou. Mas não adiantava: por mais que lutasse, não conseguia escapar daquele abraço de ferro. Para Pavel, a cena parecia mais uma birra infantil do que resistência. Ele apenas o segurou firme e deu tapinhas de consolo em suas costas.
— O meu hyung não é fofo?
Pavel perguntou ao seu subordinado, que ainda estava parado diante da porta. O homem sorriu sem jeito, constrangido. Hayul ficou ainda mais irritado e com tanta raiva que sentia que ia enlouquecer.
— Ei! Me larga! Me solta, porra! Eu vou te matar! Eu juro que mato! Onde pensa que está enfiando a mão?!
A mão do homem, que dava palmadinhas em suas costas, deslizou sorrateiramente para baixo e agarrou sua bunda com força. Ele apertou a carne logo abaixo da nádega e a levantou, fazendo com que Hayul ficasse suspenso. Seus calcanhares saíram do chão. Debater-se naquela posição fez com que seus pés, suspensos no ar, ficassem balançando, criando uma cena ridícula.
— Isso… assim, isso mesmo.
— Para com essa merda!
Sem desistir, ele continuou socando o corpo do homem implacavelmente, mas parecia não estar doendo. O outro apenas o sustentava no ar e o balançava, como quem acalma uma criança birrenta. Envolto pelos fortes feromônios de Pavel, sua respiração já estava presa, e ser girado daquela maneira fez seu estômago revirar. Ele sofria, mas Pavel ria. Aquele maldito pervertido incompreensível estava começando a ser aterrorizante.
— Que fofo… de verdade. Por que você é tão fofo assim?
— Para! Não ria. Me coloca no chão, agora!
— Me sinto tão feliz quando estou com o hyung que acho que vou enlouquecer.
Que tipo de sofrimento ele havia passado na Rússia para dizer que ficava tão feliz com aquilo que achava que ia enlouquecer?
A energia de Hayul não durou. Logo os movimentos perderam força, e ele ficou pendendo, exausto.
Por um tempo, o homem, que havia andado pelo quarto com ele no colo, como um louco, o deitou na cama. Seu corpo, intoxicado pelos feromônios, havia gasto energia à toa, então Hayul ficou deitado, apenas ofegante. Pavel apoiou as mãos e os joelhos no colchão, inclinando-se sobre ele.
— Hoje de manhã, você tomou o inibidor?
Hayul não respondeu, apenas o encarou com raiva. Pavel agarrou-lhe o rosto e o sacudiu de leve.
— Responda.
— Tomei, porra.
Não porque ele mandou, mas porque precisava sobreviver. O remédio ao menos ajudava a suportar.
— Bom garoto.
Dizendo isso, Pavel apertou sua bochecha e deu um beijinho rápido em seus lábios, que estavam protuberantes. Como se estivesse elogiando-o por ser bom. Ontem mesmo, aquele sujeito havia adormecido rígido, encostado em seu ombro, e agora estava descaradamente montado em cima dele, fazendo aquilo.
Sorrindo radiante como um anjo, olhando-o como se fosse a coisa mais preciosa, Pavel de repente levou a mão entre as pernas de Hayul. Assustado, ele se debateu, mas o homem simplesmente colocou todo o seu peso sobre o corpo dele, imobilizando-o.
— Já está todo molhadinho.
A mão, que antes pressionava de leve, tornou-se mais ousada, acariciando o volume rijo por cima da roupa. Seus dedos contornaram e massagearam a forma erecta através do tecido. A cada toque, ele se contorcia e ficava mais encharcado. Já estava naturalmente molhado pelos feromônios do homem, mas sendo tocado diretamente assim, não tinha como não reagir ainda mais.
— Hah… pa-para… ahh…
De novo, o mesmo padrão de antes. Bastava abrir a boca, e sons embaraçosos escapavam junto com o ar.
— O hyung anda por aí exalando esse cheiro úmido e cheio de luxúria o tempo todo, está tentando enfeitiçar alguém? Não está satisfeito só comigo? Quanto mais eu tenho que te foder para esse seu buraco lascivo ficar satisfeito?
— Sai de cima… hã…
A reação fraca e trêmula de Hayul parecia divertir o homem. Ele riu em voz baixa, encostou os lábios no pescoço de Hayul e chupou e mordeu com insistência. A sensação era dolorida, mas ao mesmo tempo eletrizante, fazendo com que gemidos escapassem constantemente, forçando-o a morder os próprios lábios para contê-los.
Não era a primeira vez que ele fazia aquilo na frente de outras pessoas, mas Hayul era, antes de tudo, um indivíduo perfeitamente normal. A presença dos subordinados de Pavel, parados no quarto, o deixava louco. Talvez por causa do inibidor que tomou mais cedo a sensação de asfixia não era tão sufocante, mas não podia evitar o calor que consumia seu corpo.
Sentiu-se um idiota por ter sentido um pingo de compaixão por Pavel, mesmo que por um momento. Quem deveria se compadecer de quem? A pessoa mais digna de pena era ele mesmo.
Além do som de sua respiração ofegante, ouviu-se o toque de um telefone. Um dos homens atendeu e, em seguida, aproximou-se.
— Chefe.
Ao ser chamado, Pavel, que estava pressionando o corpo de Hayul, levantou-se e pegou o telefone.
— O quê?
— É o senhor Oleg.
Pavel franziu o cenho, pegou o celular e sorriu, olhando para Hayul como quem se derrete. Era a chance de Ha-yul se levantar rapidamente, mas seu corpo não respondia. Ele teve que ficar deitado, ofegante, sentindo-se patético.
— Entendi. Vou imediatamente. Devo chegar no máximo até amanhã. Ah, e vovô. Eu vou com minha noiva.
— Noiva? Você disse “noiva”?
Do outro lado da linha, Oleg Kirov exclamou com voz estrondosa. Pavel sorriu satisfeito e respondeu:
— Sim. Vamos nos casar assim que eu voltar.
— Finalmente uma notícia boa! De que família é a moça? É uma Ômega Real?
— O senhor vai descobrir ver quando conhecer. É uma pessoa adorável. Tenho certeza de que o senhor vai gostar.
— Está bem. Já que é sua escolhida, deve ser incrível. Estarei esperando!
A ligação terminou ao som da gargalhada animada de Oleg.
— Que merda você está falando?
Hayul resmungou, ainda deitado, com o rosto contorcido. Pavel sorriu e explicou:
— Exatamente o que você ouviu. Apareceu um problema, tenho que ir para a Rússia imediatamente. Lá, vou apresentar o hyung ao meu avô.
— Quem disse que eu vou com você?!
Hayul levantou-se com raiva, mas Pavel o abraçou de novo.
— Se você quer ir, vá sozinho. Por que eu iria para lá?
— Tá, tá.
Pavel acalmou-o, dando tapinhas nas costas de Hayul, o que o irritou ainda mais.
— Hey! Pavel Kirov! Eu já disse para não fazer isso. Me solte, seu filho da puta!
— Hum. Tá, tá, entendi.
— Não faça isso! Me largue! Solta!
Mas Pavel apertou mais, segurando-o e liberando os feromônios ao máximo. Sentiu através do contato um fluxo como uma descarga elétrica; de repente, a força de Hayul se esvaiu. A respiração acelerou, o peito disparou. Por mais que tivesse tomado o inibidor, era impossível resistir a uma liberação deliberada tão intensa.
Seu corpo, que antes se debatia, ficou mole e pesado nos braços de Pavel, e sua visão começou a girar.
— Covarde… porra desses feromônios…
Sua língua enrolou, como se estivesse bêbado, e a pronúncia saiu embolada. Era ainda mais irritante ser subjugado por aquele feromônio letal enquanto, ao mesmo tempo, era acariciado com tanta “doçura”.
— Durma um pouco.
Com um sussurro gentil, Hayul perdeu a consciência.
‘Maldito filho da puta. Assim que eu acordar… Vou te matar.’
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Continua..
Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online
(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog