Ler Cão Real. – Capítulo 18 Online
— Por que você está agindo assim? — Hayul murmurou ofegante:— Por que diabos você está fazendo isso comigo? Sem motivo nenhum…
Ironicamente, a voz de Hayul também tremia. Pavel estava diferente do normal, e isso o assustava. O Alfa acariciou os lábios bastante inchados como se estivesse desenhando sobre eles e, em seguida, afagou a bochecha.
— Não sei. — Os lábios vermelhos de Pavel se moveram. — Nem eu sei. Por que estou agindo assim?
Soou como uma pergunta, mas também como um monólogo. Pavel parecia igualmente confuso sobre seus próprios sentimentos, mas Hayul estava tão perplexo quanto ele. A mão que afagava sua bochecha deslizou lentamente para baixo, passando pelo queixo, e acariciou seu pescoço. O toque era excessivamente suave e isso lhe causava medo. O que mais o assustava não era o comportamento atípico de Pavel, mas o que ele próprio estava sentindo.
Seu coração batia forte. Onde quer que a mão de Pavel tocasse, ele tinha arrepios e seus músculos se contraíam. Apesar de ter bebido tanto vinho, sua garganta estava seca e ele precisava engolir saliva constantemente. Toda vez que isso acontecia, seu pomo de adão se movia. Ao mesmo tempo, um calor queimava desde o fundo de sua barriga, incendiando sua região inferior. Era desejo sexual claro.
Hayul, com rosto ardendo, encarou fixamente os olhos azuis que o observavam. A raiva havia se dissipado diante do calor que crescia dentro dele. Tudo o que conseguia ver eram os olhos úmidos de Pavel, fixos nele, o canto dos olhos tremendo levemente, o nariz proeminente e os lábios vermelhos ligeiramente entreabertos. Apenas as sensações que Pavel provocava eram vívidas: o hálito quente com cheiro de suco de maçã, a mão sutil acariciando seu pescoço sensível.
Nesse momento, Pavel soltou um breve riso.
— Às vezes, o hyung me olha como se fosse me devorar.
— Você também. Me encara como se fosse me rasgar em pedaços e me engolir… haah…
Acariciado pelas mãos ágeis de Pavel, Hayul não conseguiu conter um suspiro. Sentindo-se febril e entorpecido, baixou os olhos, mordiscou o lábio inferior ressecado com o superior e engoliu o gemido. Era impossível não sentir o olhar do homem que acompanhava atentamente cada movimento seu.
Já fazia tempo que a mão do outro havia afrouxado nos cabelos de Hayul, mas ele não teve vontade de empurrá-lo. Em vez disso, agarrou o antebraço musculoso que antes tocava sua nuca.
— No fim, você nunca vai até o final. Que decepção. Patético virgenzinho.
Devia ser culpa da embriaguez. Do excesso de vinho. Hayul não conseguia acreditar que aquelas palavras tinham saído por sua própria vontade. Era quase como se estivesse pedindo, de modo provocativo, que Pavel fizesse algo mais. Ele sabia que deveria parar com aquelas provocações. Mas o aroma cítrico, denso e penetrante, o enlouquecia. ‘Onde será que esse desgraçado arranjou esse perfume que deixa as pessoas malucas?’ Hayul, embriagado pelo álcool, pelo calor e pelo cheiro, deixou escapar palavras sem pensar.
— Você é realmente estranho. Um cara que é praticamente a personificação dos feromônios e se faz de puritano. Consegue enfeitiçar qualquer um, só de cruzar os olhos, faz as pessoas ficarem duras e babando de tesão, mas nunca entrega nada. Parece um adolescente idiota que só deixa chupar a porra do próprio pau. Se é pra ser assim, você poderia muito bem se masturbar sozinho…
Antes que terminasse de falar, os lábios de Pavel cobriram os dele. Era um beijo diferente de antes: macio e carinhoso. Um beijo que enlouquecia. Irritado, Hayul empurrou o queixo de Pavel e virou o rosto.
— Você vai me deixar louco com essa merda de atitude…
Mas Pavel agarrou seu queixo, forçou-o a virar de volta e o beijou outra vez. Hayul resistiu de novo.
— Some daqui. Vai para o seu quarto se masturbar.
Se ele se deixasse levar por essa atmosfera, não saberia o que faria. Ele estava com medo do que poderia fazer se fosse arrastado para esse calor. O desejo sexual era um instinto natural humano, mas ele não devia sentir isso por Pavel.
Hayul esfregou os lábios, levantou-se e empurrou Pavel.
— Saia.
Ele não era alguém que se deixaria empurrar tão facilmente. Pavel agarrou os ombros de Hayul e o girou. Irritado e resistindo, uma luta corporal leve se seguiu. No entanto, o vencedor desse embate inútil era sempre Pavel. Sem perceber, Hayul acabou sendo jogado na cama.
Pavel o pressionou quando ele tentava se levantar, virando-o de repente. Subiu sobre as costas dele, que se debatia como um peixe recém-pescado, e com habilidade experiente amarrou-lhe os pulsos.
— No começo era só curiosidade. Você foi a primeira pessoa que não mostrou nenhuma reação aos meus feromônios.
Hayul não desistia; resmungava e se contorcia.
— Me solta! Desamarra isso agora, seu desgraçado!
Mas Pavel não deu ouvidos ao que ele dizia, apenas despejava as próprias palavras.
— Depois que Rosie, a única do meu lado, morreu, eu estava enlouquecendo. A certa altura, era como se eu estivesse sufocando, prestes a morrer… e aí você apareceu.
— Que porra… Você mandava até um cachorro morto te chupar, é isso?
— Claro que não.
— Então se é para me colocar no lugar de um cachorro morto, me trate como um cachorro! Para de fingir que me trata como gente! Prefiro que você me amarre uma coleira no meu pescoço e me jogue numa casinha. Assim, pelo menos, não vou ter ilusões!
Hayul virou a cabeça com dificuldade e praguejou com raiva para Pavel, que estava montado em suas costas. Os movimentos de Pavel pararam.
— Que ilusões?
— A ilusão de que você me trata como ser humano.
— Não, isso não é ilusão. Eu te vejo como um ser humano. Eu não tenho fetiche de sentir tesão por animais.
Como se para provar suas palavras, a parte inferior rígida do corpo de Pavel pressionava contra ele. Era impressionante como ele conseguia ficar tão tranquilo, montado em cima de alguém, completamente ereto. Pavel se moveu, fazendo um ruído de arrasto. Ele se encaixou perfeitamente nas costas de Hayul, depositando todo o seu peso.
— O que você quer?
Sua voz, sussurrada perto do ouvido, era baixa e úmida. O membro pesado de Pavel pressionou contra as nádegas tensas e rígidas de Hayul. Até através da roupa, o calor úmido e ardente era transmitido por completo. De forma agressiva, o pênis se pressionou contra suas nádegas, como se fosse perfurá-lo e entrar a qualquer momento.
— Quer transar comigo?
Seu hálito, ofegante, molhou o ouvido de Hayul, ele ofegou e mastigou a orelha lentamente. Cada sensação era transmitida com clareza insuportável: o calor do corpo pesado sobre suas costas, o peso insistente do membro em sua bunda, tudo. O corpo jovem e vigoroso de Pavel queimava como uma labareda.
— Diga. Você quer?
Ele mordia e lambia a orelha, falando com voz rouca e molhada. Os dedos de Pavel, com a marca do anel claramente visível, percorreram sua bochecha e passaram sobre seus lábios. Pavel sempre tirava o anel quando cometia suas perversões. O anel era uma coleira simbólica, um grilhão que o mantinha sob controle. Mesmo assim, ainda que o tirasse, nunca ultrapassava os limites. Décadas de doutrinação do Duque Headington o haviam deixado sem coragem de ir além.
Hayul então cravou os dentes no dedo que tentava se insinuar em sua boca.
— Se eu disser que quero transar com você, você vai enfiar mesmo?
Ele virou o rosto com esforço, encarando Pavel nos olhos enquanto provocava. Os olhos azuis vacilaram. Hayul mostrou um sorriso amargo.
— Você não tem coragem para isso de qualquer maneira. Você jamais seria capaz de desafiar o seu pai. Um marmanjo crescido que continua sendo arrastado pela coleira. Vai viver assim a vida toda, até morrer.
Ele cuspiu as palavras como se fossem veneno, mas ao mesmo tempo sentiu um certo alívio no peito. Porém, percebeu imediatamente que havia ultrapassado um limite perigoso, ainda mais naquele momento. O olhar de Pavel mudou. O brilho cintilante desapareceu, substituído por um brilho gélido e letal. Só então Hayul percebeu o erro.
De repente, Pavel se ergueu e o virou de frente, fechando as mãos em volta do pescoço dele. Com os pulsos amarrados, Hayul não podia reagir. Não havia compaixão na pressão daquelas mãos. Pavel havia perdido completamente a razão, os olhos estavam vidrados. Sons de engasgo saíram da boca de Hayul e seus membros se contorceram.
Ironicamente: o medo que antes fazia seu coração disparar havia sumido. Parecia até engraçado. Ao contrário, aquela violência contra si o preenchia de um alívio estranho, quase bem-vindo.
— Seu desgraçado, você sempre foi assim…
Hayul riu com dificuldade e murmurou. Forçou-se a abrir bem os olhos e encarou Pavel, que estava montado sobre ele. O canto dos lábios do alfa se retorceu.
— Até quando vai viver escondido atrás de uma máscara?
— Cala a boca.
A boca do rapaz se abriu, sua voz estava trêmula. As mãos grandes que estrangulavam o pescoço também tremiam. Para Hayul, Pavel parecia apenas um garoto com um corpo grande. Ele fingia ser um adulto crescido, mas ainda não havia amadurecido. Parecia que ele era apenas uma criança presa em algum cast na Sibéria, em meio a uma enorme nevasca.
— Por que você vive assim, sendo um maldito Alfa Real que tem tudo?
— Eu disse para calar a boca!
O rosto de Pavel, que parecia uma estátua polida, se rompeu em fissuras e começou a desmoronar. Os olhos arregalados ficaram injetados de sangue. Ele era a própria imagem da loucura. A face mascarada, elegante e sofisticada, já era bela, mas esse estado atual era sufocantemente fascinante. Mesmo numa situação em que poderia ser estrangulado até a morte, o pênis de Hayul inchou, ficando duro.
Na primeira vez que viu Pavel, Hayul se perguntou como seria a vida de alguém que tinha tudo. E, quanto mais o conhecia, mais pensava: “Por que ele vive assim?” beleza, inteligência, uma mente brilhante, habilidades físicas excepcionais, honra e riqueza – Pavel tinha tudo, mas não parecia feliz.
Um ser que brilhava intensamente. Um ser que precisava ser o melhor em qualquer lugar. Uma dignidade contida. Isso significava viver sempre reprimindo os próprios instintos, até mesmo os sexuais. Uma vida inteira de desejo reprimido e controlado só poderia se distorcer.
Mesmo casando-se com a princesa Kartan, será que ele conseguiria liberar aquele desejo distorcido? Provavelmente teria de se conter ainda mais. Precisaria gerar descendentes excelentes, dignos da Família Real, e viver como um marido perfeito, um pai perfeito.
Pela vida inteira.
‘Só de imaginar, já é uma vida sufocante.’
— Coitadinho.
Genuinamente, ele sentiu pena da vida daquele homem, embora ele não estivesse em posição de ter pena de ninguém. Ele falou olhando para Pavel com olhos cheios de compaixão. As pálpebras de Pavel tremeram como se tivessem espasmos. Os dedos que estrangulavam o pescoço de Hayul se curvaram como ganchos, cravando-se na pele. Apenas sons de respiração ofegante e pressionada escapavam e sua mente começou a ficar tonta.
— Cala a boca! Cala a boca! O que você sabe sobre mim pra falar assim?
‘Eu posso morrer assim…’
Esse pensamento surgiu. Mas ele não implorou por sua vida. Não queria. Seu corpo sofria, mas, estranhamente, o coração estava em paz. Havia até uma sensação de satisfação ao ver um Alfa Real perder o controle das próprias emoções por causa das provocações de alguém como ele, um homem de vida miserável. Sentiu até uma estranha superioridade.
— Não sabe nada sobre mim, então não fale como se soubesse! Um sub-beta ousando dizer qualquer coisa! Só porque eu fui um pouco gentil com você, achou que podia passar dos limites?
‘Pavel. Pavel. Moleque.’
Hayul deixou escapar risadinhas entre os sons de sua respiração ofegante.
— Até você deve achar ridículo ficar tão bravo só por causa das palavras de um cara como eu, não acha?
Então zombou com malícia. Os olhos azuis de Pavel se arregalaram como se fossem saltar. Uma força tremenda veio das mãos do rapaz, e Hayul perdeu a consciência.
*
— A marca no pescoço vai demorar a sumir, mas não há risco de vida.
Quando recobrou os sentidos, a primeira coisa que ouviu foi a voz do Dr. Kevin. Se estava ouvindo a voz do médico, então significava que não havia morrido. O aroma cítrico que se espalhava suavemente pelo ambiente denunciava que Pavel estava por perto, mas, estranhamente, permanecia em silêncio.
— O jovem mestre perdeu o controle, algo incomum para alguém como você.
Mesmo diante da observação do doutor, Pavel não respondeu. Um silêncio curto se instalou até que o médico voltou a falar.
— Está tudo bem com o jovem mestre?
Só então o som da respiração de Pavel pôde ser ouvido.
— Não… Acho que não estou bem.
A voz de Pavel, dirigida ao doutor, estava pesada e sombria. Ele interrompeu suas palavras e soltou um longo suspiro.
— Não estou agindo como de costume. Meu humor oscila dezenas de vezes ao dia. Várias vezes ao dia, meu humor sobe e desce sem motivo. Eu não sei. Nem eu mesmo entendo por que estou assim.
— Pode ser que haja alguma alteração nos seus níveis de feromônio. Seria melhor fazer um exame.
Era uma resposta típica de um médico. Pavel provavelmente buscava conselhos, mas o doutor se limitou a dar respostas técnicas e frias, como especialista.
— Vou marcar um exame para o jovem mestre e, por enquanto, prescrever alguns medicamentos para aliviar os sintomas. Não precisa se culpar tanto, é natural na juventude. Afinal, ele é apenas um sub-beta. Ninguém chama um médico para tratar um inseto machucado.
As palavras do médico fizeram seu estômago revirar. Pável ainda se lembrava do olhar com que o doutor encarou Hayul quando foi chamado pela primeira vez. Naquele dia, durante uma briga, Pavel tentou forçá-lo a se lavar; no empurra-empurra, Hayul se feriu ao bater contra a quina da mesa. O médico o olhou com repulsa e desprezo, examinou-o com visível desgosto e, relutante em tocá-lo, usou luvas de látex durante o exame.
— Até agora o jovem mestre tem feito um bom trabalho, então basta continuar assim.
— Doutor Kevin.
A voz de Pavel cortou as palavras dele, grave e baixa.
— Sim?
— Peço que se abstenha de falar desse jeito.
— Perdão?
— Refiro-me a chamar o Rosie hyung de inseto ou usar qualquer outra expressão desse tipo.
— ……
— E, quando for examiná-lo, não use luvas. Atenda-o de forma adequada.
As palavras eram polidas, mas o tom não era. A voz carregava um peso firme, e seus olhos azuis, fixos no médico, estavam frios como gelo.
— Jovem mestre, perdoe minha insolência, mas o que pretende com isso? Aquele rapaz é apenas um sub-beta. O senhor é um Alfa Real da nobre família Headington. Em breve, fará parte da Família Real. O senhor não está pensando em quebrar seu voto de castidade e fazer algo repulsivo com alguém como esse Rosie, está? Se isso chegar aos ouvidos do Rei Kartan…
— Se sabe que é uma insolência, então não diga. E chame-o de Jin. Rosie é um nome que só eu posso usar.
— Jovem mestre. Por favor, não leve minhas palavras de forma leviana.
— Se terminou a consulta, pode se retirar.
O tom de Pavel deixava claro que não queria mais conversa, mas o doutor Kevin insistiu.
— Se acha que não consegue controlar seus desejos, então mande o Jin embora. Essa é a solução correta. O senhor realmente mancharia a honra da família Headington dessa maneira?
— Eu disse para sair.
A voz de Pavel se tornou anormalmente grave. Por fim, talvez desistindo de persuadi-lo, o doutor Kevin soltou um longo suspiro, despediu-se e saiu. O som da porta se fechando ecoou e, em seguida, um breve silêncio tomou conta do quarto. Logo depois, o colchão rangeu e afundou para um lado. Pavel devia ter se sentado na beirada da cama.
Hayul, que forçava os olhos a se manterem fechados, sentiu o peso de um olhar sobre ele. A mão de Pavel acariciava o pescoço ainda dolorido dele.
— Sei que você está acordado.
— Seu filho da puta.
Assim que abriu os olhos, Hayul já soltou um palavrão. Com o braço que ainda estava ligado ao soro, ele afastou bruscamente a mão de Pavel.
— Merda. Você me fere e depois vem cuidar?
— Admito. Eu me exaltei demais.
A expressão de Pavel parecia tão tranquila quanto de costume. Sua fala era calma, seu semblante suave. O rosto ameaçador de antes tinha desaparecido completamente, a ponto de se duvidar se era o mesmo homem.
‘Achei mesmo que ia morrer há pouco.’
Mas continuava vivo. Fora a dor no pescoço e o corpo inteiro latejando, o resto estava normal. Ele o estrangulou até desmaiar com olhos injetados de sangue, mas depois o deitou em uma cama limpa, chamou um médico, tratou dele e até colocou soro.
— Sinto muito.
As palavras inesperadas saíram da boca do homem. Hayul nunca imaginaria que aquele homem se desculparia tão facilmente.
— Não tive intenção de matar ou ferir você. Só me exaltei mais do que o normal.
— Covarde de merda.
Hayul encarou Pavel com frieza e cuspiu as palavras.
— Você só começa, mas nunca termina. Sempre. Em tudo. Você nem sabe como saciar direito seus desejos impuros.
Ele não respondeu. Apenas o encarava com os mesmos olhos azuis serenos. Então Hayul despejou tudo o que carregava dentro de si.
— Você não consegue me matar, ficou excitado e veio para cima, mas está com medo demais para me violentar. Você também tem medo de mim, não é? Porque se se envolver comigo, sua vida brilhante vai acabar em um piscar de olhos. Excitado por um sub-beta… deve ser muito humilhante ficar de pau duro por causa de alguém como eu… que vergonha. Mas, mesmo assim, você enlouquece de vontade de me tocar, não é?
A tosse irrompeu quando a garganta irritada não aguentou mais. Ainda assim, entre acessos de tosse, ele torceu os lábios e lançou insultos.
— Perdedor. Pervertido. Um moleque com corpo de adulto. Vai viver a vida toda bajulando o papai, não pode desobedecer o papai, sempre fazendo tudo pelo paizinho… Que baba-ovo do caralho! Seu menino do papai!
Uma tosse violenta e incontrolável surgiu, e ele não conseguiu mais falar. Hayul sacudiu o corpo todo dolorido e tossiu por um tempo. Sua garganta machucada, seu abdômen doído, seus pulmões pareciam estar se rasgando, e as lágrimas vieram. As lágrimas brotaram sem que ele pudesse controlar.
Pavel, em silêncio, ajudou Hayul, que tossia e se contorcia, a se sentar, bateu suavemente em suas costas, acariciou-o e deu-lhe água. Ele até enxugou com uma toalha o filete de água que escorria para baixo do queixo. Hayul não tinha forças nem para afastá-lo; apenas resmungou. A mão que afagava suas costas era incrivelmente gentil.
Quando a tosse finalmente diminuiu, Pavel o deitou novamente e cobriu-o com o cobertor.
— Some.
Com o rosto meio escondido sob as cobertas, Hayul mal conseguiu sussurrar a ordem inútil, arfando. No fundo, sabia que era um comentário insolente: afinal, estava na casa de Pavel. Quem deveria sair era ele mesmo. No entanto, Pavel apenas olhou para Hayul com um sorriso tranquilo.
Hayul continuou a encará-lo com raiva, mas em algum momento seus olhos se fecharam sozinhos. Um sono irresistível o invadiu e sua consciência afundou, mas mesmo de olhos fechados, ele ainda conseguia sentir o olhar de Pavel.
No limiar do sono, Hayul sentiu uma mão acariciando seu cabelo. A ponta dos dedos, com um cheiro agradável, roçou sua testa.
— Como teria sido bom se você fosse um Omega. — A voz de Pavel soou distante, como um sussurro perdido. — Então eu…… me casaria…… com você.
À beira do sono profundo, as palavras chegaram a Hayul fragmentadas, soltas como ecos distantes.
‘Que diabos você está falando? Mesmo que eu fosse um ômega, jamais me casaria com alguém como você.’
Com esse pensamento, Hayul reafirmou a decisão.
‘Assim que cumprir o contrato, vou embora. Não… nem isso. Preciso me livrar desse lunático antes mesmo do prazo chegar ao fim. Nunca se sabe o que um maluco desses pode fazer.’
Rangendo os dentes mentalmente, Hayul caiu no sono.
°
°
Continua…
Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online
(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog