Ler Cão Real. – Capítulo 22 Online

Modo Claro

 

— Se tem inveja do Pavel, então que se esforce pra caralho. Ficar aí lamuriando e com inveja só te faz parecer patético.

— Filho da puta!

O homem, com os olhos transtornados, acabou desferindo-lhe um soco. Era um alfa, afinal, tinha força. No impacto, Hayul cambaleou, e nesse instante uma segunda sequência de golpes veio em seguida. O sujeito deu mais um soco em Hayul e o empurrou para dentro da piscina.

Não era que ele não soubesse nadar. Mas a água estava gelada, com uma fina camada de gelo sobre a superfície. No momento em que caiu na água, seu corpo todo congelou. Seus músculos enrijeceram e seu corpo começou a afundar. Era terrivelmente frio. Além disso, tinha bebido mais do que o seu corpo podia aguentar, então não estava em condições normais.

‘Droga. Alguém me ajuda. Me salvem…’

Ele tentou gritar por socorro, mas da boca só saía um som borbulhante.

Splash!

Logo em seguida, alguém mergulhou atrás dele com um grande estrondo. Ele sentiu mãos envolvendo seu corpo, que se debatia desesperadamente. Ele se debateu com todas as suas forças, agarrando-se aos braços, ao corpo e as mãos de quem o resgatava. Os braços do salvador eram sólidos e fortes e transmitia confiança absoluta.

Em instantes, seu corpo emergiu à superfície. O salvador o segurou com força contra si e nadou até a beira da piscina.

— H-huhh… m-me salva… m-me salva…

— Está tudo bem. Tudo vai ficar bem.

Enquanto se agarrava desesperadamente ao salvador, tremendo violentamente, a voz grave de Pavel ecoou em seu ouvido.

— Por que você pulou na água de repente? Está tentando morrer na minha frente?

— Está bem? Segure minha mão.

Alguém estendeu a mão para ajudar. Mas Pavel não aceitou ajuda de ninguém, segurando Hayul apenas com uma das mãos, ele saiu sozinho da piscina.

Os criados vieram correndo com toalhas e cobertores. Pavel envolveu Hayul no cobertor como se embrulhasse um bebê recém-nascido. Ele estava pálido, tremendo sem parar, o frio era tanto que parecia que ia morrer. Pavel, então, segurou Hayul nos braços e gritou para os que cercavam a cena:

— Saiam da frente!

O comportamento inusitado do homem fez as pessoas murmurarem enquanto abriam espaço.

— Foi esse merda que começou a confusão…

Ben, sem perceber o clima, murmurou e ficou na frente de Pavel, se exibindo. Sem hesitar, Pavel desferiu um soco. Com apenas um golpe, o homem caiu ao chão, completamente derrotado.

— Saia da minha frente, agora!

A voz retumbou como um trovão. O som era tão alto que os tímpanos de todos vibraram. Mas Ben, tomado pelo orgulho ferido, não se calou.

— Seu filho da puta! Você me bateu? Por causa de um maldito Sub Beta que esqueceu qual é seu lugar. Eu sou um Alfa! Você acha que vou deixar isso barato?

Os que estavam em volta tentaram acalmá-lo, mas Ben não quis ouvir. Estava cego de raiva, em um acesso de fúria.

— Esse insolente de merda, eu já queria dar uma lição nele há muito tempo, mas aguentei porque ele é seu servo. Mas agora não vou mais me segurar! Merda, entregue esse lixo pra mim agora! Ei, para de fingir que desmaiou e solte a língua como antes. Eu vou te destroçar!

Pavel, em silêncio, entregou Hayul a um criado que estava ao seu lado.

— Leve o hyung.

Mal se ouviu a voz baixa dando a ordem, e logo os gritos de Ben estouraram. Parece que, depois de confiar Hayul ao criado, ele partiu para cima do homem de verdade. O som de vários golpes, gritos, choro e as vozes dos amigos tentando apartar a briga ecoaram ruidosamente.

— Você ousou tocar no meu hyung? Pois vai morrer primeiro.

Entre todo aquele caos, apenas aquela voz de Pavel era clara e distinta. Era um tom frio, arrepiante. Não havia o menor traço da habitual elegância suave com um sorriso nos lábios. Não era uma ameaça vazia – o homem que estava apanhando certamente sentiu isso profundamente.

‘Eu avisei. Avisei pra ele ter cuidado.’

Hayul pensou, estalando a língua em silêncio.

O criado colocou Hayul dentro da banheira com água morna para elevar sua temperatura corporal, vestiu-o com várias camadas de roupas e colocou bolsas de água quente sob suas axilas e sobre o abdômen. Depois de um tempo, ele começou a suar tanto que as gotas escorriam em fileiras. Com o aquecedor do quarto ligado, era sufocante, como se estivesse prestes a morrer.

— Está se sentindo um pouco melhor?

— Estou com calor?

O criado ignorou completamente Hayul, pegou a bolsa de água quente que ele havia jogado fora e colocou outra aquecida sobre sua barriga. Mais que quente, estava quase escaldando. Irritado, Hayul pegou a bolsa e a jogou para longe, chutou o cobertor e se levantou de um salto.

Quando ia beber um pouco de água, o criado segurou firmemente seus ombros e o forçou a se sentar novamente.

— Estou morrendo de calor. Me dê um pouco de água gelada!

— Isso não será possível.

O criado recusou prontamente e colocou o termômetro debaixo de sua axila. Hayul reclamava que estava morrendo de sede, então trouxeram água, mas era morna. Mesmo já estando recuperado, ainda era tratado como se estivesse em estado crítico, obrigado a permanecer deitado.

— Isso não é um exagero?

— Se eu não fizer isso, o jovem mestre Pavel vai me dar uma bronca. Então, por favor, permaneça deitado.

Mas, assim que o criado saiu, Hayul saltou da cama. Primeiro desligou o aquecedor, pegou uma cerveja que havia escondido no frigobar, escancarou a janela, e desabou em uma cadeira. Graças aos convidados indesejados que haviam invadido a casa de campo, havia álcool espalhado por toda parte. Ele havia roubado algumas latas das caixas de cerveja empilhadas na cozinha e escondido.

No exato instante em que abriu a lata de cerveja e levou à boca, a porta se abriu com violência e Pavel entrou. Hayul congelou no lugar. Pavel ergueu uma sobrancelha e perguntou:

— Você está bem?

— Claro que estou. Porque não estaria, levei um tiro ou algo assim?

Mas Pavel estava longe de parecer bem. Seu cabelo e suas roupas estavam completamente desalinhados, manchados de sangue por toda parte. Parecia ter acabado de lutar contra um urso com as próprias mãos.

— Não me diga que você matou aquele cara?

Hayul soltou uma risada curta e levou a lata de cerveja à boca, mas Pavel avançou rapidamente, arrancou a lata de suas mãos e a atirou pela janela.

— Ei! Isso é um desperdício!

— Perdeu a cabeça? Nesse estado e ainda bebendo?

Ele se aproximou e fechou a janela.

— Eu estou ótimo! Só estou morrendo de calor, deixe a janela aberta.

Pavel, porém, não parecia disposto a atender ao pedido, apenas o encarava fixamente. Seu rosto sério estava salpicado de sangue, o que lhe dava uma aparência quase assustadora. Ainda assim, Hayul sentia que aquele aspecto sombrio combinava mais com ele do que sua usual imagem arrumada – como se finalmente tivesse encontrado a aparência que realmente lhe pertencia.

— Aquele cara ainda está vivo?

— Você quer dormir com ele?

— O quê?

A fala absurda o fez rir, incrédulo.

— Mas que besteira é essa?

— Perguntei se você quer dormir com Ben.

— …Você ficou maluco?

A indignação o fez quase soltar um palavrão.

— Então por que fica se insinuando para ele? Por que sorri para ele daquele jeito?

— O quê? Me insinuar? Sorrir daquele jeito? Quem, eu? Quando é que eu fiz isso?

Sem perceber, sua voz se elevou.

‘Esse lunático deve ter decidido parar de esconder sua insanidade de vez.’

— Você nunca sorri assim para mim.

— Hahaha! Isso é demais. Mas que diabos deu em você agora?

Hayul ficou completamente atônito, à beira de arrancar os próprios cabelos de frustração. ‘Como é possível ele pensar algo assim depois de ter visto toda a minha conversa com Ben?’ Ele sentiu muita falta da cerveja da qual mal tinha tomado alguns goles.

A garganta dele estava em chamas, estava enlouquecendo. Hayul levantou-se de repente e correu até a geladeira, pegando uma lata de cerveja. Com medo de que fosse tirada dele de novo, bebeu tudo ali mesmo, em grandes goles.

— Ben é um sujeito desprezível.

‘Lá vem ele de novo.’

Era a primeira vez que ouvia aquele homem falar mal de um amigo.

— Evite ao máximo ter contato com ele. Ele é ainda mais imundo do que você imagina.

‘Com quem ele pensa que eu ando? Está inventando histórias sozinho. Ele só pode estar com ciúmes. Mas por quê? O que será que ele está imaginando para ter esse tipo de reação absurda?’

Hayul amassou a lata vazia e pegou outra, virando-se.

— Então você também sente ciúmes?

Pavel não confirmou nem negou. Continuou ali, imóvel, piscando lentamente os olhos com o rosto rígido.

— Ciúmes? O que é isso?

De fato, talvez nunca tivesse sentido esse tipo de emoção na vida, por isso não sabia. Então Hayul explicou com paciência:

— É exatamente essa atitude patética que você está tendo agora. Como se eu fosse sua namorada, você fica possesso, me interrogando, me pressionando e enchendo o saco só porque eu sorri para outro cara. É isso o que você está fazendo.

As sobrancelhas de Pavel se contraíram, ele franziu a testa e ficou pensativo por alguns instantes.

— Entendo. Então isso é ciúme.

Seu rosto mostrava uma expressão como se tivesse acabado de ter uma grande revelação.

— Eu fiquei com raiva. O hyung só me trata de maneira bruta, só reclama, me xinga e briga comigo. Mas para Ben, você sorriu como se estivesse completamente encantado… como se achasse ele adorável.

‘Adorável? Ele realmente pensou que a cara fechada e a forma irônica com que eu respondi ao Ben eram um sorriso cheio de ternura? Talvez seja o caso de levá-lo direto ao psiquiatra e ensiná-lo a distinguir expressões faciais.’

— E além disso, você não me deixa encostar em você, mas deixou o Ben massagear seu pulso.

‘Não deixo encostar? Como se ele nunca tivesse tocado em mim.’

E em duas de cada cinco vezes, quando ele obrigava Hayul a chupá-lo, ele fazia sem resistir. As bobagens do homem continuaram.

— Ben quer transar com você. Desde o começo, ele vem te marcando com feromônios.

‘É mesmo? Eu nem percebi.’

Mas como poderia, se o próprio corpo de Hayul era incapaz de sentir feromônios?

— E não é só o Ben. Tem outros caras. Esses desgraçados veem você como um objeto sexual.

— O q- quê? Objeto… o quê?

— Querem transar com você. Porque você é adorável.

— …

Hayul ficou sem palavras. Desistiu. Não aguentava mais. Perdeu completamente a vontade de discutir. Sentiu o corpo perder as forças e foi cambaleando até o sofá, onde se deixou cair pesadamente.

— Você tem um charme único, que não é de alfa, nem de beta, nem de ômega. Algo que incendeia as entranhas mais sombrias de um macho.

— Chega.

Mas Pavel não era do tipo que parava só porque alguém pedia.

— É até um milagre que alguém como você tenha vivido sozinho se esgueirando nos braços da favela todo esse tempo. O mais comum seria que um Alfa tivesse te descoberto e te levado embora.

— Que Alfa em sã consciência colocaria as mãos em um sub-beta?

— Existem muito mais lunáticos por aí do que você pode imaginar.

‘É uma autodescrição?’

Até pouco tempo atrás ele estava cheio de energia, mas agora Hayul se sentia exausto. Até quando teria que aturar aquela conversa insana? Sem que percebesse, Pavel se aproximou por trás e estendeu a mão. O cheiro cítrico do corpo dele roçou nas narinas de Hayul.

A mão fria do homem começou a acariciar de leve o queixo de Hayul, ainda dolorido do soco que levara de Ben. O toque era como o de alguém afagando o pescoço de um cachorro. Misturado ao perfume cítrico, havia também um leve odor de sangue. Ao baixar os olhos, Hayul notou que o dorso da mão, o pulso e a manga da camisa de Pavel estavam manchados de sangue seco.

— Sim. Estou com ciúmes. Odeio que o hyung converse com outros caras além de mim. Não gosto quando você sorri para outro. Odeio que outros toquem na sua pele. Também não gosto quando te encaram de forma atrevida, como se estivessem, te devorando com os olhos.

A mão que tocava de leve o queixo de Hayul deslizou para a nuca e depois acariciou seu lóbulo da orelha. O sussurro que vinha de cima ficava cada vez mais baixo. Mesmo o toque que afagava sua pele estava úmido.

— Talvez eu devesse mesmo ter matado ele.

O sussurro fez com que um arrepio percorresse o corpo de Hayul.

— Já disse antes: Ben é perigoso. Não sei o que ele pode fazer com você enquanto eu estiver na escola. Mas também não posso simplesmente levar você comigo.

Hayul afastou a mão do homem que não parava de tocá-lo, virou-se e disparou:

— Em vez de se preocupar comigo, não seria melhor se preocupar consigo mesmo? Se ele é tão perigoso assim, quem estuda na mesma escola que ele – ou seja, você – não é o que está em maior perigo?

— Você não gosta do meu toque?

Mas o homem não ouviu. Ele estava prestes a começar outra de suas falas absurdas.

— Você deixou Ben te tocar, mas a minha mão você rejeita?

— …O que é que você pensa que está fazendo agora?

— Ciúmes.

Falava como se fosse a coisa mais natural do mundo. Pavel piscou devagar e murmurou:

— Não entendo. Por que parece que estou ficando louco? Não consigo me controlar. Querer matar a outra pessoa também é ciúmes, não é?

‘Não. Isso não é ciúme. Isso é puro instinto assassino.’

— Por que estou assim? Por que não consigo me controlar?

Pavel continuava murmurando. Talvez por ter visto sangue, seus olhos pareciam enlouquecidos. Já não era alguém normal antes, mas agora parecia ainda pior. Hayul se perguntou se, na festa, alguém não teria colocado algo na bebida ou lhe dado drogas. Seu instinto gritava em alerta de perigo. Hayul baixou silenciosamente a lata de cerveja e começou a se mover furtivamente, levantando-se do sofá, afinal, quem sempre tinha que lidar com a loucura incontrolável de Pavel era ele.

A porta estava bloqueada pelo corpo do homem, e a única saída era a janela. Era o terceiro andar, mas havia árvores no jardim logo abaixo, se ele se jogasse dali, talvez não morresse. Hayul levantou-se devagar e começou a recuar em direção à janela.

— O que foi? Parece que está tentando fugir.

Pavel, que até então murmurava com o rosto tenso, ergueu a cabeça e sorriu para Hayul.

— Por quê? Está com essa cara porque acha que vou fazer alguma coisa contra você?

O sorriso radiante só tornava tudo mais assustador. Enquanto sorria, Pavel se aproximou a passos largos, e Hayul acabou gritando sem perceber:

— E- espera!

Ele sabia. Era uma súplica inútil. Pavel não era o tipo que obedeceria a um “espera” dito no desespero. Cada passo que ele dava com suas pernas longas diminuía rapidamente a distância entre os dois. Hayul continuou recuando e, antes que percebesse, a borda da janela encostou em suas costas.

— Não se aproxime.

Sem tirar os olhos de Pavel, estendeu a mão para trás e tentou abrir a janela. Girou a maçaneta, mas a janela não cedia. A madeira já estava desgastada e corroída pelo vento marítimo, e sempre emperrava ao ser aberta.

— Não faça isso. A janela é muito velha, é realmente perigosa.

— Então não chegue mais perto!

— Por que você está me evitando? Acha que eu vou devorar você ou algo assim? Prefiro que você revide, como sempre.

‘Será que ele realmente não entende?’

Não pensava em nada do que já tinha feito. Dizia não compreender por que Hayul o evitava. Brincadeiras, provocações, até isso era tolerável. Mas ser estrangulado era uma história completamente diferente. Se pelo menos ele fosse um pervertido consistente, dava para prever. Mas não. A qualquer momento, em qualquer lugar, o comportamento dele podia mudar e ninguém saberia o que aconteceria em seguida.

E, acima de tudo, aquela noite estava sufocante. Era como se algo invisível tivesse preenchido o espaço e estivesse esmagando o peito de Hayul. O perfume cítrico de Pavel só se tornava mais denso a cada passo que ele dava, era como se aquele maldito cheiro carregasse veneno. Sua respiração ficou ofegante e seus olhos ardiam, enchendo-se de lágrimas.

Ele precisava abrir a janela, não só para fugir, mas para conseguir respirar.

— Você tem medo de mim?

— Com esse seu estado, cheio de sangue e com os olhos vermelhos me encarando… como é que eu não ficaria com medo?!

Hayul ofegou e moveu freneticamente a mão que estava estendida para trás. Ele empurrou com toda a sua força. A madeira rangeu, estridente, e, no instante em que finalmente cedeu e se abriu, o corpo apoiado no parapeito perdeu o equilíbrio e caiu para trás.

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Continua…

 

Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online

(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
 
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog

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