Ler Cão Real. – Capítulo 28 Online

Modo Claro

Quando Hayul recobrou a consciência por um instante, algumas pessoas já estavam ao seu lado.

Elas se moviam rapidamente, como se estivessem cuidando de um paciente na UTI, medindo sua temperatura, verificando seus níveis de feromônio e aplicando injeções. Pareciam ser a equipe médica chamada por Pavel.

Era esse o significado da promessa de não deixá-lo morrer?

‘Que ridículo. Eu devo estar com uma aparência horrível.’

Mas não havia espaço para sentir vergonha. O que restava a ele era apenas ficar deitado como se estivesse morto, ofegando em busca de ar. A enfermeira pediu que levantasse a mão, mas, sem forças, foi ela quem ergueu seu braço para medir a pressão. Pelo menos estava de pijama, o que já era um alívio, o problema era que o pijama tinha estampa de ursinhos. Que mentalidade alguém teve para vesti-lo com uma coisa dessas? Teve que se segurar para não soltar um palavrão.

— Como ele está?

A voz de Pavel atravessou o ar.

— Pelos níveis de feromônio, o senhor Jin ainda está no ciclo de cio.

O homem de meia-idade que examinava Hayul respondeu

— Quando o ciclo de cio do hyung deve terminar?

— Não sabemos. Como é o primeiro ciclo, pode durar alguns dias. Mas, para confirmar se esse fenômeno é apenas uma mutação temporária ou não, será necessário realizar um exame detalhado no sistema de compatibilidade. A duração do ciclo de cio do senhor Jin depende do senhor Kirov. O senhor precisa ‘resolvê-lo’ adequadamente. Claro, deve fazer isso dosando bem a intensidade.

— O que quer dizer com isso?

— Se continuar forçando desse jeito, pode haver um choque de feromônio intenso e isso será perigoso.

A resposta de Pavel para isso foi impressionante.

— Mesmo que ocorra um choque, vocês vão arriscar suas vidas para salvar o hyung, não vão?

O médico engoliu em seco, sem saber o que responder.

— Não são os melhores doutores deste país?

— Bem, é que…

Ouviram-se passos, e logo Pavel se aproximou da cama, olhando para baixo, na direção de Hayul. Devia ter acabado de sair do banho, pois o perfume do sabonete líquido misturado ao seu feromônio exalava forte. O feromônio intenso que Pavel liberava sem qualquer filtro fez com que a equipe médica ao redor tapasse a boca ou franzisse a testa.

— Eu prometi que não deixaria o hyung morrer.

Ele estendeu a mão e acariciou a testa de Hayul, que o encarou com raiva diante de tamanha desfaçatez.

— Façam tudo que estiver ao seu alcance. Eu não pretendo perder o período do primeiro ciclo de cio do hyung.

Era o mesmo que dizer: “Pouco me importa essa história de dosar a intensidade, eu vou continuar com esse sexo violento.” Aquilo era mais eficaz do que qualquer ameaça recheada de palavrões, porque o feromônio que Pavel exalava por todo o corpo se transformava, por si só, na ameaça real.

— Da outra vez, vocês também erraram na dosagem do remédio e  fizeram com que o hyung fugisse assim que acordou, não foi? Então, se concentrem e façam o trabalho direito. Se cometerem o mesmo erro de novo, a perda da licença médica não será a única consequência.

— Seu desgraçado.

Hayul murmurou, deitado, incapaz de se conter. O médico, assustado, olhou para Pavel, mas ele apenas riu de leve.

— Pelo jeito, já está melhor, até consegue falar besteira.

— É uma nova medicação. Os resultados estão sendo excelentes. Fico feliz que seja tão eficaz assim. Hahaha. — O médico riu de forma constrangida e rapidamente calou a boca.

— Então, conto com você, doutor Wilson.

O médico e a equipe se despediram e saíram quase correndo, deixando o ambiente mergulhado novamente no silêncio.

— Quando o ciclo de cio do hyung terminar, vou levá-lo ao sistema de compatibilidade para exames mais precisos.

— Seu canalha. Você ameaçou os médicos para trazê-los até aqui, não foi?

— Ameaça? Nada disso. Meus homens foram até lá e trouxeram o doutor com todo o respeito.

‘Respeito, claro.’

Só de imaginar aqueles brutamontes russos, mal sabendo falar inglês, chegando em bando para buscar o médico, isso já era por si só intimidação.

— Como está se sentindo?

‘Mais inteiro do que esperava.’

Tinha imaginado que estaria quebrado, destruído ou até derretido por dentro, mas não estava cuspindo sangue nem nada parecido. Embora estivesse dolorido e latejante por dentro depois de recebê-lo, parecia que nada estava seriamente danificado. Achava realmente que ia morrer, mas, de forma inacreditável, ainda estava relativamente bem.

Graças ao efeito do novo medicamento que o médico mencionou, o calor interno que mais o atormentava havia diminuído consideravelmente. Antes dele desmaiar e perder a consciência, seu corpo estava inteiro encharcado de fluidos corporais – quem teria limpado tudo aquilo? E o sêmen do sujeito que também havia jorrado dentro dele… Ele não tinha como saber se a equipe médica havia lavado seu corpo, que estava um verdadeiro caos.

— Foi você quem me lavou?

Ele perguntou ao sujeito.

— Sim. Eu mesmo te lavei e também vesti o pijama.

— Que ideia foi essa de me vestir com uma coisa dessas?

— Por quê? É fofo.

O cretino riu de canto. ‘Maldito. Desgraçado doente.’ Mas, por causa do efeito do remédio, a mente de Hayul estava turva, sem força nem mesmo para xingar.

— Levará cerca de uma hora para o soro acabar, então durma durante esse tempo. Você precisa reservar energia.

Enquanto dizia isso, Pavel brincava com o tubo da infusão espetado no braço de Hayul ajustando a válvula. Para Hayul, aquilo soava como uma declaração de guerra: que assim que o soro acabasse, ele iria atacá-lo novamente. Um calafrio percorreu sua espinha.

— Está pensando em fazer aquilo de novo?

Pavel olhou para ele com seus olhos azuis e sorriu. Sua expressão era de quem pensava o porquê dele perguntar algo tão óbvio.

— Não ouviu o médico? O ciclo de cio do hyung ainda não acabou.

— Filho da puta obsessivo.

— Por que fala assim? Nós aproveitamos juntos, não foi?

Pavel de repente se inclinou e deu um beijo leve “mwah” nos lábios de Hayul. Quando Hayul, irritado, esfregou a boca para apagar o toque, o sujeito agarrou as suas bochechas com força. Hayul arregalou os olhos e o encarou com fúria.

— Esse rosto, esses olhos. Eu estava enlouquecendo de tanta saudade.

Suas grandes pupilas azuis brilhavam lindamente.

— Eu nunca esqueci, nem por um segundo, esse rosto adorável. Essa boca sem classe, vulgar. Esses olhos que sempre me olhavam com afronta. Esse cabelo preto. Essa pele com o tom dourado da cevada. Sua voz. O cheiro do hyung.

A pronúncia precisa do inglês britânico martelava forte em seus ouvidos, palavra por palavra, ao mesmo tempo em que o feromônio dele agitava-se de maneira violenta. O calor em sua barriga, que havia finalmente se acalmado, começou a ferver e borbulhar novamente.

Quando Hayul se arrepiou e se encolheu, Pavel pressionou a parte côncava de sua bochecha com a mão, mantendo-a firme no lugar. Impedindo-o de virar a cabeça para que não pudesse desviar seu olhar.

— Eu senti falta de tudo. Enquanto estava preso naquele hospital, só pensava no hyung. Sabe, Hyung… durante sete anos eu só pensei em você, de novo e de novo. E você? Nunca pensou em mim?

— Nunca.

Era mentira. De vez em quando, não, na verdade, muitas vezes, Hayul pensava em Pavel. Ao olhar para o céu azul na área de implantação, ele se lembrava das pupilas azul-claro de Pavel; quando ouvia a voz grave de algum superior, comparava involuntariamente com a voz do alfa, pensando que a dele era mais bonita.

Em dias de chuva, enquanto sofria com as terríveis dores de cabeça e dores que invariavelmente apareciam, ele pensava em Pavel. Isso era um castigo. O castigo por ter matado aquele homem. Ele estava vivo, sendo atormentado pelo crime, mas Pavel… Pavel devia estar sendo queimado no fogo do inferno, sem que sequer restasse sua alma. Não havia a menor chance de uma pessoa como ele ter ido para o céu, ele tinha que estar no inferno. Era o lugar que lhe cabia. Essas eram as ideias que voltavam sempre.

Sofrendo com dores que não cediam facilmente, passava noites inteiras se perguntando como teria sido sua vida se nunca tivesse conhecido Pavel Headington, se não tivesse se envolvido com aquele sujeito?

— Nunca pensei, nem uma única vez. Eu te esqueci por completo. Por que eu deveria viver pensando em você?

Encarando os olhos azuis à sua frente, Hayul moveu os lábios mais uma vez.

Quando deixou o corpo de Pavel largado no patamar da escada e fugiu da mansão Belmark, aquilo tinha sido realmente libertador. O sabor da liberdade era doce demais, mas, ao mesmo tempo, foi doloroso. Às vezes, uma melancolia o atingia, às vezes uma tristeza. Por isso, em todos os dias de chuva, sem falta, ele amaldiçoava Pavel Headington.

Por que eu? Por que justamente eu? pensava. Para ele, devia ter sido apenas diversão. Para o jovem senhor Alfa Real, que possuía tudo neste mundo, aquilo não passava de entretenimento. Mas, maldito fosse, se queria brincar com fogo, que tivesse feito com outro. Por que comigo? Por que tinha que se intrometer na minha vida, que estava indo mais ou menos bem, e destruí-la por completo?

Um caso sujo que durou menos de um ano. Deveria ter acabado ali. Mas em vez disso, aquele desgraçado, mesmo morto, passou a se agarrar ainda mais obsessivamente à vida do outro. Nos últimos sete anos, a fonte de sua culpa é tristeza, era um falecido, e agora esse falecido havia voltado à vida e estava bem diante dos seus olhos. O Pavel que retornou marcou sua presença de forma ainda mais definitiva do que antes. Era como se até agora os fluidos daquele homem ainda estivessem grudados nas paredes internas do seu corpo.

— Nunca pensou realmente em mim? Nem uma vez sequer?

— Nunca.

Hayul cortou a fala com firmeza. O sorriso que se espalhava no rosto de Pavel se aprofundou.

— Que decepção… Para mim, só existia você, hyung, mas para você não foi assim.

Soava como a fala de um cônjuge traído, e por mais vezes que ouvisse, sempre soava absurdo. Ele próprio provavelmente deveria ter se relacionado com inúmeros outros nesse tempo.

— Você deve ter se esfregado com dezenas de pessoas nesses últimos anos, e ainda assim está aí se fazendo de traído.

— Não. O hyung foi o primeiro.

Hayul perdeu as palavras e franziu a testa.

— Nunca me deitei com ninguém. O hyung é meu primeiro.

‘Ele praticou abstinência por sete anos? Um Alfa real? Não, pensando bem, quando conheci Pavel sete anos atrás, ele já estava há vinte anos em abstinência. Usando aquele cinto de castidade, em um voto de pureza. Alguém que aguentou vinte anos não suportaria mais sete?’

— Por quê? Você é impotente, por acaso?

— Impotente? Eu?

O tom era como se dissesse: “Como pode falar isso, depois de foder comigo tão animadamente?”

— Então por quê? Se é saudável, por que…

O resto da frase desapareceu em um murmúrio dentro de sua boca, pois seus lábios foram bloqueados. Pavel grudou sua boca na dele, repetindo uma sequência de beijos leves, quase mordiscando, até se afastar.

— Eu queria entregar meu corpo puro só para você, hyung.

— ……

Hayul ficou tão pasmo que só abriu e fechou a boca sem emitir som. Pavel aproximou o rosto de novo e beijou-lhe os cantos dos lábios e a face.

— O hyung será meu primeiro e meu último. Eu jurei à Virgem Maria que me dedicaria somente a você, para sempre.

Não, não faça isso. Quem disse que eu queria? Quem disse que precisava do seu corpo “puro”? Várias perguntas e palavras flutuavam em sua mente, mas a única coisa que saiu de sua boca foi esta:

— Você enlouqueceu?

— Sim. Enlouqueci, por você, hyung.

— Haa.— Um riso vazio escapou dos lábios de Hayul. Pavel, sorrindo radiante, soltou a mão que apertava a bochecha dele e ergueu o tronco. Depois caminhou decidido até a poltrona de balanço diante da janela ensolarada e se sentou.

Sobre a mesinha à frente, havia um conjunto de chá da tarde, um livro… e uma arma. Uma combinação terrivelmente incongruente. Pavel, com elegância, cruzou as longas pernas, tomou um gole de chá e abriu o livro.

— Durma enquanto pode. Porque hoje à noite eu não vou deixar você dormir.

Largou essa frase absurda e logo se concentrou na leitura. O livro era um tratado econômico escrito por um professor famoso. Marco também era obcecado por aquele livro. Dizia que era a obra máxima, a verdadeira definição de prazer intelectual, e chegou a recomendá-lo a Hayul. Mas Marco estava morto. E aquele que estava lendo o mesmo livro, absorto na paz da tarde. O som rangente da cadeira de balanço, “creak, creak,” ecoava docemente como uma canção de ninar.

Ele adormeceu, mas logo despertou por causa do calor. Seu corpo inteiro queimava, sufocante, e ele se remexeu, chutando o cobertor. Estava encharcado de suor, mas a garganta ardia de sede.

— Água…

Ao se mexer, percebeu que a agulha  do soro havia sido removida. Estava morrendo de sede e tentou se levantar. — Água. Droga. Onde tem água?— Sentia a garganta rachar por dentro. Talvez porque o suor frio escorria sem parar de todo o seu corpo, a sede estava ainda pior.

Creak, creak. O som da cadeira de balanço ecoou. Ele viu que Pavel ainda estava sentado no mesmo lugar, lendo o livro e havia uma garrafa de água mineral em cima da mesa, à sua frente.

— Me dê um pouco de água.

Com a voz seca, ele implorou, mas a resposta veio tranquila.

— Venha até aqui beber.

Pavel ainda não tinha tirado os olhos do livro. ‘Maldito.’ Resmungando palavrões, Hayul desceu da cama, mas caiu desajeitado no chão. Por causa da febre, sua visão estava turva. A sensação do fino pijama de seda grudado em seu corpo pelo suor era desagradável, a ponto de querer arrancá-lo imediatamente.

Cambaleando, conseguiu se aproximar da poltrona de balanço. No momento em que estendeu a mão para pegar a garrafa de água, Pavel foi mais rápido e a levantou primeiro.

— Me dê isso.

Falou num tom irritado. Só então Pavel ergueu o olhar do livro e fechou a capa com um estalo.

— Peça direito.

— Não brinca comigo.

Pavel sorriu de canto e puxou a mão com a garrafa para trás. Com a febre, Hayul mal conseguia se manter de pé, e aquilo só aumentava sua raiva. ‘Maldito desgraçado.’ Cerrou os olhos e ergueu o punho, pronto para bater, quando Pavel agarrou sua cintura e o puxou. O corpo dele caiu direto nos braços do outro.

— Peça direito pela água.

— Eu disse para parar de gracinha!

A garganta, já seca, arranhou ao ponto de soltar uma tosse rouca. Pavel riu baixo, abriu a tampa da garrafa e encostou a beirada nos lábios dele. Desesperado, Hayul agarrou o recipiente com as duas mãos e bebeu a goles profundos, ele apertou firme, como se tivesse medo que Pavel lhe arrancasse a garrafa.

— Que fofo. Beba direitinho.

O tom satisfeito era igual ao de um dono que alimenta seu animalzinho no colo. ‘Esse desgraçado sempre foi assim? Maldito.’ Enquanto rangia os dentes interiormente, ele bebeu a água com força para matar a sede. Mas, mesmo depois de beber a garrafa inteira, sua sede não diminuiu nem um pouco. Era por causa dos feromônios que Pavel exalava, deixando seu corpo ainda mais em brasa.

De novo, aquela maldita sensação: como se algo quente transbordasse lá embaixo. Como ele estava sem cueca, usando apenas a calça do pijama, o tecido de seda ficou levemente molhado.

— Opa… já gozou?

Pavel murmurou isso enquanto apalpava a bunda molhada de Hayul para confirmar. Seu tom era tão casual que isso o irritou ainda mais.

— Cala a boca.

 

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Continua….

 

Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online

(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
 
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog

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