Ler Beije o canalha. – Capítulo 10 Online

Modo Claro

Tum… tum… tum….

Em contraste com o silêncio do recinto, o som do seu próprio coração era tão alto que Yujin teve a ilusão de que ele ecoava estrondosamente por todo o escritório. Não queria que o outro percebesse o quanto estava abalado, mas não sabia dizer se isso estava funcionando. Tentando ao máximo manter uma expressão neutra, ele apenas esperava que Winston não notasse nada.

Desde que voltou a Delight, aquela era a terceira vez que se encontrava com Winston, mas era a primeira em que ficavam frente a frente sob uma luz tão clara. A primeira havia sido na escuridão, e a segunda, durante a leitura do testamento, quando ele deliberadamente evitou  olhá-lo, concentrando-se em outra coisa. Por isso, só agora Yujin conseguia observar o rosto dele com atenção, detalhe por detalhe.

Os cabelos, abundantes e volumosos, estavam perfeitamente penteados para trás, sem um único fio fora do lugar. Sob as sobrancelhas escuras, olhos profundos, de pálpebras alongadas, se fixavam. Descendo pelo nariz de traços bem definidos, surgiam lábios grossos firmemente cerrados e um maxilar forte. Ah… engolindo com dificuldade um suspiro, Yujin percebeu com clareza. O homem ali diante dele era um adulto plenamente maduro.

O garoto que sempre sussurrava palavras gentis já não existia. O homem de feições agora desconhecidas o encarava com uma expressão fria ao extremo, mas seus olhos carregavam o olhar típico de alguém ferido.

Não era irônico? Quando quem havia se machucado de verdade tinha sido Yujin.

Winston apenas o observava em silêncio. Yujin também não disse nada. Aquele silêncio tenso parecia não ter fim, mas, inesperadamente, foi o alfa quem falou primeiro.

— Primeiro, por que você não se senta?

Seguindo com os olhos o leve gesto que ele fez, Yujin virou a cabeça e, após hesitar, deu alguns passos. Sentiu-se incomodado por parecer estar apenas obedecendo, mas também não podia ficar ali de pé para sempre. Não tinha decidido aceitar qualquer proposta que viesse? Se nem isso conseguia fazer, como pretendia resolver aquela situação? Comparado ao problema que tinha diante de si, seu orgulho ferido era algo pequeno demais.

‘Não vou perder essa segunda chance. De jeito nenhum.’

Ele se advertiu em silêncio. Precisava se submeter à situação da forma mais racional e fria possível. Winston não faria exigências absurdas, certo? Afinal, ambos estavam igualmente em apuros por causa daquele testamento. Aceitar uma ou outra provocação seria perfeitamente suportável.

Sentando-se novamente na poltrona onde estava durante a leitura do testamento, Yujin endireitou as costas e fixou o olhar em Winston. O Alfa estreitou os olhos ao vê-lo sentado novamente no mesmo lugar onde o havia humilhado em sua imaginação.

O aroma de feromônios que normalmente pairava no ambiente se intensificou ainda mais. A ponto de Winston também perceber, embora Yujin continuasse sem demonstrar qualquer reação. Contendo o incômodo, Winston se afastou da mesa na qual estava apoiado e perguntou:

— Chá preto, tudo bem?

— Ah, sim….

Antes mesmo de Yujin terminar de responder, ele já estendia a mão para o bule sobre a mesa. Levantando o tecido que o cobria, ele despejou o chá ainda quente diretamente na xícara e, em seguida, pegou o conhaque que estava ao lado. Ah… Yujin abriu a boca por reflexo, mas logo a fechou.

‘Talvez seja melhor beber um pouco de álcool.’

Sabia que precisava manter a cabeça fria, mas com os nervos tão à flor da pele, talvez fosse melhor aliviar um pouco a tensão do que acabar com uma enxaqueca imensa. E afinal, algumas gotas de conhaque não eram exatamente uma grande quantidade.

Ele observou Winston acrescentar uma colher de mel e mexer levemente, completando o chá.

Toc… toc….

De repente, o homem começou a se mover. O som regular dos sapatos ecoou sobre o piso de madeira em padrão espinha de peixe. Um passo, depois outro. Ao ver Winston se aproximar pouco a pouco, acompanhado daquele som seco e inquietante que ressoava no silêncio do escritório, Yujin encolheu os ombros, tenso. Sem perceber, prendeu a respiração e pressionou o corpo contra a cadeira, como se quisesse se grudar nela. Foi quando Winston parou.

Ah.

De costas para a única saída, Winston o observava de cima. Ao perceber que sua rota de fuga estava bloqueada, o rosto de Yujin empalideceu. Seu olhar ansioso insistia em se dirigir para atrás de Winston, mas ele, fingindo não perceber, estendeu a xícara de chá com indiferença.

— Aqui.

A atitude do homem era simples, quase despretensiosa, mas, ainda assim, a boca de Yujin ficou completamente seca.

— O-obrigado.

Recebendo a xícara com as duas mãos, ele abriu a boca por reflexo, mas, ao ouvir a própria voz completamente rachada, apressou-se em pigarrear para ajeitá-la. Winston observou em silêncio enquanto ele baixava o olhar e bebia o chá, umedecendo a boca.

— E o aroma?

— …É bom.

Yujin respondeu com cautela à pergunta de Winston. Mais uma vez, o silêncio se instalou. O que ele estaria pensando? A expressão neutra não deixava transparecer emoção alguma, o que só aumentava a ansiedade de Yujin.

Glup, Glup….

Talvez porque seus nervos estivessem todos concentrados em Winston, ele acabou bebendo o chá fazendo barulho. Ao perceber o som desagradável ecoando pela sala silenciosa, Yujin ficou constrangido e apressou-se em apoiar a xícara sobre o colo.

Sentiu-se patético por estar tão atrapalhado.

‘O que está acontecendo comigo, afinal? Eu não sou mais um adolescente, reage! Desse jeito, como vou proteger a Angie?’

Depois de se repreender duramente, ele respirou fundo e abriu a boca. Se Winston continuasse daquele jeito, ele tomaria a iniciativa e iria direto ao ponto.

— Então…

— E como está sendo ficar aqui?

Quase ao mesmo tempo, Winston lançou a pergunta. Pego de surpresa, os pensamentos de Yujin se embaralharam e, após hesitar, ele respondeu a contragosto.

— É bom. Mas…

— Ainda bem. Se houver algo que te incomode, me diga. Vou tentar resolver, dentro do possível.

Ele tentou acrescentar outra pergunta, mas, mais uma vez, perdeu a oportunidade. Encarando Winston ainda confuso, ouviu-o continuar com naturalidade:

— Desde que não seja para voltar ao lugar onde você morava antes.

Com isso, Yujin entendeu que o “aqui” mencionado não se referia a Delight como um todo, mas àquele antigo anexo.

— …Não penso nisso.

Era verdade que o lugar onde estava agora não era exatamente confortável, mas ele não se importava tanto. Não imaginou que acabaria ficando ali por tanto tempo.

Depois de ouvir o conteúdo do testamento, achou que, assim que recebesse mesmo que fosse um pouco de dinheiro, partiria imediatamente. Um misto de amargura e inquietação se espalhou dentro dele.

— De qualquer forma, aquele lugar não era a minha casa…

A frase saiu arrastada, enquanto ele abaixava a cabeça. Era por isso que não queria voltar. Havia lembranças demais naquele lugar. Mais do que as memórias dolorosas e humilhantes, eram as lembranças felizes que mais machucavam. Como teve poucos momentos realmente felizes, aquelas recordações modestas eram preciosas demais, a ponto de ele não conseguir simplesmente apagá-las.

As lembranças do passado, que voltaram de repente, deixaram Yujin frágil. Após hesitar, ele falou com cuidado:

— …Agora, quem está morando lá?

Perguntou, sem conseguir erguer a cabeça. Winston respondeu com uma voz seca:

— Ninguém.

Yujin levantou lentamente o olhar hesitante.

— Ninguém mora lá…?

Ele próprio conseguia perceber que a sua voz tremia levemente. Ao ver o final da frase se apagar sem confiança, Winston abriu a boca.

— Sim. Aquele lugar não é usado há muito tempo.

— …Entendo.

Yujin acabou se calando, sem ter mais o que dizer. O passado que ele havia enterrado com tanto cuidado ressurgiu com uma facilidade absurda diante de um estímulo mínimo. Sua mente ficou enevoada, e parecia que as risadas daquele dia ecoavam suavemente junto aos seus ouvidos.

Aqueles dias radiantes que, por um breve momento, o fizeram imaginar um futuro diferente.

Tudo havia sido uma ilusão.

— …Então você também não foi mais lá.

Yujin murmurou, como se falasse consigo mesmo. Quanto medo e solidão ele sentia naquele anexo que ninguém visitava. A partir do dia em que aquele homem apareceu diante dele, sua vida mudou completamente. Ele acreditava que viveria sozinho até morrer.

Era irônico sentir saudade daquela casa de hóspedes que um dia fora tão solitária.

O rosto juvenil do garoto sorridente se sobrepôs à imagem do homem adulto em que ele havia se tornado. Perdido em lembranças distantes, Yujin ficou um instante em branco, preso a imagens inúteis do passado.

“Yujin.”

De repente, uma voz alegre, misturada a risos, ressurgiu com nitidez. Junto dela, vieram também os beijos suaves e os sussurros doces.

“Eu te amo.”

…Ah.

Yujin deixou escapar um suspiro, estreitando os olhos sem perceber. Winston estava a apenas dois ou três passos de distância, olhando-o de cima. O rosto do homem, com mais de dois metros de altura, parecia distante demais para ser encarado enquanto ele permanecia sentado. Ao forçar o pescoço para olhá-lo, uma tensão incômoda se misturou a um sentimento indefinível.

‘Se eu não tivesse conhecido esse homem.’

Uma suposição que ele já havia feito inúmeras vezes voltou à sua mente. Se tivesse sido assim…

Subitamente, Winston se moveu. De sua posição não muito distante, ele abriu os braços e apoiou as mãos nos braços do sofá individual onde Yujin estava sentado.

‘Se fosse assim, nós…’

Sem desviar os olhos de Yujin, Winston falou:

— Querido.

Seu coração pareceu se contrair e palpitar descontroladamente com o som daquela voz grave e suave. A proximidade era tamanha que ele conseguia sentir a respiração do outro, mas, mesmo assim, não conseguia se mover. Como se estivesse hipnotizado, sequer piscava, apenas o encarava. Parecia que seus lábios se tocariam a qualquer momento, como naquele dia, sob o sol ardente.

‘Então, eu…’

Quando ele prendeu a respiração, fazendo seus longos cílios tremerem levemente, Winston sussurrou com falsa doçura:

— Você achou que, trazendo lembranças do passado, ia me seduzir a ponto de eu entrar no Rut e te atacar?

No mesmo instante, Yujin congelou por completo. Os olhos violetas do homem à sua frente estavam cheios de desprezo e escárnio. Em uma situação dessas, ele havia se deixado levar por memórias e fantasias ridículas. Um sentimento de autodepreciação o atingiu em cheio.

‘Acorda. Você esqueceu por que veio até aqui? Vai deixar esse homem te manipular desse jeito?’

— Eu nunca pensei nisso. Eu, te seduzir? São suas fantasias que estão correndo soltas.

Yujin rapidamente se recompôs e revidou a acusação. Como se dissesse que era ele quem estava tendo devaneios absurdos.

Embora tivesse acertado em cheio, Yujin não percebeu. Ele apenas torcia para que sua fraca reação surtisse algum efeito. Ao falar com ironia, despejando toda a raiva e os sentimentos antigos que guardava, viu Winston estreitar os olhos. Prendeu a respiração, aguardando o que viria a seguir, quando os lábios de Winston se moveram lentamente.

— Inibidor.

— O quê?

Diante da voz baixa, perguntou por reflexo. Ao encarar com apreensão o rosto sombreado do homem, que estava contra a luz, Winston falou novamente, entortando os lábios em um sorriso frio:

— Você não está reagindo aos meus feromônios. Com certeza tomou inibidor.

Yujin ficou momentaneamente atônito, e seu rosto se enrijeceu. Só então percebeu por que Winston havia se aproximado tanto.

Para despejar feromônios.

Provavelmente, o aroma dos feromônios do alfa já devia estar impregnado ao seu redor. Mas ele não sentia absolutamente nada. Era natural. Yujin não conseguia sentir o cheiro dos feromônios de um alfa dominante.

Ele fechou e abriu a mão suada, tentando disfarçar o nervosismo.

‘É melhor que ele pense isso mesmo.’

Winston era justamente a pessoa diante de quem ele jamais poderia revelar uma fraqueza. Bastava mostrar o menor sinal de vulnerabilidade para que aquele homem o atacasse sem piedade, rasgando-o em pedaços. Um arrepio percorreu-lhe a espinha, e seus olhos tremeram. Pela primeira vez, ele sentiu gratidão pelas suspeitas do homem e por sua própria deficiência. Se, naquela situação, tivesse reagido aos feromônios por instinto, o resultado teria sido miserável.

— É uma conversa séria. Seria um problema se eu perdesse a razão por causa dos seus feromônios.

Yujin escolheu as palavras com cuidado antes de responder. Felizmente, sua voz não tremeu e soou serena. Achou que havia lidado bem com a situação, mas a resposta que recebeu foi apenas o riso debochado de Winston.

— Enquanto os seus continuam fluindo por todo lado?

Era uma observação inesperada. A reação instantânea de constrangimento de Yujin foi, é claro, interpretada de maneira completamente diferente por Winston.

— Existem muitos remédios no mundo, alguns que não são bem avaliados.

‘O que ele está tentando dizer?’

Com o coração apertado, Yujin ouviu Winston prosseguir, em tom lento e provocativo:

— Por exemplo, um inibidor que permite que a própria pessoa exale feromônios, mas não reaja aos feromônios dos outros.

Ah.

A suposição de Winston estava completamente errada. Era apenas o resultado lógico da certeza distorcida criada pelas desconfianças que ele nutria contra Yujin. Não importava o que ele dissesse ou fizesse, Winston continuaria pensando da mesma forma. Na cabeça dele, Yujin era uma vadia como nenhuma outra no mundo.

Ainda assim, não viu motivo algum para corrigi-lo. Fingiu indiferença e respondeu da forma mais fria que conseguiu:

— De qualquer jeito, você não reage aos meus feromônios.

Winston não respondeu de imediato. Para surpresa de Yujin, ele apenas ficou ali, olhando-o nos olhos, imóvel por alguns instantes. O ômega aguardou, inquieto, a reação dele.

— Yujin.

De repente, Winston chamou seu nome em voz baixa. Assustado, ele estremeceu, e o Alfa se inclinou sobre ele de maneira quase agressiva. A uma distância tão curta que bastaria mover os lábios para tocá-lo, Winston falou, encarando-o fixamente:

— Tomar um inibidor ilegal por causa desse seu orgulho ridículo é uma estupidez. Você sabe que isso pode causar distúrbios mentais ou até infertilidade, não sabe?

Em seguida, ele estreitou os olhos e soltou um sorriso frio.

— Embora, se acabar infértil, talvez seja até melhor para você. Assim poderia continuar se esfregando em todos por aí, da forma promíscua de sempre.

Winston ultrapassou a linha com uma facilidade assustadora. Yujin não conseguiu mais se conter e tentou se levantar. Porém, o homem foi mais rápido, pressionando seu ombro para baixo. Yujin soltou um grito curto e acabou afundando de forma humilhante no sofá. Crash! Com um barulho estridente, a xícara de chá que ele segurava caiu no chão e se espatifou em pedaços. Mas Yujin não teve tempo de se importar com isso.

Porque, no instante seguinte, Winston cobriu seus lábios com os dele.

 

°

°

Continua…

 

 

 

 

Ler Beije o canalha. Yaoi Mangá Online

Interesse Romântico Seme / Gong: Winston Campbell (terceiro filho e caçula. Alfa dominante. Herdeiro do conglomerado familiar. 28 anos) Protagonista masculino. 198 cm/90 kg. Cabelo castanho-escuro. Olhos roxos. Homem de físico enorme e musculoso.
Há cinco anos, manteve um relacionamento amoroso com Seol Yujin, mas acabou se separando ao acreditar que ele havia cometido adultério com seu pai.
— Querido, ninguém neste mundo sabe melhor do que eu que tipo de vadia barata você é.
***
Personagem Principal Uke/Su: Seol Yujin (ômega. 28 anos) 178 cm/60 kg. Órfão. Corpo magro, de ossatura longa. Cabelo castanho-claro. Olhos castanhos. Pele branca. Teve uma filha, Angela, com Winston, mas é acusado de que a criança seria de outro homem.
— O que aquele homem faria se soubesse que Angela é filha dele?
***
— De quem é essa criança?
Eles foram um casal apaixonado cinco anos atrás, mas se separaram devido a um grave mal-entendido. Winston ainda acredita que Yujin manteve um caso com seu próprio pai. Após ser descartado de forma cruel, Yujin passou a viver acreditando que nunca mais voltaria a encontrá-lo e, enquanto lutava para sobreviver com a filha, acabou perdendo tudo quando um incêndio destruiu seu apartamento, deixando-os na rua.
Em meio ao desespero, ele descobre que Harold Campbell, pai de Winston, deixou um testamento em seu nome. Na esperança de conseguir ao menos alguma ajuda, Yujin decide retornar à mansão.
O reencontro com Winston é marcado por ódio ainda mais intenso. Enquanto Winston continua desprezando-o, Yujin deseja apenas receber rapidamente a herança e ir embora. Para sua surpresa, Harold lhe deixou uma herança muito maior do que o esperado. No entanto, há uma condição.
Ele deve se casar com Winston e engravidar dentro de um ano.
Yujin tentou recusar, mas a realidade não era tão simples. Como forma de vingança pelas humilhações constantes que sofre de Winston, ele acaba aceitando o casamento. O alfa, por sua vez, deixa claro que tudo não passa do cumprimento do testamento e que entre eles não resta absolutamente nada.
No entanto, contra suas expectativas, eles não conseguem controlar a atração constante que sentem um pelo outro. Ambos tentam ignorar isso, convencendo-se de que não passa de desejo carnal…
mas será mesmo?
Nome alternativo: Kiss The Scumbag

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