Ler Cão Real. – Capítulo 26 Online
O gosto da liberdade não foi tão doce assim. Isso porque não se tratava mais de uma vida comum, e sim da vida de um fugitivo.
Hayul passou o pior final de ano de sua vida. Aquele final de dezembro, sete anos atrás, tinha sido uma merda. Depois de escapar com sucesso da mansão Belmark e conseguir uma carona até uma pequena cidade do interior, trancou-se em uma hospedaria e, assistiu, tremendo, a um programa de TV em que animadores desejavam “Feliz Ano Novo”.
Após ter se libertado de Pavel Headington, os seis meses até deixar a Inglaterra e imigrar ilegalmente para os Estados Unidos foram um verdadeiro inferno. Aquilo não era viver. Ele era atormentado por pesadelos nos quais os capangas da família Headington invadiam seu esconderijo e o queimavam vivo.
A morte de Pavel Headington não foi noticiada em lugar nenhum. Não era possível encontrar uma única linha em qualquer jornal. Será que o Duque de Headington tinha encobrido tudo? Ou será que Pavel ainda estava vivo? Ele chegou até mesmo a se disfarçar e visitar a universidade onde Pavel estudava. Mas o homem havia simplesmente desaparecido.
Enquanto caminhava pelo campus, ouviu alguns estudantes reunidos em grupos cochichando: “Aquele idiota do Pavel, parece que morreu de verdade, não é?” Fingindo ser um estudante de graduação, aproximou-se e perguntou, como se não soubesse de nada, se aquilo era mesmo verdade. Um dos rapazes respondeu de modo displicente: “Não sei. Eu também só ouvi boatos por aí”, e logo voltou a rir e conversar com os amigos.
Parecia que todos tratavam como mera fofoca o desaparecimento súbito de quem um dia fora o aluno mais popular da universidade.
A mansão da família ducal Headington, que parecia estar para alugar, de repente passou para outro proprietário. Hayul não conseguiu descobrir o que realmente tinha acontecido.
Era como se Pavel Headington, junto com toda a família Headington, tivesse desaparecido da Inglaterra.
Naquele mesmo instante, Hayul também fugiu do Reino Unido. Foi para os Estados Unidos, mudou de nome e de identidade e passou a viver uma nova vida. Todas as noites ele sonhava que era caçado pelos cães de caça dos Headington, mas eram apenas sonhos, e a nova vida, como Sean Ringer, até que lhe corria bem. A decisão de se alistar no exército foi a mais acertada. Com sua resistência física e resiliência quase selvagem, o exército era o espaço ideal para Hayul.
Às vezes, ao ver os oficiais Alfas Reais que se alistavam apenas para ganhar pontos extras no sistema de compatibilidade, lembrava-se de Pavel. Nenhum deles era páreo para ele. Na época em que estava na Inglaterra não tinha essa dimensão, mas, ampliando sua visão de mundo, percebeu que Pavel era, de fato, o melhor entre todos os Alfas Reais que conhecera.
E se aquele homem ainda estivesse vivo? Se o acidente naquela noite nunca tivesse acontecido? No fim, teria sido incapaz de resistir à força de Pavel e teria acabado sendo forçado? Provavelmente, depois de dormir com ele uma vez, Pavel teria ficado desapontado e mudado de ideia. Afinal, devia ter sido apenas um sentimento de curiosidade passageira.
Ele provavelmente teria descartado Hayul, com o corpo já destruído por não conseguir suportar os feromônios de um Alfa Real. Talvez o tivesse dado dinheiro suficiente para compensar. Pavel sempre foi meticuloso com suas obrigações. E, no final, cedendo à pressão do Duque, teria se casado, como que sendo empurrado para isso. Ele conseguia visualizar perfeitamente Pavel escondendo sua verdadeira natureza, se casando com uma Ômega Real, tendo filhos e vivendo sua vida.
E ele mesmo teria continuado vivendo na favela, com o dinheiro que o cretino lhe deu.
Teriam seguido suas vidas separadas, cada um do seu jeito – se ele tivesse sobrevivido. Afinal, Hayul e Pavel eram como água e óleo: impossíveis de misturar.
Nos sonhos em que Pavel aparecia, Hayul sempre repetia as mesmas palavras:
‘Eu sinto culpa por ter matado alguém. Mas não vou pedir desculpas. Você merecia morrer.’
No sonho, Pavel ouvia aquilo e fazia uma cara de pesar, mas era apenas uma ilusão que desaparecia ao abrir os olhos. Pavel Headington tinha desaparecido. Aquele cretino estava morto, há sete anos.
Mas agora, sete anos depois, aquele pressuposto havia mudado.
Hayul abriu os olhos em um quarto impregnado com o aroma cítrico de Pavel. Aquilo não era um sonho. A dor latejante em seu corpo gritava, afirmando com força que aquela era a realidade.
— Huu…
Ele suspirou, tentando aliviar a dor terrível, e ergueu o corpo. Debaixo do cobertor, estava nu. Antes de desmaiar, todo seu corpo estava encharcado, mas agora estava seco. O fato de não sentir dor na parte de trás significava que não havia sido violentado. Pelo menos ainda não.
Hayul pegou a garrafa de água deixada sobre o criado-mudo e bebeu, tentando recuperar a lucidez e avaliou a situação rapidamente.
O homem que ele havia matado sete anos atrás, Pavel Headington, estava vivo e tinha retornado. Não – na verdade, Pavel não morreu naquela noite. Ele apenas desmaiou ao rolar escada abaixo, e, depois que Hayul fugiu, ele despertou. Quando voltou a si, Pavel, meio enlouquecido, havia caçado e assassinado a gangue de Ben que tentou estuprar Hayul. O duque Headington, então, tratou de interná-lo às pressas em um hospital psiquiátrico e abafou todo o caso. Essa era a razão pela qual o duque vendeu a mansão e partiu em segredo.
De acordo com as informações que Antônio havia contado, a situação podia ser resumida mais ou menos assim.
Tudo aquilo fazia parte do passado. O problema no presente era que Hayul havia sido recapturado por Pavel Headington, que estava vivo. E que aquele Pavel, que retornara, já não era o mesmo homem de antes. Além disso, havia ainda o fato de que algo muito sério estava acontecendo com o próprio corpo de Hayul.
Parecia que estava passando por um processo de mutação para se tornar um ômega. Não sabia ao certo como aquilo era possível, tampouco conseguia acreditar, mas o estado de seu corpo não deixava espaço para negação.
Apenas o aroma de Pavel, que ainda impregnava o quarto, fazia seu pênis reagir e endurecer.
‘Maldito aroma cítrico. Esse cheiro era o feromônio desse cretino.’
Ele amassou a garrafa de água vazia que havia bebido, atirou-a de lado, chutou o cobertor e levantou-se de repente. A visão do seu pênis ereto, quase tocando a barriga, pingando um líquido ralo, era ridícula. Como não podia andar pelado, entrou no banheiro, pegou uma toalha de banho grande e enrolou-a bem em volta da cintura, então começou a vasculhar o lugar.
Precisava encontrar alguma coisa que pudesse servir de arma antes que Pavel retornasse.
Claro que não haveria uma arma de fogo em um quarto usado para manter alguém preso. Depois de verificar o banheiro, saiu e puxou a corda que amarrava a cortina. Então, colocou alguns travesseiros debaixo do edredom para simular que ainda estava deitado na cama, nesse momento, ouviu o som metálico da maçaneta girando do lado de fora. Hayul correu até a porta e se escondeu ao lado dela, enrolando a corda firmemente nas duas mãos e prendendo a respiração.
A porta se abriu, e alguém entrou. Não havia necessidade de confirmar quem era. O cheiro intenso denunciava: era Pavel.
— Hyung, ainda está dormindo?
Sem desconfiar de nada, Pavel caminhou tranquilamente até a cama. Hayul abafou o som dos passos, foi para trás do homem e rapidamente enrolou o cordão em volta do pescoço dele. Colocando-se contra as costas largas, ele tensionou os músculos dos braços, cruzando a corda, e puxou para trás. Surpreendido pelo estrangulamento repentino, Pavel começou a se debater, engasgando enquanto tentava se livrar de Hayul agarrado atrás dele. Hayul apertou com mais força, e os movimentos do outro foram enfraquecendo. Sem desperdiçar a oportunidade, desferiu duas violentas pancadas contra a lateral da cabeça de Pavel. Os joelhos do homem cederam e ele desabou. Sem piedade, Hayul agarrou a cabeça de Pavel, dobrou o joelho e atingiu o queixo dele com força.
— Desta vez, vou matar você de verdade.
Enquanto dizia isso, ele puxou novamente a corda com toda a força. Mas, de repente, o corpo de Pavel, que parecia inerte, esticou a mão pálida e agarrou com firmeza o tornozelo de Hayul, puxando-o com violência. Num instante, o corpo de Hayul foi lançado para trás.
A parte de trás da cabeça dele bateu com força contra o chão, e por um momento ele perdeu completamente os sentidos. Quando voltou a si, Pavel já estava montado em cima dele.
— Que birra de criança.
O homem curvou os lábios ensanguentados num sorriso sarcástico. Chamar de birra um ataque feito para matar – era absurdo.
— Continua o mesmo. Meu hyung.
O rosto dele se abriu num sorriso divertido. O mesmo cabelo negro, lustroso como o pelo de uma pantera, e os mesmos olhos azuis profundos olhando para ele. Era Pavel, sem dúvida.
Sete anos se passaram, e a aparência um tanto juvenil que ele tinha havia desaparecido, restando apenas uma beleza imponente e afiada, cortante como uma lâmina. Isso deixava o azul de seus olhos ainda mais perigoso.
— Você também continua o mesmo, seu maluco.
Hayul cuspiu as palavras entre respirações ofegantes, e Pavel soltou uma risada baixa. Cada vez que inspirava, os feromônios de Pavel inundavam seu nariz, tornando impossível respirar direito. Tentou puxar o ar pela boca, mas não adiantou. Os feromônios de um Alfa Real eram como uma arma invisível – Eles não apenas seduziam com o aroma, mas também funcionavam como grilhões invisíveis, imobilizando todo o seu corpo.
Então era esse o verdadeiro poder dos feromônios de que tanto falavam? Com um Alfa Real montado em cima dele, liberando feromônios sem restrição, ele não tinha como resistir.
— Mesmo assim, mudamos muito. Eu e você. Sabe disso, não é, hyung? Você mudou, sofreu uma mutação.
Pavel sussurrou enquanto acariciava sem parar o rosto de Hayul. O toque era cuidadoso, como quem manipula vidro delicado, mas mesmo assim a pele dele se contraía em espasmos nervosos. Não havia como negar; definitivamente, seu corpo estava reagindo de maneira muito meticulosa.
Como se estivesse sendo queimado vivo, todo o seu corpo ardia. Estava quente. Não apenas a pele, mas também o interior de seu ventre parecia estar em ebulição. Até a toalha, sua única cobertura sobre a nudez, começou a incomodá-lo.
— O corpo do hyung está exalando um cheiro que me deixa à beira da loucura. Não dá nem para comparar com o de outros ômegas. Parece que vou explodir.
O homem torceu os lábios bonitos e deixou escapar um suspiro quente. O pênis dele que estava, sentado de pernas abertas sobre o abdômen de Hayul, estava quente como ferro em brasa. Como um animal no cio, ele moveu a pélvis e esfregou sua ereção no abdômen do outro. Isso deveria ser algo nojento, mas o problema era que não parecia nada disso. Era como assistir, ao vivo, a um raro vídeo pornográfico.
A camisa branca, com dois ou três botões abertos, estava manchada de sangue em vários pontos, e os cabelos desgrenhados aumentavam o ar de decadência. Entre os fios pretos e desalinhados, o rosto pálido se revelava, transmitindo certa tensão nervosa que, paradoxalmente, o deixava ainda mais sedutor.
Os olhos azuis, úmidos e semicerrados, e os lábios entreabertos soltando a respiração quente – aquela imagem do Alfa Real era de tirar o fôlego. Não era nada parecido com o Pavel de sete anos atrás, que só sabia ser bruto, precipitado e impetuoso. Agora ele era perigosamente habilidoso. Diante disso, Hayul não conseguiu mover um músculo. Seria correto dizer que ele se rendeu aos feromônios. Ele estava preso sob o homem, apenas ofegando com dificuldade.
Os feromônios eram uma coisa realmente irritante. Não tinham forma, e ainda assim conseguiam tornar uma pessoa completamente indefesa. As mãos de Pavel acariciavam o antebraço de Hayul, deslizando depois por várias partes de seu corpo. Onde quer que passassem, deixavam um rastro pegajoso, como se ele tivesse sido largado sob o calor úmido e sufocante do sudeste asiático.
Pavel inclinou o torso para baixo, pressionou o nariz contra a pele dele, como um cão farejando, e aspirou fundo o cheiro do outro, ele parecia embriagar-se com aquele aroma, arfando de prazer, até que finalmente encostou os lábios. Quando Hayul virou o rosto bruscamente, os lábios do homem tocaram seu lóbulo da orelha.
— Ha… Estou enlouquecendo. Com um cheiro tão gostoso assim, não é de estranhar que até mesmo os cachorros e cavalos queriam se atirar em você.
A voz baixa e sussurrada, tão doce, parecia derreter-lhe os ouvidos.
A mão dele, que havia descido pelas costelas e roçado a lateral do corpo, tentou enfiar-se sob a toalha enrolada na cintura de Hayul. Ele agarrou com força o braço do outro, desesperado, tentando impedi-lo.
— Ha, não faça isso.
— Me diga… até hoje, com quantos você já se deitou?
Mesmo assim, Pavel forçou a entrada e meteu a mão debaixo da toalha. O nó da toalha afrouxou e a mão pegajosa acariciou suas nádegas e coxas. Assim que o tecido que o cobria foi removido, o pênis ereto de Hayul saltou, rígido e atrevido.
— Conta tudo. Vou matar cada um deles, sem faltar nenhum.
A fala, no tom de alguém interrogando um cônjuge infiel, era revoltante. Enquanto isso, ele beijava o lóbulo da orelha e as bochechas de Hayul repetidamente e movia a mão sem parar, acariciando suas nádegas.
— Seu doente… ahh… eu disse para parar! Para com isso, ou eu te mato… hhh…
Por mais que ele se debatesse, agarrando o braço do homem, não conseguia impedir a mão que se enfiava dentro de suas nádegas. Instintivamente, seus músculos se contraíram, mas a mão forçou a entrada brutalmente. Dedos grossos invadiram sem cerimônia o orifício bem apertado. A região lombar de Hayul arqueou em espasmos.
— Responda logo. Quantos já entraram aqui?
— N-ninguém! Eu não… não é como se eu tivesse, hhh, vendido meu corpo… ahhh…
A parte inferior do seu corpo tremia incontrolavelmente. Não era por dor, era por um prazer estranho e arrebatador, algo que nunca havia experimentado antes. Inacreditavelmente, ele sentia um prazer próximo do clímax com o toque que invadia seu ânus sem misericórdia, sem qualquer preliminar. Suas nádegas e região lombar se contorciam descontroladamente. A cada movimento dos dedos dentro dele, o corpo se torcia, e o pênis ereto estremecia, arqueando e liberando líquido sem parar.
Parecia que algo quente jorrava de um lugar profundo dentro dele, umedecendo o orifício, pressionado pelos dedos grossos que abriam e comprimiam o interior. O ânus de um homem estava se umedecendo sozinho, como a vagina de uma mulher.
— Sabe, hyung? Você está gozando… por trás.
Pavel, cruelmente, confirmou que não era uma ilusão. Do ponto em que os dedos se moviam, ouvia-se um som úmido e indecente. O líquido, que escorria da abertura, encharcava os dedos dele e ainda se acumulava embaixo das nádegas.
Era bom. Tão bom que era quase insuportável. Não deveria ser, mas o prazer o inundava, deixando-o em transe, à beira da insanidade. Ainda assim, por orgulho, não conseguia soltar um gemido, ele mordia os próprios lábios com todas as forças, lutando para se conter.
A sensação de que, se fosse arrastado por aquela corrente, seria o fim, invadiu-o. Era uma crise ainda maior do que a de sete anos atrás. Se realmente tivesse se transformado em um ômega, e aquele fosse o primeiro ciclo de cio neste estado… o que aconteceria se ele recebesse o pênis de Pavel?
Não conseguia nem imaginar o que poderia acontecer. Nada era mais assustador e angustiante do que não saber o que estava por vir. Mas uma coisa, pelo menos, estava clara: ele precisava impedir aquilo enquanto ainda lhe restava um mínimo de razão.
Hayul estendeu um dos braços, agarrou o pescoço de Pavel e o puxou para um beijo. Sugou os lábios macios do outro e, sem hesitar, enredou a língua na dele. O gesto repentino pareceu surpreendê-lo por um instante, mas logo Pavel reagiu de bom grado. As línguas se enroscaram de forma desordenada. A mão que, até então, penetrava sua bunda brutalmente, saiu de lá, e os dedos úmidos começaram a acariciar suas coxas. Enquanto o corpo de Pavel se perdia no prazer, a força com que prendia Hayul foi afrouxando.
As pernas de Hayul se enroscaram no corpo dele como uma serpente. Enquanto sugava os lábios de Pavel, cerrou o punho e o golpeou duas vezes entre as costelas e a lateral do tronco. Ele sentiu claramente o estalo de um osso se partindo. Mesmo o Alfa não poderia sair ileso de um ataque como aquele. Pavel gemeu e se contorceu de dor, nesse momento Hayul o empurrou para longe e se levantou de supetão.
Mas suas pernas cederam de imediato, fazendo-o tombar de volta ao chão. Era como um cervo recém-nascido, incapaz de firmar-se de pé. Ele rangeu os dentes e tentou ao menos rastejar de quatro, mas uma de suas pernas foi agarrada. A mão de Pavel prendeu seu tornozelo como uma armadilha e puxou-o com força. O corpo de Hayul bateu pesadamente no chão e foi arrastado para trás.
— Precisa mesmo fugir como se sua vida dependesse disso? Vai acabar sendo pego de qualquer jeito.
A voz de Pavel sussurrou atrás dele.
— Me larga!
Hayul se debateu, esperneando como um peixe recém-pescado, mas Pavel o segurou pela nuca e o pressionou contra o chão. Parecia que uma corrente de alta voltagem fluía da mão de Pavel: todo o corpo de Hayul tremeu violentamente, tomado por uma convulsão avassaladora.
— Ah, AARGH!
— Parece que esqueceu, hyung. Você se transformou em ômega é esse é o seu primeiro ciclo de cio.
Enquanto Hayul se contorcia em espasmos, Pavel sussurrou em um tom calmo, quase paciente:
— E eu sou um alfa real.
Ele não precisava dizer; Hayul estava sentindo isso em todo o seu corpo. Os feromônios de Pavel escorriam agressivamente pela mão que o segurava na nuca. Era evidente que estava liberando-os de propósito. O impacto foi avassalador. Nem mesmo durante os treinos mais brutais, quando chegou a implorar pela morte, tinha experimentado tamanha agonia. Suas entranhas pareciam ferver por dentro, derretendo em desordem e o estômago se revirava. Mas, acima de tudo, o pior era o desejo sexual: uma massa de desejo, acumulada e incapaz de ser expelida, preenchia sua barriga.
— N-não… não faça isso… Eu vou te matar…
A ameaça de morte transformou-se em um choro convulsivo. De sua boca entreaberta escorria um som trêmulo junto com a saliva. Ele estava completamente encharcado. Da boca escorria baba, do pênis fluíam fluidos que encharcavam o tapete sob si, e um líquido desconhecido vazava de suas nádegas, molhando suas coxas.
Seu corpo, sensível ao extremo, transformava até a aspereza do tapete contra a pele em prazer. Inconscientemente, Hayul esfregou o pênis contra o chão, friccionando o abdômen, o peito e os mamilos, enquanto deixava escapar sons indecentes a ponto de causar arrepios até nele mesmo.
— Não gaste energia à toa. Eu nunca vou soltar você, hyung.
A mão que pressionava sua nuca moveu-se muito lentamente, deslizando por suas costas ensopadas de suor até apalpar as curvas de suas nádegas. Então, naturalmente, afastou-as e penetrou no espaço entre elas.
— Para! Eu disse para não fazer isso!
Era insuportável a sensação daquela mão invadindo e pressionando a mucosa pegajosa. Os longos dedos do homem perfuravam e cutucavam profundamente em seu interior, onde nada jamais tinha chegado. O corpo de Hayul estremeceu violentamente. Cada vez que os dedos dele tocavam naquele ponto, os músculos se contraíam e relaxavam em sequência. O choque elétrico corria até a ponta dos pés, esticando todos os dedos.
— Nghh… hhhnnn… ahhh!
— Mal comecei a penetrar com os dedos e você já está chorando. Que fofo.
Enquanto zombava sem parar, Pavel curvou os dedos lá dentro como ganchos, remexendo toda a mucosa encharcada. Hngg! Um gemido escapou e suas nádegas se moveram para cima.
— Ahhh! Hhhhnn! Droga… droga!
— Não trema. Não chore, Anjo. Isso é só uma reação natural.
Chamando-o de propósito por aquele apelido, Pavel continuou remexendo o interior viscoso. Ele o subjugou com força de seu corpo, com palavras, com dedos, provocando-o brutalmente. Todo o seu orgulho foi esmagado e despedaçado. A identidade de Sean Ringer, ex-forças especiais, o implacável “Anjo Assassino”, desapareceu naquele instante. Agora ele não era diferente dos garotos de programa que tremiam e choravam balançando a bunda em cima do corpo de Marco. Seu orgulho e sua personalidade se desintegraram num instante.
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Continua….
Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online
(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog