Ler Cão Real. – Capítulo 16 Online

Modo Claro

 

Era uma situação desesperadora. Estava bloqueado tanto pela frente quanto por trás. Nesses momentos, a única saída era avançar de frente. Hayul puxou o gatilho da arma sem hesitar porém, por estar perto demais, Marco desviou com facilidade. Àquela distância, a arma de fogo não servia para nada, era preciso lutar corpo a corpo. Hayul lançou um soco contra o rosto do homem a quem um dia tinha feito reverência, tratando-o como chefe. Mas Marco não ficou parado recebendo o golpe – contra-atacou imediatamente.

— Quem merda são esses caras agora?

— Eles estão junto com aquele maldito ômega?

Atrás, os gritos estridentes dos homens dentro da boate ecoaram barulhentamente. Eles pareciam não ter nada a perder. Não tinham medo de enfrentar os homens armados até os dentes. Um dos capangas de Marco atirou. Os Alfas hesitaram por um momento, mas logo voltaram ainda mais enfurecidos, berrando de raiva.

— O que esses merdas estão fazendo no nosso território? De onde são?

— Peguem todos!

Os homens do clube, afinal, não eram simples bêbados. Também estavam armados. De repente, homens com armas e facas surgiram aos montes, vindo da parte de trás, e se lançaram contra os subordinados de Marco. Uma briga sangrenta começou em meio à chuva torrencial. Era um verdadeiro caos.

Como as coisas tinham chegado a esse ponto? Hayul não sabia. Nada na vida seguia o rumo que ele desejava. Nunca.

Marco desviou do soco que Hayul havia lançado com fúria e, ao mesmo tempo, sacou uma faca e a brandiu, sussurrando em tom sombrio:

— Anjo, seu cheiro de Ômega está se espalhando por todo lugar. O que você acha que está fazendo? Vai atrair todo tipo de gente, como cães e ratos.

— Eu não sou um ômega.

Ofegante, Hayul também puxou uma faca escondida na manga e assumiu posição de ataque. A cena lembrava os treinamentos brutais das forças especiais, quando os recrutas rolavam na lama sob chuva, brandindo facas uns contra os outros. Mas treino e realidade eram mundos diferentes. No campo de batalha real, não havia regras.

De trás, dos lados, de todos os cantos, os ataques vinham em ondas. Em um instante, Hayul foi subjugado e agarrado por braços fortes e tiraram-lhe a faca da mão. Quando tentou se debater para se soltar, um soco certeiro atingiu seu abdômen, o deixando sem ar. Com os braços presos, o corpo de Hayul pendeu mole, arfando em busca de fôlego.

— Que garoto difícil… Nunca vi um ômega tão violento assim.

A voz de Marco soou acima da cabeça caída de Hayul. Logo em seguida, ele agarrou o cabelo dele e puxou bruscamente para trás. Hayul fez uma careta e resmungou um palavrão.

— Merda. Eu já disse que não sou um ômega!

— Ah, Anjo… como é possível você ser tão enlouquecedoramente atraente?

Marco soltou uma risada nojenta, um som quase animalesco. Seus dentes bem alinhados, agora tingidos de vermelho pelo sangue, apareceram quando os lábios se retraíram num sorriso.

— É o seu primeiro Ciclo de cio? Vou ser o seu primeiro alfa.

Mas Marco não deu ouvidos às palavras dele, que negava ser um ômega; ele apenas continuou falando o que queria. Enquanto isso, atrás deles, a luta inútil ainda prosseguia em meio ao caos.

— O que devemos fazer? — perguntou um dos subordinados de Marco.

— Matem todos.

No limite da consciência, Hayul ainda ouviu a voz calma de Marco, que parecia se sobrepor a todos os sons. Ele foi arrastado como um animal a caminho do abatedouro.

Todo tipo de ruído o cercava. O som da chuva caindo, os gritos de dor dos homens. Todo tipo de cheiro também. Odores de água suja, de sangue, de pólvora. Nada diferente do bairro pobre onde Hayul tinha nascido. Mal havia conseguido escapar daquele lugar miserável, e ainda assim continuava preso no fundo do poço, debatendo-se no esgoto da vida.

Até quando teria que correr dentro daquele túnel escuro para finalmente ver o fim?

Seu corpo, encharcado pela chuva, foi ficando mais pesado, e os sons ensurdecedores ao redor começaram a se afastar. As gotas frias da tempestade espetavam sua pele como agulhas. A vontade de viver ainda estava ali, mas faltava-lhe forças.

De repente, uma fragrância cítrica fresca, como o perfume de flores na primavera, espalhou-se pelo ar. Um cheiro tão familiar que, às vezes, chegava a ser até nostálgico.

Os olhos de Hayul brilharam ao se abrirem de repente. Ele ergueu com dificuldade a cabeça caída e olhou ao redor, tentando encontrar a origem do aroma.

Do outro lado da rua escura, ele viu um homem parado sob um guarda-chuva. O homem era como a própria escuridão, todo de preto. O guarda-chuva, os cabelos molhados, as roupas – tudo. Mas o rosto do homem brilhava intensamente. No meio da sombra, resplandecia branco, como um raio de luz que atravessava a escuridão.

Sempre, em qualquer momento, aquele filho da puta brilhava tão deslumbrante.

— Pavel…

Haryul abriu os lábios sem forças e murmurou.

“Venha até aqui, Rosie hyung.”

Ele quase podia ouvir a voz de Pavel chamando-o carinhosamente. O aroma cítrico pairou forte entre o cheiro úmido de tantos alfas. Neste esgoto imundo, Pavel era a única coisa que brilhava, a única fragrância.

Marco, que caminhava ao lado de Hayul, também pareceu perceber a presença de Pavel.

— Aquele filho da puta.

Marco arregalou os olhos, tremendo e rangendo os dentes com ódio. Atrás de Pavel, homens vestidos de terno preto surgiram, e logo em seguida o som de disparos ecoou. As mãos que seguravam firmes os braços de Hayul perderam a força. Os homens que o haviam imobilizado gemiam e se contorciam no chão.

— O que está fazendo? Vem logo!

A voz de Pavel agora soava clara e penetrante em seus ouvidos. Hayul, que estava parado atordoado, voltou a si subitamente. Os capangas de Marco, atrasados, correram em direção a Hayul novamente, mas desta vez ele não foi capturado tão facilmente. Os tiros vindos do lado de Pavel serviam como guarda firme.

Hayul arrancou a arma das mãos de um homem caído no chão.

— Anjo!

E então disparou sem hesitar contra Marco, que bloqueava seu caminho. A bala passou raspando pela bochecha e pela orelha do inimigo. Enquanto ele gritava de dor, Hayul avançou, abrindo caminho em direção a Pavel. Este continuava parado, sustentando o guarda-chuva sem mover um músculo.

Ele estava sorrindo. Seu rosto sorridente era incrivelmente bonito. O aroma cítrico também ficou mais forte, como o perfume de uma flor em plena floração.

‘Esse desgraçado… vou matá-lo.’

Pensando bem, a raiz de todos os males estava justamente ali, naquele homem. Rangendo os dentes, ele apontou a arma para o rosto sorridente de Pavel. Mas click, apenas o som de um carregador vazio ecoou.

— Droga.

Ele xingou e jogou fora a arma descarregada. Se não fosse na bala, seria no corpo a corpo. Ele sempre quis dar um soco naquele rosto. Pavel, porém, não desviou o olhar, encarando-o com seus olhos azuis como jóias.

No momento em que Hayul avançou com o punho erguido, algo pequeno se cravou em seu pescoço. Nervoso, ele arrancou a pequena flecha que se prendia ali e a jogou fora, mas suas pernas se dobraram de repente e sua visão ficou turva.

Era um dardo tranquilizante. Hayul compreendeu mais uma vez: aquilo não era treino, era a realidade. E não estavam caçando animais, mas ainda assim usavam tranquilizantes.

— Seu… maldito.. fi… lho da…

A voz que escapou entre seus lábios tremia descontroladamente. A pronúncia também estava terrivelmente embaralhada. No limite de sua visão, ele viu os sapatos de Pavel, que de repente haviam se aproximado.

— Não achei que você acordaria e fugiria depois de receber tantas doses de sedativo. Meu cachorrinho é mesmo resistente.

Pavel falou com uma voz assustadoramente doce e estendeu a mão branca. Ele passou os braços sob as axilas de Hayul, que desabou com os joelhos fracos, e o ergueu com um “up”, como se levantasse um animal. Não bastou erguê-lo: Pavel o puxou contra o peito, carregando-o inteiro em seus braços. Era humilhante, mas seu corpo estava paralisado, sem energia para resistir. Seu corpo, paralisado e rígido, ficou flácido, e ele apenas arregalou os olhos e rangeu os dentes.

— Estava com medo, não é? Olha como está tremendo.

Ele olhou fixamente para Hayul, que o encarava, e deu tapinhas em sua bunda. Ele não estava tremendo de medo, mas de uma raiva intensa.

— Seu-desgra… ça-do… me… solta.

Seus lábios também começavam a adormecer. Conseguiu apenas murmurar com dificuldade, e então Pavel depositou um beijo em sua testa e esfregou o nariz contra a orelha dele.

— Que cheiro bom.

Ele ainda não ouvia o que as pessoas diziam. Como quem prova um sabor, ele lambeu a orelha de Hayul com a língua, não apenas lambeu, mas também mordeu de leve a cartilagem e o lóbulo da orelha.

— É bom poder encontrar o hyung pelo cheiro, mas o aroma é tão forte que acaba atraindo todo tipo de inseto.

A voz do homem sussurrando em seu ouvido era assustadoramente úmida e doce. A nuca de Hayul contraiu-se instintivamente. Até no hálito dele exalava aquele perfume intenso. Continuava sendo um cheiro doce e agradável, mas era como a polpa de uma fruta viscosa. Embora o tempo estivesse frio com chuva constante o dia todo, seu corpo molhado pela chuva estava quente e ardente.

Ele pensou que era apenas o cheiro de perfume. Mas parecia que não era. O cheiro de um perfume comum não faria a área entre suas pernas ficar quente a ponto de explodir.

— Pavel…

— Hm?

Ao pronunciar o nome com dificuldade, ele reagiu imediatamente. Os olhos azuis de Pavel encararam Hayul de frente. O sorriso que lhe preenchia o rosto tinha até uma doçura cuidadosa. Da boca vermelha de Pavel escapava o hálito branco, quente e tão doce que Hayul sentia que perderia a razão. Bastaria uma mordida para aquela polpa adocicada estourar em sua boca.

— Você… por que está… fazendo isso comigo?

O sorriso nos lábios dele se aprofundou.

— Chame meu nome de novo.

A voz molhada parecia encharcar o seu ouvido por dentro. A respiração de Hayul acelerava. Seus olhos estavam fixos naqueles lábios sorridentes, vermelhos e carnudos. Queria se lançar sobre eles, morder, lamber. Imaginava o sabor dentro daquela boca – certamente seria doce. Ele queria provar o sabor do hálito que emanava doçura. Seu coração batia forte, seu corpo ardia e, droga, parecia que seu pênis iria explodir.

Ele admitiu. Agora queria fazer sexo, com aquele desgraçado. Queria beijar, entrelaçar línguas, sugar aquele sopro doce, lamber aquela pele suave molhada pela chuva, e tocar à vontade. Queria rolar nu com aquele cara. Apenas imaginar isso deixou sua bunda toda molhada e o pênis latejando. Era um desejo louco e incontrolável. Aquilo não era normal. Incapaz de suportar o impulso insano, Hayul agarrou o braço grosso de Pavel.

— O que está acontecendo com o meu corpo…?

Sua voz tremia, assim como a mão que agarrava o braço dele. Pavel apenas sorriu em silêncio. Beijou novamente a testa de Hayul e o apertou contra si com mais força. O abraço firme não era desagradável; o peito sólido contra seu corpo trazia segurança, o colo de Pavel era quente, aconchegante e perfumado.

Ironicamente, ele se sentia confortável nos braços do homem que mais queria matar naquele instante. Não podia ser assim. Não devia se deixar ficar nesse estado ridículo.

— Descanse.

O sussurro afetuoso de Pavel fluiu para dentro de seu ouvido. Ao ouvi-lo, todas as forças desapareceram do corpo de Hayul. Não importava mais, não queria pensar em nada, também não tinha energia. Haveria outra oportunidade para matar Pavel, agora estava cansado, exausto demais. Hayul não resistiu mais e desabou.

Seu corpo tremia quando um casaco foi posto sobre ele. Parecia ser o sobretudo de um dos seguranças de Pavel, que havia tirado a própria roupa para cobri-lo.

— Cuidem do resto.

A ordem baixa do homem foi seguida pela resposta afirmativa de alguém ao lado. Sobre a superfície de sua consciência que afundava, os ruídos e a voz furiosa de Marco zumbiam alto.

— Anjo! Anjo! Seu desgraçado! Como pôde me trair assim? Acha que vai sair ileso depois disso?!

Pavel poderia ter ignorado, mas fez questão de responder.

— Acho que você está enganado, hyung não está sozinho.

A voz baixa, mas ressonante do homem, ecoou em seus ouvidos, palavra por palavra. Diferente de Pavel, que não perdia a elegância mesmo no meio desse caos, Marco esperneou desesperadamente.

— Seu bastardo, quem diabos é você? Que relação tem com o Anjo?!

— Noivos, talvez?

A resposta veio sem hesitação. Marco, que até então gritava e esperneava, silenciou por um instante. O lugar mergulhou no silêncio. No colo de Pavel, Hayul “Nngh” soltou um gemido baixo.

Maldito Pavel. Seu maluco. No que você está pensando? Cerrando os dentes, Hayul decidiu mais uma vez que precisava eliminá-lo.

— Eu estou ao lado do hyung. Se alguém tocar nele, não vou deixar passar.

— Seu bastardo, se mexer comigo, você também morre!!

Marco voltou a gritar depois de um breve silêncio. Hayul, aflito, agarrou a gola da roupa de Pavel. Seus lábios se moveram com dificuldade, sem conseguir formar palavras.

‘Não. Não faça isso. Se você matar o Marco, você realmente vai nos meter em problemas.’

Mas da boca dele só saía o som áspero da respiração.

— Não tenha medo. Não há por que se assustar com palavras assim.

Pavel sorriu e afagou as costas de Hayul. Logo depois, um tiro ecoou. Hayul pensou:

‘É o fim. Agora, não há como sobreviver nesta cidade.’

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Continua…

 

Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online

(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
 
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog

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