Ler Cão Real. – Capítulo 21 Online
— Maldito… desgraçado… me larga! Eu vou cortar fora de uma vez. Não consegue manter essa merda desse pau mole? Você não é um animal, por que essa porra fica dura toda hora, sem motivo?
— Só vai baixar se o hyung chupar.
Nessa condição, esfregou a cabeça no pescoço de Hayul, como se estivesse fazendo charme, agindo de modo fofo. ‘Será que colocaram alguma droga no café que ele tomou da parada?’ Agora, o surto dele não tinha mais limites de lugar.
Enquanto Hayul xingava e se contorcia, o motorista, que devia estar observando toda a situação, interveio cautelosamente.:
— Com licença, jovem mestre. Precisamos chegar à casa de campo antes do pôr do sol. Como sabe, a estrada de acesso é bem íngreme e escura. E parece que vai chover.
Felizmente, as palavras do motorista surtiram efeito. A encenação do bastardo, que esfregava a cabeça e friccionava a parte de baixo como um animal no cio, parou.
— Ah, é verdade. Como está no alto de um penhasco, deve ser perigoso.
Pavel levantou Hayul e o empurrou primeiro para o banco de trás.
— Argh! Isso dói, seu maldito filho da puta!
Logo depois, entrou no carro, endireitou o corpo de Hayul, que estava amassado no assento, e agarrou a cabeça dele, forçando-a entre as próprias pernas.
— Mmph, mghh! Me larga! Larga!
Quanto mais Hayul se debatia, mais seu rosto se esfregava na ereção latejante. Pavel segurava a nuca dele com firmeza, dominando-o com facilidade. Com a outra mão, abriu com calma o cinto e baixou o zíper, o pênis ereto saltou para fora, ricocheteando contra a bochecha de Hayul.
O som da porta batendo quando o motorista entrou no carro, seguido pelo barulho da ignição sendo ligada, ecoou em seguida. Ele dirigiu, fingindo não saber o que seu patrão estava fazendo no banco de trás.
— O que está esperando? Faça o que tem que fazer.
Quando o bastardo apertou a mão que segurava sua nuca, o pênis pressionou os lábios de Hayul. Algo quente, duro e enorme como uma bola de fogo aquecida tocou seu rosto inteiro e os fluidos úmidos deixaram um trajeto pegajoso em sua pele.
— Maldito desgraçado…
— Você mesmo disse que faria qualquer coisa durante o período do contrato.
A mão dele agarrou com força os cabelos de Hayul e empurrou. A boca que Hayul abrirá para soltar outro xingamento foi brutalmente invadida. O pênis avançou sem aviso até a garganta. Ele se engasgou, tentou cuspir, mas estava preso pela cabeça, sem conseguir escapar.
— Isso, bom garoto. Sempre chupou direitinho até agora, por que essa resistência de repente?
Até o tom manso, como se o estivesse acalmando, dava vontade de xingar. As náuseas e a sensação de sufoco arrancaram lágrimas dos olhos de Hayul.
De repente, ele reparou na mão direita de Pavel, que acariciava lentamente seu rosto e queixo, estava vazia. O anel do voto de castidade, sempre irritante e ridiculamente brega, não estava lá. A identidade do estranho sentimento de desconforto que ele tinha desde que partiram de carro era essa.
Não era que ele tivesse tirado o anel por um momento antes de fazer isso. Pavel não estava usando o anel do voto de castidade desde que saiu da mansão. ‘Então ele está decidido a enlouquecer de vez na casa de campo.’ Um arrepio percorreu a espinha de Hayul.
Seus sentidos gritavam: cale a boca e chupe esse desgraçado agora mesmo.
‘Pervertido. Maldito. Filho da puta.’
Maldito. Amaldiçoando por dentro, Hayul moveu a língua e lambeu suavemente o pênis enterrado em sua boca. Só então a mão que apertava sua nuca relaxou um pouco. Ele parou de resistir e começou a usar a boca de verdade.
Mexia a cabeça para cima e para baixo, chupando com estalos o pênis ereto, enquanto uma das mãos agarrava a coxa de Pavel e a outra massageava lentamente seus testículos firmes, rolando-os entre os dedos.
Um gemido grave caiu sobre sua cabeça. O corpo enorme de Pavel estremeceu, soou como um animal enorme rosnando. Hayul enfiou até a garganta, depois raspou os dentes de leve enquanto soltava, só para lamber com a ponta da língua a glande. O líquido pré-ejaculatório claro escorria sem parar pela abertura. Ele o lambeu, chupou e engoliu, dedicando-se de corpo e alma ao ato.
A respiração pesada de Pavel ecoava úmida dentro do carro. Como se estivesse de bom humor, ele enfiou os dedos entre os fios de cabelo de Hayul e esfregou o couro cabeludo. Como sempre, o movimento dos dedos parecia pegajoso de forma insuportável. Toda vez que seus dedos roçavam a pele, aquela parte estremecia em espasmos.
Embora tivesse começado de forma forçada, em algum momento, Hayul também ficou excitado. Sua roupa íntima já estava completamente encharcada.
Chupava com tanta força que parecia que seus lábios iriam se romper, o membro, que já era enorme desde o início, inchou assustadoramente, ficando ainda mais firme. Sua boca não conseguia se fechar. A saliva que não conseguia engolir escorria em fios contínuos.
Até mesmo o sujeito, que antes parecia manter a calma, começou a se agitar, movendo quadris e cintura em excitação. Em busca de maior estímulo, ele envolveu a nuca de Hayul com as duas mãos e enterrou o pênis profundamente em sua garganta.
— Ugh, uugh. Ugh.
Tremendo, Hayul só deixava escapar sons dolorosos e sufocados. Lágrimas involuntárias escorriam enquanto ele arfava, e o sujeito se movia ainda mais violentamente para cima e para baixo. Então, ele enfiou novamente até o fundo da garganta do outro, tremeu violentamente e ejaculou.
— Haaaah.
Uma quantidade imensa de sêmen encheu sua boca. Como o pênis enorme estava enterrado na entrada, cada vez que Hayul ofegava, o sêmen escorria pela sua garganta.
— Engula direito. Se deixar escapar uma gota que seja, vamos ter que fazer de novo.
Mesmo depois de despejar uma quantidade absurda de uma só vez, ainda continuava a jorrar em pequenos jatos, sem parar. Era enjoativo. Era nojento. Pavel, como se estivesse saboreando o resquício do orgasmo, revirou a boca alheia com seu pênis e então puxou-o para fora. Ao sair, o que restava escorreu em fios grossos. A expressão nos olhos de Pavel distorceu levemente.
Isso era realmente impossível. Como poderia engolir tudo sem deixar escapar nada? A quantidade que já havia descido pela garganta era tanta que parecia que ia vomitar.
Mas, ao olhar para a expressão do bastardo, parecia que ele não pretendia terminar assim. Como prova, a mão que acariciava a nuca de Hayul apertou com mais força.
— Não vai dar. Você vai ter que engolir mais uma vez.
Até o pau do bastardo, reluzente de sêmen, exalava aquele maldito cheiro cítrico. ‘Será que esse desgraçado borrifava perfume no próprio pau?’ Ridiculamente, aquele aroma deixava seu corpo ainda mais excitado. ‘Ficar excitado por um lunático desses, eu também devo estar ficando louco.’ Mas, de jeito nenhum deixaria que acontecesse uma segunda vez. Hayul fechou a boca com firmeza e virou o rosto para o lado.
— Você não estava com fome? Vou te alimentar até ficar satisfeito. Vamos lá, seja bonzinho, hyung. Abra a boca.
— Seu louco. Que maneira de falar…
Hayul retrucou com raiva, mas, como se só esperasse por isso, o homem enfiou o membro de volta em sua boca. Como sempre, o problema era que ele não sabia ficar calado.
***
— Você jura que não dormiu com aquele cara? Isso não faz sentido.
Um sujeito de rosto vermelho, exalando o cheiro forte de álcool, se aproximou de Hayul e começou a disparar um monte de bobagens. Era o mesmo cara que já havia provocado Hayul várias vezes antes.
‘O nome dele era Ben, não era?’
Os colegas de faculdade de Pavel haviam se reunido em peso na mansão Belmark. O Duque de Headington havia convidado todos. Disse para celebrarem ali tanto a festa de aniversário de Pavel quanto a de final de ano, naquela mansão isolada e belíssima.
Era um convite claramente intencional. O objetivo era evidente: não deixar Pavel e Hayul a sós.
Para Hayul, no entanto, era bem-vindo. Embora parecesse que Pavel estava irritado com a situação.
Os convidados indesejados haviam começado uma festa com álcool desde o meio da tarde. Como todos os colegas de universidade de Pavel viam Hayul com desconfiança, ele preferiu sair sozinho e beber vinho.
A mansão erguida no alto de um penhasco oferecia uma vista incrível do mar. A paisagem era linda, a brisa fresca e o vinho Belmark tinha um sabor incrível, então seu humor estava ótimo, mas… a aparição do intruso estragou tudo.
Para não ser visto pelos outros, Hayul tinha se escondido propositalmente no anexo dos fundos, perto da piscina. Então, por que aquele sujeito o seguiu até ali só para arrumar briga?
— Por que isso não faria sentido?
Hayul devolveu a pergunta, já irritado.
— Dizem que vocês dois fazem de tudo. Que você se joga em cima dele a qualquer hora, como um cachorro faminto, enterra o focinho entre as pernas dele chupando até ele gozar. E ainda dizem que engole tudo como um cão, e mesmo assim está dizendo que ainda não fizeram até o final?
Um alfa com uma boca suja. Sua linguagem era tão vulgar quanto a dos piores marginais da periferia.
— Se ele realmente tivesse perdido a cabeça e tivesse me fodido, acha que eu estaria desse jeito, inteiro? Ele é um alfa real e eu sou apenas um sub-beta.
O homem franziu a testa e piscou. Provavelmente até ele mesmo achou que aquilo fazia sentido.
— E não sou eu que me jogo nele, é ele que… Deixa pra lá. De qualquer forma, não fomos até o fim.
— E você espera que eu acredite nisso? Dessa vez, notei que aquele bastardo não estava usando o anel do voto de castidade.
‘Por que ele está fazendo isso? Essa insistência absurda é estranha.’
Hayul franziu a testa e lançou um olhar hostil para o homem.
— Pergunte diretamente ao Pavel, então.
— Aquele desgraçado me odeia. Sempre que me vê, parece que vai me matar só com o olhar. Não é? Vive rindo à toa, mas quando me encontra fica sério daquele jeito.
O homem vinha colecionando motivos para ser detestado por Pavel. Já foi pego várias vezes provocando Hayul, estava sempre bêbado e parecia usar drogas também. Como Pavel não bebia nem fumava, era óbvio que nunca simpatizaria com alguém assim.
— Aquele bastardoanda ainda mais assustador ultimamente. Como é quarterback, sua força é absurda. Uma vez, ele me segurou pelo pulso e eu sofri por um mês. Realmente pensei que meus ossos fossem ser esmagados.
Parecia se referir àquela vez em que tinha ido à festa de chá da mansão Headington e acabou arrumando confusão com Hayul, até ser contido por Pavel. Na ocasião, Hayul achou que o sujeito estava exagerando só porque teve o pulso segurado, mas, pelo visto, Pavel tinha realmente torcido o braço dele com toda a força.
— Ele é incrivelmente forte. Aquilo não é força humana.
— Nem brinca. Você já viu ele jogar rúgbi? Na época, ninguém conseguia tocar nele. Quando alguém tentava se jogar contra ele, era repelido como uma bola de borracha. Ele não é uma pessoa, é uma rocha, um monstro, eu digo.
E era verdade: Pavel era um jogador capaz de enfrentar centenas. Como o homem dizia, ninguém conseguia pará-lo, era como um búfalo em disparada. Até os adversários, todos alfas reais de grande porte, eram facilmente derrubados.
— Então, tenha cuidado. Quando ele perde a cabeça, não enxerga mais nada, é um psicopata.
— Mesmo assim, ele não vai ultrapassar os limites. Ele é o garoto do papai.
O homem soltou uma risadinha de deboche. Hayul também riu por dentro.
‘Esse idiota só age assim assim porque nunca viu Pavel realmente perder a razão.’
Mesmo assim, não disse nada e apenas continuou bebendo vinho. Não precisava de taça: levava a garrafa direto à boca, em goles largos. O homem lançou um olhar de relance a Hayul. Não era um olhar de desprezo, mas havia algo viscoso, quase pegajoso, em seu olhar. Com atenção insistente, percorreu o rosto de Hayul e as marcas vermelhas que Pavel havia deixado em seu pescoço na noite anterior.
— Não entendo por que Pavel anda com alguém tão vulgar quanto você. Não faz sentido.
— Pois é. Eu também não entendo.
Hayul concordou balançando a cabeça profundamente. Era o mesmo para ele: não entendia Pavel, nem o homem que o olhava de forma pegajosa.
— Você não é um alfa, nem muito menos ômega. E não é como se sua aparência fosse excepcional, não é pequeno nem delicado. É vulgar, obsceno, grosseiro, sem modos, e provavelmente também sem talento algum. Um animal de estimação, ao menos, seria fofo e teria alguma graça. Mas você? É de nível baixo.
— Realmente.
Hayul bebeu mais um gole, respondendo de maneira apática e sem emoção. ‘Diga todos os insultos arrogantes na minha cara.’ Não o atingiria. Ainda assim, o homem continuava resmungando.
— Aquele desgraçado te chama pelo nome de um cachorro morto. Ele te leva por aí com uma coleira, como um cachorro? Te dá comida na tigela de cachorro também? Ele finge ser refinado, mas na verdade é um pervertido nojento.
— Dizem que me chamam de ‘Cão Real’, não é?
Em vez de responder, devolveu a pergunta.
— É… sim.
— É verdade que sou tratado de forma semelhante a um cachorro, mas não é um tratamento comum. Nunca usei coleira, mas já fui amarrado pelas mãos. Mas pelo menos me alimentam bem com comida humana. Ele me faz fazer coisas estranhas, mas não me machuca seriamente. É só um jogo leve. Ah, ele já me enforcou, mas foi uma única vez. E eu fiz alguns comentários que ultrapassaram os limites. Ele é um desgraçado, mas não é um completo lixo.
— ……
— Agora, pervertido, eu admito que ele é.
O homem ficou sem palavras e encarou Hayul fixamente. Hayul, que falava com naturalidade, voltou a tomar um gole de vinho.
— ……Você não tem orgulho? Se fosse eu, já teria matado aquele desgraçado.
— Ele é um merda, mas não é tão ruim assim.Só tenho que aguentar o período contratual de um ano, e pronto. Além disso, eu não consigo matar aquele cara. Não tenho essa força. Olhe para este pulso. Será que eu conseguiria até dar um soco na cara dele?
Hayul riu enquanto balançava o próprio pulso. Claro que era uma piada. Por ter vivido perambulando no subúrbio, seus pulsos estavam marcados por pequenas cicatrizes aqui e ali. O homem, achando aquilo absurdo, caiu na risada. Estendeu a mão, agarrou o pulso de Hayul e voltou a soltar um riso irônico.
— Tá de brincadeira? São mãos que poderiam até derrubar um urso. E por que tem tantas cicatrizes?
Ele murmurou enquanto deslizava a ponta dos dedos sobre marcas que nem mesmo Hayul lembrava de como ou onde haviam surgido.
— Isso é uma pinta ou uma cicatriz? Mesmo assim, sua pele é macia. Os orientais realmente têm a pele boa.
O toque do homem sobre a pele não parecia nada inocente. Havia uma umidade insinuante naquele gesto. Não parecia em nada diferente das táticas que se usavam em uma boate para dar em cima de mulher que lhe chamava a atenção. Agora que Hayul olhava bem, tinha que admitir: para um alfa, até que ele tinha uma beleza marcante. Cabelos macios, pele bonita e traços harmoniosos.
— Qual é o seu verdadeiro nome?
— Jin Hayul.
— Jin… Jinhayu? Hayun?
Ele gaguejou, como se fosse difícil pronunciar. Hayul nunca havia conhecido alguém que conseguisse pronunciar seu nome de forma clara. Exceto Pavel, que o chamava com precisão.
— Que nome complicado. E ainda sendo apenas um sub-beta. Por que sua mãe escolheu um nome desses?
‘Por que esse idiota está procurando briga de novo?’
Mexer até com a memória da mãe já falecida era algo que ele não podia suportar.
— E que tipo de nome é Ben? Parece nome de plebeu. Quando eu morava no subúrbio, o menino da casa ao lado se chamava Ben. Se eu fosse a mãe do senhor Ben, não teria dado um nome tão comum a um filho precioso.
Ele retirou com brusquidão o pulso preso pelas mãos do homem e o encarou com dureza. O outro estreitou os olhos e fitou Hayul com hostilidade.
— O que foi que você disse, seu desgraçado? Como ousa zombar do nome de alguém tão importante?
— E o senhor? Por que faz tanta questão de desprezar o nome dos outros?
— Está se achando só porque tem o apoio do Pavel! Saiba qual é o seu lugar. Do contrário, vai acabar se fodendo, seu bastardo.
Apesar do olhar assassino e do tom ameaçador, Hayul não sentiu medo algum. Pelo contrário, achou ridículo. Se era para falar de medo, Pavel, com seu sorriso constante e comportamento insano, era muito mais assustador.
— Eu que estou me exibindo? Desde quando? Quem sempre começa a implicar é o senhor, Ben. Eu sempre fiquei quieto, escondido, mas ainda assim o senhor me acha só para me provocar.
Hayul arregalou os olhos de propósito e retrucou:
— Será que o senhor tem algum interesse especial em mim?
— Está maluco?!
— Então por que insiste em me cutucar? Parece aqueles garotos idiotas que ficam implicando com a menina de quem gostam.
— Vou te matar!
O rosto do homem, que já estava avermelhado, ficou ainda mais em chamas. Para Hayul, provocá-lo daquele jeito era surpreendentemente divertido. Ele sempre foi alvo das provocações de Pavel; agora, inverter o jogo e irritar outra pessoa tinha um certo sabor de vingança.
— O senhor está curioso sobre mim, não está? Como se eu fosse uma criatura rara. Tendo crescido como um jovem mestre de uma família nobre, provavelmente nunca tinha visto de perto um sub-beta como eu. Por isso continua se sentindo atraído, certo?
— Q-Quem disse que eu sinto atração?!
A reação foi tão divertida que Hayul quis provocar ainda mais. Talvez fosse reflexo do estresse acumulado até ali. Rindo por dentro, virou a garrafa e lançou um olhar de canto. Então, avistou Pavel parado no segundo andar do prédio da casa de hóspedes em frente. Claro, ele estava cercado por mulheres. Mesmo assim, apesar das risadas e conversas delas, os olhos de Pavel estavam fixos na cena de Hayul.
— Há quanto tempo aquele desgraçado está observando?
O homem também pareceu notar Pavel. Uma loira se aproximava de Pavel, colando-se a ele, passando o braço em seus ombros e cochichando algo em seu ouvido.
— Filho da puta metido. Ele sabe muito bem que eu gosto da Jessie e está fazendo de propósito.
O nome daquela loira parecia ser Jessie. Mas, por mais que olhasse, parecia que a mulher era quem estava se agarrando a Pavel. Todas as mulheres faziam o mesmo com ele, e o homem sempre aceitava a atenção feminina de forma displicente, sorrindo.
Depois que o casamento de Pavel foi definido, as mulheres ficaram ainda mais pegajosas do que antes. Talvez quisessem se envolver com ele pelo menos uma vez antes que ele partisse para longe. Se eram colegas de faculdade de Pavel, todos deviam ser Alfas.
As mulheres Alfas viam Pavel como um objeto de desejo sexual. Elas mostravam abertamente seus instintos primitivos por ele e agiam de forma provocante na frente dele. Era como um mundo de feras, feras que cercavam Pavel, no topo da pirâmide. Mas, na verdade, ele não tinha nenhum interesse nelas.
Sentado de forma relaxada, com a juba dourada brilhando sob a luz, balançava a cauda com elegância. Seu corpo exalava feromônios intensamente sedutores. Estava sempre sorrindo de maneira encantadora, mas nunca dava atenção a ninguém. Apenas os animais ao redor, excitados por seus feromônios, ficavam ansiosos.
A mulher disse algo, e Pavel sorriu, mostrando os dentes brancos. Mesmo sorrindo, seu olhar ainda estava voltado para Hayul. Ao perceber o olhar sério de Hayul, ele ergueu a mão em um cumprimento. As mulheres ao redor também olharam para ele. E, como se tivessem combinado, os belos rostos delas se contorceram ao mesmo tempo.
Hayul não se abalou diante da enxurrada de olhares de desprezo e repulsa. Para ele, já era parte do cotidiano.
— Rosie hyung, suba aqui!
Pavel fez um grande gesto e chamou Hayul.
‘Engraçado. Por que eu iria até lá? Quem ele pensa que é para me mandar subir ou descer? Ninguém aqui me quer por perto, então por que ele insiste em me chamar?’
Hayul apenas sorriu de canto e ergueu o dedo médio. Pavel caiu na gargalhada, enquanto a mulher grudada em seu braço fez uma careta de desgosto e balançou a cabeça com desaprovação. “Que baixo nível”, parecia dizer seu olhar. Logo em seguida, o grupo de mulheres puxou Pavel para dentro, e ele deixou-se levar como se não tivesse escolha.
— O que as mulheres veem naquele bastardo para agirem assim?
Ben murmurou com voz aborrecida. Dava para ver a mulher chamada Jessie entrando de braço dado com Pavel, como se fossem íntimos.
— Por que todas gostam tanto dele?
O homem falou novamente, como se realmente não entendesse.
— Não está realmente perguntando porque não sabe, está? Ele não bebe, não fuma, não usa drogas. Também não é mulherengo. É bonito, tem um corpo incrível, é inteligente. E, além de tudo, é um Alfa Real.
— Eu também sou um Alfa. Minha família tem título de nobreza e meu pai é um empresário bem-sucedido. O que exatamente eu tenho de inferior aquele bastardo?
Hayul não pôde evitar dar uma grande risada. ‘Como alguém pode expressar tanto complexo de inferioridade de forma tão transparente? Seu lado simples e direto era até fofo.’ O rosto do homem se contorceu como se tivesse engolido um inseto.
— Realmente não percebe não é? Não estou defendendo Pavel, mas, objetivamente falando, como ousa se comparar a ele? Nunca se olhou no espelho? Em plena luz do dia, com essa cara de viciado sem foco no olhar, ainda quer competir com o capitão do time de rúgbi? “O que eu tenho de pior que ele?” Não deve estar falando sério. Não é possível que realmente acredite que seja melhor do que ele.
As palavras ácidas deixaram o rosto de Ben ainda mais contorcido.
— Haha. Desculpe, mas é que foi engraçado demais. Como pode ter tão pouca noção da realidade?
— Maldito… Só porque tem boca não significa que pode sair falando o que quiser. Você acha que eu sou palhaço?
— Não, desculpe. Só estou dizendo a verdade. Mas está ficando frio, não acha? Vamos entrar.
Ainda sorrindo, Hayul se levantou. O sol estava quente, mas o vento gelado o fazia querer entrar. Porém, Ben empurrou forte o peito de Hayul.
— Você acha que eu sou motivo de piada, não é? Desde o começo fica me encarando com esse olhar irritante, como se me desprezasse.
‘E como alguém poderia olhar com bons olhos para um sujeito que enche a cara em plena festa do chá e ainda arruma confusão? Não só Pavel, mas os outros colegas também o viam como um estorvo. Só que, como sempre, ele só tem coragem de implicar comigo.’
— Só porque Pavel te trata um pouco bem, acha que está no mesmo nível dele? Não se engane. Você não passa de um parasita nojento.
Ben empurrou Hayul com ainda mais força. Mas ele não era do tipo que ficava parado apanhando.
— Esse seu estilo de atacar só os mais fracos e bajular os mais fortes… sabe que é patético, não é? Se é um alfa, um nobre e filho de um empresário renomado, deveria ao menos mostrar um pouco de dignidade. Mas não passa de um delinquente.
— O quê?!
°
°
Continua…
Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online
(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog