Ler Cão Real. – Capítulo 01 Online

Modo Claro

Maldita chuva.

Na Inglaterra, terra natal de Hayul, a chuva sempre caía. O dia em que ele matou aquele sujeito na casa de campo no sul do Reino Unido, há sete anos atrás, também não foi exceção.

A única coisa boa que ele encontrou ao se mudar da Inglaterra para os Estados Unidos foi o clima. O tempo em Nova York também era instável, mas comparado a Londres, aquele lugar era um paraíso. No entanto, o clima em Nova York durante este inverno estava particularmente volátil, tornando-se imprevisível. Era um inverno com mais chuva do que neve.

Hoje, começou a chover à tarde e, à medida que a noite avançava, se transformou em uma forte tempestade. Talvez fosse por isso que Hayul estava se sentindo tão mal. Ele sempre ficava doente em dias chuvosos.

Ele saiu sem guarda-chuva e voltou para casa encharcado. Assim que tirou as roupas molhadas e as jogou no chão, desabou na cama. Seu corpo doía como se tivesse sido espancado e sua temperatura estava subindo mais do que o normal. Sua condição física estava pior do que o habitual. Sentiu que poderia morrer assim, então mal conseguiu se levantar para pegar um analgésico e se forçou a dormir novamente em seguida.

Quando finalmente adormeceu, meio zonzo pela medicação, seu celular tocou. Deve ser o chefe, Marco . Maldito filho da puta. Se era sobre trabalho, ele poderia ter ligado de manhã. Com certeza estava planejando arrastá-lo novamente para a sua cobertura.

Tateando, ele encontrou o celular na mesa ao lado da cama e o aproximou da orelha.

— Sim. Chefe.

[Por que você está com essa voz? Pegou um resfriado?]

A voz era de um jovem, com um tom profundo e lento. Não era a voz de Marco . Era ainda mais baixa e mais encorpada, com um elegante sotaque do sul da Inglaterra.

— Quem…

[Como você tem passado?]

— Acho que você discou o número errado.

[Não, Rosie.]

Os olhos de Hayul se arregalaram. Ele acordou repentinamente e, como se tivesse sido atingido por um raio, se levantou abruptamente da cama e pressionou o celular contra a orelha.

— O quê? Quem é você?

Sua voz tremeu desajeitadamente. Não era para menos. O nome “Rosie” era dito apenas por uma pessoa. Ninguém mais deveria saber disso.

[Você não ainda não descobriu?]

— Quem diabos é você!?

Sua voz se elevou, e suas mãos tremiam enquanto segurava o celular. O homem não respondeu sua pergunta. Em vez disso, uma risada suave podia ser ouvida casualmente. O homem estava certo, seus instintos estavam corretos. Eu conheço esse homem. A voz sussurrante, a risada suave: tudo era familiar.

[Agora, você é Sean Ringer ou algo assim, não é? O Anjo? Haha, um anjo… Fantástico!]

— …. Quem merda é você? Diga de uma vez!

[Você não sente minha falta? Eu sinto tanta falta do hyung que poderia morrer.]

— Não brinque comigo!

[Nunca esqueci meu hyung nem por um momento.]

Comparado a Hayul, que gritou a plenos pulmões, o homem permaneceu calmo o tempo todo.

[Me espere. Irei ver você em breve.]

Essas foram as últimas palavras que o homem disse. Ele desligou o telefone sem se importar com os gritos e ameaças de Hayul.

— Ei! Quem diabos é você? Seu louco! Eu vou te matar!

Gritar e ameaçar no telefone não serviria de nada. Hayul jogou o celular. O espelho na parede foi atingido com força, se quebrando, e os cacos caíram no chão.

Definitivamente era a voz dele. Aquele que me chamava de ‘Rosie’ com uma voz suave grave que chegava a fazer cócegas em meus ouvidos. O orgulhoso filho mais novo da família Headington, o lindo bastardo Pavel Yates Headington.

Era o filho da mãe que Hayul matou há sete anos.

 

***

 

[Anjo.]

O maldito som saía de seus fones de ouvido. E ele de repente ficou irritado.

— Estou lhe avisando, nunca mais me chame por esse nome.

[O quê? Até o chefe o chama de Anjo, então qual é o problema?]

Antônio ficou chateado como se se sentisse injustiçado.

— Me chame por esse nome mais uma vez e eu vou estourar seus miolos. Me chame de Sean.

[Você está de mal humor.]

— O que você quer?

[O que você quer para o almoço?]

A testa de Hayul  franziu. Entrar em contato com um franco-atirador em uma emboscada já era uma loucura, mas ouvir o motivo era pior. De onde diabos o chefe tirou esse hacker drogado? Esse cara está agindo como um drogado desnorteado.

— Desligue a rede sem fio, porra.

[Vamos lá, comer é uma coisa muito importante.]

Não havia energia para xingar, então ele retirou os fones de ouvido. O som do xingamento de Antônio ecoou alto pelo fone. Não acredito que estou no mesmo time que esse desgraçado.

Quando estava no exército ou atuando como mercenário, ele nunca poderia imaginar uma situação assim. Em primeiro lugar, um franco-atirador nunca entrava em uma emboscada sozinho. O atirador deveria sempre estar acompanhado de um observador. No entanto, as quadrilhas não tinham o tipo de manual estruturado que os militares tinham. Tudo estava uma bagunça, um caos.

Nesse caso, seria melhor trabalhar sozinho como costumava fazer.

Hayul abriu e fechou os olhos. Seu corpo inteiro estava rangendo por já estar escondido há duas horas. Após perder o sono devido à ligação da outra noite, ele estava se sentindo mal por conta da forte chuva que continuou por dois dias consecutivos.

Embora ele estivesse usando uma capa de chuva, gotas frias espirravam por toda parte e encharcavam o rosto de Hayul. Era como se ele estivesse sendo molhado por um grande jato de água e isso o fez se sentir ainda pior.

No meio da noite de ontem, ele recebeu o telefonema de um homem que havia morrido há sete anos. Parecia loucura, mas era verdade. Era definitivamente a voz dele. Em primeiro lugar, ‘Rosie’. Ele é o único que conhece esse maldito nome. Era um apelido de Hayul que só ele dizia. Que diabos foi aquele telefone? Será que o maldito morto realmente voltou do inferno?

De jeito nenhum. “Tsk”. Hayul estalou a língua. Só pode ser uma pegadinha. Alguém estava tentando fazer uma brincadeira de mau gosto, alguém que sabia sobre seu passado. Mas quem diabos poderia ser? Ele pensou sobre seu passado e inúmeras pessoas passaram por sua mente.

Mas nenhuma delas parecia ser capaz de fazer algo assim. Foi uma sensação frustrante. Quem diabos seria?

‘Você não sente minha falta? Eu sinto tanta falta do hyung que poderia morrer.’

Podia ouvir a voz grave do homem do outro lado da linha que ecoou na noite passada, vividamente em sua mente. Era a voz dele, aquela maldita voz doce e carinhosa, e a maneira como ele falava apenas o que queria.

É realmente você, Pavel?

[Anjo!]

A voz urgente que o chamou pelo fone de ouvido que havia deixado de lado o fez acordar. Parecia que Hayul estava genuinamente perturbado. O atirador de elite estava tendo pensamentos aleatórios enquanto estava em uma emboscada.

Rapidamente colocou o fone de volta no ouvido e verificou a situação ao redor através da mira da arma.

[O alvo está se aproximando, Anjo.]

Aquele filho da puta. Eu avisei para não me chamar por esse nome. Engolindo sua irritação, Hayul verificou a limusine do alvo.

Ele podia ver homens de terno saindo correndo do prédio e, finalmente, a limusine parou em frente ao prédio e um guarda-costas abriu a porta. Um homem alto e robusto, de óculos escuros, saiu do carro. Mesmo à distância, ele tinha uma presença avassaladora. Era como um urso selvagem, desses que você encontraria na natureza.

Steve Tavier. Traficante de armas, “Alfa Real”. Este era o alvo de hoje.

Hayul ajustou a mira de seu rifle e mirou no torso do alvo. A um quilômetro de distância, era muito arriscado mirar na cabeça. Além disso, estava chovendo e ventando, o que não era a melhor condição para um assassinato.

Um tiro, um acerto: ele tinha que fazer isso em um único disparo. Um erro mínimo o levaria ao fracasso. É claro que Hauyl nunca havia falhado em sua vida. No exército e como mercenário, ele sempre foi reconhecido como um exímio atirador. Mas, no instante em que seu dedo estava no gatilho da MSG-90, aquela arma se tornava um segundo membro em seu corpo.

Steve, que estava rindo e conversando com sua comitiva, tirou os óculos escuros e se virou para ele. Em seguida, levantou a cabeça e olhou para Hayul: seus olhos verdes estavam inconfundivelmente direcionados a ele. A bochecha de Hayul tremeu levemente. Será que havia revelado sua localização?

— Antônio.

Em voz baixa, ele chamou o nome de Antônio, mas, em vez de uma resposta, ouviu apenas o som de chiados e ruídos. Em seguida, a voz de um homem estranho.

[Sinto-me honrado, por ser seu alvo, Anjo.]

Era uma pronúncia inglesa, um tanto rude, com um sotaque característico. A voz de Steve, que Hauyl estava acostumado a ouvir através de meios de comunicação visual, era claramente presente. Seus olhos ainda estavam fixos em Hayul. Parecia que sua posição havia sido comprometida e sua linha sem fio havia sido hackeada.

Os olhos verdes de Steve eram vívidos e pareciam capazes de penetrar em tudo. Era um olhar típico de um “Alfa Real”: impiedoso e imponente.

Era inacreditável. Hayul estava no telhado de um prédio de apartamentos a um quilômetro do Grand Hotel, onde Steve Tavier estava hospedado. Era impossível que Steve o tivesse encontrado, a menos que alguém tivesse revelado sua localização.

[O que está fazendo? Você deve atirar.]

Hayul não hesitou mais e apertou o gatilho. O primeiro tiro falhou. Sua mira ficou desalinhada e atingiu apenas a cabeça do guarda-costas. Após recuperar o fôlego e focar novamente através da mira, ele apontou para Steve e puxou o gatilho. Desta vez, a bala passou de raspão pelo ombro do homem. Quando Steve cambaleou, os seguranças ao redor dele entraram em pânico.

O fone em seu ouvido estalou novamente, seguido por uma voz urgente, desta vez a de Antônio.

[Anjo, saia daí!]

Hayul pegou sua arma e rapidamente pegou a maleta do rifle de precisão. Com uma pistola de curto alcance em uma mão, ele correu para fora do telhado pelo acesso de emergência dos funcionários que havia preparado com antecedência. Ao chegar ao primeiro andar em um piscar de olhos, Antônio estava esperando em um furgão logo em frente à entrada e Hayul subiu rapidamente no banco do passageiro.

— Como alguém conseguiu invadir minha linha secreta? Tavier deve ter alguns hackers muito bons ao lado dele.

Antônio estava tremendo de medo, mas já havia dito tudo o que precisava dizer. Hoyul observou calmamente pelo espelho retrovisor enquanto o carro dos guarda-costas de Steve se aproximava.

— Droga. Quem merda é esse filho da puta!? Eu não posso acreditar que fui enganado!

— Podemos encontrar o desgraçado mais tarde e espancá-lo até a morte, mas precisamos nos mexer. Precisamos sair daqui primeiro. Se você não quiser morrer, apresse-se!

Hayul gritou alto e, somente então, Antônio pisou no acelerador. Os seguranças de Steve, que estavam bem atrás, abriram fogo. Ao lado dele, Antônio gritava e gemia, lançando xingamentos. Hayul abaixou completamente a janela do carro e apontou sua arma para o veículo que os seguia, atirando. Os tiros e os murmúrios de Antônio se misturaram caoticamente.

— Eu não quero morrer, anjo. Não quero morrer! Deus… Virgem Maria… Buda, Alá! Vou parar de pecar e viver decentemente!

Antônio murmurou com os olhos cheios de lágrimas. Era irônico que ele dirigisse com tanta habilidade em meio a essa situação. Carros da polícia foram despachados após informes de tiros em plena luz do dia. Quando a polícia se aproximou, como se tivessem um acordo, os homens de Steve e Hauyl pararam de atirar. Seria um grande problema ser pego pela polícia. O veículo de Steve diminuiu a velocidade e fez um desvio para uma via secundária, enquanto o veículo de Hayul acelerou e escapou da perseguição.

— O que aconteceu? O que está acontecendo?

— Alguém parece estar tentando me ferrar.

Hauyl murmurou para si mesmo, com os olhos brilhando. Era evidente que alguém dentro da organização o havia traído e se aliado a Steve. No mesmo instante, o telefone celular de Hayul tocou. Colocando-o no ouvido, ele ouviu a voz profunda de Marco ressoando.

[Preciso que você venha à minha cobertura imediatamente.]

 

°

°

Continua…

Tradução: Rize

Revisão: MiMi

 

 

 

Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online

(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
 
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog

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