Ler Cão Real. – Capítulo 23 Online

Modo Claro

 

Se Pavel não tivesse agarrado o braço dele e puxado de volta com rapidez, Hayul teria realmente caído. Ele mesmo também se assustou quando seu corpo caiu subitamente para trás. Agora, preso nos braços de Pavel, ele ficou ofegante por um tempo, enquanto o coração disparava de susto.

— Por que você está me evitando? Por que faz isso comigo?

As palavras sussurradas soaram confusas. Pareciam ao mesmo tempo um murmúrio e uma pergunta, mas carregavam uma ansiedade evidente. Eram justamente as mesmas frases que Hayul sempre atirava contra Pavel, só que agora vinham da boca dele.

— Por que diabos você está fazendo isso comigo?

Os braços musculosos que o abraçavam apertaram com força, como se temesse perdê-lo caso afrouxasse um pouco.

— Eu também não sei por que estou assim. O que foi que aconteceu comigo?

A respiração de Hayul ficou pesada. A força dos braços que o seguravam era muito intensa. O corpo do homem estava quente, como se estivesse exposto a um calor úmido e opressivo, seu corpo inteiro estava ardente. Até o ar que saía de seus lábios parecia pegajoso. E aquele maldito perfume… misturado a um leve cheiro de sangue.

Havia algo estranho. Ele não estava como de costume. Mas talvez fosse esperado – afinal, havia caído em água gelada e quase morrido. O estranho era ter se recuperado tão rápido. O coração de Hayul batia acelerado, até doía como se estivesse sendo espremido. A cada inspiração, o aroma que invadia suas narinas fazia sua cabeça parecer que ia explodir.

— Me solta.

Ofegante, ele se debatia, tentando desesperadamente empurrar Pavel. Mas quanto mais se agitava, mais suas forças o abandonavam. Era como nadar em lama quente e pegajosa. Cada movimento só tornava o corpo mais pesado, como se a lama estivesse grudada em cada parte dele.

— Me solta… eu não consigo respirar… é sério…

Quanto mais o empurrava, mais grudava nele. O aperto era tão forte que parecia que seus ossos iam se partir.

— Droga.

A voz rouca, sussurrada, que soltou um palavrão contra sua orelha era, abafada, quente, pegajosa – suficiente para arrepiar-lhe a espinha. Hayul mal conseguiu erguer a mão para empurrar o queixo de Pavel, mas foi inútil. Por mais que tentasse afastá-lo, ele não se mexia.

Depois de lamber seu lóbulo, ele deslizou os lábios e chupou a nuca tensionada.

— Hyung… hyung… merda. Não me empurre. Fica quieto, por favor. Não me deixa maluco assim, só… fica parado. Haa… hyung…

Era incompreensível por que ele estava ficando excitado sozinho de novo e agindo assim. Hayul realmente queria saber que parte dele provocava aquele maluco. Preferia que Pavel viesse com aquele sorriso desavergonhado de sempre e pedisse para chupar seu pau sem rodeios. Nesse caso, ele estaria disposto a chupá-lo obedientemente.

Mas isso era diferente. Ele não estava sorrindo como sempre, ele claramente tinha surtado, mas impossível dizer em que direção aquela loucura tinha se virado. E, acima de tudo, aquele maldito perfume…

— P-porra… eu realmente não consigo respirar…

Quando ele abriu a boca para respirar, os lábios de Pavel se aproximaram imediatamente. Instintivamente, ele virou a cabeça bruscamente para evitar. Se eles se beijassem agora, ele sentia que realmente não aguentaria.

— Eu disse para não me evitar.

Pavel pegou o rosto de Hayul com sua mão grande e forçou seus lábios a se separarem. O beijo veio agressivo, brutal. Ele mordeu imediatamente, mesmo que doesse bastante, o homem não se moveu um milímetro. Pelo contrário, parecia satisfeito, roçando os lábios nos dele com um sorriso breve. A boca dele colou na de Hayul sem espaço algum, misturando respirações. Era um beijo com gosto de sangue.

Mesmo nessa situação de merda, seu corpo obedientemente esquentou. Um gemido úmido, mesclado com prazer e não apenas sofrimento, escapou facilmente. A respiração dos dois se enroscava de forma obscena; a língua de Pavel invadia sua boca, esfregando contra os seus lábios macios como seda, em contraste gritante com a violência de seus atos. A mão que acariciava sua nuca, os gemidos graves que escapavam… tudo aquilo era tão familiar. Naturalmente, como sempre, seu corpo esquentou.

‘Eu deveria odiar isso. Deveria estar sofrendo, deveria resistir até o fim.’

— Haa… p-porra… haa… não… para… haah…

No entanto, acabou sendo tomado pelo prazer esmagador que só aquele maldito Alfa Real conseguia provocar. O corpo dele tremia, e os gemidos doces escapavam sem controle. As mãos que antes tentavam empurrar Pavel agora se enfraqueciam, agarrando seus braços fortes – até deslizarem, num gesto ambíguo entre resistência e entrega.

Era diferente do habitual, por isso a excitação subiu num instante. Hayul também era humano, era um homem, e tinha desejos. E Pavel… aquele maldito Alfa Real era praticamente a própria encarnação do desejo. Se a palavra “luxúria” pudesse ganhar forma visível, provavelmente teria a aparência dele.

Mas, apesar disso, Pavel nunca tinha dado vazão de verdade aos próprios instintos. E agora que ele estava liberando tudo isso em Hayul, como ele poderia suportar? Era inevitável. Um Alfa Real decidido, deixando-se levar, pressionando-o com toda a excitação – claro que o corpo de Hayul responderia.

Na verdade, ele nem sabia se aquilo era a reação correta, se era o que chamavam de desejo de verdade. Assim como era a primeira vez para Pavel, também era a primeira vez para Hayul.

Enquanto dizia que também não sabia por que estava assim, enquanto dizia que tudo era culpa do hyung, enquanto murmurava coisas que, em circunstâncias normais, teriam rendido uma enxurrada de xingamentos, o homem chupava, lambia e mordia seus lábios com avidez. Os dois corpos colados como se estivessem grudados por cola quente, cada ponto de contato explodindo em calor pegajoso.

Hayul também gritava por dentro.

‘Eu também não sei por que estou agindo assim. Mas é tudo culpa sua.’

Mas com os lábios bloqueados e sequer conseguindo respirar direito, só saía o som arfante.

Assim, ainda com os lábios colados, ele foi erguido no ar, ele já tinha sido carregado por Pavel inúmeras vezes. Sua mãe, de saúde frágil, nunca o tinha carregado nem mesmo quando ele era criança. E agora, mesmo com seu corpo robusto para um oriental, ainda era fácil para Pavel erguê-lo como se não pesasse nada. A força dele impressionava sempre.

As costas de Hayul afundaram no colchão macio da cama. Ainda trocando beijos profundos, Pavel se colocou sobre ele, deixando todo o peso sobre o corpo menor. As mãos que tiraram as várias camadas de roupas que o criado vestira eram impacientes. Com mãos ávidas, ele puxou e rasgou as roupas, acariciando descontroladamente a pele exposta.

‘Não. Isso é perigoso.’

O instinto de alerta voltou a gritar, mas era impossível resistir. Quanto mais se debatia, mais parecia um convite aos olhos de Pavel. As mãos dele percorriam a pele de Hayul de forma intensa, cada toque fazendo o corpo estremecer.

Em pouco tempo, estava completamente nu. Não apenas a parte superior do corpo, mas também a inferior foi exposta. Seu pênis ereto se expôs sem pudor, latejando, balançando. Entre beijos e mordidas no queixo e na nuca, os dois ofegavam, lambendo e chupando como se estivessem  se devorando. Pavel passava as mãos pelo peito liso, gemendo como um animal em cio.

— Haa, hyung…

— Droga… hhhk!

Gemidos úmidos, indistintos de quem vinham, se misturavam no ar.

A grande mão suada do homem roçou o mamilo, endurecido pelo frio e pela tensão. O corpo de Hayul se arqueou de repente.

‘Eu vou enlouquecer… isso é bom. É  muito…. Bom.’

O cheiro sufocante, o peso esmagador de Pavel sobre ele – era doloroso, mas a dor vinha misturada com uma loucura deliciosa.

— Droga… o que eu faço? — Pavel gemeu contra o pescoço dele, com a voz abafada. — O que eu faço?

Repetiu, como se estivesse perdido. Ao mesmo tempo, mordia de leve a pele da nuca de Hayul, soltando-a em seguida para voltar a mordiscar. Doía e arrepiava, mas ainda assim era um tipo de dor prazerosa. Até aí, ainda suportável.

— Acho que não vou aguentar…

Mas quando Pavel, cravou os dentes de verdade, mordendo com força a carne macia do pescoço, os olhos de Hayul se arregalaram instantaneamente. Foi como ser atingido por uma descarga elétrica. Não era só dor: uma onda violenta de choque percorreu todo o seu corpo. Ele imaginou se essa seria a sensação de uma presa ao ser mordida por um predador.

Ele sentiu que enlouqueceria, mas num sentido diferente de antes. Não, para ser mais exato; sentiu que morreria. Hayul tinha um corpo incapaz de sentir feromônios. Mas essa sensação… De repente, ele se lembrou de uma história que ouvira antes.

“Os feromônios desses desgraçados são um veneno invisível. São como armas vivas. Só o cheiro já é capaz de deixar alguém mole, sem forças. E se nesse estado eles te penetram? Você morre. Os órgãos internos se rompem. Você vomita sangue até morrer. Já vi vários que, por dinheiro, lidaram com um Alfa Real e morreram vomitando sangue, como ratos envenenados.”

Foi isso que um dos prostitutos beta com quem costumava beber disse certa vez.

Agora, debaixo de um Alfa Real, nu, com o pescoço sendo mordido, foi justamente o medo de realmente morrer que devolveu a clareza a Hayul.

— Espera um pouco…

A voz tremia tanto quanto as mãos. Era patético. Mas, como se não ouvisse, o outro continuou mordendo com força a nuca de Hayul até fazê-la sangrar. Seu cabelo preto roçou a ponta do queixo de Hayul. Parecia que ele estava sendo devorado vivo por uma besta enorme, não por um humano.

O mais enlouquecedor era que, mesmo com o corpo inteiro rígido de medo, o pênis de Hayul continuava ereto.

— Não faz isso.

Novamente, ele não ouviu. Quanto mais Hayul recuava, mais o corpo de Pavel se enterrava nele, e a parte inferior do homem se enroscou entre suas pernas. Era quente, como ferro em brasa. Pavel segurou firme suas nádegas e deslizou a mão pelo meio delas. Dedos grossos forçaram caminho pelo vão até que, sem aviso, um deles entrou pela entrada apertada, um lugar onde nunca antes alguém o havia tocado.

— Hhrrk!

A coluna de Hayul se arqueou num espasmo violento.

O sentimento de perigo foi esmagador. Era isso o que ele quis dizer com “não aguento mais”? Será que ele sabia ao menos o que estava fazendo? Ali não era uma parte que se lubrificava sozinha, como num Ômega; o dedo invadia o orifício apertado de forma brutal, trazendo mais dor do que prazer.

— Não faça. Eu disse para não fazer! Machuca! Tá doendo, porra!

Ele se debatia como um louco. Mas o outro avançava com igual desespero. Por mais que ele se debatesse com toda sua força, não conseguia afastá-lo. Não havia força suficiente em seu corpo para empurrar Pavel para longe. Ainda assim, não desistiu: agitou os braços, desferindo socos na cabeça e no rosto do outro.

— Eu disse que está doendo! Tira isso agora! Ei! Eu mandei tirar! Filho da puta! Você quer enfiar seu pau na minha bunda, não é? Aaargh!

Apesar de tudo, o corpo grudado ao seu se mantinha implacável. Bastava olhar para os olhos dele para perceber que o homem havia perdido completamente a razão. Ele puxou a cintura de Hayul com força, abrindo rudemente o buraco que se contraía com seus dedos grossos, arranhando a mucosa sem piedade. A parte inferior esfregando entre suas coxas abertas estava assustadoramente dura. Ele tinha chupado inúmeras vezes para saber o quão grande e grosso era o pau daquele homem. Se com os dedos já era insuportável, imaginar aquilo entrando por trás o deixava tonto.

“Vai vomitar sangue e morrer.”

Aquelas palavras zuniam em seus ouvidos. Um medo imenso, diferente de qualquer coisa que já havia sentido, tomou conta de seu corpo. A dor, o prazer perverso que gradualmente se infiltrava, o calor, o medo e o perfume inebriante – tudo o fazia sentir que perderia os sentidos. Mas esse bastardo não parecia o tipo que o libertaria mesmo se ele desmaiasse.

Ele havia enlouquecido de vez, decidido a ir até o fim.

De repente, os dedos que reviravam seu interior se retiraram, e uma massa quente e dura se pressionou entre suas coxas. Em algum momento, ele tinha puxado seu pau para fora, e agora esfregava o membro molhado na parte interna de sua perna.

A sensação quente e pegajosa era extremamente desagradável. Sua coxa, onde um traço úmido foi deixado, estava ardendo como se tivesse sido queimada.

O medo o atingiu subitamente. ‘Ele não vai mesmo enfiar essa coisa enorme lá atrás, vai?’ E, como para confirmar que não era apenas paranoia, o pênis que antes se roçava em sua coxa foi posicionado entre suas nádegas.

A cabeça pontiaguda cutucou a entrada do buraco, que estava tensa e firmemente fechada. Pavel esfregou a glande no orifício, como se fosse arrebentá-lo a qualquer momento. Mesmo após ter usado os dedos para prepará-lo, o local ainda era estreito e inflexível. Se ele forçasse daquele jeito, seria realmente o fim. Ele morreria.

O medo, que superou o prazer, fez os membros de Hayul tremerem compulsivamente. O corpo inteiro se arrepiou, e sua visão se turvou de branco.

— P-para… não faz isso.

O pedido suplicante foi ignorado. Ofegante, Pavel o apertou contra si e começou a mover o quadril. Ele estava como um animal em cio, cego e surdo para qualquer coisa.

— Hyung… Hyung…

Ofegando, ele agarrou uma das coxas de Hayul, que continuavam se fechando, forçou-a para abrir e empurrou com força seus quadris.

Finalmente forçando o buraco firmemente fechado, o pau foi empurrado para dentro. Só a ponta havia entrado, mas a sensação de invasão, de pressão esmagadora, era insuportável. A dor era tão forte que parecia que realmente estava sendo rasgado por dentro. Sem conseguir avançar mais, Pavel parou por um momento, também arfando, mantendo apenas a glande dentro do orifício apertado.

— Aah…! Aaaah! Filho da… Tira isso agora! Seu… desgraçado!

Hayul tremia, sem conseguir respirar direito.

— Haah… muito apertado. Relaxe um pouco.

Pavel murmurava com a voz rouca, acariciando a coxa rígida de Hayul. Não era por ele. Era apenas para satisfazer o próprio desejo.

‘Que filho da puta. Ele é realmente um desgraçado. Merda. Esse desgraçado não entende palavras.’

Hayul cerrou os dentes e, desesperado, estendeu a mão para cima, tateando em todas as direções.

Foi então que se lembrou do relógio em estilo antigo que estava sobre a mesinha ao lado da cama. No instante em que conseguiu agarrar o objeto, apertou-o com força na mão e desferiu um golpe contra a cabeça de Pavel.

O corpo, que não se afastava por mais que ele empurrasse, estremeceu. O maldito pênis, que só a ponta estava forçando contra seu buraco, escorregou para fora. Sem dar trégua, Hayul desferiu outro golpe na cabeça dele.

— Haha……

O que saiu da boca de Pavel não foi um grito de dor, mas sim uma risada. Ele parecia estar bem depois de levar duas pancadas na cabeça, mas quando o homem ergueu o rosto, sua cabeça estava aberta e sangrando. Pavel passou a mão lentamente pela testa, limpando o sangue que descia. Ao perceber que o que manchava seus dedos era de fato sangue, ele sorriu abertamente.

— Hahaha.

O sangue escorria em fios, tingindo de vermelho os dentes brancos e imaculados do homem. O sangue que deslizava pelo queixo de Pavel respingou no rosto de Hayul. O rosto estava coberto de sangue, mas os olhos do homem brilhavam intensamente. Seria apenas uma ilusão ou aqueles olhos azuis estavam ficando arroxeados? Era genuinamente assustador. Hayul já havia encontrado todo tipo de lunático nos becos durante sua vida, mas era a primeira vez que via um como aquele.

— Caia em si, seu filho da puta.

Hayul conseguiu finalmente soltar a voz.

— Estou enlouquecendo, hyung.

‘Lunático.’

Com aquela aparência de demônio ensanguentado, parecia que Pavel enfim revelava sua verdadeira face. Só agora Hayul sentia que estava vendo a verdadeira face de Pavel Headington. Quando ele sorriu e tentou acariciar sua bochecha com a mão ensanguentada, Hayul levantou novamente a mão que segurava o relógio. Mas seu pulso foi imediatamente agarrado e pressionado contra a cama.

— Por que você me deixa assim tão louco?

— Não sou eu que estou te deixando louco, você sempre foi um louco, seu desgraçado. Não ponha a culpa nos outros.

Hayul arregalou os olhos e cuspiu o insulto com raiva. O rosto sorridente de Pavel se contraiu de forma estranha. O homem colocou a mão no pescoço de Hayul, como de costume. A sensação dos dedos tocando sua pele era horripilante.‘Lá vamos nós de novo.’  Hayul puxou um sorriso torto nos lábios, encarando-o diretamente.

— Você só sabe agir assim, não é? Subjugar pela força, bater, obrigar a se ajoelhar.

A sobrancelha de Pavel tremeu. Os dedos em seu pescoço apertaram com mais força.

— Certo. Vai em frente. Me mata.

Dessa vez, ele não resistiu, nem tentou escapar. Agarrou o punho de Pavel, forçando-o a apertar ainda mais. O próprio Hayul não sabia por que estava agindo assim, nem sequer podia ser considerado são naquele momento. Ele era incapaz de ter um pensamento coerente.

— Me mata. Você disse que era minha culpa, não foi? Então me mata. Acha que vou morrer com essa força? Aperta mais forte!

As pupilas de Pavel vacilaram. O sorriso desapareceu de seu rosto. Já no de Hayul, ao contrário, um sorriso enlouquecido se espalhou. A situação era ao mesmo tempo absurda e desesperadora. Parecendo também perplexo, o homem finalmente afrouxou a força na mão que estrangulava seu pescoço.

— O que está esperando? Me mata logo. Então eu mesmo faço.

Quando Hayul tentou morder a própria língua, Pavel rapidamente enfiou a mão dentro de sua boca. Hayul cravou os dentes nela sem piedade, mordendo com fúria. Como um filhote de animal faminto, ele mastigou e rasgou a mão do homem com raiva. Sentindo o gosto de sangue, ele enlouqueceu ainda mais. Era a primeira vez que ele mordia alguém assim, sem pensar nas consequências. ‘Você acha que é o único que pode perder a razão e ficar louco? Eu também posso. Vamos morrer juntos.’ Estava decidido a se destruir.

— Não faça isso. Pare.

Mas quanto mais Hayul surtava, mais Pavel parecia voltar a si. Era uma inversão absurda.

— Aaaah! Me larga! De qualquer jeito, se eu ficar embaixo de você, vou morrer vomitando sangue. Morrendo assim ou tendo um choque, vou morrer de qualquer maneira!

— Quem vai matar o hyung?!

— Você! Você, seu filho da puta! Você vai me matar! Você está tentando me matar! Aaaah! Cof cof cof!

Talvez por ter gritado demais, uma tosse violenta irrompeu. Mas não era uma tosse comum. Seus pulmões pareciam estar se rompendo e ele sentiu gosto de sangue na garganta. A tosse era tão violenta que seu corpo inteiro se sacudia. Pavel tirou a mão que tampava a boca dele e se ergueu. Hayul havia se livrado por um instante, mas não tinha forças para fugir.

Ele se contorceu na cama, tossindo, e limpou a boca com a mão – havia sangue nela. A tosse persistente, com bolhas de espuma sanguinolenta, tingiu os lençóis brancos de vermelho.

De alguma forma, aquilo pareceu irônico. Nem sequer tinha ocorrido uma penetração completa e, ainda assim, ele estava cuspindo sangue. Talvez fosse a influência dos feromônios. Por mais que fosse um sub-beta, não havia como resistir aos feromônios explosivos de um alfa real.

Se fosse um beta comum ou um ômega, já teria morrido faz tempo. O fato de ainda estar vivo era justamente porque era um sub-beta.

— Você… ahh… Você tem ao menos consciência de que é um alfa real?

Com o corpo encolhido de dor, ele olhou para Pavel com olhos cheios de ódio. O outro parecia perdido, sem saber o que fazer, encarando Hayul com uma expressão tomada de perplexidade.

— E aí? Está gostando? Era isso que você queria? Você gosta disso? Seu pervertido do caralho!

O rosto de Pavel se contorceu.

— Eu…

A figura enlouquecida que sorria com o rosto coberto de sangue já não estava ali. Em seu lugar, restava uma expressão desajeitada, quase infantil, como a de uma criança perplexa, sem saber o que fazer.

— Hyung…

Ele esticou a mão ensanguentada, mas quando Hayul instintivamente estremeceu, ele rapidamente a puxou para trás.

Não era uma ilusão: os olhos azuis de Pavel estavam de fato pareciam ter mudado para um tom arroxeado. O belo rosto se distorceu como se estivesse angustiado, enquanto ele arfava como um animal.

Dos lábios manchados de sangue escapou um murmúrio entrecortado, como uma desculpa:

— Eu só queria…

Pavel não conseguiu terminar a frase e mordeu os próprios lábios. Sua aparência desarrumada, desgrenhada e ensanguentada era irritantemente lasciva, o que só irritou ainda mais Hayul. Os olhos violetas que brilhavam por entre os cabelos desgrenhados pareciam hipnotizá-lo.

‘Seu desgraçado bonito.’

Mesmo com o corpo à beira do colapso, sua parte inferior, intoxicada por aquele aroma e fascínio, permanecia quente.

De repente, uma imagem lhe ocorreu: Pavel era como uma flor mortal, que atraía insetos com sua cor e fragrância únicas, apenas para derretê-los lentamente em veneno. A presa, embriagada pelo perfume, acabava morrendo pouco a pouco.

— Some. — A voz saiu áspera, quase metálica, acompanhada de nova tosse. — Desaparece. Por favor. Vá embora.

Não foi uma ordem, mas um pedido desesperado. Ele enterrou o rosto no edredom e travou uma batalha contra a tosse. Pela primeira vez, Pavel não insistiu. Talvez tivesse percebido que, se continuasse, Hayul realmente poderia morrer, ele se levantou em silêncio e saiu.

— Me desculpe.

Ele cuspiu uma única frase de desculpa que nem soava como uma. Hayul não tinha forças para responder. Escondido debaixo das cobertas, apenas ouviu os sons: passos que se afastavam, a porta abrindo e fechando, e por fim o clique metálico da fechadura sendo trancada do lado de fora.

Hayul abriu os olhos arregalados. Mesmo tossindo, ele se levantou de um salto e correu em direção à porta. Por mais que girasse a maçaneta, a porta não abria. Ele a tinha trancado por fora.

— Aaah! Seu filho da puuuuta!

Hayul gritou, socando a porta.

***

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Continua…

 

Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online

(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
 
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog

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