Ler Cão Real. – Capítulo 03 Online

Modo Claro

Hayul parou na frente de um luxuoso condomínio localizado entre os arranha-céus do centro de Nova York. Como ele já havia estado ali algumas vezes, o porteiro reconheceu Hayul e abriu o portão de entrada. Ele entrou sem hesitar, pegou o elevador até o sétimo andar e tocou a campainha do apartamento 1002.

Logo Levy, ainda de pijama, abriu a porta. Já passava do meio-dia e ele ainda estava dormindo.

— O que foi? Marco te mandou?

Levy era um dos muitos amantes orientais de Marco. Levy franziu a testa em  aborrecimento ao ver o rosto bonito que Marco adorava.

— Você deveria ter ligado, porque mandaram você? Eu tenho que olhar para essa sua cara desgraçada de bunda tão cedo?

Hayul agarrou o pescoço de Levy com força. Então arrastou o homem assustado que lutava para dentro da casa.

— O que, o que está acontecendo? Você enlouqueceu?

Ele empurrou o cara que estava se debatendo contra a parede da sala.

— Foi você?

— Do que você está falando?

— Você vendeu informações para Steve.

O lindo rosto de Levy se contorceu. A julgar pelo jeito que ele não conseguia esconder suas expressões, era óbvio que ele nunca seria um típico espião. Nenhum membro tinha traído a organização. No final das contas, não havia muita vantagem em fazer isso.

Aqueles que violavam o juramento da organização eram punidos com a morte. A maneira de Marco fazer as coisas era perseguir implacavelmente até os confins da terra qualquer um que o traísse, e assim, fazê-los se arrepender. Não havia exceções. Marco era o tipo de pessoa que matou seu próprio irmão mais novo, por tê-lo traído e jogou seu corpo para os crocodilos.

Estando na organização de Marco, todos tinham uma vida confortável garantida. As famílias dos membros da organização também eram protegidas com segurança dentro desse muro. No entanto, assim que alguém cruzava essa barreira, não só ele mas também toda sua família eram aniquilados.

De maneira alguma os membros iriam abrir mão de suas vidas estáveis e da segurança de suas famílias por alguns trocados. Especialmente quando a pessoa com quem se está lidando é Steve Tavier.

Steve Tavier era um bastardo notório, até mesmo no submundo. O homem que explodiu a cabeça de seu subordinado porque não gostou do cheiro do perfume dele. Será que um homem assim pagaria uma boa quantia de dinheiro e garantiria segurança por uma pequena informação?

Não havia vantagem alguma em trair a organização de Marco para se aliar a Steve Tavier.

Portanto, esse indivíduo não podia ser um membro da organização. Tinha que ser alguém que tivesse algo pessoal contra o Hayul, em vez de algo contra Marco. Era alguém que agia impulsivamente, sem pensar, levado por suas próprias emoções.

Essa pessoa era Levy.

— Quanto você recebeu de Steve? O que acha que vai acontecer quando Marco descobrir isso? Por que você não usa sua linda cabeça para pensar, só para variar?

— Não me venha com sermões. Quem você acha que é? Você também é apenas um prostituto desgraçado que chupa o pau do chefe.

Levy o xingou de uma forma que não combinava com seu rosto bonito. Ele tinha acabado de fazer vinte anos, então sua pele era macia e firme.

Ele também era asiático, assim como Hayul, com cabelos negros semelhantes. Ele era jovem, bonito e habilidoso, o tipo de amante que Marco apreciava. Este luxuoso condomínio no coração da cidade também havia sido providenciado por Marco.

Ele deveria estar satisfeito com seu relacionamento contratual com seu rico patrocinador. Mas, infelizmente, Levy estava profundamente apaixonado por Marco, e tinha ciúmes de Hayul, que era favorecido por Marco, apesar de não ser seu verdadeiro amante.

— Me solta, porra.

Levy puxou a mão de Hayul que estava segurando seu pescoço com firmeza.

— Como diabos você sabia que Steve Tavier era meu alvo?

— Eu hackeei um aplicativo de bate-papo secreto. Eu vou matar todas as raposas que estão rondando o Marco.

Ele estava falando sobre hackear um aplicativo de bate-papo criptografado usado por Marco e toda a organização. Levando em consideração o quão inútil Levy era, ele provavelmente havia pago alguém para fazer isso.

— Que loucura. Você tem muita energia desnecessária.

Hayul começou a rir. Como alguém pode ser tão insano? Ele tem uma energia inesgotável. Será que esse garoto acha que tem duas vidas?

Marco gostava da maneira como o temperamento de Levy explodia como gasolina em contato com o fogo. Ele achava fofo o fato de Levy ser tão impulsivo. Embora Levy não estivesse satisfeito, Marco o adorava e o valorizava, enrolando-o em seus braços, suportando os excessos de raiva e ciúme que o garoto mostrava.

Por isso, o garoto tinha uma grande ilusão. Que Marco também o amava e que o perdoaria, independentemente do que ele fizesse.

De repente, ele se lembrou do que Marco havia dito antes, que não conseguia entrar em contato com um prostituto chamado Jay.

— Você também fez alguma coisa com o Jay?

— Aquele prostituto de baixo nível. Ele estava se comportando como um ômega, mesmo sendo um beta, isso é repugnante. Eu me certifiquei de que ele não voltasse a oferecer seu buraco ao meu homem.

Hayul riu, chocado com as palavras; embora ele próprio também fosse um prostituto beta, sua homofobia não era brincadeira.

— Marco é meu, e não vou dá-lo a mais ninguém.

Resmungando consigo mesmo, o cara deu meia-volta e dirigiu-se à cozinha, que estava conectada à sala de estar. Grudada no roupão sua bunda era tão redonda e bem formada que até Hayul ficou hipnotizado, à primeira vista, ele era atraente, tinha uma aparência doce e frágil. Ouvi-se o som da da máquina café sendo ligada, o aroma do café se espalhou pelo ar.

Irritado, Levy preparou apenas uma xícara para si próprio e tomou um gole.

— Você não vai preparar uma xícara de café para mim?

— Não seja ridículo. Se quiser uma bebida, você mesmo prepare.

O garoto colocou uma expressão feroz no rosto e olhou para Hayul. Sem opção, Hayul foi até a cozinha e pegou uma xícara, mas ficou apenas olhando fixamente para a máquina de café, sem saber como usá-la. Ele poderia ter pedido ajuda a Levy, mas o cara estava ocupado zombando dele e bebendo seu café como se nada mais importasse.

— Então por que você ainda está vivo? Steve, aquele idiota, eu dei as informações a ele, ele definitivamente deveria te-lo matado.

— Você não pensa, não é mesmo? Seu estúpido de merda.

Hayul desistiu de tomar seu café e olhou para o rosto de Levy irritado.

Suponha que Steve tivesse matado Hayul. Marco não era o tipo de homem que ficaria de braços cruzados se alguém matasse um de seus subordinados. Isso teria sido o início de uma guerra. Além disso, a situação de Marco, com o cara que na verdade deveria estar morto, não era nada boa. Desde o momento em que o plano original saiu dos trilhos, tudo estava fora de ordem.

— Você tem alguma ideia do que fez?

Levy sorriu e levantou a mão que estava escondendo atrás das costas. Em sua mão havia uma pistola.

— Eu te odeio mais do que qualquer outra pessoa. Você também não passa de um prostituto desgraçado, mas vive correndo atrás do Marco fingindo que é diferente.

Como esperado, ficou claro que Levy era um idiota completo. Se ele tivesse a capacidade de pensar, não seria burro o suficiente para apontar uma arma para um ex-assasino das Forças Especiais.

— Você não é apenas um beta, é?

— O quê?

— Eu sei de tudo. Sean Rinzer, não é? Que piada. Isso é um pseudônimo, não é? Como diabos você entrou no exército? Este maldito país nem faz verificações adequadas de características antes de recrutar soldados? Você, um rato de fundo de quintal, fingindo ser alguém importante. Um viralata imundo que acha que é melhor. Um mestiço sujo, olhe para você, será que transmitiu alguma doença para Marco!?

Nesse momento, Hayul se lançou contra o garoto que gritava, o subjugou em um instante e puxou seu braço para trás. A caneca de café se quebrou com um barulho alto ao cair de suas mãos.

— Que diabos importa para você se eu sou um beta ou não?

— Ei, saia, me solte. Vá se foder. Seu bastardo imundo!

O braço dele foi torcido com mais força, fazendo um som nítido quando seus ossos saíram do lugar. — Ahhh! — ele gritou enquanto seu braço era pressionado.

— É  isso que você faz por algo tão simples como um amante? Você é tão jovem e age sem pensar direito, seu idiota.

Nesse momento, de repente, um som de fricção cortando o ar foi ouvido. E diante dos seus olhos, a cabeça de Levy explodiu. Tudo aconteceu em um instante. Levy, com sua cabeça perfurada, desabou, jorrando sangue. Hayul jogou o corpo mole para longe e rapidamente se escondeu atrás da pia. Somente quando estava escondido, ele olhou em volta, avaliando rapidamente a situação.

A janela da cozinha estava quebrada.

Tinha que ser um franco-atirador como ele. Quem é? Steve Tavier? Pela janela quebrada da cozinha, ele podia ver os arranha-céus do outro lado da rua. De onde eles foram alvejados?

De repente, o telefone em sua mão tocou.

<Três do lado de fora da porta.>

Uma mensagem piscou. Logo em seguida, um clique e o som da porta sendo aberta com o cartão-chave. Instintivamente, Hayul pegou a arma que Levy havia deixado cair e apontou em direção à porta.

Assim como a mensagem dizia, três invasores entraram. Figuras desconhecidas abriram fogo com armas equipadas com silenciadores assim que entraram. Eles pareciam determinados a matar qualquer um dentro da casa. Hayul ficou escondido atrás da pia da cozinha e puxou o gatilho, acertando o homem que estava na frente.

Em seguida, outra bala vinda de fora atingiu outro homem no torso. Era claramente do atirador que havia alvejado Levy. Quando o último foi abatido, mais dois irromperam pela porta. Hayul disparou mais algumas vezes, mas a arma ficou sem munição.

Que merda. No momento em que estava xingando, uma última bala veio de fora e derrubou o último invasor. Não sabia o quão longe o atirador estava, mas sua precisão era notável. Enquanto Hayul tentava entender o que estava acontecendo, seu celular tocou novamente.

<Tenha cuidado, meu cachorrinho.>

O rosto de Hayul se contraiu impiedosamente. Ele ligou imediatamente para o número de telefone que enviou a mensagem de texto. Assim que tocou, a pessoa do outro lado atendeu como se já estivesse esperando por isso. Não havia necessidade de perguntar quem era, porque ele já sabia.

— Você é mesmo o Pavel?

[Por que você continua se metendo em situações perigosas? Isso me deixa preocupado.]

— Perguntei se você é o Pavel.

[Ha, isso é bom, ouvir a voz do meu hyung.]

Um palavrão dançou em sua garganta. Foi nesse momento que suas suspeitas se transformaram numa convicção. Era claramente Pavel. Uma voz baixa e elegante. Um sotaque britânico nítido e impecável. Quem mais poderia imitar aquela voz? Quando o homem o chamou de “Rosie” Hayul ficou em dúvida, mas quando disse “meu cachorro”, teve certeza que se tratava de Pavel.

— Você estava vivo?

[Pode dizer meu nome mais uma vez?]

— Responda minha pergunta, seu filho da puta! Você é o mesmo de sempre quando se trata de não ouvir o que os outros dizem!

Uma risada alegre ecoou do outro lado do telefone. Aquela risada debochada também era a mesma de sempre.

[Já faz algum tempo que não sou repreendido com palavrões pelo meu hyung.]

Mas esse homem não parecia ser o Pavel que Hayul havia conhecido sete anos atrás. Hayul parou um momento para examinar os corpos espalhados ao acaso pelo chão. O Pavel que ele conhecia era um filho da puta idiota, mas ele não machucava as pessoas. Claro, havia uma boa chance de que o atirador do lado de fora fosse um dos homens que Pavel havia contratado.

Pavel Headington era o orgulho dos Duques de Headington, uma antiga família aristocrática inglesa. Ele era um idiota naquela época, mas não um assassino. Pelo menos, ele sabia esconder sua verdadeira natureza dos outros naquela época. A única pessoa que sabia como ele realmente era, era Hayul.

[Eu voltei do inferno, e não posso parar de pensar no meu hyung.]

Uma voz lânguida, tingida de riso, chegou a seus ouvidos. Sua voz se sobrepôs ao som da chuva, que caía naquele dia.

Os eventos daquele dia chuvoso, sete anos atrás, passaram por sua mente como uma cena de um filme. Belmark, no sul da Inglaterra, estava cheia do som da chuva. Matei Pavel na escadaria, onde estavam pendurados os retratos dos ancestrais da família Headington.

Como sempre, tudo começou com uma discussão. Claro, a causa era Pavel. Quando a discussão se intensificou e as emoções se tornaram insuportáveis, Hayul sacou a faca que carregava para autodefesa e esfaqueou Pavel que cambaleou e rolou escada abaixo. Ele correu imediatamente até o homem, que estava deitado aos pés da escada.

‘Pavel. Pavel.’

Aterrorizado, ele sacudiu o corpo do homem, mas ele não se mexeu. O sangue escorria por seu torso e encharcava o chão. Eu o esfaqueei, eu o esfaqueei, ele está morto? Naquele momento, um arrepio de medo e emoção percorreu seu corpo.

Pavel Headington estava morto. Ele estava livre. Live.

Um sorriso se espalhou pelo rosto de Hayul. A sensação intensa que correu por seu corpo naquele momento ainda estava fresca em sua mente.

‘Boa viagem, filho da puta.’

Olhando para a forma sem vida de Pavel, Hayul sorriu e xingou. Naquele ano em que trabalhou como um cãozinho para os Headington, foi a primeira vez que ele riu tão alegremente.

Então, houve um flash de luz, acompanhado por um tremendo estrondo de trovão que sacudiu o céu. Não era hora de ficar parado, ele tinha que fugir. Hayul se levantou e correu para fora do castelo. Sob uma chuva torrencial, ele correu, sem parar para descansar, abrindo o caminho através da escuridão.

Mas aquele maldito filho da puta não morreu, o desgraçado está vivo? Fugir sem verificar corretamente se ele estava morto havia sido um erro. Sete anos atrás, ele era ingênuo e inexperiente.

— Então ele não está morto.

Hayul murmurou como se estivesse falando consigo mesmo. Quando disse isso em voz alta, as coisas que ele havia julgado como impossíveis se tornaram vividamente reais, atingindo-o de frente. Pavel Headington está vivo. Hayul rapidamente aceitou a realidade.

Negar a realidade diante de evidências claras era uma perda de tempo.

Ele se perguntava onde o homem havia se escondido nos últimos sete anos, mas não podia se dar ao luxo de pensar nisso agora.

— Eu cometi um erro. Eu definitivamente deveria tê-lo matado naquela época.

Um riso baixo escapou do telefone.

[Me mate de novo. De novo e de novo se quiser.]

Um longo suspiro acompanhou a risada. E os sussurros se seguiram imediatamente.

[Foi tão deliciosamente extasiante. Morrer pelas mãos do meu hyung. Foi realmente muito bom.]

O tom baixo que fluía até seus ouvidos era doce, sensual, úmido e pegajoso como um gemido de orgasmo. Arrepios percorreram sua espinha. Na parte interna de sua orelha, ele pôde sentir a sensação suave dos lábios de Pavel e até sentiu o cheiro cítrico de seu hálito. Um aroma sufocante.

— Onde você está? Vou te matar agora mesmo.

[Estou indo atrás de você. Então espere.]

Era um sussurro suave e gentil, como se ele estivesse falando com um amante amado.

[Não deixarei que ninguém toque em meu hyung.]

— Pavel! — Quando ele chamou o nome, a ligação foi abruptamente encerrada. Hayul olhou momentaneamente para o telefone que tinha sido desligado. — Droga! — O som de um xingamento áspero ecoou pela maldita casa.

Aparentemente, o desgraçado que havia voltado do inferno não era o mesmo cara de sete anos atrás. Mas ele não era o único que havia mudado, Hayul também havia mudado. Os olhos de Hayul brilharam e ele cerrou os dentes.

Desta vez, com certeza, vou matá-lo. Seu filho da puta.

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Continua…

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Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online

(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
 
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog

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